quinta-feira, 30 de abril de 2026

Predadores de edições esgotadas


Resolvi fazer uma coleçãozinha dos Yautjas e Xenomorfos que têm saído pela Marvel/Disney. Tudo seguia tranquilamente com promos e cupons apoiando a causa, mas na zona de guerra que é o fim de ano, acabei deixando passar o Predador Versus Wolverine do ótimo Benjamin Percy com uma caçambada de artistas. Curto o quadrinho e também queria a versão física, mas, em se tratando da Panini, não poderia faltar aquele draminha de sempre.

A edição, lançada em setembro último, já estava esgotada há um bom tempo na loja virtual. O mesmo na Amazon e nos marketplaces oficiais da editora – a saber: Mercado Livre, Magazine Luiza, Americanas e Estante Virtual. A revista sumiu dos canais oficiais. E também de lojas online genéricas como Mundos Infinitos, Comic Boom! e afins, que dispõem de um estoque do tamanho de uma caixa de sapato. Comix virou um sebo virtual.

Daí para a corrida especulativa em torno deste item "raro" se espalhar pela web igual chato em casa de tolerância foi um pulo. Já vimos esse filme N vezes. Mas não custa recapitular a mágica de uma publicação recente com preço de capa de 39,90 ganhando um aumento de 300%, 400%, 500%!




É o Monte Rushmore da cara de pau.

Editorialmente, Predador Versus Wolverine é uma revista enxuta e simples, compilando as 4 partes da mini original em 140 páginas. Carta cartão e miolo com papel, vá lá, couché – em tempos idos, seria um belo de um LWC, o saudoso couché de pobre. Gibi como deve ser. Ou deveria.


Enfim, nada, nada mesmo que justifique a insanidade dessa precificação superfaturada.

A diferença é que os especuladores desta vez estão gozando antes mesmo de botar pra fora. Já na 1ª página do Google se encontra a HQ ainda disponível nas Livrarias Curitiba. E com um bom desconto!


No momento do post, a revista ainda está em estoque.*

* Só tive um pequeno contratempo relacionado ao endereçamento (“Não existem opções de entrega para esse CEP”, pfff), no que fui prontamente socorrido pela moça do SAC.

Questão resolvida. Espero que também ajude outros no mesmo barco.

E que se fodam os Mercenários Livres. De todas as plataformas.



Esse é um worst case scenario cada vez mais frequente em se tratando da Panini. Nem mesmo os medalhões parecem escapar disso. Medalhões que historicamente sempre ganharam tiragens elásticas. Mas quem já não passou perrengues idênticos com as populares Sagas do Batman, dos X-Men e do Homem-Aranha?

E pra quê Mefistos a Panini precisa de marketplaces que fatalmente canibalizariam o tráfego consumidor de sua loja virtual? Só porque seu sistema é lento, ineficiente e infestado de bugs? Nada. Simplesmente porque essas gigantes varejistas engolem sites Paninísticos no café da manhã. O alcance é absurdamente maior.

Somando 2 + 2, fica claro que houve uma mudança na política comercial na empresa. Toda essa confusão é resultante dessa nova estratégia que anda gerando anomalias dignas do Mundo Bizarro. Anomalias como assinantes e clientes de pré-vendas sendo os últimos a receber as edições, por exemplo. Ou como o esquisitíssimo caso da Supergirl da Bilquis.

Hoje, os lançamentos da Panini esgotam-reaparecem-esgotam do site em questão de minutos. Tudo por conta dessa reestruturação das tiragens para implementar a tal "Reserva do Site", o pesadelo 2.0 que antes atendia pelo nome de "Distribuição Setorizada". Isso bate com os insights certeiros do Ranieri, do canal Nona Dimensão.

Bem-vindo ao caos.

Para desopilar (e aquecer para a leitura), nada melhor que rever o crássico embate entre o Yautja e o Carcaju no Super Power Beat Down.


São os melhores no que fazem, sem dúvida.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Meu assassino favorito


Gerard Francis “Gerry” Conway
(1952 - 2026)

Editor, autor, roteirista, produtor de TV, formador de caráter. Tivemos a honra e o prazer de desfrutar da carreira de Gerry Conway em vida. Somos privilegiados.

Difícil lembrar de qualquer material relevante dos comics das décadas de 1970 e 1980 que não levou a assinatura dele. Seja na Marvel ou na DC, o homem elevou o nível do jogo. Homem-Aranha, Esquadrão Atari, Justiceiro, Vingadores, Batman, Cinder e Ashe, Conan, Quarteto, Monstro do Pântano clássico, Legião dos Super-Heróis... pode escolher. Nada foi como antes. Ainda bem.

Ver essa lenda partir é lembrar daquela época de forma cada vez mais distante, etérea. Não é fácil, não dá pra negar. Mas também é ter sido testemunha de uma jornada plena, bem vivida e recheada de conquistas – e nem me refiro apenas aos quadrinhos.

Verdadeiramente uma inspiração.

Thank you for everything, Gerry Conway.

terça-feira, 31 de março de 2026

Man com H


No trailer de hoje, aprendemos que o diretor Travis Knight recebeu uma bomba em forma de roteiro escrito a 12 mãos e teve que se esforçar para fazer disso um filme. Alguns adultos chamam isso de "ganhar limões e fazer uma limonada". Outros chamam de "se virar nos 30". Se nada der certo, não se acanhe: bote a culpa nas intervenções do estúdio.

Sendo sincericida: nada no trailer do He-Man me irritou muito. As caracterizações e atualizações de figurino ficaram bacanas, Teela é um pitéu, Mentor é pura moral de rua e Mandíbula ficou fodão. As exceções são o cospobre da Maligna e, lógico, o CGI mediano pra ruim do Esqueleto, muito ruim no Pacato/Gato Guerreiro e péssimo nos rasantes por Etérnia e pelo Castelo de Grayskull. Parecem cutscenes de Playstation 1. Orçamento de 200 milhões de doletas não dá pra mais nada hoje em dia, né?

Apesar dos pesares, tenho uma tendência muito grande a me divertir com esse filme. Cada frame parece assumir com orgulho colorido o gênero espada, feitiçaria & tecnologia Kirbyesco e isso ganha pontos comigo. Mas, cê sabe, sou suspeito. Sou cracudo de Eternium desde menino.

Até a próxima, pessoal!

sábado, 21 de março de 2026

Nos vemos no Mundo Interior, Sam Kieth


Sam Kieth
(1963 - 2026)

Essa veio do nada. E doeu pra valer. Se foi o Sam Kieth, um dos meus artistas prediletos desta vida.

Apesar de conhecido, Kieth mantinha uma relação de distância com o mainstream. A independência sempre pulsou forte naquele nanquim. Nos últimos anos, se tornou ainda mais reservado e low profile. Sempre acompanhei o pouco dele que saía por aí, como os registros de seu discreto blog (!), que parou de ser atualizado em 2023. Compreensível, dadas as circunstâncias de sua saúde.

Minha adoração pelo Kieth não é só força de expressão. Tenho tudo o que saiu dele por estas bandas (o que é bem pouco, infelizmente). Dos momentos históricos, como o início de Sandman, aos gibis mais fuleiros, como o crossover do Lobo com o Batman. Sozinho, seu estilo único já valia a imersão. E não era para todos, o que é sempre interessante.

Claro, impossível lembrar do Kieth sem mencionar The Maxx, HQ & animação. É a sua obra-prima, ainda criminosamente inédita por aqui.

E sem esquecer da mini Wolverine/Hulk: A História de Po, um dos quadrinhos mais evocativos, profundos e tocantes que já li. Quem diria. Só mesmo o Kieth para conseguir isso numa história com os dois brucutus da Marvel.

Kieth fazia falta e vai fazer mais ainda. Mas só de estar por aqui no mesmo tempo de vida e me divertir, me surpreender e me emocionar com sua obra já foi um grande privilégio.

Thank you, Sam Kieth.

sexta-feira, 20 de março de 2026

A morte agora tem um novo nome...


Carlos Rey “Chuck” Norris
(1940 - 2026)

Chuck Norris era de uma linhagem de astros que pareciam invulneráveis à passagem do tempo. Mais ainda, que pareciam viver em seu próprio espaço, seu próprio tempo. Imunes a zeitgeists, quaisquer que fossem. Era o expoente máximo disso, junto com Charles Bronson, Lee Marvin, James Coburn e alguns outros. Muito disso pela vida discreta e familiar a qual se dedicou longe da badalação. E muito por ter plena consciência do tamanho que ocupava no cinema de gênero. Seu duelo icônico com Bruce Lee em O Voo do Dragão segue famoso e debatido como se tivesse acontecido ontem, não há mais de meio século.

Lembro quando o fenômeno Chuck Norris Facts viralizou – que dê o 1º roundhouse kick aquele que não embarcou na brincadeira – e havia uma certa tensão sobre o que o Homem estaria achando daquilo tudo. Felizmente, ele não só curtiu, como brincou também. E assim o planeta respirava aliviado por não ter sido destruído por uma voadora. E mais feliz pelo Chuck se mostrar, mais uma vez, um boa-praça.

Certamente, todas as bios e eulogias as quais o Texas Ranger tem direito estão abarrotando a web neste momento. Mais do que merecido. Da minha parte, fica a doce lembrança de crescer o vendo metralhando e partindo ossos de malfeitores em seus filmes. Que, do Big 4 do cinema de ação hollywoodiano, eram de longe os mais reprisados pela TV aberta nos anos 80.

Tenho um carinho especial por dois em particular.


Olho por Olho (An Eye for an Eye, 1981)


Fúria Silenciosa (Silent Rage, 1982)

Foram os primeiros filmes do Chuck Norris que assisti, ainda moleque. Não lembro em qual ordem.

Olho por Olho, mais tarde rebatizado Ajuste de Contas, passou 468 milhões de vezes na Sessão das Dez, do SBT. Sempre "Pela 1ª vez na televisão"®. Não conseguia largar até a luta de Norris contra o gigantesco Professor Toru Tanaka (primo do Oddjob, de 007). Ainda era o Norris raiz, sem el bigodón característico.

Fúria Silenciosa trazia o Chuck se aventurando no gênero slasher, em alta na época. Esse era hors-concours no Domingo Maior da Globo e me deixava absolutamente apavorado. Não era pra menos, o grande Brian Libby estava aterrorizante como o psicopata John Kirby. Tá aí o próprio Stephen King que não me deixa mentir. Só sossegava (mais ou menos) depois que o Chuck finalmente aplicava um corretivo no arremedo de Michael Myers. O problema é que depois ainda tinha aquele final...

São duas ótimas opções para uma sessão especial, junto com McQuade, Perigo Mortal (onde ele sai na porrada com um demonho!) e os dois primeiros Braddock. Serão minhas próximas paradas, depois que revisitar um ou dois Chucks raiz.


Thank you for everything, Chuck Norris.

quinta-feira, 19 de março de 2026

Operação Judoka

Ainda bolado com o trailer do Lanterna Verde descaracterizado? Não se desespere! (ou talvez só um pouco)


Desde a sua criação, o Judoka não teve missões fáceis. O personagem foi idealizado e quadrinizado em 1969 pelo trio Pedro Anísio, Monteiro Filho e Eduardo Baron a pedido da EBAL para cobrir a saída do popular Judomaster, da DC. Apesar do desafio, nosso homem de verde se saiu bem o suficiente para ganhar uma adaptação para o cinema em 1973. Pioneiro é pouco. Mas as adversidades não deram trégua.

Dirigida pelo escritor, compositor e thelemita Marcelo Ramos Motta, a produção foi bastante caótica e acabou naufragando nas bilheterias – consta que só durou uma semana em cartaz. Com o passar dos anos, adivinha, o longa foi dado como lost media.

Supervilões da vida real à parte, o filme parece uma diversão só, especialmente na perspectiva de hoje. Uma joia trash BRxploitation. Pedro Aguinaga, "o homem mais bonito do mundo", hipercanastrão como o Judoka e a presença da saudosa Elizângela (então um brotinho de 19 anos) devem ter rendido uma química impagável. As figuras cartunescas do elenco de apoio, as cenas de "luta" e dubladores conhecidos da época refazendo várias vozes são a cereja.

Em 2022, o canal #LivedeQuadrinhos publicou o trailer (brilhantemente) restaurado pela Cinemateca do MAM, no Rio, a partir de uma cópia bem detonada. Parecia que a trajetória do nosso herói marcial havia encontrado seu fim, mas como toda boa história tem uma grande reviravolta, essa não foi diferente. Em janeiro último, a jornalista Heloisa Tolipan divulgou em seu site que os negativos originais do filme e do trailer foram encontrados num depósito climatizado da Cinemateca Brasileira. E, ao que parece, estão atualmente em processo de digitalização.

É torcer para isso (re)ver a luz do dia num futuro próximo. Algo que não é muito usual em se tratando da nossa querida Cinemateca Brasileira.

Mas subo o Convento da Penha de joelhos quando acontecer. Preciso assistir a porradaria d'O Judoka versus Banzo, o Lutador Negro!

sexta-feira, 13 de março de 2026

Groovy!


Set Terror & Ficção era a nossa Fangoria. Não perdia uma. Releitura sob medida para esta sexta-feira 13.

E toda força e bons pensamentos para o Bruce Campbell!