
Hoje vi Batman Begins (2005) e só tenho a dizer que o filme é muito bom! Muito mesmo! Fora de série. Tudo muito bem arrumado e explicado com um roteiro phoderoso. Sempre achei os outros quatro filmes horríveis, mas este finalmente nos brinda com quase tudo o que sempre esperamos do morcego. Assim, torna-se inviável comparar outros filmes de heróis mais, digamos, coloridos. Constituíram-se estilos completamente diferentes, mas se for para julgar em termos de "não ter o que reclamar", sempre tive ressalvas a alguns pontos em todos os filmes de heróis vistos. Em Batman Begins não reclamo de nada. Neste ponto, seria o filme baseado em HQ que mais gostei até hoje (como dói falar isto para um fã do Homem-Aranha). O negócio agora é esperar o "Batman Continues" e, se continuar com estas letrinhas todas certinhas (BB e BC), o terceiro deve ser "Batman's Development". Aham... a piada foi fraca, eu sei. Não tentarei fazer melhor, pois não escreverei um post estruturado sobre este filme por um motivo: Doggwayne é muito mais fã do personagem que eu. Este é dele! Aguardem!
Aliás, quarta vi Sr e Sra Smith (Mr and Mrs Smith, 2005). Sabem a origem do Freddy Kruegger? Aquele papo de 100 maníacos estuprarem uma freira e nascer aquele rascunho do capeta? Pois é... imaginemos a mistura "genética" de Bonnie & Clyde, True Lies, A Guerra dos Roses, Assassinos (aquele de Sly e Banderas) e teremos este filhote protagonizado pela Lara Croft e Rusty Ryan (de Ocean's Eleven). Filme cheio de furos, mas vale a pena, caso não tenha nada para fazer e queira divertir-se sem pensar. E também não vale um post.

Resolvi pois falar sobre uma destas febres que assolam o mundo de vez em quando. Já tivemos a Peste Negra, a Gripe Espanhola, a Tuberculose, a AIDS, a Influenzza, o Big Brother e agora temos Dan Brown.
A personificação do Pop atual é ele. Alguns podem até discutir citando coisas como Britney, Usher e outros ganhadores de MTV Movie Awards deste ou de anos passados, mas a abrangência das palavras deste escritor é muito maior seja por área global ou por grupo demográfico. Artistas pop normais têm seu apelo principalmente junto à juventude em países com costumes mais globalizados e abertos. Adultos e países mais, digamos, recatados ou de religiões diferentes das que dominam o lado ocidental do mundo não são atingidos por qualquer Aguillera que seja, mas certamente compraram "O Código Da Vinci" aos borbotões.
A literatura pela qual circula não é aquilo que poderiam classificar por aí como digna de uma ABL (ou a equivalente americana), está muito mais para o pop fácil de engolir de um Paulo Coelho ou Stephen King do que para o contorcionismo mental de um Saramago. Todavia, em época tão digital, conseguir fazer o povo voltar a ler é um feito digno de ganhar beijo da Fernanda Lima (e nesta linha cito também J.K. Rowling, novamente Paulo Coelho e afins). Além disto, o cara é inegavelmente inteligente. Não é qualquer um que cria os mistérios que criou, usando as locações que usou e com um estilo envolvente a ponto de fazer muita gente ler 400 páginas de uma tacada, conseguindo manter um equilíbrio de início, desenvolvimento e final impecáveis. King, por exemplo, costuma dar vários "soluços" no ritmo de suas obras, além de produzir finais fracos em 90% delas. Já a leitura das obras de Brown é quase materializável, transporta o leitor para dentro da história. A intensidade empregada apaixona e os diálogos são envolventes, além de ter apostado alto num mote que é pule de dez: todo mundo adora uma teoria conspiratória. Principalmente se for embebida num caldo de religião, símbolos curiosos e mistérios mortais.O pecado de Dan é usar seu dom de indução pela escrita para fazer o pessoal que lê seus livros acreditar em palavras da forma que parecem significar, mas que não necessariamente são afirmações categóricas de que tudo que está no livro é verdade. Sempre, no início de cada, é dito que "todas as referências a obras de arte, arquitetura, túneis e a tumbas em Roma são inteiramente factuais (assim como suas localizações exatas)". Esta paráfrase é de Anjos, mas em Código há algo parecido, com a substituição de "túneis" por "documentos" ou coisa parecida. O que ele diz aí é que os objetos clássicos e conhecidos são reais, bem como documentos mencionados, mas não diz que as interpretações que faz disto com o objetivo de construção literária são igualmente verdadeiras. E é justamente aí que começa toda a polêmica. Para exemplificar, um dos livros descreve o interior de uma igreja em Paris, menciona um obelisco interno e tece algumas considerações sobre as iniciais PS dos vitrais. Hoje estão afixados cartazes dentro da nave central desta igreja que desmentem aquilo que Dan nunca disse ser verdade.

Cavaleiro Templário na Temple Church de Londres e Entrada da Abadia de Westminster
Os cartazes, escritos em inglês, francês e em outra língua que não lembro, explicam que o obelisco, um gnômon, não é uma reminiscência de qualquer templo pagão e que as letras PS espalhadas na igreja não significam Priorado de Sião. O obelisco é um instrumento de estudos astrológicos e serve para marcar quando ocorre o dia do ano que representa o solstício do inverno (dia mais curto do ano) e o outro que marca o equinócio da primavera (dia e noite separados igualmente). Isto é percebido a partir da incidência da luz sobre a linha de latão que reflete no meio ou no alto do obelisco, para solstício ou equinócio, respectivamente. Quanto ao PS, chega ser ridículo. Significa Peter Sulpice, patrono da igreja.

Igreja de St Sulpice
Já há 4 livros no currículo do homem. Listo-os em ordem cronológica: Fortaleza Digital, Anjos e Demônios, O Código Da Vinci e Deception Point, este último ainda não publicado no Brasil, mas dizem que é o melhor deles. Só li os dois do meio, e na ordem em que foram publicados por aqui, mas todos já cansaram de ouvir falar no fenômeno do Código – em plena produção para lançamento em 2006 com Forrest Gump, Amelie Poulain, O Profissional, Magneto e Otto Octavius nos papéis principais – mas devo dizer que Anjos e Demônios repercutiu muito melhor dentro de mim do que seu irmão mais famoso. Penso que seu sucesso só não é maior do que o livro que o sucedeu em virtude deste último usar como protagonista em condição sub judice o maior herói da humanidade: Jesus (em dados estatísticos, por favor; não quero conflitos com nenhum devoto de Alah ou Sidartha). Anjos fala de religião de forma mais ampla, sem especificar um "cristo", com perdão do trocadilho, mas faz isto usando uma trama muito mais intrincada e bem sacada. Não é só isto, o principal encanto que Anjos exerce sobre mim reside na definição que dá à importância de uma fé, qualquer que seja, para o ser humano.
Tentando ilustrar melhor o que digo, neste
Para evitar qualquer eventual sentimento de bandeira semítica, devo dizer que não tenho religião alguma, mas tenho sim uma miscelânea de crenças que cumprem seu papel para mim como qualquer religião "formal" do globo e reconheço a importância disto para o mundo. Importância que nos remete aos conceitos morais que deveriam nos nortear e transcende a postura metafísica de declarações de ativistas religiosos.

Uma das coisas que mais impressionaram ao longo do tempo foi a sensação de ter nascido na época certa de resolverem envelhecer as revistas também. Em 84, quando comecei a ler quadrinhos, o mercado já tinha seus 24 anos de estrada realmente comercial. Batman, Super-Homem, Namor, Capitão América e outros já existiam nos 60's, mas o boom no mercado surgiu e espalhou-se como uma espécie de metástase de heróis que Stan Lee provocou nesta década.
Diversas obras vindouras mantiveram o processo, com roteiros cada vez mais intrincados e dependentes da cronologia pregressa, desenhos, arte-finalização e diagramação avançando progressivamente nos detalhes e realismo (aham... tá certo que temos Rob Liefeld para ser a exceção que confirma a regra), entremeados por diálogos cuja complexidade passa longe da molecada. Culminando no cenário atual onde não há mais volta na cronologia tradicional. Os roteiros distanciaram-se muito do foco infantil, tornando difícil a assimilação e forçando as editoras a tentar estratégias que sempre desviam-se do foco original. Novos Titãs, Novos Mutantes e Young Avengers, cada um ao seu tempo, pretendiam alcançar este público e, mesmo tendo esta linguagem mais "jovem", sua interligação com o universo Marvel/DC os envelhece.



Às vésperas da Guerra de Gangues, ânimos começando a se exaltar, ocorre a morte da capitã de polícia. Dias depois ocorre a morte de um juiz americano, assassinato cometido sob testemunho de Matt Murdock, o Demolidor. Outros assassinatos ocorrem em meio a uma trama muito bem engendrada, com tensão tangível e manipulações inteligentes. Tudo isto prova que não é necessário um vilão super-poderoso e sim um roteiro inteligente.





V – A Batalha Final (V – The Final Battle, 1984) foi uma série que a Globo passou por aqui em 1985 ou 1986 (caceta... eu tinha entre 8 e 10 anos... de onde eu tirei esta lembrança?) na esteira do sucesso de Contatos Imediatos do Terceiro Grau (Close Encounters of Third Kind, 1977) e E.T – O Extraterrestre (E.T.- The Extra-Terrestrial, 1982), filmes blockbuster que consolidaram a imagem de Spielberg e provocaram a ressurreição do gênero "eles estão entre nós", cuja última chama de apelo ocorrera na geração anterior com os clássicos Guerra dos Mundos (The War of the Worlds, 1953) e O Dia que a Terra Parou (The Day the Earth Stood Still, 1951).



A série não teve o sucesso esperado no país de origem, motivo pelo qual não foi muito longa, mas foi inspiração para o surgimento de diversas variações sobre o mesmo tema. Uma das mais famosas, a ponto de criar frisson nos EUA e iniciar a influência da cultura televisiva japonesa naquele país, foi Patrulha Estelar (Ushuu Senkan Yamato). Esse sim ganhou reconhecimento amplo, recebendo inclusive nomes ocidentais ao entrar na indústria americana.
Já Ultraseven foi o terceiro membro da família Ultra que passou por nossas terras. Sucesso estrondoso no Japão, passou aqui aproveitando a ótima repercussão que Ultraman e O Regresso de Ultraman (além do genérico Spectreman) tinham à época. Entretanto, enquanto seus primos protagonizavam aventuras lineares, mais do mesmo, Ultraseven e seu alter ego (que não era humano) Dan Moroboshi diferia dos outros por motivos e conflitos já identificados neste texto. Não sei dizer se é o único Ultra-membro que tinha esta abordagem, já que devia haver para mais de dez ultra-primos em exibição no Japão, mas certamente foi o personagem que mais se destacou, alcançando a maior longevidade com suas séries. Clicando 