domingo, 22 de fevereiro de 2015

Spawnmart

Por algum motivo obscuro, supermercados dão bons cenários para tramas de horror. Vide O Nevoeiro e Intruder, entre outros. Sem falar que ninguém menos que Ash trabalha num ramo parecido.

Spawn: The Recall é um fan film impressionante que segue essa tradição. O CGI é espantoso para uma produção indie, incluindo alguns efeitos práticos muito bacanas, como o "mexidão de carnes" preparado para compor a máscara do protagonista. O diretor Michael Paris ainda constrói um clima assustador e demonstra um senso estético ao mesmo tempo doentio e sofisticado.

O resultado é fabuloso.


Já vi nego aparecendo com (muito) menos e indo longe. Olho nesse cara...

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Johnie vai à guerra outra vez


Enquanto a palpitaria come solta em torno do Oscar desse domingo, vou tocando minha vidinha numa caverna em Marte: a notícia do mês, do ano, da década, pra mim, é o lançamento de Miracle Mile em blu-ray. O diretor e roterista Steve De Jarnatt já havia antecipado algo em sua página no Facebook, mas só agora a coisa ganha contornos oficiais. Segundo o Blu-ray.com, o longa será adicionado ao catálogo da Kino Lorber, com uma nova masterização do próprio De Jarnatt e do diretor de fotografia Theo van de Sande. O lançamento está programado para julho próximo. Uma milha de milagre é pouco pra descrever isso.

Miracle Mile é uma pérola obscura do fim dos anos 80 - já comentei sobre ela por aqui em algumas ocasiões. Na história, um hoax sobre um ataque nuclear varre Los Angeles e um casal (Anthony Edwards e Mare Winningham) tem apenas 70 minutos para sair da cidade antes que o lugar vire um deserto radioativo - ou pelo menos é isso que eles acham. Traindo expectativas e evitando soluções convencionais, o filme foi uma bomba, sem trocadilhos, mas adquiriu status cult com o passar dos anos.

Bom, pelo menos eu cultuo bastante. Mas não estou só: Miracle Mile é tema recorrente em mesas de festivais alternativos e as exibições indie das raras latas do longa são bem concorridas. E não é pra menos. Após anos minguando com uma edição em dvd magrela com proporção 1.33:1 (o famigerado full screen, capturado em sua totalidade aí na imagem do topo), finalmente os fãs ganharão um formato digno de sua obsessão.

Ah, sim... depois de tantas reassistidas explorando os diversos aspectos daquele universo, admito sem culpa que Miracle Mile virou uma obsessão pessoal. Ok, talvez não seja tão obcecado quanto o cara que escreveu uma monografia de 200 páginas sobre o filme, mas o que vale é a obsessão. Ou melhor...

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Mr. Catra's in the House


Deu no feice: tudo certo pro álbum de estreia do Mr. Catra & Os Templários, a banda de metal e hardcore do digníssimo embaixador/engenheiro/diplomata Wagner Domingues da Costa, vulgo Mr. Catra - e dou o serviço, foi o Wikipédia quem caguetou essa informação. Quem estava acostumado com o folclórico cancioneiro do MC, abordando de conduta moral à crise na instituição do casamento até relações trabalhistas, vai arrepiar os cabelos descoloridos, franzir as tocas ninja e inverter os sorrisos de suas tatuagens do Jóker. 

Ao que parece, as músicas realmente não fazem a menor concessão pra malandro (e muito menos pra mané) e mostram que Catra & cia não vêm pra perder viagem. O som é papo reto!






O que normalmente pareceria mais um atentado ao rock 'n' roll nosso de cada dia, se desenha não como sua salvação, mas como a injeção de sangue quente que o pop brasileiro vem implorando há muito tempo. Sim, o underground é fervilhante, só que aquela ponte para o mainstream continua no fundo do rio. Catra, por sua vez, é um dos artistas nacionais com maior exposição na grande mídia - agora mesmo ele está lá, distribuindo seus vaticínios pra revista grande. E com público próprio e fidelizado garantido a autossuficiência comercial.

Usando todo esse alcance pra tocar o terror num programa dominical, ou mesmo sabático, o estrago seria antológico.

Habitué em qualquer atração da TV aberta, seja pra falar de maconha, do funk proibidão ou de seus 788 filhos e 354 esposas, a correção política é a menor de suas preocupações. Não é balela poser, o cara vive isso. Fosse na gringolândia, certamente seria parte da turminha do Lil Jon, Big Boi e Snoop Dogg. Transposto para o idioma do rock pesado, acaba adquirindo contornos de autêntico bad boy, saído direto da favela/gueto/trenchtown. Um Ice-T dos trópicos - e olha que Ice é um chihuahua perto da besta-fera carioca. 

Marrento que só, diz que "curte e respeita" Led Zep, Biohazard e Body Count. Sem descansar a artilharia, se compara a David Coverdale. E antes que alguém leve à ponta da faca, é bom frisar que isso também tem tudo a ver com a melhor tradição malaca do rockstar.

Trash talk, inadvertido que seja. E se for, melhor ainda.


Pra quem está de saco cheio de rockinho cara limpa, Chicos Buarques de CCE universitário e indies de SESC, o álbum do Catra (e d'Os Templários) parece até providência divina. Chuva de fogo e enxofre pra cima de uma ceninha de bastardos bossa-novistas e penetras no Clube da Esquina. 

Ou como ele mesmo explica numa síntese que só as mentes mais aerodinâmicas são capazes:

"Acho que esse disco vai acabar com a brincadeirinha que virou o rock. Agora é porrada. O rock voltou. Acabou o colorido. Acabou a matinê."