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segunda-feira, 15 de julho de 2019

Rob Zombie e a recuperação satânica dos 3 do Inferno!

Foram 14 longos anos desde que eles foram rejeitados pelo diabo. Mas agora finalmente os três do inferno estão de volta...

3 FROM HELL
Here it is !!!!!! Your first real look at 3 FROM HELL! I know you are gonna fucking love it !!!!!!!!!!!!!!!!! Get your tickets right here ! Right now! http://fathomevents.com/events/rob-zombies-3-from-hell?presale=df748b5e29a9bb436e76d4f90f9acfcf&fbclid=IwAR0SfZnkzOxovBZgelaKQBuuIZ6kJ7R6_j3ulBrVFThQukBVX6MX_5xk_E0
Publicado por Rob Zombie em Segunda-feira, 15 de julho de 2019

Haja supercola, cuspe e esparadrapo para juntar o que sobrou de Baby (Sheri Moon Zombie), Otis (Bill Moseley) e do Capitão Spaulding (Sid Haig) no final do filme de 2005. Mas pela prévia, velhas feridas de guerra não irão atrapalhar o jogo de volta dos remanescentes da infame Família Firefly.

3 from Hell estreia a partir de 16 de setembro lá fora. Já vou afinar o violão para mandar um southern rock de responsa.


Melhor ainda... botar um disco do Lynyrd pra fazer o serviço.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Rob Bruxo

Saiu mais um teaser poster de The Lords of Salem, o novo filme de Rob Zombie:


Creepy. Qualquer semelhança com o simpático boomer de The Walking Dead é mera ressonância mórfica.


The Lords of Salem terá uma première no próximo dia 10, no longínquo Festival Internacional de Toronto. O lançamento oficial vai ficar mesmo para algum ponto de 2013.

Não é o filme que eu apostava ser o próximo do Rob Zombie, mas parece ser tão divertido quanto. A premissa é uma mistura de Evil Dead com Heavy Metal do Horror, incluindo o velho recurso da obscura gravação (no caso, um disco de vinil) que é executada inadvertidamente e libera uma maldição secular.

E o elenco mantém o padrão de qualidade ISO-Zombie 9000: Meg Foster, Barbara Crampton, Udo Kier, Clint Howard, Ken Foree, Sid Haig, Michael Berryman, Billy Drago, Camille Keaton, Maria Conchita Alonso, Dee Wallace e Ernest Lee Thomas (também conhecido como Sr. Omar... trágico!). Só a diretoria. Isso sem falar na patroa.

Outro detalhe que chama a atenção é o orçamento, estimado em 1,5 milhão de dólares americanos. Isso, em termos cinematográficos, equivale ao troco da padaria que você esqueceu no bolso da calça (quem dera, hein). Mas dando uma breve olhada na lista de companias indie que Rob Zombie arrebanhou para o projeto logo se vê que não há nenhum mistério nisso. É simplesmente o preço que se paga por um pequeno detalhe chamado "controle criativo".



Enquanto isso, na Sala de Injustiça...

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O LUCHADOR


"51% motherfucker, 49% son of a bitch!"

Enquanto a Europa Filmes segue acabando com a paciência alheia (Death Proof? Alguém?), o multi-tarefas Rob Zombie já iniciou as filmagens de Halloween 2, sequência do remake que ele dirigiu em 2007. O filme explodiu nas bilheterias, implodiu nas críticas e permanece inédito por aqui, graças à distribuidora que não distribui. Mas, por hora, foda-se a Europa Filmes. O marido da esfuziante Sheri Moon já tem o próximo filme engatilhado e esse parece promissor: Tyrannosaurus Rex, ainda sem roteiro ou cast definido (adivinha a única atriz confirmada).

Especula-se que é baseado na hq The Nail, escrita em 2004 pelo próprio Zombie em parceria com Steve Niles (de 30 Dias de Noite). Agora, com a divulgação das artes conceituais - by Alex Horley - os rumores meio que se confirmam.

Aliás, isso até rendeu um bafafá sobre supostos desacordos entre o Niles e o Zombie - prontamente desmentidos por Niles, que vê o projeto mais como uma adaptação livre e o Zombie como o verdadeiro pai da criança.

Mas vou te contar... quanto mais se basear na obra original, melhor.


A hq é excelente e a premissa, curta e grossa: um wrestler fodão chamado Rex "The Nail" Hauser tenta proteger sua família de um grupo de motoqueiros assassinos from hell (literalmente). A graphic não poupa no grafismo. É violenta pra caceta - e daquele tipo de violência pulp que implora por uma versão jorrando sangue na telona.

Nem imagino o quanto dos elementos místicos/satânicos o filme irá incorporar, já que os previews sugerem um clima de exploitaton setentista, mas já dá pra perceber algumas referências pipocando aqui e acolá.


Algo do Quadrilha de Sádicos original...


...e até uma dose de Mad Max.

Mas isso são apenas tolas conjecturas. Esse filme seria instantaneamente foda se o ator principal confirmasse a aparência das ilustrações.



E dá-lhe Danny Trejo!


MySpace T.Rex

quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

AS NOVAS AVENTURAS DO CAPITÃO SPAULDING


Na época do lançamento de A Casa dos 1000 Corpos (House of 1000 Corpses, 2003), fiquei com o pé atrás, achando que o diretor estreante Rob Zombie - um cara bacana - se deixaria levar pela empolgação natural de quem está realizando sonho antigo. Inexperiência técnica e excesso de informações também vinham no pacote. Com a missão de realizar uma produção B com um ar, digamos, despretensioso, Zombie acabou criando um pequeno divisor de águas. O filme, execrado por 2,98/3 da população terrestre, era um tour-de-force nonstop de cultura trash.

O estilhaço de história começava no padrão estrutural típico (adolescentes, postos de beira de estrada, casarões sinistros, caroneiros[as] suspeitos[as]), mas logo descarrilhava em um carnaval macabro com missivas nada sutis ao american way of life. Tudo isso com um climão que remetia a um director's cut de Contos da Cripta/Amazing Stories/Twilight Zone. A Casa dos 1000 Corpos foi um levante anti-genéricos de Pânico, uma distorção febril de Massacre da Serra Elétrica, exagerado, irregular, perturbador, injetado de referências cult e incursões experimentais. É horror B, mas na versão Pro, não a Home Edition.

Eis que chega Rejeitados Pelo Diabo (The Devil's Rejects, 2005), uma continuação do "incontinuável". Tudo me levava a crer que o Zé do Caixão gringo iria triplicar o tempero daquele acarajé coagulado, tornando a digestão ainda mais complicada. Mas não é que o cara se revelou um chef sofisticadíssimo? Acima de tudo, Rejeitados marca uma evolução aterradora de Rob Zombie enquanto idealizador e realizador de filmes. É absurda a segurança que ele adquiriu entre um filme e outro. Ao zerar toda a tralha estereotipada de outrora (e olha que era muita coisa), Zombie colocou os monstros pra brincar à luz do dia, sob um ponto de vista nítido e revelador. He let the dogs out. E também foi esperto ao livrar a cara de personagens que, embora fossem a quintessência genealógica das famílias Sawyer & Voorhees, eram tão fascinantes quanto um ser humano com opinião própria.

Como o diretor mesmo disse, Rejeitados não é uma seqüência literal de A Casa. De lá, herda apenas as conseqüências da matança generalizada (que vem na forma de uma caça às bruxas Texas Ranger style) e seus protagonistas mais carismáticos: o esquisitão Tiny (Matthew McGrory, o gigante de Big Fish), o sociopata Otis (Bill Moseley), sua irmã Baby (Sheri Moon Zombie, esposa do Rob - tá bem o maluco) e Mama Firefly (Leslie Easterbrook, perfeita no lugar de Karen Black), além, é claro, do singular Capitão Spaulding (Sig Haig, outra vez excelente). O processo de revisão não poupou nem os demais membros da família Firefly (como Rufus - aqui numa ponta feita pelo dentes-de-sabre Tyler Mane - e o Vovô Hugo), nem Dr. Satan e suas abominações genéticas conjuradas dos círculos inferiores (estes, além de Rosario Dawson no papel de uma enfermeira, aparecem na seção de cenas deletadas do DVD).

Realmente Zombie deu uma faxina no casarão mal-assombrado. Falando nisso, o casarão também foi pra escanteio.


Rejeitados começa sem pausa pra respirar, como se fosse a ressaca da farra do primeiro filme. A residência dos Firefly é cercada por uma força-tarefa policial liderada pelo xerife Wydell (William Forsythe, imerso no personagem), irmão do tenente Wydell (abatido no filme anterior), obviamente obcecado por vingança. Acuados, Otis e Baby conseguem escapulir do cerco e caem na estrada. Logo pedem auxílio ao Capitão Spaulding, que recomenda um ponto neutro como abrigo - no caso, um puteiro dirigido pelo seu colleague Charlie Altamont, interpretado pelo venerável Ken Foree (ator do clássico O Despertar dos Mortos, de George A. Romero).

Aliás, a fina flor do cinema outsider compõe a escalação. Além de Foree, também marcam presença o folclórico Michael Berryman (de Quadrilha de Sádicos), P.J. Soles (de Carrie, A Estranha e do primeiro Halloween), o veterano Geoffrey Lewis, o onipresente Danny Trejo (de Um Drink no Inferno e dá só uma olhada no 3x4 dele no IMDb!) e, por última, uma senhorita que acabou com o tédio das minhas tardes pré-adolescentes: Ginger Lynn Allen.

Já a trilha sonora é um primor de compilação southern rock, utilizada sem a menor parcimônia. Notável também é o "carinho" que Zombie demonstra pelos personagens, conferindo-lhes tridimensionalidade e motivações individuais críveis. Até o fato de não poupar nenhum deles da crueldade hardcore daquele mundo-cão denota um respeito absoluto às suas existências bem tramadas. Ao contrário de um thriller comum de horror, ninguém tem cara de presunto ali. A maioria é gente-fina que se meteu numa merda de dar gosto, na qual gentes-finas podem perfeitamente se foder. Um momento bem ilustrativo da malvadeza do diretor é a horripilante "cena do mascarado" (ma-gis-tral-men-te filmada, uma pérola), desde o momento em que ele sai do hotel até o final. É a vida (ou a arte).

E aí chegamos aos "rejeitados pelo diabo", Otis, Baby, Capitão Spaulding e Mama Firefly, selecionados por Zombie como se fossem os participantes de um Big Brother from Hell. Ao focalizar suas atitudes práticas no cotidiano, Zombie cria uma sensação incômoda e persistente para o espectador. De um modo insólito, eles parecem surpreendentemente familiares, donos de uma moral interna que vai de encontro à moral do resto do mundo, mas ainda assim uma moral. Otis tem pose de rockstar e contestador do Sistema. Baby é a típica garota-que-só-quer-se-divertir, provocante, sacaninha e que dispara palavras rápido como uma cigana (conheço umas vinte assim). A zelosa Mama Firefly é a coroa insinuante na idade da loba (aliás, Easterbrook e Forsythe protagonizam alguns dos diálogos mais deliciosamente insanos dos últimos tempos). E Capitão Spaulding... é praticamente o meu padrinho.

A partir daí, Zombie desenvolve um loop de percepção, que eleva o filme de entretenimento bacana para um veículo de um significado maior e desgraçadamente humanista, que antige seu clímax justamente na vingança tão almejada pelo xerife Wydell. E aí meu amigo... só terminando com um spoiler mesmo pra eu poder desabafar:

(antes que eu me esqueça, spoiler do filme Dogville também)



Ao virar a mesa sobre quem é a caça e quem é o caçador, Zombie formulou uma questão de apelo universal. Note bem, em nenhum momento criamos algum tipo de simpatia pela família Firefly, e Zombie jamais suaviza a mão nas atrocidades que eles cometem, exatamente para que isso não ocorra. Mas em compensação, ele nos enfia goela abaixo o sabor amargo da vingança, ainda que direcionada à assassinos tão cruéis. O ensaio de genialidade vem justamente aí: após impregnar a tela com uma seqüência visceral de atos hediondos, Zombie praticamente esgota a nossa crença em conceitos como humanidade e boa-fé. Mas durante o pau-de-arara físico e psicológico empregado por Wydell - quando o nosso espírito de solidariedade está lá no centro da Terra - o sentimento de compaixão inevitavelmente vem à tona, com força total.

Tive pena da Mama, de Otis, de Spaulding, e torci para que Baby conseguisse fugir em uma cena extremamente simbólica da "mensagem" embutida no filme - situação a qual não pude deixar de relacionar com Grace, de Dogville, e suas ponderações que variavam de um extremo a outro sobre o destino que escolhera para os habitantes daquele vilarejo (não poupando nem o bebê de sua algoz). Observando a trajetória de Grace, Wydell e de... minha nossa, alguém anotou a placa... Yu Ji-tae & Oh Dae-su, de Oldboy, me pergunto até onde a vingança é eficiente como cauterizador espiritual.

A constatação do que realmente Rejeitados Pelo Diabo trata, surpreende. Funciona tanto como alegoria à política dos EUA em combater o terrorismo com terrorismo, quanto como um olhar pungente sobre a pena de morte. A redenção chega (sim, ela chega), e não deixa de ser lírica - lírica de uma maneira reconfortante para os personagens e alienígena para nós (mas compreensível enquanto testemunhas de sua trajetória). E novamente retornamos ao padrão - afinal, é um loop - e o filme se despede como um legítimo road movie, ao som da bela Free Bird, do Lynyrd Skynyrd.



Confesso... esperava menos de Rob Zombie. Muito menos.

Rejeitados Pelo Diabo é um filmaço.