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terça-feira, 21 de junho de 2016

"Foi previsto..."

Em décadas de indústria vital, nunca vi uma jogada igual a essa. E olha que foram muitas jogadas.


Bom... eu que agradeço?

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Entre o portador da luz e o dragão


"A Blade of Grass" é uma catarse performática que, com bem pouco exagero, remete instintivamente ao grande William Friedkin. Não o grande Friedkin de O Exorcista ᵖˢ, mas o grande Friedkin do escalafobético Possuídos (Bug, 2006). Pelo bem da regularidade sequencial, a química entre a parisiense Eva Green e o londrino Rory Kinnear não é tão transgressora e agressora quanto a dos yankees Ashley Judd e Michael Shannon, porém... porém... soa igualmente profunda enquanto experiência. O que talvez seja até mais complexo do que enfiar o pé na jaca de uma vez.

Esperto, o diretor Toa Fraser apenas ligou a câmera e colocou as duas usinas de força dramática num set mínimo. O resultado, claro, é um espetáculo soberbo para aplaudir de pé. Mais um.

Imperdoável nunca ter mencionado Penny Dreadful por aqui. Criada pelo produtor e roteirista californiano John Logan, essa Liga Extraordinária dos sonhos está em sua 3ª temporada pelo Showtime e mantendo uma proficiência assustadora. Habitué em grandes produções, Logan tem na série sua investida mais autoral - por ironia, reminiscente das obras do mago de Northampton - e escreve todos os episódios, prática incomum nesse meio de showrunners e screenwriters.

Isso ajuda a conferir uma unidade invejável ao conjunto, além de nivelar tudo por cima. Não há episódios ruins em Penny Dreadful. Menos ainda atuações ruins.


Mas voltando ao capítulo #4 dessa graphic novel em movimento: é o atestado definitivo que mesmo apresentando visões controversas da cultura pop secular a série extrai delas uma poesia irresistível. Dessa vez, a relação íntima entre Lúcifer e o grande protagonista de Bram Stoker foi uma revelação deveras acachapante. E, à primeira digerida, bastante discutível. Por questões de hierarquia mesmo.

Mas numa segunda revisão, logo me veio à mente a graphic Eu Sou Legião, de Fabien Nury, e sua proposta de uma entidade ancestral puxando as cordas no palco mundano desde tempos imemoriais. O famoso Empalador não foi o início e sim apenas mais um veículo.

Promissor e ainda resolve magicamente as coisas na cadeia alimentar inferno-Terra. Graças a Deus.

Ps: ei, mas espera aí... o Friedkin de O Exorcista também, espetacularmente!