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segunda-feira, 27 de maio de 2024

Meus 97 centavos

Sempre gostei mais de X-Men: Evolution do que de X-Men: The Animated Series.

Sério.


Agora que só ficaram os mais fortes (e leitor do BZ é, antes de tudo, um forte®), um contextinho. X-Men na década de 1990 foi a galinha dos ovos de ouro da Marvel. Fenômeno legítimo, daqueles estoura-bolhas. Não acompanhava quadrinhos naquela década, mas vivia topando com imagens de Wolverine, Vampira, Gambit e Cable em mochilas, lancheiras, camisetas, bonequinhos paraguaios, em tudo que é canto. Coisa que não acontecia nem na fase Claremont/Byrne. Naqueles tempos de internet a lenha, isso era um feito incrível.

Inclusive, soube primeiro da existência da série animada por um colega de trabalho cujo perfil era o mais antigibizeiro possível – estava mais pra Lucky Luciano mesmo. Mas assinava a Sky e, por consequência, a Fox Kids.

Quando finalmente assisti alguns episódios do desenho (num TV Globinho, acho), me surpreendi com a transposição do material. À 1ª vista, parecia tudo muito fiel. Claro, as adaptações e supressões devem ter deixado o leitor assíduo se roendo, mas, em termos gerais, a série trazia elementos das HQs até então impensáveis para o formato. Todas as discussões sobre preconceito, política segregacionista e extremos ideológicos estavam lá. Coisas como os Amigos da Humanidade e os Sentinelas de Bolivar Trask são mais atuais do que nunca, infelizmente. Junto com o combo vieram a estética atualizada e o fanservice massavéio de porradaria e ação nonstop. E esse era o grande problema da série pra mim: o pacing.

A montagem truncada ia de zero a cem em 0,5 segundo. Pausas para respirar/refletir/absorver inexistiam. Sequências frenéticas de ação eram emendadas umas nas outras sem nenhum critério. O material-base tampouco ajudava, com toda a mixórdia de clones, viagens no tempo, versões alternativas, alienígenas, retcons, etc, etc. Era o puro suco dos anos 90. Tudo isso ultraprocessado e prensado na deadline de 22 minutos/episódio. Uma dramática queda de qualidade para quem já assistia/venerava Batman: A Série Animada.

Mesmo assim, o desenho foi um sucesso estrondoso. Além de render 5 temporadas, seu molde rápido e rasteiro foi implementado em novas séries, de Homem-Aranha (que conseguia ser ainda pior na correria narrativa), Homem de Ferro e O Incrível Hulk até Quarteto Fantástico e o meu favorito, Surfista Prateado.

Portanto, afirmo sem dor na consciência (e amor à integridade física) que tive muito mais satisfação com X-Men: Evolution alguns anos depois. Era uma adaptação mais abrangente, porém sensata e pragmática. O storytelling, embora mais juvenil na 1ª temporada, era tridimensional e humano, com dramas e tensões finalmente bem desenvolvidos. Garotas & garotos numa escola agindo como garotas & garotos numa escola, ora pois.

Logicamente, o desenho foi excomungado pela fanboyzada.


Toda essa introdução bíblica (ops) só pra confirmar o óbvio: X-Men '97 foi produzida milimetricamente para agradar os órfãos da série original. Engajar diretamente novos fãs tem menos peso do que impulsionar o boca-a-boca elogioso dos antigos. Isso inclui até a recriação da abertura e do clássico tema original, escrito por Ron Wasserman e composto por Haim Saban e Shuki Levy, readquirido a peso de ouro após um quiprocó judicial. A produção chegou ao requinte de reunir vários dos dubladores originais para mais uma rodada.

Eles não pouparam esforços. Estão de volta as vozes da empolada Alison Sealy-Smith como Tempestade, Cal Dodd como Wolverine, George Buza como Fera e da estridente Lenore Zann como Vampira*.

* AJ Michalka, que deu voz à Felina em She-Ra e as Princesas do Poder, seria perfeita para a Vampira, mas os X-fãs têm verdadeira adoração pela Lenore...

Ao contrário do He-Man de Kevin Smith, o showrunner e roteirista Beau DeMayo interferiu o mínimo possível no efeito nostálgico do material – um elemento ao mesmo tempo poderoso e incrivelmente sensível, vide a histeria em torno do crop top do Gambit e da natureza não-binária do Morfo.

Do ponto de vista dramático e narrativo, as coisas estão melhores. Ainda aceleradas, contudo.

Ao longo dos 10 episódios desta 1ª temporada (contra 13 da série original), é feita a ponte entre as animações e adaptados os arcos do julgamento de Magneto, a bela fábula protagonizada por Tempestade e Forge em “Morte em vida”, as saliências de Magneto com Vampira, o casa-separa do Professor Xavier com Lilandra no Império Shi’ar, a destruição de Genosha, os paradoxos temporais de Cable e Bishop, as maquinações do Sr. Sinistro com Bastion e a Operação Tolerância Zero, mais pitadas da fase Grant Morrison à moda da casa.

Muita coisa esdrúxula acontecendo com muita chance de virar bagunça. Não virou e nem precisei fazer vista grossa. Não muita.

O massacre em Genosha por um Tri-Sentinela massivo foi meio rápido e com uma conclusão forçada – o que uma bateria cajun pode fazer que o Mestre do Magnetismo não poderia? E o Capitão América, reduzido a um pau-mandado do governo, estranhamente remete ao Clark em O Cavaleiro das Trevas. Proselitismo de 5ª, visto que esse não é o perfil dele.

Já a famosa sequência de Magneto extraindo o adamantium de Wolverine foi um gol perdido embaixo do travessão. Por que negar ao espectador-leitor a animação integral da cena? Melhor voltar a contemplar a terrível capa fingindo que é um Renoir.


Outro trecho que me incomodou no apoteótico final foi a batalha transcorrendo ora no Asteróide M, ora na Área Azul da Lua. Tudo testemunhado pela estupefata população terrestre, que não desgrudava os olhos do céu. Não sou astrônomo, mas até o Groo sabe que a Lua não é na esquina. Parece que o tempo e a chatice me pegaram de jeito.

O delivery body horror, quem diria, foi generoso. Em especial, o episódio #2, com a Madelyne Pryor personificando a Rainha dos Duendes. Surpreendente. O mesmo para os milhares de civis inocentes retorcendo seus corpos ao serem convertidos em Suprassentinelas. E com Bastion desfigurado e com seu lado Nimrod cada vez mais exposto na reta final, foi difícil não lembrar do amálgama Luthor-Brainiac na perfeita/maravilhosa/salve-salve Liga da Justiça sem Limites.

Além do Cap, foi muito legal ver os cameos do Homem de Ferro com sua Mark XIII Modular, do Homem-Aranha, do Demolidor, do Dr. Estranho, de Manto & Adaga, do Pantera Negra, de membros da Tropa Alfa e alguns ex-Supersoldados Soviéticos. Todos bem inseridos dentro do evento – cada qual no seu quadrado – e dando uma sensação de unidade ao Universo Marvel tal qual os desenhos da WB fizeram pelo Universo DC um dia. Ficou a sensação de que muito tempo foi perdido e que nestes anos todos poderíamos ter visto animações maravilhosas de cada um deles.

X-Men '97 deu uma boa melhorada neste cenário. Se a próxima temporada tiver a ambição e o coração nos lugares certos, não só os X-Men sairão beneficiados, como a história de sucesso multifranqueado poderá se repetir. Desta vez, com a régua lá em cima.

Afinal, todos sabem que é só através da arte que os heróis... renascem.

É, isso saiu esquisito.

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Retrospec Maio/2019


2/5¹ - O crossover entre o Quiróptero das Trevas e os Quelônios Ninja migra das HQs para a animação. Difícil vai ser distinguir as ruivas (naturais?) April O'Neil e Barbara Gordon. Cowabatman!

2/5² - Estreia em 24 de junho a 3ª e última temporada de Legion pela FX. Segundo a network, o showrunner Noah Hawley havia mesmo concebido a série para fechar em 3 temporadas. Acredite se quiser.

2/5³ - O trailer e o visual do live-action Sonic the Hedgehog ficaram tão ruins que o diretor Jeff Fowler até agradece a sinceridade.


3/5¹ - Carol Danvers e Vampira agora são M.A.P.S. (melhores amigas para sempre).

3/5² - A morte de Rahne Sinclair, a Lupina, em Uncanny X-Men #17 inicia um bafafá transfóbico dos diabos. Em pânico, o roteirista Matthew Rosenberg twitta correndo uns panos quentes com óleo de amêndoas e massagem Nuru. Ps: a morte de um x-man não é spoiler!

3/5³ - Druuna, da editora Pipoca & Nanquim, sai em pré-venda por R$ 109,90 cada volume (mais caixa) e por R$ 120,00 no valor de capa. Desse jeito vai ser difícil estimular algum volume com esses volumes.

5/5 - Vingadores: Ultimato vira um iceberg no sapato de Titanic e se torna a 2ª maior bilheteria de todos os tempos. Agora "apenas" 600 milhões de trumps o separam de Avatar e do posto de King of the Wooorld!!.


6/5 - Tom Holland adverte todo mundo sobre spoilers de Vingadores: Ultimato antes do trailer de Homem-Aranha: Longe de Casa. É a teia lançando a aranha. Inversão de valores issaí, talquei.


9/5¹ - James Cameron se mostra bom esportista, mas não parabeniza os Russos diretamente. Eu vi o que você fez aí, Jim.

9/5² - Jason Aaron e Goran Parlov estão tramando algo. E eu quero.

10/5¹ - Se vai Miguel Angel Repetto, aos 90. Fumettista emérito, o argentino trabalhou com Héctor Germán Oesterheld e estudou arte com o próprio Alberto Breccia, além de ilustrar Secret Agent X-9, de Alex Raymond. A partir dos anos 1990 passou a colaborar com a Sergio Bonelli Editore e se tornou um dos artistas mais celebrados de Tex. Um mestre da 9ª Arte.

10/5² - Nem os pards resistiram aos caras-pálidas da Salvat: segundo o Tex Willer Blog, a Coleção Tex Gold será encerrada no volume 40, faltando uns 20 volumes pela frente e sobrando uma bela ilustração incompleta na lombada. Quando alguém consegue fracassar vendendo Tex no Brasil é porque a coisa está feia mesmo.


11/5 - Se vai o ator e comediante Lúcio Mauro, aos 92. Dono de uma longeva carreira, Lúcio foi um dos artistas mais prolíficos da velha guarda da televisão brasileira. Da minha geração, são inesquecíveis os personagens Da Júlia (o assessor do "divo" Alberto Roberto, de Chico Anysio) e o eterno Aldemar Vigário, da Escolinha do Professor Raimundo. Gênio.


13/5 - Doris Day faz a sua passagem, aos 97. Atriz, cantora, ativista pelo bem-estar dos animais e talvez a mais famosa All-American Girl do cinema - ou namoradinha da América, se preferir. É parte essencial da história cultural do Século 20. E uma das melhores aliterações da paróquia.


14/5¹ - O sumido Genndy Tartakovky (Samurai Jack, Star Wars: Clone Wars) retorna (do inferno?) com Primal, via [adult swim]. É sangue nos zóio!

14/5² - Jello Biafra se manifesta sobre a polêmica amarelada do cover do Dead Kennedys no Brasil. E arregaça tanto que dá até pena dos ex-companions. Nah, brincadeira... dá pena não.

14/5³ - Jonathan Hickman estala os dedos e toda a linha mutante da Marvel é reiniciada.


15/5 - A Renault finalmente lança sua ação publicitária Caverna do Dragão e coloca fim à interminável boataria sobre um filme live-action da sacrossanta (para os brasileiros) série animada oitentista. E eu me pergunto como neguinho é tão cabaço a ponto de acreditar que uma superprodução hollywoodiana sairia do papel com divulgação zero.

16/5 - Chris Rock está desenvolvendo um reboot da franquia Jogos Mortais. Se Danny McBride co-criou uma ótima sequência para o clássico Halloween, porque não o Chris? Parece que já estou vendo a chamadinha: Be careful, nigga, Jigsaw will bust a cap on your ass!

17/5 - Em entrevista ao site Torre de Vigilância, a Salvat (é pessoa física?) afirmou que não tem "nenhuma informação oficial sobre um cancelamento ou pausas na coleção" Tex Gold. Ok, então vamos perguntar à EBAL se ela está sabendo de alguma coisa.

19/5 - Keanu Reeves quer fazer John Constantine de novo. A hora pra pedir é agora, sr. John-acabei-de-tirar-Vingadores-do-topo-Wick.


20/5 - A Panini relança Sandman - Edição Especial de 30 Anos vol. 1 em edição corrigida pero no mucho. Mr. Gaimaaaaaannn!!

21/5 - Parte ao grande desconhecido o ex-repórter e artista Larry Carroll, que ilustrou algumas das capas de discos mais icônicas, polêmicas e sombrias da história: Reign in Blood, South of Heaven, Seasons in the Abyss e Christ Illusion, do Slayeeeeerrr!! Bons tempos quando uma simples capa de LP arrepiava a molecada.

24/5 - Em Cannes, Sylvester Stallone revela que está tentando trazer Stallone Cobra de volta com outro ator e em formato de série streaming. Cobretti vai terceirizar a largação de aço pra cima da vagabundagem.


25/5¹ - Rob Halford dá uma bicuda no celular de um mané durante uma missa do Judas Priest no Rosemont Theater, Illinois. Mais tarde explicou o porquê, mas nem precisava. Ele merece é uma medalha!

25/5² - O Charlie Brown Jr. anuncia turnê comemorativa produzida pelo filho de Chorão com vocalistas convidados. Tcharroladrão.


28/5 - O trailer final de Swamp Thing é a fase Raízes se tivesse sido escrita por um jovem Alan Moore. Abby morena dá pra passar, mas não gostei do swamp-roar do final.

30/5¹ - Todo Dia um Erro em Sandman - Edição Especial de 30 Anos vol. 1 Diferente.


30/5² - Sai o teaser trailer de Rambo: Last Blood (ei, entendi a referência!). Bem family-friendly, se você me perguntar. Quando Sly liberar o Red Bloody Genocide Band Trailer a gente conversa.

30/5³ - Disney e Disney Marvel estão preparando novas refilmagens para The New Mutants, que a esta altura já deve ter sido adiado para o ano 2487 - só Buck Rogers assistirá agora. Lembra quando tudo parecia promissor?

31/5¹ - Após idas e vindas, a Warner confirma Robert Pattinson como o novo Batman do cinema. O quê, achava que seria Jon Hamm, Armie Hammer, Michael Fassbender? Esqueceu que a Warner opera no padrão Bizarro #1? Pattinson é bem mais que o purpurinado de Crepúsculo, é verdade, mas a hora é de recuperação da BatMarca, pelo amor dos morceguinhos. A Warner tinha a obrigação de jogar no seguro e agradar a multidão...

31/5² - Se vai Roky Erickson, aos 71. Solo e com o lendário The 13th Floor Elevators, Erickson foi a personificação do artista maldito e também um herói do rock psicodélico e do garage rock americano. Levou uma vida realmente transgressora. E muito louca. Literalmente.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Danvers Blues

Com toda justiça tardia, Miss Marvel finalmente seria a estrela de uma nova edição do Coelhinhas. Essa prometia. Porém, esses planos terrenos foram adiados após uma revisitada incidental numa boa parte da sua cronologia.

Em tempos de feminismos demagógicos e contraditórios, em que os Manos Warner suam a camisa pra encaixar uma diretora no filme da Mulher-Maravilha e onde vemos manifestações dúbias como a Marcha das Vadias e bobagens como o Femen e o Teste Bechdel, a linha do tempo da Miss Marvel pode servir como um exemplo do quão pode dar errado uma personagem feminina sendo escrita por homens. Olhando em perspectiva tudo o que a heroína atravessou num período de três décadas, não tive dúvidas de que se trata de algo que não pode ser ignorado. Pelo contrário... é objeto de estudo.

"Play it, Sam".


Miss Marvel, Binária, Warbird, Capitã Marvel... Carol Danvers é a personagem mais trágica da Marvel. Não tem pra Jean Grey, Elektra Natchios, Wanda Maximoff ou Natasha Romanova. A trajetória de Carol é triste e dramática. Deprimente mesmo. E um exemplo surreal de tenacidade tanto para uma editora negligente quanto para seus leitores, inertes sob a eterna sombra mod de outra loira assombrada das HQs.

Muitos dizem que a Miss Marvel foi uma tentativa da Marvel de criar sua própria Mulher-Maravilha. Em termos de estética e apelo, a lógica parece irrefutável, mas em termos de planejamento editorial, a teoria vai pro espaço em velocidade warp.

Criada em 1968, Carol Danvers era pouco mais que uma damsel in distress para o Capitão Marvel. Descontinuada abruptamente no ano seguinte, ela foi mais uma que conheceu de perto o significado da expressão "depósito das ideias". Reapareceu apenas em 1977, mas com um belíssimo plano de carreira: agora ela seria uma super-heróina com título próprio e também a garota-propaganda da Marvel no apoio à luta pelos direitos das mulheres - e ver o J. Jonah Jameson assumindo o papel do machão chauvinista ainda hoje é impagável.


Com a carreira em franca ascensão, Chris Claremont assume o título na 3ª edição, levando o run até seu final, na 23ª - um cancelamento precoce e aparentemente de última hora, com a seção de cartas enfileirando promessas para a "próxima edição" que nunca veio. As ambições da Marvel-Maravilha ficaram suspensas até o século seguinte para que ela engrossasse as fileiras de uma das estrelas da casa: os Vingadores.

Dali em diante, a heroína passaria por uma vida de torturas indizíveis nas mãos de editores e roteiristas sádicos.

Durante toda sua fictícia existência, Carol enfrentou grandes perrengues pessoais, profissionais, espaciais e dimensionais, mas o período 1980-2000 leva o prêmio. Não sei o quanto daquilo foram tentativas de repaginá-la, o quanto foram deficiências de continuidade ou o quanto foi simplesmente um exercício de sexismo. O fato é que Carol passou por coisas que nem um personagem de The Walking Dead passaria.

E o episódio escabroso com Marcus, escrito por David Michelinie, pode ser considerado o round 1.


Marcus era filho do vilão Immortus (resumindo muito, o Kang de um futuro alternativo) e nasceu num limbo entre as dimensões. Para chegar à dimensão da Terra 616, o sujeito simplesmente impregnou a Miss Marvel para nascer nesse mundo. Resultado: Carol, recém-integrada aos Vingadores, sofreu uma gravidez de nove meses comprimida em três dias para dar a luz ao bebê Marcus. Este, após o nascimento, amadureceu igualmente em velocidade acelerada. No fim, ele acabou retornando ao limbo, mas levando consigo uma perdidamente apaixonada Miss Marvel!

Quem diria que aquele inofensivo papo na praia com a Feiticeira Escarlate resultaria num futuro negro tanto pra uma quanto pra outra?

Recapitulando então: Miss Marvel largou tudo para ser a mulher de um cara que ela acabou de dar a luz. Mas calma, que a porrada ainda não é essa.

Entra em cena mais uma vez Chris Claremont, que ficou bastante insatisfeito com os rumos da personagem. Talvez tentando remediar aquela bizarra situação enquanto justifica a atitude incoerente de sua ex-paladina liberal-feminista, o escritor deu uma inestimável contribuição à máxima "a emenda ficou pior que o soneto". Na solução apresentada por seu roteiro, Carol estava o tempo todo hipnotizada por Marcus - e não no sentido figurado.

Não tinha como ficar pior.

Em suma, Miss Marvel teve seu corpo brutalizado para ser barriga de aluguel e dar a luz a um sujeito que mais tarde a estupraria à revelia num limbo (!). Perto desse, o Doutor Luz fica parecendo um monge capuchinho.

E vamos ao round 2...


Carol eventualmente volta à Terra (seis meses depois), sem lenço, sem documento, sem Vingadores e sem maiores explicações. A recepção de boas-vindas fica por conta de Vampira, então uma vilã estreante das mais ameaçadoras, que comete contra ela um dos maiores crimes impunes da Marvel em todos os tempos.

Nesse ponto cabe algumas breves considerações sobre os efeitos desse acontecimento nos anos que se seguiriam:

1.0 - É sintomático que um dos momentos mais marcantes e icônicos da personagem, que reverberou tanto em outras mídias quanto em saudáveis atividades esportivas, não tenha sido mostrado na época. Originalmente, o ataque foi apenas mencionado no texto de Claremont - fato muito mal remendado 11 anos depois, com os cacos de um roteiro não-finalizado em uma história terrível. Pobre Carol, maltratada até pra sofrer.

1.1 - Irônico observar hoje o quanto isso alavancou a popularidade da então baranguíssima Vampira - promovida a heroína e até a sex symbol - e o quanto serviu pra enterrar ainda mais a carreira da outrora promissora Miss Marvel.

Após uma temporada em coma, sem memória e sem poderes, Carol recebe alguma reabilitação de Charles Xavier, mas fica com profundas sequelas, como a perda da ligação emocional com sua família e seus amigos. Incorporada aos X-Men, Carol teve pouco tempo pra curtir a mansão X: foi capturada pelos aliens da Ninhada e submetida a um violento procedimento de reestruturação genética. Iniciava ali a sua fase como a poderosa Binária. Mas poder ampliado é vendaval e ela logo se viu rebaixada ao nível da Cristal.

Pensando bem, esses são os rounds 2, 3 e 4 juris et de jure.

Na lona mais uma vez, inexplicavelmente, nossa super-heroína retorna aos Vingadores - os mesmos que davam tchauzinho enquanto ela ia embora com Marcus pro limbo. Velho uniforme, novo code: Warbird, em homenagem aos caças norte-americanos da 2ª Guerra (seus favoritos). Na troca de mansões, Carol leva de brinde um lindo bar com uma farta adega - o que é no mínimo arriscado, visto que um dos frequentadores do lugar é um feliz entusiasta de tais apetrechos.

Após tanta pancada no céu, na terra e até no limbo, não é surpresa a natureza do próximo round: 

Alcooooolismoooo!

Carol mergulha de cabeça numa interminável espiral etílica, dando início a uma de suas fases mais sombrias. Apesar das várias tentativas de ajuda de Tony Stark (num retrato angustiante, mas bem realista do estado de sobriedade), a negação mostra que é mesmo a maior inimiga do autocontrole.

Alcoolismo is a bitch.

A paranoia com suas oscilações de poder, as visitas furtivas ao barzinho da mansão e o desespero em provar seu valor formam uma combinação desastrosa. Carol não resiste nem a uma enxugada numa aguardente kree durante uma missão na qual só o que estava em jogo era o destino da Terra. De bônus, quase mata o Dentinho.

O resultado veio rápido e fulminante.


Esse foi o lead da minissaga Vingadores versus Krees, de Kurt Busiek e George Pérez. A sequência do confronto final entre os heróis e um grupo terrorista kree é de tirar o fôlego, como é de se esperar vindo da clássica dupla. Com a conhecida explosão de detalhes e a dinâmica frenética de um embate épico, essa foi uma das grandes batalhas dos Vingadores.

O que mais me marcou, contudo, foram as breves intervenções de Carol, inseridas em meio às heróicas cenas de ação. São alguns dos momentos mais cruéis e impiedosamente tocantes que já li num gibi.

Ao contrário de seus ex-colegas de equipe, lá estava uma Miss Marvel impotente, solitária e refém de si mesma, protagonizando uma das lutas mais perdidas das HQs.




Literalmente o fundo do poço - ou do beco - pra quem ficava zigue-zagueando galáxia afora em seus tempos de Binária. A incomum escolha para a condução da aventura também serviu sob medida para o seu desfecho.

Mas o que seria uma saída fácil para os problemas de Carol não se configura - felizmente, do ponto de vista narrativo. Afinal estamos falando de dependência alcoólica aqui. Não existem saídas fáceis, tampouco individuais. Portanto, ainda acompanhamos a Miss Marvel e seu probleminha crônico se esgueirando por mais algumas edições, dessa vez no título solo do Homem de Ferro - quem mais?

Sem dúvida nenhuma, com grandes traumas vêm grandes responsabilidades. O círculo finalmente é fechado, dignamente e com acerto de contas. E principalmente, marca o fim de uma longa e dolorosa via crucis percorrida pela heroína.

* * * * * * 

Às vezes a Marvel escreve errado por linhas tortas. O porquê disso tudo ter ocorrido com uma personagem com evidente potencial pop é, para mim, um mistério. Fico feliz em ver que não sou o único a se horrorizar com a caótica trajetória de Carol. E fico ainda mais feliz pelo seu rehab editorial. Claro, ela enfrentou alguns problemas sérios depois disso, mas nada desmerecedor de sua importância conceitual.

Atualmente, recém-saída de um bom run escrito por Kelly Sue DeConnick, a heroína trocou mais uma vez de codinome (Capitã Marvel, em homenagem ao saudoso Mar-Vell), cedendo seu antigo Ms. Marvel para a aclamada série da Kamala Khan e sendo enfim tratada como deveria.

Nada mais justo para uma personagem que sobreviveu tantos anos sob o fogo cerrado de seu maior e mais insidioso inimigo, tão bem metaforizado naquela profética edição #21 de sua primeira série solo.


'Nuff said, girl!


Direto das caixas do tempo dos gibis:
Edições GEP #21 - Sensacional o Nôvo Capitão Marvel (1970)
Heróis da TV #3 (setembro de 1979)
Grandes Heróis Marvel #17 (1ª série, setembro de 1987)
Heróis da TV #100 (outubro de 1987)
Superaventuras Marvel #64 (outubro de 1987)
Superaventuras Marvel #69 (março de 1988)
Marvel 2000 #3 (março de 2000)
Grandes Heróis Marvel #6 (2ª série, julho de 2000)
Homem-Aranha #17 (Super-Heróis Premium, dezembro de 2001)

Ps: a Editora Salvat irá publicar nos volumes de capa vermelha as primeiras histórias de Carol na fase DeConnick, além de suas primeiras aventuras solo da Era de Bronze. Já estou no aguardo ansiosamente.

segunda-feira, 16 de maio de 2005

ESTÁ CHEGANDO A HORA


"Nessa semana uma página da História será escrita."

É isso aí. Essa sentença - digna de estrelar no Homem-Chavão - é a mais adequada para captar as vibrações do momento (ou as perturbações na Força!). Senão, vejamos... Star Wars é um dos símbolos máximos da cultura contemporânea e a fase mais importante dessa saga está prestes a ser consumada. Essa longa jornada, que começou há quase 30 anos atrás, finalmente será completada e, aos troncos e barrancos, poderemos visualizar esse grande quadro em sua totalidade. Caem todos os padrões de comparação, todo o ceticismo cinematográfico e toda aquela exaustiva expectativa por um resultado incerto.

Nunca um filme, que sabidamente terminará mal, muito mal, foi esperado com tanta felicidade justamente por este fator. Nem George Lucas conseguiu se opor ao destino que ele mesmo escreveu: mocinhos e mocinhas morrerão, bravos guerreiros tombarão no campo de batalha, Darth Sidious atingirá seu objetivo tão almejado e tão detalhadamente arquitetado, o Império ascenderá e Anakin Skywalker se tornará Darth Vader - que, aliás, sucumbirá pelo fogo e renascerá pela tecnologia, em uma espécie de ciclo criacionista Deus-Ex-Machina (tudo bem nos dias de hoje, mas espantoso quando lembramos que tudo começou em 77, e o que me faz perdoar Lucas por todos os bichinhos fofinhos que deram as caras na série).

E melhor ainda... Star Wars III - A Vingança dos Sith será um filme sobre vilões e vilania. E alguns dos vilões mais bacanas de todos tempos estarão lá pra ensinar como se dar bem em três capítulos.

E, independente do desenho animado, ainda acho que o General Grievous terá quatro braços... :)

Mas o bicho pega mesmo a partir da quarta/quinta-feira. Por enquanto, no stress. E para ajudar, uma sessão de relaxamento com o meu, o seu, o nossooooo...



Há quanto tempo hein. Desde a Felicia Hardy/Gata Negra... pois muito bem, o terror das conexões discadas está de volta (agora eu sei o que é isso, hehe). Engraçado que eu nunca deixei de receber colaborações via e-mail e listas de discussão. Então, sem nenhuma "homenageada" em mente, resolvi catar as melhores contribuições que tive durante essa longa secura quadrinhística. Uma homenagem à todas essas maravilhosas pinups das HQs, inclusive as que não constam aqui.

Executa esse mp3 aí do Dilemma, de Nelly e Kelly Howland, e entra no clima...

Ah, e clique em todas as imagens se quiser ampliar...







Aaai Roxyyy... :P


Um pequenino break agora. O que não faltam por aí são aqueles commissions com sketches em p&b, meio rascunhados. Alguns são bem interessantes, mesmo sem serem arte-finalizados (às vezes algum fanboy exxxperto dá um trato no photoshop e fica muito bacana... mas é raro). O artista David Boller (Witchblade) fez uma série bem inspirada nesse esquema, intitulada The Girls of Marvel. Nada muito abrangente, mais x-girls e algumas vingadoras. Mesmo assim ficou legal.

"Clique nas imagens" e por aí vai... :)

















E a Jean já até deseja um Feliz Natal pra galera... putz, até a Mulher-Hulk ficou gostosa. Se bem que eu sempre achei a Mulher-Hulk gostosa, então... :D

Bom, é issaê. O próxxximo Coelhinhas já tem estrela engatilhada (ela já assinou, hehe), mas a seção está arreganhada, literalmente, para sugestões sobre a próxima super-playmate. E para contribuições também! Continuem enviando sex-shots sinistrões, só lembrando que o novo e-mail é doggma@gmail.com, ok?

No mais, um ótimo Star Wars III pra todo mundo e que o Lado Negro da Força esteja com vocês!


dogg ao som de "Caralho Voador" (!!), a bossa-nova-boca-suja do Faith No More.