quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

A sina do aventureiro


José Mojica Marins
(1936 - 2020)

Difícil sequer começar a entender como uma figura como Mojica, o mítico Zé do Caixão, se integra ao imaginário popular brasileiro. Mais do que isso, como criou sua própria mitologia e viveu seu próprio folclore. Talvez por sua natureza autodidata e aventureira, que o tornou possível num país onde tudo sempre pareceu impossível. Talvez por forças ainda mais obscuras...

Precisaram um livro e uma série para sintetizar uma boa parte da carreira do cineasta, mas apesar de essenciais, desconfio, nem arranharam a superfície. Ainda acho que as melhores pistas para desvendar os enigmas do "Homem Superior" estão mesmo nos seus filmes.

Já vou organizar a coleção para uma exploração minuciosa no iminente período da Festa da Carne.


No meu ponto de vista, melhor tributo não há.

Muito obrigado por tudo, Zé do Caixão!

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

A Marvel fazia essa mágica

Sob o risco de cometer um post "no meu tempo é que era brabo" de velhusco reclamão, vamos lá: curtir quadrinhos hoje é sopa no mel. Com toda a exposição e aquiescência que só o mainstream pode oferecer, agora é tranquilo sair por aí com uma camisa do Coringa, assistir um filme da Marvel no cinema, passar numa comic shop e pegar uns gibis na volta. No meu tempo é que era brabo.

Se hoje pouco se discute a condição dos quadrinhos enquanto forma de arte séria (quiçá se discute ainda), há uns 30 anos o preconceito do mundo adulto contra os gibis era mato. Não importava se fosse Watchmen ou o Demolidor do Mazzucchelli. Passou dos seis anos e ainda lia "revistinha", boa coisa não era.

Naquela época, muito antes da Internet, montar uma defesa de caso era difícil. A ingenuidade e inexperiência argumentativa da juventude não ajudavam.

Talvez por isso, uma certa propaganda da Abril tenha funcionado tão bem comigo.


O anúncio "A Marvel Faz essa Mágica!" saiu brevemente na 2ª metade dos anos 1980 nos títulos da linha adulta da editora - especificamente nos magazines Aventura e Ficção e A Espada Selvagem de Conan. O texto narrava a experiência imersiva de ler quadrinhos numa perspectiva lúdica e quase onírica (quem nunca?), enquanto a ilustração de um jovem adulto lendo revistinhas no intervalo do trabalho era um vislumbre da aceitação e da normalidade que eu tanto desejava para a minha relação com os quadrinhos.

Era a minha peça publicitária predileta sobre HQs, mesmo que relegada ao lado interno das capas (pregando, então, para convertidos, mas que se dane). Sempre ficava vários minutos admirando aquele conceito pseudo-interativo antes de embarcar no gibi propriamente dito e... participar das aventuras.

O autor da (para mim, icônica) imagem é o ilustrador brasileiro Carlos Franco. Ok, Sherlock, o mesmo nome que está na plaquinha de identificação na mesa do "jovem adulto", mas a carência de informações sobre ele me deixava na dúvida. Ainda assim, descobri que o artista trabalhou nas duas edições da Ação Policial, antologia de contos da Abril lançada no mesmo período. A assinatura e o estilo de pintura são inconfundíveis.

O que eu não sabia, no entanto, era que a arte do Carlos Franco se tratava de um genuíno "after" Steve Leialoha.


A promo "Marvel Makes the Magic!" foi lançada em 1984, como parte de uma campanha de popularização dos quadrinhos entre o público adulto da Marvel (estratégia também adotada por outras editoras). A peça teve alta rotação nas páginas da maravilhosa Epic Illustrated - versão da Marvel para a Heavy Metal clássica - e também em pôsteres exclusivos para o mercado americano.

Leialoha já era um veterano da Marvel àquele ponto, contabilizando trabalhos em Marvel Team-Up, Howard the Duck, Star Wars, Adam Warlock e finalizando Carmine Infantino em Spider-Woman (sem contar Sandman e seu Eisnerizado trabalho em Fábulas, mais pra frente). A ilustração pouco difere da composição posterior de Franco, mas fica evidente a cada pincelada que é mais obra de um arte-finalista que de um desenhista.

O que eu não sabia, no entanto²... é que mesmo a arte de Steve Leialoha seguia a estrutura e as marcações concebidas pelo arte-finalista e colorista Tom Palmer em seu original nunca publicado.


Um autêntico visionário e o verdadeiro criador da coisa toda, vamos dar o crédito.

Mas a inesquecível versão de Carlos Franco foi a melhor...

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Feliz 50 anos, Black Sabbath!

Não ia passar batido pelo cinquentenário da música, do disco... do início de tudo.


Evocativa e arrepiante até hoje. Game-changing é isso aí.