quarta-feira, 30 de junho de 2004

OS ENSINAMENTOS DO MESTRE DUCARD


Batman Begins: Qual seria a importância narrativa de Henry Ducard, o mentor de Bruce? Que eu saiba, esse personagem não existe nas HQs e, embora seja uma liberdade artística (coisa que sempre é temida pelos fãs), achei uma idéia bastante promissora, visto que nunca gostei muito do fato do Bruce ser praticamente um autodidata no combate ao crime.

E por quê? Pelo mesmo motivo que me incomoda também na Elektra Natchios. Embora educados mental e fisicamente, e praticantes de várias lutas e esportes, o background dos dois é predominantemente burguês (aquele lance da "pele fina", saca?). Eles são, a grosso modo, vigilantes das ruas, e sempre estranhei a sua condição de mestres na difícil arte da malandragem suburbana. Mas a ninja grega até que se safa, devido ao convívio com o malandrão Murdock, a carteira assinada no Tentáculo e o upgrade ninjístico que Stick conferiu na bela moçoila.


Já o caso de Bruce é diferente. Por mais que ele tenha buscado seu nirvana espiritual - e com todo o suporte de sua grana inesgotável - sempre faltou ali o elemento paterno. Bruce não foi mariner (como Tommy Monaghan, o Hitman), não foi soldado da 2ª Guerra (como o Rogers), nem lutou no Vietnã (que nem o Castle). Ser um mestre assim, sem experiência de campo, só rola se o cara crescer numa academia (como Danny Hand), ou num país de 3º Mundo (a criminalidade exorbitante e a fome mortal endurecem o couro de qualquer jagunço).

Na sipnose divulgada, após a morte de seus pais, Bruce mergulha num auto-exílio e só volta com 25 anos de idade. Especula-se (eu especulo) que nesse período ele vai cantar na freguesia do Nepal e arredores. Algum lugar com vários templos e várias sociedades ninja. E Mestre Yo... digo, Ducard estará lá, cheio da moral, se deparando com um jovem perdido e angustiado. Ele aceita guiar o young Bruce pelos caminhos da For... digo, das artes obscuras da guerra. Mas Bruce é por demais arredio, só busca vingança total e desenfreada. "Cuidado, jovem Bruce... o ódio leva à vingança, e a vingança leva ao Lado Negro da For..." EEEI...!


Liam Neeson é um ótimo ator, infelizmente marcado por um papel em um filme em preto e branco. Poucos se lembram que antes ele participou dos grandes Darkman e Dirty Harry Na Lista Negra. Liam tem uma aura "honrada" e meio messiânica, fundamentais para um suposto tutor do vigilante de Gotham. Se Bruce já é aquilo tudo, o sanssei dele então...

Mas lutar e espancar dezenas de adversários de uma só vez é fácil, até Bruce Lee fez isso (hehe...). O que Ducard deverá aprimorar no então angustiado Bruce é o fator psicológico – justamente o diferencial do Batman. Com requintes de crueldade, Bruce deverá usar tudo o que aprendeu com Ducard, empreendendo uma verdadeira tortura psicológica nos criminosos. E fica assim: Batman é uma lenda urbana que se torna real quando você comete um crime. Foi Ducard quem ensinou. Será que Chris Nolan lembrou disso ou é melhor eu telefonar pra ele?


A propósito, quem tem uma certa faixa etária mais avançada relembrou um dos pop movies mais divertidos (leia-se "mentirosos") dos anos 80: Remo – Desarmado e Perigoso. Esse filme, de 1985, já trazia muitas idéias que a nova geração só conhece via Matrix. O nome de Remo (policial dado como morto e treinado para ser um guerreiro letal) não importa. O que importa é o nome do mestre dele: Mr. Chiun. Desviar de uma saraivada de balas? Saltar 6m. de altura por 10m. de distância? Andar sobre a água? Nocautear dezenas de adversários com um só golpe? Tudo isso o Chiun já fazia. Nada de Neo e congêneres. Antes dele só Jesus mesmo. Aliás, o legal do Chiun era a sua pouca cordialidade. Quem, potencialmente “do bem”, nocautearia a frágil mocinha só pra ela parar de tagarelar? Praticamente um Lobo Schimidt faixa-preta.

Mais uma coisa. No Brasil, esse filme ficou conhecido como Remo - Desarmado e Perigoso, enquanto nos EUA ele foi vendido como Remo - The Adventure BEGINS... Pelo menos o Ducard poderia honrar a coincidência...


E como a maioria provavelmente nunca ouviu falar em Remo ou em Chiun - O Mestre Absoluto do Sinanju (o pior é que isso existe!!), aqui vai uma pequena amostra do que Chiun é capaz de fazer em dias de preguiça. É só clicar na figura.


Depois dizem que o Neo é que é pioneiro em esquivadas de bala... tsc.

domingo, 27 de junho de 2004

APÓS 14 ANOS, PREDADOR 2 FOI PROMOVIDO A "ÓTIMO"...!


Dia desses, escrevi que o Predador não foi "muito bem tratado no cinema após sua estréia". Faltou explicar que eu estava me referindo ao congelamento da franquia, não à qualidade da continuação.

Eu lembrava que, embora não fosse do mesmo nível do primeiro, Predador 2 - A Caçada Continua (de 1990) era um bom filme. Mas, sinceramente, a última vez que eu o assisti foi há mais de 10 anos (putz!!). Então, ao melhor estilo tira-teima, ontem o reassisti - dessa vez em DVD e no volume 10.

Que surpresa...! Predador 2 é muito melhor do que eu lembrava. Talvez a noção de que o filme era apenas mediano vinha do fato que ele teve uma péssima bilheteria na época, da não-escalação do Schwarza (devido ao uso indevido de um helicóptero da Fox) e de Danny "Lethal Weapon" Glover no papel principal. Não achava que Danny poderia render um bom protagonista, já que ele é mais associado à papéis dramáticos (A Cor Púrpura) ou em gags de ação/aventura (Máquina Mortífera). De fato, achava mesmo que o eterno detetive Murtaugh não seguraria um duelo com o rastafári.


Ledo engano, pois Danny aqui pouco lembra o seu trampo em Máquina Mortífera. Seu personagem, o detetive Mike Harrigan, é quase um sociopata. Agressivo, impulsivo e, ao mesmo tempo, o melhor soldado que a violência urbana extrema poderia gerar. Danny perde pra Schwarza em presença física, mas compensa - e muito - em termos de selvageria. Chega um momento que você pensa até que ele poderia ganhar do Predador no braço. Aliás, comparando os dois filmes, você percebe que o Schwarza apanhou até mais que ele.

Danny tem uma presença ameaçadora quando quer. Ele deveria fazer mais personagens desse tipo - só o vi assim no ótimo (e ignorado) Um Assassino À Solta. Mal-comparando, o detetive Harrigan é o detetive Murtaugh com a personalidade psicótica do Martin Riggs (do 1º Máquina Mortífera). É um contraponto interessante em relação às ações meticulosas do Predador.


Outro detalhe curioso (e também pra mostrar que eu ficando velho mesmo): o filme se passa no "futuro", em 1997. O local é uma L.A. assolada por uma forte onda de calor e por uma violenta guerra entre a polícia e traficantes colombianos e jamaicanos. Ambiente ideal pro Predador justificar o apelido. Aliás, acho que ele só não topou com o Robocop por lá porque o ciborgue é de Detroit (o clima de caos urbano é igualzinho).




Nessa continuação a, digamos, "personalidade" do Predador é mais explorada que no 1º filme. Ficamos sabendo, por exemplo, que ele não caça "filhotes", nem "fêmeas grávidas". Por duas vezes, ele agiu como um perfeito caçador profissional e não trucidou os pentelhinhos que cruzaram seu caminho (um deles ainda no útero - sorte da futura mamãe).

No quesito gastronomia, o Predador não adota o ditado "em casa de ferreiro, espeto de pau" (não poderia ser diferente, afinal seria muito engraçado se ele fosse vegetariano com aquela bocarra). No filme, ele é um apreciador inveterado de carne bovina. Só não sei se ele cozinha antes ou se vai crua mesmo. Essa era uma dúvida minha que foi esclarecida, pois eu tinha a ligeira impressão que o bicho era chegado num lombo humano também. E outra: ele só come de dois em dois dias (isso que é jejum!). Era esse o período em que ele fazia o rápa num frigorífico, entre uma caçada e outra.


Uma das maiores contribuições desse filme à mitologia do Predador foi o upgrade que fizeram em seu arsenal. Eu achei muito bem sacada essa concepção Tecnologia X Primitivismo. Isso evidencia o óbvio intelecto superior da raça (ao invés de ficar só mostrando os dentes e babando por aí), e ainda reforça a idéia de "sociedade tribal" que parece prevalecer entre os Predadores.

Quem já jogou AvP (o 1º ou o Primal Hunt), sabe que é uma festa procurar referências dos filmes no game - principalmente ao utilizar o farto armamento dos Predadores. Tem de tudo. E é muita coisa...




The Mask - A precária visão dos Predadores é um consolo para os daltônicos (eles enxergam em 6 bits). Sua visão consegue captar texturas, contornos e feromônios (isso eu também faço, mas só funciona com as fêmeas!). Sendo assim, o uso da máscara se torna mais do que essencial durante a caçada.

Ela oferece vários modos de visualização, entre elas: térmica, infravermelha, leitura de movimento e fotônica. Essa última, aliás, rendeu uma ótima seqüência em Predador 2. Os agentes treinados para capturar a fera até foram espertos e usaram roupas termo-isolantes para despistar, mas num certo momento, resolveram ligar as lanternas...

Além disso, a máscara é interligada aos outros equipamentos. É através dela que é definido o alvo do canhão de plasma.



Cloak Generator - Antes de se revelar para o restante das presas, o Predador faz a festa com o seu "gerador de camuflagem". Foi a grande sacada do filme de 87. Mas ele não fica totalmente invisível, ele apenas reflete a imagem ao seu redor, causando um "efeito espelhado". Não é 100%, mas até descobrirem onde está o sujeito, ele já matou a rodo.

O gerador é controlado pelo CPU atrelado ao pulso esquerdo, e pelo jeito é um equipamento delicadíssimo - nos dois filmes ele sofreu um curto-circuito.



The Medic Kit - Esse estojinho de primeiros socorros é mil vezes mais eficiente que a rede do SUS inteira. Não faz milagre, mas quase chega lá. Pelos filmes, dá pra ver que só não dá resultado quando o Predador não consegue (ou não pode) chegar até ele.

O kit médico é super-eficiente, mas nem por isso indolor. No segundo filme, tem uma cena de cauterização de um braço decepado que dá até pena do monstrengo. Lembrei até do Rambo, naquela vez que ele se costurou com corda, e naquela outra vez, quando fechou um buraco de tiro com pólvora e fogo. Porra... tem de ser macho bagarái!


Wrist Blades - Garras retráteis acopladas à um mecanismo instalado no pulso direito, extremamente importantes durante os combates mano a mano - mesmo com a enorme vantagem física do Predador.

São de um material aparentemente leve e muito resistente, podendo retalhar facilmente tecido muscular, ossos e até resistir ao sangue ácido de um Alien (tá no game...).


Aliás, ao que me consta, apenas o Bruce teve a destreza e o equipamento necessários para neutralizar as wrist blades - lembram de Dead End? :D




The Spear - Apareceu apenas no segundo filme. Trata-se de uma lança retrátil que atinge cerca de 3m. de comprimento.

Tem o mesmo potencial que se espera dele, ou seja, é mortal tanto em um ataque de curta quanto de média distância. O diferencial é a sua ultra-resistência e o dobro de estrago que faz em comparação à sua "versão terrena". É o tipo do equipamento em que a eficiência depende diretamente da habilidade do portador.


The Disc - Sempre quis ter um desses! Trata-se de um disco ultra cortante (provavelmente utiliza feixe laser ou algo parecido no ponto de corte), com nanotech que permite seu retorno à origem do lançamento. Sua trajetória origem-alvo-origem é de forma multi-direcional e sugere a existência de componentes anti-gravitacionais (é só ver o brinquedo em ação e saberá à que estou me referindo).

É literalmente um bumerangue inteligente (o que traz outro paradoxo tecnológico/primitivo, visto que bumerangues são instrumentos nativos de antigas tribos aborígenes da Austrália). Excelente arma (uso direto no AvP!). Também só apareceu no segundo filme.


The Shoulder Cannon - A arma mais perigosa do Predador. É um canhão de plasma com mira à laser e rotação de 90º. A potência do disparo é variável (como no game), pode tanto abrir um buraco em uma parede de concreto quanto apenas liberar um feixe concussivo em seus oponentes (só empurra). Aparentemente, depende do tempo que é gasto quando a energia é acionada/liberada.

Pouco se pode fazer quando o Predador resolve brincar de tiro ao alvo com ele. O rastafári é um ótimo sniper, superestratégico em posições de tiro e linha de disparo, além de ter a maldita camuflagem invísivel - que, combinada com o canhão, empreende verdadeiros massacres. E nem adianta fugir. "Se correr o bicho pega, se ficar..."

Até hoje, só o Coronel Dutch (Schwarza, no 1º filme) escapou - o tiro pegou de raspão.


The Net Gun - Uma das armas mais "desenho animado" do Predador. É uma pistola que dispara uma funda (rede) com pequenos "dentes" nas pontas. Quando ela atinge um alvo, os dentes se cravam na parede ou muro que está atrás, o imobilizando. Apesar do fio cortar superficialmente, não chega a matar. E também não é inquebrável, a rede pode ser cortada com algum esforço (foda é fazer isso antes que o cara-de-siri chegue junto...).

Geralmente, o Predador só utiliza a Net Gun em emboscadas ou quando tem tempo de sobra. Aliás, ele o usou uma única vez (no segundo filme), justamente em um companheiro de dreadlocks (esse feioso aí embaixo).




Speargun - Este é um disparador de dardos que fica no pulso direito do Predador, junto com as wrist blades. Os projéteis não costumam parar no interior da vítima. Eles saem arrancando cabeça, tronco e membros, ou simplesmente a atravessam, dilacerando os órgãos internos (essa arma no game é uma das mais divertidas...!).

A Speargun é utilizada especialmente em combates de grandes proporções, ou quando há um número excessivo de adversários. No segundo filme, essa arma salvou o traseiro escamoso do Predador durante um tiroteio no apartamento de um dos líderes da gangue colombiana.


Wrist Gun - No game isso é uma mão na roda, principalmente quando surjem uns 200 Aliens do nada. No filme, ele é utilizado quase que num relance, portanto só jogando AvP pra conhecer todo o seu potencial. Ou lendo aqui, né... :P

Basicamente é uma pistola que dispara fortes pulsos de energia concussiva. A célula energética é projetada alguns metros à frente, e quando toca o solo, explode em uma onda de choque. É mortal e especialmente eficiente sobre intensos agrupamentos inimigos. Todos são impulsionados para longe, e os que estiverem mais perto morrem instantaneamente. Ideal pra "quando o bicho tá pegando". Só não vale atirar pra cima.


Self-Destruct Mechanism - Como o nome já entrega, esse é o recurso final de um Predador. O objetivo básico é executar uma última retaliação contra o inimigo - e não deixa de ser o teste final para que o melhor lutador prove que ele o é de fato. Se o cara for realmente bom - como o Dutch foi - ele sobrevive.

É também uma espécie de ritual de passagem, para que um Predador - guerreiro por natureza - possa tombar dignamente no campo de batalha. É um troço bem samurai, praticamente um sepuku versão atômica.


Considerações finais: Predador 2 é um ótimo filme, feito numa época em que o cinema de ação era deliciosamente violento e sanguinolento. Hoje em dia os produtores fazem de tudo para abaixar a censura dos filmes. O cinemão de ação/aventura está soando bem-comportado demais... "politicamente correto" demais... "feito para a família" demais... Caramba, é só rever filmes divertidos (e alguns, bem toscos) como Fuga de Nova York, O Vingador do Futuro, Robocop, Mad Max, Cobra, e outros tantos, que você verá a diferença. Até o Indiana Jones trucidava seus inimigos...! Bons tempos.


Bem, no fim das contas, só uma coisa me incomodou em Predador 2...


Cadê a Elpidia Carillo? Sou admirador dessa chica linda e ensangüentada aí desde o primeiro filme. Ela consta no elenco de Predador 2, reprisando o papel de Anna, mas sinceramente não a encontrei no filme. Me disseram que ela é a guria que aparece nua no apartamento (quem dera!), mas não é ela não. Também não vi nenhuma cena dela em flashback... tsc. :/

Ah, e quanto ao vindouro filme AvP, pode-se dizer que foi em Predador 2 que a briga começou a ser cogitada. Na seqüência final, dentro da nave do Predador, há uma "sala de troféus" com crânios de várias raças, inclusive de um Alien. Desde aquela época que os fãs esperam por essa parada...




Agora é esperar a porradaria alienígena iminente. Coitados dos Aliens... só mesmo uma legião deles pra conseguir ganhar de um Predador... E não vale chamar a "Mamãe" não (mesmo porque, aquilo tá mais pra dinossauro do que pra Alien).


Falando em resgate de filmes... tenho a ligeira impressão que aquele Justiceiro com o Dolph Lundgren não era tão ruim assim não. O jeito é conferir de novo a bagaça.

Próxima parada, seção dos relançamentos em DVD...!

sexta-feira, 25 de junho de 2004

ALELUIA!

(pelo menos por enquanto...)


Deu no Superman-V.com, depois a assessoria da Warner confirmou, e eu li tudo aqui. Numa descisão que pode salvar as combalidas relações diplomáticas entre Terra e Krypton, a "4ª pantera" McG está fora do Superfilme! Na verdade, ele nunca foi efetivado na cadeira de diretor, mas sempre se esperou que isso acontecesse. Ainda bem. Bastam alguns minutos de As Panteras pra ver a noção que esse rapaz tem de cenas de ação. Pra não ficar só malhando, McG é o produtor de uma telessérie até legal - Fastlane, que é exibido pelo SBT. Fique por lá, McG...


E já que o Superman-V.com acertou nesse boato, podemos torcer para que outra informação se confirme: segundo eles, o roteirista J.J. Abrams também foi dispensado pela Warner, visto que o seu trabalho já foi finalizado. Para se caracterizar como uma excelente notíca, o tal "trabalho finalizado" deveria ser reescrito por outro roteirista, o que é um procedimento comum em grandes produções. Tim Burton, por exemplo, simplesmente ignorou o roteiro do Kevin Smith, na época em que assumiu o Superfilme.


Pra acabar de vez com o "Trio Desesperança", o produtor Jon Peters também caiu na malha fina. Ele é um inimigo em potencial dos super fanboys, talvez até mais perigoso que J.J. e McG. O boato que persiste há alguns meses é de que sua posição é bem incerta no Superfilme, e que a Warner já está negociando com outros dois produtores. Considerando a forte influência que um produtor pode exercer em um filme (caso de Spielberg em Poltergeist, dirigido por... quem mesmo... ah, Tobe Hopper!), isso seria a melhor coisa que poderia acontecer. Só lembrando que, se dependesse de Jon Peters, aquele roteiro do J.J. (com um Lex Luthor alien e um Clark que não voa) já teria ido para as telonas há muito tempo.

quarta-feira, 23 de junho de 2004

JASON XP


Nemesis é o nome do sujeito. Não contente em sacanear os sofridos gamers de Resident Evil 3 - Nemesis (ô bicho ruim de matar!), agora ele vai distribuir porradas e rajadas de bala nas telonas também. Assim espero, pelo menos. O primeiro Resident foi bem aquém do esperado, mas também não foi essa desgraça toda que andaram falando por aí. O problema foi que, apesar do potencial comercial, não souberam vendê-lo. Não se decidiram entre terror, ação ou aventura. Mas houveram alguns méritos e boas idéias isoladas (os 10 minutos finais foram melhores que o filme inteiro - e ainda instigou pra ca#*&§!). Outro ponto inusitado foi a trilha composta pelo Marilyn Manson: desconexa, ruidosa, tensa e perturbadoramente incômoda - mil vezes melhor que as manjadas trilhas "pra tomar susto".

O novo filme, atualmente em pós-produção, foi dirigido pelo figura Alexander Witt, um ótimo diretor... de fotografia em equipes de 2ª unidade. O cara exerceu essa função em Piratas do Caribe, Triplo X e A Identidade Bourne, entre outros. Bom... fazer o quê né. É esperar pra ver se ele se revela um estreante no nível de Guy Ritchie ou David Fincher (aliás, esqueçam Alien³... o filme do Fincher foi Seven!).

O sinistro Nemesis será o novo vilão, o que já é um ótimo avanço. Aquela mistura de cachorro, lesma e pizza do primeiro filme foi quase um anti-clímax. Até eu matava aquela aberração.

Se ao menos parte da essência do personagem for passado para as telas, já devemos esperar por um dos vilões mais legais do ano. Nemesis é forte como o Hulk, "imparável" como o Fanático, e carrega um arsenal que faria inveja ao Frank Castle. Ele foi criado pela Corporação Umbrella exclusivamente para empreender genocídios. Tudo o que põe em risco o bom nome da gigante corporativa é devidamente pulverizado pelo monstro. É o perfeito "kit Queima de Arquivo" do executivo moderno. Bill Gates deve ter um desses guardado nos porões da Microsoft.

No game, o monstrão sofre algumas providenciais mutações durante as fases, como se pode conferir aí embaixo, mas não creio que vá rolar isso no filme.


Por enquanto, a imagem da criatura está sendo guardada a 7 chaves pelo estúdio (claaaro), mas de vez em quando aparece alguma coisa. Além da imagem lá do início, recentemente caíram na rede mais três fotos com cenas do Nemesis live-action. Nada que tenha sido divulgado no site oficial, of course. Clique nas imagens para ampliá-las um pouco (e bota pouco nisso!).


Claro que nem tudo é sangue e violência... Outras duas razões (muito) boas para conferir Resident Evil 2 é o retorno da deliciosa doidinha Milla Jovovich, no papel de Alice, e a estréia da curvilínea Sienna Guillory, como Jill Valentine (finalmente!). Aliás, Sienna é uma cópia fiel da heroína virtual!


Resident Evil 2 - Apocalypse estréia lá fora em 10 de setembro e aqui, só em 26 de novembro (!!). Pra ir enrolando até lá, recomendo esse site. Na seção de mídia, vá na aba dos vídeos e confira os making-offs. São bem legais, naquele climão "carnificina-na-cidade-lotada-de-zumbis" - especialmente o vídeo 04, que traz como trilha sonora a esquizofrênica Gave Up, do Nine Inch Nails.




"O FUTURO É PASSADO, BABY"
(Marceleza)



E mais um ciclo se completa na extensa carreira do Black Sabbath. Você pode até dizer que os álbuns com os vocais olímpicos do Dio são maravilhosos (e são) e que ele é muito superior ao Ozzy tecnicamente (e é mesmo), mas a verdade é uma só: o Black Sabbath, aquela banda que compunha temas tão tétricos quanto pesados e marcada por referências ao ocultismo, acabou com a saída do Ozzy, em 1978, e seu último disco foi Never Say Die!, do mesmo ano. Ou quase...


Dois álbuns relativamente recentes acordaram os bruxos novamente. São nada menos que dois duplos ao vivo: Reunion, de 98, e Past Lives, de 2002. O que pode parecer uma óbvia seqüência caça-níqueis, na verdade é essencial para compreender a importância do Sabbath e os percalços que a banda atravessou - e ainda atravessa.

Em Reunion, o plano geral era apresentar a banda para a gurizada que marcava presença no OzzFest. Mesmo assim, a motivação foi de peso: era o primeiro show do Sabbath com a formação original desde o Live Aid, em 85. É realmente incrível como eles ainda estavam lá, e em boas condições, mesmo após todos esses anos. Principalmente Ozzy e o batera Bill Ward (que era tão junkie quanto o Madman, ou mais até). No set-list, marcam presença hits certeiros como Paranoid, War Pigs, Iron Man e Sweet Leaf. As execuções, apesar do polimento em estúdio, estão muito energéticas e "atualizam" o andamento das músicas. O guitarrista Tony Iommi e o baixista Geezer Butler sempre foram os mais "profissionais" da banda e aqui isso fica bem claro. O trampo dos dois está impecável como sempre foi. O estilo de Bill Ward, por sua vez, mudou bastante. Limou boa parte de sua verve jazzy em favor de uma pegada mais intensa e direta. Já o Ozzy... é o Ozzy. Você reconhece a voz dele até pelo espirro. Para conhecedores, é justamente ele quem entrega os overdubs que povoam Reunion. Ozzy sempre foi famoso pelas suas desafinadas ao vivo. Apesar da técnica apurada que ele acumulou ao longo dos anos, sua inflexão vocal sempre o traiu - o que nunca chega a acontecer aqui. Dizem também que Bill errou feio a introdução de Fairies Wear Boots. Só quem esteve naquele show em Birmingham, no dia 5 de dezembro de 97, é quem sabe como foi...

De bônus, Reunion ainda trouxe duas músicas inéditas de estúdio: Psycho Man (bem parecida com o material de Ozzmosis, disco solo do Ozzy na época) e Selling My Soul (com uma providencial bateria eletrônica). Ambas são muito boas, apesar de bem modernosas.

Past Lives foi a redenção dos fãs mais antigos. Aqui, comparecem todos aqueles clássicos e mais alguns, sem nenhum retoque de estúdio, com a banda bem à vontade e no auge da forma. A gravação inclusive é bem "suja", retratando com fidelidade as apresentações da época. Chega de se sacrificar pra tentar ouvir algo naquele bootleg mal-gravado de algum show deles nos anos 70 (eu tinha um!). E sempre foi frustrante fingir que o Live Evil, de 83, é um disco ao vivo do Black Sabbath verdadeiro (era o Dio nos vocais).

No CD1, temos um show feito em Manchester, em 73, e o CD2 é um apanhado de várias apresentações que a banda fez ao longo da década de 70. O repertório é de matar qualquer rockeiro veterano do coração. Pô, ouvir War Pigs, Paranoid, Children Of The Grave, N.I.B., Sympton Of The Universe e Black Sabbath à mil por hora, com as execuções da época?! Fora outras pedradas menos óbvias como Cornucopia, Snowblind, Hand Of Doom e Tomorrow's Dream.

Agora, porrada inesperada mesmo rolou no final de Wicked World. Após uma improvisação jazzística, eles emendam a pauleiríssima Supernaut (que não consta nos créditos)! Minha nossa, que riff, que batera demolidora...! Sem comentários, é só ouvindo mesmo.


Nesse álbum percebe-se claramente como o Black Sabbath era pesado demais pra sua época. Chega a ser quase irreal que um som violento daqueles estava sendo feito na mesma década que a disco e de grupos flower-power (The Mamas & The Pappas, Fleetwood Mac, etc). Foi um período em que o Rock era movido à base de muita garra e tesão, e não de samplers e efeitos especiais. Também é um atestado definitivo da influência direta que o Sabbath exerceu em 11 a cada 10 bandas que fazem som pesado hoje.

Essencial. Compre, roube, o que for.




Anexo 24/06/2004 - MENÇÃO HONROSA:

"Em cumprimento à sentença do juiz de Direito da 18ª Vara Criminal da Cidade do Rio de Janeiro, em ação de direito de resposta, movida contra a TV Globo, passamos a transmitir a nota de resposta do sr. Leonel de Moura Brizola.

'Todos sabem que eu, Leonel Brizola, só posso ocupar espaço na Globo quando amparado pela Justiça. Aqui cita o meu nome para ser intrigado, desmerecido e achincalhado, perante o povo brasileiro. Quinta-feira, neste mesmo Jornal Nacional, a pretexto de citar editorial de ‘O Globo’, fui acusado na minha honra e, pior, apontado como alguém de mente senil. Ora, tenho 70 anos, 16 a menos que o meu difamador, Roberto Marinho, que tem 86 anos. Se é esse o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos, que os use para si. Não reconheço à Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e basta para isso olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura de 20 anos, que dominou o nosso país.

Todos sabem que critico há muito tempo a TV Globo, seu poder imperial e suas manipulações. Mas a ira da Globo, que se manifestou na quinta-feira, não tem nenhuma relação com posições éticas ou de princípios. É apenas o temor de perder o negócio bilionário, que para ela representa a transmissão do Carnaval. Dinheiro, acima de tudo.

Em 83, quando construí a passarela, a Globo sabotou, boicotou, não quis transmitir e tentou inviabilizar de todas as formas o ponto alto do Carnaval carioca.

Também aí não tem autoridade moral para questionar. E mais, reagi contra a Globo em defesa do Estado do Rio de Janeiro que por duas vezes, contra a vontade da Globo, elegeu-me como seu representante maior.

E isso é que não perdoarão nunca. Até mesmo a pesquisa mostrada na Quinta-feira revela como tudo na Globo é tendencioso e manipulado. Ninguém questiona o direito da Globo mostrar os problemas da cidade. Seria antes um dever para qualquer órgão de imprensa, dever que a Globo jamais cumpriu quando se encontravam no Palácio Guanabara governantes de sua predileção.

Quando ela diz que denuncia os maus administradores deveria dizer, sim, que ataca e tenta desmoralizar os homens públicos que não se vergam diante do seu poder.

Se eu tivesse as pretensões eleitoreiras, de que tentam me acusar, não estaria aqui lutando contra um gigante como a Rede Globo.

Faço-o porque não cheguei aos 70 anos de idade para ser um acomodado. Quando me insulta por nossas relações de cooperação administrativa com o governo federal, a Globo remorde-se de inveja e rancor e só vê nisso bajulação e servilismo. É compreensível: quem sempre viveu de concessões e favores do Poder Público não é capaz de ver nos outros senão os vícios que carrega em si mesma.

Que o povo brasileiro faça o seu julgamento e na sua consciência límpida e honrada separe os que são dignos e coerentes daqueles que sempre foram servis, gananciosos e interesseiros.'"


Palavras de Brizola, ditas por um incrédulo Cid Moreira, no dia 15 de março de 1994, em pleno horário nobre. Foram cinco minutos de terror no Jardim Botânico. Nunca fui PDTista, nem entusiasta do leão dos pampas, mas sempre admirei a sua obstinação inabalável pelos ideais em que acreditava. Ele foi o menos político dos políticos profissionais.

E qualquer um que tenha feito o Grande Irmão morder o próprio rabo dessa forma merece aplausos.