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quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Back to U.S.S.R.


Muito antes de chafurdar no mainstream global em produções como Guardiões da Noite e, err, Guardiões e virar a Hollywood dos Urais, o cinema russo - ou, melhor contextualizando, soviético - enfileirou clássicos absolutos da 7ª arte. O conjunto da obra era arrebatador: técnicas inovadoras, uma nova expressividade dramática e narrativa, metáforas universais que, em teoria, jamais passariam pelo crivo censor do Estado, e por aí vai. Um legado histórico reconhecido por reverências e tributos até mesmo pelos estrangeiros do oeste.

A impressão é de que os bolcheviques também disputavam com o Ocidente outra acirrada corrida, a cinematográfica.

Aí veio o gol de placa da TV Brasil, emissora aberta cujo conteúdo de orientação progressista-com-neurônios me é agradabilíssimo: em comemoração aos 100 anos da Revolução Russa, o canal irá exibir uma seleção de 11 filmes clássicos da Era de Ouro do cinema soviético a partir do próximo domingo, dia 15 de outubro, sempre às 23 hs.

É o Outubro SoviéticoУра!

E a chamadinha é espetacularmente эффектный!


Segue a programação (sinopses no site):

15/10, domingo: O Encouraçado Potemkin (1925), de Serguei Eisenstein - drama mudo
16/10, segunda-feira: O Conto do Czar Saltan (1967), de Aleksandr Ptushko - fantasia
17/10, terça-feira: Vassa (1983), de Gleb Panfilov - drama
18/10, quarta-feira: A Mãe (1989) (não confundir com Mãe! LoL), de Gleb Panfilov - drama
19/10, quinta-feira: Boris Godunov (1986), de Sergei Bondarchuk - drama
20/10, sexta-feira: Um Acidente de Caça (1978), de Emil Loteanu - drama
21/10, sábado: Arsenal (1929), de Aleksandr Dovzhenko - guerra
22/10, domingo: O Velho e o Novo (1929), de Serguei Eisenstein e Grigori Aleksandrov - drama mudo
23/10, segunda-feira: As Aventuras Extraordinárias de Mr. West no País dos Bolcheviques (1924), de Lev Kulechov - comédia muda
24/10, terça-feira: Cossacos do Kuban (1949), de Ivan Pyriev - comédia musical
25/10, quarta-feira: Lênin em Outubro (1937), de Mikhail Romm e Dmitri Vasilyev - drama

Cinema pra proletariado nenhum botar defeito. Imperdível.

Ps: mas é claro que vou completar a rodada com Solaris (1972) e Stalker (1979), do mestre Andrei Tarkovsky, que não sei por que perestroikas não entraram na lista. Questões de Estado, certamente.


☭ ☭ ☭ ☭ ☭ ☭ ☭


E com timing impecável, essa semana também chegou em minhas pútridas mãos um material de leitura à caráter.


O Cosmonauta de Krypton. Também conhecido como Superman - Entre a Foice e o Martelo, quando poderia ter sido conhecido como Superman - O Filho Vermelho, simplesmente.

Seja como for, é a hora mais do que apropriada para rever cenas como aquela que me fez pensar na gravidade de um Super-Homem sendo arremessado de um lado pro outro de um centro urbano. Situação de DEFCON 1/sebo nas canelas - ou o índice apocalíptico equivalente cunhado pelo Komitet Gosudarstvennoy Bezopasnosti.


O efeito de uma bala perdida? Não, de um ICBM perdido

Foram 774 vítimas fatais só nessa página. E algumas dezenas de milhões de libras em danos materiais.

Mas isso foi bem antes do filme, claro.

sábado, 26 de agosto de 2017

Caso das Três Mulheres Degoladas Ligado às Misteriosas Aparições da Bizarra Criatura Noturna


Isso é o que chamo de boas novas!

Gotham by Gaslight é uma das minhas aventuras favoritas do Morcego. O roteiro sorumbático e ao mesmo tempo evocativo e espirituoso de Brian Augustyn - parceiro de Mark Waid em seus runs do Flash e X-O Manowar - faz uma perfeita realocação do Batman e seu mythos para o cenário vitoriano. E, claro, para a histórica caçada de um infame Estripador, o Jack.

Claro que a magia não seria completa sem o traço inconfundível de Mike Mignola (com arte-final de P. Craig Russel), que fez aqui um de seus trabalhos mais bonitos. Apesar de não ter inaugurado originalmente a linha, a história passou a ser considerada o 1º Elseworld da DC, tendo inclusive inspirado a sua criação.

Por aqui ela foi publicada só uma vez duas vezes, pela Panini em Batman - 70 Anos #3 e pela Abril, com o título Um Conto de Batman - Gotham City 1889.


E depois ganhou uma continuação, Batman - Mestre do Futuro, novamente com roteiro de Augustyn e desenhos do excelente artista uruguaio Eduardo Barreto.


Uma coisa que não entendi é o fato de não adaptarem o traço do Mignola na animação. Seu estilo simples e peculiar funciona na tela à perfeição e sem ele a história perderá muito da caracterização e da atmosfera originais.

Santa negligência, Batman.

Aliás, há um tempo percebo que a divisão de animações da DC parou no automático com essa roupagem sub-Bruce Timm (sob os auspícios do próprio), quando até há pouco diversificava os designs emulando diferentes artistas com bons resultados. Uma pena também é notar a queda na qualidade das animações - e sempre nas mais transgressoras, com temáticas mais densas e menos comerciais que o padrão. A de Piada Mortal, por exemplo, foi atroz. E a prévia de Gotham by Gaslight já deixa claro que o longa terá uma quantidade pífia de quadros/sec.

Ironicamente, o sneak peek saiu nos extras do tecnicamente redondinho Batman and Harley Quinn - um tour-de-fanservice que nasceu hit pronto. Um esmero que toda animação da Detective Comics-Comics deveria ter.

Ou pelo menos as de boa estirpe.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2004

IT'S ONLY ROCK AND ROLL... BUT I LIKE IT!


Em julho do ano passado houve uma celebração de Rock'n'Roll de tremer o chão. Um show beneficente em Toronto, Canadá (na época, penando com a SARS - a tal gripe do frango), reuniu uma turba de 490 mil sortudos diante de um cast quase dos sonhos: The Isley Brothers, Guess Who, Rush, AC/DC e Rolling Stones. E o "quase" fica por conta da presença do The Flaming Lips e do deslocado Justin Timberlake. Entre uma coisa e outra, o divertido The Have Love Will Travel Revue (já explico).

Esse DVD é uma bela coletânea de rock'n'roll (principalmente na atitude rocker), que acaba sendo um tanto frustrante, visto que algumas apresentações são tão boas que mereciam o seu próprio especial. E o destaque também fica por conta das senhoritas da platéia... todas lindas e maravilhosas. Aparentemente não existe mulher feia no Canadá. Deve ser culpa da miscigenação francesa. Ulálá.


Eddie Isley, muuuiito bem acompanhado

Como todo mega-show, o evento começou com o sol à pino, então os grupos tinham mais é que chegar rasgando pra animar a geral. Mesmo assim, o idolatrado Flaming Lips não emplacou, mandando ver num repertório fraquim, fraquim. Muito fraca a banda, naquela linha melódica-alternativa chorosa. Mais uma razão pra eu não confiar em certos críticos musicais. Na seqüência, o fodão The Isley Brothers. Big-band seminal veteranaça de soul e funk pesado, mano. A negritude baixou no palco e mandou um swing tonelada de rachar o assoalho. O guitarrista dos caras - a cara do ator Ving Rhames - dá um show à parte, arriscando escalas hendrixianas, tocando com a guitarra nas costas, com a boca, invertida e o escambau. Como se não bastasse, eles ainda me colocam um pessoalzinho sinistro rebolando lá na frente. Bailão black de primeira, bróder.


Randy Bachman, do Guess Who (lembram do Bachman Turner Overdrive?)

The Have Love Will Travel Revue é a banda pós-Blues Brothers do ator Dan Aykroyd, agora acompanhado de Jim Belushi, irmão do John. Quem já assistiu Os Irmãos Cara-de-Pau já conhece o riscado. "Blues, man..." - - e uma turma de loirudas de resPeito na coreografia. J.Timberlake vem a seguir, e prova que é o sonho molhado das moçoilas do lado de lá. Popzinho inofensivo com um pé no soul. Não chega a ofender os ouvidos, mas o mérito maior foi trazer a mulherada pra frente do palco. E diga-se passagem, que mulherada!

Cenário propício para o Guess Who entrar matando a pau com uma versão arrasadora do mega-clássico American Woman, o que causou uma comoção no público feminino. As primeiras garotas de camiseta molhada e de biquíni com a bandeira americana estampada começam a aparecer na multidão. O Lenny Kravitz pode voltar pro laboratório que o criou, pois nem em mil anos ele executaria essa música com o clima de tesão original. Profissionais do rock, o Guess Who evidencia os anos de estrada tanto na postura de macho quanto nas caras enrugadas. Os velhões detonam!


Geddy Lee, do Rush, me lembrando daquele showzaço no Maraca

Já o Rush é canadense, está em casa, e a recíproca veio da multidão turbinada, que só faltou fazer uma ôla quando a banda entrou. Eles começam com um Limelight básico, emendam com a rapidinha Freewill e provam que o seu maior hit por lá ainda é Spirit Of Radio - espertamente precedida de uma citação do clássico stoneano Paint It Black. Rever as viradas supersônicas da batera de Neil Peart foi uma emoção só. O cara é o verdadeiro Dr. Octopus!


Brian Johnson e Angus Young, do AC/DC... "Rock and Roll Ain't Noise Pollution"!

Galera em êxtase, bonézinho de caminhoneiro e uniforme de estudante entram em cena. AC/DC é A banda de arena por excelência. Eles fazem música GRANDE, para GRANDES ESPAÇOS, para GRANDES AGLOMERAÇÕES, e já entram apelando mesmo, com Back In Black logo de cara, colada com a levanta-estádio Thunderstruck. Na muvuca crowdeada e sold-outeada, zilhares de garotas pagando peitinho começam a pipocar por todos os lados. Ah eu lá.


Keith Richards, aparentemente imortal

De repente, a noite cai sem aviso, aos primeiros acordes de Start Me Up. Os cavaleiros das trevas do rhythm'n'blues, a maior banda de rock'n'roll de todos os tempos, Sua Majestade Rolling Stones entra em cena com a mesma energia de, sei lá, trezentos anos atrás (quantos séculos tem o RS?). Chega a ser surreal ver Charlie Watts (batera), Ron Wood (guitarra), Mick Jagger (fudião) e, principalmente, a instituição Keith Richards ainda arrancando sangue do palco. Na performance você reconhece de onde veio o DNA de U2, Duran Duran, Guns 'N Roses, Iggy Pop, Sex Pistols, Metallica, Aerosmith, Queen, Led Zeppelin, e todas as bandas de pop rock que fizeram sucesso nos últimos 30 anos. Tudo veio dali, das pedras rolantes. É um troço inexplicável, vai ser seminal assim lá longe. Ruby Tuesday ainda é trilha sonora para amassos fervorosos e Miss You (com J.Timberlake) faz até o machão mais duro requebrar na discotéque.

Agora, um parágrafo da História foi escrito naquela noite. À certa altura, eles resgatam o ultra-mega-clássico Rock Me Baby, de B.B.King, numa jam-monstro com os "aprendizes" do AC/DC. Quê quê isso, meu cumpádi. Angus Young duelando com Keith Richards...? Arpejos bluesísticos demoníacos e rock'n'roll sacana vazando pelos ladrões...? Se você acha que conhece rock, assista isso aqui. Obrigatório.


H.G. WELLES


"Através do golfo do espaço, mentes que estão para as nossas como as nossas estão para as feras da floresta, intelectos poderosos, frios e sem simpatia observavam esta Terra com olhos invejosos e lenta e inexoravelmente traçavam seus planos contra nós."

Em 1898, o escritor inglês H.G. Wells já antevia no clássico A Guerra dos Mundos um apocalipse aterrador (como se existisse apocalipse não-aterrador...), onde hordas de naves alienígenas devastavam a Terra e a civilização como a conhecemos. Parece até o roteiro de ID-4. E foi mesmo uma grande injustiça essa produção não ter se assumido como uma adaptação do livro, principalmente por ter cumprido razoavelmente bem o seu papel na transição para uma premissa mais pop.

"Pânico nos Estados Unidos. O país está sendo invadido por hordas de marcianos. Eles já chegaram a Nova York, a bordo de suas naves futuristas. Não há como resistir: a superioridade dos alienígenas é incontestável."

O mais interessante da mitologia ao redor do clássico é que ela se estende por mais 40 anos - até 30 de outubro de 1938 (em pleno Halloween) pra ser mais exato - graças ao bizarro episódio protagonizado pelo genial Orson Welles. O Cidadão Welles adaptou a obra de H.G. Wells para um formato rádio-jornalístico, que, ao ser veiculado num dos programas de maior audiência na época, causou um verdadeiro frisson (pra não dizer cagaço) nos ouvintes. Relatos davam conta de que as pessoas saíam apavoradas de suas casas atirando em caixas d'água, certos de que eram discos voadores (putza... confundir caixa d'água com disco voador é muita lesêra). Na transmissão, ele anunciava que naves imensas pairavam sobre o edifício da rádio CBS, em Manhattan. Entrevistas com falsos especialistas e testemunhas davam um verniz de realismo na coisa toda.

Ao final, Orson Welles entregou o jogo e disse que "essa é a nossa maneira de comemorar o Halloween". Nunca a palavra "motherfucker" foi tão repetida na História. :)


Guerra dos Mundos (War of the Worlds, 2005), o filme, conta com um dream team: o Peter Pan Steven Spielberg no manche, o brat-pack-que-deu-certo Tom Cruise no outdoor e menina de ouro Paula Wagner envolvida na produça, ao lado de Cocktail Cruise (estamos sarcásticos hoje hein).

Esse filme promete. Em certos casos a gente já pode esperar um certo nível de qualidade, ao menos na parte técnica. Spielberg tem a ILM no bolso e pode facilmente criar os melhores efeitos visuais desde a franquia Matrix. Conceber naves-mãe, robôs gigantescos, explosões dantescas, combates aéreos e monstrões cabeçudos cheios de tentáculos sugando a energia vital dos humanos seria bico. Aposto que só o palm top dele já dava conta do recado. Já Tom Cruise - um bom ator - é uma espécie de herói do sonho americano. Os caras lá gostam dele de verdade. Nunca o vi se dando mal em um filme e creio que não será dessa vez.


A concepção de H.G.Wells sobre a natureza dos marcianos é altamente maniqueísta. Parece até a visão norte-americana do comunismo, nos anos da Guerra Fria. Os marcianos têm toda uma carga de selvageria, antagonismo e negativismo, realçadas ainda mais pela sua origem. Marte é o deus romano da guerra (equivalente ao Ares grego), a personificação do aspecto sanguinário e selvagem das batalhas. Os marcianos eram maus mesmo. Viajaram essa distância absurda só pra sacanear com a nossa família. E talvez sejam esses detalhes que farão a maior diferença entre Guerra dos Mundos e ID-4.

No filme de Emmerich/Devlin não ficamos sabendo de onde os aliens vieram, nem o porquê da sua opção de colonizar o nosso já detonado planetinha. A única coisa que soubemos foi que eles precisam fazer um upgrade urgente no firewall da nave-mãe. Já em GdM, Spielberg tem algumas coisinhas a explicar. Ah, os caras são de Marte? Pô, legal, mas onde eles estavam que não os vimos durante todo esse tempo de observação? Se o filme fosse ambientado no século 19, igual ao livro, tudo bem, mas...

Seja como for, a megaprodução (US$ 128 milhões) está em ritmo de cruzador estelar durante uma dobra espacial: até seu lançamento nos EUA, em 29 de junho de 2005, serão parcos 8 meses desde o início das filmagens.


No primeiro teaser poster já podemos ver a mão de um dos monstrengos, e ao que parece o design deve ser bem parecido com o visto no clássico filme de 1953. Já o teaser trailer é bem econômico, mas traz uma atmosfera bastante sombria e intrigante. Se tudo der certo (leia-se: "boa bilheteria"), talvez possamos esperar por um futuro revival de ficção-científica cinqüentista. Remakes de clássicos do gênero com os efeitos visuais que sempre mereceram.

Já pensou, rever em grande estilo pérolas como o assustador Invaders from Mars, a tosqueira-mor Plan 9 from Outer Space, e o meu preferido, O Dia Em Que A Terra Parou?

E para homenagear a obra original e o vindouro blockbuster, nada melhor que um elseworld de leve.

Bem, na verdade existe coisa melhor sim, mas em termos de alcance imediato é isso aqui mesmo. :D




Esse aqui é interessante. O Clark desse especial não é aquele Clark "megafodônico" que conhecemos. É quase. Na verdade, o Super aqui ainda está em seus primeiros dias de capa vermelha, nos primórdios da Era de Ouro. Ou seja: "forte como uma locomotiva, rápido como uma bala e resistente como uma parede de concreto". Literalmente. Pra você ter uma idéia, ele ainda nem sabe que voa, e por isso se vale de saltos quilométricos, com toda a margem de erros que isso possa acarretar (e acarreta).

Superman - A Guerra dos Mundos não tem segredos, é simplesmente uma versão do clássico de H.G. Wells, com um kryptoniano no meio. Logo que Clark chega em Metrópolis, a Terra é invadida pelos marcianos comunistas, que destroçam as forças terrestres como se fossem o time do Botafogo. Obviamente, Clark - mais escoteiro do que nunca - sai no braço com os martian-boys, que rapidamente se interessam pela superioridade física do kryptoniano (que, aliás, desconhece sua origem kryptoniana).

Uma excelente HQ que retrata uma fase bem curiosa do maior ícone pop dos quadrinhos. E o final é bastante imprevisível, diga-se de passagem. Mérito do trampo "arqueológico" do roteiro de Roy Thomas e do traço providencialmente old school de Michael Lark. Até a lenda ambulante Eudes/The OutsiderZ já comentou sobre ela certa vez, então pode ir que é da boa. :P

Scans by: doggma - Link para o arquivo cbr, atualizado em 30/08/2017

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Klaatu Barada Nikto!


dogg... "rock me babeee... rock me aaaall night looong..."

sábado, 10 de julho de 2004

LEMBRA DISSO?®


Julho de 2001. Finalmente o teaser do filme Homem-Aranha estava on-line, após uma espera de mais de 30 anos (o pessoal da velha guarda que o diga)! Eram umas 4 horas da madruga e, após um senhor congestionamento na base de dados da Sony Pictures, finalmente baixei o disputado curta-metragem. Dezenas de reviews e análises já pipocavam em vários lugares da web, minutos depois dele ser disponibilizado, o que me deixava ainda mais ansioso. Mas, sinceramente, nada havia me preparado para o que eu ia assistir.

Com uma edição rápida e um roteiro simples, eu me deparei com o mesmo clima que estava acostumado a ver nas HQs, desde que era moleque. Os ladrões de banco high-tech, a ação veloz, o helicóptero dos vilões na cobertura do prédio, estava tudo lá... e o suspense para ver o aracnídeo, crescendo a cada frame. Após uma fuga espetacular, o susto. O helicóptero é bruscamente puxado para trás e eu ainda não havia assimilado que aquilo era uma teia... nada que dezenas de replays não resolvessem.

Aliás, esse teaser foi, com certeza, o vídeo que eu mais reassisti na vida (mais até do que o Dead End). Aquele helicóptero fazendo o papel de mosca presa na teia, em meio ao monumental World Trade Center, foi de gelar a alma. Eu estava tão assombrado quanto os malfeitores do filme. E o vislumbre final do Homem Aranha live-action foi indescritível. Ele se balançando nas teias entre os arranha-céus de New York era a realização de um sonho. Eu não acreditava no que estava vendo, literalmente. Minha lembrança mais próxima de um Aranha em carne e osso era aquele seriado medonho dos anos 70. Foi emocionante.












Já na terceira reprise (seguida) eu reparei no "Otto Octavius" do quadro dentro do banco. Bem antes de ler isso na web. Se eu tivesse blog naquela época... E olhando hoje, temos a certeza de que o segundo vilão da série já havia sido escolhido há muito tempo. Muitos cogitaram que seria o Lagarto ou o Venom. Tinha quem jurasse que seria os dois!


Após os atentados do 11/9, o teaser foi banido de toda e qualquer divulgação do filme. Achei uma pena, pois o herói simboliza a grandiosidade da cidade de New York, e seria sim, uma belíssima homenagem. Mas entendo perfeitamente esse caso em particular, que passa ao largo da censura instituída pós-atentado. O mundo estava traumatizado e era um momento muito delicado para questões de ordem pública.

Essa pequena pérola revolucionou o modo de se promover potenciais blockbusters e, como nunca foi vinculada ao filme em si, se tornou um momento único e inesquecível para os fãs do Amigo da Vizinhança. Foi a primeira vez que vimos o Aranha pessoalmente, de verdade.

Esse vídeo clássico está disponível aqui, para download.




PETER PARKFLY & SUPERMAN: RED SON - REDUX
(doggma's cut)


Analisar determinadas obras de forma mais técnica e particular é quase uma blasfêmia para alguns. Para esses, tudo tem de se limitar apenas à emoção. Geralmente isso ocorre quando se trata de um clássico reconhecido, e é fácil chamar opinião de pretensão. No escopo das HQs então, nem se fala... Fanboys são guerreiros xiitas que retaliam de forma selvagem e com requintes de crueldade passional. Eu sou um deles (paddawan ainda, mas sou sim), então conheço bem isso. Mas também sei que muitos guardam para si opiniões pessoais que diferem da maioria – talvez pra não gerar discussões, ou talvez por não ter saco para agüentá-las. É foda. :P

Como eu sou cabra-macho/bisneto de Lampião, questionarei aqui alguns pontos de obras consideradas irretocáveis e, "pior" ainda, recentes: Homem-Aranha 2 e Superman: Red Son. Putz.


Concordo que fui evasivo ao expressar em cotação o que achei do filme (embora o texto tenha ficado bem transparente). Antes, os pontos "negativos", que eu não que creio que o sejam, como o fato do Aranha ter parado o metrô. Ele consegue erguer cerca de 10ts, e é claro que esse nível de força lhe confere automaticamente uma resistência física sobre-humana. Não é qualquer pancadinha que faria o aracnídeo sangrar, por exemplo. Então, vejamos: esse nível de invulnerabilidade o livrou de fraturar as pernas nos trilhos, e foi um grande acerto ele não ter tido sucesso dessa forma. Levando em conta o peso e a velocidade do metrô, ali deveria ter umas 55/60ts de pressão pro Aranha segurar. Coisa pra um Hulk ou um Juggernaut. Se ele tivesse o brecado na hora seria osso de acreditar, mas ele ainda percorre uns 450m antes disso. Fazendo um contrapeso com picos de 10ts a cada 30m percorridos, dava sim. Sem contar com a ajuda do atrito existente entre as rodas e os trilhos. Além do mais, ele já fez coisa pior nas HQs (como suportar o peso da fundação de um edifício - isso que foi exagero). Pontuando a seqüência de forma corretíssima, o aracnídeo fica um caco após a façanha.


Ao contrário do que muitos acharam, não encarei como um erro grave o Parker ter revelado sua identidade pra metade de New York. Aquilo tinha de acontecer mesmo com o Harry e com a Mary Jane. Ninguém, em sã consciência, iria agüentar mais outro filme com o Harry choramingando e pressionando Parker, nem a deliciosa M.J. se esfregando no rapaz, sem sucesso ("ah, se ela me desse mole!"). Quanto aos passageiros do metrô, tudo certo também. A revelação de sua identidade contextualizou mais um elemento do sacrifício que a carreira de herói exige. E quando eles o carregaram cuidadosamente, ficou estabelecido um sentimento de solidariedade genuíno, muito mais verdadeiro do que o "mexeu com um, mexeu com todos" do primeiro filme (incitando uma reação coletiva ao 11/9, soando muito forçada). Isso foi um ponto a favor, na minha humilde e nada pretensiosa opinião.

Mas voltemos à lida: apesar do charme inegável que permeia a maior parte do filme, é inegável também que a estrutura da história é padronizada. É sim, tá tudo lá no manual dos filmes de aventura. A inovação no cinema pop acabou desde que Errol Flynn atirou a primeira flecha na pele de Robin Hood. Isso acontece. Lembro quando assisti no cinema o Terminator 2. Eu já sabia tudo do filme, como começava e como acabava. Até cenas importantes do meio eu já tinha visto na TV. Muito disso se dá em decorrência do marketing pesado, tal qual no spider-movie, mas a maior parte se deve mesmo à pouca ousadia do roteiro. No primeiro filme a grande sacada foi o motivo que levou Parker a ser um combatente do crime. Mérito de Stan Lee. Já HA2 veio "deserdado" de uma grande idéia e não se preocupou tanto com o quesito da originalidade. Isso não é exatamente grave, é apenas uma leve embaçada, afinal os personagens são tão carismáticos que tiram de letra qualquer clichê.

Também não é criticável a boa forma física exibida pela Tia May, quando se pendurou naquele guarda-chuva, no alto de um prédio. A intenção era de comicidade e a conclusão da cena foi simplesmente hilária.


Chato mesmo foi a suposta "morte" do Doutor Octopus. Assistir o Oquinho se rendendo e afundando que nem o Titanic foi, literalmente, um balde de água fria, principalmente depois daquelas lutas eletrizantes. E a calma relativa de todos perante aquela imensa esfera de energia foi anti-climática, especialmente quando o Oquinho estava caído e Parker ficou lá parado na frente dele. Cara, se aquela bolinha de gude causou tanto estrago na apresentação científica, aquela supernova era pra deixar todos desesperados. Acabou que a ameaça foi minimizada diametralmente à calmaria dos personagens envolvidos. Considerando que era a conclusão, esse deveria ser o auge do filme inteiro, a cena mais importante e a mais tensa. Esses detalhes foram ruins? Nem tanto. Poderiam ser melhorados? Poderiam sim, muito. Ficou faltando aquela última seqüência que povoaria nosso imaginário até o próximo filme.

Agora, detalhado: superior ao primeiro, mas longe de fazê-lo um retardatário. Nota que eu considero justa e sóbria pro HA2: 9,0 (a nota do primeiro é 8,5). Como podem ver, é uma excelente nota, mas não a melhor. Ainda não foi dessa vez que um filme do Aranha alcançou o nível de excelência.


A idéia do Superman comandando, com mão-de-ferro, um sistema totalitário e fascista já foi sugerido antes (vide Reino do Amanhã), mas Mark Millar elevou o conceito a novos patamares ao remanejar o super-caipira do Kansas para uma fazenda coletiva da Ucrânia. O roteiro é intrincado e sua complexidade é digna de nota. Saber transpor personagens já conhecidos para um outro contexto é difícil, e mais difícil ainda é saber que personagens. O Clark é uma força da natureza, uma fonte de inspiração e a representação máxima da ambição humana. É mais que um "super-herói", ele é uma figura simbólica, referencial e utópica - justamente a peça que faltava para o complicado tabuleiro de xadrez comunista. Tal qual o ideal soviético inalcançável, logo Clark passou a ser encarado como a personificação viva desses falsos anseios. Ninguém jamais chegaria um dia a ser um Super-Homem, a não ser ele próprio. Um Narciso ao avesso que só Freud explica e olhe lá.


Bom, qual é a bronca? Nenhuma, as pequenas imperfeições que se encontram em Red Son são próprias de edições especiais. Sentiríamos até falta se elas não estivessem lá. Um exemplo é a velocidade irregular da narrativa. Bizarro teve uma participação muito breve e carregada de mistério a respeito de sua natureza. Brainiac então, nem se fala. Ele vem do nada e é derrotado do nada também. Só aparece o CPU dele e olhe lá. Inimigos que poderiam render situações interessantes, como Metallo e Parasita foram reduzidos à experiências genéticas mal sucedidas. Se Red Son fosse uma maxi-série (como Watchmen) seria diferente, com certeza.


Uma pequena observação eu faria em relação ao contexto histórico envolvido. A história começa durante o período do pós-Guerra, na década de 50, retratando Clark como o braço forte de Josef Stalin. Não é especificado lá, mas imagino que o Super já estava com seus 35 anos de idade (seus poderes se manifestaram com 12). Bem, cerca de 15 anos antes, a União Soviética protagonizou um dos momentos mais críticos da 2ª Guerra. Eles foram responsáveis pela primeira grande derrota do exército alemão, em Stalingrado. Nessa época, Clark já deveria ter saído da fazenda e já estaria transitando pelos arredores de Moscou. Antes da virada em cima dos alemães, o povo russo foi vítima de um dos maiores genocídios da História da Humanidade. Só na Operação Barbarrossa, em 1941, foram mais de um milhão de mortos em apenas algumas semanas. Durante esse período, Stalin mergulhou em uma profunda depressão (ficou dias trancado em seus aposentos enquanto o povo era massacrado), devido à "traição" de Hitler, com quem havia assinado um tratado de cooperação mútua, pouco antes. Aonde estava Clark nesse ponto? Por que ele não interveio no massacre – pelo menos em território soviético?

Bom, isso de fato não é um ponto negativo e muito menos tira o brilhantismo da obra, afinal, toda história tem de começar de algum lugar. Pena que não começou antes. Millar perdeu uma excelente chance aí, mas obviamente foi intencional. Havia o risco de desvirtuar o objetivo da história, que era mostrar o impacto de um Clark soviético nos dias de hoje, e não nos dias de ontem.

Isto posto, proponho uma versão "sem cortes" de Red Son, com 12 edições de 100 páginas cada. :P