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domingo, 4 de agosto de 2019

quinta-feira, 5 de março de 2015

O verdadeiro desafio de Whedon será fugir de seus próprios clichês


O novo trailer de Vingadores: Era de Ultron está sendo recebido com honras de chefe de estado nerdsfera afora. Não é pra menos. Joss Whedon está colhendo cada fruto plantado no divertido e eficiente Os Vingadores, de 2012. A ação e a interação entre arquétipos (e atores, e escolas) tão díspares foram estruturadas de maneira plenamente funcional e pop.

Assim como na prévia anterior, essa despeja competência e profissionalismo no quesito aventura. Teremos Hulk versus Hulkbuster, Mercúrio atropelando Cap em mach-5, mais uma pose "Avante Vingadores!" pra galeria, Ultron e muitos, mas muitos Ultrons. Daí uma sensação de déjà vu quase fulminante me acordou do transe: Whedon parece estar seguindo à risca a cartilha do bigger, faster & stronger das continuações hollywoodianas.

Sai Thor, entra o Homem de Ferro no UFGama, Mercúrio numa cena análoga ao do Mercúrio de X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, explosões mil, Nick Fury engessado em sua nova função de mentor extra-oficial, Robert Downey Jr. perdendo o brilho e o tesão a olhos vistos e o que periga ser a framboesa desse bolo: o exército de Ultrons.

Provavelmente interligados numa consciência-colméia gerenciada pelo Ultron original e sujeitos à mesma fraqueza do exército Chitauri do 1º filme, requentada do exército alien-cyborg da bomba Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles - destrói-se a fonte e os demais caem como um castelo de cartas. Deus ex machina nas máquinas mais uma vez?

E falando em máquinas, porque o Visão está sendo tão preservado? Algum pé atrás?

Whedon já comentou sobre o trabalho absurdamente extenuante que teve para coordernar o circo todo. Tomara que não a um preço comprometedor...

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Soldado Invernal sob o comando dos Russos

Anthony e Joe Russo parecem os típicos nerds-alfa. Pelo menos é essa a impressão quando se vê os vários episódios de Community e Arrested Development constantes na ficha dos irmãos cineastas. Que também têm suas porcarias (quem não as tem, não é mesmo?). Sendo assim, eu podia até esperar por certa sobriedade fanboy na direção do novo Capitão América 2: O Soldado Invernal...

O que eu não esperava mesmo era ver um trailer tour-de-force à Michael Mann-dirige-um-Bourne-movie altamente climático e com cara de filmaço às 12 horas.


Só dia desses fui saber que existem firmas especializadas em montar trailers para cinema. Altamente profissional. E frio. Brr. Mas mesmo se os caras que fizeram esse forem os gênios da raça, de algum lugar eles tiraram essas cenas.

E só a do diálogo entre Robert Redford (!) conversando com o Capitão América (!!) já vale o filme em 3D inútil com a pipoca ruim do Cinemark.

sábado, 30 de julho de 2011

O triunfo da vontade


Capitão América: personagem alegórico de perfil motivacional criado por Joe Simon e Jack Kirby no início de 1941 para a Timely Comics, embrião da Marvel Comics. No final daquele ano complicado, os Estados Unidos entraram oficialmente na 2ª Guerra.

70 anos, inúmeros conflitos e uma ordem mundial inteiramente nova depois, o filme que os recrutas mereciam assistir. O 1º pra valer, vamos combinar. As tentativas anteriores de impor o Capitão sem a substância que faz dele o que ele é não vingaram nem a pipoca - e não me refiro ao soro do supersoldado. Fazer um filme sobre o heroi, com toda sua carga de simbolismos e ideais, é quase como fazer um filme sobre o Tio Sam. Foi aí a grande sacada de Capitão América: O Primeiro Vingador - o filme abraça a causa, por mais ultranacionalista e esdrúxula que ela possa se tornar, mas de maneira esperta, malandra e até autossarrista, sem jamais se render a recalques históricos que quase sempre deixam um gosto melancólico após uma falsa catarse de vingança e redenção.

Não que o roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely seja um Norman Rockwell dos escritos d'antanho, mas alcançou o tom pop ideal para um personagem tão 1940. E sem deixar de fora as boas referências ao seu universo, salpicadas matreiramente durante toda a projeção. O Capitão América, quem diria, funciona e não soa como uma relíquia espalhafatosa da Era de Ouro pedindo aceitação nesses tempos tão cínicos. Considerando que essa era a parte preocupante, pode-se dizer que O Primeiro Vingador é um vencedor.

O problema ficou mesmo em aspectos padrões do filme. Talvez em algum ponto na interação entre a dupla de escribas com o comandante Joe Johnston e o cronograma nada amigável da Marvel Studios.


Primeiro, a parte boa. A ótima caracterização de Steve Rogers foi essencial para a coesão da narrativa, que cruza elementos de gêneros distintos sem a menor sutileza. Mais ainda, consegue estabelecer certa identificação com o espectador (a menos que este tenha assumido apaixonadamente o papel do valentão nos tempos de escola), além de transmitir uma mensagem simples, ingênua e boba até, porém universal: nunca desista de seus sonhos.

Chris Evans pode ter provocado a ira dos fanboys em suas primeiras declarações sobre o papel e certamente sua imagem de garotão à Ryan Reynolds não podia soar mais deslocada para a função. Mas quem o viu em Sunshine: Alerta Solar já conhecia seu potencial, apesar do ceticismo da maioria - olha a metáfora saltando das telas e invadindo o mundo real aí.

Evans, com toda a pinta de rei do baile e capitão do time, quem diria, rendeu uma boa mistura entre Peter Parker e a parábola do sapo surdo. Ou um Petey mordido por um sapo surdo radioativo, sei lá.

Não posso opinar tanto sobre a esqueletização digital do sujeito, já que o 3D desse filme parece ter sido convertido no fundo de quintal mais vagabundo da Santa Efigênia. Pelo que vi, pareceu convincente. Esse primeiro terço pré-Capitão foi justamente a parte que mais me agradou no filme, com um show à parte da produção de época e o clima nostálgico das ruas reeditando a atmosfera na qual o personagem nasceu - antes mesmo de ser o grandioso Capitão América, o pequeno Steve Rogers já era o sal daquela terra.

O Roger Ebert cantou a bola direitinho: Steve era só mais um garoto que queria ser como Charles Atlas e usar aquele poder não apenas para espancar "bullies" ou ganhar garotas, mas em favor da melhor causa de todas: ser americano.


Inicialmente achei que a ausência de suásticas e nazis afastaria o personagem de sua raison d'être. Felizmente, substituir os tradicionais chucrutes pela Hydra e todas as suas possibilidades ficcionais se mostrou bastante acertado, mesmo sem qualquer menção ao Barão von Strucker, à Madame Hydra e outros notáveis. Hugo Weaving, como sempre, impecável como o infame Caveira Vermelha. E isso inclui seu sotaque macarrônico e uma canastrice tal que só é possível pra quem está se divertindo a valer em frente às câmeras.

Toby Jones, pelo que conheço de seus trabalhos, parece ator de um papel só. Se for assim, foi a escolha perfeita para o Dr. Arnim Zola - cuja primeira aparição no filme foi uma referência impagável que provavelmente só os leitores dos quadrinhos vão pescar.

Do lado dos herois, um bom núcleo de atores e um naipe interessante de personagens dos quadrinhos, embora um tanto quanto subaproveitados. Os destaques vão para a bela inglesa Hayley Atwell no papel da agente Peggy Carter (interesse romântico de Steve), o grande Stanley Tucci conferindo um tom sereno, terno e quase paternal ao Dr. Abraham Erskine, Dominic Cooper personificando um Howard Stark que, além do bon vivant de praxe, também faz as vezes de Q para o Capitão - e em nada lembra a figura distante e obcecada como foi retratado em Homem de Ferro 2 - e finalmente Sebastian Stan fazendo um bom trabalho no (mais uma vez reescrito) Bucky Barnes.

Tommy Lee Jones está totalmente dispensável no papel do Cel. Chester Phillips, mas vale uns centavos pela rabugice que sempre imprime com um pé nas costas. Quero ser um velhinho igual aquele quando crescer. O chato mesmo foi ver desperdiçado o contingente bacana dos Comandos Selvagens, especialmente Neal McDonough, como o bonachão Dum Dum Dugan.


"America... FUCK YEAH!"

É a segunda vez que Joe Johnston dirige uma aventura sobre um heroi dos quadrinhos lutando contra vilões nazistas. A primeira foi em Rocketeer, há exatos 20 anos atrás, com produção da Disney, hoje dona da Marvel. É uma sincronicidade curiosa e um bom precedente, se tivessem me perguntado. Nessa nova incursão, no entanto, o termo "diretor operário" me veio à mente mais de uma vez durante o filme. Apesar dos bons empréstimos conceituais da versão Ultimate do heroi (Mark Millar é devidamente agradecido nos créditos finais), O Primeiro Vingador perde seguidas chances de fazer a diferença em momentos-chave, se limitando a sequências incrivelmente requentadas.

Há insumos de várias procedências aqui: Luke e Vader duelando numa ponte estreita sobre um abismo, o primeiro salto de Neo de um edifício para o outro, postais do Indy durante a Última Cruzada e até uma perseguição de speeder bikes na lua de Endor - isso pra ficar só nos mais óbvios. O cineasta também podia ter um pouco mais de bom senso na sequência em que o Cap invade sorrateiramente uma base da Hydra levando o "discreto" escudo estampado com a bandeira americana...

Mas o principal ponto negativo é o mesmo que já vem acometendo as produções da Marvel Studios desde Homem de Ferro 2 e que atinge seu auge neste filme: um plot que busca sua autosuficiência mais na presença do heroi e de seu universo do que numa história a ser desenvolvida e (bem) amarrada até a sua conclusão. Nada de tramas paralelas, reviravoltas ou mesmo uma grande missão pela frente. O Cubo Cósmico sequer representou um MacGuffin de respeito - o Capitão mal sabia de sua existência. A edição supercompacta das missões do Capitão com os Comandos e o final abrupto não deixam dúvidas. A exemplo de Thor, a trama aqui foi menos importante que a apresentação do personagem para o filme-evento que será Os Vingadores.

Quem esperava "apenas" um filmaço de ação/aventura passado na 2ª Guerra, como Os Doze Condenados, Desafio das Águias ou Os Canhões de Navarone, morreu na praia da Normandia.

Momento-marvete: o Capitão lutando ficou legal. Mesmo brigando contra dez, quinze adversários (o que ele faz nos gibis num dia fraco), a logística absurda da coisa flui redonda. Na verdade, no filme inteiro só contabilizei 1 soldado inimigo fazendo hora atrás do Cap, aguardando pacientemente sua vez de levar porrada. Ah, e o escudo de vibranium com efeito bumerangue dual core ricocheteando por aí, nocauteando os bandidos e voltando às mãos do Cap... HQ em movimento.

Jack Kirby teria deixado escapar um sorriso discreto. E Joe Simon, do alto de seus 97 anos (o que é fantástico), deve ter ficado orgulhoso.

Ps: pela primeira vez, esperar por cenas pós-créditos me rendeu alguma info útil. Sempre me perguntei onde andaria o talentoso Rodolfo Damaggio, desenhista, entre outras coisas, do famoso arco onde o Arqueiro Verde se sacrifica para salvar Metrópolis de um avião carregado com uma bomba (olha a sincronicidade aí de novo...). Legal ver o brasileiro figurando entre o staff do Cap. Podia retornar aos quadrinhos tradicionais algum dia.

terça-feira, 10 de julho de 2007

E O SURFISTA PRATEADO


Pois é. Quando o Moriarty, do AICN, afirmou que Tom Rothman (CEO da Fox Filmed Entertainment) já foi molestado por um gigante, ele não estava brincando. Só pode ser trauma. Depois do Sentinela quântico de X3, agora foi a vez do Galactus ser depenado em Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (Fantastic Four: The Rise of the Silver Surfer, EUA, 2007).

Pelo bafafá que antecedeu a estréia, eu já vinha tentando me acostumar com um The Fog versão interplanetária, mas o que vi lá foi algo bem pior. De El Niño emaconhado, o personagem acabou revelando sua verdadeira face: um Tocha Humana com um balde na cabeça. Essa foi a reluzente e ofuscante solução da equipe criativa (bando de aspones filhos da puta). Parabéns aos roteiristas Mark Frost, John Turman e Don Payne, parabéns ao diretor Tim Story e, mais que todo mundo, congratulações medalhísticas ao Tom Rothman pela afirmação de que em filme seu "jamais haverá um robô gigante". Bem, oremos a Cybertron em agradecimento, já que Transformers caiu nas graças da DreamWorks. Urra.

Se bem me lembro, comentei da outra vez que o primeiro Quarteto Fantástico era puro exercício de escapismo e sorvetada na testa. Que Chris Tochevans consegue fazer em um diálogo o que Ryan Reynolds não conseguiu na filmografia inteira. Que Michael Coisa Chiklis, da incrivelmente fudenciante série The Shield, é a única razão daquele amontoado de pedra laranja funcionar em cena. Que Jessica Sue Alba não precisa atuar se estiver de colante (famoso método Elisha Cuthbert de interpretação). E imagino que até elogiei a disposição cênica do Senhor Ioantástico Gruffudd e sua semelhança física com o personagem, mas que ele (ou o script) não encontrou a essência original - no máximo, passa de raspão antes da próxima torta na cara.

O fato óbvio e ululante é que todos estes elementos tiveram seu replay aqui, o que remete à velha máxima da piada contada pela segunda vez. Rola até uma seqüência de dança elástica, recurso malandramente surrupiado da franquia do Aranha e que já demonstrava sinais de cansaço lá. Mais pastel impossível. Correndo por fora, as curvas da Alba - que já foram mais generosas - até conseguem ganhar terreno numa cena de nu-flamejante, mas a caracterização da pinup que um dia foi a Nancy Callahan estava bizarra (o que uma peruca e um par de lentes não conseguem estragar).

Sei que é inútil perguntar porque não usaram a versão Ultimate do Quarteto (adaptação pronta, bacana e pop) como base para os filmes. No entanto, pelo menos a Alba poderia ter sido laureada ali - o próprio desenhista Greg Land não se furta em usar fotos da atriz para compor sua versão teensuda da Sue Storm.

Às vezes bate uma vontade meio kamikaze de defender a participação de Julian Von McDoom, em nome da diversão canalha que ele proporciona via Nip/Tuck, mas tenho por mim que o estereótipo que o sujeito montou é tiração de sarro da grossa e não vou ser eu a estragar a piada. Deixa o homem trabalhar.

Se contextualmente QF e o SP é um vazio crônico anunciado (ninguém esperava um tratado metafísico como seqüência do primeiro filme), o mesmo não se pode dizer do acabamento. Mandaram bem nos efeitos aqui. Fantásticos, realmente. Quem achou que o Surfista Doug Jones Prateado ia ser um arremedo de T-1000 quebrou a prancha. Demonstraram a proporção exata da evolução da mesma técnica, absurda, 16 anos depois. Vê-lo detonando um pequeno exército com apenas um gesto é a transcrição exata dos quadrinhos. E duas intervenções... hm, "alienígenas" na mitologia do herói funcionam como gols de empate. Uma foi estabelecer que seus poderes vêm da prancha. Péssima. Outra foi conferir uma aparência estéril e obscurecida quando ele perde seus poderes (releitura esperta de um arco clássico do Quarteto), excelente sacada em cima de um ponto de partida equivocado. Lamento, mas é assim mesmo. Se nem Einstein conseguiu entender o caos...

Fã de Jack Kirby que sou, confesso: todas as cenas em que o Surfista aparece provocam um efeito de satisfação hiper-realista. Até para os que nutrem uma mera fantasia intimista recorrente. Se existe um herói que rescende tal empatia é o Surfer. Sua imagem é metáfora pura. Rasteira, mas pura. Nem precisa ler as revistas. Qualquer um gostaria de subir numa prancha e voar à velocidade da luz para o outro lado do universo, largando pra trás tudo o que não deu certo, toda essa gente chata e mesquinha, etc.

Queria comentar isto desde a primeira vez que vi A Força de um Amor (remake livre de Acossado, de Jean-Luc Godard). Foi Richard Gere quem me atentou para o fato de que até o Surfista, uma entidade impessoal e amoral, podia ser complexamente humano e altruísta, ainda que estas duas coisas soem paradoxais. Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado não vale nada, mas só por me fornecer um pretexto para esta lembrança já se justifica. Mais uma vez fizeram certo do jeito errado.


"I have seen the birth of planets and the death of worlds. I have seen galaxies crumble and new suns aborning. But in every star, in every sun, I see her face..."

sexta-feira, 15 de julho de 2005

ONE-TWO-THREE-FOUR

(considerações rapidinhas)


Imagine aquele certo tipo nerd que chegou à maturidade, atingiu o status quo nerdiano, que vive compenetrado em um mundo de Ciência invisível aos olhos comuns e que, miseravelmente, é confrontado a todo momento com o mundo "real". Esse era pra ser o Reed Richards, no filme Quarteto Fantástico (Fantastic Four, 2005), mas o ator Ioan Gruffudd não arranha nem a lataria. Cada década tem o Harold Ramis que merece. Esse ponto é meramente ilustrativo. Arriscar uma olhada mais séria do filme é brincar de tomar pedala Robinho!! no meio da nuca.

Esqueçam as aventuras no universo subatômico, viagens em worm-holes, explorações em dimensões paralelas e todo o combo sci-fi que vem atrelado aos heróis nos quadrinhos. Esqueçam também aquele monstrão que sai do solo - obrigatório nas reprises da origem do Quarteto. O tom aqui é rasteiro, solto e, acima de tudo, pop. Mas isso não é demérito. Os Incríveis é melhor? Em todos os aspectos. O roteiro tem buracos? Parece a Régis Bittencourt. O vilão é bacana? Visualmente sim, mas ainda fico com Dr. Destino daquela produção de Roger Corman (embora seu... hã... "destino" tenha sido uma variação bacanuda do final de Os Caçadores da Arca Perdida). E nunca vi uma caríssima e aguardada viagem espacial ser desenrolada tão rápido!


Mas - olha só a virada, óia, óia - o Coisa ficou legal? Ficou sim, entre altos (Michael Chicklis é O Cara) e baixos (a corcunda esquisita e as mãos muito grandes), e me deixou com pena de quem o comparou a um coliforme ambulante (se a única referência que você tem se parece com ele, recomendo uma dieta à base de fibras, muitas fibras). E Chris Evans como o Tocha Humana? É um scene robber son of a bitch (a cena do espanador foi a melhor!). E finalmente, a toda-poderosa Mulher-Invisível Sue Storm... a girlie Jessica Alba é mais deliciosa que Kirsten Dunst e Katie Holmes juntas e a cena dela só de calcinha e sutiã já faz valer a sessão.

Que fique claro: ninguém nunca salvou New York de maneira tão cool quanto os Caça-Fantasmas do primeiro filme. Mas o Quarteto fica ali, bem naquela esquina do pop nonsense, pueril, escapista, que já rendeu uma porção de crássicos involuntários. É bem divertido - às vezes divertido bagarái - e se não consegui te convencer disso, quem dirá fazer o mesmo em relação à obras do calibre de Bill & Ted 1 e 2, Godzilla vs Megalon, Spider, Westworld, A Maldição de Quicksilver...



WRESTLING DE ESCOTEIRO


Superman e Capitão Marvel. Clark e Billy. De cara, são os dois maiores "bebedores de leite" das HQs (conceito dugarái de autoria do Alcofa - que está [re]pendurando as chuteiras...). A história desses dois é engraçada. Criado em 1939 por C.C. Beck e Bill Parker para a Fawcett Comics, o velho Capitão foi logo acusado de ser plágio do Super, seu predecessor da Detective Comics. Apesar dos conceitos próximos (dois super-humanos utópicos por excelência), Billy tinha lá as suas idiossincrasias que o distingüiam do Clark. Óbvio que isso não comoveu a DC, que engoliu a concorrente, levando-a à falência e, em seguida, saqueou o personagem para o seu cast. E dá-lhe situação inusitada: a editora ficou com dois super-homens invencíveis na casa.

Coincidentemente, o background do Capitão era originado de uma das únicas fraquezas que afligiram o Super durante um bom tempo: a magia. Isso nivelava um pouco as suas diferenças, visto que o Cap era uma contradição. Apesar de ser o detentor da Sabedoria de Salomão, ele mantinha a mesma índole à Oliver Twist de seu alter-ego. Já o Super era (muito) mais calejado e há tempos parou de destroçar carros para deter ladrões de banco. Só enfrentava de Mongul e Bizarro pra cima. Essa equiparação acabou gerando umas vias de fato memoráveis entre os dois, ao melhor estilo "dois paralelos se enfrentando". Também influenciou uma carreirada de situações dentro do universo pop, fornecendo inclusive a matéria prima para o duelo final entre Neo e o Agente Smith, em Matrix Revolutions. Que Dragonball Z que nada!

Tudo isso pra falar do maravilhoso episódio Clash, da excelente Justice League Unlimited. A luta em si durou breves e acachapantes cinco minutos, mas valeu por um longa metragem. O Capitão Marvel/Billy Batson está perfeito, com aquele olhar inocente e ainda mais escoteiro que o Clark. Este, aliás, está quase um herói à Image nesse episódio - bem mais super do que herói (justificado pelas maquinações certeiras de Lex Luthor).












Rolou até referência ao clássico Reino do Amanhã... Imperdível. Tinha de ser exibido nas TVs abertas. É um crime omitirem um material dessa qualidade.


Na trilha: Queen - Live At Wembley Stadium... weee are the champions... my frieeeend... :P

quarta-feira, 19 de janeiro de 2005

A GAROTA DO FANTÁSTICO


Bom, não posso dizer que superou as minhas expectativas, pois elas já estavam bem altas, confesso. Para mim, um longa do Quarteto Fantástico sempre foi mais fácil de se imaginar do que um dos X-Men, por exemplo. A linguagem pop movida à conceitos tecnológicos e o irresistível espírito de aventura sempre clamou por uma versão cinematográfica. É o mesmo mix que fez a fama de filmes como Os Caça-Fantasmas e De Volta Para o Futuro, em dois exemplos de extrema felicidade (e que eu não estou dizendo que seja o caso... mas tomara). Se tudo der errado, pode esperar por um novo Perdidos no Espaço - o que eu não acho que vá acontecer, talvez por mera fé cega, com toda a margem de decepção que isso traz de brinde.


Seja lá como for, agora, com o ótimo teaser em sua versão oficial, dá pra notar que vem algo promissor por aí - ao menos no que diz respeito à diversão. O efeitos são de ponta, os quatro fantásticos estão... fantásticos (exceção feita à Alba Storm, que está... incrível), o Dr. Destino está sinistro como nas HQs (pena que aparece rápido) e um detalhe muito interessante foi a trilha com "Counting Bodies Like Sheep To The Rhythm Of The War Drums", do grupo A Perfect Circle, que começou a rolar a partir do acidente espacial (pra quem conhece, sabe que isso foi fantasticamente foda).


É torcer pra que o diretor Tim Story honre seu sobrenome, com trocadilho fantasticamente ruim e tudo. E que site oficial mais pesadinho hein?! Putz.


A SUPREMACIA BYRNE


John Byrne merecia um Eisner pelo conjunto da obra. Poucas pessoas produziram tanto quanto ele e com um nível tão alto de qualidade. Livre da sombra de Chris Claremont (o Bendis dos anos 80), Byrne alçou vôos bem mais altos, lançando mão de um talento indiscutível como argumentista. Até a metade dos anos 90, Byrne trabalhou em quase todos os personagens de destaque da Marvel e, destes, ele livrou boa parte de alguma fase ruim. Foi assim com os Vingadores, com o Hulk, com a Tropa Alfa, com a Mulher-Hulk, etc. Mas a primeira vez que vi o Byrne "solo", desenhando e escrevendo primorosamente após o furacão Saga da Fênix Negra, foi nas histórias do Quarteto Fantástico.


Com um senso de humor bem cínico, vilões cavernosos, grandiosidade épica, bastante adrenalina e aquele climão de ficção-científica (que, por sinal, anda em falta no Quarteto de Mark Waid), ele valorizou todos os elementos que fizeram a equipe tão característica (pra não dizer "fantástica"). Claro que alguns mal-costumes marcaram presença, como a mania de inserir metalinguagem nas aventuras (ele mesmo, o Byrne, na história... no papel de John-Byrne-desenhando-o-Quarteto...). Pior que isso, só os editores nacionais da Abril: para fazer as vezes de editor-chefe da Marvel, ninguém menos que o famigerado Figa, aquele que decepava 50 páginas em uma história de 30. Felizmente, isso não chegava a atrapalhar, pois era só ignorar a "presença" do autor. Mas fiquei bem curioso pra saber se a esposa do Byrne na vida real é mesmo aquela coisinha maravilhosa que ele rabiscou.


A maior parte dessa fase de Byrne comandando o Quarteto foi publicada na revista do Homem-Aranha (provando que as HQs daquela época eram bem mais imperdíveis do que as de hoje), e um dos arcos mais bacanas que eu li foi da edição #66 a #68. Começa com o Doutor Destino reconstruindo a Latvéria e recrutando Tyros (ex-Terrax, arauto de Galactus, aqui totalmente overpowered) com o objetivo de destruir o Quarteto, que não tem Reed Richards, mas tem o Surfista Prateado. Logo, a maior especialidade de Byrne dá as caras: as pancadarias federais no meio de uma grande cidade que, em poucos instantes, fica totalmente arrasada. Aliás, Destino fica numa situação pra lá de embaraçosa no final. Logo na seqüência (praticamente soldada nessa história), os remanescentes do Quarteto, com a ajuda do Vigia Uatu, partem em busca do desaparecido Richards. Participações mega-over-empowered de Galactus, Odin e Eternidade.

Clique do Vic Doom aí embaixo pra baixar o pacotão (18,8MB). Ah, e paciência com esse servidor, ok? Às vezes ele dificulta a vida de quem não é assinante. :P

Scans by: doggma (link expirado há muitos éons)



Na trilha: Of The Son And The Father, do Astral Doors, um dos melhores álbuns de 2004.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2005

AINDA BEM QUE NÃO LEMBRARAM DO FANTASTICARRO


Johnny Storm dando uma de Johnny Blaze


Os melhores 20 segundos do ano, até agora (perdendo só para os deliciosos 56 segundos do selinho na Elektra...). Diferente da patrulhinha modista que ronda por aí, vi no spot do trailer (cacete... spot do trailer... falta mais o quê agora... resumo do teaser?) tudo o que o Quarteto Fantástico representou para as HQs em mais de 40 anos de história: muita ação, aventura, bom-humor, diversão-família e... poderes fantásticos (ahem). A única abordagem mais diferente que eu notei foi a intensa exploração da mídia em cima da equipe, o que sincroniza os personagens com o que andam fazendo atualmente nas HQs, mais notadamente na versão Ultimate e no tom pop de Mark Waid (a histeria acabou me lembrando um pouco o X-Tatics).


O nome de Tim Story nos créditos não me agrada muito, mas, à primeira vista, ele resolveu apostar na simplicidade narrativa das histórias do Quarteto. Nada de muita responsa. O Senhor Fantástico se estica numa ação reflexa, Dr. Destino dispara raios (bem à Conde Dookan, em SW: AdC) pra cima da Mulher-Invisível, que rebate com seu campo de força, e a grande estrela do (sub-) trailer, o Tocha Humana, rasga o céu de fora a fora, e se esquiva de um míssil. Mal posso esperar pelo trailer inteiro (isso é que é se contentar com pouco!).



Agora um alô para os exigentes fanboys (os da patrulhinha) que andam reclamando do Coisa. As contra-missivas criticam a textura da sua pele petrificada (tsc, papo de fanboy mesmo) e da baixa estatura do personagem. Segundo os detratores, o Coisa do filme tomou pra si a naniquez que faltou no Wolverine de Hugh Jackman. Bobagem (ns). Nos primórdios, a pele do Coisa era formada por uma camada epidérmica que parecia rocha vulcânica, não por aquelas placas de pedra que estamos acostumados. Ele também não era o caminhão-tanque que é hoje. Era mais atarracado e um pouco mais alto que uma pessoa normal. Só anos mais tarde que ele adquiriu o visual clássico.

Não sei se foi intencional, mas achei uma opção de design extremamente feliz, comparável à um Hulk cinza nas telonas. Ele pode desenvolver seu aspecto no futuro, até chegar ao shape atual. Para ilustrar melhor, confiram a capa de Marvel Two-in-One #50, que já foi publicada no Brasil, mas não me perguntem onde. Na história, o Coisa volta ao passado até o tempo em que haviam poucos meses desde a sua transformação. O objetivo era "se convencer" a ingerir uma fórmula que o faria humano novamente (ela só funcionava se fosse no início). Daí ele enfrenta sérios problemas com a sua contra-parte do passado. Naquela época, ele vivia enraivecido, amargurado e fisicamente muito diferente, bem mais deformado pela mutação cósmica - e igualzinho ao filme. Cara, rola um porradêro dos bons, vale conferir.

Clique na imagem para ampliar a capa.


Esse dedo não é meu não


Isso posto, vamos mudar os discursos aborrecidos e elogiar a fidelidade ao original... conhecimento de causa é isso aí. O filme pode até ser podrão (não creio), mas que o Coisa ficou muito bom, isso ficou. Nas ótimas cenas em que ele entra em ação (porrando o caminhão e sendo atingido por uma rajada de energia), dá pra perceber uma articulação pra lá de satisfatória. Melhor que o Coisa do Roger Corman... :P


"O HORROR... O HORROR..."


"Ela fica sabendo o que são recorporações... qual é o rio negro, para onde ele se dirige... por que os pássaros mortos se movem... e quem está olhando pelos olhos de seu marido. O cheiro. O fétido cheiro de formigas queimadas esbofeteia a mente de Abby e seus joelhos se dobram ante tamanha força. O nome dele... uma assinatura redigida em ácido... Então ela pensa, 'há quanto tempo estive casada com'... 'quantas vezes nós'... Agora Abigail sabe o que é a coisa ruim e de onde vem o fedor. Vem de si mesma... e ela não consegue se livrar da contaminação... nem queimá-la... abafá-la com perfume... ou raspá-la da pele. Seus sonhos são nojentos e intoleráveis... e seu despertar não é um alívio."

Parece Augusto dos Anjos.

Poesia dark, beleza tétrica, junkie trip gótica. Isso é Alan Moore, sem gelo e batido, não mexido. O Senhor do Caos criou o link definitivo para pesadelos claustrofóbicos através da escrita. Moore elevou as artes ocultas (horror, guri) para um patamar que o gênero sempre almejou. Embora seja difícil traçar um paralelo, foi no horror que Moore mais se encontrou à vontade (o que não o impediu de conceber clássicos em outras linhas narrativas). Infelizmente, em sua mídia mais efetiva - a 7ª arte - o gênero não conseguiu decodificar esse mosaico de humanidade caótica que é Alan Moore escrevendo um conto de terror - ainda que eu tenha apreciado a adaptação de Do Inferno.

A edição #6 da velha Super Powers só atesta o que eu já escrevi sobre essa revista, certa vez. Não negando sua condição de arremedo de Grandes Heróis Marvel, os editores se contentaram em usá-la para finalizar sagas e atualizar a cronologia defasada de certos personagens - como o Monstro do Pântano. Esse arco foi publicado originalmente em The Saga Of The Swamp Thing, do #29 ao #31, e já foi levada ao ar pelo poderoso gRAlactus, mas em condições bem precárias. Resolvi então reescanear essa pérola, com o miraculoso auxílio do Photo "o-melhor-amigo-das-playmates" Shop.

Scans by: doggma

Clique aqui para baixar o arquivo "rar-eado" ou clique 70 vezes aí embaixo.

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dogg, curtindo muito tudo isso... ouvindo um show do Robbie Williams com a Kylie Minogue... juro que é verdade. A Kylie vyle o sacrifício.