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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Predadores de edições esgotadas


Resolvi fazer uma coleçãozinha dos Yautjas e Xenomorfos que têm saído pela Marvel/Disney. Tudo seguia tranquilamente com promos e cupons apoiando a causa, mas na zona de guerra que é o fim de ano, acabei deixando passar o Predador Versus Wolverine do ótimo Benjamin Percy com uma caçambada de artistas. Curto o quadrinho e também queria a versão física, mas, em se tratando da Panini, não poderia faltar aquele draminha de sempre.

A edição, lançada em setembro último, já estava esgotada há um bom tempo na loja virtual. O mesmo na Amazon e nos marketplaces oficiais da editora – a saber: Mercado Livre, Magazine Luiza, Americanas e Estante Virtual. A revista sumiu dos canais oficiais. E também de lojas online genéricas como Mundos Infinitos, Comic Boom! e afins, que dispõem de um estoque do tamanho de uma caixa de sapato. Comix virou um sebo virtual.

Daí para a corrida especulativa em torno deste item "raro" se espalhar pela web igual chato em casa de tolerância foi um pulo. Já vimos esse filme N vezes. Mas não custa recapitular a mágica de uma publicação recente com preço de capa de 39,90 ganhando um aumento de 300%, 400%, 500%!




É o Monte Rushmore da cara de pau.

Editorialmente, Predador Versus Wolverine é uma revista enxuta e simples, compilando as 4 partes da mini original em 140 páginas. Carta cartão e miolo com papel, vá lá, couché – em tempos idos, seria um belo de um LWC, o saudoso couché de pobre. Gibi como deve ser. Ou deveria.


Enfim, nada, nada mesmo que justifique a insanidade dessa precificação superfaturada.

A diferença é que os especuladores desta vez estão gozando antes mesmo de botar pra fora. Já na 1ª página do Google se encontra a HQ ainda disponível nas Livrarias Curitiba. E com um bom desconto!


Neste momento do post, a revista ainda está em estoque.*

* Só tive um pequeno contratempo relacionado ao endereçamento (“Não existem opções de entrega para esse CEP”, pfff), no que fui prontamente socorrido pela moça do SAC.

Questão resolvida. Espero que também ajude outros no mesmo barco.

E que se fodam os Mercenários Livres. De todas as plataformas.



Esse é um worst case scenario cada vez mais frequente em se tratando da Panini. Nem mesmo os medalhões parecem escapar disso. Medalhões que historicamente sempre ganharam tiragens elásticas. Mas quem já não passou perrengues idênticos com as populares Sagas do Batman, dos X-Men e do Homem-Aranha?

E pra quê Mefistos a Panini precisa de marketplaces que fatalmente canibalizariam o tráfego consumidor de sua loja virtual? Só porque seu sistema é lento, ineficiente e infestado de bugs? Nada. Simplesmente porque essas gigantes varejistas engolem sites Paninísticos no café da manhã. O alcance é absurdamente maior.

Somando 2 + 2, fica claro que houve uma mudança na política comercial na empresa. Toda essa confusão é resultante dessa nova estratégia que anda gerando anomalias dignas do Mundo Bizarro. Anomalias como assinantes e clientes de pré-vendas sendo os últimos a receber as edições, por exemplo. Ou como o esquisitíssimo caso da Supergirl da Bilquis.

Hoje, os lançamentos da Panini esgotam-reaparecem-esgotam do site em questão de minutos. Tudo por conta dessa reestruturação das tiragens para implementar a tal "Reserva do Site", o pesadelo 2.0 que antes atendia pelo nome de "Distribuição Setorizada". Isso bate com os insights certeiros do Ranieri, do bacanudo canal Nona Dimensão.

Bem-vindo ao caos.

Para desopilar de toda essa zorra (e aquecer para a leitura), nada melhor que rever o crássico embate entre o Yautja e o Carcaju no Super Power Beat Down.


Esses sim, são os melhores no que fazem.

sábado, 21 de março de 2026

Nos vemos no Mundo Interior, Sam Kieth


Sam Kieth
(1963 - 2026)

Essa veio do nada. E doeu pra valer. Se foi o Sam Kieth, um dos meus artistas prediletos desta vida.

Apesar de conhecido, Kieth mantinha uma relação de distância com o mainstream. A independência sempre pulsou forte naquele nanquim. Nos últimos anos, se tornou ainda mais reservado e low profile. Sempre acompanhei o pouco dele que saía por aí, como os registros de seu discreto blog (!), que parou de ser atualizado em 2023. Compreensível, dadas as circunstâncias de sua saúde.

Minha adoração pelo Kieth não é só força de expressão. Tenho tudo o que saiu dele por estas bandas (o que é bem pouco, infelizmente). Dos momentos históricos, como o início de Sandman, aos gibis mais fuleiros, como o crossover do Lobo com o Batman. Sozinho, seu estilo único já valia a imersão. E não era para todos, o que é sempre interessante.

Claro, impossível lembrar do Kieth sem mencionar The Maxx, HQ & animação. É a sua obra-prima, ainda criminosamente inédita por aqui.

E sem esquecer da mini Wolverine/Hulk: A História de Po, um dos quadrinhos mais evocativos, profundos e tocantes que já li. Quem diria. Só mesmo o Kieth para conseguir isso numa história com os dois brucutus da Marvel.

Kieth fazia falta e vai fazer mais ainda. Mas só de estar por aqui no mesmo tempo de vida e me divertir, me surpreender e me emocionar com sua obra já foi um grande privilégio.

Thank you, Sam Kieth.

domingo, 25 de maio de 2025

Tenha uma boa jornada, Escritor


Peter Allen David
(1956 - 2025)

Não foi exatamente uma surpresa, mas receber a notícia foi como ser atropelado. A família, lógico, está arrasada. Certeza que gerações de admiradores mundo afora também. Estamos todos na mesma página. Se foi o Peter David.

O fato de ser um dos escritores mais produtivos e aclamados dos quadrinhos mainstream dos últimos 40 anos (se contar, pelo menos, de A Morte de Jean DeWolff pra cá) gerou um nível de adoração que já está repercutindo em incontáveis depoimentos e eulogias pela rede neste exato momento. Merecidíssimo. Em vida, o homem já era uma lenda.

A versatilidade de David era algo que beirava o incomparável. Seja na Marvel, na DC, em seus trabalhos icônicos no Incrível Hulk, Supergirl, X-Factor, Aquaman, Fantasma, Homem-Aranha, A Torre Negra, nas novelizações de filmes, os elogiados trabalhos no Universo Star Trek, Babylon 5 e vários outros – incluindo aí os gibizinhos infantis da A Pequena Sereia. Até onde li, sempre buscando exaltar a dramática, cômica, trágica, altruísta e falha condição humana em meio aos mais fantásticos e esdrúxulos cenários ficcionais.

Esse era o seu maior superpoder: o de sempre colocar a pessoa em primeiro lugar. Uma delícia de ler e uma inspiração para a vida.

Thank you for everything, Peter David!

Vai demorar para o sensorial voltar ao lugar.

sexta-feira, 9 de agosto de 2024

O cliente ficou louco!


Fiz sexo com o meu cartão hoje. A maioria saiu por quase metade do preço na promocha da Panini acumulando com o cupom HQBARATA – até o momento, ainda tá valendo.

Deu pra enxugar um pouco daquela lista de candidatos à zona de rebaixamento (= reimpressão só na próxima era geológica). Mais uma nóia para o gibizeiro pós-moderno...

segunda-feira, 27 de maio de 2024

Meus 97 centavos

Sempre gostei mais de X-Men: Evolution do que de X-Men: The Animated Series.

Sério.


Agora que só ficaram os mais fortes (e leitor do BZ é, antes de tudo, um forte®), um contextinho. X-Men na década de 1990 foi a galinha dos ovos de ouro da Marvel. Fenômeno legítimo, daqueles estoura-bolhas. Não acompanhava quadrinhos naquela década, mas vivia topando com imagens de Wolverine, Vampira, Gambit e Cable em mochilas, lancheiras, camisetas, bonequinhos paraguaios, em tudo que é canto. Coisa que não acontecia nem na fase Claremont/Byrne. Naqueles tempos de internet a lenha, isso era um feito incrível.

Inclusive, soube primeiro da existência da série animada por um colega de trabalho cujo perfil era o mais antigibizeiro possível – estava mais pra Lucky Luciano mesmo. Mas assinava a Sky e, por consequência, a Fox Kids.

Quando finalmente assisti alguns episódios do desenho (num TV Globinho, acho), me surpreendi com a transposição do material. À 1ª vista, parecia tudo muito fiel. Claro, as adaptações e supressões devem ter deixado o leitor assíduo se roendo, mas, em termos gerais, a série trazia elementos das HQs até então impensáveis para o formato. Todas as discussões sobre preconceito, política segregacionista e extremos ideológicos estavam lá. Coisas como os Amigos da Humanidade e os Sentinelas de Bolivar Trask são mais atuais do que nunca, infelizmente. Junto com o combo vieram a estética atualizada e o fanservice massavéio de porradaria e ação nonstop. E esse era o grande problema da série pra mim: o pacing.

A montagem truncada ia de zero a cem em 0,5 segundo. Pausas para respirar/refletir/absorver inexistiam. Sequências frenéticas de ação eram emendadas umas nas outras sem nenhum critério. O material-base tampouco ajudava, com toda a mixórdia de clones, viagens no tempo, versões alternativas, alienígenas, retcons, etc, etc. Era o puro suco dos anos 90. Tudo isso ultraprocessado e prensado na deadline de 22 minutos/episódio. Uma dramática queda de qualidade para quem já assistia/venerava Batman: A Série Animada.

Mesmo assim, o desenho foi um sucesso estrondoso. Além de render 5 temporadas, seu molde rápido e rasteiro foi implementado em novas séries, de Homem-Aranha (que conseguia ser ainda pior na correria narrativa), Homem de Ferro e O Incrível Hulk até Quarteto Fantástico e o meu favorito, Surfista Prateado.

Portanto, afirmo sem dor na consciência (e amor à integridade física) que tive muito mais satisfação com X-Men: Evolution alguns anos depois. Era uma adaptação mais abrangente, porém sensata e pragmática. O storytelling, embora mais juvenil na 1ª temporada, era tridimensional e humano, com dramas e tensões finalmente bem desenvolvidos. Garotas & garotos numa escola agindo como garotas & garotos numa escola, ora pois.

Logicamente, o desenho foi excomungado pela fanboyzada.


Toda essa introdução bíblica (ops) só pra confirmar o óbvio: X-Men '97 foi produzida milimetricamente para agradar os órfãos da série original. Engajar diretamente novos fãs tem menos peso do que impulsionar o boca-a-boca elogioso dos antigos. Isso inclui até a recriação da abertura e do clássico tema original, escrito por Ron Wasserman e composto por Haim Saban e Shuki Levy, readquirido a peso de ouro após um quiprocó judicial. A produção chegou ao requinte de reunir vários dos dubladores originais para mais uma rodada.

Eles não pouparam esforços. Estão de volta as vozes da empolada Alison Sealy-Smith como Tempestade, Cal Dodd como Wolverine, George Buza como Fera e da estridente Lenore Zann como Vampira*.

* AJ Michalka, que deu voz à Felina em She-Ra e as Princesas do Poder, seria perfeita para a Vampira, mas os X-fãs têm verdadeira adoração pela Lenore...

Ao contrário do He-Man de Kevin Smith, o showrunner e roteirista Beau DeMayo interferiu o mínimo possível no efeito nostálgico do material – um elemento ao mesmo tempo poderoso e incrivelmente sensível, vide a histeria em torno do crop top do Gambit e da natureza não-binária do Morfo.

Do ponto de vista dramático e narrativo, as coisas estão melhores. Ainda aceleradas, contudo.

Ao longo dos 10 episódios desta 1ª temporada (contra 13 da série original), é feita a ponte entre as animações e adaptados os arcos do julgamento de Magneto, a bela fábula protagonizada por Tempestade e Forge em “Morte em vida”, as saliências de Magneto com Vampira, o casa-separa do Professor Xavier com Lilandra no Império Shi’ar, a destruição de Genosha, os paradoxos temporais de Cable e Bishop, as maquinações do Sr. Sinistro com Bastion e a Operação Tolerância Zero, mais pitadas da fase Grant Morrison à moda da casa.

Muita coisa esdrúxula acontecendo com muita chance de virar bagunça. Não virou e nem precisei fazer vista grossa. Não muita.

O massacre em Genosha por um Tri-Sentinela massivo foi meio rápido e com uma conclusão forçada – o que uma bateria cajun pode fazer que o Mestre do Magnetismo não poderia? E o Capitão América, reduzido a um pau-mandado do governo, estranhamente remete ao Clark em O Cavaleiro das Trevas. Proselitismo de 5ª, visto que esse não é o perfil dele.

Já a famosa sequência de Magneto extraindo o adamantium de Wolverine foi um gol perdido embaixo do travessão. Por que negar ao espectador-leitor a animação integral da cena? Melhor voltar a contemplar a terrível capa fingindo que é um Renoir.


Outro trecho que me incomodou no apoteótico final foi a batalha transcorrendo ora no Asteróide M, ora na Área Azul da Lua. Tudo testemunhado pela estupefata população terrestre, que não desgrudava os olhos do céu. Não sou astrônomo, mas até o Groo sabe que a Lua não é na esquina. Parece que o tempo e a chatice me pegaram de jeito.

O delivery body horror, quem diria, foi generoso. Em especial, o episódio #2, com a Madelyne Pryor personificando a Rainha dos Duendes. Surpreendente. O mesmo para os milhares de civis inocentes retorcendo seus corpos ao serem convertidos em Suprassentinelas. E com Bastion desfigurado e com seu lado Nimrod cada vez mais exposto na reta final, foi difícil não lembrar do amálgama Luthor-Brainiac na perfeita/maravilhosa/salve-salve Liga da Justiça sem Limites.

Além do Cap, foi muito legal ver os cameos do Homem de Ferro com sua Mark XIII Modular, do Homem-Aranha, do Demolidor, do Dr. Estranho, de Manto & Adaga, do Pantera Negra, de membros da Tropa Alfa e alguns ex-Supersoldados Soviéticos. Todos bem inseridos dentro do evento – cada qual no seu quadrado – e dando uma sensação de unidade ao Universo Marvel tal qual os desenhos da WB fizeram pelo Universo DC um dia. Ficou a sensação de que muito tempo foi perdido e que nestes anos todos poderíamos ter visto animações maravilhosas de cada um deles.

X-Men '97 deu uma boa melhorada neste cenário. Se a próxima temporada tiver a ambição e o coração nos lugares certos, não só os X-Men sairão beneficiados, como a história de sucesso multifranqueado poderá se repetir. Desta vez, com a régua lá em cima.

Afinal, todos sabem que é só através da arte que os heróis... renascem.

É, isso saiu esquisito.

domingo, 11 de fevereiro de 2024

Whoa, Wade, whoa, Wade, whoa, Wade, whoa, Wade...

...o trailer de Deadpool & Wolverine / Deadpool 3 ficou bom bagarai!


Provavelmente vai pegar um pouco para quem não viu Loki e passou batido pela TVA, mas devem mastigar e regurgitar o conceito em dois minutinhos. Além do mais, após Ultimato, a ideia de multiverso viralizou bolha afora. Fora que nem é nova. Taí o crossover entre os universos Bombril & Bamerindus que não me deixa mentir e ainda entregam minha velhusquice. Sopa no mel para os neófitos.

Confesso que acho a metalinguagem dos filmes do Deadpool um pouco demais, mesmo alinhado com o quadrinho. O problema é que esse "God mode" e a autozueira me impedem de me importar o suficiente com as ameaças que o maluco enfrenta – particularmente em Deadpool 2. Mas é indiscutível que ver algo diferente da fórmula Marvel já dá uma injeção de ânimo na veia. E foi só um trailer.

A pergunta, então, se faz inevitável: Deadpool & Wolverine poderá salvar o Universo Cinematográfico Marvel?

Na minha opinião, o MCU tem sido mais dispensado do que assistido, propriamente. É o "não é você, sou eu" das franquias blockbuster interligadas. Algo previsível e inevitável se não apimentarem a relação. E é aí que entra o Wade Wilson.

Ryan Reynolds nasceu pra isso, sem discussão. Assim como Hugh Jackman – sabiamente não revelado – também já nasceu pra isso, uma vez. Surpreso apenas de rever a Morena Baccarin na série. E foi estranho e muito legal me deparar com o Matthew Macfadyen na prévia. Esse cara é fodão (já assistiu Um Refúgio no Passado, nome merda brasileiro para In My Father's Den?) e completamente estranho nesse nicho. E tem outro nome do elenco registrado no IMDb que só podia figurar nesta produção mesmo. Se não ligar para spoiler, vá lá.

No mais, precisei voltar ao ponto 1:47 só para me certificar de que não era o Victor ali. Que susto. E quero o Troféu Cata-Piolho pelo gibi de Guerras Secretas atirado no chão lá no finalzinho. Fiquei bem curioso para ver como o diretor Shawn Levy (Gigantes de Aço, Free Guy) trabalhou as zilhões de referências dessa gigantesca caixa de brinquedos.

Mas voltando... sim, acho que pode salvar sim.

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

Windsor-Smith: o artista, o escritor, o entrevistado


Qualquer mané sabe que uma obra de Barry Windsor-Smith trará uma arte complexa e exuberante, variando do belo ao perturbador com uma facilidade que só os gênios possuem. Isso ainda hoje. O que não dá para antecipar é o que ele vai despejar em suas raras entrevistas. Muito disso por conta de seu estilo rolo compressor, sem rodeios ou afagos oportunistas. Com o britânico, o papo é reto. Sobram "as malditas garras" para a indústria, para os colegas e até para ele mesmo.

Baixando e abrindo no CDisplay Folheando a Amazing Heroes #188, de fevereiro de 1991, usei meu cabedal Windsor-Smithsoniano já esperando por um papo, no mínimo, divertido e fora do script. A ocasião era de gala: o lançamento de Wolverine: Arma X. E o velho BWS não decepcionou.

O homem arrepiou logo na largada.


Windsor-Smith estabeleceu que os eventos de Arma X se passariam no início da década de 1960. Porém, decidiu manter a aparência consagrada de Logan dos anos 1980, ao invés de um visual mais jovem. O detalhe é que ele desconhecia completamente que o fator de cura do mutante o dotava de uma extensa longevidade.

E ainda deu uma zoadinha de leve em Timothy Truman (Jonah Hex, Grim Jack), que desenvolvia uma aventura do Wolverine em pleno século 18 – o arco "Fronteira Selvagem", publicado aqui em Wolverine #29, da Abril. No que foi prontamente esclarecido pela nerdice do entrevistador.

O cara acerta até quando erra, impressionante.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

“A Loja de Corpos garante satisfação... ou seu dinheiro de volta”


Wolverine: Arma X foi para as releituras do feriadão. Já faziam alguns anos. O pequeno clássico do Barry Windsor-Smith ainda se sustenta com louvor, dadas a estética oitentista e a superexposição do baixinho mutante desde que a saga foi publicada na Marvel Comics Presents #72, em março de 1991.

Como autor, o britânico nunca esteve tão afiado, conciliando a dinâmica sequencial com recortes e entre quadros repletos de informações. Tanto se vale só da força das imagens, quanto fuzila o leitor com recordatórios aleatórios sem bagunçar o meio-campo. Timing impecável. Como artista, revezava entre a técnica minuciosa e ejeções viscerais de caos controlado. Um mestre.

A leitura segue como um registro atemporal de um talento refinado após anos de trincheira editorial, agora em seu, digamos, platô criativo. Além de ser ultraviolenta e divertida pra caceta.

(embora minha chatice pseudocientista ainda me incomode na inexplicada drenagem excessiva de adamantium pro túnel do carpo...)

A edição que tenho é a lançada pela Panini há exatos 20 anos — encadernado com capa cartão e papel LWC, vulgo "couché de pobre". E trazia um bom motivo para passar a versão em capa dura posterior: a inclusão da história "Animal Ferido", com Windsor-Smith ilustrando o texto do Chris Claremont. É uma espécie de "curta-metragem natalino" com Wolverine e Chispinha, do Quarteto Futuro (precisamos falar sobre o Quarteto Futuro) sendo caçados pelos ciborgues Carniceiros e pela Lady Letal, recém criada pelas seis mãos da Espiral em sua Loja de Corpos.

Por que a Panini ignorou essa pequena grande aventura na reedição de luxo é um mistério. Mas o editor Fernando Lopes foi categórico na nota de rodapé da galeria de capas.


Trabalho de edição proativa é isso aí. É Barry Windsor-Smith, pô!²

Curto tanto essa história que também tenho em Heróis da TV #100 (a 1ª vez a gente nunca esquece) e na Marvel + Aventura #1.

Pelo Arma X de 2003, só posso terminar com um raro...

Boa, Panini!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Ele era o melhor no que fazia...


Isaac Bardavid
(1931 - 2022)

Com o veterano ator, dublador e poeta Isaac Bardavid vão-se as expectativas de novas aparições na mídia, sempre simpaticíssimo, e de novos trabalhos com seu vozeirão rascante inconfundível. Carioca de Niterói, se formou em Direito em 1976, mas já havia se apaixonado pela dramaturgia dez anos antes. Participou de grandes hits noveleiros como as primeiras versões de Irmãos Coragem, Selva de Pedra e Escrava Isaura, onde fez o assustador capataz Seu Chico, entre muitas outras. E nunca parou.

Prolífico em frente e fora das câmeras, Bardavid pertencia, digamos, à Era de Bronze da dublagem nacional. Sua voz tomou de assalto o imaginário brasileiro em personagens como o histriônico Esqueleto, o computador K.I.T.T. de A Super Máquina e, claro, o irascível Wolverine no desenho da Fox e na versão live action com Hugh Jackman.

E lógico que foi só a ponta do iceberg. O grande papel dele mesmo foi de "esposo, pai, vô, bisavô e amigo".


Isso que é um legado.

Muito obrigado por tudo, Seu Isaac!

sábado, 10 de dezembro de 2016

Princesa se atraca com Carcaju na praia

Então vamos de ep. #20 de Super Power Beat Down: Mr. Howlett contra Ms. Prince. Como sempre sanguinolento, estimulante (feat. Psylocke), bem produzido e diligentemente conduzido. Em suma, o prazer culpado nerd supremo.


Ganhou quem eu torcia pra ganhar. É sempre assim quando não aposto.

domingo, 20 de março de 2011

Era uma vez no esgoto

Superaventuras Marvel #29, novembro de 1984. Dessa eu não só lembro muito bem, como tenho até hoje (não a mesma revista, claro). Tinha conteúdo pra todos os gostos: Ralph Macchio-san e o George Pérez da fase áurea botando a Viúva Negra pra espancar os inimigos sem dó (com direito a furibunda badass splash-page), o show de curvas da Red Sonja sob o traço do mago das pinups Frank Thorne e mais um dos incontáveis exploitation de ação marcial do Mestre do Kung Fu. Mas o ouro da edição estava bem guardado e a única pista que a capa dava era um carcaju genérico com fundo rosa à esquerda.

Com um espirituoso título, "O Inferno não pode esperar" é a clássica história onde os X-Men são divididos e conquistados pelo altivo Clube do Inferno. A trama era um trem descendo a ladeira sob o comando de dois maquinistas insanos no auge do descontrole: Chris Claremont e John Byrne. Não é exagero afirmar que esse foi o O Império Contra-Ataca da equipe mutante (lançado no mesmo 1980, o ano das convergências vilânicas instauradas no poder). Para os heróis, aquele momento foi amargo, humilhante e tudo indicava que o futuro era negro, baby.

Porém, na cena derradeira, a hora da retribuição se avizinhava no horizonte - e na história dos quadrinhos.

(trilha redentora do Morricone aqui)


Wolverine se reerguendo no fundo do poço (do esgoto, aliás) foi, valorizando o trocadilho, o divisor de águas. Já tínhamos visto o baixinho enfrentando problemões e caçando confusão antes, mas nunca daquele jeito. Eu não iria querer ser sócio do Clube "nem por todo o whisky da Irlanda".

Referenciada e reconstituída ao longo dos anos, a imagem teve seu inegável apelo subestimado tanto pelos editores aqui do Brasil quanto pelos editores americanos. Mas, prevalecendo, adquiriu status icônico e contribuiu e muito para criar o personagem-produto que ele é hoje. Isso foi há 25 anos (30, considerando The Uncanny X-Men #132 original).

Em 1993, Byrne incluiu uma reinterpretação da imagem em seu portfolio, no que parece ser o instante seguinte da cena original.


Fazer esse tipo de coisa sem soar auto-indulgente não é pra qualquer um.

1993 também foi o ano do "Wolverine Blues", pedrada death'n'roll clássica do Entombed.


Era uma época onde a música e a literatura falavam mais ao coração.

Post descarada e miseravelmente inspirado por Elijah Price. Dê um desconto... tudo isso faz parte de um grande plano de reabilitação blogueira.

domingo, 3 de maio de 2009

BLAME CANADA


Não parecia uma má ideia. De um lado, Gavin Hood, diretor oscarizado escolhido a dedo. De outro, o astro Hugh Jackman e o expoente mais popular de uma trilogia que já ultrapassou há tempos os nove dígitos. Pra garantir, uma publicidade massiva em ritmo spammer despejando na mídia toneladas de teasers, trailers, spots e promos diversos - era impossível abrir browser que seja nos últimos meses sem ser cutucado por seis garras de adamantium. Nem precisaria tanto: qualquer um com residência fixa no planeta Terra já ouviu falar no baixinho invocado canadense, que completou em abril 35 anos de existência. Hoje, Wolverine é tão ou mais conhecido que Jesu... o Homem-Aranha. Sendo assim, não é exatamente uma surpresa que X-Men Origens: Wolverine (X-Men Origins: Wolverine, EUA, 2009) se revele um filme de ação absolutamente genérico. O que surpreende mesmo é o afinco com que os realizadores se apegam a esta fórmula batidaça, como se a história do personagem não fosse extraordinária o suficiente.

É sintomático que o nome de Jackman conste também nos créditos de produção. Durante todo o filme nota-se o tremendo esforço em defender aquela sua (boa) versão que já conhecemos através de X-Men, X2 e do subestimado X-Men: O Confronto Final. O galã alto com a fuça do jovem Eastwood, notadamente mais sociável que o Taz violento e beberrão dos quadrinhos. Aquele carcaju que aprendemos a aceitar, como diria um desalinhado amigo meu.

Créditos à parte, quase tudo que é demais cansa. E, pra mim, o filme atingiu essa cota com menos da metade de projeção.


O início é muito bacana. Sintetizou a saga Origem, de Paul Jenkins e Andy Kubert, com competência, esmero dramático e boa caracterização dos personagens. As contrapartes jovens de Logan e Victor Creed (Troye Sivan e Michael-James Olsen, respectivamente) fazem por merecer mais tempo de tela, bem como seus pais, John Howlett e Thomas Logan (Peter O'Brien e Aaron Jeffery), perfeitos até na semelhança física. Em seguida, acompanhamos Logan e Creed (Liev Schreiber) através dos anos, se valendo de seus fatores de cura no front das maiores guerras da História, onde se destacam uma eficiente produção, zero de grafismo e a fraca trilha sonora de Harry Gregson-Williams. Normalmente, eu nem esquentaria com esse detalhe, não fosse o tipo da sequência em que a trilha, ao exemplo da intro de Watchmen, personifica "apenas" o coração das cenas.

Como era de se esperar, os dois acabam chamando atenção das esferas superiores do exército, representadas por William Stryker (Danny Huston, infelizmente sem inspiração aparente no marcante trabalho de Brian Cox, que encarnou o personagem mais velho em X2). Logo, ele os convoca para integrar um grupo mutante black ops. Além deles, participam da equipe Wade Wilson (Ryan Reynolds), o Agente Zero (Daniel Henney), o eletrocinético Bolt (Dominic Monaghan, de Lost), John Wraith (o rapper will.i.am) e o irremovível Blob (Kevin Durand). Durante uma missão ligeiramente hardcore na Nigéria, as coisas saem do controle, para a tristeza de Logan e felicidade do psicopático Creed.

Contrariando Victor e Stryker, Logan decide pendurar as garras. Durante seis anos, ele leva uma vidinha pacata como lenhador nos cafundós do Canadá, ao lado da namoradinha Kayla (a fabulosa Lynn Collins, de True Blood). Até que um dia, Stryker dá as caras e avisa Logan que alguém está eliminando seus ex-companheiros de batalha. Quando o pior acontece, ele se vê obrigado a voltar a fazer o que sabe melhor.


É com esse script de Jeph Loeb's Comando para Matar que o filme se apóia, com direito a uma breve escala pela saga Arma X. Numa estrutura narrativa encontrada facilmente em qualquer filme do Van Damme, vê-se que os roteiristas David Benioff e Skip Woods beberam mais na fonte do baixinho belga que na do baixinho canadense do sr. Windsor-Smith. Até os fragmentos de lembranças de Logan mostrados ao longo da trilogia X foram mais fiéis. E sanguinolentos. Há algo muito errado quando um sujeito transtornado, com seis lâminas indestrutíveis nas mãos, sai por aí atrás de confusão e o máximo que consegue são umas gotinhas de sangue. Aí fica impossível ilustrar a extensão de sua natureza mutante.

No filme, Wolverine é soterrado por uma avalanche de toras e atropelado por um caminhão em alta velocidade, mas só o que contabiliza são leves arranhões no rosto. O fator de cura nem deve ter sido ativado. Só como um comparativo, nos quadrinhos, a mesma situação soa muito mais visceral.

Isso é particularmente prejudicial na cena em que Logan decide largar a equipe mutante. Pode me chamar de insensível, mas uma única morte inocente para mudar a cabeça um cara que participou de mais guerras que o deus Ares é muito, muito pouco. Sinceramente, até demorei em entender qual foi a bronca do herói ali, já que todo mundo escapou ileso e só um ficou caído. Quer impacto dramático de verdade numa situação de crise contextualmente similar? Pegue O Senhor das Armas, com Nicolas Cage. Melhor ainda: Hotel Ruanda, com Don Cheadle.

X-Men Origens: Wolverine é PG-13 ("intensas sequências de ação e violência, e alguma nudez parcial"), mas nem um terço do potencial dessa classificação é aproveitado. Ah sim, tem crianças assistindo. Deixa a violência pro playstation.

Pra piorar, a única nudez parcial mostrada foi a de um cara. As menininhas que acham o Wolvie "um gato" agradecem.


Não só a demora em acontecer algo realmente arrebatador incomoda, mas também os contornos de melô romântico que o filme vai adquirindo. E quando a ação chega, é uma cacofonia coreografada de qualidade duvidosa, com muitas poses, explosões e nenhuma criatividade. Lutas sem razão excedem o limite do razoável. Logan enfrentando Blob foi ridículo em motivação e concepção (mudança por mudança, seria muito melhor se deixassem o gordo com o visual Juggernaut do início) - cena piorada pela legendagem que se enrolou toda no trocadilho com o Blob-"bub". O mesmo acontece na treta gratuita com o Gambit (um desperdiçado Taylor Kitsch).

Sem qualquer sensibilidade com o material original ou com as possibilidades de uma série, Travis (James, nos quadrinhos) e Heather Hudson deixam seu posto no Departamento H para se tornarem um doce casal de velhinhos. Patologicamente simpáticos, eles acolhem Logan em circunstâncias bastante inverossímeis para os dias atuais. Nem a Tia May seria tão solidária.

Alguns cacoetes visuais são regurgitados ad nauseum e beiram o humor involuntário, como os sucessivos gritos de Logan para a câmera em plongée (de cima pra baixo) e a mania dele e Creed em iniciarem suas lutas se jogando um contra o outro - e confie em mim que o clicherômetro bate no mil quando dois personagens atravessam juntos uma janela que está logo atrás. Na hora lembrei da mesma cena em Blade Trinity. Ótima referência, hein?

Mas não é só!


Spoilers à frente.


Existem dois tipos de reviravolta final: aquela que muda toda a ótica do que sabemos, não raro nos deixando no lado oposto do que gostaríamos, e aquela que dá um gostinho de inutilidade a tudo o que aconteceu até ali. É o que acontece no filme. Nada de uma bela saga de redenção, altruísmo e sacrifício heróico, mas uma simplória e frustrante farsa, sugerindo que Stryker, além de proeminente insider militar, também é fã de um dramalhão mexicano. A cena em que Kayla se mostra viva, fitando Logan em silêncio, é estranhamente longa, como se quisessem potencializar o "choque" daquela revelação. Demora tanto que até pensei que a garota fosse um robô, um clone ou algo que o valha.

A luta final contra Deadpool/Agente XI é autosabotada. Primeiro, porque escalaram para o papel Scott Adkins, um dos pancadeiros mais impressionantes da atualidade. Segundo, porque colocam Wolverine e Dentes de Sabre juntos para esmerilhar o fulano na unha. Expectativas superando as escalas. E o que fazem? Levam a peleja para um espaço impraticável pra qualquer coisa, quanto mais pra uma coreografia marcial decente. Um caralho de uma borda lá nas alturas onde, providencialmente, as leis da Física impedem qualquer queda que não seja intencional. Haja paciência.

Aliás, se Wade era o Deadpool, porque chutaram Ryan Reynolds do clímax? Adkins não precisou fazer nada mesmo de excepcional naquelas cenas e Reynolds esteve excelente na sequência em que levou uma espada para um tiroteio.

Nem vou citar - já citando - a morte imbecil do Agente Zero. Com poderes que parecem saídos da adaptação de Procurado e uma técnica bacanuda à Gun kata, seria motivo de sobra para um mano a mano retalhador com o Wolvie. Mas acharam melhor botá-lo para brigar "de helicóptero" - treta concluída com o clichê mais constrangedor do filme. E toma ceninha de herói caminhando friamente de costas para uma explosão (fake, por sinal). Eu lembro quando isso já foi cool, lá pela década de 70.

E com tantos sketches de ação estereotipada, logo esquecemos o Oscar que enfeita a lareira do diretor Gavin Hood para lembrarmos de seu passado de ator - American Kickboxer, Kickboxer 5 e os clássicos Força Delta 2 e 3 te dizem alguma coisa?

Como se não bastasse, a reta final se aproxima perigosamente de Star Wars: A Ameaça Fantasma. Vide Logan dando cobertura à fuga dos prisioneiros enquanto encara o Agente XI, numa cena que praticamente reedita o aparecimento de Darth Maul para os jedi Qui-Gon Jinn e Obi-Wan. E também a conclusão dessa luta, com o vilão despencando de maduro e um pedaço de seu corpo se separando durante a queda.

Afe. Assim parece até que detestei totalmente.



Contudo, curti o filme em certos aspectos. Liev Schreiber, numa ótima performance, é Victor Creed até o olhar assassino. Os links com os eventos da franquia X são respeitados no limite do possível e até conferem uma nova dimensão àqueles filmes. Destaque positivo para as participações do jovem Scott Summers (Tim Pocock) e de Emma Frost (Tahyna Tozzi), sem comprometer a continuidade. O mesmo para a rápida aparição do Professor Xavier, eternizado por Patrick Stewart.

E Hugh Jackman, carismático que só, nos relembra o quanto é legal ver um ator se divertindo horrores com um personagem. Nada mais justo, já que sem o Wolverine, ele provavelmente ainda estaria criando ornitorrincos na Austrália.

Não, bub, não foi dessa vez. Mas, como bom leitor de quadrinhos, o amor aos personagens vem primeiro. Torçamos para que as bilheterias mantenham o ritmo avassalador e viabilizem mais e melhores continuações - o que não é assim tão difícil (LoL & perdão). Material pra tanto não falta, afinal, já chegamos ao Japão e Madripoor é logo ali. Quem sabe numa dessas, o carcaju possa realmente fazer o que sabe melhor.

Ps: atenção para o final pós-créditos.
Pps: saudações rubro-negras!

sexta-feira, 20 de abril de 2007

O MELHOR DO TRIO TERNURA


Será que Mark Steven Johnson tinha idéia que o Coração Negro era deste jeito aí? > >

:-)

A história Corações Negros foi roteirizada por Howard Mackie, desenhada pelo abençoado John Romita Jr. e arte-finalizada por um colaborador de velha data, Klaus Janson. Publicada no Brasil em 94, trazia na premissa mais um esquema de Coração Negro para usurpar o trono infernal de seu pai, o mega-cramulhão-mor Mefisto. Para tanto, resolveu recrutar Motoqueiro Fantasma, Wolverine e Justiceiro, três badbad-guys da Marvel Comics que ninguém gostaria de topar num beco escuro. Claro que os três juntos formam uma química explosiva capaz de chamuscar o próprio capeta e a única coisa que Coração Negro arrumou ali foi encrenca.

Esta foi uma das raras ocasiões em que Coração Negro recebeu uma atenção especial por estes cantos, visto que a cronologia (já ralinha) do demoníaco vilão foi bastante depredada durante a era Abril Jovem. O personagem foi bem aproveitado por aqui em seus primeiros dias - na fase Ann Nocenti/Romita Jr. do Demolidor, publicada na saudosa Superaventuras Marvel - e após isto, apenas em participações pra lá de esporádicas e especiais en passant como este.

Lá fora, ele teve uma longeva story-line, publicada na revista Ghost Rider, que nunca viu a luz do dia por aqui, e mesmo lá sofreu com um impedimento na grande área. No fim dos anos 90, a última edição de GR, a #94, foi simbólica neste sentido. Cancelada pela Marvel por motivos de déficit financeiro (pendura mesmo), deixou de concluir toda a fase de Danny Ketch nos ossos do Motoqueiro, iniciar um novo plot com o motoca anterior Johnny Blaze (agora pai de família), e até fazer algumas revelações, como a verdadeira identidade de Black Rose, a satânica consorte de Coração Negro (era a finada Roxanne Simpson, ex-esposa de Blaze).

Com o caixa da Marvel já recuperado via cinemão roliúdiâno, a edição acabou sendo publicada no final do ano passado, com direito à desculpa esfarrapada, bônus e tudo. Mas aí o timing já tinha ido pro saco. De qualquer modo, obrigado pelos peixes.

E vamos ser justos... por anos, a Marvel operou às portas da concordata, cancelando títulos sumária e impiedosamente, levando em conta apenas a projeção de vendas. Complicado editar uma cronologia que, de uma hora pra outra, vira um total dead end. Na verdade, não faz o menor sentido. Claro que isto não justifica todas as derrapadas da Abril, mas é algo a se colocar na balança. A Panini mesmo nunca teve de encarar um pepino destes e já toma algumas decisões bem polêmicas.

O scan da edição nacional de Corações Negros está disponível na rede há um bom tempo, mas o arquivo que mais se propagou foi aquele no tenebroso formato pdf. Não é por nada, mas Acrobat Reader, pra mim, só serve pra ler edital. Então resolvi escanear no padrão gringo, dar aquele acabamento básico no Photochopp e subir pra ver se espalha por aí.

A HQ está linkada na imagem abaixo. Sem tarjas, marcas d'água ou senhas. Totalmente open-source e freeware.



Mirrors:
FileFactory
Badongo
Links off


Corações Negros também ganhou uma continuação em 94, até onde sei, inédita no Brasil.

Em The Dark Design, o Trio Ternura se vê novamente às voltas com o bastardo dos infernos Coração Negro, ainda conspirando contra seu progenitor Mefisto. Roteiro do mesmo Howard Mackie (expert em enxofre) e "Images" por conta de Ron Garney.

A narrativa traz muito pouco do clima de suspense anterior e aposta num package de ação semi-standard. É muito funcional no que propõe, mas os pontos altos são, de longe, o senso esperto de continuidade (os personagens não ignoram os eventos da primeira aventura) e um final realmente inesperado, pra dizer o mínimo.


Esta história está disponível nos links a seguir [em inglês] >>

The Dark Design
Mirror: FileFactory
Links off


"I'm rolling thunder, pouring rain... I'm coming on like a hurricane..."

segunda-feira, 16 de abril de 2007

A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO HULK


Parece que a notícia do dia nos meios pop quadrinhísticos (quiçá cinematográficos!) foi Edward Norton embebido em radiação gama para o próximo filme do Hulk. Norton é um dos melhores atores de sua geração e sua presença neste projeto com certeza muda, e muito, a percepção geral sobre o que virá a ser o filme. O primeiro longa foi bastante criticado, principalmente pela intensa carga dramática conferida pelo diretor Ang Lee (não inesperadamente: ele cansou de repetir que faria uma "tragédia grega", nestas palavras) - do lado de cá, acredito que este primeiro momento foi absolutamente necessário antes de qualquer outra coisa.

Mas a história se repete - se antes a novidade insólita foi a toda-boa Jennifer Connelly, agora é a vez de Norton garantir uma atuação de alto nível e, porque não, ser um baita chamariz de público (principalmente após a moralzinha mais popularesca adquirida via O Ilusionista). Tomara que não seja pedir demais que La Connelly retorne ao cast, juntamente com o grande Sam Elliot. Eu até ajudo a pagar.

Se alguém tem experiência em dupla personalidade é Ed Norton. A primeira vez que vi o sujeito foi em As Duas Faces de um Crime, com Richard Gere estrelando. O thriller era meia-boca toda vida até seus dez minutos finais, quando é revelada a presença de um monstro gigante em cena. Quem assistiu o filme na época saiu atropelado. Na ocasião, Norton saiu recolhendo indicações - Oscar incluso - e prêmios a rodo (conta quantas vezes aparece o nome dele aqui). Já em Clube da Luta, seu alter-ego, o paranoid Tyler Durden, era uma força anti-sistema de caráter (auto-)destrutivo. E o Hulk não é nada mais que uma simbologia grotesca e per se deste mesmo conceito.

A verdade é que daí pode sair qualquer coisa (até mesmo o primeiro nuke da filmografia de Norton), mas ao menos há uma certeza: Bruce Banner nunca esteve tão próximo de seu sociopata interior.


No final de 2005, "todo mundo" foi aterrorizado pela imagem acima. Até então, só sabíamos que uma das tretas mais clássicas dos quadrinhos - Wolverine contra Hulk, gafanhoto! - ganharia sua versão no Universo Ultimate, onde tudo vale, tudo é permitido, de golpe abaixo da linha da cintura a dedada no olho. Mas ninguém estava preparado pra isto, for Christ's sake. Viajando pela web como parte de um preview da história, a força dessa imagem foi um trampo marketeiro de primeira linha. E reflete à perfeição o que é a Marvel Comics sob a gerência de Joe Quesada, para o bem ou para o mal. O fato é que a mesma foi o papel de parede de todos os computadores que usei na época. Já vinha em resolução 1024x768 mesmo. Fui fisgado legal, admito.

Aí saiu a primeira edição. A primeira de uma minissérie de seis. Fevereiro de 2006. Escrita por Damon Lindelof, co-criador e roteirista de Lost, e desenhada pelo excelente Leinil Francis Yu, de Superman: O Legado das Estrelas. Nada mal, hein. No mês seguinte (março, pra constar), houve um apagão e nada da revista. Tá, era bimestral. Beleza. Em tempos de Evil That Men Do, Daredevil: Father e Ultimates 2, a paciência virou a maior das virtudes. Em abril, ueba, lá estava a HQ seguindo seu curso na 2ª edição.

E foi a última vez que a vi.

Atualmente, Ultimate Wolverine vs. Hulk jaz em alguma geleira próxima daquela em que o Capitão América foi resgatado. Ou em algum ponto obscuro da ilha de Lost, onde nem os Outros se atreveriam a chegar. A história do atraso desta 3ª edição virou lenda urbana nos meios editoriais. Primeiro, ela foi re-solicitada para maio. Após, teve lançamento oficial agendado pra 12 de julho e nada aconteceu. Re-solicitada novamente para 9 de agosto, e na seqüência para 20 de setembro, 25 de outubro e, mais uma vez sem sucesso, para 27 de dezembro. Por fim, foi anunciado seu cancelamento provisório até que todas as edições restantes estejam completadas.

Eu nem ligaria se fosse, p.ex., o Aranha Ultimate de Bendis/Bagley. Mas o que acontece aqui é justamente o contrário. Ultimate Wolverine vs. Hulk estava se encaminhando pra ser uma das coisas mais divertidas publicadas nesta década. As duas únicas edições são um tour-de-force irresistível de humor negro e boas sacadas.


A premissa é aquela mesma juramentada e sacramentada pelo universo normal dos personagens - a SHIELD quer a cabeça do Hulk numa bandeja e vê em Wolverine a saída mais prática pra resolver a parada. A seqüência insanamente gore do Wolvie sendo partido igual Doritos vem logo nas primeiras páginas, já entregando a disposição monstruosa de Lindelof/Francis Yu. Depois disso, corta pra alguns dias antes, quando Nick Fury tenta convencer Wolverine... pensando bem, "convencer" não foi bem o caso.

Fury: "Você fará, Logan?"
Wolvie: "Yeah. Eu farei."
Fury: "Eu não tenho de ameaçar você? Te dar uma moto multi-milionária? Te oferecer um pedaço do seu passado misterioso?"
Wolvie: "Você disse que ele é durão. Vai ser divertido."

Nesse interím, o Hulk/Banner (que saiu vivo da execução termonuclear vista em The Ultimates 2 #03), fez uma excursão literalmente devastadora por vários países da Europa e acabou desembocando no Tibet atrás de paz interior. Como sabemos, o Hulk Ultimate é cruel até a medula óssea e seus acessos de fúria não perdoam ninguém. Só mesmo alguém da linhagem sagrada do Dalai Lama poderia ajudá-lo... no caso, este seria o Panchen Lama e é aí que eu paro porque a cena é hilária e não dá pra revelar mais.

No frigir dos ovos, a última coisa que nos resta é a esperança. Miremos no exemplo da lendária 13ª edição de Ultimates 2 que está aí, na boca do caixa, com shots descaralhantes de páginas óctuplas aquecendo a chama que existe em nossos corações. Raspas e restos me interessam. Não tenho dignidade, pois sou fã de HQs. E como Leinil Francis Yu não é de dar satisfações, vou de Ed McGuiness mesmo.




Na edição #50 de Wolverine, McGuinness e o irregularzão Jeph Loeb mandam um 'curta-metragem' bastante divertido, onde Wolverine relembra detalhes aparentemente não divulgados de seu primeiro encontro com o Hulk, logo na estréia do baixinho canadense.

A referência é clara e evidente. Leinil & Lindelof (parece dupla sertaneja) até constam nos agradecimentos, mas o modo como a história termina é particularmente sugestivo. Só espero que não seja uma alusão ao destino da mini.


Pelo menos, terei alguma distração durante a espera. Como a "batalha do século", por exemplo.



...que por acaso é revanche. Hulk já perdeu uma vez pro Raio Negro. Quero ver agora, no jogo de volta.




Se o novo confronto for tão sóbrio quanto este...


Edward Norton em Hulk 2... surreal.