domingo, 30 de setembro de 2007

NEWS FROM THE GRAVE


Inglês, vivendo atualmente entre Toronto e Nottingham, pintor, roteirista e agora cineasta. Dan Seagrave foi uma figurinha bastante notória durante os anos 90. Periga até de você conhecer também.

Recentemente Seagrave escreveu e dirigiu seu primeiro filme, Shadowline (finalizado em maio último). Trata-se de um curta-metragem de 10 minutos, atualmente em circuito de festivais alternativos. A premissa é um mix de drama e suspense psicólogico. Na história, um andarilho se abriga numa fábrica abandonada e lá encontra um sobretudo com um caderno de notas e a foto de uma garota. Mais tarde, descobre que a jovem foi dada como desaparecida e então ele inicia uma cruzada particular em sua busca. O trailer revela um thriller bem instigante com uma fotografia sensacional.

No momento desta postagem, o curta ainda não havia dado as graças no YT. Damn.

O recém-cineasta é bem mais reconhecido por seu background. E que background.

Basta uma breve olhada na seção "metal" de qualquer loja de discos pra ver ao menos um dos trabalhos de Seagrave, estampado em algum CD ou camisa. Sua arte refinada, mesclando arquitetura, pespectivas e um detalhismo impressionante ilustrou muitas capas de álbuns death metal da época. Em meio à logotipos ininteligíveis, grafismos abarrotados de satanismo de fim de semana, seu estilo único conferiu uma classe até então inédita no gênero.

Como capista, se destacou fácil na multidão. Há tempos havia deixado para trás a fase "capetão-rangendo-os-dentes" inicial - da qual tenho a capa de Subconscious Release, do britânico Desecrator, como símbolo máximo.

Abaixo, a capa de Mower Liberation Front, do Lawnmower Deth (o 1º trabalho de Seagrave), e a de Subconscious Release, ainda bastante genérica, mas já demonstrando a pegada ultra-detalhista. 


Clique para ampliar.

Lawnmower Deth - Mower Liberation Front (RKT Records, 1989) Desecrator - Subconscious Release (RKT Records, 1991)

Foi nesta época em que ele fez um de seus trabalhos mais conhecidos, a arte para Altars Of Madness, do Morbid Angel, considerado um clássico do estilo. O disco foi um megasucesso comercial (em se tratando de metal extremo), vendendo consideravelmente bem até hoje. O trabalho de Seagrave ganhou o mundo, estampando material promocional, pôsteres e camisetas, virando uma verdadeira referência para outros artistas.

Morbid Angel - Altars Of Madness (Earache Records, 1989)

Foi um divisor de águas e a partir daí ele se tornou um dos profissionais mais requisitados da cena. No início dos anos 90, quem soube administrar o hype fez muita grana. Banda death metal que se prezasse tinha de se radicar em Tampa (Flórida), ter Scott Burns produzindo e mr. Seagrave ilustrando suas capas.

Felizmente, a demanda over não afetou a qualidade de sua produção, logo evoluindo para um outro nível, mais abrangente e complexo. Ele passou a criar pequenos universos em suas pinturas. Ambientes estranhos, com uma atmosfera ameaçadora, sem ser explícita, e trazendo uma simbologia bizarra, lovecraftiana. Para o consumidor era um incentivo visual e tanto, não raro superestimando o conteúdo musical de muitos daqueles discos. Aliás, aqueles eram mesmo tempos românticos, paradoxalmente até para o death metal.

Na época, artes de capa com lay digital não tinham a proporção que têm hoje. Em entrevista à Stylus Magazine, Seagrave conta que não aderiu ao formato, pois o resultado em média é bastante superficial e não prende a atenção, ao passo que a pintura tradicional (no seu caso, em guache e acrílico) inspira uma apreciação mais profunda. Disse também que a transição quadro-capa continua nos moldes antigos: tem de ser fotografado, escaneado e ajustado por computador - o que eleva muito os custos de mão-de-obra, fora seu honorário de US$ 1,000 por peça.

A seguir, um pequeno tributo ao 'Grave, em ordem mais ou menos cronológica. A evolução é nítida.

Nocturnus - The Key (Earache Records, 1990) Malevolent Creation - The Ten Commandments (Roadrunner Records, 1990)
Entombed - Left Hand Path (Earache Records, 1990) Entombed - Clandestine (Earache Records, 1991)
Gorguts - Considered Dead (Roadrunner Records, 1991) Suffocation - Effigy To The Forgotten (Roadrunner Records, 1991)
Masters Of Misery - Black Sabbath: An Earache Tribute (Earache Records, 1992) Hypocrisy - Penetralia (Nuclear Blast Records, 1992)
Vader - The Ultimate Incantation (Earache Records, 1992) Seance - Fornever Laid To Rest (Black Mark Productions, 1992)
Monstrosity - Imperial Doom (Nuclear Blast Records, 1992)
Resurrection - Embalmed Existence (Nuclear Blast Records, 1992) Benediction - Transcend The Rubicon (Nuclear Blast Records, 1993)
Edge Of Sanity - The Espectral Sorrows (Black Mark Productions, 1993) Suffocation - Breeding The Spawn (Roadrunner Records, 1993)
Malevolent Creation - Stillborn (Roadrunner Records, 1993) Morbid Angel - Gateways To Annihilation (Earache Records, 2000)
Decrepit Birth - ...And Time Begins (Unique Leader Records, 2003) Dismember - Where Iron Crosses Grow (Armageddon Media, 2003)
Suffocation - Souls To Deny (Relapse Records, 2004) Usipian - Dead Corner Of The Eye (Metal Fortress Records, 2005)
Becoming The Archetype - Terminate Damnation (Solid State Records, 2005) Conspiracy - Reincarnated (Pulverized Records, 2005)


Variantes
Demon Hunter - Triptych (Solid State Records, 2005)





Exclusivas

Thorium - Feral Creation (Mighty Music, 2008) Trivium (t-shirt black tee with graveyard and gargoyle design)
Capa do CD Feral Creation, do Thorium, previsto para janeiro; estampa de camisa do Trivium, foda aliás, já a venda


Pestilence

Pestilence - Testimony Of The Ancients (Roadrunner Records, 1991)


A capa de Testimony Of The Ancients, do Pestilence, é considerada por Seagrave como seu melhor trabalho neste filão. Segundo ele, pela composição geométrica bem distribuída e por conseguir reter o impacto visual tanto de longe quanto de perto (até concordo, mas a minha Top#1 é a do Transcend The Rubicon e ninguém tasca). O artista teve total liberdade criativa, sendo o criador do conceito em torno da esfera baseada num astrolábio.

O grupo gostou da idéia e quis reeditar o mesmo esquema para o álbum seguinte, Spheres. Seagrave propôs um tipo diferente de esfera, porém a banda queria exatamente a mesma e num contexto pré-definido por eles - o cenário de um sistema solar com um buraco negro tragando tudo à sua volta. Pra tanto, chegaram a enviar fotos para ele com a disposição que desejavam. O resultado final, com intervenção da banda, obviamente é considerado por Seagrave como um de seus trabalhos mais fracos.

Abaixo, a capa oficial e a mesma concepção, seguindo a idéia de renovação proposta pelo artista.

Pestilence - Spheres (Roadrunner Records, 1993) Pestilence - Spheres (original concept)


Para a coletânea Mind Reflections, de 1996, o Pestilence novamente convocou Seagrave, desta vez com relativa liberdade criativa, desde que a esfera fosse a mesma. Claro que, como tantas armações do Rock (muitas delas entoadas gregorianamente no sagaz Thrash Com H), veio um abençoado e aproveitou a rebarba.

Alguém (David Horn, da revista SOD) fez uma transparência da arte do álbum e vendeu para a Pulverised Records, sem a permissão de Seagrave. A ilustração acabou parando na capa do disco Kingdoms Of Greed (que ironia), do sueco Unmoored. Como o artista inglês mantém todas as pinturas originais guardadas num arquivo metálico, muitos acharam que ele reaproveitou a arte e a revendeu.

Pestilence - The Mind Reflections (The Best Of, Roadrunner Records, 1993)
Pestilence - The Mind Reflections (The Best Of, Roadrunner Records, 1993) Unmoored - Kingdoms Of Greed (Pulverised Records, 2000)
A capa de Mind Reflections, a arte original e a capa "cover". Sacou? Capa-cover... hein, hein?

Nem imagino como a treta se desenrolou no campo judicial, mas o álbum do Unmoored acabou sendo relançado, com outra capa.


A pior

Malevolent Creation - Retribution (Roadrunner Records, 1992)

Retribution
, do Malevolent Creation. Seagrave diz que só teve 5 dias de prazo e que não a fez na escala correta para encaixar os detalhes. Particularmente, não a acho ruim, apenas um pouco genérica, lembrando seus primeiros trabalhos.


Temple Series
(Arte pessoal)

Tracing The Disease (Private Commission 1993) Delusions Of Grandeur (1999) Bypass (2005)
City Roots (2002)

Dan Seagrave - site oficial
Shadowline - site oficial

Entrevistas:
Voices From The Dark Side
Stylus Magazine

Lista de capas (desatualizada, mas muito útil!)


Na trilha: Doomsday-X, o novo do velho Malevolent Creation, com capinha padronizada feita por computador.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

EVIL ELVIS NÃO MORREU


Este mês completou 30 anos que Mr. Aaron Presley resolveu cantar Can't Help Falling In Love para platéias, digamos, mais seletas. Coincidentemente, Glenn Danzig, um de seus súditos mais fiéis, retorna das trevas em grande estilo com sua banda homônima.

The Pelvis foi influência primordial na sonoridade do grupo em seus quatro primeiros discos e em seu estilo vocal desde sempre - referência discográfica já devidamente exumada aqui. O legal é que não é gratuito. Ele de fato engrossa esta veia pélvica (opa) e a introduz (opa²) num contexto musicalmente funcional. O crossover de blues rock com o espírito obscurecido do Rei, mais a pegada cramulhística fim-dos-tempos do Black Sabbath se mostrou vigoroso desde os primeiros acordes.

Também é notável que após a espetacular quadra inicial, o Danzig entrou na zona de rebaixamento - mais precisamente, a partir do baticum equivocado de Blackacidevil, de 1996. O disco era uma maçaroca eletrônica sem eira nem beira, na cola do boom industrial noventista. O que se seguiu foi uma produção de metal genérico que muitos classificariam de 'meia-boca' sem dor na consciência.

Apesar dos álbuns recentes terem resgatado um pouco da dignidade musical de "seu" Glenn (o cara já está com 52, ainda no shape - Elvis cravou nos 42, acabado), nunca houve uma recuperação completa. Talvez fosse pelo time de músicos modernoso demais. Ou simplesmente porque as composições não traziam nenhum vestígio daquele feeling blueseiro de encruzilhada. A verdade é que faltou mais 666 nos últimos discos do Danzig.

Mas veja/ouça só como são as coisas... o novo álbum é antes de tudo old school. É tão bom quanto sua antológica primeira fase, sem que nada mudasse efetivamente no Danzig atual.


The Lost Tracks Of Danzig é a tradicional compilação de canções inéditas. Mesmo pertencendo ao velho esqueminha dos caça-níqueis, o material surpreende pela quantidade e qualidade. São 26 músicas "novinhas" de primeiríssima, não raro melhores que muitas das que entraram nos álbuns oficiais. Impressionante como a pré-produção daqueles discos foi cruel.

Paradoxalmente, a nova masterização - feita pelo próprio Glenn e por Rick Rubin - nivelou todas as faixas, sendo bem-sucedida em manter a coesão de uma coletânea que prima pela variação extrema de sonoridade. Convivem no mesmo pacote o blues metálico dos primórdios, a fixação cinqüentista do Evil Elvis, industrial ressacado, experimentalismo neo-gótico e as guitarradas tonitruantes dos últimos dois álbuns. O resultado é um discaço classe "A" (ou "B", o que for mais lisonjeiro). Merece cada níquel investido.

Quando comentei que muitas destas canções mereciam figurar em seus respectivos álbuns oficiais, foi pensando na arregaçante faixa de abertura, Pain Is Like An Animal e nas sensacionais Angel Of The Seventh Dawn e The Mandrake's Cry. Se destacam na imediata segunda audição a baladona soturna Crawl Across Your Killing Floor, as duas versões de When Death Had No Name, o hard de botequim vagabundo Soul Eater, o doomzão cavernoso Lady Lucifera (a versão s&m da Grazi Massafera!) e duas pérolas que pagam tributo ao Rei: Cold, Cold Rain (meia-irmã de Sistinas) e a bela acústica Come To Silver, que Danzig diz ter composto para Johnny Cash.


A faixa Satan's Crucifixion merece uma menção à parte: riff marcante, melodia tétrica, satanismo de história em quadrinhos e climão pesado de cortejo fúnebre. Desde já, um clássico imediato da banda. Há uma história curiosa sobre a canção, contada por Danzig em entrevista à Rock Brigade.

Nas demais, há poucos pontos baixos na repescagem (contabilizei só duas), predominando composições que figuram confortavelmente na 2ª divisão do melhor que o Danzig já produziu - mesmo as inéditas do famigerado Blackacidevil, superiores ao álbum inteiro. O disco também traz ótimas versões de Caught In My Eye (do The Germs), Cat People (tema de David Bowie que entrou na trilha do filmão A Marca da Pantera, de 1982) e Buick McKane (clássico taradão do T. Rex).

Chega o fim do álbum e "Evil Elvis has left the building". Fazia tempo que ele não fazia por merecer o anúncio. Este conjunto da (s)obra rendeu uma moralzinha extra.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

THE LUDLUM ULTIMATUM


O Ultimato Bourne (The Bourne Ultimatum, EUA, 2007) é o exemplo prático de uma continuação que se justifica. Em nada soa gratuito e desde a sua essência mantém conexões íntimas e indissociáveis com os filmes anteriores sem, no entanto, se tornar formulaico. Muito pelo contrário.

Mesmo respirando independente e estabelecendo um fluxo intenso de novas informações e saídas criativas - em paralelo mais que perfeito com o frenesi dopante da ação física - o filme parece implorar que a experiência de assistí-lo seja feita com a bagagem de tudo o que já houve até então. Ver A Identidade, A Supremacia e O Ultimato Bourne não é apenas dar um passo atrás pra enxergar o grande quadro. É testemunhar todo o processo, desde a inspiração, passando pela criação, até a assinatura.

Mais do que o desfecho de uma premissa, o filme dá a dimensão real deste parâmetro. A coesão atingida aqui, sem individualismos e abnegada ao aspecto dramático daquele universo, atesta a autenticidade da trilogia enquanto produto de excelência. Méritos deverão ser distribuídos pelo mais honrado tesoureiro de Asgard: Doug Liman (Swingers, Vamos Nessa!), diretor do primeiro filme, foi uma escolha inusitada pela pouca experiência no gênero, mas sabia construir uma narrativa instigante, e aqui isto é moeda corrente; Paul Greengrass (Livre Para Voar, United 93) foi uma escalação mais improvável ainda, mas foi a partir dele que a franquia se tornou consciente de que vôos mais altos não eram uma opção, eram uma necessidade; e Matt Damon... bom, segura aí enquanto eu vou matutando a respeito.

Uma tendência em particular já avançava em sentido ascendente nos filmes anteriores e se manteve no pico durante toda a projeção: o crossover muito bem sedimentado de trama, tensão e ação, fruindo com tal vigor que pode até causar um choque anafilático nos paladares anestesiados pelo fast food ingerido voluntariamente via Hollywood. O Ultimato Bourne é entretenimento adulto com conhecimento de causa. Diversão sem constrangimento e sem ofensas a neurônios alheios. A antítese do guilty pleasure.


Existe um elemento-chave na dinâmica da história que funciona meio como um gatilho de percepção - quando o nó é desatado, lá pelo ato final, é que sabemos onde realmente estávamos o tempo todo. O resultado é nada menos que genial. E simples. Sabe o que dizem das melhores idéias. Não tenho formação o suficiente na matéria para reconhecer referências pré-existentes do recurso, então encaminho todos os créditos para o escritor Robert Ludlum (póstumo) e para a adaptação bombástica de Tony Gilroy. Eles merecem.

O filme começa exatamente onde Supremacia parou. E por exatamente, entenda como cravado em suas artérias, ainda durante a fuga na Rússia. O desmemoriado Jason Bourne (Damon), ex-assassino da Operação Treadstone, continua juntando os fragmentos de seu passado obscuro. Ao mesmo tempo, mergulha fundo nas ações extra-oficiais que desenvolveram o programa - atualizado e agora com o nome Operação Blackbriar. O objetivo de Bourne é descobrir quem são os envolvidos e vingar o assassinato de sua namorada, Marie (Frank Potente). Na tentativa de eliminá-lo e preservar a operação, Noah Vosen (David Strathairn), Diretor-Representante da CIA, não mede esforços e recursos. Por outro lado, a sagaz Diretora Pamela Landy (Joan Allen) também retorna, estreitando cada vez mais sua relação de cooperação-mútua com Bourne.

Às vezes, termos como "artesão de atmosferas" são utilizados sem muito critério, mas aqui cabe milimetricamente na proposta de Greengrass. O esmero e a dedicação do cineasta em construir cenários de crise com longas e absolutamente dramáticas seqüências chega a emocionar. Eu nem era nascido quando Gene "Popeye" Hackman perseguiu Fernando "Charnier" Rey nos dois Operação França - mas daqui a trinta anos (sou um otimista!) poderei me refestelar dizendo que eu estava lá quando Jason Bourne driblou uma equipe inteira da CIA e um sniper usando apenas um celular pré-pago. E como classificar a tensão absurda que precedeu a luta de Bourne com o assassino profissional Desh (o silencioso e apavorante Joey Ansah)? O que dizer da luta propriamente dita?

Se em Supremacia, Greengrass carregou na instabilidade do camera-man, aqui ele insiste e reconstitui a mesma técnica, mas com um resultado final a anos-luz no que tange à eficiência. A sincronia da explosão performática com o desvario visceral das imagens remetem, veja só, à adrenalina de uma luta de verdade. Mas apenas o suficiente para deixar o espectador moendo os braços da cadeira com a ponta dos dedos. Nota dez com louvor para o formando Greengrass por sua outrora desacreditada monografia sobre Porrada no Cinema.

Comparece também a já tradicional perseguição-monstro de carros, que desta vez destrói uma New York City e meia. A quebrada meio-fim é praticamente reeditada do filme anterior (com o dobro de caos, obviamente), o que, se rendeu o momento mais ganchudo e acessível da produção, também serviu de base para uma retomada psicológica definitiva do protagonista.

Pecadilhos: o excelente Scott Glenn só faz breves pontas, como Ezra Kramer, Diretor-Geral da CIA. E a presença gigantesca de Albert Finney, no papel do Dr. Albert Hirsch, é reservada para um momento específico, do tipo que nunca dura o bastante.


Ao lado de Kiefer Sutherland, em 24, Matt Damon e a Franchise Bourne reinventaram as regras dos estúdios neste filão. Tom Cruise, personificação de todo o mainstream gilete cinematográfico, reorientou sua franquia de espionagem fake para capitalizar o fenômeno. Até James Bond teve de se adequar. O complicador nisto tudo é a carga humana crível presentes tanto na mitologia de 24 quanto na de Bourne. Isso não se acha na esquina. E ainda entre estes dois, Damon sai na vantagem, pois é melhor ator. Desde já, a herança icônica de seu personagem é tão garantida quanto merecida, mesmo que a festa acabe por aqui - o que não acredito...

...afinal, a trilogia foi impecável inclusive nas subtramas: já no filme anterior eu me perguntava sobre a presença cuvilheira e concomitante de Nick Parsons (Julia Stiles). Essa menina tem tinta no cabelo...

Pretendo reassistir, comprar o DVD e encher a burra desses caras de grana. Quero The Bourne Legacy e The Bourne Betrayal nos cinemas, mesmo que um Ludlum-wannabe tenha escrito as novelas.


"Se Jack Bauer fosse viado, ele seria Chuck Norris. Pois bem, se Jason Bourne fosse viado, ele seria Jack Bauer" - autor campestre.