sábado, 15 de julho de 2017

Ah, Saga do Urso Místico, sua linda


Os Novos Mutantes - Entre a Luz e a Escuridão, de Chris Claremont & Bill Sienkiewicz. Esse encadernado é parte de um sonho tão antigo que só poderia ser datado via carbono-14.

Ok, ok... esse sonho vem desde 1989, quando peguei numa banquinha O Incrível Hulk #72, formatinho da Abril em que os mancebos mutunas estreavam seu novo desenhista em muito boa companhia: o Verdão em plena fase John Byrne e um divertido Roger Stern escrevendo seus Vingadores da Costa Oeste - que considero o molde utilizado pela dupla Giffen-Dematteis em sua posterior "Liga tosca". Pois bem, meu bem.

Já na 1ª folheada fiquei assombrado com a pegada vanguardista de Sienkiewicz, mesmo nas dimensões pra lá de compactas do gibizinho. Já conhecia seu estilo peculiar pelo Cavaleiro da Lua fase Moench na revistinha do Capitão América, mas pesava lá a forte influência de Neal Adams e da estética de violência urbana do início dos anos 1980. A diferença daquele momentum criativo para o state d'art atingido em Novos Mutantes chega a ser objeto de estudo.

Em que pesem termos como "atmosfera de pesadelo" e "tensão psicológica" surgindo na mente sem aviso, a fluência gráfica de Sienkiewicz vai muito além disso. Há tantas informações por quadrinho, passagens entre-quadros e splash-pages quanto possível antes da coisa degringolar pro surrealismo.



De quebra, um posfácio muy espirituoso de 5 & 20, mais esboços e estudos de personagens nos extras. Menção honrosa para os bons esforços do líbero Bob McLeod na edição Anual, lá pela meiota do livro, pra dar uma quebra.

E Chris Claremont. O homem era uma força da natureza - isso não é necessariamente um elogio. Na década de 80 ele estava em todo lugar, inevitável. Talvez seja o escritor que melhor se adequou aos ditames da indústria e quid pro quo. Com todos os vícios e virtudes, ignorando categoricamente qualquer tentação autoral, virou um zeitgeist perneta dos quadrinhos mainstream daquela era.

Sua passagem pelo roteiro da jovem equipe não foi diferente. Nesse compilado de nove edições, Claremont brilha tanto quanto apronta: meu absurdo favorito acontece justo na edição da capa, New Mutants #21, quando Illyana, durante um pega com o alien biomecânico Warlock, ressurge inexplicavelmente num traje espacial segurando alguma metranca futurista - uma "looonga história" revelada apenas na edição #63, quatro anos mais tarde.

Toda essa quizumba e uma análise minuciosa do run de Claremont-Sienkiewicz você encontra no belíssimo artigo de Greg Burgas para o CBR.

Pelas minhas contas, em cinco anos, 3/4 daquele sonho foram realizados. Nada mal. Falta então apenas mais um...

...que, por acaso, segue como uma das maiores injustiças do mercado editorial brasileiro de HQs.


Vamos lá, Panini. Você consegue. Nos faça acreditar mais uma vez.

4 comentários:

Nuno disse...

Se formos esperar a Panini lançar esse material por aqui, estamos fritos. Chutei o balde e aproveitei uma dessas promoções da Amazon.br "leve 4 com 30% de desconto" pra pegar uns volumes da Marvel Epic Collection, entre eles, A Touch of Typhoid, com o início da fase Nocenti/Romitinha (bom, não exatamente o início, mas enfim...). Valeu cada centavo. E já está saindo outro lá fora.

VAM! disse...

Olá doggma, de NM eu nada sei, nunca liguei muito para mutantes... a exceção foi mesmo a Fase X do Byrne, mas só por ele mesmo.

Mas escrevo mesmo, é para compartilhar da sua corrente da esperança, pois não acredito que estejamos sendo tão Nocenti com esse sonho...

Romitando com meus pensamento, digo que a edição do DD em Paladinos é o primeiro passo, já que depois de fechada a trilogia de encadernados do Miller, oque de mais relevante pode ser resgatado do passado?

Abs,
VAM!

doggma disse...

Nuno, você nem imagina quantos carrinhos amazônicos já montei com "A Touch of Typhoid", "Lone Stranger", "Daredevil Legends vol. 4: Typhoid Mary" e "Daredevil Epic Collection: Heart of Darkness" sem nunca fechar.

Por conta do espaço, sou bem cauteloso com a porteira do material importado - pra manter os repetecos num nível aceitável, viso sempre a possibilidade de uma edição nacional. Penso que nunca estivemos tão perto de ver isso acontecer com essa fase do DD, via Panini mesmo.

Mas confesso que meu verme interior salivou quando li essa sua experiência, rs.

Abraço!

* * *

Pois é, VAM! É o que eu estava romitand... digo, comentando acima. "Paladinos" abre o precedente. Com DD-Miller mais do que fechado e o DD-Bendis/Brubaker a caminho disso, a "fase Nocemita" seria o próximo passo lógico.

Quem sabe até a vindoura e aguardadíssima reedição do capa dura de "O Homem sem Medo", com o traço do Romitinha, ajude nesse sentido.

Claro, há que se considerar que nem nos EUA isso foi compilado direito, apenas alguns arcos. E a Panini, pelo que sei, só lança material já recuperado e digitalizado lá fora, então ainda continua na dependência dos gringos. Que podem demorar anos ainda.

E sem querer soar (mais) negativo, tenho a ligeira impressão que, além de nós três aqui, a fase Nocenti/Romitinha, em geral, não é tão lembrada como um dos marcos do DD. Pouco vejo comentarem nos fóruns daqui e lá de fora.

Me parece o caso de ser muito subestimada mesmo.

Abração!

VAM! disse...

"Claro, há que se considerar que nem nos EUA isso foi compilado direito, apenas alguns arcos."

Olha doggma confesso que ainda não parei para calcular e confrontar as fontes (comicvine/amazon) mas já considerando "Daredevil Epic Collection: A Touch of Typhoid" e após o lançamento de "Daredevil Epic Collection: Heart of Darkness" em outubro desse ano, boa parte da Fase já terá sido "remasterizada".

Essa duas EPICs juntas já garantem, pelo menos a 1ª leva de CHMs ou a 1ª leva de DD by Romita Jr. como imaginei na Batdeira... :)

Acho até que sobra, por conta da restrição das 164 pag. por edição no caso das CHM. Oque faltar, fica pra próxima, mas pelo menos com essa primeira leva, a Panini já alimenta o verme...

Abs,
VAM!