Quem dera que Alan Moore fosse brasileiro e escrevesse textos sobre quadrinhos pra Folha ou pr'O Globo. Além de ser um pensador à altura, ele não tem papas na língua (ou no teclado) e com certeza não deixaria de analisar o renascimento comercial do selo
Vertigo no Brasil.

Vamos fazer assim: a
Pixel Media foi um assombro pela velocidade com que se fez acontecer e pelo tratamento desse material tão esculhambado por aqui - administrado através dos anos por pára-quedistas sem senso de cronologia e com preços ionosféricos. Ainda não dá pra afirmar que a Pixel é a Joana D'Arc do vertigueiro brazuca, mas o mix acachapante da sua publicação principal - aliado ao precinho supreendentemente justo - já é um milagre que a editora operou.
Baixando um pouco a embriaguez orgástica que a Pixel anda me proporcionando, é certo que alguns poucos vacilos têm de ser limados em nome da sincronia. Errinhos de digitação e uma tradução literal que deixa os textos meio truncados são pequenos detalhes a serem lapidados com o passar das edições, espero. Também não sei até onde é produtivo "tentar consertar" as besteiras que fizeram com a cronologia da Vertigo nos últimos anos. Os resuminhos são uma mão na roda e bem escritos, mas ainda não consigo visualizar onde querem chegar, p.ex, com
Planetary começando no #13.
Outro fator que considero como médio grau de risco é a presença de
André Forastieri, comparecendo como diretor editorial nos créditos (e voltando à velha forma com o belo texto comparando a Vertigo ao movimento punk na edição de estréia). Ora, o velho Forasta foi a alma, o sangue e o múque da
Bizz no final dos anos 80/início dos 90. De fato, foi a melhor coisa daquela safra, mesmo quando não se concordava com ele. Depois disso, teve uma rápida passagem pela
General (a revista mais legal das que não deram certo) e foi um dos responsáveis diretos pela
Conrad, uma das maiores salgadeiras do mercado de HQs. É disto que tenho medo e que ameaça a quase putesca farra mensal dos 9,90 (já aprovados no meu disputado orçamento). Temo que num belo dia a Pixel Magazine apareça com capa dura na banquinha do Seu Zé.
Ao que expus as minhas fobias com cara de
Morte a R$ 60 para o Fivo (que está vivo e rende trocas de e-mails que um dia hei de publicar aqui), o cabra me disse pra ter fé porque ele pode ter encontrado um bom formato de
business agora. Deus te ouça, meu filho.
Pixel Magazine é mulher gostosa. E nesta terceira edição ela continua rebolando irresistível. Tem
Fábulas, a maravilhosa cria de
Bill Willingham, mostrando o background do
Garoto Azul na história/conto
O Último Castelo. Referências visuais ao
Senhor dos Anéis e uma Branca de Neve à Brandy (de
Liberty Meadows), usados com timing e criatividade, deixam a paisagem ainda mais instigante. Também temos mais um balaço de
John Constantine, desta vez extraído de
Hellblazer #142. História tão curta quanto visceral, um absurdo de vigor narrativo.
Depois de um copinho de whisky pra relaxar, vem
Planetary com a missão de dar um olé nos neurônios do leitor. Retirada da edição #15 original, a história
Canções da Criação é Alice no País do Espelho encontra Asdrúbal Trouxe o Trombone. Entendeu? Nem eu. A arte sempre agradável de
John Cassaday é o fundo falso ideal para um
Warren Ellis abarrotado de cafeína e guaraná em pó. A sensação é a mesma de acordar domingo de manhã no meio da invasão à Normandia, mas quer saber? É genial. Você tenta se encontrar na bagaça e quando acha que vai conseguir, Ellis, com um bom filho da puta, mete as travas da chuteira na cara da linearidade. Troço tão sinistro que rendeu até um texto de apoio moral.
Por fim,
The Cobweb, trip psicodélica concebida pelo casal Alan Moore & Melinda Gebbie após várias pitadas de nargilé e cházinho de Santo Daime, desta vez até mais comportada.
Tudo nos conformes, agora só quero saber quando vem a próxima dose de
Freqüência Global.
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Estava mesmo interessado em que pé andava o bom e véio Swamp Thing. Segundo o editorial, conferido dinamicamente antes da negociação, a abordagem pretende seguir o padrão de horror instituído na fase clássica de Alan Moore (ele já foi citado por aqui hoje?).
Amor em Vão é uma mini em duas partes escrita por
Joshua Dysart e rabiscada por
Enrique Breccia, e até consegue reeditar em parte o climão sorumbático daquela época.
Em parte, porque o que Moore fez lá foi poesia dark, cordel de encruzilhada da Louisiana. Não dá pra superar. No entanto, Dysart (bróderzão de Mike Mignola, com quem anda colaborando em uma série de projetos) é dedicado e mergulha fundo na podridão que é o universo do Monstrão Pantanoso, resgatando até um inimigo velhusco do herói. O que não deixa de surpreender, vindo do mesmo cara que criou
Faça 5 Pedidos, aquele mini-mangá da Avril Lavigne.
A arte de Breccia lembra um Sam Kieth menos farsesco, mas ainda assim despirocado. Desenhar demônios e deformações diversas é com ele mesmo. Seu Monstro do Pântano pouco lembra algo vagamente humano. A interação com as idéias doentias de Dysart resulta numa química insana, especialmente nas cenas mais escatológicas.
E o
momento romântico da revista é
Fome Animal puro. Yeah!
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Como bom admirador do Doutor Alec Holland, sempre tive curiosidade acerca do material mais antigo do personagem, ainda sob a batuta dos criadores
Len Wein e
Bernie Wrightson. Falta corrigida agora, com a revista
Estréia apresenta O Monstro do Pântano #9, lançada em maio de 1980 pela Editora Brasil-América, a famosa
EBAL.
Muito antes da reinvenção definitiva do personagem nos anos 80, o leque de possibilidades temáticas era tão abrangente e nonsense quanto todo o resto da
DC durante a Era da Prata, mas o tom notadamente mais sisudo antecipava o que estava por vir.
Na tentativa de reverter sua condição grotesca (sendo que hoje ele é praticamente um Shrek de tão desencanado), o Monstro do Pântano se depara com um alienígena e sua nave avariada. Obviamente rola aquela treta entre as criaturas e as coisas se complicam quando uma operação militar chega ao local para investigar o OVNI - vale destacar uma nota engraçadinha dos editores nesta parte. O nome da história é pra lá de sintomático:
O Visitante do Espaço.
Monstro do Pântano da 1ª fase é Roger Corman em quadrinhos.
Esta edição também trouxe, há muito, muito tempo atrás, a segunda parte da origem do herói
Nuclear, na época batizado
Labareda (e "Tempestade" na dublagem nacional do desenho
Superamigos). A história chama-se
Abram Alas para um Novo Herói! Parte II e foi republicada tempos depois pela Abril. É uma brasa, mora!
(links down)
Estréia apresenta O Monstro do Pântano #9
Mirror
Na trilha: alguma do Notorious B.I.G. No Dia Mundial do Rock.