sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Isso é a vida real? Isso é apenas fantasia?


Quando o assunto é "filme sobre bandas", uma penca de produções marcantes me vêm à mente: o anárquico Isto É Spinal Tap (This Is the Spinal Tap, Rob Reiner, 1984), o indie Pé na Estrada (Bandwagon, John Schultz, 1996), o nostálgico Quase Famosos (Almost Famous, Cameron Crowe, 2000), o memorável Escola de Rock (School of Rock, Richard Linklater, 2003), o divertido telefilme A Era do Rock (Pop Rocks, Ron Lagomarsino, 2004) e até o besteirol Os Cabeças-de-Vento (Airheads, Michael Lehmann, 1994), entre alguns outros. Todos, sem exceção, sobre grupos fictícios.

Nessa área, provavelmente o mais honesto band movie já feito seja The Commitments - Loucos pela Fama (1991), de Alan Parker, sobre uma banda que, além de nunca ter existido, quebrou o pau e terminou antes mesmo de almejar qualquer coisa. Justo.

Daí fica fácil ver o grande problema de uma biopic sobre uma banda real: condensar em duas horas a natureza caótica, instável e quase sempre contraditória desse bicho muito doido. Pior, formatar isso numa narrativa cinematográfica palatável para zilhões de espectadores sem distorcer (muito) a realidade. Quem chegou mais perto foi o doidivanas Oliver Stone, no controverso The Doors (1991) encaçapando em catarses e montagens a porralouquice lisérgica das portas da percepção - ainda lembro de sair do cinema trocando as pernas - mas não sem quebrar alguns ovos no processo.

Com essa perspectiva, o que Bohemian Rhapsody (2018) faz com a história factual do Queen é um festival internacional do omelete.

Não é à toa que críticos mais austeros e jornalistas musicais se enfureceram com a produção. É realmente uma das cinebiografias menos acuradas da paróquia. Acontece de tudo: histórias radicalmente alteradas ou simplesmente inventadas, personagem-chave que nunca existiu, distorções cronológicas inacreditáveis, omissões graves e por aí vai. Uma parte dá pra entender e perdoar. Outra parte dá só pra entender. E outra parte não dá pra perdoar.

A bagunça veio do berço. A produção já estava bastante problemática com a escalação de Sacha Baron Cohen em 2010, que saiu três anos depois - e até hoje ainda fala um monte. Em seguida, a demissão do diretor Bryan Singer no final de 2017, após completados 2 terços do longa, e a contratação às pressas de Dexter Fletcher, do vindouro Rocketman, a cinebio de Elton John. E como se não bastasse, a marcação cerrada (e errada) das rainhas remascentes Brian May e Roger Taylor nos rumos do filme.

Com tudo isso, o resultado final de Bohemian Rhapsody chega a ser surpreendente. Motivo: o próprio Queen. Seu "tipo de mágica", sua essência, está lá, impregnando cada frame do longa.


As deliciosas cenas de experimentações/criações musicais emulando zeitgeits e gêneros diversos com intros visuais em toda a sua glória retrô (uma bonita sacada da pós). As personificações fidelíssimas de Gwilym Lee, verdadeiro clone do May, de Ben Hardy como Taylor (e que também daria um perfeito Lars Ulrich saído de uma auditoria contra o Napster) e de Joe Mazzello como o reservado baixista John Deacon .

Além, claro, do indefectível Rami Malek como Farrokh Bulsara, o inesquecível Freddie Mercury - a razão disso tudo aí e a voz de trovão que pôs de joelhos todas as gerações de meados da década de 1970 até há poucos anos... antes de smartphones e redes sociais se tornarem pandemia e saírem emburrecendo geral.

Mas pela reação efusiva do público jovem presente na sala, esta guerra não está perdida. Ainda.

Da parte das distorcidas que "dá pra entender e perdoar", fico com o cameo de Mike Myers como o pragmático executivo da EMI Ray Foster - o tal personagem-chave que nunca existiu. Seu papel é simbólico, óbvio e absolutamente necessário para a fluidez do filme.

Não é preciso ser um gênio pra presumir que a insistência da banda em fazer de "Bohemian Rhapsody" sua música de trabalho certamente tirou o sono dos executivos da gravadora à época. Ao invés de jogar dezenas de yuppies engravatados em cena, o filme espertamente se concentra numa só entidade. Boa estratégia que cobre os efeitos dramáticos ao mesmo tempo em que sintetiza a velha treta "Rock and Roll vs. Establishment" de tempos mais românticos.

E, principalmente, faz justiça com Myers e sua inestimável contribuição pessoal na trajetória do hit - que voltou às paradas americanas em 1992 graças a uma sensacional cena sua em Quanto Mais Idiota Melhor (Wayne's World, Penelope Spheeris). Para tanto, o ator enfrentou circunstâncias muito similares às da própria banda no lançamento do clássico. Pode se dizer que ali foi fechado um ciclo.

O famoso milagre de Hollywood, quem diria, às vezes acontece.


Sobre apenas "entender", leia-se: o-caos-cronólogico-provocado-pela-escolha-do-clímax - a histórica apresentação do Queen no Live Aid em 1985. Por razões dramáticas, o filme não só descontextualiza os bastidores do show, como faz uma ponte descabida com a hora mais sombria da vida de Freddie.

E o mais grave: evitando negligenciar a apoteótica passagem do Queen pelo Rock in Rio naquele mesmo ano, o filme credita à Cidade Maravilhosa o show da banda no estádio do Morumbi (SP) quatro anos antes, em março de 1981 - que também foi importante por ter sido o maior público registrado até então em show de uma única banda, mas que ainda está longe do impacto que o evento dos Medina teve na cultura pop mundial.

Essa parte foi imperdoável.

Mas funcionando como uma estranha constante, em Bohemian Rhapsody os fins quase sempre justificam os meios. É tocante a cena de Freddie na saída de uma clínica e o momento em que ele se abre para os companheiros de banda. A reconstituição milimétrica da apresentação no Live Aid em quase a sua totalidade é de tirar o fôlego na tela grande. Mereceu mesmo a honra de encerrar esta grande noite na ópera (-rock).

Após o filme, é inevitável um Queen fever, por dias a fio. E vindo de alguém que cultiva essa febrezinha há uns bons 33 anos...


Antes da sessão fiz um pré-aquecimento para saudar a Rainha como se deve.

Primeiro, com a imensa comoção no show do grupo na São Paulo de 1981... Não dá pra deixar de destacar a arrepiante cumplicidade do público em "Love of My Life", homenageada e (bem) elaborada no filme, ainda que dentro de uma bizarra digressão de tempo e espaço.


Depois, nada melhor que uma viajada em Queen Rock Montreal, em show registrado no fim de 1981. Mercury, May, Taylor e Deacon em seu auge técnico e lírico, numa de suas últimas apresentações sem uso de efeitos e músicos de apoio. Só o básico em direção à genialidade.

Simplesmente magnífico.


Claro que não podia deixar de faltar o icônico show do Rock in Rio. Era janeiro de 1985 e testemunhávamos o 1º mega-evento pop de um Brasil ainda provinciano e afundado nas trevas do atraso. Aquele novo e excitante mundo, já bem conhecido lá fora, estava começando a chegar aqui em alto e bom som - ou quase.

Não é exagero afirmar que Freddie Mercury e o Queen foram os garotos-propaganda daquele nosso iniciozinho de era.


Pra finalizar, o antológico show do Queen no Live Aid. Evento beneficente gigantesco e polêmico por si só, merecia um longa-metragem temático à parte. Melhor ainda: uma série padrão HBO e juridicamente blindada.

Recém-saída do Rock in Rio e exaurida pela extensa turnê mundial do álbum The Works, a banda subiu ao palco e lutou a boa luta por uma causa justa. Mesmo em condições físicas adversas e num contexto bem diferente do que estava acostumada, com 20 minutos disponíveis, prensada entre Dire Straits e David Bowie e enfileirando hits como se fossem os Ramones.

Mas, como uma perfeita reviravolta cinematográfica, o Queen veio, viu e venceu, visceral.


Não é só senso comum achar que o Queen roubou o show: sua apresentação foi realmente votada como a melhor performance rock de todos os tempos por insiders da indústria. Eu, que já a reassisti mais vezes do que o sensorial recomenda, não ouso discordar.

God save thanks for the Queen!

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Thank you for everything, Stan Lee!

E realmente chegou o dia.


Stanley Martin Lieber
( 1922 - ∞ )

Está lá no site da Marvel:

"Eu costumava ficar envergonhado porque era apenas um escritor de quadrinhos enquanto outras pessoas estavam construindo pontes ou seguindo carreiras médicas. E então comecei a perceber: entretenimento é uma das coisas mais importantes na vida das pessoas. Sem ele, elas podem parar no fundo do poço. Eu sinto que se você é capaz de entreter, você está fazendo algo bom."

Mesmo com todos os motivos (e mais um pouco) para se proclamar o Mestre do Universo, Stan Lee sempre foi dono de uma sobriedade e autoconsciência inspiradoras. É muito mais do que se pode dizer de um mar de pretensos geniozinhos deslumbrados com a própria fama - que, como bem dizia o Zéfiro, é uma coisinha efêmera e nada mais. Titio Stan sempre soube disso e pautou sua carreira artística/profissional com um foco e um pragmatismo de fazerem a Ayn Rand parecer a Janis Joplin.

Muito por isso - ou por má-interpretação disso - a vida de Stan Lee foi tão repleta de lendas, malandragens, disputas e controvérsias com outros quadrinhistas, editoras e até com o governo americano que qualquer tentativa de listar uma parte delas cometeria graves omissões. Basta dizer que, por bem e por mal, ele deixou sua marca nesse mundo.

E que marca.

Criador brilhante da aurora dos comics enquanto business de massa, muitos o consideram tão importante e influente quanto Walt Disney - pessoalmente, eu considero mais. Entre tantos personagens e universos, Stan Lee foi um escritor divertidíssimo nos deliciosamente anacrônicos Capitão América, Homem de Ferro e Hulk, ousado e visionário nos X-MenQuarteto Fantástico e Pantera Negra e um gênio no Homem-Aranha, indiscutivelmente seu pièce de résistance.

E nunca parou de surpreender: a magnífica "Surfista Prateado: Parábola", que acaba de completar 30 anos, já detalhava quadro-a-quadro o sombrio momento atual do nosso país e do mundo. Atemporal é pouco.

Provavelmente foi essa mesma inquietação e força imaginativa que o manteve vivo, relevante e produtivo num mercado tão instável, imprevisível e traiçoeiro como o mundo dos quadrinhos. Mais do que um roteirista, editor e produtor, Stan Lee se dissociava completamente de sua persona física: ele era seu próprio personagem.


E o melhor de todos.

A pilha de gibis que me perdoe, mas o momento é de reflexão e releituras. E sei exatamente por onde recomeçar.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Sangue de Conan tem poder

Em que caverna eu estava que só agora fui saber da existência disso?


Quase-existência, pra ser exato.

O megadoc A Riddle of Steel: The Definitive History of Conan the Barbarian, que explora as várias nuances do cimério pelo universo pop, dentre as quais o cultuado filme de John Milius e Arnold Schwarzenegger, começou a ser produzido no início de 2015 - este "teaser em processo" é de março do mesmo ano.

Ou seja: atualmente o projeto jaz no temível limbo on hold dos documentários independentes.

Desde então, os cineastas indie-barra-canadenses Randall Lobb, Mark Hussey e Isaac Elliott-Fisher vêm batalhando pra finalizar o projeto em sanguinárias batalhas contra horas de conteúdo pendente e os cães pictos das distribuidoras, conforme atualização em post de 1 ano na página oficial do filme no Facebook.

Good day to our AROS friends!
I know it's been a while since we've been able to share any information, and sadly, we're still on hold, but I wanted to reach out and catch up and give you what I could...
We've recently taken a run at our six hour rough assembly (REALLY rough) and without too much gnashing of teeth, we made some great progress in tuning the narrative.
This process has revealed to us a few things, a few of which I am able to share.
1. We need more content for the Milius Conan movie. And yes, that includes Arnold, but there are a few other people we really need to sit down on camera to make that section work.
2. We shot a lot of awesome B roll! This documentary looks great, if I do say so myself, and that is largely due to the skills of our DP and Definitive Film partner, Isaac Elliott-Fisher.
3. The Conan story is ongoing. There are things happening now (and over these past months) that we would love to cover and include in the doc. One more round of production should get us there, but man, there's a LOT of Conan out there!
I wish I could tell you more, but we really need to be circumspect and careful because we hope to time what we're doing with wider franchise activity. Documentaries like ours work best when there are other things going on.
We've learned from some of our other efforts that, in the absence of a bigger push in the IP, distribution companies are skittish.
We've also learned that we always have some work to do in getting the word out that our deep-dive documentaries are much more than "fan docs" and as rich as they are, they also have a wider appeal for general audiences.
Sorry for the size of the update, but after talking to Isaac last night about how long we've been working on this particular film, I really wanted to reach out do my best to be transparent.
Please be patient and stay tuned for more info, which I'll share when I can.
And it would be awesome if you could step on over to our Definitive Film page, give us a like and a follow, and find out what else we're doing with pop culture docs!

Não tá fácil nem no Canadá.

Pelo relato, a equipe também aguarda um hype maior do personagem no mainstream, o que comercialmente é uma boa jogada, mas que pode deixar o filme mais uns bons anos sem ver a luz do dia. Por um ângulo mais otimista, na página do filme no IMDb, o lançamento foi (re)programado para agosto do ano que vem.

Que Crom abençoe a agenda e o orçamento dos documentaristas. Torcida aqui é que não vai faltar.

O cast de entrevistados é matador: Roy Thomas, Mark Schultz, Sal Buscema, Kurt Busiek, Boris Vallejo, Julie Bell, Rusty Burke, Frank Frazetta Jr., Mike Richardson (da Dark Horse), entre outros. O alcance sobre livros, games, pinturas, quadrinhos e memorabílias é impressionante. Até mesmo o seriado noventista tosco é lembrado. Imperdível.

Para fanáticos pelo filme de 1982, como este que vos rabisca, o doc parece particularmente promissor, com novas infos, perspectivas e material de arquivo inédito. Mais do que isso, pode ser um complemento de luxo para o belíssimo documentário Conan the Barbarian Unchained, que veio nos extras do DVD nacional.

Por fim, A Riddle of Steel também conta com a pior analogia já criada para descrever Conan:

"Ele é uma combinação de motoqueiro e Jesus" - Fredrick Malmberg

Jesus.²

Preciso assistir isso.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Welcome home, HALL🎃WEEN!


Halloween é um filme pouco compreendido. Especialmente aos olhos mais jovens. Dou um desconto para a geração "not impressed": mesmo imerso em projeções e chafurdações sobre a época, é difícil mensurar o impacto que a obra de John Carpenter e Debra Hill teve quando foi lançada em 1978. Uma produção B de 90 minutos com um assassino mascarado trucidando adolescentes não era dos projetos mais arrojados. E tampouco inédito. Mesmo assim, rendeu uma bilheteria mais de duzentas vezes maior que o seu orçamento.

Porém, Halloween não foi o primeiro de sua espécie. O gênero slasher já existia na prática há pelo menos 4 anos, com O Massacre da Serra Elétrica. E em conceito, desde as insanidades do Grand Guignol, ainda no século XIX, e atualizadas em 1931 com M, o Vampiro de Düsseldorf. Nem precisa tanto: estabelecendo o Big Bang estilístico-sanguinolento em 1960, com os clássicos Psicose e Peeping Tom, já está de bom tamanho.

Então, por que a comoção? Meu palpite: a ambientação.

Já comentei isso antes. Na época, o cinema de horror ainda era atrelado a lugares distantes, estranhos, inóspitos - ou tudo isso ao mesmo tempo. Florestas, castelos no leste europeu, mansões e até os cafundós do Texas. Nada muito próximo da rotina da vida urbana. As raras exceções só confirmavam a regra (e eu diria que O Exorcista foi o 1º passo nesse sentido). Com Halloween, Carpenter e Hill transportaram o horror para dentro do subúrbio e suas ruas, esquinas, quintais e casas.

Michael Myers espreitando entre arbustos, edículas e as roupas no varal era a certeza de que o terror finalmente estava chegando até a vida real. A influência foi longeva e completa agora um ciclo macabro, exatos 40 anos depois, no Halloween 2018.


É de admirar que o diretor David Gordon Green junto com Jeff Fradley e o comediante Danny McBride tenham concebido uma história tão climática quanto a original, destacando a natureza atemporal da premissa, mesmo numa época tão "conectada". É algo que nem a dupla Carpenter/Hill conseguiu reeditar totalmente no meio-bom Halloween II (1981), nem as suas outras seis irregulares sequências, nem o controverso e bom remake e nem a continuação ruim desse controverso e bom remake.

Obviamente, para que a coisa funcionasse, toda a tralha narrativa acumulada na franquia foi sumariamente ignorada. A ordem é back to the basics - ou, no caso, ao 1º filme.

Quatro décadas após aquela noite pavorosa, a final girl seminal Laurie Strode amarga uma realidade pós-traumática, armada até os dentes num muquifo isolado, em permanente estado de alerta. A vida seguiu, contudo: ela tem uma filha, Karen, e uma neta, Allyson, das quais se viu afastada devido ao seu comportamento paranóico e superprotetor. Ela sabe que é só uma questão de tempo até Michael Myers vir ao seu(s) encalço(s).

Durante todos esses anos, Michael (James Jude Courtney e o "Shape" original Nick Castle) esteve internado num rehab judiciário completamente mudo e sem reação. Um verdadeiro enigma para o psiquiatra Ranbir Sartain, que assumiu o caso após o Dr. Loomis. Até que um dia, um casal de podcasters arranja uma entrevista com Michael sobre aquela fatídica noite de Halloween... e o resto é a história.

É uma delícia ver Jamie Lee Curtis revisitando sua inesquecível personagem de estreia nos cinemas com toda a cancha e timing dramático de veterana. Dá quase pra comentar que "ela está se divertindo muito no papel", o que implicaria que ela não estaria levando nada daquilo muito a sério - e é exatamente o contrário, oras! Mesmo contido, o trauma de Laurie é tão palpável quanto um muro chapiscado e seus TOCs reativos - particularmente quando confrontada na cena da entrevista e, depois, no restaurante - já trafegam muito ao longe de uma mera atuação.

É uma mestra.


Judy Greer (a filha) e Andi Matichak (a neta), embora não pareçam a priori, também são um elemento essencial nesse enredo - possivelmente representando uma revisão atualizada da mensagem da série. E são igualmente parte de um dos melhores aspectos do filme: o storytelling, essa grande arte perdida.

Da babysitter gente-fina (Virginia Gardner), à dupla de podcasters (Jefferson Hall & Rhian Rees), ao marido de Karen/pai de Allyson (Toby Huss) e mais alguns outros: são todos bem escritos, respiram e têm ideias. Nenhum deles, por mais esquemático e figurativo que seja, soa aborrecido ou desinteressante. Em suma, ninguém tem cara de presunto ou merece morrer por ter sido mal-comportado, nem nada parecido.

Will Patton como o xerife Frank Hawkins claramente se sabe onde vai dar, apenas porque é o Will Patton ali - algo parecido com uma escalação do Sean Bean pra qualquer papel. E uma boa surpresa foi o veterano ator turco Haluk Bilginer como o Dr. Sartain, responsável por alguns minutos de puro WTF?! durante o filme. Esse deve virar a noite no carteado.

Halloween traz uma batelada de referências e tributos ao original, incluindo flashbacks e até momentos que mimetizam frame-a-frame algumas cenas do filme de 1978 (Laurie entediada na aula ontem é a Allyson entediada na aula amanhã). Também temos alguns easter-eggs relacionados às sequências e até uma alfinetada no parentesco entre Laurie e Michael empurrado pelo filme II. Boa.

Embora Laurie padeça da "síndrome de Sarah Connor em T2", o recurso é utilizado de forma muito mais profunda e tridimensional. Quando finalmente percebemos do que realmente trata a psique em frangalhos de Laurie, nossa percepção é alterada o suficiente para apostarmos em quem é o caçador e quem é a caça naquele cenário - ou melhor ainda, quem é o bicho-papão.

Ao meu ver, a ideia de ter assistido a um bogeyman versus bogeywoman fica mais do que justo.


Não é apenas pela dica do pós-créditos: Michael Myers provavelmente voltará. Ele que se cuide.

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Ele está voltando pra casa...


Tensão e expectativa beirando o insuportável aqui.

Também não é pra menos. Halloween é vida. Ou nossas vidas, já citando as sábias palavras de Trent Reznor:
"Estávamos quebrados e marcados, genuinamente com o cu na mão e essa trilha fincada em nossas cabeças. John Carpenter, é culpa sua eu ter me tornado desse jeito."
Idem, menino Reznor, idem.

Sessão da meia-noite logo mais é claro que virá direto de 1978...

domingo, 14 de outubro de 2018

Hulk esmaga o Homem-Aranha!


Mandamento #616 dos gibis da Marvel: enfrentar o Hulk é o mestrado para todo super-herói que honre sua cueca, esteja ela por baixo ou por cima da calça. No mínimo estabelecerá sua perseverança frente às intempéries e elevará sua moral aos olhos do público - apesar da demonstração de coragem perturbadoramente suicida.

Muitos já deixaram sua estrela na Calçada Gama: Matt Murdock, Steve Rogers, Tony Stark, Thor Odinson, Norrin Radd, Blackagar Boltagon, Mar-Vell - só em Hulk Contra o Mundo, o Professor Verdão distribuiu todas as bordoadas e pós-graduações ainda pendendes no elenco principal da editora. Um verdadeiro gamma party.

Isso sem mencionar o James Howlett, PhD em Hulkonomics desde o dia um. Vamos contar quantas páginas até o redivivo Carcaju bater de frente com o Gigante Verde outra vez.

Mesmo com essa extensa e diversificada galeria de combates, há que se destacar a teimosa resiliência de um certo aracnídeo. Por algum motivo que só o Sombra sabe, a vida do Homem-Aranha foi e ainda é marcada por confrontos ridiculamente desiguais. O Teioso coleciona embates contra pesos-pesados imparáveis, numa lista de brutamontes que vai do Rino e Mr. Hyde até Fanático e... bem...


A química entre o Hulk e o Homem-Aranha vai muito além do óbvio contraste físico. Vem desde o conceito, da forma como funcionam tão bem sozinhos e ainda melhor quando se encontram. Há algo de marcante e natural nesses crossovers que é simplesmente contagiante. Certamente, uma das maiores e melhores combinações da cultura pop.

Mas admito, sou suspeito: os primeiros gibis que li nesta vida foram desses dois. E felizmente, não estou sozinho.

Foi papeando com o parceirão VAM!, da Batdeira, sobre esse autêntico Davi contra Golias Pós-Moderno que viajamos num projeto de um mega-encadernado discretamente entitulado Hiper-Almanaque Marvel - Hulk Esmaga o Homem-Aranha!

Que rufem os tambores... turudurudurudurudurudummmm...


Clique para hulkificar a capa!

A ideia geral era elaborar uma seleção com as quinze (!) lutas mais divertidas entre o Cabeça de Teia e o Golias Esmeralda. Com o layout e a diagramação cirúrgicas do VAM! tentei sintetizar a ideia toda no expediente.

E acho que, em parte, consegui - com a elegância e a sutileza de um locutor de rodeio.

- O que me fez divagar sobre essas duas forças nascidas da radioatividade em meio às ansiedades da Era Nuclear e da paranoia da Guerra Fria... Seriam estes os verdadeiros "Filhos do Átomo"? Só o Dr. Samson explica.

À seleção e avante!


The Amazing Spider-Man Annual #3 (nov/1966)


Com o enredo nonsense do titio Stan Lee, o traço de Don Heck e uma tremenda bananosa pro Aranha, a história "...To Become an Avenger!" traz o nosso herói sendo atropelado pela famosa "sorte Parker": é sondado pela playboyzada dos Vingadores para se tornar um membro full time, mas antes precisa arrastar o Hulk de volta à equipe para provar que merece a vaga. Praticamente uma pegadinha do Mallandro. Rá!

Essa história saiu por aqui no #9 da série Spider-Man Collection (set/1996), uma das picaretagens mais caras já cometidas pela editora Abril (✞).

Momento Vai Teia!: Aranha derrubando o Hulk com 1 soco! - calma, tem contexto, tem contexto...


The Amazing Spider-Man #119-120 (abr-mai/1973)


Duas edições que são um bálsamo para o maltratado coraçãozinho dos marvetes mais velhos: as histórias "The Gentleman's Name Is... Hulk!" e "The Fight and the Fury!" têm roteiro de Gerry Conway e a arte inesquecível do genial John Romita na 1ª parte. Às voltas com um Norman Osborn em vias de relembrar seu lado Duende e com a Tia May nos braços do galã Otto Octavius, Petey precisa urgentemente dar um tempo de NY. Destino: Quebec. E chega lá justo quando o Hulk e o General Ross estão quebrando o pau... ou melhor, quebrando a taiga inteira. Se combinassem, não daria tão certo.

Cinco anos depois, a história foi republicada de forma mais autocontida, com algumas páginas diferentes e capa de John Byrne em The Amazing Spider-Man Annual #12.

Essa HQ fez uma verdadeira turnê brasileira, sendo publicada pela EBAL, Bloch, RGE e Abril.

Momento Vai Teia!: as últimas preces do Aranha.


Marvel Team-Up #27 (nov/1974)


Aqui, Jim Mooney mostra que a média dos desenhistas da época limpa o chão com a média atual e Len Wein dá uma aula de continuidade na história "A Friend in Need!". Na trama, o vilanesco Camaleão joga um verde no Hulk (ops!) pra livrar um amigo do xadrez. E adivinha quem estava por lá cobrindo uma reportagem ao lado do próprio J.J. Jameson? O final da história é inesperado e dramático.

Saiu aqui pela RGE e pela Abril.

Momento Vai Teia!: é do Hulk, que resistiu impávido e colosso à malandragem da detentaiada.


Marvel Team-Up #53-54 (jan-fev/1977)


Dando uma respirada da pancadaria aracno-gama, vem a parceria de Bill Mantlo e John Byrne em "Nightmare in Mexico!"/"Spider in the Middle!". O Cabeça de Teia está voltando pra casa após uma pelada com os X-Men e acaba baldeando numa cidade-fantasma do Novo México. Lá, se vê no meio de um salseiro-monstro envolvendo o Hulk, o Pã punk Deus da Mata e uma operação top-secret do governo. Aventura com clima dos filmes setentistas de contenções/acobertamentos militares estilo The Crazies e O Enigma de Andrômeda.

É indicada especialmente pra quem tinha aquela edição comemorativa de Capitão América #100 e até hoje não entendeu como diabos o Teioso tinha ido parar na Lua (!). Ao contrário da Abril, a RGE fez o dever de casa e publicou a passagem completa desse arco (MTU #53-57) - com uma traduçãozinha bem meia-sola, diga-se, mas ninguém é perfeito, né mermo.

Momento Vai Teia!: Aranha, esse Deadpool de raiz, libertando o Hulk com um peteleco.


Marvel Team-Up Annual #2 (out/1979)


Num dia qualquer no início de 1979, Chris Claremont saía de um cinema apavorado com o filme Síndrome da China. Em casa, liga a tevê pra relaxar um pouco com o seriado do Hulk, mas o episódio que passava era "Earthquake Happens". Em pânico, vai à varanda tomar um pouco de ar e ler o jornal. Manchete da 1ª página: "Acidente em Three Mile Island".

Só um tratamento de choque desses para explicar a história "Murder in Cathedral Canyon!", com desenhos de Sal Buscema e Alan Kupperberg (grafado "Kupperburg" no gibi - que vergonha, Marvel). Na trama, a namorada de Peter e o pai dela são raptados por um trio de supersoldados soviéticos - mas a situação é ainda pior do que parece: o sogrão é um cientista que acabou de criar a fórmula da bomba de antimatéria. Começa então uma desesperada corrida contra o tempo, com ajuda do Verdão e de um militar russo fã do Tex Willer.

Inspirado e preocupadíssimo, Claremont claramonte, ops... claramente estava engajado na questão. Fora as referências explícitas ao acidente na usina de Three Mile Island, a história é bem mais calcada em temas reais do que o padrão da época - lembrando que se tratava da já cinzenta e politizada Era de Bronze dos comics.

Vale reproduzir o balão final, um libelo pacifista do escritor:

"Para mudar as coisas, Homem-Aranha, a humanidade -- como um todo -- deveria levantar e dizer 'Chega de Bombas'. Deveríamos aprender a viver em paz uns com os outros. Francamente, meu amigo, não acho que temos esse tipo de coragem."

Essa foi publicada aqui pela RGE há quase 40 anos. Merecia uma reedição.

Momento Vai Teia!: o Aranha dando uns tapas na cara do Banner pra invocar o Hulk era um franco favorito, mas fico com a inteligência do Petey impressionando até o nerdão-mestre Reed Richards - ei, pessoal que faz os filmes, lembrem-se disso!


Marvel Team-Up #126 (fev/1983)


De volta ao smash-style, pero sin perder la ternura"The Obligation!", publicada originalmente em suplemento dominical e reeditada em edição split da Marvel Team-Up - essa era a Marvel defendendo cada centavinho do cofre. Com um roteiro paulocoelhista, o polêmico Jim Shooter, então o manda-chuva da editora, parecia inspirado em velhas parábolas orientais. Num clima de conto, Peter ensina Bruce Banner e seu alter-egão o real significado de altruísmo.

Emoldurando o cenário filosofante, a arte do sumido Tomoyuki Takenaka. Que era um bom desenhista de ação com pegada mangá contida em alguns momentos, mas que em outros fazia do Peter um clone... do Speed Racer.

Essa metade do split saiu por aqui em Superaventuras Marvel #45.

Momento Vai Teia!: Peter Generoso Parker.


Marvel Fanfare #47 (nov/1989)


Michael Golden.

Pra muita gente só esse nome já basta. Compreensível: sua arte peculiar é um tour-de-force tanto quanto um Hulk descontrolado e solto no coração do South Bronx - que é justamente o que ocorre em "Renovation". O roteiro é do Bill Mantlo e se passa na fase do Hulk inteligente. Dominado por uma amoeba alienígena, o Gigante Esmeralda retorna aos seus tempos de Rampaging Hulk e só encontra pela frente uns drones da Shield e um Aranha com o pior resfriado da sua vida.

Foi publicado aqui uma única vez em O Incrível Hulk #84 (Abril).

Momento Vai Teia!:Aranha nocauteando o Hulk em estado selvagem sem ao menos encostar nele. Alguém aí andou lendo H. G. Wells...


The Amazing Spider-Man #328 (jan/1990)


Nessa sequência involuntária de artistas peculiares, vem "Shaw's Gambit", a última história do Homem-Aranha com sua majestade noventista Todd McFarlane. Até hoje há quem considere essa a versão definitiva do herói.

(...)

Esquisitices à parte, aqui é evidente o cansaço do mega-empresário na reta final. Algumas passagens ficaram tão nas coxas que até os laureados da seção "Arte do Leitor" dos gibis da Abril fariam melhor. Mas independente da minha opinião (eu curto o traço do Erik Larsen, oras, minha opinião não vale um copo de cachaça), esse é um momento histórico na cronologia do Teioso e o roteiro absurdista de David Michelinie não poderia coroar a saideira de forma melhor.

A edição faz parte da macrossaga Atos de Vingança, onde os vilões Marvel fazem troca-troca (de heróis!). Então, o Hulk fase Sr. Tira-Teima é contratado pelo mefistofélico Sebastian Shaw para eliminar um Aranha godlikeado com os poderes cósmicos do Capitão Universo. Ou seja, uma baita rabuda pro Cinzão.

Há um estranho padrão aí, já que o Sr. Tira-Teima - a versão menos poderosa do Hulk - sempre enfrenta heróis nos momentos mais overpower de suas carreiras. Carma?

Essa foi publicada em O Incrível Hulk #122 (Abril) - e no que depender das incursões da Panini no Hulk McFarleano, permanecerá assim por um longo, loooongo tempo.

Momento Vai Teia!: o Aranha colocando o Sr. Tira-Teima em órbita!


Web of Spider-Man #69-70 (out-nov/1990)


Tudo muda o tempo todo no mundo, mesmo. Em "A Subtle Shade of Green"/"A Hulk by Any Other Name", tanto o Spidey voltou com seus poderes normais, quanto o Hulk voltou a ser verde, forte e burro. Escrita pelo veterano Gerry Conway, co-escrita por David Michelinie na 2ª parte e desenhada pelo melhor-Sal-Buscema-cover-do-mercado Alex Saviuk, a trama é uma volta às raízes dos encontrões entre os dois. Hulk toca o terror numa cidadezinha e Peter vai lá cobrir a passagem do furacão verde. O problema é um incidente com o dispositivo de um vilão oportunista que termina por hulkificar o aracnídeo. Spider smash!

Essa história saiu aqui em Homem-Aranha #132 (Abril).

Momento Vai Teia!: SPIDER SMASH!²


The Amazing Spider-Man #381-382 (set-out/1993)


E após um breve comercial, voltamos com o Hulk inteligente. "Samson Unleashed"/"Emerald Rage!" têm roteiro de Michelinie e arte do Mark Bagley. Na história, temos o Dr. Samson praticando seu esporte favorito: curar o Banner. E, como sempre, errando feio. Na experiência desastrosa da vez, ele próprio se torna uma fera selvagem e, na sequência, logicamente, o Hulk. Pra remediar a situação, só o Aranha mesmo. Porradeiro honesto (quase) do início ao fim.

Ah, e alguns meses depois, Peter David decidiu que essas histórias eram apenas sonhos. Que bonito, hein, sr. David. Mas realmente ia ficar estranho meia tonelada de Hulk sentado na janelinha de um avião comum.

As duas foram compiladas em A Teia do Aranha #84.

Momento Vai Teia!: Spider-Backflip!


Peter Parker: Spider-Man #14 (fev/2000)


Da seleção inteira, a história "Denial" é a que traz o tom mais sério. Atmosfera pesarosa de luto num cenário onde o Aranha crê que sua esposa Mary Jane morreu num desastre de avião provocado pelo Hulk. Howard Mackie nunca foi nenhuma Brastemp, mas conseguiu tecer aqui uma narrativa envolvente e passional de uma situação delicada - mesmo em rota de colisão com algo tão divertido & pop como um quebra com o Hulk.

Para um roteirista, o Aranha deve ser um dos personagens mais fáceis de lidar. É instintivo. Inclusive nos momentos mais intensos e emocionais. Ele praticamente se escreve - e muito bem. Até quando você não concorda com nada daquilo.

E John Romita Jr. em grande forma é tudo o que você precisa.

Essa história saiu aqui em Homem-Aranha #6, safra $uper-Heróis Premium. Será que já existe algum livro sobre as falcatruas os bastidores da Abril em produção? Há muito o que contar ali...

Momento Vai Teia!: Aranha e a dolorida catarse gama.


C'est fini.

Editoras interessadas, estamos abertos a propostas. Podemos começar os lances a partir de 97 milhões de Trumps em títulos ao portador. Mas venham rápido antes que os verdadeiros licenciantes descubram.

No próximo Hulk Esmaga: as pedras vão rolar...

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Dia das Crianças nada selvagem

E então, a Salvat anunciou aos assinantes da coleção A Espada Selvagem de Conan que a série mais uma vez será adiada. Ou seja, o que já era ruim, acabou por encher meu coração com sentimentos pouco humanitários.


Lá vão meus 5 cents: desde a suspensão da distribuição em bancas dos títulos da editora... que já não eram muito assíduos por lá... ficou evidente a possibilidade de adiamento e até de cancelamento da coleção. Colocando um pouco de lado as paixões e a sensação de bolada nas costas, é compreensível a decisão da Salvat - e também da Mythos, que foi igualmente ligeira em colocar o revólver de volta ao coldre.

Nenhuma empresa adotaria um prejuízo de estimação só pra fazer a alegria do público. E não há engenharia financeira no mundo que contorne este cenário de incertezas. Mas o didatismo da situação é gritante.

A implosão da Abril/Total deu uma aula sobre os perigos de um mercado mal-regulado, com baixa competitividade e vulnerável à ações de cunho monopolizante. E isso é o sintoma de um problema maior, mais complexo e muito mais grave do que ver o prazer de ler um gibizinho do bárbaro se esvaindo pelo ralo - embora, para mim, seja motivo mais que suficiente para um levante popular massivo exigindo Ragnarök-Já.

Pelo (não) visto, a aguardada reedição de A Espada Selvagem de Conan fica pra próxima. De novo. Se tivermos sorte. Ano que vem? Só Crom sabe.

Para um velho guerreiro cimério sobrevivendo em terra arrasada brazilis, esse é mais um assunto que pesará sobre a sua preocupada cabeça...


Ai, ai. Que dias.

Por obséquio, alguém poderia verificar se no último final de semana foi lido algum texto sumério escrito com sangue ou se abriram acidentalmente algum portal para o reino de Cthulhu?

Folheadão na quadra inicial e, talvez, final
A Espada Selvagem de Conan - A Coleção vol. 1
A Espada Selvagem de Conan - A Coleção vol. 2
A Espada Selvagem de Conan - A Coleção vol. 3
A Espada Selvagem de Conan - A Coleção vol. 4




Enquanto isso, nos Trumps Unidos da América...


Novo run de Savage Sword of Conan pela Marvel com escritos de Gerry Duggan (Deadpool: Meus Queridos Presidentes), desenhos de Ron Garney (habituée no Demolidor de Charles Soule) e, malditos cães pictos, cores de Richard Isanove (Marvel 1602). Independente do resultado, momento histórico por si só.

Lançamento programado para fevereiro de 2019. Lá tenho certeza que sai.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

O meio do fim



Lembro da época em que interromper um bom papo para checar mensagens no celular era considerado uma grosseria capital. Bons tempos. Hoje vemos essa ferramenta que deveria ser maravilhosa e unificadora desmantelando não só as relações entre as pessoas, mas o futuro de nações.

Não tenho celular, mesmo com todos os inconvenientes inacreditáveis que isso me causa. Não faço ideia até quando vou resistir, mas uma coisa posso afirmar: a vista daqui é aterradora. Nunca pensei que um dia me sentiria na pele do John Nada.

Ps: excertos de Unfollow #16-17. Belíssimo quadrinho-soco na boca do estômago.

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Adiós, viejo maestro!


Carlos Sanchez Ezquerra
(1947 - 2018)

Vivemos hoje a realidade que nunca queríamos que chegasse. Dia após dia e com pausas impiedosamente curtas, vemos a partida de artistas cujas obras não apenas nos acompanharam por uma vida como nos fizeram crescer enquanto indivíduos pensantes, apaixonados e inconformados. Nos últimos dias, só na música, foram Otis Rush, Angela Maria e Charles Aznavour. E nos quadrinhos, Marie Severin, Gary Friedrich e Norm Breyfogle... Sem falar no quadro de saúde delicado do nosso Ziraldo.

A coisa toda parece obedecer um timing sádico do destino: os grandes estão dando adeus justo quando este mundão anda cada dia mais chato e intolerante. Os mestres estão indo embora e não há ninguém para segurar o bastão. Ou para apagar a luz.

E dessa vez, o grande Carlos Ezquerra. Que, pelo visto em fotos mais antigas, fumava igual um caipora. O resultado foi aquela velha doença no pulmão e uma luta de 10 anos contra ela.

Natural de Zaragoza, Ezquerra iniciou a carreira em HQs espanholas de romance e guerra (bela combinação). Em 1973 se mudou para Londres, onde fez trabalhos não-creditados para a veterana The Wizard, chamando a atenção de Pat Mills e John Wagner - dois nomes que mudariam a sua vida e vice-versa.

Não é exagero afirmar que Juiz Dredd e Strontium Dog, suas criações ao lado de Wagner, eram a cara da 2000 AD. O próprio Ezquerra era um símbolo daquela transgressão artística. E influência seminal, visivelmente impressa no trabalho de artistas tão diversos quanto John McCrea, Frank Quitely, o saudoso Steve Dillon e muitos outros.

Ezquerra sempre teve respostas simples para perguntas (desnecessariamente) complexas. Preferia Johnny Alpha ao Juiz Dredd e tinha como referências Hugo Pratt, Alberto Breccia, Moebius, Milton Canif e Alex Raymond. Construiu uma bibliografia tão brilhante quanto extensa, mas gostaria de ter descoberto que sua "real vocação era contar nuvens numa praia tropical com uma margarita nas mãos."

E só ele mesmo - amante dos clássicos Os Doze Condenados e Sete Homens e um Destino - teria a iluminação divina de transpor a figura icônica de James Coburn para os quadrinhos da IPC, ainda no período pré-2000 AD.

Primeiro, com o anti-herói de guerra Major Eazy e depois, com Slippery Jim, da série The Stainless Steel Rat.


A uma altura dessas, o próprio Coburn deve estar lhe retribuindo a homenagem com várias daquelas margaritas...

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Fisk, Wilson


Ok, isso foi... lindo.

Tenho algumas reservas sérias (tá bom, ha, ha) com a 2ª temporada de Demolidor, mas nenhuma delas envolve a figurona do senhor Vincent D'Onofrio. E certamente não agora, depois desse blazer branco - sei como isso soa, mas fiquei empolgado mesmo e não estou nem aí!

Tomara que Thanos tenha feito escola.