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sexta-feira, 9 de agosto de 2024
O cliente ficou louco!
Fiz sexo com o meu cartão hoje. A maioria saiu por quase metade do preço na promocha da Panini acumulando com o cupom HQBARATA – até o momento, ainda tá valendo.
Deu pra enxugar um pouco daquela lista de candidatos à zona de rebaixamento (= reimpressão só na próxima era geológica). Mais uma nóia para o gibizeiro pós-moderno...
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terça-feira, 24 de outubro de 2023
Em busca do Warlock perdido

De um lado, o Omnibus mais desnecessário da História – do outro, um verme desprezível com um dilema nas mãos
Adam Warlock Omnibus é um calhamaço bíblico de 904 páginas com o Best Of do Gladiador Dourado, do Avatar da Vida, do Matador de Deuses, do Mestre de Todas as Almas...
O pack é de responsa:
Fantastic Four 66-67, The Mighty Thor 165-166, Marvel Premiere 1-2, Warlock 1-15, The Incredible Hulk 176-178, The Incredible Hulk Annual 6, Strange Tales 178-181, Marvel Team-Up 55, The Avengers Annual 7, Marvel Two-in-One 61-63 e Marvel Two-in-One Annual 2São 35 edições com profissionais top de linha da Era de Ouro da Marvel em plena Era de Bronze com destaque para um jovem e faminto Jim Starlin. Um sonho de verão intergaláctico. O problema é quase todo esse conteúdo foi publicado aqui. Em reedições recentes, inclusive.
Juntos, os dois volumes de A Saga de Thanos (Panini), A Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel - Clássicos Vol. 32 e Vol. 33 (Salvat), Os Heróis Mais Poderosos da Marvel Vol. 44 - Warlock (Salvat) e até Coleção Histórica Marvel: Os Vingadores Vol. 2 (Panini) compreendem algo como 90% do Omnibus. Quem tiver todos esses, pode passar sem dó. Meu caso.
Mas verme que é verme sempre encontra brechas na legislação interna.
No tomo inteiro, apenas quatro edições não têm republicação recente: a Hulk Annual #6 (novembro de 1977), publicada aqui há 43 anos (!) pela RGE em Almanaque do Hulk #2 (junho de 1980), e as Marvel Two-in-One #61, #62 e #63 (março-abril-maio de 1980), que a Abril "condensou" daquele jeitinho em O Incrível Hulk #19 e #20 (janeiro e fevereiro de 1985).
O primeiro caso, passo sem problema, mas o segundo...



O casulo de "Ela", a entrada triunfal de Parágona (depois, Kismet e, atualmente, Ayesha) e Benji providenciando as boas-vindas
A história traz o bom e velho Coisa com Alicia Masters, Águia Estelar/Aleta, Serpente da Lua, Alto Evolucionário e a semideusa Parágona indo até os confins do universo para reviver o lendário Adam Warlock. Essa aventura é uma queridona. Li e reli gazilhões de vezes desde molequinho. Na época, raramente conseguia de$colar duas edições novas na sequência, mas estas consegui por alguma rara conjunção astral.
Lembro que ficava fascinado pela intrigante capa de George Pérez, pelos desenhos de Jerry Bingham – com arte-final de Gene Day – e pelo roteiro frenético, engraçado e, ao mesmo tempo, reflexivo e melancólico do Mark Gruenwald. Qualidades que resistem até hoje. Era o Método Marvel no seu melhor.


A metamorfose macho-fêmea de Parágona e a transição corpórea de Águia Estelar e Aleta sem problematizações
Sem dúvida, é uma história muito importante para mim. Formadora de caráter até.
Há décadas espero por esta reedição na íntegra, em formato original e com papel delícia, mas ainda assim... Pegar um Busão de 370 paus por causa de três histórias parece a descrição de um crime hediondo.
Já fiz algo levemente parecido, há pouco tempo, quando peguei Liga da Justiça: Antologia só por causa da maravilhosa JLA #200. Mas isso já é outro nível de conversação. Outro, outro.
Completamente.
(...)
Ps: 🤔
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sábado, 7 de maio de 2022
Foi uma inesquecível jornada...

George Pérez
(1954 - 2022)
Um dos caras mais importantes, geniais e bacanas da indústria dos quadrinhos fez sua passagem para um merecido, merecidíssimo, descanso. Sem mais nada a acrescentar porque o show pra valer mesmo ele já deu.
Só espero que deixe um lugarzinho pra mim lá em Themyscira.
George Pérez made everything look effortless. His contributions were pivotal in both driving and reinventing DC’s long and rich history. George’s stories were a joy to read, and his work resonated with everyone he met. He will be missed by those here at DC and fans worldwide. pic.twitter.com/g8lMC62tK5
— DC (@DCComics) May 7, 2022
George Pérez was an artist, a writer, a role model, and a friend. His work paved seminal stories across comics, and his legacy of kindness and generosity will never be forgotten. Our family at Marvel mourns his loss today, and our hearts are with his family and loved ones. pic.twitter.com/Z61gXE1zk4
— Marvel Entertainment (@Marvel) May 7, 2022
Thank you for everything, George Pérez!
terça-feira, 7 de dezembro de 2021
Gigante Pérez
Quem acompanhou o cenário dos comics nos últimos anos não queria ouvir essa notícia, mas, de certa forma, sabia que uma hora ela chegaria.
Apesar do terrível prospecto, fica o otimismo inabalável, ainda mais direcionado ao sujeito simples e boa-praça que George Pérez sempre se mostrou durante toda a sua carreira. É bom sentir em suas palavras a plenitude, a integridade e a paz de quem olha para a própria vida em perspectiva e tem a certeza de que valeu/vale demais cada segundo. Sem dúvida, merece a chance de fazer suas despedidas, ao seu tempo e em seus termos.
E isso, pode acreditar, é uma oportunidade raríssima.
“De George para seus fãs, amigos e parentes, por favor leia abaixo. Esta página servirá como um lugar para se conectar com George e também receber atualizações. Por favor, respeite a privacidade de George e sua família neste momento difícil e entre em contato SOMENTE por esta via.
Obrigado e veja abaixo:
A todos os meus fãs, amigos e parentes,
É difícil acreditar que já se passaram quase três anos desde que anunciei formalmente minha aposentadoria da produção de quadrinhos devido à minha visão deficiente e outras enfermidades causadas principalmente por meu diabetes. Na época, fiquei lisonjeado e humilde com a quantidade de homenagens e depoimentos que meus fãs e colegas me deram. As palavras gentis ditas nessas ocasiões foram tão emocionantes que eu costumava brincar que ‘a única coisa que faltava nesses eventos era eu deitado em uma caixa’.
Foi divertido na época, pensei.
Agora, nem tanto. Em 29 de novembro, recebi a confirmação de que, depois de passar por uma cirurgia para obstrução do meu fígado, estou com câncer de pâncreas no estágio 3. É cirurgicamente inoperável e minha expectativa de vida estimada é de 6 meses a um ano. Foi-me dada a opção de quimioterapia e/ou radioterapia, mas depois de pesar todas as variáveis e avaliar quanto dos meus dias restantes seriam consumidos por consultas médicas, tratamentos, internações hospitalares e lidar com a burocracia muitas vezes estressante e frustrante do sistema médico, optei por deixar a natureza seguir seu curso e aproveitarei o tempo que me resta o mais plenamente possível com minha linda esposa de mais de 40 anos, minha família, amigos e meus fãs.
Desde que recebi meu diagnóstico e prognóstico, as pessoas do meu círculo íntimo me deram muito amor, apoio e ajuda, tanto prática quanto emocional. Eles me deram paz.
Haverá alguns assuntos de negócios para cuidar antes de eu ir. Já estou combinando com meu agente de arte o reembolso do dinheiro pago por esboços que não consigo mais finalizar. E, uma vez que, apesar de ter apenas um olho ativo, ainda posso assinar meu nome, espero coordenar uma última sessão de autógrafos em massa para ajudar a tornar minha passagem um pouco mais fácil. Também espero poder fazer uma última aparição pública em que possa ser fotografado com o maior número possível de fãs meus, com a condição de abraçar cada um deles. Eu só quero ser capaz de dizer adeus com sorrisos e também com lágrimas.
Eu sei que muitos de vocês terão perguntas a fazer ou comentários a fazer, e em vez de alimentar o fogo da especulação e da falta de comunicação bem-intencionada, mas potencialmente prejudicial, voltarei à arena da mídia social, iniciando uma nova conta no Facebook, onde fãs e amigos podem se comunicar comigo ou com meu representante designado diretamente para atualizações e esclarecimentos.
Para consultas à mídia e à imprensa, use as informações de contato da página também. Respeite a privacidade de minha esposa e família neste momento e use a página do Facebook em vez de entrar em contato por meio de outros canais.
Posso não ser capaz de responder tão rapidamente quanto gostaria, pois estarei me esforçando para obter o máximo de prazer externo que puder no tempo que me foi concedido, mas farei o meu melhor. Palavras amáveis também seriam muito apreciadas. Mais detalhes a seguir quando estiver tudo certo e funcionando.
Bem isso é tudo por agora. Esta não é uma mensagem que eu gostei de escrever, especialmente durante a temporada de feriados, mas, curiosamente, estou sentindo o espírito natalino mais agora do que em muitos anos. Talvez seja porque provavelmente será o meu último. Ou talvez porque estou envolvido nos braços amorosos de tantos que me amam tanto quanto eu os amo. É muito edificante saber que você levou uma vida boa, que trouxe alegria para tantas vidas e que deixará este mundo um lugar melhor porque fez parte dele. Parafraseando Lou Gehrig: ‘Algumas pessoas podem pensar que tenho um momento ruim, mas hoje me sinto o homem mais sortudo na face da Terra.’
Cuidem-se todos—e obrigado.
George Pérez
7 de dezembro de 2021”
Apesar do terrível prospecto, fica o otimismo inabalável, ainda mais direcionado ao sujeito simples e boa-praça que George Pérez sempre se mostrou durante toda a sua carreira. É bom sentir em suas palavras a plenitude, a integridade e a paz de quem olha para a própria vida em perspectiva e tem a certeza de que valeu/vale demais cada segundo. Sem dúvida, merece a chance de fazer suas despedidas, ao seu tempo e em seus termos.
E isso, pode acreditar, é uma oportunidade raríssima.
quarta-feira, 18 de agosto de 2021
Antologia, eu quero uma pra viver
Sempre curti antologias. Material DC-Marvel adequado —fruto de seu zeitgeist, emblemático, antológico— tem de sobra. Estivéssemos em um cenário econômico minimamente decente, estaria me refestelando nas investidas da Panini pela linha. Mas já que a editora segue esnobando o apelo fácil das Archive/Epic gringas em favor do couché com capa dura deluxão de 150 minions, lá vai o infeliz aqui submeter boa parte do checklist a uma triagem de fazer inveja ao exército espartano. Tempos desesperados.
Vez ou outra surgem algumas surpresas, como a supimpa mini Batman/Huntress: Cry for Blood, de Greg Rucka, ensanduichada no meio da improvável Arlequina e as Aves de Rapina: Antologia. Vê se pode e que Deus abençoe o Guia dos Quadrinhos.
No caso da Liga da Justiça, renderia uma série de antologias, fácil. Em particular, da Liga pré-Crise, em sua maior parte ainda criminosamente inédita por estas bandas (os drops "clássicos" que fecham os volumes da salgadeira Eaglemoss não contam). Então, Liga da Justiça: Antologia serve sobretudo como um paliativo neste worst case scenario, além de um arquivo razoavelmente compreensivo. Claro que não dá pra mastigar e cuspir 60 anos de cronologia assim, na loucura. Mas é bem divertida a viagem de classe econômica desde a The Brave and the Bold #28 inicial, com breves escalas na Era de Bronze e na Liga tosca até os bad boys dos Novos 52 —sim, estou falando de você, Clark.
E esta Antologia também me trouxe um impacto pessoal extra: a inclusão da 200ª edição de Justice League of America, de março de 1982. Ou melhor, da "Superdimensionada, Estrelada 200ª Edição de... ★★★★★ Liga da Justiça da América ★★★★★", como se rasgavam na chamadinha de capa.
E que capa.
George Pérez é um dos filhos da puta mais talentosos que a indústria dos quadrinhos já pariu. E aqui, sua presença cheirava como a melhor novidade dos comics regulares desde sei lá quando. Nem era realmente uma novidade, mas Pérez finalmente desenhando a Liga da Justiça, apesar de já ter experimentado isso numa aventura dos Novos Titãs, pra mim, era como um big evento. E, inadvertidamente, era mesmo, já que aquele foi o canto do cisne do artista no título.
A própria Liga me soava como algo novo e excitante. Em 1986, ainda molequinho e já sem 1 tostão, tinha que escolher cuidadosamente o que iria levar da banquinha. Não era raro conhecer tardiamente alguns medalhões das HQs. Às vezes, o destino conspirava a favor e meu 1º contato pra valer com os Superamigos de papel foi em grande estilo: Super Powers #3, da Abril. Essa li e reli até gastar.
A aventura "Uma Liga Dividida" é hors concours em listas de melhores histórias da equipe em todos os tempos. E na minha também. Na trama, os novos integrantes da Liga são atacados pelos membros originais, que aparentemente não têm nenhuma memória sobre eles. Seu objetivo é reunir os sete meteoritos onde estão os candidatos à soberania de Appellax, planeta dos mesmos aliens que eles enfrentaram em plena Era de Prata (se morda de inveja, Grant Morrison) e que, olha o spoiler, agora os mantêm sob domínio mental. Os fragmentos estão espalhados ao redor do globo —Índico, Zimbábue, Irlanda, Itália, Ilha Paraíso— e aí tem início aquilo que mais fazia a alegria do povão nerd da época: super-herói versus super-herói. Yay!
Não era uma história complexa, tampouco original —é mais ou menos uma versão DC da clássica Vingadores X Defensores, de nove anos antes— e nem creio que este tenha sido o intento do roteirista Gerry Conway, àquela altura titular na Liga por 50 edições. Ao confrontar duas gerações de heróis, Conway exalta todo aquele simbolismo heróico/libertário/inspirador que a superequipe projeta como nenhuma outra, aspecto este que havia sofrido um desgaste natural com o passar dos anos. O foco era revitalização.
Naquele período, as edições comemorativas haviam se tornado um filão interessante para as editoras. E por mais que a Marvel tenha produzido especiais memoráveis como Fantastic Four #200 (nov/1978), Amazing Spider-Man #200 (jan/1980), Thor #300 (out/1980) e Avengers #200 (out/1980 —hmmm, essa talvez não...), ninguém sabia fazer uma festa como a DC. Em JLA #200, a editora reuniu um cast inacreditável para ilustrar as porradarias super-heroísticas.
Temos aí Pat Broderick fazendo Ajax/Caçador de Marte/J'onn J'onnz vs. Nuclear, Jim Aparo com Aquaman vs. Tornado Vermelho, Dick Giordano em Mulher-Maravilha vs. Zatanna, Gil Kane com Lanterna Verde vs. Elektron, Carmine Infantino em Flash vs. Homem-Elástico, Brian Bolland com Batman vs. Arqueiro Verde & Canário Negro e o mestre Joe Kubert desenhando Superman vs. Gavião Negro.
Como se vê, uma escalação privilegiando criadores, como Kubert-Gavião Katar Hol e Kane-Elektron/Lanterna Hal Jordan, e artistas regulares de longa data, como Aparo-Aquaman e Broderick-Nuclear. A exceção é o british Brian Bolland, recém-saído da 2000 AD, em seu 3º trabalho para uma arte interna da DC. A maior parte das artes-finais é feita pelos próprios desenhistas, menos Pérez, finalizado por Brett Breeding, os segmentos de Broderick, por Terry Austin, e de Infantino, a cargo do grande Frank Giacoia.
O resultado é o crème de la crème de la crème de la crème...
É a 1ª vez que essa história é republicada por aqui desde aquela jurássica Super Powers —sabe-se lá por que catso a Panini só incluiu o prólogo com a origem resumida da Liga na Coleção DC 70 Anos 5 de 6. Logo que bati o olho na seleção, meu coração pútrido e nostálgico quase saltou pela boca. Finalmente estava próximo de colocar minhas garras nessa história em formato integral. Aquele infame "chuunf" cocainômano pelas páginas pós-retirada de plástico estava mais próximo do que jamais esteve...
...ou quase.
Só pra não perder o costume, na 1ª tiragem do volume, a Panini chutou o pênalti direto pra Lua. Simplesmente confundiram a edição JLA #5 (maio/1997) constante no índice e nos créditos da contracapa com Justice League #5 (setembro/1987). A primeira é da fase de Grant Morrison e do Superman elétrico, enquanto a última é a Liguinha de Keith Giffen e J.M. DeMatteis, já representada no encadernado pela edição #1.
E lá fui esperar recall, mais uns meses até uma nova tiragem, solicitar o código de postagem-reversal russa, redigir cartinha explicando a peraltice da editora, empacotar tudo com cuidado, me dirigir até uma agência dos Correios e sentir a espinha congelando com a porrada que a atendente deu com o pacote na quina do balcão. E este foi mais um oferecimento do meu, do seu, do nosso...
★★★★★ Porra, Panini!® ★★★★★
Ainda tive que segurar a abstinência por mais algumas semanas até aquele chuunf restaurador (por isso não faço vídeo unboxing, seria quase tão constrangedor quanto manter um blog hoje). Mas enfim, a nova edição chegou corrigida brand new.
Agora posso viajar sem interferências TOCquísticas pelo desenho estrutural do Satélite da Liga. Melhor base.
E, claro, ver o que o Azulão (literalmente) contava de novo naquele restinho de século e com direito a Batzuada.
Por sinal, essa foi a estreia do Superômi 220V na minha coleção física. Demorei só o necessário.

No fim, tudo deu certo e o bem venceu o mal. Como na Justice League of America #200...
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Porra Panini!,
quadrinhos
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
Balanço Janeiro/2019
E que tal um retrospecto do mês-porrada que passou?

Dia 1/1 - E dizem que viajar ao passado não é possível.
3/1 - Salvat semanal é seu cu no meu pau.
8/1 - Começamos o ano mal, muito mal. Peguei uma ESC em Cores #3 perfeitinha no Mercado Livre pra repor Conan x Elric na minha coleção e agora a Mythos desentoca a história nas atrasadíssimas Crônicas.
11/1 - Gibis Disney começarão do nº zero pela Culturama, aquela editora que distribui quadrinhos em supermercados, postos de conveniência, bingos e casas de tolerância.
13/1 - Aquaman chega a 1 bi. Aquaman. Pelas barbas de Netuno.
16/1 - Panini relança Kick-Ass completo com capas novas (e duras, uia) 6 meses após republicar o 1º volume que estava esgotado. Planejamento!
18/1 - 2018 começa nos deixando culturalmente (ainda) mais pobres: lá se vai Marcelo Yuka, 53, um dos maiores letristas, poetas e bateristas que este país já teve - além de um profundo estudioso de música brasileira.
18/1² - O editor Paulo Maffia, ex-Abril e atual Culturama, revela que os gibis Disney virão com numeração dupla para agradar tantos leitores antigos quanto novos. Assim, a 1ª edição de Mickey será o nº 0 e também o nº 912.584.674.989 pra não quebrar a série histórica.
19/1 - O genial George Pérez anuncia sua aposentadoria após 45 anos de carreira. Daqui pra frente é no esquema José Luis García-López: só mojitos, commissions e bem-alimentadas fangirls com cosplay de Poderosa.
23/1 - Adeus a Caio Junqueira, 42, veterano ator da TV brasileira eternizado na cultura pop por sua participação no filme Tropa de Elite como o instável aspira Neto. "Tira essa roupa preta. Tira essa roupa preta que você não merece usar. Você não é caveira, você é moleque. Ouviu? Você... é moleque!"
23/1¹ - Neill Blomkamp (Distrito 9) quer seu RoboCop Returns totalmente Paul Verhoeven e também Peter Weller de volta aos chassis de titânio revestido com kevlar. Segundo fontes, a 2ª opção seria Vladimir Putin. Eu compraria isso por um dólar!
23/1² - Além do deslocamento temporal e da singularidade verbal, dominamos também a técnica da invisibilidade moral.
25/1 - Rompimento na Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, BH. Este dia e suas chocantes imagens são mais um monstruoso monumento à ganância, corrupção, falta de caráter e irresponsabilidade corporativa, executiva, legislativa e judiciária. É a metástase do sistema literalmente vitimando tudo e todos à sua frente.
30/1¹ - Aquele cara Dick Miller se vai, aos 90. Ele foi parte essencial na cultura pop da minha geração - mesmo que a maioria sequer tenha reparado. Meu 1º contato com ele: Gremlins, claro. Depois Exterminador do Futuro, Depois de Horas, A Noite dos Arrepios, Grito de Horror, Matinee, etc, etc, etc.
30/1² - Warner confirma o que até a minha bisavó já sabia: Ben Affleck não é mais o Batman dos cinemas. E ele, de novo, se mostra um grande ex. Santo Sonrisal, Batman - mas eu faleeeei, não faleeeei?
31/1¹ - Marvel Entertainment segue investindo forte na reapresentação do Quarteto Fantástico. Elementar, meu caro H.E.R.B.I.E.
32/1 - ...hã, acabou? Até que enfim! CROM SEJA LOUVADO!

Dia 1/1 - E dizem que viajar ao passado não é possível.

3/1 - Salvat semanal é seu cu no meu pau.
8/1 - Começamos o ano mal, muito mal. Peguei uma ESC em Cores #3 perfeitinha no Mercado Livre pra repor Conan x Elric na minha coleção e agora a Mythos desentoca a história nas atrasadíssimas Crônicas.
11/1 - Gibis Disney começarão do nº zero pela Culturama, aquela editora que distribui quadrinhos em supermercados, postos de conveniência, bingos e casas de tolerância.
13/1 - Aquaman chega a 1 bi. Aquaman. Pelas barbas de Netuno.

16/1 - Panini relança Kick-Ass completo com capas novas (e duras, uia) 6 meses após republicar o 1º volume que estava esgotado. Planejamento!
18/1 - 2018 começa nos deixando culturalmente (ainda) mais pobres: lá se vai Marcelo Yuka, 53, um dos maiores letristas, poetas e bateristas que este país já teve - além de um profundo estudioso de música brasileira.
18/1² - O editor Paulo Maffia, ex-Abril e atual Culturama, revela que os gibis Disney virão com numeração dupla para agradar tantos leitores antigos quanto novos. Assim, a 1ª edição de Mickey será o nº 0 e também o nº 912.584.674.989 pra não quebrar a série histórica.
19/1 - O genial George Pérez anuncia sua aposentadoria após 45 anos de carreira. Daqui pra frente é no esquema José Luis García-López: só mojitos, commissions e bem-alimentadas fangirls com cosplay de Poderosa.

23/1 - Adeus a Caio Junqueira, 42, veterano ator da TV brasileira eternizado na cultura pop por sua participação no filme Tropa de Elite como o instável aspira Neto. "Tira essa roupa preta. Tira essa roupa preta que você não merece usar. Você não é caveira, você é moleque. Ouviu? Você... é moleque!"
23/1¹ - Neill Blomkamp (Distrito 9) quer seu RoboCop Returns totalmente Paul Verhoeven e também Peter Weller de volta aos chassis de titânio revestido com kevlar. Segundo fontes, a 2ª opção seria Vladimir Putin. Eu compraria isso por um dólar!
23/1² - Além do deslocamento temporal e da singularidade verbal, dominamos também a técnica da invisibilidade moral.

25/1 - Rompimento na Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, BH. Este dia e suas chocantes imagens são mais um monstruoso monumento à ganância, corrupção, falta de caráter e irresponsabilidade corporativa, executiva, legislativa e judiciária. É a metástase do sistema literalmente vitimando tudo e todos à sua frente.
30/1¹ - Aquele cara Dick Miller se vai, aos 90. Ele foi parte essencial na cultura pop da minha geração - mesmo que a maioria sequer tenha reparado. Meu 1º contato com ele: Gremlins, claro. Depois Exterminador do Futuro, Depois de Horas, A Noite dos Arrepios, Grito de Horror, Matinee, etc, etc, etc.
30/1² - Warner confirma o que até a minha bisavó já sabia: Ben Affleck não é mais o Batman dos cinemas. E ele, de novo, se mostra um grande ex. Santo Sonrisal, Batman - mas eu faleeeei, não faleeeei?
31/1¹ - Marvel Entertainment segue investindo forte na reapresentação do Quarteto Fantástico. Elementar, meu caro H.E.R.B.I.E.
32/1 - ...hã, acabou? Até que enfim! CROM SEJA LOUVADO!
sexta-feira, 10 de novembro de 2017
Avante, Salvat!
Sabe aquele momento no programa do Silvio Santos em que um participante já ganhou uma boa quantia em espécie e, já pronto pra partir felizão pra casa, recebe do faustiano apresentador uma proposta que triplica/quintuplica/decuplica o prêmio num tudo-ou-nada irresistível?
Pois é. A editora Salvat é o Silvio Santos do mercado brasileiro de quadrinhos. Mah-oeee.
Eu, que já vislumbrava a 3ª idade da relação com os gibis, à base de Bonellis, linhas claras e bárbaros cimérios, me vi tragado de volta à singularidade adolescente e colorida do mainstream super-heróico. Ah, para, ô.
Mas tenho meus motivos.
Essa é nada menos que uma das melhores fases dos Vingadores, com a parceria clássica-sim-clássica de Kurt Busiek e George Pérez explorando a quintessência de uma super-equipe. É o suprassumo do super-heroísmo. Juro pelas pinups de Jordi Bernet: se já vi os Vingadores batendo a Liga da Justiça alguma vez em seu próprio território, foi aqui.
Segue a grade dos três tomos (1.136 omnibústicas páginas no total!), incorporando espertamente alguns títulos extra-Avengers adjacentes.
Tenho a maior parte desse run nos formatinhos e formatões derradeiros da Abril e a coisa toda digitalizada pela Marvel há alguns anos. E vai pra estante. Com a caixinha.
Só a edição 01 coletando, entre outras coisas, a descaralhante Grandes Heróis Marvel v2 #6 praticamente na íntegra (faltou o gibi #10 do Mercúrio) trazendo o inferno pessoal da minha adorada Carol Danvers, já me justifica esse desatino financeiro. Fora que lá vem Conan, Tex Gold, Vilões Mais Poderosos, extensões...
Por favor, alguém pare a Salvat.
Ps: a bem da verdade, só remanejei a verba dacancelada Black Friday da Mythos deste ano. Limões & limonadas...
Pps: SQN... a Mythos incorporou um 1º de Abril em novembro e mandou ver numa BF esticada!
Pois é. A editora Salvat é o Silvio Santos do mercado brasileiro de quadrinhos. Mah-oeee.
Eu, que já vislumbrava a 3ª idade da relação com os gibis, à base de Bonellis, linhas claras e bárbaros cimérios, me vi tragado de volta à singularidade adolescente e colorida do mainstream super-heróico. Ah, para, ô.

Mas tenho meus motivos.
Essa é nada menos que uma das melhores fases dos Vingadores, com a parceria clássica-sim-clássica de Kurt Busiek e George Pérez explorando a quintessência de uma super-equipe. É o suprassumo do super-heroísmo. Juro pelas pinups de Jordi Bernet: se já vi os Vingadores batendo a Liga da Justiça alguma vez em seu próprio território, foi aqui.
Segue a grade dos três tomos (1.136 omnibústicas páginas no total!), incorporando espertamente alguns títulos extra-Avengers adjacentes.
Marvel Edição Especial Limitada Ed. 01 - Os Vingadores: Avante, Vingadores!
Avengers (vol. 3) 1-11, Avengers Annual 1998, Captain America (vol. 3) 8, Iron Man (vol. 3) 7 e Quicksilver (vol. 1) 7
Marvel Edição Especial Limitada Ed. 02 - Os Vingadores: Ultron Ilimitado
Avengers (vol. 3) 0, 12-22 e Avengers Annual 1999
Marvel Edição Especial Limitada Ed. 03 - Os Vingadores: Lendas Vivas!
Avengers (vol. 3) 23-34 e Thunderbolts (vol. 1) 42-44
Tenho a maior parte desse run nos formatinhos e formatões derradeiros da Abril e a coisa toda digitalizada pela Marvel há alguns anos. E vai pra estante. Com a caixinha.
Só a edição 01 coletando, entre outras coisas, a descaralhante Grandes Heróis Marvel v2 #6 praticamente na íntegra (faltou o gibi #10 do Mercúrio) trazendo o inferno pessoal da minha adorada Carol Danvers, já me justifica esse desatino financeiro. Fora que lá vem Conan, Tex Gold, Vilões Mais Poderosos, extensões...
Por favor, alguém pare a Salvat.
Ps: a bem da verdade, só remanejei a verba da
Pps: SQN... a Mythos incorporou um 1º de Abril em novembro e mandou ver numa BF esticada!
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Danvers Blues
Com toda justiça tardia, Miss Marvel finalmente seria a estrela de uma nova edição do Coelhinhas. Essa prometia. Porém, esses planos terrenos foram adiados após uma revisitada incidental numa boa parte da sua cronologia.
Em tempos de feminismos demagógicos e contraditórios, em que os Manos Warner suam a camisa pra encaixar uma diretora no filme da Mulher-Maravilha e onde vemos manifestações dúbias como a Marcha das Vadias e bobagens como o Femen e o Teste Bechdel, a linha do tempo da Miss Marvel pode servir como um exemplo do quão pode dar errado uma personagem feminina sendo escrita por homens. Olhando em perspectiva tudo o que a heroína atravessou num período de três décadas, não tive dúvidas de que se trata de algo que não pode ser ignorado. Pelo contrário... é objeto de estudo.
"Play it, Sam".
Miss Marvel, Binária, Warbird, Capitã Marvel... Carol Danvers é a personagem mais trágica da Marvel. Não tem pra Jean Grey, Elektra Natchios, Wanda Maximoff ou Natasha Romanova. A trajetória de Carol é triste e dramática. Deprimente mesmo. E um exemplo surreal de tenacidade tanto para uma editora negligente quanto para seus leitores, inertes sob a eterna sombra mod de outra loira assombrada das HQs.
Muitos dizem que a Miss Marvel foi uma tentativa da Marvel de criar sua própria Mulher-Maravilha. Em termos de estética e apelo, a lógica parece irrefutável, mas em termos de planejamento editorial, a teoria vai pro espaço em velocidade warp.
Criada em 1968, Carol Danvers era pouco mais que uma damsel in distress para o Capitão Marvel. Descontinuada abruptamente no ano seguinte, ela foi mais uma que conheceu de perto o significado da expressão "depósito das ideias". Reapareceu apenas em 1977, mas com um belíssimo plano de carreira: agora ela seria uma super-heróina com título próprio e também a garota-propaganda da Marvel no apoio à luta pelos direitos das mulheres - e ver o J. Jonah Jameson assumindo o papel do machão chauvinista ainda hoje é impagável.
Com a carreira em franca ascensão, Chris Claremont assume o título na 3ª edição, levando o run até seu final, na 23ª - um cancelamento precoce e aparentemente de última hora, com a seção de cartas enfileirando promessas para a "próxima edição" que nunca veio. As ambições da Marvel-Maravilha ficaram suspensas até o século seguinte para que ela engrossasse as fileiras de uma das estrelas da casa: os Vingadores.
Dali em diante, a heroína passaria por uma vida de torturas indizíveis nas mãos de editores e roteiristas sádicos.
Durante toda sua fictícia existência, Carol enfrentou grandes perrengues pessoais, profissionais, espaciais e dimensionais, mas o período 1980-2000 leva o prêmio. Não sei o quanto daquilo foram tentativas de repaginá-la, o quanto foram deficiências de continuidade ou o quanto foi simplesmente um exercício de sexismo. O fato é que Carol passou por coisas que nem um personagem de The Walking Dead passaria.
E o episódio escabroso com Marcus, escrito por David Michelinie, pode ser considerado o round 1.
Marcus era filho do vilão Immortus (resumindo muito, o Kang de um futuro alternativo) e nasceu num limbo entre as dimensões. Para chegar à dimensão da Terra 616, o sujeito simplesmente impregnou a Miss Marvel para nascer nesse mundo. Resultado: Carol, recém-integrada aos Vingadores, sofreu uma gravidez de nove meses comprimida em três dias para dar a luz ao bebê Marcus. Este, após o nascimento, amadureceu igualmente em velocidade acelerada. No fim, ele acabou retornando ao limbo, mas levando consigo uma perdidamente apaixonada Miss Marvel!
Quem diria que aquele inofensivo papo na praia com a Feiticeira Escarlate resultaria num futuro negro tanto pra uma quanto pra outra?
Recapitulando então: Miss Marvel largou tudo para ser a mulher de um cara que ela acabou de dar a luz. Mas calma, que a porrada ainda não é essa.
Entra em cena mais uma vez Chris Claremont, que ficou bastante insatisfeito com os rumos da personagem. Talvez tentando remediar aquela bizarra situação enquanto justifica a atitude incoerente de sua ex-paladina liberal-feminista, o escritor deu uma inestimável contribuição à máxima "a emenda ficou pior que o soneto". Na solução apresentada por seu roteiro, Carol estava o tempo todo hipnotizada por Marcus - e não no sentido figurado.
Não tinha como ficar pior.
Em suma, Miss Marvel teve seu corpo brutalizado para ser barriga de aluguel e dar a luz a um sujeito que mais tarde a estupraria à revelia num limbo (!). Perto desse, o Doutor Luz fica parecendo um monge capuchinho.
E vamos ao round 2...
Carol eventualmente volta à Terra (seis meses depois), sem lenço, sem documento, sem Vingadores e sem maiores explicações. A recepção de boas-vindas fica por conta de Vampira, então uma vilã estreante das mais ameaçadoras, que comete contra ela um dos maiores crimes impunes da Marvel em todos os tempos.
Nesse ponto cabe algumas breves considerações sobre os efeitos desse acontecimento nos anos que se seguiriam:
1.0 - É sintomático que um dos momentos mais marcantes e icônicos da personagem, que reverberou tanto em outras mídias quanto em saudáveis atividades esportivas, não tenha sido mostrado na época. Originalmente, o ataque foi apenas mencionado no texto de Claremont - fato muito mal remendado 11 anos depois, com os cacos de um roteiro não-finalizado em uma história terrível. Pobre Carol, maltratada até pra sofrer.
1.1 - Irônico observar hoje o quanto isso alavancou a popularidade da então baranguíssima Vampira - promovida a heroína e até a sex symbol - e o quanto serviu pra enterrar ainda mais a carreira da outrora promissora Miss Marvel.
Após uma temporada em coma, sem memória e sem poderes, Carol recebe alguma reabilitação de Charles Xavier, mas fica com profundas sequelas, como a perda da ligação emocional com sua família e seus amigos. Incorporada aos X-Men, Carol teve pouco tempo pra curtir a mansão X: foi capturada pelos aliens da Ninhada e submetida a um violento procedimento de reestruturação genética. Iniciava ali a sua fase como a poderosa Binária. Mas poder ampliado é vendaval e ela logo se viu rebaixada ao nível da Cristal.
Pensando bem, esses são os rounds 2, 3 e 4 juris et de jure.
Na lona mais uma vez, inexplicavelmente, nossa super-heroína retorna aos Vingadores - os mesmos que davam tchauzinho enquanto ela ia embora com Marcus pro limbo. Velho uniforme, novo code: Warbird, em homenagem aos caças norte-americanos da 2ª Guerra (seus favoritos). Na troca de mansões, Carol leva de brinde um lindo bar com uma farta adega - o que é no mínimo arriscado, visto que um dos frequentadores do lugar é um feliz entusiasta de tais apetrechos.
Após tanta pancada no céu, na terra e até no limbo, não é surpresa a natureza do próximo round:
Carol mergulha de cabeça numa interminável espiral etílica, dando início a uma de suas fases mais sombrias. Apesar das várias tentativas de ajuda de Tony Stark (num retrato angustiante, mas bem realista do estado de sobriedade), a negação mostra que é mesmo a maior inimiga do autocontrole.
Alcoolismo is a bitch.
A paranoia com suas oscilações de poder, as visitas furtivas ao barzinho da mansão e o desespero em provar seu valor formam uma combinação desastrosa. Carol não resiste nem a uma enxugada numa aguardente kree durante uma missão na qual só o que estava em jogo era o destino da Terra. De bônus, quase mata o Dentinho.
O resultado veio rápido e fulminante.
Esse foi o lead da minissaga Vingadores versus Krees, de Kurt Busiek e George Pérez. A sequência do confronto final entre os heróis e um grupo terrorista kree é de tirar o fôlego, como é de se esperar vindo da clássica dupla. Com a conhecida explosão de detalhes e a dinâmica frenética de um embate épico, essa foi uma das grandes batalhas dos Vingadores.
O que mais me marcou, contudo, foram as breves intervenções de Carol, inseridas em meio às heróicas cenas de ação. São alguns dos momentos mais cruéis e impiedosamente tocantes que já li num gibi.
Ao contrário de seus ex-colegas de equipe, lá estava uma Miss Marvel impotente, solitária e refém de si mesma, protagonizando uma das lutas mais perdidas das HQs.


Literalmente o fundo do poço - ou do beco - pra quem ficava zigue-zagueando galáxia afora em seus tempos de Binária. A incomum escolha para a condução da aventura também serviu sob medida para o seu desfecho.
Mas o que seria uma saída fácil para os problemas de Carol não se configura - felizmente, do ponto de vista narrativo. Afinal estamos falando de dependência alcoólica aqui. Não existem saídas fáceis, tampouco individuais. Portanto, ainda acompanhamos a Miss Marvel e seu probleminha crônico se esgueirando por mais algumas edições, dessa vez no título solo do Homem de Ferro - quem mais?
Sem dúvida nenhuma, com grandes traumas vêm grandes responsabilidades. O círculo finalmente é fechado, dignamente e com acerto de contas. E principalmente, marca o fim de uma longa e dolorosa via crucis percorrida pela heroína.
Às vezes a Marvel escreve errado por linhas tortas. O porquê disso tudo ter ocorrido com uma personagem com evidente potencial pop é, para mim, um mistério. Fico feliz em ver que não sou o único a se horrorizar com a caótica trajetória de Carol. E fico ainda mais feliz pelo seu rehab editorial. Claro, ela enfrentou alguns problemas sérios depois disso, mas nada desmerecedor de sua importância conceitual.
Atualmente, recém-saída de um bom run escrito por Kelly Sue DeConnick, a heroína trocou mais uma vez de codinome (Capitã Marvel, em homenagem ao saudoso Mar-Vell), cedendo seu antigo Ms. Marvel para a aclamada série da Kamala Khan e sendo enfim tratada como deveria.
Nada mais justo para uma personagem que sobreviveu tantos anos sob o fogo cerrado de seu maior e mais insidioso inimigo, tão bem metaforizado naquela profética edição #21 de sua primeira série solo.
'Nuff said, girl!
Direto das caixas do tempo dos gibis:
Edições GEP #21 - Sensacional o Nôvo Capitão Marvel (1970)
Heróis da TV #3 (setembro de 1979)
Grandes Heróis Marvel #17 (1ª série, setembro de 1987)
Heróis da TV #100 (outubro de 1987)
Superaventuras Marvel #64 (outubro de 1987)
Superaventuras Marvel #69 (março de 1988)
Marvel 2000 #3 (março de 2000)
Grandes Heróis Marvel #6 (2ª série, julho de 2000)
Homem-Aranha #17 (Super-Heróis Premium, dezembro de 2001)
Ps: a Editora Salvat irá publicar nos volumes de capa vermelha as primeiras histórias de Carol na fase DeConnick, além de suas primeiras aventuras solo da Era de Bronze. Já estou no aguardo ansiosamente.
Em tempos de feminismos demagógicos e contraditórios, em que os Manos Warner suam a camisa pra encaixar uma diretora no filme da Mulher-Maravilha e onde vemos manifestações dúbias como a Marcha das Vadias e bobagens como o Femen e o Teste Bechdel, a linha do tempo da Miss Marvel pode servir como um exemplo do quão pode dar errado uma personagem feminina sendo escrita por homens. Olhando em perspectiva tudo o que a heroína atravessou num período de três décadas, não tive dúvidas de que se trata de algo que não pode ser ignorado. Pelo contrário... é objeto de estudo.
"Play it, Sam".
Miss Marvel, Binária, Warbird, Capitã Marvel... Carol Danvers é a personagem mais trágica da Marvel. Não tem pra Jean Grey, Elektra Natchios, Wanda Maximoff ou Natasha Romanova. A trajetória de Carol é triste e dramática. Deprimente mesmo. E um exemplo surreal de tenacidade tanto para uma editora negligente quanto para seus leitores, inertes sob a eterna sombra mod de outra loira assombrada das HQs.
Muitos dizem que a Miss Marvel foi uma tentativa da Marvel de criar sua própria Mulher-Maravilha. Em termos de estética e apelo, a lógica parece irrefutável, mas em termos de planejamento editorial, a teoria vai pro espaço em velocidade warp.
Criada em 1968, Carol Danvers era pouco mais que uma damsel in distress para o Capitão Marvel. Descontinuada abruptamente no ano seguinte, ela foi mais uma que conheceu de perto o significado da expressão "depósito das ideias". Reapareceu apenas em 1977, mas com um belíssimo plano de carreira: agora ela seria uma super-heróina com título próprio e também a garota-propaganda da Marvel no apoio à luta pelos direitos das mulheres - e ver o J. Jonah Jameson assumindo o papel do machão chauvinista ainda hoje é impagável.

Com a carreira em franca ascensão, Chris Claremont assume o título na 3ª edição, levando o run até seu final, na 23ª - um cancelamento precoce e aparentemente de última hora, com a seção de cartas enfileirando promessas para a "próxima edição" que nunca veio. As ambições da Marvel-Maravilha ficaram suspensas até o século seguinte para que ela engrossasse as fileiras de uma das estrelas da casa: os Vingadores.
Dali em diante, a heroína passaria por uma vida de torturas indizíveis nas mãos de editores e roteiristas sádicos.
Durante toda sua fictícia existência, Carol enfrentou grandes perrengues pessoais, profissionais, espaciais e dimensionais, mas o período 1980-2000 leva o prêmio. Não sei o quanto daquilo foram tentativas de repaginá-la, o quanto foram deficiências de continuidade ou o quanto foi simplesmente um exercício de sexismo. O fato é que Carol passou por coisas que nem um personagem de The Walking Dead passaria.
E o episódio escabroso com Marcus, escrito por David Michelinie, pode ser considerado o round 1.

Marcus era filho do vilão Immortus (resumindo muito, o Kang de um futuro alternativo) e nasceu num limbo entre as dimensões. Para chegar à dimensão da Terra 616, o sujeito simplesmente impregnou a Miss Marvel para nascer nesse mundo. Resultado: Carol, recém-integrada aos Vingadores, sofreu uma gravidez de nove meses comprimida em três dias para dar a luz ao bebê Marcus. Este, após o nascimento, amadureceu igualmente em velocidade acelerada. No fim, ele acabou retornando ao limbo, mas levando consigo uma perdidamente apaixonada Miss Marvel!
Quem diria que aquele inofensivo papo na praia com a Feiticeira Escarlate resultaria num futuro negro tanto pra uma quanto pra outra?
Recapitulando então: Miss Marvel largou tudo para ser a mulher de um cara que ela acabou de dar a luz. Mas calma, que a porrada ainda não é essa.
Entra em cena mais uma vez Chris Claremont, que ficou bastante insatisfeito com os rumos da personagem. Talvez tentando remediar aquela bizarra situação enquanto justifica a atitude incoerente de sua ex-paladina liberal-feminista, o escritor deu uma inestimável contribuição à máxima "a emenda ficou pior que o soneto". Na solução apresentada por seu roteiro, Carol estava o tempo todo hipnotizada por Marcus - e não no sentido figurado.
Não tinha como ficar pior.
Em suma, Miss Marvel teve seu corpo brutalizado para ser barriga de aluguel e dar a luz a um sujeito que mais tarde a estupraria à revelia num limbo (!). Perto desse, o Doutor Luz fica parecendo um monge capuchinho.
E vamos ao round 2...

Carol eventualmente volta à Terra (seis meses depois), sem lenço, sem documento, sem Vingadores e sem maiores explicações. A recepção de boas-vindas fica por conta de Vampira, então uma vilã estreante das mais ameaçadoras, que comete contra ela um dos maiores crimes impunes da Marvel em todos os tempos.
Nesse ponto cabe algumas breves considerações sobre os efeitos desse acontecimento nos anos que se seguiriam:
1.0 - É sintomático que um dos momentos mais marcantes e icônicos da personagem, que reverberou tanto em outras mídias quanto em saudáveis atividades esportivas, não tenha sido mostrado na época. Originalmente, o ataque foi apenas mencionado no texto de Claremont - fato muito mal remendado 11 anos depois, com os cacos de um roteiro não-finalizado em uma história terrível. Pobre Carol, maltratada até pra sofrer.
1.1 - Irônico observar hoje o quanto isso alavancou a popularidade da então baranguíssima Vampira - promovida a heroína e até a sex symbol - e o quanto serviu pra enterrar ainda mais a carreira da outrora promissora Miss Marvel.
Após uma temporada em coma, sem memória e sem poderes, Carol recebe alguma reabilitação de Charles Xavier, mas fica com profundas sequelas, como a perda da ligação emocional com sua família e seus amigos. Incorporada aos X-Men, Carol teve pouco tempo pra curtir a mansão X: foi capturada pelos aliens da Ninhada e submetida a um violento procedimento de reestruturação genética. Iniciava ali a sua fase como a poderosa Binária. Mas poder ampliado é vendaval e ela logo se viu rebaixada ao nível da Cristal.
Pensando bem, esses são os rounds 2, 3 e 4 juris et de jure.
Na lona mais uma vez, inexplicavelmente, nossa super-heroína retorna aos Vingadores - os mesmos que davam tchauzinho enquanto ela ia embora com Marcus pro limbo. Velho uniforme, novo code: Warbird, em homenagem aos caças norte-americanos da 2ª Guerra (seus favoritos). Na troca de mansões, Carol leva de brinde um lindo bar com uma farta adega - o que é no mínimo arriscado, visto que um dos frequentadores do lugar é um feliz entusiasta de tais apetrechos.
Após tanta pancada no céu, na terra e até no limbo, não é surpresa a natureza do próximo round:
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| Alcooooolismoooo! |
Carol mergulha de cabeça numa interminável espiral etílica, dando início a uma de suas fases mais sombrias. Apesar das várias tentativas de ajuda de Tony Stark (num retrato angustiante, mas bem realista do estado de sobriedade), a negação mostra que é mesmo a maior inimiga do autocontrole.
Alcoolismo is a bitch.
A paranoia com suas oscilações de poder, as visitas furtivas ao barzinho da mansão e o desespero em provar seu valor formam uma combinação desastrosa. Carol não resiste nem a uma enxugada numa aguardente kree durante uma missão na qual só o que estava em jogo era o destino da Terra. De bônus, quase mata o Dentinho.
O resultado veio rápido e fulminante.

Esse foi o lead da minissaga Vingadores versus Krees, de Kurt Busiek e George Pérez. A sequência do confronto final entre os heróis e um grupo terrorista kree é de tirar o fôlego, como é de se esperar vindo da clássica dupla. Com a conhecida explosão de detalhes e a dinâmica frenética de um embate épico, essa foi uma das grandes batalhas dos Vingadores.
O que mais me marcou, contudo, foram as breves intervenções de Carol, inseridas em meio às heróicas cenas de ação. São alguns dos momentos mais cruéis e impiedosamente tocantes que já li num gibi.
Ao contrário de seus ex-colegas de equipe, lá estava uma Miss Marvel impotente, solitária e refém de si mesma, protagonizando uma das lutas mais perdidas das HQs.



Literalmente o fundo do poço - ou do beco - pra quem ficava zigue-zagueando galáxia afora em seus tempos de Binária. A incomum escolha para a condução da aventura também serviu sob medida para o seu desfecho.
Mas o que seria uma saída fácil para os problemas de Carol não se configura - felizmente, do ponto de vista narrativo. Afinal estamos falando de dependência alcoólica aqui. Não existem saídas fáceis, tampouco individuais. Portanto, ainda acompanhamos a Miss Marvel e seu probleminha crônico se esgueirando por mais algumas edições, dessa vez no título solo do Homem de Ferro - quem mais?
Sem dúvida nenhuma, com grandes traumas vêm grandes responsabilidades. O círculo finalmente é fechado, dignamente e com acerto de contas. E principalmente, marca o fim de uma longa e dolorosa via crucis percorrida pela heroína.
* * * * * *
Às vezes a Marvel escreve errado por linhas tortas. O porquê disso tudo ter ocorrido com uma personagem com evidente potencial pop é, para mim, um mistério. Fico feliz em ver que não sou o único a se horrorizar com a caótica trajetória de Carol. E fico ainda mais feliz pelo seu rehab editorial. Claro, ela enfrentou alguns problemas sérios depois disso, mas nada desmerecedor de sua importância conceitual.
Atualmente, recém-saída de um bom run escrito por Kelly Sue DeConnick, a heroína trocou mais uma vez de codinome (Capitã Marvel, em homenagem ao saudoso Mar-Vell), cedendo seu antigo Ms. Marvel para a aclamada série da Kamala Khan e sendo enfim tratada como deveria.
Nada mais justo para uma personagem que sobreviveu tantos anos sob o fogo cerrado de seu maior e mais insidioso inimigo, tão bem metaforizado naquela profética edição #21 de sua primeira série solo.

Direto das caixas do tempo dos gibis:
Edições GEP #21 - Sensacional o Nôvo Capitão Marvel (1970)
Heróis da TV #3 (setembro de 1979)
Grandes Heróis Marvel #17 (1ª série, setembro de 1987)
Heróis da TV #100 (outubro de 1987)
Superaventuras Marvel #64 (outubro de 1987)
Superaventuras Marvel #69 (março de 1988)
Marvel 2000 #3 (março de 2000)
Grandes Heróis Marvel #6 (2ª série, julho de 2000)
Homem-Aranha #17 (Super-Heróis Premium, dezembro de 2001)
Ps: a Editora Salvat irá publicar nos volumes de capa vermelha as primeiras histórias de Carol na fase DeConnick, além de suas primeiras aventuras solo da Era de Bronze. Já estou no aguardo ansiosamente.
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