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quinta-feira, 27 de junho de 2024

Nosferatu de Henrik Galeen

Nosferatu parece trazer um Robert Eggers diferente de tudo o que ele mostrou até aqui. Ou talvez seja o trailer aplicando um corta-luz em quem esperava drops atmosféricos de slow burn.


Produção suntuosa, tomadas épicas, cenografia lindamente gótica, trilha histriônica na veia da velha Hammer. Um grande exercício de estilo, como Drácula de Bram Stoker foi há 32 anos.

Plus, as filmagens foram na República Tcheca, como convém, o tétrico Conde Orlok é personificado pelo Bill Skarsgård e o lançamento será em pleno Natal. Tudo muito promissor.

O clássico expressionista alemão está em boas mãos garras. Mas nada que ameace o reinado da melhor releitura de Nosferatu já feita.

Irônico ver o Willem Dafoe retornando aos domínios nosferatescos, só que desta vez do outro lado das presas...

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Uma vampira francesa em Pittsburgh


Curto demais essa pérola do John Landis. Fazia tempo que não reassistia. A trama cruzando máfia com vampiros, o veterano Robert Loggia se divertindo horrores com a sanguinolência e a maravilhosa Anne Parillaud (a eterna Nikita) aparecendo como veio ao mundo logo nas primeiras cenas...

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Os Ritos Satânicos de um Bom Teaser

Teaser é, por definição, algo que provoca, que perturba. E isso o teaser de Dracula faz à perfeição em 46 segundos.


A minissérie em três episódios é uma co-produção da Netflix com a BBC "de Londres" (lembra disso, quarentaiada?). Pela sinopse, a base da trama será mesmo a novela clássica de Bram Stoker. Teremos aí um genuíno tour Transilvânia-Inglaterra Vitoriana, pessoal.

Em um elenco predominantemente britânico (= garantia de qualidade), me chama a atenção a presença de dois não-súditos de Sua Majestade. Primeiro, o dinamarquês Claes Bang e seu Conde Drácula com um olhar fervilhando monstruosidade e inteligência, na veia (ops!) do nobre vampiro eternizado por Christopher Lee na Hammer Film.

E segundo, pela ex-Bond Girl - nascida húngara - Catherine Schell, que já foi uma beldade em tempos idos. Além, claro, de ter estrelado o crássico Lana, Rainha das Amazonas (1964), ao lado de Dedé Santana!

Dracula estreia no início do ano que vem. Quando exatamente, o MI5 ainda não divulgou. Até lá, vou revisitando minha pastinha Draculesca de cabeceira...

sexta-feira, 2 de março de 2018

La Belle de Nuit


Projeto Vampirella, que desenvolvi em parceria com o VAM! (que só fez todo o trabalho), continua me trazendo alegrias. E desta vez alcançando até o reino do onírico.

Já que meu sonho de ver a Jennifer Connelly recheando a meia-arrastão-com-cartola da Zatanna e a Denise Richards estufando o topzinho da Lara Croft foram pro arquivo indefinidamente, ao menos a deusa temporã Caroline Munro como a Vampirella da Hammer Films chegou mais perto da realidade.

A Munro vampir(ell)izada ficou ainda mais estonteante!


Além de dar um rosto ao mítico projeto engavetado da Hammer, o exercício de estilo (e imaginação) do VAM! não fez prisioneiros e concebeu uma franquia completa!

Igualmente bacanuda foi a triangulada na filmografia das estrelas do estúdio - com o perdão dos veneráveis Christopher Lee e Peter Cushing, o destaque absoluto vai para as pinups clássicas Valerie Leon, Barbara Leigh e a Munro, lógico.

Matéria para ler, curtir, usar e abusar de várias maneiras. Mas vá rever os filmes, vai. Diversão garantida também.

sábado, 13 de janeiro de 2018

Sede de Vampirella

E no Plantão Especial de Sábado 13: a Vampirella do mestre Rodolfo "Rudy" D. Nebres!


Quando fiz um merecido tributo ao quadrinhista, já havia atentado para a vasta produção do pequeno gigante das Filipinas. Mas foi num dos divertidos (e viajantes) papos com o VAM! que percebi sua proficiência nas aventuras da vampira do espaço sideral mais adorada da cultura B. E com uma qualidade digna dos melhores trabalhos do artista - o que não é pouco.

Pra quem é fã de quadrinhos de terror dos anos 60 e 70, só uma palavra: essencial.

Tecnicamente, não é a primeira vez que menciono a longeva, libidinosa e lasciva Vampirella por aqui. Mas a bombshell sanguessuga certamente merecia uma ocasião especial só pra ela.

“Vampirella – She's so sexy!”
(Rudy D. Nebres)
Antes, uma dose de contexto pra viagem: no longo período entre 1980 e 1996, Nebres colaborou sazonalmente nos títulos da Vampirella. Com isso, acabou estabelecendo uma das únicas pontes de continuidade entre a Warren Publishing (editora das cultuadíssimas Eerie e Creepy, além da Vamp) e a Harris Publications - que adquiriu o catálogo órfão da Warren em 1983, criando assim a Harris Comics.

Vampirella foi a estrela dessa retomada e vislumbrou parte do antigo sucesso com o início dos anos 90, quando encontrou um público já, digamos, fidelizado por supergarotas curvilíneas em trajes mínimos.

O timing era perfeito. Faltou oportunismo.

Tivesse Vampirella caído nas garras fominhas da Marvel, Nebres hoje seria famoso, cheio de grana, mulheres e iates. Ou não - e ao menos seria convidado para as premieres dos filmes live-action da diva vampiresca pela Marvel Studios.


Conheci o trabalho do VAM! na Batdeira pelas suas interações e colaborações no Submundo HQ - o melhor periódico sobre o mercado nacional de quadrinhos que você vai encontrar por aí. É um mix muito bem dosado de expertise em design gráfico com exercício de estilo que faz qualquer leitor de gibis sair por aí sonhando acordado. Principalmente aqueles das "velhas escolas" - leia-se EBAL, RGE e Abril, entre outras.

Já havia visto algo nessa linha em blogs como o Super-Team Family, mas nunca com uma pegada tão abrangente e profissional. E adaptado à nossa realidade editorial, com direito a pesquisas históricas cuidadosas, do tipo que não se vê em qualquer lugar. E aí que papo vai, papo vem, surge a ideia de juntar o útil ao agradável: a Batdeira com o BZ; a Vampirella com o Nebres; e, enfim, a Vampirella do Nebres.

Os projetos da Batdeira, com as devidas exceções, são pautados em sua viabilidade real e impacto de mercado. Com as sucessivas compilações da Vampirella pela Mythos, por que não um material genuinamente clássico da sanguinária heroína? Francamente não consigo pensar em química mais natural, prontinha pra embalar e vender.

As capas e a diagramação produzidas pelo VAM!, sozinhas, já são vendedoras de alto nível.


Design, arte-finalização, títulos e diagramação por VAM! - Texto por dogg! - Arte por Nebres! - E clique para ampliar!

Fabulosas! Ou nas palavras da Vamp: Satyr and Circe!

A seleção do compilado seria moleza. Começaria com Vampirella #92-#95 (Warren, 1980-1981), da série clássica...


...e seguiria com a fase mais recente - Vengeance of Vampirella ½ (Harris, 1994) e Vampirella Strikes #4, #5 e #7 (Harris, 1996), já incluindo o crossover/quebra com Eudaemon, o Etrigan da Dark Horse.


Tentador como um pescocinho indefeso diante de uma vampira faminta.

Nos extras - é claro que tem que ter extras! - nada melhor que uma galeria de pinups e sketches da morceguinha (ou seria Coelhinha®?) escolhida a dedo - mas gentilmente - dos volumes Vampirella Pin-Up Special 1995 (Harris, 1995) e The Art of Vampirella (Dynamite, 2010).








Depois dessa dá até pra sonhar com aquele longa da Vamp pela Hammer Films (!) que nunca saiu do papel.

Tem jeito aí, VAM!?

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Entre o portador da luz e o dragão


"A Blade of Grass" é uma catarse performática que, com bem pouco exagero, remete instintivamente ao grande William Friedkin. Não o grande Friedkin de O Exorcista ᵖˢ, mas o grande Friedkin do escalafobético Possuídos (Bug, 2006). Pelo bem da regularidade sequencial, a química entre a parisiense Eva Green e o londrino Rory Kinnear não é tão transgressora e agressora quanto a dos yankees Ashley Judd e Michael Shannon, porém... porém... soa igualmente profunda enquanto experiência. O que talvez seja até mais complexo do que enfiar o pé na jaca de uma vez.

Esperto, o diretor Toa Fraser apenas ligou a câmera e colocou as duas usinas de força dramática num set mínimo. O resultado, claro, é um espetáculo soberbo para aplaudir de pé. Mais um.

Imperdoável nunca ter mencionado Penny Dreadful por aqui. Criada pelo produtor e roteirista californiano John Logan, essa Liga Extraordinária dos sonhos está em sua 3ª temporada pelo Showtime e mantendo uma proficiência assustadora. Habitué em grandes produções, Logan tem na série sua investida mais autoral - por ironia, reminiscente das obras do mago de Northampton - e escreve todos os episódios, prática incomum nesse meio de showrunners e screenwriters.

Isso ajuda a conferir uma unidade invejável ao conjunto, além de nivelar tudo por cima. Não há episódios ruins em Penny Dreadful. Menos ainda atuações ruins.


Mas voltando ao capítulo #4 dessa graphic novel em movimento: é o atestado definitivo que mesmo apresentando visões controversas da cultura pop secular a série extrai delas uma poesia irresistível. Dessa vez, a relação íntima entre Lúcifer e o grande protagonista de Bram Stoker foi uma revelação deveras acachapante. E, à primeira digerida, bastante discutível. Por questões de hierarquia mesmo.

Mas numa segunda revisão, logo me veio à mente a graphic Eu Sou Legião, de Fabien Nury, e sua proposta de uma entidade ancestral puxando as cordas no palco mundano desde tempos imemoriais. O famoso Empalador não foi o início e sim apenas mais um veículo.

Promissor e ainda resolve magicamente as coisas na cadeia alimentar inferno-Terra. Graças a Deus.

Ps: ei, mas espera aí... o Friedkin de O Exorcista também, espetacularmente!

sexta-feira, 8 de março de 2013

Se Crepúsculo fosse cool...

...provavelmente ia parecer com esse trailer:


Kiss of the Damned foi escrito e dirigido pela cineasta Xan Cassavetes - sim, filha do John e meia-irmã do Nick. Inclusive é a sua estreia em um longa de ficção. Na trama, a vampira Djuna se envolve secretamente com um humano chamado Paolo. O problema é quando Mimi, a evil-irmã dela, descobre o romance e coloca toda a comunidade vampírica atrás dos pombinhos, ou melhor, dos morceguinhos. O elenco conta com a atriz parisiense Joséphine de La Baume (que parece nome de vampira) fazendo par romântico com Milo Ventimiglia, o Peter Petrelli de Heroes, único nome mais ou menos conhecido aqui.

A premissa não tem nada, nada demais. Inclusive remete em tema e marcações situacionais com o cult Quando Chega a Escuridão, de Kathryn Bigelow. E provavelmente a postura mais adulta e menos afetada (= fresca) dos personagens, mais o sangue brotando como um gêiser em várias cenas devem botar o público de adolescentes bobas e apaixonadas pra correr. O que nunca é saudável para as bilheterias.

Mas que se dane. O que importa é a atmosfera dark e sacana - e nisso o trailer se mostra bem generoso. Ajuda o fato do filme ter um dos pôsteres mais bonitos dos últimos tempos.


Clique para ampliar

Deliciosamente retrô. Tony Scott circa Fome de Viver certamente aprovaria.

Kiss of the Damned estreia dia 28 de março, em formato on demand, e dia 3 de maio nos cinemas gringos. Uma curiosa inversão de fatores.

domingo, 25 de julho de 2010

Casa del Hombre Lobo


Na esteira da onda B/trash/exploitation de Robert Rodriguez e da atmosfera old school de filmes como O Lobisomem (aliás, o o aspecto que mais curti no remake), surge o combo retro-horror definitivo: House of the Wolf Man. Dirigido por Eben McGarr (do insano Sick Girl), o filme, além de um evidente tributo, é uma sequência virtual de dois clássicos monster mashes da Universal, House of Frankenstein (1944) e House of Dracula (1945). Tudo com o orçamento mais baixo conhecido pelo homem e a boa e velha canastrice de época registrada num preto & branco em toda a sua glória vintage.

A sinopse não poderia ser mais sucinta:

"Cinco estranhos são convidados pelo Dr. Bela Reinhardt a passar uma noite em seu castelo para determinar qual deles o ganhará como herança. Lá, o doutor orquestrará uma espécie de competição. E o vencedor será escolhido por... eliminação."

Isso sem falar no circo de horrores residente no local, desde o Drácula e o Monstro de Frankenstein até o Homem Lobo do título.



Um "detalhe" interessante é que o doutor maluco é interpretado por ninguém menos que Ron Chaney, neto de Lon Chaney Jr. (o Wolf Man original) e bisneto de Lon Chaney. Ênfase na linhagem nobre e à galeria de notáveis.


Mas o que eu quero ver mesmo é o "Frankenstone" saindo no braço com o Bicudo. A cena dele arrastando o bichano feito um cachorro pulgento já entrou pro hall da fama dos monstros da Universal!



O filme, lógico, é direct-to-DVD, será lançado em 28 de setembro e está em pré-venda na Amazon.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Dick on, conscience off


"...and everything's gonna be alright".

Já estava sentindo falta das tiradas do Andy. A 3ª temporada de True Blood chegou a mil e já meteu uns bons três plots a serem degustados lentamente, como um bom vinho. Tomara que Lafayette retorne ao high standard do início e que o Magistrado ganhe mais espaço dessa vez.

E, lógico, sempre torcemos para que a estonteante Jessica se inspire na Sookie e finalmente apareça como veio ao mundo (dos humanos).

Falando em Sookie ("Sookie, Sookie, Sookie..."), a doce e caliente garçonete de Bon Temps acabou de ganhar uma homenagem do malandrão Snoop Dogg. A letra é pimenta pura.




"Bring your best friend Tara, I got some real Eggs for her to eat"

Yo!

terça-feira, 13 de abril de 2010

"I wanna do real bad things with you..."


Essa sequência foi pura finesse na época e ainda continua batendo. É do filme Quando Chega a Escuridão (Near Dark, 1987), o segundo da diretora Kathryn Bigelow, recém-oscarizada. Antológica, como o resto do filme. O fato de não ter vingado com o passar dos anos me faz conjecturar sobre seu status cult.

Naquele ano tivemos nada menos que dois filmes inaugurando a cartilha narrativa que seria a fórmula do sucesso no gênero atualmente: Quando Chega a Escuridão, estranho, anárquico e visceral, um fracasso de público; e Os Garotos Perdidos, mais pop, acessível, com Echo na trilha e os dois Coreys no elenco, uma covardia só. Apesar das visões radicalmente diferentes, ambos traziam a mesma premissa com o casal de jovens apaixonados e divididos entre dois mundos. Tal qual Crepúsculo.

Mesmo a distribuidora parece ter entregue os pontos com o longa da Bigelow, por mais hardcore que o material fosse. Na capa do lançamento em DVD, retiraram o Bill Paxton escrotão e semicarbonizado e tascaram uma versão fofa do casalzinho central, mais palatável às aficcionadas por Stephenie Meyer. Qualquer decepção futura é por conta. Chega a ser irônico o cancelamento do remake (glória à Bram Stoker!).

Pra mim a semelhança flagrante foi um tanto chocante e reveladora, mas eu ainda não tinha o conhecimento de causa necessário. Até outro dia. Após uma sessão suicida à base de Lua Nova, o brotha Sandro constatou na prática e arrematou primorosamente a experiência: "O pop era bem mais legal antes e foda-se o papa."

E tenho dito.

Ah, e a Kristen Stewart da minha pré-adolescência. Essa deixou saudades...


Vulnerável, sedutora e evocativa, com olhos verdes hipnotizantes e uma boca irresistível. Jenny Wright encantou de maneira irresponsável e, sem trocadilhos, evaporou da noite pro dia sem desfazer o estrago que causou. Trabalhou bastante durante a década de oitenta, sem moleza - sua estreia foi como uma groupie pagando peitinho no Pink Floyd - The Wall. Também foi o objeto de desejo do magnata Dieter Meier no clip de "Lost Again", do Yello. Aquele lá sou eu, antes do bankrupt.

Conseguiu a façanha de integrar o cast de O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas e não ser vinculada ao brat pack. Em contrapartida, por um bom tempo ficou relegada a personagens outsiders.

Desencanou legal no fim dos oitenta/início dos noventa, ensaiando uma passada mais indie. Tentou de novo com a molecada em Young Guns 2 (1990). Na sequência, O Passageiro do Futuro (1992) e, novamente, outro break. Não deu sinal de vida no novo século até 2009, quando confirmou presença no thriller Murder for Dummys, com lançamento previsto para ano que vem.

Mas aí já se vão 23 anos desde a doce Mae, sua personagem em Quando Chega a Escuridão - três a mais que a idade da Kristen Stewart. Quem viu, viu. O tempo é inexorável.


Parece que foi ontem que torci por ela e Nathan Petrelli. Digo, Caleb...

sábado, 3 de abril de 2010

Momentos que ficarão


Cena de bizarrice extrema em Marvel Zombies 3 #4. E olha que a tradução brazuca ficou melhor que o termo original ("Vambie").

Será que a Bella encarava?

quarta-feira, 3 de março de 2010

Antes do amanhecer


Daybreakers (2010) é um tremendo arrojo na filmografia dos irmãos Michael e Peter Spierig. Elenco bacana, orçamento decente (US$ 20 milhões), Lionsgate garantindo os holofotes, enfim, o tratamento classe A que costuma ser um divisor de águas para certas carreiras. Bem diferente de seu longa anterior, o cult trash Canibais (Undead, 2003), um carnival bizarre que misturava meteoritos, zumbis e abduções alienígenas no mesmo pacotão B. As estilosas cenas de ação e o gore transbordante destoavam da narrativa irregular e fora de foco, típica de iniciante splatter, mas rendeu uma bem-vinda moralzinha underground.

E agora, finalmente, eles chegam ao seu primeiro filme "sério". Coincidência ou não, a trajetória dos Spierig Bros. até aqui está bem parecida com o background de gente como Sam Raimi e Peter Jackson. A Academia é o limite!

Outro ponto extra-arte a favor dos manos australianos: o timing. Especialmente em tempos de Crepúsculo e True Blood - ambos destroçados a furiosas mandibuladas pelo astro da produção, Ethan Hawke. E, de fato, o filme é uma opção redentora pra quem já não suporta mais o mela-calcinha em que se transformou o filão dos vampiros.

Aliás, já ouviu falar na "Regra Hawke"? A que reza que ele nunca participou de um filme ruim? Me lembre de passar amanhã em algum cartório de registros e patentes.


A premissa é esperta e consegue evitar o lugar-comum. Em 2019, uma pandemia transformou a maioria dos seres humanos em vampiros. Com isso, a sociedade foi totalmente reorganizada e adaptada às suas novas necessidades, mas não consegue evitar o pior (e o mais óbvio): a escassez de sangue humano. Para contornar a crise, uma gigante farmacêutica tenta sintetizar sangue em laboratório, além de manter um estoque de humanos capturados, Matrix style. Ao mesmo tempo, promove a caça de um grupo de resistência formado pela minoria não-infectada.

A dinâmica do filme é dividida entre personagens-chave e o turbulento contexto social daquele universo - o que representa seu melhor aspecto e acaba sendo explorado menos do que merecia. Com o sangue humano virando artigo de luxo e os sucessivos (e explosivos) fracassos em sintetizá-lo, o clima nas ruas vai ficando cada vez mais desesperador.

Vampiros menos favorecidos são os primeiros a enlouquecer, passando a devorar outros vampiros e originando assim uma subespécie monstruosa e marginalizada. Uma boa sacada foi mostrar os primeiros sinais da mutação aparecendo à medida que a privação de sangue vai se estendendo. É só uma questão de tempo até a crise chegar aos altos escalões. Metáfora social simplista, mas relevante e, definitivamente, uma bela evolução dos Spierig Bros. enquanto roteiristas.

Falar em "química" aqui é até redundante, tendo em vista os nomes do elenco. Hawke está muito bem como o chefe hematologista simpático aos humanos e o sempre competente Sam Neill está melhor ainda como o líder da megacorporação vamp-fascista. Já Willem Dafoe é quem parece mais à vontade, no papel mais livre e caricato do filme: um ex-vampiro (!) estradeiro fissurado em Elvis.

No elenco de apoio, destaques para a ótima Claudia Karvan como a rebelde Audrey e para a linda Isabel Lucas (de Transformers 2), surpreendendo como a filha do personagem de Neill. Sua entrega é tal que chega a roubar a cena do veterano ator.


Mesmo com todo o refinamento conceitual, a mão dos Spierig continua pesadona quando o assunto é podreira e sanguinolência. Estão mais contidos aqui, mas extravasam generosamente em situações pontuais ao longo do filme. Uma das cenas do clímax é um espetacular esquartejamento em bando (do tipo que os zumbis de George A. Romero faziam nos anos 70), filmado num elevador com a câmera em ângulo invertido num efeito nauseante. Decapitações e eviscerações também são reproduzidas com grafismo ímpar.

O visual das subespécies impressiona. As criaturas são uma involução bestial dos vampiros, a meio passo de morcegos antropomorfizados e lembrando vagamente os Rippers, de Blade 2, até pelo fato de se abrigarem nos esgotos. Méritos do designer e supervisor de efeitos Steven Boyle, que já havia feito um bom trabalho na adaptação de 30 Dias de Noite.

A fotografia em tons cinzentos e azulados mantêm uma atmosfera sufocante e opressiva em sincronia com a abordagem dos diretores. Embora utilizem com frequência os recursos tradicionais do gênero terror, os Spierig construíram em essência um sci-fi da velha escola. Em diversos momentos, o filme lembra um Gattaca com vampiros, sensação em parte reforçada pela presença de Hawke, em parte pela distância e cadência entre os personagens.

Numa proposta cheia de inovações, como a cura bastante plausível para o vampirismo, e uma cinematografia que beira o genial, é de se estranhar que Daybreakers derrape feio na última curva. Entre a missão de deixar um final em aberto e tentar amarrar a trama inteira com um banho de sangue generalizado, a perda foi apenas parcial - mas tirou dos Spierig a chance clara que tinham de reinventarem a roda e a moda.

quinta-feira, 26 de março de 2009

BLOOD SUGAR SEX MAGIK


Em 2008, os vampiros voltaram com tudo aos meios pop. É bem verdade que o filão dos sanguessugas esteve mais evidência devido ao hit Crepúsculo, mela-cueca teen com gosto de isopor e sem sangue nas veias, com o perdão do trocadilho. Mas quem soube procurar, viu que o fino mesmo foram o sueco Deixe Ela Entrar, um dos meus favoritos do ano passado, e a espirituosa série da HBO, True Blood.

True Blood é baseado na série de livros Sookie Stackhouse, que eu nunca li, e adaptado por Alan Ball, que eu já assisti. Ball é criador da fabulosa e "peculiar" série A Sete Palmos. Por essa prévia experiência, absolutamente anti-ortodoxa para os padrões televisivos, a proposta de uma série vampírica avançou imediatamente centenas de clics no terreno do insólito. Mas até o terceiro ou quarto episódio eu ignorava tudo isso e já tinha até esquecido a série na gaveta do Buffy & quetais. Erro fatal.

Quem me deu o chutão necessário foi o zombie renegado Fivo, que resumiu a premissa espetacularmente aos moldes botequísticos, como convém. Segue abaixo a pérola descritiva, com links que adicionei por pura diversão irracional.


"É uma cidadezinha do interior da Louisiana, com todo o sotaque carregado que vem junto. A Vampira (engraçado como o nome Rogue em português ficou Vampira e a atriz que fez a personagem foi cair logo num filme desses) é uma garota comum que tem o dom de ler mentes e é virgem, pois nunca conseguiu se relacionar com ninguém justamente pq lê suas mentes. Anos antes uma empresa japonesa desenvolveu um sangue sintético que substituiria o sangue humano, então os vampiros saíram do armário, deram as caras, tentam viver em harmonia com os humanos e criou-se um clima de X-Men quanto à intolerância, só que naquele microcosmo.

Bem... a menina trabalha num daqueles bares de estrada e tem que se esforçar para não ler as mentes alheias. Um dia um vampiro chega no bar e os dois passam a ter uma fúria foguenta mútua e enrustida sinistra. Em paralelo, uma mulher que costumava trepar com vampiros morre e o irmão da Vampira, vampirófobo, é suspeito. Depois uma filmagem local o inocenta, mas a outra mulézinha que ele pega tb é dada a trepar com vamps, pois dizem que eles têm uma libido absurda. Aliás, tem um mercado negro de sangue vampiro que faz a pessoa ficar com a mesma libido.

Alguns vampiros meio pervertidos se metem a fazer merda pela cidade.

Enfim... todas as regras de vampiros estão lá... estaca, sol, convidar para entrar, hipnose etc. Só não viram morcego. A Vampira está benzaça, com um ar inocente e ao mesmo tempo safada, como uma pinup mangá. O cara que faz um negão viado e a prima dele, que fala com o sotaque escroto, estão ótimos tb.(...)"



Isso aí.

Destacando sem patinar em spoilers: os cliffhangers são cruéis com o espectador e faziam a espera semanal se transformar em tortura chinesa; o clima de devassidão e putaria é constante, crescente e intumescido - a ex-Vampira Paquim, por exemplo, protagoniza uma cena de arrancar palmas conjuntas de Manara e Serpieri; a (r)evolução da personagem Tara, que passa de irritante à apaixonante, numa soberba perícia da atriz Rutina Wesley, fantástica; Lafayette (o negão viado), interpretado por Nelsan Ellis, um tremendo ladrão de cenas; tudo o que remete à segunda temporada é muito promissor, da misteriosa Maryann (Michelle Forbes) ao sugestivo culto do reverendo Steve Newlin (Michael McMillian); e por fim, a trilha.

A excelente abertura já mostra o alto nível da seleção com a sensacional "Bad Things", de Jace Everett. No decorrer da série, se ouve de AC/DC e Reverend Horton Heat até Wilco e Black Rebel Motorcycle Club. Cada episódio tem o nome de uma das canções de sua trilha e as faixas reservadas aos créditos finais são um show à parte, com temáticas relacionadas à cena derradeira. Nesse ponto, o "campeão das chamadas" é o personagem Sam, que motiva as trilhas de fechamento do quarto e nono episódios, com "That Smell", do Lynyrd Skynyrd, e "Walking the Dog", de Rufus Thomas, docemente sarcásticas nas respectivas situações.

Daí que fiz uma compilação das doze trilhas finais, com direito à capa surrupiada da (boa) hq. Muito country, southern, blues, bluegrass e rock'n'roll estradeiro pra ouvir matando uma garrafa de whisky. A única baixa é o melancólico instrumental do quinto episódio, de Nathan Barr (compositor oficial da série), que voou abaixo do radar do Google e foi prontamente substituído por outro som do mesmo capítulo.



Clicar = baixar




Anexo não tão off-topic

Capa do novo Heaven & Hell:


Algo entre Labirinto do Fauno e os primeiros discos do Dio. Tranquilamente uma das capas mais profanas, agressivas e instigantes em muito, muito tempo.

Achei do caralho! Os velhinhos se reinventaram, mais uma vez.

sábado, 30 de agosto de 2008

quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Operação Resgate

"Welcome to Fright Night... for real!"





Finalzinho dos anos 80. Eu ainda não era sócio daquele clube de sorridentes proprietários de um lindo VCR com sistema VHS de reprodução. E só freqüentava cinema (muito) ocasionalmente. A principal vitrine hollywoodiana que eu tinha era mesmo o pacote de filmes da Rede Muito Além do Cidadão Kane de Televisão. Pra ser mais exato, na então recém-inaugurada Tela Quente, com um delay médio de três anos em relação às estréias na telona. O fato é que o programa, em seus primeiros tempos, era top de linha no segmento. A gigante do Jardim Botânico finalmente estendia seu braço de modernização social para área do entretenimento cinematográfico. Não tinha pra ninguém. Antes disso, tínhamos que nos contentar com relíquias de um passado muito distante. Obviamente, longe ser bondade da emissora, a estratégia era brecar a escalada fulminante de um ex-funcionário rechonchudo.

Bem, eu não tava nem aí. O que eu queria mesmo era que março chegasse logo pra poder conferir todas aquelas maravilhas, cujas propagandas me serviam como analgésico durante o maldito mês do Carnaval. Foi ali que vi pela primeira vez alguns filmaços que não consegui assistir no cinema, por razões diver$as. Belezinhas pop como De Volta Para o Futuro, Os Caçadores da Arca Perdida, Uma Noite Alucinante, Aliens: O Resgate, Predador, Máquina Mortífera, Os Caça-Fantasmas, Curtindo a Vida Adoidado, Aventureiros do Bairro Proibido e toma pipoca com guaraná (Baré, por obséquio).

Foi numa daquelas segundas-feiras movidas a descobertas acachapantes que assisti, petrificado, A Hora do Espanto (Fright Night, 1985). Escrito e dirigido por Tom Holland, o filme reinventou os thrillers de vampiros e os introduziu na Era Moderna. Literalmente. Salvas raras exceções, os exemplares do gênero eram, invariavelmente, produções de época. Tenha em mente um cenário do século XVIII, com o venerável Christopher Lee vestido à caratér e com olhos injetados de sangue. Do alto de seu castelo gótico, ele observa friamente um vilarejo de camponeses supersticiosos. Era mais ou menos por aí.

A exemplo do que John Carpenter fez em Halloween, Tom Holland transportou o horror para uma realidade mais próxima. Sem mais aquela de principados no leste europeu ou de castelos assustadores no meio do nada. Os monstros agora passeavam pelos subúrbios e se esgueiravam pelos quintais...


Os personagens e seu microuniverso seguiam o mesmo conceito de normalidade contemporânea despachada e corriqueira. Tipo a minha vida ou a sua (se você não for parente de dotô). Filho de pais divorciados, o adolescente Charley Brewster (William Ragsdale), namora com a delícia cremosa Amy Peterson (Amanda Bearse), é amigo do histriônico "Evil Ed" Thompson (Stephen Geoffreys), vive com a mãe balzaca e não é nenhum prodígio na escola. Não que fosse um loser também... estava mais pro meio-termo, o que já caracterizava uma abordagem diferente do que o cinema vendia até então. Ou você era um nerd de fazer inveja ao Eddie Deezen ou era o líder do time de fightbol americano. Graças à Bram Stoker, estereótipos pés-no-saco não deram as caras no filme. Sábia decisão.

Numa noite de amassos estilo ação=repulsão com Amy, Charley observa seus novos vizinhos, Billy Cole (Jonathan Stark) e Jerry Dandrige (Chris Sarandon), carregando um móvel meio suspeito pra dentro de casa. Chegado em trasheira B e, em especial, num horror show de TV chamado Fright Night (um Cine Trash gringo), Charley até comenta com Amy o estranho fato, mas o máximo que consegue é perder uma boa trepada. No dia seguinte, ao chegar da escola, Charley é abordado por uma vistosa "terapeuta de relaxamento corporal", que lhe pergunta onde fica a casa de Dandrige.

Uma das melhores sacadas do filme é que, apesar de ter envelhecido em certos aspectos, ele jamais perde seu charme e confirma que certas coisas nunca mudam...


Me senti como se estivesse assistindo pela 1ª vez de novo. Glória à Deus.

O tempo fecha quando Charley vê a foto da moça no noticiário, engrossando uma lista de assassinatos em série que assola a região. Pra completar, na noite seguinte, o rapaz flagra uma ceninha interessante rolando na janela ao lado.


Ceninha esta com um baita anti-clímax medindo três polegadas em cada canino. Cumprindo seu dever de cidadão honesto, Charley avisa todo mundo sobre a ligação dos assassinatos ao vampiro que mora ao lado. Esforçado, chega até a arrastar um desconfiado policial para sondar a residência, em vão - o que lhe rende uma visitinha do nosferatu em pessoa. Com os dias (ou as noites) contados, Charley, desesperado, recorre ao apresentador do Fright Night, o destemido caçador de vampiros Peter Vincent (Roddy McDowall). Desse momento em diante, o filme, que já estava bacana, se torna surpreendente e indispensável.


O Peter Vincent do saudoso Roddy McDowall é, seguramente, um dos personagens mais carismáticos do Cinema. Sem sacanagem. Fora a homenagem a dois ícones da tosqueira B (Peter Cushing & Vincent Price), o "corajoso" vampire-hunter é o responsável pelos momentos mais engraçados de A Hora do Espanto. Principalmente durante as cenas de seus filmes - um festival de erros de continuidade e canastrice. Não satisfeito, McDowall, além do humor irresistível, ainda dá um banho de dramaticidade, como na cena em que observa, emocionado, a morte de um dos personagens, com o ator em questão sob toneladas de maquiagem e látex. Se considerarmos o passado cênico do ator inglês, sua escolha de atuação fica muito mais tocante. Afinal, quem melhor que ele para enxergar o homem atrás da máscara? Memorável.

O carismático Chris Sarandon no papel de Jerry Dandrige foi um golaço em Rogério Ceni com direito à nove chapéus a partir do meio-de-campo e finalização de bicicleta. Seu inegável sex-appeal, o ar cruel/blasé e o fato de adquirir uma forma grotesca quando ficava puto, fizeram de Dandrige o primeiro de sua geração. Antes dele, só haviam sanguessugas aristocratas from Romênia & Moldávia. A moda ganhou força dois anos depois, com o ótimo Garotos Perdidos (The Lost Boys). Hoje, qualquer Buffy ou Blade (e seus zilhares de genéricos) trazem vampiros monstruosos, góticos/headbangers/punks e sintonizados com as novas tendências fashion. A fórmula foi overdosada até a morte. Porém, o status de inovador sem precedentes é de A Hora do Espanto e ninguém tasca.



Ok, ok, calma lá... Fome de Viver (The Hunger) é de 1983 e teve a manha de enfiar 10 minutos de um show do Bauhaus logo no começo, escalou o Ziggy Stardust David Bowie e colocou a toda-supimpa Catherine Deneuve no papel de uma vampira gothique-nouveau, além de introduzir (opa!) o lesbian chic na cultura pop contemporânea.


...mas A Hora do Espanto era pra moleque da minha idade, pô.


Falando nisso, um assunto que rendeu muita especulação em torno do filme é a natureza da relação entre Dandrige e o psicopata undead Billy Cole. Há quem diga que existia aí uma parceria amigável no nível de Maverick & Goose, as gazelas voadoras de Top Gun. Pois digo-te não, vil criatura! Dandrige era o Mestre, o Lorde das Trevas, e Billy era tão somente o serviçal, o slave, o submiss... hã, esquece. Mas voltando... outro detalhe interessante era que, apesar da carenagem novinha, as características sobrenaturais de Dandrige seguiam o básico tradicional estabelecido pelo Drácula e imortalizada pelo Conde Orlock (de Nosferatu, 19... 22). Sendo assim, ele podia se transformar em morcego, lobo e névoa, além de possuir poderes hipnóticos e ter todas as fraquezas do manual clássico - incluindo intolerância à certos "penduricalhos". Sinceramente, um dos melhores vampiros do cinema.

Os efeitos especiais são surpreendentes, ainda hoje (se considerarmos que pertencem a um passado praticamente artesanal na área). Muitos cabos, bonecos, animatronics, jogos de sombra e luz, sobreposições, trucagens óticas e outras técnicas old school - fora o trampo soberbo da equipe de maquiagem. Seqüências como a impressionante "destransformação" de Evil Ed são de desprender o queixo e fazer embaixadinha com ele antes de tocar o chão...


Fosse feito em CG, perderia 90% do impacto.

Outro grande momento envolve Amy. Quando ela é vampirizada, abandona a imagem de menina superpoderosa e vira um mulherão com feromônio espirrando pelos poros. Mas durante a seqüência em que ataca Charley, seu rosto se desfigura em uma carranca horripilante. Até hoje, não entendo direito o que fizeram com a garota. Certamente, a mandíbula gigantesca era uma prótese, mas fazer a movimentação perfeita do trambolho deve ter exigido um esforço dracúleo.


A Hora do Espanto fez bastante sucesso na época. Arrecadou cerca de 25 milhões de doletas, sendo que os custos de produção foram de 9½mi. Pois é... parece que foi em outro século. E foi mesmo. Com a boa repercussão de público e crítica, a inevitável seqüência veio em 1988 (bem interessante, aliás - assunto pra próxima), reaproveitando apenas Ragsdale e McDowall do cast original. Fora a continuação do filme, Ragsdale não figurou em mais nenhuma produção de ponta. Dedicou-se quase exclusivamente às telesséries, com destaque para sua participação no estourado sitcom Ellen, em meados dos anos 90. Lá, ele fazia o namorado da personagem-título (interpretada pela Ellen DeGeneres), antes da mesma assumir sua sapatãozice lesbianicitude.

Stephen "Evil Ed" Geoffreys já era uma cara conhecida dos brazucas. Naquele mesmo ano, ele e Amanda "Amy" Bearse participaram da comédia de verão Férias da Pesada/Quando a Turma Sai de Férias (Fraternity Vacation), bobagem típica dos anos 80 que foi reprisada pelo SBT até a fita se desmagnetizar. De bom, tinham as centenas de loiras absurdas de biquíni e um Tim Robbins no útero da carreira. "Mas a vida é uma caixinha de surpresas", e Geoffreys (que chegou a ser indicado a um Tony Award, em 1984, por uma performance na Broadway) deu uma guinada sinistra na carreira. No início dos anos 90, ele começou a figurar em filmes pornô voltados para o público gay, geralmente creditado como 'Stephan Bordeaux' ou 'Sam Ritter'. E fazia sempre a parte mais, como direi, "filantrópica" da relação. Já a gracinha Amanda Bearse também trilhou um caminho paralelo ao cinemão hollywoodiano, estrelando basicamente filmes para TV e telesséries - notadamente, o bacanudo Married... With Children, no qual, além de atuar, também escreveu e dirigiu vários episódios.

Ah, Bearse é lésbica assumida (que coisa) e é considerada uma das maiores defensoras da causa. Chegou a apresentar um especial para TV chamado Out There², um stand-up só com comediantes homo-lesbo-transkçwfajxuais.

Chris Sarandon voltaria a trabalhar com o diretor Holland dois anos depois, em Brinquedo Assassino (Child's Play). Depois disso, embarcou em produções discretas, sem muito alarde. Também fez muita televisão e participou de algumas séries de sucesso, como Felicity, Charmed, Lei & Ordem e Chicago Hope. Em tempo... no excelente O Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas, 1993), Sarandon fazia a voz do protagonista. Jonathan Stark também manteve uma trajetória fora dos holofotes, trabalhando como ator, roteirista, produtor e até consultor criativo. Roteirizou alguns episódios de Cheers, aquele sitcom com o Ted Danson.

Apesar da extensa filmografia de Roddy McDowall, vergonhosamente, só conferi seus trabalhos mais famosos. O inesquecível Cornelius, do clássico Planeta dos Macacos (incluindo as continuações e a série de TV), O Destino do Poseidon, a sessão da tarde Um Salto para a Felicidade, entre outros. E não poderia deixar de mencionar que ele dublou o Chapeleiro Louco, nos episódios de Batman: The Animated Series (mas este chegou aos meus ouvidos em "versão brasileira... Herbert Richers"). Roddy tinha 70 anos quando partiu, em 3 de outubro de 1998.

Sempre achei que o diretor Tom Holland deslancharia para uma bela carreira cinematográfica. Poucas vezes, um cineasta conciliou tão bem elementos díspares de gêneros como terror, aventura e comédia teen, sem que a mistura se tornasse intragável. A impressão ficou mais forte com o inesperado sucesso de Brinquedo Assassino, mas parou por aí mesmo. Holland se dedicou a fazer filmes para TV, e até esbarrou no suspense/terror algumas vezes: dirigiu alguns episódios de Contos da Cripta, e os filmes Fenda no Tempo e A Maldição - duas adaptações matadinhas de Stephen King.


No início dos anos 90, a obscura editora NOW Comics fez uma quadrinhização do filme, aproveitando o lançamento da continuação nos cinemas. Acabou emendando a HQ em uma publicação mensal, que durou apenas algumas edições. Confesso que até fiquei curioso em saber o que andaram arrumando com os personagens, mas o interesse durou até eu ver as capas. Bregas e toscas ao extremo, uma delas (um especial de Halloween) trazia de brinde um óculos 3-D "da hora" (na época, um recurso hypeadíssimo via A Hora do Pesadelo 6 - O Pesadelo Final). Diante deste quadro, nem me dei ao trabalho de caçar as revistas.

A NOW Comics encerrou suas atividades em fevereiro último, após mudar de nome duas vezes. Até que durou bastante.


A trilha sonora de A Hora do Espanto também é digna de nota. Reunia algumas das bagaceiras mais divertidas dos anos 80. Tinha J. Geils Band (nome da música: Fright Night), os farofeiros do Autograph, o new wave tardio do April Wine, o pop-yuppie do White Sister e de Evelyn King, e até as presenças ilustres do Devo (com Let's Talk) e do Ian Hunter (ex-Mott The Hoople).

Já a trilha incidental era um primor à parte - méritos do compositor Brad Fiedel, o responsável pelas trilhas de True Lies, Blink e, wow, dos 2 primeiros filmes da franquia Exterminador do Futuro. Claro, aqui não tem nada tão marcante quanto os clássicos acordes minimalistas/industriais do Terminator, mas ainda assim é belíssima. Ou melhor, assustadora (no bom sentido) e bem soturna. Destaque para a hipnotizante Come To Me, tanto na versão com vocais como na instrumental. Perfeita pra morder uns pescocinhos por aí.

Na trilha: 1.032 canções com o Winamp em modo shuffle. Tem de Slayer até Vicente Celestino.