sexta-feira, 15 de julho de 2005

ONE-TWO-THREE-FOUR

(considerações rapidinhas)


Imagine aquele certo tipo nerd que chegou à maturidade, atingiu o status quo nerdiano, que vive compenetrado em um mundo de Ciência invisível aos olhos comuns e que, miseravelmente, é confrontado a todo momento com o mundo "real". Esse era pra ser o Reed Richards, no filme Quarteto Fantástico (Fantastic Four, 2005), mas o ator Ioan Gruffudd não arranha nem a lataria. Cada década tem o Harold Ramis que merece. Esse ponto é meramente ilustrativo. Arriscar uma olhada mais séria do filme é brincar de tomar pedala Robinho!! no meio da nuca.

Esqueçam as aventuras no universo subatômico, viagens em worm-holes, explorações em dimensões paralelas e todo o combo sci-fi que vem atrelado aos heróis nos quadrinhos. Esqueçam também aquele monstrão que sai do solo - obrigatório nas reprises da origem do Quarteto. O tom aqui é rasteiro, solto e, acima de tudo, pop. Mas isso não é demérito. Os Incríveis é melhor? Em todos os aspectos. O roteiro tem buracos? Parece a Régis Bittencourt. O vilão é bacana? Visualmente sim, mas ainda fico com Dr. Destino daquela produção de Roger Corman (embora seu... hã... "destino" tenha sido uma variação bacanuda do final de Os Caçadores da Arca Perdida). E nunca vi uma caríssima e aguardada viagem espacial ser desenrolada tão rápido!


Mas - olha só a virada, óia, óia - o Coisa ficou legal? Ficou sim, entre altos (Michael Chicklis é O Cara) e baixos (a corcunda esquisita e as mãos muito grandes), e me deixou com pena de quem o comparou a um coliforme ambulante (se a única referência que você tem se parece com ele, recomendo uma dieta à base de fibras, muitas fibras). E Chris Evans como o Tocha Humana? É um scene robber son of a bitch (a cena do espanador foi a melhor!). E finalmente, a toda-poderosa Mulher-Invisível Sue Storm... a girlie Jessica Alba é mais deliciosa que Kirsten Dunst e Katie Holmes juntas e a cena dela só de calcinha e sutiã já faz valer a sessão.

Que fique claro: ninguém nunca salvou New York de maneira tão cool quanto os Caça-Fantasmas do primeiro filme. Mas o Quarteto fica ali, bem naquela esquina do pop nonsense, pueril, escapista, que já rendeu uma porção de crássicos involuntários. É bem divertido - às vezes divertido bagarái - e se não consegui te convencer disso, quem dirá fazer o mesmo em relação à obras do calibre de Bill & Ted 1 e 2, Godzilla vs Megalon, Spider, Westworld, A Maldição de Quicksilver...



WRESTLING DE ESCOTEIRO


Superman e Capitão Marvel. Clark e Billy. De cara, são os dois maiores "bebedores de leite" das HQs (conceito dugarái de autoria do Alcofa - que está [re]pendurando as chuteiras...). A história desses dois é engraçada. Criado em 1939 por C.C. Beck e Bill Parker para a Fawcett Comics, o velho Capitão foi logo acusado de ser plágio do Super, seu predecessor da Detective Comics. Apesar dos conceitos próximos (dois super-humanos utópicos por excelência), Billy tinha lá as suas idiossincrasias que o distingüiam do Clark. Óbvio que isso não comoveu a DC, que engoliu a concorrente, levando-a à falência e, em seguida, saqueou o personagem para o seu cast. E dá-lhe situação inusitada: a editora ficou com dois super-homens invencíveis na casa.

Coincidentemente, o background do Capitão era originado de uma das únicas fraquezas que afligiram o Super durante um bom tempo: a magia. Isso nivelava um pouco as suas diferenças, visto que o Cap era uma contradição. Apesar de ser o detentor da Sabedoria de Salomão, ele mantinha a mesma índole à Oliver Twist de seu alter-ego. Já o Super era (muito) mais calejado e há tempos parou de destroçar carros para deter ladrões de banco. Só enfrentava de Mongul e Bizarro pra cima. Essa equiparação acabou gerando umas vias de fato memoráveis entre os dois, ao melhor estilo "dois paralelos se enfrentando". Também influenciou uma carreirada de situações dentro do universo pop, fornecendo inclusive a matéria prima para o duelo final entre Neo e o Agente Smith, em Matrix Revolutions. Que Dragonball Z que nada!

Tudo isso pra falar do maravilhoso episódio Clash, da excelente Justice League Unlimited. A luta em si durou breves e acachapantes cinco minutos, mas valeu por um longa metragem. O Capitão Marvel/Billy Batson está perfeito, com aquele olhar inocente e ainda mais escoteiro que o Clark. Este, aliás, está quase um herói à Image nesse episódio - bem mais super do que herói (justificado pelas maquinações certeiras de Lex Luthor).













Rolou até referência ao clássico Reino do Amanhã... Imperdível. Tinha de ser exibido nas TVs abertas. É um crime omitirem um material dessa qualidade.


Na trilha: Queen - Live At Wembley Stadium... weee are the champions... my frieeeend... :P

domingo, 10 de julho de 2005

O DIA EM QUE A TERRA APANHOU



"Através do golfo do espaço, mentes que estão para as nossas como as nossas estão para as feras da floresta, intelectos poderosos, frios e sem simpatia observavam esta Terra com olhos invejosos e lenta e inexoravelmente traçavam seus planos contra nós."

Esse é um trecho da abertura do clássico sci-fi Guerra dos Mundos, escrito por H.G. Wells. Ele também comparece - de forma quase solene na voz de Morgan Freeman - logo nos primeiros minutos de Guerra dos Mundos, o filme. Aliás... O filme. Poucas vezes um orçamento de gente-grande foi tão bem utilizado quanto nessa produção. E mais raro ainda foi resistir à tentação de criar um espetáculo non-stop movido a CGI. Coisa de quem não se deixa deslumbrar fácil, de veterano calejado. Coisa de Steven Spielberg. Soa meio esquisito afirmar isso, mas Spielberg tem background de diretor de suspense. Os seus primeiros filmes (Encurralado, Tubarão) são legítimos representantes do gênero - mesmo o divertido Louca Escapada, de 74, tem elementos inequívocos dele. Depois, Spielberg misturou esse timing natural à uma fórmula pop e deu no que deu. Mas o tino pra coisa continua lá, intacto. Spielberg, quando quer, pára a respiração e o batimento cardíaco de qualquer um. E é o que ele exercita aqui, primorosamente. Morra de inveja, Brian De Palma.

Muito se falou que Guerra dos Mundos (War of the Worlds, 2005) é um carro alegórico pra Spielberg acenar positivamente para a política predatória do presidente Bush. Tá, e eu vejo duendes. Pra começar, o filme segue uma linha paralela ao texto original, mas jamais modifica a estrutura dos eventos principais (aqui, em segundo plano), o que já descarta a teoria. A não ser que H.G. Wells tenha sido um partidário ferrenho de George MacBush, o pentavô de W. Bush. E Spielberg não se atém ao mero conceito do "ninguém invade o meu espaço" (ilustrado em alguns momentos no filme) e traça um perfil bem interessante da natureza irascível da humanidade - ainda que de maneira sutil.

Outra embaçada: as alusões ao 11/9. Parece que tudo é 11/9 agora. Até a inocente fonte Wingdings entrou no corredor polonês. Ah, mas certas analogias à data comparecem sim... plasticamente falando - vide a imagem do topo. Nothing more. Não há qualquer sinal de marciano árabe ou afegão por aqui (aliás... não existe nem a palavra "marciano"). O que há de referência ao fatídico dia é o inesperado da situação pegando todo mundo de calça curta. Explosões onde não deveriam haver explosões. Pessoas morrendo na sua frente da maneira mais improvável. Construções imponentes se desmanchando como um castelo de areia. Sim, já sei, somos formigas no Universo, mas em Guerra dos Mundos somos lembrados disso a todo instante. É uma ode reversa (e perversa) à brincadeira de torrar formiguinhas com uma lupa ao Sol.


A história, pra quem não conhece, é complicadíssima: os marcianos estão chegando. Ponto. Menos é mais e, no caso, o fermento rendeu bastante com a mudança de ângulo narrativo. Vemos todos os eventos se desenrolarem através dos olhos do despachado Ray Ferrier (o inconstante Tom Cruise), uma figura com tantas falhas e buracos no caráter quanto eu ou você que está aí (tá bom, tá bom... tanto quanto eu então). Comodista e pai desleixado, Ray faz da falta de compromisso seu esporte preferido, mesmo que isso lhe custe o respeito de seus filhos, Rachel (a futura oscarizada Dakota Fanning) e Robbie (Justin Chatwin, mais um teenager qualquer nota).

O ponto de vista é do egocêntrico Ray, então o recurso se torna funcional quando testemunhamos seu micro-universo particular e confortável indo às favas. A partir daí, a composição inicial de Cruise (à base do famoso sorrisinho confiante-e-idiota) é seguida por uma quebra de ritmo que começa em incredulidade, trafega pelo desespero e chafurda numa mortificante desolação. Ele entrou no clima e seu nível de atuação vai aumentando à medida em que o script explora as nuances do personagem, conferindo-lhe uma inesperada tridimensionalidade. Daí o "inconstante". Um pouco antes do final, Cruise justifica todas as vezes em que eu o defendi como um bom ator.

Com a história sendo assistida diretamente da "geral", alguns detalhes logo saltam aos olhos. Um deles foi o uso da dinâmica estilo Canal 100 em certos trechos, remetendo à ação descaralhante da meia hora inicial de O Resgate do Soldado Ryan. E fica aí o registro: a aparição do primeiro tripod é um dos momentos mais contundentes do cinema blockbuster nos últimos 15 anos. E o som da sala que eu estava era absurdamente alto. Tonteei. Outro detalhe foi a informação a conta-gotas. Sabemos o que Ray sabe, nada mais. Temos outras preocupações mais importantes (como permanecer vivo, p.ex.) do que desvendar os meandros da invasão. Daí que não existem maiores referências à procedência dos aliens - com design no padrão clássico - e nada muito além de suas intenções imediatas, que continuam como no original, ou seja, maniqueístas. E essas informações não fizeram falta, pois a saga de Ray e seus filhos não deixa a peteca cair nem um segundo. É uma porrada atrás da outra.

Existem dois momentos que podem ser considerados os mais não-Spielberg que Spielberg já filmou. O primeiro é quando Ray & cia trafegam de carro por uma rua lotada de refugiados. A seqüência chega a ser desoladora de tão real e ilustra bem até onde vai a nossa civilização. O segundo é um mergulho num oceano de tensão, e se passa num porão onde nossos heróis são acolhidos pelo personagem de Tim Robbins, excelente como sempre. Não há muito o que se possa comentar sem revelar um spoiler, mas pra quem já assistiu ao filme, apenas uma observação logo abaixo. Marque para ler.

O personagem de Robbins, o alucinado Harlan Ogilvy, pode ser relacionado a um manifesto político sem culpas, ao contrário da maioria das supostas mensagens do filme. Sua obsessão em se manter no "território ocupado" para atacar o inimigo por dentro, de surpresa, e a negação de Ray a essa atitude é claramente um protesto de Spielberg e dos roteiristas Josh Friedman e David Koepp à realidade do Iraque hoje. Por outro lado, o que Ray faz com Harlan no fim, soa como um recadinho malcriado aos terroristas. Aliás, a menção à Europa e ao terrorismo no mesmo diálogo, dentro do carro, foi uma infeliz coincidência com os atentados em Londres, na semana passada.

Guerra dos Mundos é um spin-off de uma premissa clássica. Tem um evento principal que começa e termina da mesma maneira como todos conhecem (ou deveriam conhecer, façam-me o favor...). Vocês já viram isso naquele outro filme, que ganhou até um upgrade mal-feito. Correndo por fora, tem a saga de Ray, que - essa sim - termina Spielberg's style, para o bem ou para o mal. Mas depois do exercício de nervos que ele proporcionou na hora e meia anterior, isso veio como uma brisa suave e providencial - e com todas as suas improbabilidades digeridas por este que vos escreve. Não tenho culpa se fiquei de bem com a vida... :P


Na trilha: o álbum WWIII, do KMFDM... uma porradeira eletrônica sinistra...

quinta-feira, 7 de julho de 2005

9 ½ SEMANAS DE TUDO O QUE VOCÊ SEMPRE QUIS SABER


Existem situações que apenas um cinéfilo sem grana pode vivenciar. Gente como a gente transforma a prática de pegar filmes em locadoras em obrigação religiosa, o que por vezes faz com que fiquemos sem opção. Nestas horas sempre apelamos para o que já ouvimos falar de um ou de outro filme, e de Os Sonhadores (The Dreamers, 2003) a única referência que tive foi de um cara que achou a protagonista muito gata. Até aí, apenas por ter protagonista gata no elenco, pegar um pornô seria mais eficiente e, se quisesse pornô com historinha, sempre temos a opção do Cine Privé da Band (ainda temos?). Arrisquei e não me arrependi.

O filme conta a história de um tímido estudante americano em Paris, onde encontra um casal de gêmeos franceses que o introduz nos prazeres da vida em plena revolução estudantil de 1968. Fica parecendo que é filme de cunho político, mas na verdade é apenas um dos contextos que o filme usa, servindo como base para a descoberta pelos protagonistas da sexualidade e além, tudo isto na época da Cinematéque, uma das paixões do diretor Bernardo Bertolucci, como ele mesmo diz nos extras do DVD.

A produção abusa das cenas eróticas, recheadas de incesto e relações de amor um pouco diferentes do que estamos acostumados por aqui, já que a relação carnal entre o americano e a francesa cede espaço ainda aos sentimentos sublimados entre os dois caras do triângulo (sublimados, mas quase dando lugar ao contato físico) e também ao relacionamento incestuoso, cheio de sexualidade e interdependência dos gêmeos.


No mundo carnal de hoje, sou da opinião que as cenas são pretensamente chocantes. Digo "pretensas", pois creio ser possível inserir o elemento sexual sem que a super-exposição tome vida própria para tornar-se praticamente uma personagem do contexto ao invés de um contexto para as personagens. Tive a sensação de que a composição plástica adotada para o sexo assumiu importância demais frente à simples influência que a indução da idéia poderia ter. E sim, a garota que meu amigo disse ser gostosa abusa do adjetivo. O que é aquilo! Pelamordedeus!

A coisa é tão explícita que Bertolucci consegue transformar o frisson que a classificação X-Rated de O Último Tango em Paris – um de seus filmes antigos – seja coisa de criança.

Mas o período político e o sexo não são os únicos contextos. Há também a avalanche de referências a filmes do passado - principalmente musicais americanos e Godart - que devem trazer alguma nostalgia para os mais aculturados no gênero, o que agrega ao filme a característica de homenagem ao cinema de uma época bem definida. Eu mesmo que não vi nenhuma das produções mencionadas, mas mesmo assim senti a nostalgia no ar e o prazer intrínseco à Sétima Arte quase palpável.

Eva Green é a atriz que rouba a cena, uma francesa que não havia figurado em nenhum outro filme de maior vulto até então, mas que já está no elenco do vindouro Kingdom of Heaven (2005).


Os outros atores que completam o cast de protagonistas são Michael Pitt e Louis Garrel. O primeiro pegou o papel depois da recusa de Jake Gyllenhaal e Leonardo Di Caprio, enquanto o segundo só está presente em produções de sua própria pátria.

Tudo é bem recheado com uma trilha sonora escolhida a dedo e contribuindo destacadamente para a composição do ambiente de fim dos anos 60, onde jazz, música francesa e rock americano se misturam e se complementam. Época em que a cultura francesa ainda exportava música aos borbotões, mas já sentia a influência americana em franca expansão.

Voltando para o fundo sócio-político, e interessante o embate presente no discurso "flores vs armas" constante nos diálogos entre o francês e o americano. O primeiro, apesar de fã de Che Guevara e Mao Tse Tung , diz que sempre há a opção do debate, da solução civilizada, enquanto o americano destaca a força do estado solapando a idéia de debate. Seria forçar a barra com o estereótipo do americano sangrento – e este não é, apenas manifesta entendimento do seu lugar na sua sociedade – contra o francês pós 2ª Guerra e dito pacificador. Mas apenas seria. As posturas dos três frente às ocorrências na cidade mostram que o discurso é cego, como normalmente é o discurso de jovens em final de formação ideológica, e não possui eco em atitudes, já que vivem numa vida mentirosa, falsamente racional, reacionária e agnóstica, mas optam pela alienação social purista justificando-se no aprofundamento cultural e, quando o status quo exige uma atitude, as posturas do grupo mostram qual deles realmente entende o mundo. É o tipo da coisa que faz-me pensar o que realmente faço para melhorar aquilo que acho errado no mundo e no meu país, mas este tipo de debate neste veículo não se encaixa.

Todos os elementos destacados neste texto constroem uma atmosfera ensimesmada. Quase como filmes de náufragos, onde temos uma pessoa com todo um mundo pela frente, mas que está enclausurada à força em uma vida indesejada, como que preso numa caixa sem chave. É exatamente o que acontece aqui, com a diferença do enclausuramento voluntário, e da pseudo-autosuficiência sentimental num mundo onde bastam existir os três. Neste mundinho particular o ar parece denso, sensivelmente tangível, seja pela ligação entre os irmãos, seja pela relação com os pais distantes ou pela influência do elemento externo, mas tudo contribui para realçar as diferenças e semelhanças existentes no que ocorre no discurso político e dentro de casa. Assim como os dois dizem-se contestadores do regime de De Gaulle, levantando vozes para sua libertação cultural – movimento que acabou por originar a força dos sindicatos na Europa – a postura alienante em busca do prazer imediato contradiz as idéias pregadas. Foi preciso a presença de alguém de outra cultura e visão de vida para que se transformar no elemento que, uma vez entrando naquela vidinha, começa a propagar a mesma postura de mudança. Neste ponto o título do filme é perfeito e não poderia ser outro a não ser Os Sonhadores.

sábado, 2 de julho de 2005

QUE SEMANA EXCRUCIANTE


A semana que passou foi realmente atípica. Depois que me senti abençoado pelo belzebu por ter visto um filme do Uwe Boll (foto acima), diversas outras notícias por aí mostraram que o cara deve ter algum tipo de relação profunda (com duplo sentido, por favor) com a mãe dos seus produtores. Só assim para conseguir tanta grana para torrar em besteiras assim. Ou isto ou o cara é parente de outra entidade que fez desta semana um tanto quanto especial: Vossa Excelência o safado féladaputa e mente do crime Robbie Jeff. O cara nos brinda com um olho roxo e mais algumas aulas de lábia, fazendo um bando de gente com rabo preso congratulá-lo e apoiarem o processo de canonização popular deste escroque. Em tempos em que TV Senado é a dona da maior audiência das TV's abertas, fechadas, e entreabertas, tenho que aproveitar o momento e capitalizar em cima: Vou fazer camisas com a cara dele estampada e com o texto "Eu acredito no Roberto Jefferson" embaixo. Vai vender na Uruguaiana que nem pão quente.

Frase da semana
"Aposentei o Cine Privé da Bandeirantes. Para ver putaria e ter auto-satisfação prefiro a TV Senado."
Agamenon Mendes Pedreira

Mas a semana não foi marcante apenas por isto, claro. Tivemos também o Doggma voltando a postar e, principalmente, aquele maravilhoso safanão que o Brasil deu na Argentina. Não é qualquer hora que dá para meter 4 x 1 naquele povo! Se eu tomasse ácido certamente teria a visão de um Lula dando uma porrada na cabeça do Kirchner ao som de "Pedala Robinho!".

E em homenagem aos nossos hermanos, o post de hoje, a partir daqui, será no más perfecto portuñol (o portullano, como usted desear). Seguro que esto lengua és más fácil de aprender con la cara llena de cerveza i hablando con señor Doggma (yo gostei mucho por su post sobre el hombre murciélago i su bat-coche) también encachaçado en el otro lado da internet, pero yo tengo que confiesar: estoy utilizando las canciones de la mui guapa chica llamada Shakira, para ajudar-me. Yo sei qui esto é una putarija, mas portuñol no és solamente difícil... és difícil para carajo! Seguro que Shakira no és argentina, por esto és mui gostosa. En hablando sobre mujeres guapas, realmente penso que la alegada guapa argentina llamada Keira Agostina deve ser hija de brasileños. Aquele bundón é mui grande! Esto perfección no puede ser daquela terra maldita!

I já que estamos hablando sobre mujeres, vamonos para más uno fantásticón (aprobieitando - arrrghhh... este foi fueda - el filme de los Quatro Fantásticos que estrea dia 7 de julio) e super brasileño:



Establicendo uno contra-punto às guapas del post anterior, todas con cuerpo saradón e capazes de enfiar-me a porradón si yo pisar fuera de la faixa, o post de hoy tien muchas muchachas trés femininas! Todas fueran dibujadas por el cartunista del jornal O Globo llamado Cruz. Él costuma dibujar para la columna del Carlos Alberto Teixeira (CAT) en lo cadierno de Informática que publican toda segunda, onde siempre tien uno gatón con una chica mui guapa en actitudes bastante interesantes.

A partir de agora é em português mesmo. Dá dor de cabeça inventar palavra. Bem... às vezes me pergunto se há crianças interessadas no caderno de informática, pois espera-se que os desenhos sejam sempre comportados, o que não acontece às vezes. Mesmo quando vestidas, as personagens estão em poses bem, digamos, elásticas, como este exemplinho aí ao lado.

Infelizmente a qualidade dos scans não é das melhores, já que foram feitas a partir de papel jornal, mas dá para ter uma idéia do que o cara é capaz. Diferentes dos desenhos de comics que estamos acostumados, suas pin ups são brasileiríssimas, com poses iguais às que imaginamos nossas vizinhas em casa e aquele quadril bem característico. Os rostos são caso à parte. Ele rivaliza com Maguire (JLA de Keith e Giffens) em expressões faciais. Se eu fosse fabricante de produtos de sex shop faria uma linha de bonecas infláveis inspiradas nos desenhos do Cruz. E como eu invejo o gato!


Primeira imagem: Ahhh o Natal...
Segunda Imagem: Ovinhos para impotência
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Primeira imagem: fada madrinha de Michael Jackson pinochio.
Segunda Imagem: Virus!!

Primeira Imagem: Vem pro banho, vem!
Segunda Imagem: Bebaça!

Primeira Imagem: Demissão por email
Segunda Imagem: O duende de marrakesh

Primeira Imagem: Imagina um Ano Novo assim! Detalhe do cara com a chave correndo atrás da fechadura ao fundo
Segunda Imagem: Ameaça do Windows

Primeira Imagem: A perfeição Google!
Segunda Imagem: Fiscal de Calcinhas!

Primeira Imagem: Guerra contra o Spam
Segunda Imagem: Acesso pago!

Primeira Imagem: Esta é muito boa. Olha o corpo da garota, a cara do gato e a espada do anjo.
Segunda Imagem: É a melhor pose que pode-se conseguir numa cadeira de micro


Primeira Imagem: Presta atenção no que está na mão do gato
Segunda Imagem: Primavera Verã (...) primavera segundo Cruz

Todas as imagens foram escaneadas pelo owner do yahoo grupo "Sexybarefootbabyes", que tentei achar novamente para pegar seu nome mas não consegui.



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Nesta semana fui assitir ao Espetáculo "" da Cia de Dança Déborah Colker. Gosto deste tipo de arte e recomendo o gasto dos vinte dinheiros de entrada. Já havia assitido o espetáculo anterior, Quatro por Quatro, e quando temos parâmetros pregressos, a comparação é inevitável. O anterior é bem melhor e jogaram minhas espectativas para este lá no alto, difíceis de alcançar, mas mesmo assim é um belo espetáculo, com a força e o erotismo que já lhe são peculiares. Mais recomendado ainda para quem nunca viu.

O espetáculo é dividido em dois atos, o primeiro com as cordas que dão nome ao todo e o segundo com uma vitrine que, dados os corpos e as cores predominantes, deve ter algo a ver com o Red Light District de Amsterdã. Gostei mais da primeira parte, onde os movimentos conseguiam mais inovação com as cordas do que com a caixa de vidro do segundo. Ainda no primeiro, a coreografia de todos os bailarinos e a ambientação deixaram-me com a impressão de estar vendo algo que remetia a algum tipo de savana e/ou floresta, com influências do conceito de arte que os doidões da MTV dão para suas vinhetas alucinógenas. Bem legal!

Só fiquei meio chateado por não conseguir ingresso para o Momix.. fazer o quê...

sexta-feira, 1 de julho de 2005

INTROSPECÇÃO


O sentimento que predominou de um ano pra cá foi de urgência para fazer a coisa certa. Pôsteres, trailers, spots e até dez minutos de gorjeta foram generosos aperitivos e pareciam dizer "ei pessoal, dessa vez estamos fazendo o que vocês estão pedindo". Mas não é pra menos. Batman Begins (2005) representa uma volta por cima que durou longos (e compreensíveis) oito anos - resumida no filme com a retórica "por que nós caímos?", no tom mais auto-referencial de redenção que se possa imaginar. Conferindo a trajetória do filme, nota-se um paralelo interessante aí, no qual o próprio personagem se torna uma espécie de pivô por acidente.

No passado, seu universo havia recebido uma nova linha de possibilidades via Frank Miller e seu Cavaleiro das Trevas, que foi solenemente ignorada em nome de uma pretensa "reinterpretação autoral", jogando no fundo da latrina uma boa oportunidade de fazer História. Contudo, o pior ainda estava por vir e o resgate camp daquele clima do bat-seriado dos anos 60 foi a pá de cal definitiva. Paralelamente, Miller se aventurava em uma decepcionante experiência inicial na sétima arte, como roteirista. Resultado: todos na geladeira por tempo indeterminado. Anos depois, estamos todos aqui (a A.C.M.E. network, Frank Miller e nós, os clientes). Mais velhos, calejados, fazendo uso da nossa visão periférica e tentando não repetir os mesmos erros. Ao mesmo tempo que Miller comete a mais fiel adaptação de uma história em quadrinhos para o cinema, Batman Begins reduz consideravelmente a distância entre o texto original e a telona. Já é um bom "começo".

Apesar da ficha impecável, a presença do diretor inglês Christopher Nolan pouco minimizou a aura de incógnita que permeava a nova incursão do morcego nas telonas. Estiloso e contraventor, Nolan saiu do circuito independente com um nervoso suspense revirado ao avesso (Amnésia... lembra? ...foi mal, não resisti) e seguindo adiante em um thriller policial cuja atmosfera estática era a matéria-prima (Insônia... teve quem não gostou). Nos dois casos o clima predominantemente soturno e introspectivo foi elevado a um acachapante realismo cotidiano. Mas nenhum deles teve a responsa de acomodar uma figura tão fantástica quanto um vigilante psicótico vestido de morcego e cheio de armas high-tech. Então o trabalho era dobrado.

Como um perfeito artesão de atmosferas, Nolan tratou de dar a devida atenção ao palco de toda aquela loucura. O resultado é a melhor Gotham City já vista no cinema. Cinzenta, caótica, corrupta e, ao mesmo tempo, glamourosa, viva e grandiosa, a cidade se transformou num elemento à parte dentro do filme. E crível. Gotham foi personalizada, mas sem sair do chão. A sua caracterização não passa ao largo das peculiaridades urbanóides de uma Pequim, uma New York, um Rio de Janeiro ou uma Amsterdã. Mais do que ver Gotham, nos sentimos em Gotham, com tudo o que isso tem de bom e de ruim. Atmosfera pronta e - agora sim - só faltava algo acontecer.

Atualmente, David S. Goyer é o operário padrão dos roteiros de filmes baseados em HQs. O que não quer dizer "garantia de qualidade", entretanto. Ao lado de momentos inspirados (Blade 2 e, vá lá, Cidade das Sombras) ele coleciona belos frangos em final de campeonato (Nick Fury - Agent of SHIELD e o xaropão Blade Trinity). "Irregular" é o seu quarto nome. Seja como for, ele acabou por realocar as melhores motivações e subterfúgios narrativos possíveis dos quadrinhos para o filme. A opção de investir em uma primeira hora inicial bem diferente do que se viu até hoje a respeito do personagem (mesmo para os fãs das HQs) demonstrou uma inegável disposição de construir um background sólido - independente do apelo pop que teria um início clipeiro com ação à mil por hora e nenhum resquício de neurônio-at-work. Méritos também para as referências espertas que pipocam lá e cá. Umas mais óbvias, como Ano Um (Bruce Wayne se readaptando à decadente Gotham), outras mais figurativas, como Cavaleiro das Trevas (o pega-pra-capar final no subúrbio de Gotham e a Mansão Wayne indo pro saco). Praticamente não existem escorregões por aqui, apenas leves "água-planagens", como a máquina de microondas unodirecional - depois misteriosamente omnidirecional - com microondas que só atingem água em canos de esgoto - quase tão esquisito quanto radiação em slow-motion que transforma homo sapiens em homo superior ou "o poder de um Sol na palma da mão".

Pode-se dizer que Batman Begins soa como um extremo da passagem de um material livre para um contexto mais realístico. Isso é conseqüência direta da tentativa de nos aproximar da persona fascinante e não-usual de Bruce Wayne - um playboy triliardário e profundamente traumatizado que arrisca o pescoço à noite como vigilante - de fato, uma tarefa bem mais difícil do que nos identificarmos com um loser retraído e sem um tostão no bolso.

Um aprendizado tortuoso à base de contusões e hematomas, motivações bem direcionadas e um ator principal imerso, exalando credibilidade e jogando para o time. E que time. Christian Bale é o Batman. Tem toda aquela aura enegrecida e o olhar assassino necessários ao papel, fora o seu passado regado à personagens cruéis e dark - como visto nos filmes Psicopata Americano e Shaft. O resto é competência cênica e fotogenia. Sinceramente? Melhor que na HQ. Confesso que sempre gostei de Katie Holmes, mas não conseguia vê-la muito além da doce Joey, sua personagem na série Dawson's Creek. Apesar do charme suburbano (ela é linda e poderia ser a minha vizinha - quem dera), essa minha velha impressão se confirma aqui, reforçada pelo fator "mocinha em perigo" - um clichê que nasceu com o Cinema. Mas no final foi por uma boa causa. Algo maior que sua participação, influiria na história de tal modo que seria melhor terem contratado logo uma atriz com envergadura de top model (ao exemplo de Kim Basinger e Nicole Kidman). Nada recomendável... não agora.

Michael Caine é daqueles que envelhecem com dignidade. Deixando definitivamente pra trás toda a tralha que insistia em manchar sua filmografia, ele talvez seja o Alfred ideal nesse momento da vida de Bruce. A classe e a frieza que lembram o mordomo Stevens (personagem de Anthony Hopkins, em Vestígios do Dia) são amaciadas pelo mesmo calor humano que sir Caine exercitou no filme Regras da Vida, principalmente no que tange ao trato com crianças. E aí vai a bomba: chegou a entrar um cisco no meu olho quando ele abraçou Bruce-boy. Já Morgan Freeman, além de ser o Bastião da Confiabilidade, é o coadjuvante de luxo. No papel de Lucius Fox, ele é o braço direito de Bruce nas Indústrias Wayne e seu providencial tech-dealer. É através dele que Bruce descola seus brinquedinhos caríssimos, em um esquema de malocagem que faria inveja aos nossos políticos em Brasília. Excelente background que nunca recebeu uma explicação decente (e que seria completamente ignorado se o filme estivesse nas rédeas de um mané qualquer). Outra coisa... mr. Freeman está se divertindo como nunca. Seu sorriso chega a ser contagiante durante o teste no protótipo do Batmóvel. Eu não via um veterano tão à vontade desde que Al Pacino deixou escapar uma gargalhada no meio de um diálogo entre Jack Lemmon e Kevin Spacey, em Sucesso a Qualquer Preço (cena que foi devidamente mantida para a posteridade). Mas aí já foge ao escopo "filme de super-herói". Ou será que não?

Filme de super-herói pode alcançar o nível de excelência cinematográfica, transcendendo o rótulo de mera diversão pueril?

Inicialmente, eu achava que Gary Oldman e seu eterno ar dirty outsider soavam incompatíveis com o austero e incorruptível Jim Gordon. Mais chegado aos papéis soturnos e aos vilões forjados pelo mundo-cão, Oldman se saiu discretamente em uma atitude de desvínculo. O caldo ficaria no ponto se as influências de DK se fizessem presentes em um Gordon mais incrédulo, amargo e pragmático, mas acima de tudo um lutador que coloca seu dever e a Justiça acima de sua própria vida. Daria um belo spinoff protagonizado pelo futuro Comissário - com o Oldman tranqüilamente figurando no papel principal, pois aqui ele já fez por merecer.

Liam Neeson é hoje uma espécie de certificado ISO de atuação em blockbusters. Remanescente daquela mesma safra de bons profissionais que ia de Ralph Fiennes e Daniel Day Lewis a Billy Bob Thornton, Neeson sempre cultivou uma imagem meio relacionada a um certo messianismo paternalista, ao mesmo tempo em que mantinha um perfil envolvente e sedutor (ecos de Schindler?). Funcionou como uma beleza em Star Wars: A Ameaça Fantasma (na parte da responsa que lhe dizia respeito), e aqui ele emenda o mesmo approach com uma verve mais severa e sem rodeios. Este é o Ducard, personagem-carta na manga com nuances até meio inesperadas no contexto de Batman Begins.

Aliás... só um filme de qualidade insuspeita teria um (sub)vilão como Jonathan Crane, o Espantalho ("um mané com spray"), em sua melhor concepção e sem estranhamento. Não houve o menor sinal de carnaval fora de época aqui. Goyer não exagerou, Nolan não exagerou e nem o ótimo Cillian Murphy (de Extermínio) exagerou. Ficou tão bom quanto poderia ser - e confesso que tomei um susto com a primeira borrifada do gás do medo.


Eu poderia chegar aqui e enumerar as melhores cenas, mas... o início, mostrando Bruce em busca de si mesmo, seu treinamento ninja - e aquela prova final simples-mas-bem-sacada, momentos históricos como a criação do conceito de um vigilante que utiliza o medo como cartão de visitas (finalmente!) e a estratégia para despistar isso com uma vidinha party all night long, a carismática cidade de Gotham (mezzo burguesia clássica mezzo Cozinha do Inferno como deveria ter sido no filme do Demolidor), o devastador Batmóvel (cabrón... eu cansei de falar isso aqui), a verdadeira face de Batman sob o olhar de um Espantalho alucinado, o destino incerto e apropriadíssimo de Ra's Al Ghul (de acordo com proposta realística e com um Poço de Lázaro conceitualmente subjetivo) e o final arrasa-quarteirão - ou quarteirões! - que culmina num descarrilhamento monumental.

Mas talvez... talvez... o momento que ficou talhado na BIOS da minha cachola tenha sido esse - um Batman live-action que se reencontra com o seu espírito original, que passa a fazer todo o sentido do mundo e que justifica o primeiro subtítulo que a produção recebeu: "intimidação". Só esse momento já vale a veneração desse ídolo maldito por dez gerações.

Na categoria "poderiam ter feito isso, mas nem eu sei se ficaria bom" (modalidade altamente lisonjeira, diga-se de passagem), ficaram ausentes referências mais específicas a Tália, filha de Ra's, e uma justa homenagem a Mike W. Barr, autor de O Filho do Demônio, a melhor história já escrita sobre Batman, Ra's e Tália - mas preferiram homenagear o Jeph Loeb.

Ah, sim. Filme de super-herói pode alcançar o nível de excelência cinematográfica?

Pode... e precisei assistir Batman Begins para saber disso.


Na trilha: Nine Inch Nails - CRC Sessions (Acoustic in Chicago)