...que o
teaser mais comentado dos últimos tempos fosse liberado hoje...! Num puta capricho do destino, fiquei sabendo através do
Guimba (e pra quê diabos estou linkando?), que assumiu que é freqüentador assíduo do
Omelete. Nada de "antes de
I, Robot"
, nem de "antes de
Cat-Woman"
. Nada de intervalo milionário na Oprah ou no
Superbowl. Foi sem ninguém esperar. Adorei isso.
Já havia lido descrições do
teaser antes, mas vê-lo de fato foi uma emoção única. A impressão inicial é de que segue à risca os primórdios do texto original e um cuidado todo especial com as fontes. Nada de imagens impressionáveis e bombásticas, e sim, de citações com conhecimento de causa, construção de caráter e motivações. Está tudo lá: a amargura estampada nos olhos de
Bruce ainda criança (após a morte dos pais), a presença zelosa - e quase paterna - de
Alfred, a descoberta de um horizonte de possibilidades e...
justiça poética.





Sem comentários. Normalmente eu analiso, faço uma piada... mas agora não consegui. Tô que nem o João Saldanha na Copa. É a 1ª vez que verei um
FILME DO BATMAN (saca o conceito?)
e estou sem palavras. Aliás, tenho certeza que a maioria não verá "nada demais" no
teaser. É foda ter 27.
Ps.: Um dia ainda escreverei um análise tão intrincada de
Amnesia, que pra entender será preciso a leitura de
A Metamorfose, O Universo em uma Casca de Noz, A Insustentável Leveza do Ser e
Menino de Engenho.
Teaser do futuro filmaço (já decidi que vai ser)
Site oficial
MILIONÁRIO E ZÉ RICO
(hoje eu tô um pândego com esses títulos)
Narc (a.k.a.
Narco,
EUA/2002), é um melhores filmes de suspense policial dos últimos 10 anos. Escrito e dirigido por
Joe Carnahan, Narc traz seqüências de tensão pesada e visceral (os primeiros 5 minutos são de quebrar o encosto do sofá) e uma trama que, se não tão original, é muito bem estruturada. E também traz um trabalho nada menos que excepcional de dois atores que têm um histórico filmográfico bastante complicado:
Ray Liotta e
Jason Patrick.
Pra mim, Liotta sempre foi um bom ator - basta conferir filmaços como
Os Bons Companheiros (1990) ou
The Rat Pack - Os Maiorais (1998 - produção da HBO onde ele interpretava Frank "Old Blue Eyes" Sinatra). Como ele é um profissional altamente prolífico (tá em tudo quanto é filme!), é natural que suas escolhas nem sempre acertem o alvo. É a única teoria - minha, por sinal - que explica sua presença em buscapés como
Turbulência e
Fuga de Absolom (que até vale uma Sessãozinha da Tarde), e é justamente um dos fatores que torra o seu filme com os críticos.
Voltando ao assunto (e vocês nem imaginam aonde quero chegar...), aqui, no papel do tenente
Henry Oak, Ray faz o tipo que sabe melhor: ele mesmo. Quando quer ser bonzinho, ele parece até político em final de campanha. Os olhos azuis e o sorriso sincero praticamente reluzem no escuro. Você compraria um carro usado da mão dele, sem pestanejar. Mas quando ele começa a rosnar, sai da reta. O cara fica ameaçador, e aquele olhar angelical do começo cai por terra.
Jason Patrick já foi um aspirante à cadeira que Brad Pitt ocupa hoje (e que pertenceu à Tom Cruise). Após um promissor início de carreira (iniciado pelo filme
Garotos Perdidos), o rapaz deve ter ido morar lá pelas bandas do Oiapoque. Ele sumiu. Mas vez ou outra ele dava as caras, tanto em filmes interessantes (
Incognito, 1997), quanto em bombas nucleares (
Velocidade Máxima 2, também de 97).
A despeito de sua cara de galã de quinta, ele sempre demonstrou fôlego no que diz respeito à cenas de ação e, como ator, é um canastrão até razoável.
Narc traz a sua melhor performance até hoje, na pele do policial
Nick Tellis. Ele está bem transtornado, amargurado e um tanto psicótico. Cheguei à conclusão de que ele é o tipo de ator que depende 100% da natureza do personagem que vive, ao contrário de um Edward Norton ou um Johnny Depp da vida, que têm a manha (e o talento...) de se encaixarem em
qualquer contexto.
No filme, Patrick e Liotta são parceiros em cena na maior parte do tempo. Surpreendentemente, conseguem uma boa química juntos - o que o diretor Carnahan espertamente explorou em longas seqüências de interação dramática entre os dois.
Analisando mais de perto, vemos uma certa "cadeia de comando" nessa dupla. Liotta tem a natureza de um líder, seja pela sua presença intensa, experiência de campo, ou mesmo pelo seu comportamento irascível. Diferente de Patrick, que demonstra ser uma pessoa introspectiva e pragmática - apesar de igualmente anti-social. Curiosamente, eles se complementam, mesmo tendo um
modus operandi oposto. Essa é uma das (grandes) surpresas de
Narc.
- - Daqui pra frente as imagens são de Grayson, curta realizado por John Fiorella - -
(uns 10 minutos depois de ver o quanto são parecidas...)
Agora, de volta pra casa: navegando pelo
Cag@mba (tá arrebentando, hein Luiz), vi o teor do preview de
Grayson - um curta
do-it-yourself dirigido por
John Fiorella. Eu já havia lido à respeito no grupo de discussão
Somos X-Men (que de mutante só tem o nome...), o qual participo, e também no onipresente
Omelete.
Agora, prepare-se para uma fragmentação gramatical irresponsável da minha parte: Ok, passada a primeira impressão (nada boa: oportunismo condescendente, produto "B"
fake, alpinismo
video-maker, sub-Collora, etc.), vi que tanto o personagem principal,
Dick Grayson (o
Robin, parceiro do
Batman, pra quem se trancou em um
bunker nos últimos 40 anos, achando que a Crise de Cuba iria culminar na 3ª Guerra Mundial), quanto o conceito da narrativa - abandonar os entes queridos por uma vingança, em uma guerra praticamente perdida - lembram muito a idéia básica de
Narc (ufaaaa, cheguei ao ponto...!).
E agora, mais relaxadamente, por pontos: Dick (o próprio Fiorella - isso que é botar o seu na reta!) é cagado e cuspido o personagem do Jason Patrick em
Narc. E não falo de leves semelhanças não, é o contexto inteiro do personagem, inclusive o visual! Aparentemente, ele está casado e tem uma filhinha com
Barbara Gordon, ex-
Batgirl. Há muito tempo ela abandonou as orelhinhas de morcego postiças e agora quer ser apenas uma dona-de-casa padrão.
Com o assassinato de
Bruce (no curta... putz, isso é um
elseworld então!), Dick não aquieta o faixo até ir atrás do culpado - aparentemente uma conspiração engendrada pelo
Coringa, envolvendo
Charada, Pingüim, Selina Kyle, Clark, Diana e até
Hal Jordan (...!!)
. Com isso, o menino-prodígio, em sua obsessão, acaba abandonado por mulher e filha, o que é uma ótima desculpa para treinamentos, investigações e porradaria. Igual-à-Jason-Patrick-em-
Narc²
.
Isso acaba sendo um excelente diferencial de
Grayson. Durante muito tempo, sempre foi questionada a validade de uma "dupla" nesse universo fictício. Em especial a clássica
Batman & Robin, prejudicada ainda mais pelo teor "Clóvis Bornay" do seriado dos anos 60. Acho que se houvesse uma abordagem mais ríspida e menos subliminar (como em
Grayson, e na relação de Liotta e Patrick, em
Narc), o formato de "parceria" poderia ser resgatado sem traumas. Afinal, originalmente, é uma ótima idéia, mas extremamente defasada nesses dias cínicos em que vivemos. Tenham em mente
Vince Vega e
Jules Winnfield... Dupla dinâmica é isso aí!
Sem contar que Dick é espancado que nem boneco de Judas em dia de Páscoa. Jason Patrick também levou na cara impiedosamente durante as duas horas de
Narc.
...e é
isso que eu chamo de
Mulher-Gato... esse vídeo já é obrigatório só pelos sussurros e "quebradinhas" da gatinha
Kimberly Page... meow...
;)
Grayson - -