segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Guerras Sacanas


Eu sei, eu sei... alimentei a fera. Inflacionei o mercado, lubrifiquei as engrenagens da Skynet, fiz acordo com Mefisto. Mas atire a 1ª Super-Heróis Premium quem nunca foi a uma banca ou livraria, viu uma falcatrua, riu da falcatrua e saiu de lá com uma falcatrua. Leitor de gibi é um bicho estranho. Vez ou outra sofre uma epifania, desliga o senso crítico em detrimento da razão - mais precisamente, do livro razão - e se joga todo faceiro às estatísticas das editoras e suas fantásticas edições-limitadíssimas-e-absolutamente-deluxe-apenas-para-colecionadores-exigentes. Aliás, patologicamente exigentes, com ênfase no pato.

Quando a epifania passa, olha lá a falcatrua na estante.

Mas não se pode subestimar o poder do lado negro. Ainda mais quando perpetrada por operativos formidáveis com longa experiência de campo. Sabe quantas Universo Marvel com o Quarteto na capa eu comprei repetidas? Quantas Dimensão DC: Lanterna Verde? E Marvel Millennium - Homem-AranhaPlausible deniability no dos outros é refresco.

Correndo por fora, a Mythos Editora ganhou muitos pontos nos círculos inferiores com aquele Hellboy Edição Gigante - A Morte de Hellboy, reeditando a esgotada e há muito suplicada O Clamor das Trevas (2008) junto com Caçada Selvagem (2012!) e Tormenta e Fúria (2014!!), estripando em 170 marcelas o bolso do hellfan que só queria a primeira. Golpe de mestre (das trevas) que encontrou paralelo nas assassinas voadoras do CLUQ e suas edições de Ken Parker de 64 páginas a 65 marcelas + frete na promoção! - essa aí, só se a própria Marcela viesse junto.

Mas não teve jeito: a Panini desovando Guerras Secretas - Edição Especial em tempo recorde após Coleção Histórica Marvel - Guerras Secretas foi, sem exagero, a Ordem 66(6) do mercado brasileiro de HQs em 2016. De diferencial, a CHM trazia um punhado de histórias-bônus - que, eu então desconhecia, não tinham relevância histórica ou conexão com a saga principal. E era em papel offset com cheirinho de EBAL. Caí facin.

Mal tinha armado o box, acomodado os cadernos ali dentro (já tentou fazer isso após 5 latões?), fechado e disposto na estante, a Panini anuncia o capa dura edição única com extras exclusivos. Pra disfarçar, vai que é tua, Alex Ross.

Fffffuuuuuu...

Mas gosto da saga. Escolado em mim mesmo, já sabia que toda resistência seria fútil. Então abstraí e aguardei diligentemente por um bom desconto. Pra amortizar umas moedas, sacumé.

Os tais extras não são graúdos como os de um Crise, mas nesse caso o conteúdo prevalece sobre a forma: estudos e artes não-finalizadas da saga pelo indefectível Mike Zeck, santo padroeiro do Steve Rogers e do Frank Castle nos loucos anos 1980.


Amém.

Também era de se esperar uma impressão afudê-em-couché comparado ao offsetão anterior. Mas não imaginava uma diferença assim tão esgulepante.


No fim, acho que este cenário é similar ao de muitos outros saudosos e velhuscos leitores de super-heróis da Abril. Se esse for o caso, eu diria que vale a pena avaliar a possibilidade de descascar esses limões e fazer a tal da limonada. Mas, claro, estabelecendo uma hora de parar também.

"A Guerra para acabar com todas as guerras!"

Duvido.


* * * * *

A Panini segue firme e forte em sua miguelagem de verniz!

A capa de Guerras Secretas - Edição Especial parece ter saído da fábrica de papelão reciclado sem tempo pra mais nada. Eles estão ficando bons nisso - o que é preocupante. A impressão ficou melhor do que, por exemplo, a da capa da "edição definitiva" de Asilo Arkham, do ano passado.

Na saga do Morcego, a capa sem o verniz ficou fosca, gélida e estéril, em contraste extremo com as cores vibrantes e o tom ameaçador da edição definitiva de 2013.


À esquerda, com miguelagem de verniz; à direita, sem miguelagem de verniz

Mesmo tendo a anterior, acabei pegando a nova porque, apesar da capa envernizada, linda e joiada, o letreiramento da edição de 2013 era uma tragédia. Na reedição recente algumas coisas foram reparadas, mas no geral não melhorou muito mais, não.

Ambas tomam uma surra de vara verde da antiga edição da Abril.

Porra, Panini. Vocês têm ideia do quanto isso é humilhante?

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Lobo Brutal


E aí finalmente arranquei do plástico o DC Comics Coleção de Graphic Novels vol. 25 - Lobo: Sem Limites - trilha adequada aqui - já esperando para corroborar o consenso universal de se tratar de uma obra indigna do Flagelo da Galáxia.

Mas, ei...



Diacho, essa HQ é muito legal!

Pelo menos bem melhor do que eu lembrava - e ninguém me ajudava a melhorar essa lembrança. Um exemplo é a arte pintada do Alex Horley, relegada ad nauseum a pastiche de Simon Bisley. Ok, o velho Biz é rei (e Martin Emond, outro rei; e Frank Frazetta é o One-Above-All), mas o senso de humor negro nas pinceladas é irresistível e doentio num nível satisfatório para um gibizão do Maioral.

Mesmo perfumarias baratas como a intro Tiny Toon contando a origem d'O Último Czarniano Vivo e o segmento Archie versão gangsta ficaram divertidas.


A história em si é tiro, porrada e puta. Nada mais a exigir de um Keith Giffen ainda escrevendo o Lobo naquele ponto (há muito) sem retorno. Longevidade cobra um preço salgado e nessa relação criador-criatura quase simbiótica só tenho a concordar com a impressão certeira do Malta na época.

Sem Limites foi provavelmente o último espasmo da fase de ouro do personagem. E, entre mortos e defenestrados, ainda crava uma boa média na escala hipotética Lobo-Omnibus-por-Garth-Ennis-&-Goran-Parlov.

A tradicional história-bônus tem o efeito de uma bem-alimentada mocinha de lingerie saindo do bolo. Três motivos. Primeiro, é o Lobo de várzea, estreando de colantezinho em The Omega Men #3 (1983), ainda inédita por aqui. Um acinte histórico sendo corrigido.



Segundo, esse título dos Ômega me pareceu bacaníssimo e até à frente dos US comics de então. Lembrando bastante os materiais da 2000 AD, é sci-fi politizado com clima anárquico e putanhesco - e se a cena de strip e sexo reptiliano com a Demônia não te convencer, nada mais o fará. Ler isso com impressão decente em papel filé foi diliça. Quero mais, mas só vai rolar em cbr maroto.

Por último, Giffen e o roteirista/co-criador Roger Slifer fizeram uma bela rendição ao cinema B: o Maioral estripando meio mundo para sequestrar Kalista e desfilando por aí com a rapariga na comissão de frente.

Isquindô!


E todo mundo sabe que ostentar uma pin-up gostosona (com todo respeito, Primus) na frente de um carango-monstro é estilo de vida no País das Maravilhas Trash.

Tá lá aquela cena memorável de Jogo Brutal (Fair Game, 1986) que não me deixa mentir...


Yippee Ki Yay!