Com a logística da Panini passando pela pior crise de sua história e com os Correios funcionando em 80% de sua capacidade (rá! só acredito vendo... ou melhor, recebendo), só faltava mesmo uma invasão de ETs comedores de carteiro pra completar a zona – o duplo sentido é totalmente voluntário.
E meus recebidinhos compradinhos, como ficam? Não ficam.
Hoje completou 1 mês que um pedido taludo que fiz na Panini está em "Separação e Manuseio". Devem estar bolinando o pedido, só pode.
Como miséria pouca é bobagem, escolhi logo o envio PAC, que saiu de graça. É a tempestade perfeita. Me sinto como o Lanterna John Stewart diante da bomba amarela.
Não tinha dúvidas que O Segredo de Widow's Bay daria uma goleada no Emmy. Ou melhor, até tinha. Pela caretice tradicional da premiação. Felizmente, a química dos atores Matthew Rhys, Kate O'Flynn e Stephen Root, mais o roteiro espirituoso de Katie Dippold e a direção precisa de Hiro Mutai na metade dos episódios seduziram até os mais ortodoxos. Por todos os seus méritos técnicos e suas referências bem sacadas, foi merecido. Mais do que isso, porque a série é divertida demais.
E diversão per se não costuma ser recompensada por aí. Em certos círculos, é quase palavrão.
Na trama, uma suposta maldição ancestral assola a cidadezinha insular de, duh, Widow's Bay. A tal maldição é tida como uma lenda urbana e é prontamente rechaçada pelo novo prefeito Tom Loftis (Rhys), louco para revitalizar a ilha como ponto turístico ("seremos a próxima Martha’s Vineyard!"). A natureza da maldição – claro que ela existe – é bem específica e as tentativas de Loftis de apagar os rumores e vender uma boa imagem da cidade são impagáveis.
O núcleo de protagonistas é heterogêneo e afiadíssimo. A assistente Patricia (O'Flynn) e o obcecado Wyck (Root) são o contraponto perfeito para o caos controlado de Loftis. Dale Dickey também mata a pau como a assistente completamente sem-noção Rosemary. A sintonia do elenco inteiro é impecável, sem exceção. Achei surpreendente a escalação de Hamish Linklater (de As Novas Aventuras de Christine e Midnight Mass), que está irreconhecível como Richard Warren, o patriarca fundador de Widow's Bay. Quase um morto-vivo de dois metros de altura. Assustador.
E não dá pra deixar de mencionar a performance espetacular de Betty Gilpin como a tragicômica Sarah Westcott, esposa de Richard. Hilária. Pena que só aparece em dois episódios. Mereceu demais levar o Emmy de Atriz Convidada pra casa.
O caldeirão de influências de Widow's Bay é gigantesco. As mais óbvias são Twin Peaks, com seu microcosmo de personagens excêntricos e situações idem, e A Bruma Assassina, de John Carpenter. Por sinal, essa mistura de ambientações costeiras com o sobrenatural sempre foi uma constante nas obras de Stephen King. Filmes como Trocas Macabras e A Tempestade do Século (sorry, não li os livros), certamente foram fontes obrigatórias aqui.
A estrutura narrativa segue o estilo monstro-da-semana em pelo menos 60% da temporada. O que acho ótimo. A variedade de ameaças é de reluzir as íris de quem cresceu nos anos 1980 se refestelando em filmes de terror. E dá-lhe palhaço assassino, casa mal-assombrada, bruxa do mar vovó da Sadako/Samara, folk horror e o pièce de résistance da galeria: o confronto Patricia vs Michael Myers, onde Kate O'Flynn foi Jamie Lee Curtis por 40 minutos. Ou quase. Mas já é icônica.
O final da 1ª temporada é um tour de force de suspense, humor negr... err, mórbido e tensão com direito a um cliffhanger dramático de novelão das oito. Também serve, ainda que melancolicamente, como uma conclusão aberta. Em outras palavras, um dever de casa muito bem feito.
Spoiler aflitivo do 9º episódio da 3ª temporada de Silo.
Puta que pariu. Que payoff.
Teorias conspiratórias estão zanzando pela minha cabecinha atordoada até agora. A única certeza é que fui atropelado por uma das sequências mais tristes que já vi.
Direção, atuação, roteiro (adaptado)... todos empenhados em partir o coração e jogar os pedacinhos no triturador.