"A Blade of Grass" é uma catarse performática que, com bem pouco exagero, remete instintivamente ao grande William Friedkin. Não o grande Friedkin de
O Exorcista ᵖˢ, mas o grande Friedkin do escalafobético
Possuídos (
Bug, 2006). Pelo bem da regularidade sequencial, a química entre a parisiense
Eva Green e o londrino
Rory Kinnear não é tão transgressora e
agressora quanto a dos yankees Ashley Judd e Michael Shannon, porém...
porém... soa igualmente profunda enquanto experiência. O que talvez seja até mais complexo do que enfiar o pé na jaca de uma vez.
Esperto, o diretor
Toa Fraser apenas ligou a câmera e colocou as duas usinas de força dramática num set mínimo. O resultado, claro, é um espetáculo soberbo para aplaudir de pé. Mais um.
Imperdoável nunca ter mencionado
Penny Dreadful por aqui. Criada pelo produtor e roteirista californiano
John Logan, essa Liga Extraordinária dos sonhos está em sua 3ª temporada pelo
Showtime e mantendo uma proficiência assustadora.
Habitué em grandes produções, Logan tem na série sua investida mais autoral - por ironia, reminiscente das obras do
mago de Northampton - e escreve
todos os episódios, prática incomum nesse meio de
showrunners e
screenwriters.
Isso ajuda a conferir uma unidade invejável ao conjunto, além de nivelar tudo por cima. Não há episódios ruins em
Penny Dreadful. Menos ainda atuações ruins.
Mas voltando ao capítulo #4 dessa graphic novel em movimento: é o atestado definitivo que mesmo apresentando visões controversas da cultura pop secular a série extrai delas uma poesia irresistível. Dessa vez, a relação íntima entre Lúcifer e o grande protagonista de Bram Stoker foi uma revelação deveras acachapante. E, à primeira digerida, bastante discutível. Por questões de hierarquia mesmo.
Mas numa segunda revisão, logo me veio à mente a graphic
Eu Sou Legião, de Fabien Nury, e sua proposta de uma
entidade ancestral puxando as cordas no palco mundano desde tempos imemoriais. O famoso Empalador não foi o início e sim apenas mais um veículo.
Promissor e ainda resolve magicamente as coisas na cadeia alimentar inferno-Terra. Graças a Deus.
Ps: ei, mas espera aí... o Friedkin de O Exorcista também, espetacularmente!