segunda-feira, 31 de março de 2014

31 de março!


Quem ainda compra gibi em sebo sabe. Poucas sensações são tão prazeirosas (e de um déjà vu desconcertante) quanto reencontrar aquela história que você leu há tempos e que estava perdida na gaveta mais empoeirada da memória. É quase como entrar em contato direto com aquele guri de 8 anos uma vez mais - e considerando que nunca enterrei por aí nenhuma caixinha com meus mais valiosos pertences da época, é o mais próximo que posso chegar disso. Nostalgia pura, que seja, mas a epifania é garantida.

Tenho lá minha montanha de gibis desenterrados nos sebos ao longo dos últimos 13 anos, quanto voltei a ler quadrinhos. Uma maioria de formatinhos da Abril, guardada em caixas e esperando pacientemente para serem lidas ou relidas, mas que acabam sendo apenas limpas e colocadas de volta no lugar. Faz parte. Mas é o momento em que eu geralmente folheio essas edições e revejo algumas relíquias de valor mais sentimental do que qualquer outra coisa.

Muitas delas eu nem sabia que já tinha nos arquivos, como um divertido conto protagonizado pelo Coisa que saiu na revista Homem-Aranha 31 (janeiro de 1986). Memória recorrente desde sei lá quando e que eu nem lembrava onde tinha lido. Uma revista que me traz muitas lembranças marcantes sobre a minha percepção acerca dos quadrinhos, mas que me cativou primeiro com essa história.


"Naquela Noite" foi escrita e desenhada pelo genial Barry Windsor-Smith, um cara que sempre imaginei que não tivesse um pingo de senso de humor. Afinal, era o ogro responsável por clássicos macho-pra-caralho como Wolverine: Arma X e várias sagas do Conan. Mas não seria diferente, já que era uma típica "história de 1º de abril", com o Tocha Humana armando uma pegadinha-monstro pra cima do sobrinho favorito da Tia Petúnia. No dia errado.

A história foi publicada originalmente na revista Marvel Fanfare 15 (1982) - um título bacana de histórias escapistas, fica a recomendação. Talvez tenha sido a primeira vez que ouvi falar em um Super-Skrull (que legal!) e a participação especial do H.E.R.B.I.E. plantou várias dúvidas na minha cabecinha de telespectador assíduo dos Quatro Fantásticos. E eu ainda achava que tudo ali iria desembocar num quebra-pau generalizado.

Acho que caí na pegadinha do Tocha tanto quanto o Coisa.



E não é que só agora, quase 30 anos depois, fui ver o punchline do Windsor-Smith no epílogo da historinha?

Ah, aquele charuto...

"Naquela Noite" pra baixar.

Um feliz 31 de março!

terça-feira, 25 de março de 2014

Bateye

Então... estava eu tranquilo e infalível como Bruce Lee, só aguardando a derradeira edição de Vertigo...


* * * um minuto de silêncio agora... ela merece * * *


...e assim eu poderia finalmente alcançar o tão sonhado Graal de zero compras de mensais e entrar de vez no clubinho exclusivo dos encadernados e alguns eventuais encalhernados. Enfim, era um rito de passagem vital e necessário para eu me tornar uma pessoa melhor.

Mas a Panini tinha outros planos e resolveu colocar o ótimo Gavião Arqueiro de Matt Fraction num mix com o Cap.

O que ficou?


Mais uma rodada de sofrimento auto-impingido com uma providencial ajuda dos capos da av. São Gualter, São Paulo.

Tudo bem, o mix desce legal. E tem a ver. Devoro o gibi antes mesmo de botar os 6,50 mantegas na mão da mocinha da banca. O problema é o acabamento.

Estou aqui com a recém-adquirida edição número 005 (por Dormammu, até qual numeração eles pretendem chegar com isso?), de fevereiro de 2014... no final de março. A edição 006 já consta no checklist desse mês quasi-moribundo, mas nem vi sinal da dita cuja. A distribuição das quatro edições anteriores foram tão erráticas quanto. Já vi duas edições irem pras bancas no mesmo dia e nem constarem no site da editora.

O que me leva ao segundo ponto: Gavião do Fraction mixado com o Cap do Rick Remender e uns Vingadores Secretos de bônus secreto vá muito lá. Mas sério que nenhuma das sensacionais capas do David Aja mereceu um lugar no pódio?



Pô, Panini. Se não melhores que as do Quesada e a do outrora fabuloso Romitinha, certamente muito superiores àquela do Simone Bianchi na edição 004...

segunda-feira, 24 de março de 2014

Nana nenê, que a Cuca vai pegar

Quem tem uma certa hesitação em olhar para um corredor no meio da noite? Ou desligar a última lâmpada?


Não canso de repetir: em matéria de horror, menos é mais. Ok que um bloody feast de vez em quando ativa as papilas gustativas do sensorial, mas nada é mais poderoso que a sugestão.

O curta Lights Out tem algum delivery sim, mas em doses minimalistas. Rendeu ao sueco David F. Sandberg o prêmio de melhor direção no festival ingês Bloody Cunts. E olha que o nível estava alto.

Vi no Trabalho Sujo.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Superpoderes em 1ª pessoa

Foda-se a Ellen DeGeneres.

A produção independente Afflicted (Canadá, 2013) arrepiou no último Fantastic Fest - uma das mecas do horror e do sci-fi - encaçapando os prêmios de melhor roteiro, direção e filme. Seria pra tanto?

Eis o trailer.


O filme foi dirigido, escrito e protagonizado pela dupla Derek Lee e Clif Prowse. À primeira vista, impressiona bastante, mais ou menos na escala do que foi Poder Sem Limites há alguns anos atrás.

Segue a premissa:

"This terrifying horror thriller follows two best friends who set out on the trip of a lifetime around the world. Their journey, documented every step of the way, soon takes a dark and unexpected turn after an encounter with a beautiful woman in Paris leaves one of them mysteriously afflicted. Winner: Best Picture (Horror), Best Screenplay (Horror), Best Director (Horror) at Fantastic Fest, and recipient of awards of recognition from the Toronto International Film Festival and the Sitges International Fantastic Film Festival. AFFLICTED is one of the most suspenseful and original action horror debuts in a generation."
Certamente é algo a conferir, apesar das escassas opções de distribuição - estreou ontem on demand e em circuito limitado nos EUA e ainda não tem previsão de lançamento em outros lugares.


E viva o torrent!