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quinta-feira, 20 de junho de 2024

A Saga do Surfista Cromado


Houve um tempo em que perfumarias em gibis eram raridade. Coisas como hot stamp dourado/metalizado, reserva de verniz, capas em acetato e afins passavam longe das mentes (e orçamentos) das editoras. Quando vinham, eram como um merecido afago no fiel leitor. Mas mesmo com todo o deslumbre e boa vontade, foi difícil identificar o que era aquela massaroca cromada à frente do Thanos na capa de Superaventuras Marvel #153, da Abril Jovem (março/1995). Não reconheci o Surfista Prateado nem de 1ª, nem de 2ª. E ainda hoje tenho que me lembrar do que se trata quando olho pra ela.

É triste a comparação com a The Silver Surfer #50 original (junho/1991). A gringa tinha uma capa laminada com relevo simples-pero-eficiente em cima da arte do Ron Lim. Já a nossa queridona e saudosa SAM, até trazia um relevinho, mas usava aquele filme com efeito holográfico, o BOPP (polipropileno biorientado). Isso deixou a textura do Surfista muito uniforme e que, depois, foi "melhorada" com uns retoques/riscos feitos pelos artistas da redação. E ainda ficou caolho.

De todo modo, fazer os recortes no logo e no corner box do gibi deve ter sido um teste de paciência e perseverança. O Jotapê já comentou algumas vezes como era complicado fazer qualquer brincadeira nas edições, pois o departamento de arte e as gráficas simplesmente não acompanhavam. Deve ter sido uma loucura nos bastidores para acertar essa arte de capa e com aquela tiragem ainda enorme para os padrões atuais. O Claudio Carina, então editor da SAM (hoje, diretor da Wordplay Serviços de Tradução), deve lembrar bem desse gibi. Mesmo que na forma de TEPT.

Sendo justo, mesmo lá fora o projeto não foi exatamente uma uva. Na prensagem, choveram erros de laminação – todos superfaturados como $ouvenirs, lógico. Esses caras são mestres na arte da limonada.

Tenho um fraco por esses mimos. Durante um período, eles saíram bastante por aqui. Minha massaveística Super-Homem Versus Apocalypse: A Revanche reluz num canto da estante até hoje. E me arrependo de ter passado pra frente as edições de O Reino do Amanhã, da Abril.

Nada que se compare à enxurrada de capas metalizadas publicadas lá fora, contudo.



Claro, existe sempre a possibilidade de meter a mão nas HQs antigas e aplicar aquele do it yourself maroto.


Mas aí já é nível Nerdmaster Ômega.

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

O último “Bwah ha ha ha ha”


Keith Ian Giffen
(1952 - 2023)

A esta altura já devia estar acostumado, mas a passagem do Keith Giffen deu uma ferroada daquelas no coração. Sei, ninguém nasce com garantia estendida, mas é muito tempo acompanhando o que esse senhor tem criado, escrito e desenhado. Tudo dele parecia valer a pena. E valia mesmo. Até a Ametista. Até os gibis do He-Man que ele roteirizou. Por Kirby, até aquele Thorion of the New Asgods, um dos poucos one-shots divertidos da infame série Amálgama.

Fora que uma figura anárquica como o Lobo só poderia ter saído da mente do Giffen.

Nem adianta desfiar uma tese quilométrica (como se capaz fosse) sobre as camadas da Liga da Justiça-Liguinha, dele com seu irmão artístico-espiritual J.M. DeMatteis e do Kevin Maguire. Ou da Legião dos Super-Heróis no período Five Years Later, um épico a ser (re)descoberto. O bojo de seu trabalho, não apenas na DC, trouxe conteúdo, tridimensionalidade e profundidade para ser apreciado, revisitado e reavaliado ainda por décadas.

Aliás, adoro Aniquilação. E isso não é só respeito à memória do Gifted Giffen.

Esse cara vai fazer falta.


Espirituoso até depois do final.

Thank you for everything, Giffen!

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Obrigado, eternamente


Carlos Pacheco Perujo
(1961 - 2022)

Minhas redes antissociais já parecem um memorial de notáveis. Tempos difíceis.

Mal saímos de um baque inesperado, já levamos outro, quase esperado. Quando Carlos Pacheco anunciou o fim da carreira devido ao diagnóstico de ELA, um único e frágil alento era de que a condição, terrível, ao menos contava com alguma expectativa de vida. Algo em torno de cinco anos (ou mais), para o bem ou para o mal. Mas não foi o que aconteceu e, provavelmente, foi para melhor. Pacheco era um gigante e não merecia nada menos do que uma vida plena.

Melhores obras? Tudo em que ele riscou o lápis já vale. Mas parecia fazer questão de só subir em barca boa: Arrowsmith, SJA, Vingadores Eternamente, os Supremos 4.0, o subestimado Superman de Kurt Busiek... inclusive o considero o 2º irmão-de-armas do Buzina, atrás apenas de um gênio da raça.

Pacheco já era lendário, além de um grande frasista: "Uma arte atinge sua maturidade quando os esnobes chegam até ela" e, uma das favoritas, "A espécie humana é genial produzindo vilões".

Mesmo na tediosa caixinha de descrição do Twitter, geralmente entupida em dissimulações e autoindulgência, Pacheco nos fazia voar na imaginação...
"Eu queria ser um piloto de Mirage, um cowboy no extremo oeste, um fuzileiro naval em Okinawa, um super-herói em NY, então percebi que o que eu queria ser era um artista de quadrinhos."
E fomos tudo isso. Valeu demais, Pacheco.

domingo, 25 de setembro de 2022

As 13+ da Rádio BZ FM


Não sei bem porquê, mas ontem, vendo tevê, bateu a vontade irresistível de embarcar nessa de #desafio13livros ou #13livrosvermelhos ou sei lá o nome.

Ps: gentileza ignorar os gibis ao fundo. Eles não têm lombada vermelha (vacilo, Comix Zone!).

quarta-feira, 6 de julho de 2022

De Vaughan para o Futuro


Boto fé. Porque não é um bicho de sete cabeças para realizar. Fórmula simples, testada e aprovada. E porque meu coração K. Vaughiano não aguenta mais tanta sofrência.

E esse trailer é uma belezura, vai.

29 de julho tamo aí na garupa.

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Gigante Pérez

Quem acompanhou o cenário dos comics nos últimos anos não queria ouvir essa notícia, mas, de certa forma, sabia que uma hora ela chegaria.


“De George para seus fãs, amigos e parentes, por favor leia abaixo. Esta página servirá como um lugar para se conectar com George e também receber atualizações. Por favor, respeite a privacidade de George e sua família neste momento difícil e entre em contato SOMENTE por esta via.

Obrigado e veja abaixo:

A todos os meus fãs, amigos e parentes,

É difícil acreditar que já se passaram quase três anos desde que anunciei formalmente minha aposentadoria da produção de quadrinhos devido à minha visão deficiente e outras enfermidades causadas principalmente por meu diabetes. Na época, fiquei lisonjeado e humilde com a quantidade de homenagens e depoimentos que meus fãs e colegas me deram. As palavras gentis ditas nessas ocasiões foram tão emocionantes que eu costumava brincar que ‘a única coisa que faltava nesses eventos era eu deitado em uma caixa’.

Foi divertido na época, pensei.

Agora, nem tanto. Em 29 de novembro, recebi a confirmação de que, depois de passar por uma cirurgia para obstrução do meu fígado, estou com câncer de pâncreas no estágio 3. É cirurgicamente inoperável e minha expectativa de vida estimada é de 6 meses a um ano. Foi-me dada a opção de quimioterapia e/ou radioterapia, mas depois de pesar todas as variáveis e avaliar quanto dos meus dias restantes seriam consumidos por consultas médicas, tratamentos, internações hospitalares e lidar com a burocracia muitas vezes estressante e frustrante do sistema médico, optei por deixar a natureza seguir seu curso e aproveitarei o tempo que me resta o mais plenamente possível com minha linda esposa de mais de 40 anos, minha família, amigos e meus fãs.

Desde que recebi meu diagnóstico e prognóstico, as pessoas do meu círculo íntimo me deram muito amor, apoio e ajuda, tanto prática quanto emocional. Eles me deram paz.

Haverá alguns assuntos de negócios para cuidar antes de eu ir. Já estou combinando com meu agente de arte o reembolso do dinheiro pago por esboços que não consigo mais finalizar. E, uma vez que, apesar de ter apenas um olho ativo, ainda posso assinar meu nome, espero coordenar uma última sessão de autógrafos em massa para ajudar a tornar minha passagem um pouco mais fácil. Também espero poder fazer uma última aparição pública em que possa ser fotografado com o maior número possível de fãs meus, com a condição de abraçar cada um deles. Eu só quero ser capaz de dizer adeus com sorrisos e também com lágrimas.

Eu sei que muitos de vocês terão perguntas a fazer ou comentários a fazer, e em vez de alimentar o fogo da especulação e da falta de comunicação bem-intencionada, mas potencialmente prejudicial, voltarei à arena da mídia social, iniciando uma nova conta no Facebook, onde fãs e amigos podem se comunicar comigo ou com meu representante designado diretamente para atualizações e esclarecimentos.

Para consultas à mídia e à imprensa, use as informações de contato da página também. Respeite a privacidade de minha esposa e família neste momento e use a página do Facebook em vez de entrar em contato por meio de outros canais.

Posso não ser capaz de responder tão rapidamente quanto gostaria, pois estarei me esforçando para obter o máximo de prazer externo que puder no tempo que me foi concedido, mas farei o meu melhor. Palavras amáveis também seriam muito apreciadas. Mais detalhes a seguir quando estiver tudo certo e funcionando.

Bem isso é tudo por agora. Esta não é uma mensagem que eu gostei de escrever, especialmente durante a temporada de feriados, mas, curiosamente, estou sentindo o espírito natalino mais agora do que em muitos anos. Talvez seja porque provavelmente será o meu último. Ou talvez porque estou envolvido nos braços amorosos de tantos que me amam tanto quanto eu os amo. É muito edificante saber que você levou uma vida boa, que trouxe alegria para tantas vidas e que deixará este mundo um lugar melhor porque fez parte dele. Parafraseando Lou Gehrig: ‘Algumas pessoas podem pensar que tenho um momento ruim, mas hoje me sinto o homem mais sortudo na face da Terra.’

Cuidem-se todos—e obrigado.
George Pérez
7 de dezembro de 2021”


Apesar do terrível prospecto, fica o otimismo inabalável, ainda mais direcionado ao sujeito simples e boa-praça que George Pérez sempre se mostrou durante toda a sua carreira. É bom sentir em suas palavras a plenitude, a integridade e a paz de quem olha para a própria vida em perspectiva e tem a certeza de que valeu/vale demais cada segundo. Sem dúvida, merece a chance de fazer suas despedidas, ao seu tempo e em seus termos.

E isso, pode acreditar, é uma oportunidade raríssima.

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Markus Sebastian Grayson trailer

Só soube outro dia que Invencível, de Robert Kirkman e Cory Walker, teria série animada via Amazon Prime Video. Mas os caras não estão nem aí e já despejaram o trailer na praça.


Qualidade de animação ligeiramente acima do padrão, a estética emula o traço do desenhista Ryan Ottley, algumas cenas são quase transposições do quadrinho, o Omni-Man soa ameaçador e p(h)oderoso. E, mais importante, o grafismo realmente bate o cartão na série.

Fiquei empolgado. Já passou da hora de alguém cutucar o (hoje, preguiçoso) domínio da DC no campo das animações. Nem que seja a improvável Image.

Aliás... momento oportuníssimo para republicarem Invencível por aqui. A defunta HQM levou seis anos para editar quatro volumes – cobrindo 19 edições das 144 totais. Uma opção seria a Mythos, que às vezes trabalha Image. Mas a titular da editora gringa é a Devir, com seu calendário de lançamentos baseado na passagem do cometa Halley. Enfim.

Ao menos foram 60 segundos de abstração e diversão, em que quase não pensei no Omnibus do Quatrocentos Fantást... digo, Quarteto Fantástico.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Pop-Up of the Dead

Quando a gente acha que já tem memorabilias e tralhas o suficiente, os deuses da cultura pop contra-atacam.


Eu também achava que havia terminado em bons termos com The Walking Dead da AMC, mas esse livro pop-up baseado na série aguçou meus instintos mais zumbísticos. É simplesmente... lindo.

O item foi lançado em 2015 pela mesma Insight Editions que já tinha largado meu queixo no chão com o memorável livro pop-up de Babadook (...dook ...dook ...dook). Os textos recapitulando alguns highlights do show são da autora Stephani Danelle "SD" Perry, as ilustrações embrulha-estômago são de Sally Elizabeth Jackson e a cabulosíssima engenharia de papel é da abençoada dupla Becca Zerkin e David Hawcock.

Não tem na Amazon BR, o que me deixa até feliz. Mas tem na Amazon US$, o que me deixa até preocupado...

Dica do Sandro, esse maldito.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Spawnmart

Por algum motivo obscuro, supermercados dão bons cenários para tramas de horror. Vide O Nevoeiro e Intruder, entre outros. Sem falar que ninguém menos que Ash trabalha num ramo parecido.

Spawn: The Recall é um fan film impressionante que segue essa tradição. O CGI é espantoso para uma produção indie, incluindo alguns efeitos práticos muito bacanas, como o "mexidão de carnes" preparado para compor a máscara do protagonista. O diretor Michael Paris ainda constrói um clima assustador e demonstra um senso estético ao mesmo tempo doentio e sofisticado.

O resultado é fabuloso.


Já vi nego aparecendo com (muito) menos e indo longe. Olho nesse cara...

More info: http://therecall-movie.com
Contact : contact@therecall-movie.com
Facebook : https://www.facebook.com/therecall.movie

sábado, 10 de julho de 2010

A PRO: curta animado, e como!


Dizer o quê? Garth Ennis + Amanda Conner + A PRO x animação com fidelidade quadro-a-quadro =



O curta é obra do mafioso Jimmy Palmiotti, da Kickstart Productions, e produzido pela Titmouse Inc. (a mesma do fodão Metalocalypse). Segue o link oficial do vídeo no YouTube, não embedável. Esse merece o thumbs up. Fizeram até a cena clássica do super-blowjob.

Troço sensacional. E Hollywood devia parar de mexer com essas coisas.

Agora... onde eu estava mesmo? Ah, sim.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2006

HOUR CONCOURS


Antes de começar o post, devo informar que vou falar sobre todo o volume 2 de Ultimates até a nona edição. Aqui no Brasil acho que só publicaram a primeira ainda. Spoilers a granel, portanto.

Doggma registrou ano passado um depoimento de Mark Millar afirmando que um filme do arco Wolverine: Enemy of the State, que ele escreveu e John Romita Jr desenhou, teria um orçamento de 300 milhões de dólares. Brincou também dizendo que as proporções astronômicas do arco seguinte, Agent of S.H.I.E.L.D., duplicaria este orçamento se fosse filmado e colocou esta figura para dar uma idéia. Quase um ano depois temos The Ultimates v2 #09, também roteirizado por Millar, só que com o ultra-realista Bryan Hitch no lápis (sem desmerecer Romita Jr. de qualquer forma – ele é phueda demais, mas com outra proposta) e fica claro que o mega-roteirista tem uma tara secreta pela queda dos aeroporta-aviões "shieldianos", como pode ser visto na imagem acima: praticamente uma revisão do mesmo tema. Peguemos então as considerações a respeito do orçamento dos filmes do Wolverine e consideremos que o mesmo estaria para um filme dos Ultimates V2 como um Xuxa e os Duendes estaria para Senhor dos Anéis.

Não dá para apenas reverenciar Hitch em duas palavras no meio de um parágrafo. Certamente o roteiro de Millar é o maior responsável pelo sucesso dos Ultimates, mas estaria blasfemando se dissesse que é responsável único. A arte de Bryan Hitch, mesmo que constantemente atrasada, é de um realismo cinematográfico. Os enquadramentos, splash pages, seqüências, dinâmicas e fisionomias são embasbacantes, e ainda permite-se fazer citações claras a diversos filmes como, por exemplo, O Silêncio dos Inocentes. Assim como Millar, Hitch também parece que desenha tendo todo o arco de eventos na cabeça, capaz inclusive de realizar contrastes que cruzam várias edições para serem percebidos; visão que não é própria de qualquer artista por aí não.


Triskelion antes e depois do puxadinho (#1 e #9)

O volume 1 dos Ultimates já havia sido algo absurdamente impressionante no sentido de que tem sido difícil encontrar material deste nível dentre as HQ's mais – digamos – comerciais. Sim, temos coisa muito boa acontecendo por aí (destacando-se o samba do crioulo doido ocorrendo na DC, Supreme Power, Demolidor, Astonishing X-Men – segundo arco - e, como pôde ser visto no post abaixo, New Avengers), mas a maioria é concentrada em 4 ou 5 roteiristas que trabalham mais tempo do que as tais 24h que, dizem por aí, compõem um dia. Se pegarmos tudo que é publicado nesta linha (eixo comercial Marvel/DC, repito) por mês, a quantidade relativa de material extraordinário deve ser bem pequena.

Com isto, sempre que algo muito bom surge no horizonte, sentimos como quando aquela mulé muito-gata-arrasa-quarteirão enlouquece e se exibe contigo na rua, o que torna natural a expectativa ferrenha pela continuidade do sonho. A primeira temporada ainda tinha a preocupação de apresentar os personagens e dar um mínimo de background para cada um deles antes da porradaria desenfreada. Agora, um ano depois daqueles eventos, houve uma queda de ritmo sugerindo que a cadência seria mais light. E, cara, que orgulho de dizer que estava enganado! Não sei se alguém percebeu mais acima, mas ao invés de chamar o volume 2 de arco, classifiquei-o como temporada, o que me leva a dizer que Millar está sendo vanguardista numa forma de escrever quadrinhos como se fossem temporadas de tele-séries. Um tema que toma conta de um ano inteiro com eventos paralelos plenos e estufados de verossimilhança para dar mais gosto à massa, tudo isto com um paralelo político contemporâneo digno de palmas.

E as influências cinematográficas não param nos exemplos dados. Fora a primeira edição, sem título, todos os outros são cópias de títulos do cinema ou adaptações dos mesmos ou de outras mídias populares. Lidos em seqüência, praticamente contam a história por si só:

#2 - Dead Man Walking – referência a Os Últimos Passos de um Homem, filme com Sean Penn que mostra um homem condenado esperando o tempo passar no corredor da morte.

#3 - The Trial of the Incredible Hulk – Referência óbvia.

#4 – Brothers – Referência a filme homônimo que denota a existência de outros que nem eles.

#5 - The Passion Play – referência a uma peça homônima que representa a Paixão de Cristo.

#6 - The Defenders – O único caso que não achei referências.

#7 - The Wolf in the Fold - Referência à fábula do lobo em pele de cordeiro.

#8 - Born on Forth of July – Filme com Tom Cruise, mostrando o descaso pelo ex-combatente.

#9 - Grand Theft America – que é uma referência à cidade tomada pelos bandidos de Grand Theft Auto – o jogo.

Pois pergunto: como é que Millar consegue escrever o que escreve, vender aos borbotões e ninguém dizer o cara é um terrorista em potencial? Na temporada anterior já pintara um Capitão América que é o perfil comportamental da classe que comanda os EUA e sua relação com o mundo, agora toda a equipe e os eventos que participam tornam a visão mais sistêmica, abrangente, pintando os EUA como um elefante imenso em desabalada carreira, numa inércia impossível de conter. Todo o cenário faz companhia à postura intempestiva, autoritária e egoísta do personagem, dando ainda mais sentido de "vejam como eles são féladaputas" ao chamar atenção para as operações do grupo não mais restritas ao solo americano e aguçando os ouvidos da mídia.


Ihhh... Fodeu!

E é esta a linha principal: Ultimates sendo usados como milícia na defesa dos interesses norte-americanos onde quer que seja, mas de preferência onde não possam se defender e tenham algo de valor para ser tomado. Na tangente surgem diversas sub-tramas que, aparentemente, não têm como se cruzar, mas rapidamente nos surpreendem e vemos que tudo tinha que ser como está sendo mesmo e somos completamente tapados por não termos percebido antes! Elementar, meu caro Zombie-son!


"Algumas pessoas dizem que The Ultimates acabaram de passar um
pouco dos limites e usaram uma pessoa de destruição em massa
em um delicado caso político internacional."


Larry King – The Ultimates v2 #1


Parêntese: curioso notar como um personagem criado para envergar uma causa nacionalista legítima na aurora dos quadrinhos é chamado agora de "pessoa de destruição em massa", encarnando tudo de ruim que temos no direcionamento da postura americana.

Voltando: Por alguns momentos, como dito um pouco acima, chegamos a acreditar que as histórias paralelas, apesar de fantásticas independentemente, não teriam como convergir em algum ponto futuro de forma perfeitamente satisfatória e coerente, mas em 26 páginas da nona edição todos os nós são atados, mostrando que nada do que aconteceu até então foi gratuito. Vemos, depois de tropeçarmos em nosso queixo no chão, todo o cenário de conspiração global que sempre quisemos ver em qualquer veículo de entretenimento e ainda podemos brincar com novas questões nas próximas 3 edições. Mark Millar deve ser um enxadrista de mão cheia! Definida a linha central, para chegarmos ao que acontece na estrondosa nona edição, cabe um resumo do que aconteceu até aqui.

Senão vejamos: Após a ação no Oriente Médio, onde os Ultimates libertaram alguns reféns americanos, além da frase de Larry King acima, temos também Thor dizendo que a operação no Iraque ocorrida sob a bandeira de ajuda humanitária é, na verdade, um golpe publicitário para trazer a opinião pública para um lado favorável. Sugere que servirá para quando forem necessários futuros ataques preventivos.

Com o alerta de sacanagem no ar, surge a linha que coloca Thor em posição de louco megalômano tarado por teorias de conspiração – e aqui Millar brinca não só com a percepção que os personagens têm do Deus do Trovão, mas também embaralha qualquer coisa que nós, leitores (ou espectadores, as you wish) possamos vir a pensar. Quando lerem a estória onde acontece o almoço com Volstagg, reparem bem na figura asiática de verde que passa ao fundo.


Tá vendo a merda acontecendo?

Somos envolvidos, aparentemente sem motivo, nos problemas na relação entre Steve e Janet, narrados com propriedade ácida rodriguiana (assim como a sugestão da relação incestuosa entre Pietro e Wanda), ao passo que percebemos o acentuado isolamento de Hank Pym (humilhado, encostado nos Defensores e encoxando uma defensora pré-púbere) e Bruce Banner. Este último ainda coloca indiretamente mais óleo para a fritura de Thor, acusado de ter vazado as informações a respeito da natureza do Hulk e sua ligação com os Ultimates. Em paralelo, temos a informação de que há mais de dezoito meses os europeus vêm trabalhando no seu exército de super-soldados, dando pela primeira vez conotação de "corrida armamentista".


"A única coisa que precisam fazer é dizer 'armas nucleares' e vc sai
correndo para lutar contra quem quer que seja ao lado deles.
Suponha eles achem que a China é uma ameaça daqui a alguns anos."


Thor para Tony – The Ultimates v2 #6


A trama então elimina o primeiro peso pesado ao executarem o Hulk (ou pelo menos tentarem), enquanto mostra o envolvimento de Natasha e Tony Stark, uma relação clássica do universo normal que aqui toma rumos bem mais interessantes.

Thor é a bola da vez e Nick Fury não pensa duas vezes ao mandar que o cacem sob a alegação oportunista e super up to date de que o Deus Nórdico estivera "(...)encorajando o uso de violência contra governos democráticos eleitos". Parece Bush, mas foi Loki quem disse - o Deus da Farsa e Mentiras - que coisa não? A arte imita a vida. Aliás, esta edição merecia um post separado. Aqui ocorre uma verdadeira via-crúcis para Thor, justificando o título. É porrada do começo ao fim, grandioso como tem que ser e terminando com um "Father" que é praticamente um déja vu, além de referência que não lembro ter visto tão bem aplicada nesta mídia ou em outra qualquer.

Acontece então a primeira afirmação categórica de que existe um traidor no grupo e este procura Pym, o desacreditado e humilhado pseudo-herói. Ultimates e heróis europeus atuam no Oriente Médio e apreendem ogivas em "ataque preventivo". Esta ocorrência faz com que um chefe de estado da região – em Ultimates Annual v2 #1 – ameace Nick Fury caso ele continue com o programa de supersoldados.


"Nós acabamos de aleijar um país, Hank!"

O Traidor para Hank - The Ultimates v2 #6


Com dois pesos pesados fora de combate, chacinam a família de Clint Barton – o Gavião Arqueiro – e fritam mais um maioral: Steve Rogers. A personificação do perfil autoritário americano sucumbe ao próprio veneno, já que, depois de tudo o que fez pelos seus superiores, é caçado e derrubado após Fury dizer "Não posso acreditar em como foi estúpido. Como pude trazer este punk para o time só pela sua palavra quando fizemos seis meses de análise de passado de qualquer outro?".


Há espaço ainda para mostrar que o exército dos EUA, tradicionalmente extremista politico, mostra-se incomodado com o papel dos Ultimates solapando o seu, bem como verbalizam a insatisfação quanto ao desenvolvimento de tecnologia que Tony Stark provê à SHIELD e veda às Forças Armadas, deixando-os com recursos tecnológicos atrasados em 5 anos. Prato cheio para teorias da conspiração.

Sobram apenas o Homem de Ferro, Natasha, Pietro, Wanda e os reservas para começar a nona edição. E aqui a batalha toma proporções que nunca tinha visto na série até então. A seqüência inicial Oldboy style, onde a conspiração mostra como consegue os códigos de acesso ao Triskelion, é o prenúncio de que algo grande viria e, quando vem, não faz por menos. Com as defesas tecnológicas derrubadas e as super-humanas enclausuradas, o último peso pesado é pego numa autêntica chave-de-perna enquanto a(s) cidade(s) é(são) varrida(s) numa seqüência matadora (literalmente) de eventos. Em minutos os EUA estão no chão.


Ihhhh.. Fodeu³!!!!

Mermão... é uma trama de dar nó! Só um psicótico pensaria em algo deste tipo. Só que o cara não surpreende só por isto. Por mais paradoxal que possa parecer, já estamos nos acostumando a nos surpreender com sua criatividade chocante em diversas publicações, mas até em detalhes contingenciais ele se destaca. Assim como abusou da imaginação ao fazer o Capitão América derrubar o Gigante no volume 1 de forma crível, aqui ele chacina a tropa de gigantes de um jeito que só com muito scotch daria para imaginar (sacanagem falar isto... tá no meio de um tratamento quimioterápico - será que é por isto?)! Não satisfeito, foge da institucionalização natural dos roteiristas da cronologia normal e nos traz aquilo que seria o óbvio, mas era uma questão intocada até então: se Tony faz uma armadura para si, por quê não faz outras para outros membros? Somos agraciados pois com Natasha de posse de uma das maiores armas do mundo. Isto sim é uma pessoa de destruição em massa.

Poderia agora me meter a futurólogo e tentar prever o que vem por aí, afinal o desenrolar dos fatos mostrou que Pym e Banner estão por aí e querem voltar a ser gente, mas este é o tipo de coisa que, tratando-se de Millar, é muito arriscado tentar.

Durante algum momento cheguei a pensar que a evolução que esta armada teve necessitaria de um tempo de maturação que não existiu. No entanto, ao rever as edições anteriores para escrever este post, notei detalhes que antes não notara, como a quase onipresença de Loki no limite dos eventos, a passagem de um ano dos eventos do V1 para o V2, além da existência de 18 meses separando a adoção de Thor pelo grupo ainda no V1, quando a frente européia do programa de super-soldados já era bem evoluída. A cena final e o turbilhão de informações que voltam à superfície da memória nos faz perceber que as citações de Millar, além de oportunistas, não cessam. Loki tem aparência oriental e lidera o exército que derruba a grande potência do ocidente - o Grande Satã. Numa tacada só ele insere elementos que vão de Nostradamus à Bíblia (novamente).


Esquema ilustrativo do que aconteceu até agora

O detalhe é que Loki esteve inserido no projeto de super-soldados europeu desde seu início, o que leva a crer que a iniciativa oriental deve ser contemporânea - talvez anterior - à americana. Cabe lembrar que, dada a iniciativa de desenvolvimento tecnológico e criação do Homem de Ferro ser uma questão pessoal de Stark, além do patrocínio da S.H.I.E.L.D para Pym e Banner - este útimo só logrou êxito por acidente e de forma descontrolada - , o resto do programa de super-soldados americano era um fiasco, contando com dois mutantes desacreditados depois de Retorno do Rei e meia dúzia de agentes bem treinados, mas que de super não tinham nada. Creio que no fim tudo ficará bem e os EUA se reerguerão, mas aí é obrigação editorial comercial. O que importa é que todas as críticas internas e geo-políticas que queria fazer já foram feitas. No post sobre os Ultimates de quase um ano atrás, meu chefe brincou perguntando se já dava para chamar Millar de Mestre. E agora eu pergunto: Tem jeito de fazer diferente, gafanhoto?

O traidor? Não conto. Baixem e leiam, mas isto não me impede de deixar algumas questões que ficam no ar:

Thor é ou não um Deus pagão? Se é, por quê perdeu os poderes quando lhe tiraram o cinturão? Se não é, por quê o colocaram na cela destinada ao Hulk?

Qual a natureza daqueles soldados voadores que agiam como um enxame?

Os POD´s teriam sido os protótipos antigos do Homem de Ferro cujos projetos foram passados pela Viúva (ou pelos militares) para a armada inimiga?

Por fim: O que segura Thor e Capitão em suas celas no Triskelion agora que ele está sem energia? E Pym e seus "Visões"?

Para vocês brincarem: Quem seriam – além do Loki – os carinhas que estão nesta imagem aqui?

Faltando apenas 3 edições para o fim da era Millar/Hitch à frente dos Ultimates, digo que tenho medo, muito medo, pelo que Jeph Loeb e Joe Madureira - os novos responsáveis pela série - podem fazer. É de revirar o estômago. Sei que Loeb já acertou mais do que errou, mas não consigo – nem com muito álcool – ver como ele pode manter este nível. E Madureira e sua fúria mangá não tem nada a ver com a idéia de realismo que permeia tudo o que foi feito com o grupo até então. Podia ser, ao menos, Tim Sale (afinal, já é íntimo do Loeb e tem uma arte menos caricata), mas vendo o que vem sendo feito em Amazing Spider-Man, acho que Deodato seria o cara perfeito para o trabalho.

The Ultimates é seguramente o que de melhor vem sendo publicado nesta linha.


Tão esperando o quê? Leiam logo! Não sabem o que estão perdendo!

Artigos relacionados: 
Artigo 1



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SAM KIETH VAI ANIMAR A GALERA

Todo mundo já deve estar sabendo que Sam Kieth vai emprestar seu estilo cinematográfico-surrealista e seus pontos de vista únicos para o Batman, correto? Pois então: seguem dois links para download das duas obras independentes que Sam lançou nos últimos anos. Zero Girl e The Maxx. Cliquem nos nomes para baixar.

Não li The Maxx ainda, mas arrisquei ler 2 páginas de Zero Girl e só percebi que tinha sido capturado na terceira edição de um arco de 5. A última vez que lembro ter sido arrebatado assim por algo novo foi quando li 15 edições de Y - The Last Man seguidas. Zero Girl é original em tudo que mostra, até mesmo quando trata do clichê da outsider vs grupinho de malandras do colégio. Num universo com meia dúzia de personagens Kieth consegue fazer uma história com premissas absurdas ser completamente atraente. Tô bobo.


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PESQUISA DE OPINIÃO

O que vocês acham desta action figure? Se disser que comprei eu seria louco?




segunda-feira, 17 de maio de 2004

WHAT IS THE MATRIX?


Não concordo com a imagem acima. Até mesmo como homenagem às vítimas do 11/9 não ficou legal. Bom mesmo ficaria se escrevessem uma história-parábola sobre o ocorrido. Algo situado no próprio universo de fantasia da graphic novel, sem qualquer contato com a nossa realidade cinzenta. Da forma como foi colocado, sugere-se que haveria uma chance de esperança, mesmo que mínima. Ou seja, uma tremenda forçação de barra, totalmente desnecessária (e até desrrespeitosa pra falar a verdade).

Usei o Aranha em frente aos escombros do WTC (Amazing Spider-Man #36, do Straczynski e John Romita Jr.), mais como uma analogia ao escopo "realidade x ficção". Um ótimo exemplo é o Grant Morrison. Ele é o cara que mais divulga a aproximação da ficção dos super-heróis com os acontecimentos do mundo real, o que eu não concordo. Não existe e nem existirá no mundo real o Superman de Paz na Terra. Nem o Capitão Marvel de O Poder da Esperança. Nenhum superser iria parar aqueles aviões antes que explodissem nas torres, prender todos os traficantes de todas as favelas, parar a tortura de prisioneiros no Iraque ou evitar que um homem-bomba cumprisse seu objetivo. Por outro lado, tudo que o Morrison fez, com destaque para os X-Men, foi muito acima da média. Ele soube muito bem transpor situações reais para a ficção. Mais ou menos, como se fosse uma atualização do que Stan Lee fez com o próprio Aranha, em sua época (e fecha-se o círculo).

Acaba sendo ótimo constatar que as idéias de Morrison partem de um princípio errado, mas que o resultado acaba sendo fantástico (sem trocadilhos). Creio que o próprio Straczynski teria feito diferente, se não fosse a pressão editorial que certamente aconteceu na ocasião.

Sobre a parte da "falsa esperança", acho que A Pro já diz tudo o que há pra ser dito. Escrita pelo maluco beleza Garth Ennis e desenhada primorosamente por Amanda Conner, essa HQ já é bem famosa, apesar de cult. Em todo caso, trata-se de uma analogia ao universo dos heróis, em particular da Liga da Justiça, o grupo mais emblemático das HQs.

A protagonista é "gente como a gente" (descontando o fato dela ser uma prostituta, hehe). Ela adquire super poderes e é recrutada para entrar na "Liga". Como se fosse a nossa representante no mundo das HQs, ela bate de frente à toda hora com os clichês da fantasia, sempre de uma forma bem debochada e incrédula. Em um certo momento, ela questiona a completa falta de nexo da existência de super-heróis no "mundo real". Um excelente texto travestido de diversão pueril. Clique na imagem aê.

Filme-lição de casa: O Último Grande Herói, duramente criticado e um fracasso de bilheteria. Sacaneia legal Hollywood e a cultura pop em geral. Um puta filme.




CADÊ O MASSACRE QUE ESTAVA AQUI?


O que aconteceu com a nova versão do clássico O Massacre da Serra Elétrica? Eu tô seco pra assistir esse filme! Ele conseguiu excelentes críticas e uma ótima bilheteria, além de ter um dos trailers mais assustadores dos últimos tempos. É estranho que ninguém esteja reclamando disso... Lembro que no Kill Bill as pessoas quase foram às ruas com a cara-pintada pra exigir a sua estréia. Então, das duas, uma: ou o filme já estreou e eu não fiquei sabendo, ou eu sou a única alma brasileira que espera ansiosamente por ele. :(

Massacre estreou nos EUA em 17 de Outubro de 2003 e ficou pra passar aqui no 1º trimestre de 2004, e até agora nada. O quê diabos está acontecendo? É culpa de quem? Da distribuidora, dos Ribeiro, do sindicato dos pipoqueiros...? Quem eu preciso torturar numa cela americana em Abu Ghraib pra que esse filme chegue ao Brasil?

Pior é ler uma crítica como essa aqui, pra depois ficar babando. Ou ir no Boca do Inferno (parece o irmão perdido do BZ) e ficar na espera. Acho que vou providenciar um massacre da serra elétrica eu mesmo...


Site oficial do filme (pra quê, afinal...)


Obs.: Nem vou falar de um certo sujeito de camisa preta com estampa de caveira (e que não é fã dos Misfits).


Relatório parcial da investigação: (uns 40 minutos mais tarde)
O remake de Massacre foi mulher de vida fácil na mão de várias distribuidoras, mas parece que já encontrou o amor de sua vida. A Europa Filmes pegou a criança pra criar. Dando uma fuçada no site, encontrei o filme pegando poeira na seção "o que vem por aí". Libera logo isso aê!!

terça-feira, 30 de março de 2004

YOU (we) WIN!


Os mais coroas lembram bem do jogo Street Fighter II - The World Warrior detonando nas casas de fliperama lotadas. A molecada ficava horas em frente às máquinas armando desafios entre si. Zerar o game já era carne-de-vaca, fácil, fácil. O bicho pegava quando vinha um mega-viciado e inseria uma ficha quando você estava jogando. Era shoryuken direto, não dava nem pra chegar perto do sacana. Eu lembro de um cara que era simplesmente invencível, jogando com o Dhalsim! E o personagem indiano era disparado o pior para se jogar. Era todo lento e com golpes esquisitos... Eu ia de Ryu mesmo. Sempre fui fiel às raízes. Joguei muito o obscuro Street Fighter, o jogo original, aonde só tinham de conhecidos ele, o Ken e o Sagat, que era o chefão.


SF Foi um dos primeiros jogos de luta a contar com combinações de comando. Pra disparar o hadouken, tinha de fazer um "L" com o joystick e pressionar o botão do soco. Pra fazer o famoso "helicóptero" (mortal), era um "L" ao contrário e o botão do chute. Até descobrir essas peculiaridades, gastei rios de grana com fichinhas. Mas o lance era viciante mesmo. Pior foi quando eu arrumei o meu primeiro trampo, de office-boy (só pra variar). O point da galera era num flipper que tinha no centro de Vitória. Bons tempos.



Mas voltando, lá pelo começo dos anos 90, a Capcom, que desenvolveu o game, faturou toneladas de U$S com SFII. A coisa virou multimída antes mesmo do termo entrar na moda. Eram camisetas, bonés, revistas (toscas) e o mais curioso: várias versões aprimoradas do game. Para aproveitar o nome da marca SFII, eles não fizeram um Street Fighter 3 logo de cara, e mantiveram o "II" no nome durante muito tempo. Aí tivemos as versões SFII Champion Edition, SFII Alpha, Super Street Fighter II, etc, etc. Cada uma mais popular que a outra. Foi uma verdadeira festa capitalista... Muito japonês deve ter sido admitido na Yakuza nessa época.


A franquia se tornou uma das mais rentáveis na história dos jogos eletrônicos para arcade e home-players (SNES, Mega-Drive, Dreamcast e mais uma batelada de formatos), e atravessou a inflacionada década de 90 ilesa. A Capcom, em conjunto com a famigerada e onipresente Marvel Comics, fez versões SF para vários super-heróis, como os X-Men, no precursor X-Men: Children of the Atom. Depois descambou tudo de vez e armaram monstruosos (e iradíssimos) crossovers entre os personagens de SF com grande parte dos heróis Marvel, mais uns "penetras", como o Capitão Commando e a Chapéuzinho Vermelho (uma das personagens mais violentas, acredite). O criativo nome da série de jogos que traz esses embates é Marvel versus Capcom, o que me deixa feliz em saber que o game não tem roteiro.


Claro que a coisa toda tomou força e acabou resvalando novamente para outras mídias, como séries de animação e os quadrinhos. A primeira animação que eu assisti atendia pelo nome de Street Fighter - The Series. Era uma co-produção americana com uns poucos técnicos japoneses na equipe. Como a indústria japonesa de animação é o que há em termos de ação violenta, imagino que a maior parte da equipe era norte-americana mesmo, pois o desenho era um lixo. Era um arremedo de G.I.Joe pró-imperialismo americano e fascista. Tecnicamente falando, era pior ainda. Péssima fluência na movimentação (uns 3 quadros p/seg.?) e roteiro mais esburacado que uma rua iraquiana. Passava no SBT.


Um belo dia, em uma vídeo locadora, vi uma fita de uma animação baseada em SF. Street Fighter 2 - The Movie. Tremi, achando que se tratava de alguns episódios condensados daquela série tenebrosa. Mas olhando pra capa e pros screens do desenho, a coisa puxava bem mais pro anime. Vi uns caracteres japoneses onde deveria ser o nome da produtora e pronto, aluguei o trem. Putz, o desenho já começa com uma luta arrepiante entre Ryu e Ken, ao som de Them Bones, do Alice In Chains! Pancadaria de primeira!! A história, espertamente econômica, mostra Ryu e Ken (que são amigos de infância) ao encalço dos maiores lutadores da Terra, para se aprimorarem como guerreiros. Depois, eles desenvolvem a técnica do hadouken, e logo chamam a atenção do sinistro Bison, que domina o lado negro dessa técnica (SW no talo!). Altas lutas, animação acima da média e trilha sonora de trincar o crânio: além do AIC, também rolam porradas do Korn, Godsmack, Disturbed e, se não me engano, tem Sepultura na parada também.


Como que tentando se redimir, o mesmo SBT começou a exibir aos domingos outra série baseada em SF, chamada Street Fighter Victory. Isso foi no distante 1995 (apenas seis meses de diferença de sua estréia no Japão). Na época, eu até falei: "Não assisto essa porcaria nem que me paguem". Acabei assistindo sem ninguém me pagar mesmo, não sei por quê. Era domingo, eu devia estar na praia. Assisti e, cara... que PUTA DESENHO! A animação era quase perfeita, as lutas muito bem construídas (eles não repetiam golpes em loop) e, principalmente, muito, mas muito sangue... era violentaço mesmo! Animê de alto nível. Bem melhor que o (bom) filme que eu tinha visto antes. Como a história era contada em partes (foram uns 50 capítulos, acho), os personagens foram muito bem desenvolvidos, ganharam profundidade (sem exageros) e motivações. Até a história ficou muito legal, por incrível que pareça. Ryu e Ken, claro, são os astros principais. Todo mundo do game está lá, menos Blanka. Foi até melhor, pois ele estaria bem fora do contexto "realista" da animação. Desenho nota 1000, e a luta final foi melhor que os três Matrix juntos. Fiquei triste quando acabou o último episódio. Será que já saiu o DVD?


Como nem tudo foram flores pra SF nos anos 90, em 1994 tivemos um marco da ruindade cinematográfica: Street Fighter - A Última Batalha, de Steven E. Souza (???). Capitaneado por Jean Claude Van Damme, no papel de Guile, o filme ainda trazia uma deliciosa Kylie Minogue pré-ná-ná-ná, no papel da Cammy e, heresia das heresias, o grande Raul Julia, em seu último papel, como Bison. Ô filme ruim!! E eu ainda fui ver essa tosqueira no cinema (só perde pra Highlander 2, em matéria de filme ruim que saí de casa pra assistir). Não há nada a se declarar aqui. É todo ruinzão mesmo. Ah, sei lá, o cara que fez o Zangief é igualzinho, tenho de admitir (Andrew Bryniarski , o novo Leatherface!). O cara que fez o Vega também é bem parecido (Jay Tavare, de Adaptação e Cold Mountain). Nota: -10. Deve ter levado o Framboesa de Ouro de 94. Se não, foi uma puta injustiça.

Ah, e esses últimos screens do Ryu lutando com o Sagat aê, fazem parte na HQ Street Fighter - The Comic Series, da Image. Desenhos do ótimo Alvin Lee e história de Ken Siu-Chong (hi!). Está disponível no ótimo MBB Animes. Procurem lá que tem.


Cliquem na figura aê!

Outra curiosidade: a banda Megadriver é especializada em fazer versões speed metal pesadonas para vários temas de SF e para outros games clássicos. E está tudo disponível no site dos malucos. Eu baixei e garanto, as versões ficaram divertidíssimas... eles usam e abusam da bateria eletrônica e a guitarra é insandecida. É meio tosco, mas o espírito é esse mesmo. :P

Fui!!

terça-feira, 16 de março de 2004

||| RED MONIKA |||


Não tem pra Palloci, caso Waldomiro, nem Flamengo perdendo pro Botafogo. O Coelhinhas continua seguindo firme e forte, sempre explorando as entranhas das nossas super-heroínas... Aliás, já me perguntaram porque diabos eu não mando ver umas pin ups "de verdade" por aqui. A tentação é até grande, se vocês vissem o que eu tenho arquivado... O problema é pra quem tá visitando o BZ do serviço (se bem que dá no mesmo no final das contas). E tem a mulherada silenciosa também (sim, elas vêm aqui). Enquanto tá nas garotas de HQ, tá beleza, é de brincadeira, curtição... mas depois que passa pras de (muita) carne e osso, vira putaria, hehe... de qualquer forma, lá embaixo, no "Belas Paisagens", tem uns bons links - especialmente o 1º, vou lá direto!

Mas chega de enrolação... como diria o sutil Marceleza: "reganha as calcinha e vambora..."


FINALMENTE ELA ESTÁ CHEGANDO...


Uma égua? Uma Pamela Anderson ruivona? Uma Fernanda Lima turbinada? Não...


Não, não são seus óculos

Por exatos 2 votos contra 1 (uma puta audiência!), ganhou a guerreira mercenária de Battle Chasers, filhinha do abençoado Joe Madureira. Com toda certeza ela é a pin up mais bustuda da nona arte. Diana, Emma Frost, Wanda, Mulher-Hulk, Felicia Hardy, Lara Croft e, pasmem, até Druuna perdem feio! O que vemos ali são dois mega-pilares de referência para o sexo feminino. Não é qualquer um que consegue uma espanhola ali sem se perder de vista não. Como se não fosse pouco, ela ainda tem um sorriso malicioso que faria corar a própria Luana Piovani...

Aê Madureira (parente do casseta Marcelo?), que tal uma edição especial pra maiores?? :P




Primeiro eu dava uma bela apertada neles. Aí sim eu morreria tranqüilo.




Empinadinha na motoquinha envenenada...


O que eu falei do sorriso safadinho...?


Eu também queria ser essa vítima aí... por motivos óbvios...


J. Scott Campbell se rendeu tb... Monika "Danger Girl style"...


Jeff Moy não agüentou e arriscou...


Essa lembra os ensaios da Revista Sexy...

Eu olho pra Monika e imagino uma Joana Prado da época da 1ª Playboy, só que ruiva... Com as turbinas siliconadas em cima e o corpo saradão (mas no grau), daria uma deliciosa versão live-action da Monikinha...