segunda-feira, 29 de maio de 2006

$NIKT!



"No one ever talks about extermination. They just do it. And you go on with your lives, ignoring the signs around you. And then one day, when the air is still and the night is fallen, they come for you. Only then do you realize that while you're talking about organizing and committees, the extermination has already begun. Make no mistake, my brothers, they will draw first blood. They will force their cure upon us. There is only one question you must answer:
Who will you stand with?"


Como o mundo dá voltas. Durante muito tempo, adaptações cinematográficas de histórias em quadrinhos eram consideradas malversação de verbas dentro de Hollywood. Pra cobrir as lacunas no seguimento de ação blockbuster, os estúdios tiveram de fabricar seus próprios super-heróis. O resultado foi a safra de action-heroes dos anos 80 e parte dos 90. Com o tempo, as idéias foram rareando e a sempre crescente demanda por escapismo pueril eliminou essa triangulação criativa (que eu chamo de ágioarzenegger) e foi beber direto nessa fonte que usa colante e cueca por cima da calça. Mas primeiro tiveram de amansar a fera carnavalesca que existe lá. O pacote ganhou uma roupagem mais dark e sóbria (bastiões mitológico-freudianos como Homem-Aranha e Superman são a exceção) e o uso intensivo de CG para tornar o impossível possível. Entre uma coisa e outra, ocorreu um saudável troca-troca (no bom sentido) de posições (eu já disse que é no bom sentido) entre profissionais dos quadrinhos e do cinema.

Ainda assim, uma adaptação dos X-Men soava como um desafio-mor no contexto geral, justamente pela incompatibilidade dos fatores envolvidos. Personagens demais, tempo de menos e, se o diretor não for adepto de Roger Corman, orçamento exorbitante. Resolveram tentar. Tinha tudo pra ser um único longa constrangedor, tosco e fracassado, mas Bryan "Who's your daddy?" Singer provou que sim, era possível. Exibindo poderes mutantes, ele transmutou cash rasteiro e argumento simplório em personagens carismáticos, direção classuda e atmosfera envolvente. Olhando hoje, o filme-debut dos X-Men revela uma malandragem soberba de Singer em maquiar eventuais buracos e limites orçamentários. Tudo isso e mantendo um apelo popular que garantiu a boa carreira nas bilheterias e a inevitável continuação. Roteiro bem acabado, todos os atores principais de volta e um investimento more expensive: X2, foi um filme praticamente perfeito dentro de sua proposta, onde Singer pôde se dar ao luxo de apenas deixar fluir seu inegável talento. Quando as coisas são assim, não há nada a temer. Engraçado como isto se dá de forma quase matemática ("dê-me um orçamento decente, um bom diretor e eu mudarei o mundo" - dogg, filósofo iugoslavo). Para um projeto que já atraiu o interesse até de James Cameron (e ninguém me tira da cabeça que ele desistiu por considerá-lo infilmável), pode-se dizer que os mutantes, antes de tudo, já são vitoriosos por conseguirem concluir sua primeira trilogia, em X-Men: O Confronto Final (X-Men: The Last Stand, 2006). Hooray!


"Since the dawn of existence, there have always been moments when the course of history shifted. Such a turning point is upon us now. The conflict between the better and worst angels of our very nature. Whose outcome will change our world so greatly... there will be no going back. I do not know if victory is possible. I only know that great sacrifice will be required. And because the fate of many will depend on a few, we must make the last stand."


O processo não foi dos mais harmoniosos. Halle "Cat-Woman" Berry extorquindo atenção, Singer trocando a Mansão X por um condomínio em Krypton, um novo diretor catado às pressas... Achei que a coisa começava a adquirir contornos framboesísticos - impressão logo suplantada por um teaser do caralho que provocou a mesma sensação de quando reencontramos velhos amigos depois de muito tempo. Podia jurar que o espírito "singeriano" ainda estava por lá, em cada cena, em cada frame... do discurso inflamado de Magneto (Ian MacKellen) à voz compenetrada do Professor Xavier (Patrick Stewart), passando pelos urros de Wolverine (Hugh Jackman). No entanto, elementos meio duvidosos também davam as caras. Um roteiro estilhaçado entre uma suposta "cura" para o gene mutante e uma versão da clássica fase da Fênix Negra, enquanto tenta encerrar todo o primeiro momento dos X-Men nos quadrinhos, ainda às voltas com a antiga Irmandade dos Mutantes liderada por Magneto.

E havia a questão do diretor Brett Ratner, que, embora competente, era apenas um operário. Ainda que eu tenha gostado demais do seu trampo em Dragão Vermelho (nada, nada, Ratner superou Ridley Scott de longe na franquia do Lecter), sua missão era simplesmente concluir o trabalho concebido e desenvolvido por um dos melhores diretores da atualidade - servicinho, convenhamos, muito além de sua alçada. Não por acaso, X-Men 3 foi achatado em econômicos 104 minutos, como se o próprio diretor, consciente de seu lugar no Universo, adotasse a postura "fale pouco pra não falar besteira".


Enquanto X2 entrelaçava as subtramas William Stryker/Wolverine's past, X-Men 3 traz uma narrativa com elementos mais heterogêneos. De um lado, a estratégia do governo norte-americano para a contenção mutante trazida a público sob o rótulo de "cura" e do outro, o retorno de uma Jean Grey (Famke Janssen) com TPM suficiente para explodir a Lua. Isso, em particular, foi colocado da melhor maneira possível dentro daquele universo: sai a entidade alienígena incorporadora, entram os bloqueios psíquicos que Xavier implantou em Jean ainda jovem, com o intuito de protegê-la e aos demais de tamanho poder. Decisão necessária ou arbitrária? Xavier excedeu em sua prepotência e privou Jean de escolher seu próprio destino? A interessante questão foi levantada e, após uma ótima cena de discussão com Wolverine, só pude lembrar do Professor X autoritário e (supostamente) manipulador da versão ultimate.

Desde que a sinopse foi divulgada oficialmente, não fiquei muito empolgado com a premissa envolvendo a cura para a mutação. Sendo um admirador das HQs, vejo a principal característica dos mutantes como uma força irreprimível da natureza, um processo evolutivo inevitável. Mesmo assim, fui surpreendido pela funcionalidade de tal artifício. Serviu tanto para forjar uma bela introdução para Warren Worthington III, o Anjo, quanto para garantir seu futuro frente às Indústrias Worthington (mais precisamente, após usar sua mutação para salvar a vida do pai xenófobo). Além, é claro, de justificar a visível relutância em certas cenas que, teoricamente, fariam desta produção o capítulo mais "Jim Lee" da franquia.


"Don't you know who I am? I'm Juggernaut, bitch!"


Pelo que se vê na telona, o orçamento de - dizem - 150 milhões de doletas não pareceram suficientes. Para conhecedores dos quadrinhos então, é algo latente. Será que o Universo X é assim tão caro? Tudo bem, alguns momentos são mesmo de dilatar a pupila na tentativa de assimilar tudo o que está se passando. A antológica seqüência em que Magnus manipula a ponte é a principal delas - poucas vezes uma cena fez tanta justiça à sentença "isto é quadrinhos puro!" Ao mesmo tempo, vemos um Colossus (Daniel Cudmore) sem qualquer função prática, apesar da boa caracterização visual. A coisa chega a resvalar em pura displicência, quando o personagem, em sua forma metalizada, distribui porrada a granel em mutantes peso-pena, desconsiderando totalmente o seu elevadíssimo nível de força. O que nos leva ao juggernaut Fanático (Vinnie fuckin' Jones, man... e sem sotaque!), felizmente aqui, com a finesse de sempre. Pra começar, não há qualquer treta entre ele e o mutante russo. É um crime reunir estes dois num filme e não agitar aquele vale-tudo de trincar placa tectônica. Temos de nos contentar com um baculejo divertidíssimo entre o imparável Juggy e o "nanico" Wolverine na residência dos Grey. Mas é tudo tão breve que chega a ser crueldade com o espectador.

Outro flagrante do capital de giro fantasma é a ausência do Efeito Fênix, marca registrada da personagem. Mesmo assim, a sugestão visual empregada para ilustrar o incomensurável poder de Jean é de arrepiar - algo indomável, invisível, aterrorizante. Mas, sem dúvida, o imenso pássaro de fogo tragando tudo à sua volta fez falta... Não foi desta vez que a belíssima e aterradora visão de Chris Claremont/John Byrne ganhou vida nas telonas. Já a aguardada briga de torcida mutante, embora funcional na narrativa, ficou aquém do esperado. Mas nesse ponto, sou compreensivo. Se até nas HQs é raro um super-pancadão coletivo realmente empolgante, quem dirá a execução disso em live-action. Talvez no dia em que chamarem o George Pérez pra fazer o story-board de algumas cenas...


O roteiro, de Zak Penn e Simon Kinberg, pouco arrisca no que tange à interação entre os personagens. Neste sentido, é um tanto burocrático. Quando se solta um pouco, consegue um bom resultado. Um bom exemplo é a hilária troca de "gentilezas" entre Wolverine e Fera (Kelsey Grammer, o Frasier, arrebentando), aqui um representante da comunidade mutante no Orkut... digo, no Congresso norte-americano. Falando em Grammer, ele protagoniza uma cena sensacional, quando experimenta a sensação de parecer um homo-sapiens. Apenas com o olhar, ele transmite um misto de alívio, realização, melancolia e culpa. Naquele momento, ele poderia largar tudo pelo que lutava e acreditava. Tocante. Deus abençoe os bons atores. Outra sacada interessante foi a "quebra de contrato" entre Magneto e Mística (Rebecca Romijn-Dogg... não custa nada sonhar) - o que finalmente confere à fascinante azulzinha o caráter dúbio e individualista que ela tem nas HQs. Já a deslocada Vampira (Anna Paquin) ganhou o status de coadjuvante, enquanto o Homem de Gelo ("homem" o caramba, é o guri Shawn Ashmore) passou a ciscar no terreiro de Kitty Pryde (a bezerrinha Ellen Page), que, além de se tornar intangível, também tem o poder de ficar mais nova a cada episódio. Eu diria que o Iceman deu uma de papa-anjo ali, mas ia pegar mal pro Warren.

Como sempre, muitos criticarão o aparente descaso com o personagem Ciclope (James Marsden), ainda que esteja em concordância com sua relevância nos filmes anteriores. Já está na hora de aceitar que a dinâmica de uma adaptação não tem de ser, necessariamente, a mesma do material de origem. O que aconteceu foi apenas sintomático. Apesar de admirar o trabalho do Marsden (confira o filme 24º Dia), vejo a opção do roteiro como algo que pode render bastante no futuro. O mesmo se pode dizer do destino de dois outros personagens (ainda que, no caso da Jean Grey/Fênix Negra, a simples aproximação do mutante Jimmy "Sanguessuga" fosse uma medida menos extrema). Quanto ao que acontece com Xavier, achei ousado e muito bem tramado. Gostei bastante, tanto pela circunstância de quebrar o encosto da poltrona quanto pelo genial subterfúgio pós-créditos - além da esperta referência à "fase Shiar" do Professor X.

X-Men 3 é caótico, no bom e no mau sentido. Não tem o charme e a espirituosidade do primeiro filme, nem o esmero técnico e a força dramática do segundo, mas é corajoso, eficiente e, acima de tudo, fiel ao background estabelecido. Amarrou todas as pendengas sinistramente levantadas pelos dois anteriores e apontou novos rumos para os que virão - e com certeza virão. Com a 4ª abertura mais rentável de todos os tempos, já posso até ouvir o "snikt" dos executivos ecoando pelos corredores da Fox.

Que tal uns Sentinelas de verdade da próxima vez?



BLUE SIDE OF THE MOON


O Vigia Uatu tem novos vizinhos... Área Azul - Observatório de Quadrinhos, Filmes & Cultura Pop é um espaço mantido pelo renegado Vigia Aron (alcunha dividida pelo Fivo, JP Volley e este humilde arauto), com a finalidade de promover discussões sobre a nossa tão amada cultura pop e, principalmente, repensar questões acerca da 9º Arte. A proposta é bastante segmentada (levando-se em consideração que o próprio BZ já é um lance segmentado), mas o intuito é justamente este: oferecer uma opção de debate para quem procura algo mais instigante que a superficialidade habitual.

A Área Azul já está visível no horizonte. Confira... e dê a sua opinião.

quinta-feira, 25 de maio de 2006

O CÓDIGO DEU ÁGUA


É... deu água...

Há filmes que resolvo assistir sem saber absolutamente nada a respeito. Assim corro atrás daquele sentimento tão raro de surpresa coroado com um "Caramba... que filmaço!" que há tanto tempo não sinto. Hoje em dia, especialmente depois da internet, é praticamente impossível para um cinéfilo conseguir isto, ainda mais quando se trata de um filme adaptado do maior hype dos últimos tempos. A expectativa era altíssima e, ao contrário do que fizeram com Batman e vêm fazendo com , o material de divulgação não revelara muito a respeito, o que é bom. Como não consegui assistir na estréia, a curiosidade não me impediu de ler críticas aqui e ali, onde destacavam-se quase unanimemente as opiniões negativas. Desta vez, agradeci aos céus por ter lido antes, de modo que já torcia o nariz na véspera, quando fui chamado para assistir o filme. Isso deu uma inversão de fase na expectativa: Eu tinha o dever pessoal de assistir, mas se antes esperava muito, agora esperava um lixo e só essa inversão conseguiu fazer com que eu saísse do cinema com a leve impressão de que a experiência havia sido boa - não sei bem se por causa do filme ou se porque sentei próximo à Danni Carlos. Legal olhar na cara de alguém e pensar "Já te vi semi-nua no Paparazzo!".

Claro, passadas algumas horas, com as impressões já mais arrumadas aqui na cabeça, se tentar identificar o que mais me chamou a atenção no filme, acabo percebendo que foi uma propaganda que veio antes até dos trailers. Quantas vezes vocês já foram ao cinema e uma das propagandas foi sobre algo que não seja bancado por uma empresa abastada? Raro! Livros então, nunca! Mas aqui teve! A propaganda começa com um close na Gioconda que, com o afastamento, recebe a narração em off dizendo que a obra a ser vista é de ficção e pergunta ao expectador se, após gastar tempo com o filme, prefere a ficção ou a verdade. Claro, de forma magnânima uma imagem vem mostrando as costas de Jesus estampadas na capa. Foi uma risada meio que generalizada na sala. Impressionou a forma como gastaram – isto não deve ser barato, ainda mais no Leblon – para impor sua crença.


Argh... a culpa é do Hanks!!!

Nunca achei Ron Howard um diretor fora de série. De suas obras, tenho para mim que a melhor delas foi sua filha. Do resto, ao menos como diretor, a impressão geral é a de um cara que cumpre o que lhe é passado sem inventar muito. Burocrático, portanto; mesmo que tenha ganhado uma série de Oscars por Uma Mente Brilhante. Se considerarmos que O Código Da Vinci (The Da Vinci Code, 2006) é adaptado de um livro cuja linguagem já é cinematográfica, vem a conclusão óbvia de que o cara não vai ter muito trabalho para transformar a linguagem de um livro em linguagem de cinema – sim, pois por mais que livro tenha linguagem cinematográfica, isto apenas o aproxima desta mídia, por óbvio. Ou seja, um burocrata poderia fazer isto.

Não fez. Além das tramas que se entrecruzam no livro, uma das suas principais atrações é a compilação de informações "rádio relógio" que, como já escrevi várias vezes, só servem para papo de bar; é a cachaça da leitura – quebra o ritmo, desafoga o cérebro e depois vai embora para a trama voltar. Estas passagens, agradáveis nos livros, são difíceis de serem adaptadas para o cinema (muitas foram cortadas) pois causam quebra de ritmo que, diga-se de passagem, é indubitavelmente o maior vilão da projeção. Ou a falta dele. A transposição de um livro para a tela grande pressupõe a necessidade de adaptações da forma para uma nova mídia. A impressão geral do resultado sugere que a linha adotada partiu para a reprodução da narrativa como escrita no original. Simples assim. Certa vez Stephen King, por ter odiado o resultado da adaptação de O Iluminado – livro bem bacana, diga-se de passagem - feita por Kubrick, o refilmou palavra por palavra. Além de imenso, o filme perdeu toda e qualquer noção de ritmo. Acabou virando uma série. CdV seguiu o mesmo caminho; o que temos é um filme soluçante, onde as seqüências são estanques, quase com vários sub-clímax, mas nenhum clímax final, se é que podemos classificar assim. Tal como O Iluminado de 1996, parece que estamos vendo uma série em forma de filme; os últimos 20 ou 30 minutos se prestam a algo que tem a cadência de uma longa despedida. Despedidas são chatas. Sempre. Com direito até a uma versão Dan Browniana com tempero de novela global para uma espécie de "Luke, I'm your father!".


E agora, meu Deus? Será que a gente volta para Anjos e Demônios?

O elenco parece o time do Fluminense. No papel é até bom, mas não sabe jogar junto. Ron Howard não foi um bom técnico nem mesmo com um Tom Hanks numa mão, uma Audrey Tautou na outra e... bem... digamos que se ele tivesse mais algumas mãos – para não ter que usar outras partes do seu corpo – ele teria ainda Ian McKellen, Jean Reno e Paul Bettany. Há de se convir que seja um elenco muito bom, todos já tendo mostrado bons trabalhos anteriormente. Entretanto, dos cinco, só Ian e Paul funcionam. O primeiro tira leite de pedra (sem trocadilhos, claro), enquanto o segundo tem o melhor papel para explorar e o faz bem. Não é suficiente. Os dois primeiros deveriam comandar, conduzir, mas parecem alunos da pré-escola aprendendo Educação Moral e Cívica com aquele interesse que lhes é peculiar. Por vezes, o caráter didático das interpretações de Hanks e Tautou beiram o teatro infantil ou atuação de propaganda eleitoral. Em nenhum momento passam credibilidade e, pombas!, Hanks é um dos meus favoritos! Concordo aqui com Dan Brown que, quando escreveu o "roteiro", já pensou em Harrison Ford. Não é melhor ator que Hanks, mas não tenho dúvidas que sua característica mais forte, mais entregue e mais kamikaze seriam muito mais convincentes num momento em que alguém chega e fala para tu que Jesus - sabe a quem me refiro, né? O Filho do Homem, não o guaraná - não é o que tu pensavas que fosse. São idéias-força que por si só deviam amarrar o público, mas a postura extremamente blasé dos dois não agarra nem corações nem mentes, só para pegar um termo batido. Pelo contrário, servem como Lexotan e deixam tudo meio letárgico. Os embates dialéticos que poderiam surgir com Tom e Ian dividindo a mesma tela transformaram-se em um capítulo de Telecurso 2º Grau (existe isto ainda?). E Audrey? Bem... Audrey pode ser uma menina adorável, mas é ainda assim uma menina. Uma Amélie Poulain. Já ouvi falar que Julie Delpy (Antes do Pôr-do-Sol) seria ótima para o papel. Bem, ao menos é mulher feita, tenho que concordar. Particularmente, preferia uma Eva Green (Os Sonhadores e Cassino Royale) ou Ludivine Sagnier (Swimming Pool). Jean Reno foi tão desperdiçado que parece que foi filmado por engano passeando pelo estúdio.


Se depender de mim e do resto do pessoal de camisola, nunca mais, rapá!

Há pontos fortes, claro. Muito mais para quem já leu o livro do que para o resto – minoria – da humanidade, já que a memória das palavras lidas, dos ambientes descritos e de pontos não inseridos na trama aguçavam a mente que naquele momento fervilhava para expulsar o Lexotan. Claro, nem tudo o que aparece é o que dizem ser. A Igreja de Saint Sulpice, por exemplo, foi feita em CGI (ficou bem mais limpa, diga-se de passagem), usando fotos 3D, pois não foi permitido filmar lá dentro, assim como na Abadia de Westminster, cujo interior foi reproduzido em outra igreja de Londres. As imagens do interior não eram tampouco detalhadas, mas ao menos foi possível ter uma idéia. Há também diversos sites por aí (eu mesmo escrevi a respeito aqui) e o livro ilustrado que já atendem este tipo de necessidade.

Então, como é que um filme onde os atores, com exceções, desempenham mal seus papéis, é mal montado, mal dirigido, mal executado e mesmo assim saio do cinema me sentindo bem? Simplesmente porque queria ver muitas coisas do livro e vi. Pena que as tenha visto como se fossem slides de Powerpoint - estanques - , quando deviam ser fluídas. Talvez tivesse outra impressão, se não tivesse lido o livro antes.

PS: Agora é moda falar mal do livro. Tem uma tal de aura intelectual por trás disto. Será que eu devo perder minha personalidade e seguir a manada?

Artigos relacionados:

Artigo 1 (2006) – Post sobre os Livros de Dan Brown
Artigo 2 (2005) – Post sobre Os Sonhadores

Artigo 3 (2005) Post sobre Anjos e Demônios e O Código da Vinci

terça-feira, 23 de maio de 2006

VIVE LA EXTREMIS REVOLUCIÓN!!

Dias atrás escrevi sobre as mudanças que ocorreram com o Homem Aranha e como acho que tudo aquilo é necessário. Não sou muito bom com títulos, então, dado o assunto, "Vive la revolución" pareceu apropriado. Até tem casos em que podemos planejar que os títulos de diferentes publicações sejam ligados, mas agora foi realmente coisa da vida e insisti na mesma falta de criatividade do título anterior, já que o revolucionado da vez é o Homem de Ferro.

Nunca fui fã do personagem. Na minha visão, ele sempre padeceu do mesmo mal que ataca a atratividade de personagens como Superman e Capitão América, por exemplo. Ou poderosos demais, ou auto-suficientes demais, ou com suporte demais, ou sem problemas demais, ou todas as opções mencionadas juntas. Demais. Claro... Superman é a personificação em celulose destas características, mas mesmo na Marvel, marcada por personagens mais humanos, ainda assim este tipo de coisa acontece. Capitão América pode não ter o poder de um Superman, mas é tão babado que nada o atinge, como se uma aura de confiança o protegesse. Não à toa sua contraparte ultimate - defeituosa até a alma - é bem mais interessante. E Tony Stark não é diferente. É um homem comum e alcoólatra, mas podre de rico e resolve tudo com uma facilidade que impressiona. Cria-se um paradoxo: é um homem comum tão meta-humano que não sei de quem este cara não vence. Tipo o Batman que, ao menos, tem a aura sombria que o torna mais atraente.

No mundo das histórias em quadrinhos tem coisas que há que se aceitar para que a diversão tenha sentido. Entretanto, como tudo, mesmo dentro de seus absurdos existem regras coerentes entre si. A mecânica especial das HQ´s. Não nego que já me peguei várias vezes pensando em como os poderes destes personagens funcionariam e, nesta viagem, um que para mim sempre se mostrou meio apelativo era o Homem de Ferro. O nível de tecnologia de sua armadura, o fato de não haver algo sequer próximo de seu potencial, partindo do princípio que Tony Stark, humano, faz tudo sozinho tornava tudo muito fora daquilo que eu julgava ser coerente dentro da incoerência. A armadura só teria sentido se Stark não fosse humano, mas ao menos mutante - tipo um Forge, por exemplo. Quando surgiu a versão ultimate, pensei: "Opa! Até que enfim uma visão do Homem de Ferro verossímil! Só poderia ser assim mesmo." Lembro que o Doggma chegou a discordar de mim, disse que, para ele, Stark era um fora de série e, se considerasse a versão clean desenhada por Adi Granov, seria mais condizente com o que ele imaginava possível.

E, para variar, o chefe estava certo. Sexta-feira comprei O Invencível Homem de Ferro - Extremis, e fiquei de queixo caído. A sinopse é idiota e até repetitiva dentro do próprio mundo de estórias do personagem: uma arma biológica é roubada de um laboratório onde trabalha uma amiga/ex-peguete de Stark e esta o chama para ajudar a resolver o problema. Simples, direto e certeiro. É uma premissa de roteiro tão batida e óbvia, com pontos chave tão bem definidos, que fica na cara que deve ter um algo mais para terem se dado ao luxo de trazer esta pompa toda ao arco. E que pompa! A equipe criativa é uma destas duplas que você deseja que nunca se desfaçam. Assim como Bendis/Maleev, Millar/Hitch, Lucy Pinder/Michelle Marsh e outros, Warren Elis e Adi Granov combinaram com o Homem de Ferro como se o personagem tivesse sido feito para eles. Ou por eles. Mas já que não foi, então eles o refizeram. Inexorabilidade da "natureza" é uma maravilha!
Como já cansamos de ver, o tempo de background do personagem pesou e tiveram que atualizar o passado de um cara por volta de seus trinta e poucos anos em 2005. A forma como o estilhaço veio parar no seu coração foi um pouco alterada, assim como o contexto em que se encontrou com Yinsen - o cientista japonês que o ajudou a fazer a primeira armadura. As conseqüências de suas invenções e a inequívoca condição de crescimento tecnológico americano intimamente vinculado ao suporte militar foram mais densamente definidas. Algumas outras questões morais, que até já foram inseridas em outros tempos, ganharam roupa nova pela imaginação de Ellis. Não sei se esta nova origem vai colar - fizeram isto com Homem Aranha e Superman, por exemplo, e não colou - mas não há como negar o talento de Warren Ellis ao pegar um roteiro batido e transformá-lo em algo eficiente. É, novamente, o "como" sobrepujando o "o quê". Costumo pensar que uma história em quadrinhos pode ser boa se não tiver desenhos bons, contanto que roteiro e diálogos compensem, sendo que não há estória boa se o desenho for bom, mas com roteiros fracos. Ellis abusa! Seus diálogos são afiadíssimos e, mesmo que o roteiro por vezes dê uma soluçada e nos apresente eventos que sabidamente não ocorreriam daquela forma se o objetivo não fosse redefinir o personagem.

A dupla criativa de Extremis nos presenteia com um conjunto perfeito, onde ótimos diálogos e roteiro recebem a companhia da impressionante e limpa arte de Adi Granov. O cara é um absurdo. No my space dele percebe-se que sempre foi tarado por robôs e afins, o que é algo perfeito para quem começou seu papel na Marvel com um personagem essencialmente máquina. Ao acabar de ler cada página, nos pegamos mais cinco minutos admirando seu desenho, sua anatomia simples, seus cenários, os detalhes técnicos da visão do Homem de Ferro que o fazem verossímil como Doggma havia falado, as fisionomias, poses etc. Curioso, pois é um perfil austero de imprimir seu estilo, mas esta austeridade não abre mão de dinamismo em momento nenhum. É possível sentir o movimento, inevitável imaginar os personagens se movendo nos momentos antes da cena desenhada e imediatamente após, até juntar-se com o próximo quadrinho. Tudo é de um esmero que justifica os atrasos nas datas de publicação da revista. A primeira - de seis - saiu em janeiro de 2005. A última saiu em março de 2006. Se me permito fazer alguma objeção é quanto à sua representação das pessoas. Se por um lado a anatomia é perfeita, por outro esta mesma perfeição as deixa "plastificadas", como que embalsamadas (tipo boneca de sex-shop, mesmo que eu nunca tenha visto uma ao vivo, er... bem.. colou?), mas aí a gente chama de estilo e fica tudo certo.
De qualquer forma, mesmo que a armadura, sob os detalhes de Granov e argumento de Ellis, tenha ficado verossímil, isto e a revisão da origem do personagem ainda assim seria um desperdício de talento e/ou oportunidade. Algo mais precisava ser feito. Algo mais precisava criar um sentido de mudança definitiva, de forma que esta série não ficasse no esquecimento no futuro, então os meus desejos são atendidos. Não basta mudar o Homem de Ferro. Há que se mudar Anthony Garot... ops... Stark. Deixamos de ter um "mero humano superpoderoso" e passamos a ter de fato o Homem de Ferro na mais perfeita acepção da palavra. Revelar mais é tirar a graça, então paro por aqui. E digo: não resisti e baixei as últimas quatro edições (dãã... alguém se surpreendeu?), mas vou comprar as próximas duas que a Panini lançar. Vale o dinheiro gasto. Pena que não tenham decidido lançar tudo de uma vez só. Um encadernado de 150 páginas. Ficaria muito mais bonito na estante.
"I am the Iron Man inside out!"
______________________Tony Stark
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quinta-feira, 18 de maio de 2006

Nem eu, nem Fivo: dessa vez é o colleague Sandro quem psicografa, em sua primeira incursão zombística. A seguir, ele destrincha o verdadeiro sentido de parar pra curtir um bom rock'n'roll. E não estamos falando só de música aqui.


IT'S EVOLUTION, BABY!!!


Parte 1: Os de estúdio.

Início dos anos 90. Eu tinha uns 17 anos. Época boa, na verdade uma época de escolhas, mas ninguém estava afim de escolher nada. Ao mesmo tempo que tínhamos que escolher algo perante nossos pais, a gente estava descobrindo um monte de coisas, o que teoricamente anulava o fator escolha naquele momento, já que tanta coisa nova aparecia. Era época de Batman chutando o Azulão, Rorschach, aquelas porcarias de tamagochis, Holden Caufield e seu campo de centeio. Época de blá-blá-blá sobre teoria das Supercordas, importância do voto, não fume, se alimente bem e suco Tang dá câncer. Era época de garotas também. Era época de engolir Fernão Capelo Gaivota, Os Lusíadas e qualquer um do Machado de Assis pra vestibular. Mas, na verdade, nada disso importava, porque a época era mesmo de uma banda: Nirvana.

Começar um texto sobre o Pearl Jam falando do Nirvana parece sacanagem, mas não é. Temos que admitir que Smells Like Teen Spirit abriu espaço pra um monte de gente mostrar seu trabalho. Poucos se deram bem e estão até hoje por aí, outros já não conseguiram o tipo de exposição que pretendiam, ou a musicalidade deles não seria compreendida por muitos, ou simplesmente não quiseram entrar no bloco mainstream da coisa. Eu, particularmente, agradeço a Kurt e companhia por terem me apresentado ao Mudhoney, Screaming Trees e ao Mother Love Bone, uma das bandas que tem o nome mais legal que já vi. Projetos solo à parte, nenhuma conseguiu o êxito a curto prazo que o Nirvana conseguiu. Nem o Pearl Jam, citado aí em cima. E novamente, parece estranho falar de uma banda e ficar citando outra, mas não é.

Admito que queria que o Pearl Jam se explodisse na época. Aquele primeiro disco deles, com aquela capa semi Poison me deixava puto. Como alguém pode aprovar uma coisa daquelas? E o povo que idolatrava Alive como hino me enchia o saco com discussões sobre o significado daquelas mãos juntas e o nome do disco. Um bebê nadando com uma arma flutuando não precisa de grandes explicações, assim como as capas dos discos do Soundgarden ou do Alice in Chains. A impressão que me dava é que os boyzinhos da sala curtiam Pearl Jam e os sujões, que eram os reais líderes das salas de aula, o Nirvana. Aqui ou ali um fã de Guns, mas eu sempre detestei Guns, portanto não sei o que eles pensavam ou se pensavam em algo.

Mas sempre fui do tipo "tenho que ouvir pra criticar". Tinha medo de ler Mein Kampf, do Hitler, por pré-julgamento do povo mindless, então lia escondido. Mas lia. Queria saber o que pensava um cara como Hitler, assim como queria saber o que Mandela e o Black Panther Party pensava. Informação sempre é útil, mesmo quando se tratava de uma álbum como Ten. Ouvi tudinho. Vi clipe na MTV. A tal da Jeremy tinha uma letra bem legal, mas não adianta, eu só ouvia a merda da Alive no rádio e na boca dos pseudo-fãs. Não ouvi ninguém falar nada do restante do disco. Mais tarde, Black tocou até doer. Mas não adianta, para quem estava ouvindo Jesus Christ Pose ou Suck You Dry não havia Why Go? que agradasse. Pelo menos, esse era meu ponto de vista.

Ouvi Nevermind até sangrar meu ouvido esquerdo. E não cansava. E não canso. E nunca vou cansar, assim como ouço Badmotorfinger até hoje no último. Era também uma época de descobrir Sonic Youth, Jesus and Mary Chain e ficar garimpando coisas novas das lojas de disco. CD tava começando a aparecer, mas nem tanto. Mas em todo lugar pra onde me virava, ouvia Alive. E não aguentava mais. Até hoje tenho uma coisa com essa música. Não aguento. Simplesmente não aguento. PJ pra mim era a Polly Jean Harvey. Ponto.


O disco novo veio logo, uns dois anos depois. Vs era o nome e tinha uma foto de um bicho tirada com uma grande angular. Na primeira vez que vi não entendi direito e nunca iria pensar que era uma ovelha. Eu estava chapado de bebida numa festa, mas ainda lembro quando fulano veio me mostrar o CD. Era um dos primeiros cd's que eu via na vida. E confesso que fiquei curioso pra saber o que aqueles caras iriam fazer depois da mega exposição. Perdão pelo trocadilho, mas acho que no momento pensei "será que eles still alive?". Chapar nessa época era legal. Surpresa minha ao acordar na casa de meus pais no dia seguinte com uma puta dor de cabeça e o tal do disco no bolso da minha jaqueta. Eu nem tinha CD player e, mais ainda, nem sabia de quem era o disco, não lembrava do fulano que me mostrou. Se você, fulano, está lendo isso, eu te devolvo, ok? É só pedir educadamente.

Fui na casa do meu amiguinho rico e pedi pra ele gravar numa fita. Meio com mal gosto, meio com vontade de tirar sarro dos meus amigos eddie fazóides, coloquei a fita e os fones de ouvido, sentei no chão da sala e pensei automaticamente nos primeiros acordes: "o chicão me gravou disco errado. Não é Pearl Jam isso aqui...". Peguei o encarte e comecei a seguir as letras. Encarte maneiro, pensei. Letras maneiras pensei. Som do caralho, pensei. Fãs de Alive reclamando, pensei.

E foi nessa hora que virei fã do Pearl Jam. Ouvindo Go, Animal e Indifference. Esta última, aliás, parecia que estava no final do disco por um motivo. Parecia que eles estavam indiferentes com o primeiro disco, que o que eles queriam fazer mesmo era rock'n'roll. Que o segundo é um evolução do primeiro e que eles queriam continuar fazendo isso. "Saw things so much clearer..." gritava no meu ouvido. E, sem pestanejar ouvi o disco novamente. 4 vezes naquele mesmo dia. E decidi comprar meu primeiro CD, mesmo não tendo player. A mudança toda do PJ era sentida na capa, que não tinha nenhuma indicação do nome da banda, somente aquela ovelha torta. Coragem, pensei. A gravadora obviamente colocou um adesivo gigante "O Novo do Pearl Jam", mas era fácil de arrancar. A capa era ótima sem aquela droga de adesivo.

Novamente, dois anos depois, uma nova e agradável surpresa. Vitalogy era o projeto gráfico mais ousado que eu já havia visto. O CD é um livro, o acabamento impecável e a música tendenciando para um pré-experimentalismo, o que ocasiona, obviamente, queda nas vendas. Poucos hits de rádio e o Pearl Jam já tinha declarado que odiava fazer videoclipe, o que iria baixar ainda mais as vendas do disco. MTV vende. E muito. Mas tava estampado no disco todo que os caras queriam mesmo é que se foda, queriam segmentar o público-alvo deles com gente que gostasse. Queriam esquecer o passado black e simplesmente tocar. Ainda assim, músicas como Nothingman ou Not For You tocaram em rádios consideradas de rock, antes da jabálização das mesmas. Para fãs, um disco espetacularmente diferente, com direito a sanfona em Bugs e experimentalismos diversos, o que os levou a No Code, um disco em que os integrantes realmente deixaram de lado opiniões totais e simplesmente tocaram. Novamente com projeto gráfico impecável, que trazia algumas imitações de polaroids com letras de músicas no verso e fotos representativas, o disco torceu o nariz até dos fãs mais ardorosos. Eu, particularmente, somente admirava mais e mais a coragem dos caras e, até hoje, me surpreendo um pouco. De Oceans para Sometimes em 5 anos não é um pulo, é uma queda livre a 350km por hora, principalmente no conceito dos fãs do primeiro disco. E eu queria mais, queria saber onde é que aqueles caras iriam parar.

Em 1998, a banda havia firmado o que queria musicalmente e fora do circuito de grandes divulgações. Ainda assim, sem mega produções, o PJ levava milhares de fãs a shows, e isso os irritava. Queriam shows menores, mas era impossível. A produtora via o potencial de renda dos shows mais ainda do que da vendagem de discos, o que ocasionava contratos milionários e, conseqüentemente, um preço extremamente alto para os fãs que, ainda assim, pagavam. E nova briga comprada pelo Pearl Jam, agora com as empresas que vendiam seus ingressos a preços exorbitantes. Briga esta vencida pela banda, que conseguiu baixar em cerca de 65% o valor cobrado. Neste ano também veio a conciliação com a MTV, através do petardo visual Do The Evolution lançando o disco novo Yield. Dirigido por Todd "Spawn" McFarlane e roteirizado pela banda, o clipe não só é revolucionário pela sua técnica como pelo seu conteúdo, até hoje, 8 anos depois, ainda atual. E o disco trouxe de volta um Pearl Jam não de raízes, mas de coesão musical e, principalmente, satisfeito consigo mesmo. E isso dava pra se sentir nas letras e músicas. Discão para qualquer fã de rock, se nada de experimental, somente grandes músicos tocando grandes músicas, o que fez com que o próximo álbum de estúdio, Binaural fosse recebido com grande expectativa pelos fãs, agora já segmentados e não apenas "Eddie Vedder wannabes". Não manteve a estrutura musical de seu antecessor, mas concluíu o caminho da banda no sentido de direcionamento. Músicas como Nothing As It Seems e Breakerfall foram lançadas nas rádios, sem muito alarde e, consequentemente, sem o sucesso esperado. Acredito que a gravadora sempre esperou um novo Even Flow, que não veio. De certa forma, isso é um grande alívio. Entre um disco e outro, a banda lançou um disco ao vivo muito bom chamado Live On Two Legs, uma compilação de grandes músicas, nem todas grandes sucessos, o que comprova mais uma vez a intenção real da banda, a divulgação do trabalho em si, não apenas de hits ou vendagens. Banda de caráter, isso sim.


2002. Sem nenhum tipo de divulgação encontro o disco Riot Act numa loja. O PJ é uma as poucas bandas em que faço questão de comprar o disco original, mesmo antes de conhecer o conteúdo. Pelo menos um bom projeto gráfico eu terei em mãos. E não era surpresa alguma ao ouvir o disco saber que o Pearl Jam continuava seu caminho em direção a evolução, com músicas impecáveis como Ghost e I Am Mine, com direito a imagem da banda na MTV em videoclipe gravado em estúdio depois de cerca de quase 10 anos, desde Rearviewmirror. Era um retorno, mas um retorno ao estilo da banda, do jeito deles. Mais uma vez o disco tinha algo que falta na maioria das bandas atuais: conceito. Foi o que permeou o próximo disco, Lost Dogs, que trazia apenas B-Sides e raridades da banda, disco fundamental pra qualquer fã que queira realmente conhecer o trabalho sério e digno da banda. Na verdade, você só conhece uma banda realmente depois de conhecer o outro lado dela, o lado significativo e não-vendável, o aspecto simbólico concreto da motivação deles. Um disco como este mostra o que você não vai ouvir em rádios provavelmente nunca, mas nem por isso, menos importante e sonoro. Em 2003 mais um disco ao vivo, agora com vendagem revertida para o Youth Care, com grandes sucessos e a pouco conhecida Crazy Mary, o que mostrava como a banda mantinha seu engajamento sócio-político e causas humanitárias em pauta.

Dois anos depois, o inevitável Best Of. Chamado Rearviewmirror, era uma compilação dupla de sucessos da banda. Só isso. O Pearl Jam é o tipo de banda que você tem que descobrir por si próprio para conhecer a essência. Mas todo mundo precisa de dinheiro e contratos são assinados para isso.

Agora o PJ está com um disco novo, batizado com o nome da banda. Para uma banda que tem mais de 10 discos lançados, quase 70 discos duplos com gravações de shows (será que algum fã tem todos?) e participações em trilhas sonoras de filmes e causas humanitárias, até que demorou para lançarem um disco com esse título. Na verdade, o disco demonstra exatamente o que seu título quer dizer. O novo disco É o Pearl Jam. É a demonstração precisa de para onde a banda gostaria de ter ido, e conseguiu chegar. Músicas rápidas, diretas, som rasteiro e sem frescura. Num mundo globalizado, World Wide Suicide, que já começou a tocar nas rádios, devia virar hino. E não consigo enumerar as que mais gostei, porque o disco todo é recheado de riffs cortantes e letras concretas. Acho que banda boa é assim, surpreende a gente a cada disco. E eu, como fã real do Pearl Jam, estou novamente surpreendido pela dedicação aos fãs e por lutar pra fazer o que eles querem. Se todas as bandas fossem assim, talvez as coisas fossem um pouco diferentes por aqui. Atitude e iniciativa, é isso que o Pearl Jam representa para mim.

Precisa mais?


PS.: Infelizmente, por motivos financeiros, não vi os shows aqui no Brasil. Sim, me arrependo muito, assim como me arrependo muito de não ter visto o Rush (nota do ed.: deu mole... eu fui. Show-za-ço! :D). Mas já ofereci vários Sangue de Boi, Pirulitos Zorro e Pipocas Panda na macumba pra que eles voltem.


Sandro TC é publicitário, redator, designer e parece um mix de Jack Black, Robert Smith, Juggernaut e Bob Cuspe. E é o fã número 0,01 daqueles clipes bizarros do Tool. Atualmente, anda escrevendo Escrevia no Ctrl+Z e no Cine MKT, e, pelo jeito, tá querendo escrever aqui também.

segunda-feira, 1 de maio de 2006

Operação Resgate

Na Antártida ninguém vai ouvir você gritar.






Já tem um bom tempo desde... o último O.R. foi o quê? ...caramba, foi aquele do Danzig, há 1 ano atrás. Se bem que o Fivo, meio que inadvertidamente, manteve a adoração por estas velharias em textos como este, este e este (justamente a trinca de estréia do lost-boy por estas bandas!). De qualquer forma, este é o primeiro de uma série sobre filmes de terror que pretendo iniciar aqui. Embora esses filmes tenham conservado aquele charme irresistível que os tornaram memoráveis, muitos deles envelheceram bastante. Já outros, passaram ilesos pelo teste do tempo. Então, nada melhor do que iniciar essa seqüência gore com o assustador O Enigma de Outro Mundo (The Thing, 1982), dirigido por um John Carpenter em grande forma e, com certeza, um daqueles momentos atemporais.


Spoilers assembled!


O filme era um remake do clássico sci-fi O Monstro do Ártico, de 1951, um legítimo exemplar da "Era McCarthy" do cinema de ficção (neste mesmo ano estrearam O Homem do Planeta X e o mega-absurdamente-clássico O Dia em que a Terra Parou, ambos com temáticas referenciais bastante próximas). A produção original foi baseada no conto Who Goes There?, de John W. Campbell Jr (leia aqui, na íntegra, em inglês), que narrava as mazelas de uma expedição científica na Antártida após a descoberta de uma nave espacial cravada no gelo há cerca de 100.000 anos e a posterior matança de toda a equipe. De cara, nota-se que o filme relegou a densa atmosfera psicológica do conto em favor de uma analogia à situação geopolítica da época, notadamente à Guerra Fria e à paranóia anti-comunista. Com o segmento da ficção-científica em alta no final dos anos 70/início dos anos 80 (via Alien e Blade Runner), a proposta para uma refilmagem - que circulava já há alguns anos pelos bastidores - começou a ganhar força.

A Universal não teve dúvidas: John Carpenter era a escolha natural para assumir a direção. Egresso de uma ótima e rentável fase (Halloween, Fuga de Nova Iorque), ele despontava como o próximo grande nome do cinema mainstream. Carpenter era dono de um estilo carismático, revezando intensas seqüências de ação com uma forte pegada de horror old shcool. O belíssimo trabalho de adaptação de Bill Lancaster deixou o roteiro sob medida para Carpenter desfiar suas influências de suspense clássico (O Enigma de Outro Mundo tem os climas mais hitchcockianos que Brian De Palma jamais sonhou conceber).

O staff era de primeira, parecia uma conjunção de astros do ramo. A fotografia claustrofóbica e incômoda ficou a cargo de Dean Cundey (que já havia trabalhado com Carpenter, em Fuga de Nova Iorque). A arrepiante trilha incidental era do mestre Ennio Morricone (numa das raras ocasiões em que Carpenter não compôs a trilha do seu próprio filme). Já os efeitos especiais ficaram nas mãos de um dos maiores especialistas de todos os tempos: Rob Bottin, a fera responsável pelos monstrengos do filme Grito de Horror (lançado 1 ano antes e que contém a 2ª melhor transformação de lobisomem da História - assunto pra um outro O.R. desses) e, anos mais tarde, pelo make-up insano do primeiro Robocop (sente o drama).


O filme começava num ritmo pra lá de intrigante, em pleno inverno antártico, sem muitas explicações para os personagens (e muito menos para o espectador!). Em um helicóptero, dois homens armados caçavam implacavelmente um cão da raça husky siberiano, que fugia pela planície congelada. Logo, eles chegam à uma estação de pesquisas norte-americana, a Outpost #31, e o safári termina da pior maneira. O helicóptero explode em um acidente, matando um dos homens. E o outro morre logo em seguida: após acertar um tiro em um integrante da estação, ele é baleado pelo administrador do lugar. Único sobrevivente: o cachorro sortudo.

Após as devidas averiguações, descobre-se que os dois homens pertenciam à uma equipe norueguesa instalada em uma estação próxima. Eles decidem ir à tal estação na tentativa de apurar os fatos. Chegando lá, eles se deparam com um cenário aterrador: vários cadáveres mutilados evidenciavam que o local foi palco de um verdadeiro massacre. Não sobrou ninguém para contar história. Entre documentos e vídeos com registro de atividades, eles também encontram uma criaturinha difícil de descrever - . Após uma cena vomitoresca de autópsia capaz de embrulhar o estômago do legista mais calejado, eles chegam à conclusão de que "a coisa" era humana e "com todos os órgãos vitais no lugar". A partir daí, tudo segue, ou tenta seguir, na mais perfeita monotonia de um isolamento sub-zero, quando um incidente ocorre no canil da base. O husky-sobrevivente-siberiano é pego no flagra se revirando pelo avesso e tentando absorver e assimilar os outros cães, quando é sabido que huskys siberianos não têm este mal-hábito. Tudo é resolvido à base do lança-chamas e, com uma análise nos restos mortais, eles começam a decifrar os bizarros acontecimentos.

O organismo não-identificado era capaz de neutralizar e copiar a estrutura celular de qualquer ser vivo à perfeição, com relativa rapidez. Cálculos revelam que a taxa de propagação per capita é extremamente alta, e que o bicho faria um estrago daqueles em um lugar mais pop. Como a Lei de Murphy também tem serviço de entrega na Antártida, a pesquisa nos vídeos da estação norueguesa revela que a equipe de lá encontrou o ser original em um imenso ovni enterrado no gelo - o que eleva a ameaça biológica para ameaça-biológica-com-intelecto-superior-e-conquistadora-de-mundos (um senhor DEFCON 1!). Em hipótese alguma a criatura deveria chegar até uma área povoada (na China então, nem pensar). E outro problema, desta vez iminente: pelos cálculos baseados na rapidez de assimilação, e tempo de exposição ao "cachorro" e à criatura disforme da autópsia, ao menos 1 dos 12 integrantes da equipe já estaria assimilado.

E é aí que O Enigma de Outro Mundo vira futebol-arte, futebol-moleque, maroto e sapeca.


Talvez a maior sacada do filme tenha sido a cuidadosa construção de cada personagem, desde os mais ativos até os mais secundários. A virada sensacional que o roteiro empreende - saindo de um açougue splatter profissional para um horror psicológico tenso até a medula - é capaz de emocionar até o Papa Bento XVI. O filme vira um jogo de gatos e ratos com complexo de perseguição. Todos se acham suspeitos e ninguém quer ficar sozinho com ninguém. Sumiços e sabotagens estratégicas pipocam aqui e acolá, criando uma atmosfera tão surreal de paranóia que só podemos esboçar um sorriso petrificado na tentativa de aliviar a tensão (em vão, é claro).

A força motriz do filme era inegavelmente o carisma do personagens, que encontrava na excelente escalação dos atores um feedback mais que apropriado. Esse é um dos pontos em que a produção lembra bastante Alien, de Ridley Scott. O time era tão carismático quanto o pessoal enclausurado na Nostromo, num ambiente inóspito (em pleno espaço) e também com um alienígena serial-killer à solta. E daquela mesma forma, não existiam protagonistas em uma primeira instância, apenas os que se destacavam com um maior espírito de sobrevivência diante de uma situação de risco em potencial. Mas de uma maneira natural, todos estavam lá em pé de igualdade.

Eis os "doze condenados": o piloto de helicóptero MacReady (um paranóico Kurt Russell, na 2ª de suas quatro parcerias com Carpenter), o chefe de estação Garry (Donald Moffat), o cozinheiro Nauls (o sumido T.K. Carter), o geofísico Norris (Charles Hallahan), o enfezado mecânico Childs (o excelente Keith David, que, anos mais tarde, voltou a enfrentar aliens sob a batuta de Carpenter, no maneiríssimo Eles Vivem), o biólogo-sênior Blair (Wilford Brimley), o mecânico-assistente Palmer (David Clennon), o físico Cooper (Richard A. Dysart), o biólogo-assistente Fuchs (Joel Polis, veterano ator de séries americanas), o meteorologista Bennings (Peter Maloney), o cara-que-cuida-dos-cachorros Clark (Richard Masur, que já atuou em mais filmes do que se imagina) e o rádio-operador Windows (Thomas G. Waites) - nenhum deles exatamente "do mesmo lado".

Muito menos insuspeitos. Norris, por exemplo, protagoniza uma seqüência que é uma baforada criogênica na espinha. Após uma briga, ele perde os sentidos e a equipe tenta reanimá-lo, sem imaginar que ele já estava pra lá de "animado": confira aqui essa singeleza, junto com o story-board (seguido à risca, pelo visto). Esta mesma cena desemboca em um dos momentos mais singulares do cinema fantástico (até hoje inacreditável) - a famosa cena da cabeça se separando do corpo e criando pernas. Rob Bottin é deus! Tudo isso numa época em que o máximo de tecnologia empregada na área não chegava nem perto do que hoje é o famigerado CG.

Esta cena repugnante também revela outras similaridades com Alien. Quando o torso de Norris se abre, lembra bastante os ovos coriáceos do clássico de 79. E afinal, o que é aquela spider-head senão algum "primo" do asqueroso face-hugger? E não pára por aí. As primeiras concepções da arte conceitual revelavam uma criatura quase idêntica, incluindo a relação simbiótica com o hospedeiro. Ainda bem que o bom senso falou mais alto e optou-se por um design não-uniforme (a cria máxima de H.R. Giger ainda hoje é tão influente que chega a representar um bloqueio criativo) - o que modificou até o conceito do filme original, onde a criatura era um praticamente clone do Monstro de Frankenstein.


A saída (genial, diga-se) foi ocultar o monstro até o gran finale, reservando apenas algumas participações esporádicas (e putrefactas), nas quais ele se encarrega de acabar com o apetite de qualquer cidadão. O resultado era uma cruza demoníaca de tudo que o monstro já assimilou em sua extensa carreira (confira na imagem acima e nos story-boards, bem bacanas por sinal).

No final das contas, o que mais prevalece no espectador é a sensação de ter participado de um acampamento de férias no inferno ao lado dos remanescentes da Outpost #31. A intrigante conclusão primava pela incerteza. Com a base em frangalhos, Childs e MacReady, totalmente exaustos e sem nenhum meio de transporte e comunicação, não têm o menor motivo para confiar um no outro. MacReady foi o único que viu a criatura original e sobreviveu, enquanto Childs simplesmente sumiu, só reaparecendo após as explosões que destruíram a estação. Mas, por incrível que pareça, este era o menor dos problemas, afinal o inverno antártico chegava ao seu pico mais rigoroso. Para a criatura (será?) bastava esperar o congelamento iminente e a posterior chegada de uma equipe de resgate. E para o(s?) humano(s?), apenas o fim de uma garrafa de whisky.

O Enigma de Outro Mundo é uma homenagem de John Carpenter à toda a cultura de sci-fi e horror B, e que acabou se tornando um cult absoluto com o passar dos anos. Cult? Sim... quando foi lançado, o filme teve uma péssima recepção do público e principalmente da crítica, que o acusou de ser "exageradamente violento", com efeitos especiais "perturbadores", "imorais" (?) e até mesmo "pornográficos" (!!). Curiosamente, neste mesmo ano, estreava E.T. - O Extra-Terrestre, recebido como uma elogiadíssima diversão para toda a família...


MAS O ENIGMA CONTINUA...


...a começar pelos games! Em 2002, a Computer Artworks lançou um jogo homônimo baseado no filme, para PC, PS-2 e X-Box. A sinopse começava alguns dias após os acontecimentos do filme e a linha básica não poderia ser outra:

"Após misteriosas mortes em uma estação da Antártida, uma equipe de resgate foi enviada para investigar o ocorrido. Naquele ambiente inóspito, eles se deparam com uma estranha forma de vida que assume a aparência das pessoas que mata"... e por aí vai.

Apesar de não ser nenhuma super-produção digital, pessoalmente, muito me agradou. No jogo você comanda o soldado Blake e a missão é descobrir o que aconteceu nas estações norte-americana e norueguesa. Durante o jogo, você vai passando pelos cenários do filme e chega até a encontrar aquele tape que MacReady gravou num momento de desespero. Antes da missão, você escolhe o seu time, dividido entre soldados, engenheiros e médicos. O bacana é que, à medida que o jogo avança e descobre-se a natureza do alien, você tem de manter a confiança dos seus companheiros na sua liderança (tem uma espécie de "confiômetro" que você pode acessar). Caso contrário, eles começam a adotar todo tipo de insubordinação, desde não obedecer ordens diretas e fugirem até tentarem te matar. Nos momentos mais lúgubres e tensos, o jogo lembra a atmosfera horror survivor de Resident Evil/Silent Hill, e na hora do pega-pra-capar a referência imediata é o velho estilão Doom/Quake.




Game bem simples, ótima jogabilidade, gráficos decentes e um climão de terror bem legal. Se quiser experimentar, está disponível nos links a seguir (no Rdsh, sem senha): The Thing - From Another - World.

Requerimentos:

Processor, 4x+ CD-ROM drive, DX8 Compatible Card, 8Mb Video memory, DirectSound8 Compatible Card
Recommended PC System Requirements: 64 MB RAM, 600 Mb HD space, 600Mhz PIII Processor, 4x+ CD-ROM drive, DX8 Compatible Card, 8Mb Video memory, DirectSound8 Compatible Card


Já testei e recomendo!


QUADRINHOS
(como não poderia deixar de ser)


Em 1991, a Dark Horse Comics lançou uma minissérie em duas partes chamada The Thing From Another World (mesmo nome do filme de 1951). A história começa exatamente onde o filme parou, e mostra o que de fato aconteceu com MacReady e Childs após os eventos trágicos da Outpost #31. Quase moribundos diante de uma violenta tempestade, os dois milagrosamente avistam um baleeiro japonês. MacReady apaga e acorda horas depois, na enfermaria do navio. Só então ele fica sabendo que Childs o deixou lá e retornou à estação "para buscar os outros sobreviventes"... Mas não vá tirando conclusões precipitadas, pois a história reserva surpresas pra lá de inesperadas. O ótimo roteiro de Chuck Pfarrer e a belíssima arte pintada de John Higgins garantem a diversão.

No ano seguinte, a Dark Horse voltou a explorar o universo da "Coisa" e publicou uma nova mini, em 4 partes, chamada Climate Of Fear. Era uma continuação direta da revista anterior e expandia ainda mais o conceito original. Como é um material que teve pouca repercussão, não vou me ater à muitos detalhes spoilerosos, visto que estes estragariam a experiência de quem não leu a sensacional minissérie de 91. O roteiro de John Arcudi e o traço "McFarlaneano" de Jim Somerville acabam sendo eficientes num contexto geral, mas comparativamente inferior à primeira mini.

Em 1993, mais uma incursão da Dark Horse: Eternal Vows, outra mini em 4 partes, colocou o alien copião pra assombrar uma cidade portuária da Nova Zelândia. O engraçado é que o alien não poderia nem sonhar em chegar à civilização e, no entanto, ele praticamente fixa residência em uma femme-fatale deliciosa, o que deixa a HQ com cara de adaptação do filme A Experiência (aquele com a Natasha Henstridge). Além disso, o suspense/horror de outrora é reduzido ao zero, dando lugar à altas seqüências de ação. Incrivelmente, não é ruim. Mas também não é do mesmo alien que estamos falando aqui. Roteiro de David de Vries e desenhos do furibundo Paul Gulacy.

As minis estão disponíveis para download nos links abaixo (em inglês):

The Thing From Another World
Climate Of Fear
Eternal Vows


Sites dedicados:








Na trilha: 10,000 Days, o novo do Tool.