domingo, 12 de novembro de 2006

SUPER-HIRO


Recentemente, talvez graças à evolução dos efeitos especiais (ou à falta de imaginação, ou inexorabilidade... ou as três) os quadrinhos pop invadiram os cinemas, estabelecendo praticamente uma nova categorização de filmes. Blade foi o balão de ensaio e X-Men foi o debut de verdade. Passados alguns anos e cerca de duas dezenas de filmes, com outros tantos já na agulha, creio que estamos vivendo um momento de definição, já que o veículo não é mais novidade, o anúncio de um novo filme deste tipo tornou-se comum e avalia-se o fôlego do mercado para as novidades do gênero.

Em todas as adaptações tivemos polarizações de opiniões. Sempre há aqueles que odeiam dividindo espaço com os que adoram, já que fanboy é uma raça odiosa, mas se tem um aspecto que soa unânime, é que o tempo de um filme é extremamente curto para conseguir passar para a tela com a devida propriedade e fidelidade um background de, em média, meio século. Sempre fica a sensação de que poderiam ter colocado isso ou aquilo, sendo que o desenvolvimento dos personagens, raras exceções, é zipado a ponto de perder-se boa parte de sua tridimensionalidade original.


Só que a tecnologia não avança só para filmes e tende a afunilar mídias, e assim temos games dos mesmos personagens feitos com mais requinte. O resultado disto pode ser conferido nos trailers de Marvel Ultimate Alliance (que já esteve no "Merece uma Skol") que, a despeito do team-up inusitado, conseguiu fazer a adrenalina da galera correr solta. As impressões que colhi por aí colocam o trailler com aprovação semelhante à veneração que Batman Dead End goza até hoje. E se filmes e games podem brincar, o mundo das séries de TV também resolveu se meter.

Os motivos para não acontecer antes eram óbvios. Uma série não poderia ter um custo de produção semelhante ao de um filme, já que precisa se pagar (mesmo que cada capítulo das grandes séries de hoje tenham orçamento de filmes médios da década passada). Uma série tratando de heróis seria arriscar alto. Já tivemos, claro, séries nos anos 80 com arquétipos clássicos da cultura de comics, como Super Herói Americano e Esquadrão Classe A, por exemplo, além do próprio Hulk e aquele Homem Aranha com lançadores aparentes e uniforme comprado na Uruguaiana. Tivemos também o Batman camp nos 60's. No entanto, os dois primeiros apelavam para o humor e aventuras vazias, sem muitas preocupações com aprofundamento dos contextos. Hulk era tosco, mesmo que ainda despertasse interesse, diferente do Homem-Aranha, que era tosco e só. Não sei também se é impressão minha, mas séries televisivas, principalmente as que passam ao largo do estilo folhetim noveleiro de Dallas ou do humor - sempre um risco, já que humor é o blue chip das séries - , nunca gozaram de tanto prestígio como na última década. Alias, Lost, 24h, The West Wing, CSI's, E.R. e inúmeras outras se sustentam sem esforço na grade de hoje. Talvez tenha chegado o momento de tentar os heróis também nas séries e com um pouco mais de compromisso. O primeiro que foi direto ao ponto, para variar, foi Blade (Smallville usa a mitologia do herói, mas não da mesma forma). O Horror. Foi pro saco com apenas uma temporada. Nunca gostei nem dos filmes do andarilho do dia, então não fica difícil ter idéia dos motivos que levaram ao baixo retorno da série.


A temporada deste ano estava começando e, como ainda teria que esperar um pouco por Lost, resolvi baixar o primeiro episódio de Heroes (Heroes, 2006). Não tinha nenhuma expectativa, via posts a respeito em blogs e sites ligados ao tema e não surtia nenhum tipo de interesse, mas como estava o torrent ali, só me olhando, resolvi pagar... quer dizer... baixar para ver (depois eu pago, quando sair o box). Surpresa pura! O negócio veio humilde, pé no chão, andando pelos cantos como cachorro que acabou de apanhar, dando tempo ao tempo, ganhando confiança e só depois começou a tomar corpo. Fala de um período em que alguns indivíduos da Terra começariam a manifestar capacidades especiais. Apenas uma pessoa no mundo se dá conta disto, um professor indiano que, na busca pelas informações que comprovem sua teoria, se muda para NY e, quando não está caçando suas provas, ganha a vida como taxista (hein?). Seu filho compartilha da mesma visão, até que o pai é encontrado morto e também vai para NY procurar provas para a teoria (e seguir o legado do taxímetro). Esta é a premissa inicial, só que o desenrolar dos eventos mostrará que tem bem mais por trás desta coisa de pessoas que de uma hora para outra começam a manifestar poderes, a começar pela caçada que parece estar sendo empreendida contra eles, já que vários da lista do Professor são encontrados mortos.


In recent days, a seemingly random
group of individuals has emerged with
what can be described as
"special" abilities.

Although unaware of it now, these
individuals will not only save the
world, but change it forever. This
transformation from ordinary to
extraordinary will not occur overnight.
Every story as a beginning.

Volume one of their epic tale begins here...


Assim começa o primeiro episódio, com aquelas letras subindo dando a idéia do porvir. Não tem aposta mais ganha, já que esta coisa de colocar um texto subindo no começo é solução manjadíssima da maior cine-série nerd-pop de todos os tempos. Entretanto, além de chupar Star Wars, os produtores conseguem logo de cara imprimir o estilo dos quadrinhos no produto. Afinal, o que seria este texto senão um recordatório? Tem coisa mais quadrinhos do que isto? Claro, não poderia ficar o tempo todo assim, então o recordatório continua, não como um quadrado no alto da tela em fonte comic sans, mas uma imagem que não dá pista alguma sobre o que está rolando, acompanhada de uma narração cujo texto e forma pode-se chamar de vídeo-recordatório, para então passar à trama da série. Acompanhamos o filho do professor, um cruzamento de Sayid com Shyamalan, recebendo ainda na Índia a notícia da morte de seu pai e decidindo seguir seus passos. Clique aqui para acompanhar os primeiros 8 minutos do episódio de estréia.


Certamente a série não pode fazer tudo o que os fãs de quadrinhos gostariam que fizesse, até porque sua vinculação com resultados em audiência é mais íntima e direta, já que o mercado de quadrinhos é bem concentrado. A prova disto é que, quando da estréia, apenas um punhado de episódios havia sido contratado, buscando testar a receptividade do produto. O sucesso inicial garantiu o resto da temporada e o desenrolar desta é que vai dizer se teremos o "Volume 2". Um dos pontos que valorizei bastante é a falta de pressa em ir direto à ação ou manifestação de poderes. A produção, além de ter sido sábia ao não escolher nenhum personagem preexistente, vem dando cadência apropriada aos episódios, construindo a personalidade de cada personagem com cuidado, sem atropelos, sempre mostrando algo novo. Dou bastante peso a isto, já que não são poucos personagens em primeiro plano. A linha principal tinha 9 logo de cara, sendo que mais dois entraram na trama um pouco após. Conseguir tempo de tela para todos, principalmente quando a cronologia avança e dá mais profundidade pra cada um deles, torna-se um exercício de competência complicado. Daí entender porque Jeph Loeb foi chamado para auxiliar a produção. Apesar de temer pelo futuro de Ultimates com ele, reconheço que ele tem o tipo do talento necessário para dar algum tipo de roupagem noveleira mínima necessária para manter a atenção do grande público. Não digo que gosto deste tipo de abordagem, acho que o resultado geral poderia prescindir um pouco disso, mas entendo que a série, para existir, tem que ter público. E ele produz o que o público quer ver, sem, com isto, deixar de lado a estória que Tim Kring queria contar.

A tagline "Save the Cheerleader, save the world" é das piores que já vi na minha vida. Primeiro porque este negócio de salvar o mundo vai meio de encontro ao tratamento mais pé no chão que as produções na área vêm tomando. Segundo que, apesar de gostosa, a figura genérica da cheerleader é, ao menos para mim, uma das coisas mais ridículas da existência. Talvez a união da tagline tosca com o estilão Jeph Loeb de contar estórias tenha dado às interpretações um jeito meio caricato. Não quer dizer que, neste caso, ser caricato seja algo ruim, acho até que nem é, e, para falar a verdade, acho que o tipo meio falso é proposital. É a certeza que tenho ao ver, por exemplo, Masi Oka roubar a cena com seu Hiro Nakamura, um japonês que manipula o espaço-tempo num misto de NIX com o Eterno Makkari. O cara é, de longe, a personagem mais interessante da série, um estereótipo ambulante, além de ser a ligação da trama com o mundo dos quadrinhos que a inspirou, já que constantemente o vemos citando alguma revista dos X-Men ou em algum dilema sobre usar ou não um uniforme ou identidade secreta. Detalhe, o cara, apesar de ter uma lista interminável de participações em outras séries como figurante, é programador de efeitos visuais e praticamente estreante como ator propriamente dito.


Só que ser o mais interessante não significa que é o que mais gosto de ver. Este posto é fácil fácil de Ali Larter, a louraça belzebu, Godiva de Las Vegas. Eu já a tinha visto na franquia Premonição (Final Destination) e não sei o que aconteceu, mas nunca tinha reparado como ela é dAliciosamente Lartalentosa. Em Heroes ela está tão CavAlissimamente Larterbatadora que faz um episódio de 40 minutos durar quase o dobro de tanto que fico repetindo cena incansavelmente, fazendo crer que uma série-família pode despertar Alibido fácil com Lartersuda correta em tela. Dá para beijar o monitor. PegavAli fácil. Ali comia e lambia os beiços Lartér dizer chega. E o cara que consegui isto na série concorda comigo, já que disse que a estupidAli foi a melhor Lartrepada* que ele já deu... Ela é mãe de Micah, um moleque ainda muito pouco desenvolvido, apenas dando a entender que tem um poder de controle de equipamentos mecânicos pelo toque. Seu pai é um fugitivo do presídio estadual, uma Kitty Pride que fala grosso.

Além deles, temos ainda os irmãos Petrelli, o mais velho pode voar e o mais novo emula o poder de quem estiver próximo a ele. Assim como o japa, papéis caricatos também. Há ainda o precog drogado, que consegue ver o futuro e predizer tudo o que está acontecendo com os humanos "especiais" que estão passeando sobre a terra. Aliás... sobre os EUA. Fechando o grupo, temos o ScannerCornoCop Matt e a Cheerleader da tagline, a adolescente Claire, vivida por Haiden Panetiere cujo poder é regenerar o corpo todo seja lá qual for o machucado. Praticamente uma Wolverteena. Como tem ainda 17 anos, não posso fazer trocadilhos de fundo sexual. Mas poderia, pois, com aquele corpinho, é uma Teenzudinha e é Claire-que-eu-comia... Aliás, protagoniza algumas das situações mais esdrúxulas da série, algumas deliberadamente forçadas, já que consegue estar em situação de morte em quase todo episódio, num desempenho de fazer inveja ao Kenny de Southpark.


Todos parecem estar vinculados de alguma forma à organização chefiada pelo pai de Claire, mostrando que os "especiais" estarem concentrados nos EUA e aparecendo ao mesmo tempo não é bem uma questão de coincidência.

Apesar de achar que a cadência é boa para não atropelar o progresso da série, apresentando inclusive os poderes com certa parcimônia, e destaco o efeito de vôo de Nathan Petrelli, o congelamento do tempo de Hiro e as tentativas de suicídio à Groundhog Day de Claire, já estava achando que um rumo mais fechado devia ser tomado para não parecer enrolação. Parece que os produtores também acham isto, já que prometem definições para os dois próximos episódios. Heroes está em seu sétimo episódio, passa às segundas nos EUA, e tem atraído mais minha atenção do que a terceira temporada de Lost. Como complemento, a NBC coloca em seu site pequenas histórias em quadrinhos que fazem a ligação entre os episódios. São completamente desnecessários, mas ajudam a manter a aura de comics que está embrenhada na série.


Tomara que de fato consiga confirmar as expectativas que estou criando a cada dia, para assim não só termos uma série fixa transpirando quadrinhos como também abrir espaço para, quem sabe, ver medalhões retratados semanalmente na telinha, com tempo para desenvolver suas questões de forma bem mais apropriada do que no cinema.

Para finalizar, mais abaixo tem um vídeo onde algum desocupado criativo juntou Chop Suey, do System of a Down, com um vídeo de Heroes.

* - Posso passar o dia inteiro fazendo Aliterações e TrocLartilhos sobre Ali e a Cheerleader. Tenho um estoque imenso (e infame) aqui, já que a cada episódio que comento com o Doggma dá lugar a pelo menos mais 3 trocadilhos com cada uma das duas... aliás, boa parte das impressões que registrei aqui foram derivadas de nossos papos por e-mail.


terça-feira, 7 de novembro de 2006

E.R. PUNK


Recentemente meu empregador promoveu um retorno às origens do BZ, honrando o Z do título mais do que nunca e fazendo valer o “Cada dia mais sujo e agressivo” de uma forma que até já tinha esquecido como era. O negócio está tão punk que, se agora fizesse um review de um filme tipo “Babel”, por exemplo, não me surpreenderia se a cabeça do post anterior virasse um morto-vivo digital, escalasse o blog e devorasse o “texto cabeça” sem dó nem piedade. Como não sou trouxa nem nada, vou seguir a tendência e chafurdar no sangue, tripas, fraturas expostas, eviscerações e afins, tipo da coisa que abunda em Jogos Mortais 3 (Saw III, 2006 – EUA).

Antes de entrar na questão central, acho que vale explicitar as verdades absolutas criadas pelo primeiro filme e que são a base da série. John Cramer (Tobin Bell) é um paciente terminal de câncer que tem apreço explícito pela vida. Ao perceber que como as pessoas sadias não dão valor às suas existências, resolve fazê-las provar o reconhecimento da dádiva que Deus lhes deu e as insere em jogos onde, se quiserem mesmo sobreviver, precisarão passar por provações. Se não mostrarem realmente sua determinação, a vala é certa. Ponto. Ou seja, a galera está no inferno, mas tem como sair dele, o que gera o tipo de conceito torpe de que Jigsaw – John Cramer – não mata ninguém, todos morrem por conta própria (mas seqüestra, mutila, violenta psicologicamente e desfila por todo tipo de crime de qualquer código penal do planeta). Transferência de responsabilidade igual só vejo em carolas...


O primeiro filme define esta regra, o segundo a segue. Por mais que o interesse mais fisiológico de Jogos Mortais, no gosto da maioria,recaia justamente sobre as mortes, eu particularmente atentava muito mais para a engenhosidade não só dos apetrechos que Cramer montava, mas principalmente pela forma como ele planejava todo o desenrolar dos eventos. Cerebral demais, franco demais, ousado demais e abusado demais. Foi isto que fez-me colocar sua figura no meu panteão pessoal de grandes psicopatas do cinema, junto de Hannibal Lecter e John Doe.

Como mencionei quando escrevi sobre Saw II, uma idéia reconhecidamente original no cinema, quando ganha continuações, dificilmente consegue ser revista sem parecer que é a mesma coisa, normalmente caindo no lugar comum já estabelecido. O segundo filme caminhava a largos passos para isto até chegar ao final, quando conseguiu desdenhar de si mesmo e ganhar constituição com força própria, sem abrir mão da idéia básica. Criou, inclusive, novas verdades absolutas que complementaram as que já vigoravam. Poucas vezes vi uma continuação de filme que conseguisse ser tão fluida em relação ao primeiro, mas os elementos ressaltados ao final deixavam claro que a idéia estava se esgotando e a óbvia terceira parte teria que se desdobrar. Até que não errei tanto.


O terceiro começa onde o segundo parou. Segue pela apresentação já clássica de ocorrências de Jigsaw (que deve ter uma pensão por invalidez suntuosa, dado o estilo de sua nova oficina) pela cidade e depois se dedica ao foco de sua trama. Ele está à beira da morte e sua discípula (Shawnee Smith - eu pegava fácil) o auxilia a partir de então - passagem de bastão clássica. Um novo jogo toma lugar. Jeff (Angus MacFadyen) é um pai de família atormentado desde que perdeu o filho em um acidente e agora protagoniza uma armadilha. A diferença é que também temos uma médica (Bahar Soomekh - pegava mais fácil ainda) com casamento em crise que protagoniza paralelamente outro jogo, onde ela tem que manter Cramer vivo até que Jeff complete, ou não, sua via crucis.

De cara percebemos que a massa desandou de alguma forma, já que algumas das regras estabelecidas nas verdades absolutas que vimos acima são quebradas (tagline do filme: “Às vezes as regras existem para serem quebradas”). Além disso, Jigsaw nunca demonstrou o tipo do orgulho de quem se regozija ao contemplar o fim de sua obra a ponto de seqüestrar uma médica com o único compromisso de mantê-lo vivo até o fim de seu projeto. Assim como o segundo, o desenrolar do filme aponta para o banal, só dando lugar à engenhosidade que tanto admiro lá pelo final. Se repetir esta fórmula é cansativo demais até para o fã da série, qual a alternativa então? Recheá-la com a maior quantidade possível de imagens chocantes, daquelas que entorpecem o cérebro à ponto de, quando estamos voltando ao estado normal, vir outra seqüência destas para te deixar bobo de novo. Lembro que algumas pessoas classificaram o primeiro de desnecessariamente violento. Outras disseram que o segundo foi bem mais violento e gratuito. Mermão... este terceiro é tão gratuito que só falta distribuir Bolsa Família! Em alguns momentos o choque é sonoro, como uma cena inicial que me lembra muito a cena do extintor de Irreversível (que, acho, foi a cena do cinema que mais me chocou até hoje), em outras o choque vem do asco - com os porcos, em outras chega a ser didático - como um E.R. grotesco, mas em sua grande maioria a coisa é visceral mesmo, tem até humor involuntário (“Esta máquina é a minha preferida”). Curioso notar como o próprio diretor parece ter percebido que a opção pela violência mais crua servia apenas a preencher o miolo do filme, já que o nome da médica responsável por manter Jigsaw vivo, Drª. Lynn Denlon, é referência óbvia ao nome do diretor e à sua própria missão. Há de convir que Darren Lynn Bousman é foneticamente bem semelhante ao nome da personagem. De certa forma, creio que a opção por cenas mais pungentes funcionou, como diriam os três caras que passaram mal em Londres durante uma exibição, já que o expectador fica numa montanha russa onde é poupado em pouquíssimos momentos (aqueles onde o diretor pensa “Pô... tá bom... assim já é demais”), mas tenho certeza que o DVD deve vir mais, digamos, recheado!


Mesmo com esta enrolação, Jogos Mortais III é bom. Não tem a genialidade do original, mas é melhor que o segundo e seu grande mérito vem da regurgitação que faz de eventos dos dois anteriores, atando todas as pontas soltas, deixando a estória redonda, bem completa e dando dimensão maior para o conjunto da obra do que cada uma delas têm independentemente. Desta batelada de filmes que se auto-intitularam trilogias, e não vi por aí Saw sendo classificado assim, a série é uma daquelas que realmente mostra fechar um ciclo em três filmes, mesmo que deixe óbvio que vem um quarto. Fiquei com a impressão que o todo seria melhor "saboreado" se os três filmes fossem vistos de uma só vez, considerando que os eventos são bem imbricados.

Por mais que seu diretor seja listado como parte do Splat pack (nova onda de diretores de filmes de horror extremamente violentos – os outros seriam Alexandre “Haute Tension" Aja, Neil "Abismo do Medo” Marshall, Greg “Wolf Creek” McLean, Eli “O Albergue” Roth, James “Saw" Wan e Rob "Rejeitados pelo Diabo” Zombie), na minha opinião a série não pode ser classificada como terror, nem thriller, nem suspense, nem policial. É algo que navega no meio disto tudo, numa classificação à parte, própria. Conseguiu isto usando sempre atores desconhecidos ou amargando ostracismo (Glover, por exemplo), a maioria deles recrutados em séries, o que destaca ainda mais a importância do roteiro em detrimento dos astros. Só isto já é motivo suficiente para ter futuramente os três DVD’s na prateleira.