Mostrando postagens com marcador Klaus Janson. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Klaus Janson. Mostrar todas as postagens

domingo, 4 de dezembro de 2022

Bate-Man & Paulão, a dupla dinâmica!


Atualizar um título é um dos momentos mais melancólicos e nonsense da rotina de colecionar quadrinhos. Melancólico porque é um processo de desapego. É nessa hora que toda aquela magia nostálgica costuma ir pro saco. Nonsense porque, se você já tem o bendito gibi, então por que pegar uma versão nova? Entre prós e contras, existe a praticidade, os extras, a diferença das dimensões, da diagramação, do papel, da impressão e quadrinhofilias afins. A vida não é fácil.

Felizmente, também existem casos como os de Batman: Gótico. Ou Gothic, dependendo do editor.

A HQ saiu originalmente em Legends of the Dark Knight #6 a #10, entre abril e agosto de 1990. O roteiro de Grant Morrison segue uma linha detetivesca com elementos faustianos/sobrenaturais. Como de praxe no título, a trama se passa nos primeiros anos (meses?) do Cruzado Embuçado envergando o capuz. E inclui algumas patacoadas já anacrônicas para a época, como a ridiculamente-elaborada-armadilha-infalível-da-qual-o-Morcego-escapará-no-último-instante. Era o bom e velho Morrison pagando tributo ao seriado sessentista enquanto se deliciava com sua salada de cogumelos, ácido e ecstasy — o café da manhã dos campeões.

A arte trazia Klaus Janson onde não havia nenhum lápis para ele transformar em algo do Klaus Janson que não fosse o dele mesmo. Que é bem irregular, diga-se. Não duvido que tenha tascado o nanquim de primeira. Mas o emprego da retícula Zip-A-Tone ficou show de bola.

No Brasil, a história foi publicada em 5 partes na cultuada Um Conto de Batman em julho de 1991 e encadernada em dezembro do mesmo ano. A Abril estava ligeira (isso, mais a hiperinflação acabaram com minhas preten$ões de acompanhar gibizinhos naquela década). É uma delícia revisitar a obra nos dropzinhos do formato americano original. Ainda é o melhor jeito de ler quadrinhos, mas que, misteriosamente, nunca pegou por aqui.

E o melhor de tudo foi algo que só relembrei agora, atualizando para a versão em capa dura. Foi dali que saíram alguns momentos icônicos da edição nacional de quadrinhos...


Justiça seja feita, o ato de traduzir, que normalmente já é um trabalho traiçoeiro, às vezes adquire contornos demoníacos. Ainda mais quando pipoca um trocadilho intraduzível, como foi o caso deste "Bat" (de "bastão") - "Man". É sensacional, embora completamente alienígena para a nossa realidade.

Nada que a tradução nacional não desse conta com o jeitinho brasileiro na ponta da agulha.


Literalmente, o cara-que-bate. Genial é pouco.

Podia até torcer o nariz para a malandragem da "tradução localizada", não fosse o próprio nome do herói por aqui uma subversão adaptativa clássica — que ninguém liga e até agradece.

No expediente, os créditos da tradução e adaptação são do Estúdio Art & Comics, dos sócios Helcio de Carvalho, Dorival Vitor Lopes e, claro, Jotapê Martins. Este, com toda a certeza, o pai da criança.

Muito embora, ache que, diante de tal abacaxi e com os prazos batendo na canela (Um Conto era quinzenal), é bem possível que o engenhoso Jotapê tenha se inspirado em uma fonte muito louca.


A 1ª aparição de um "Bate Man", em MAD #60, da Vecchi (jun/1979)

E na edição da Panini?

A solução foi surpreendentemente sucinta.


Os créditos são dos manos Diogo Prado (tradução) e Pedro Catarino (adaptação). Faltava ao Jotapê essa contemporaneidade.

Mas sem problema. Na Gothic da Abril, os nomes originais eram meras telas em branco aguardando o talento de um artista. E esse artista era ninguém menos que João Paulo Lian Branco Martins.



Também conhecido como Jotapê Paulão.

Nessa atualizada melancólica e nonsense decidi pelo impagável e pelo sensato: vou manter as duas edições.

domingo, 15 de março de 2020

Balão, papel & tesoura


De todas as idiossincrasias editoriais da Abril nos quadrinhos da Marvel e da DC, uma das mais curiosas, pra mim, era a supressão de textos. O objetivo, reza a lenda, era dar conta da enorme carga narrativa em formatinhos de 13,5 x 19 cm contra os folgados 17 x 26 cm dos originais. Dependendo do roteirista, não era mole mesmo. Chris Claremont que o diga. E Marv Wolfman, Steve Englehart, Len Wein, Bill Mantlo e mais uma caçambada de autores não muito conhecidos pela objetividade e poder de síntese.

Mas isso era só um detalhe de um expediente muito corriqueiro nas redações: o copy desk. Resumindo muito (ops), é a lapidação de um material previamente redigido - seja uma notícia, um artigo ou os diálogos de um gibi - até se tornar dinâmico e palatável para o leitor médio. É um processo que envolve várias etapas, da edição à revisão à remontagem à diagramação.

No caso das HQs da Abril, isso ia de um extremo ao outro. Podia ser uma adaptação comprimida de uma fala sem grandes prejuízos à trama, a omissão de referências a eventos não publicados anteriormente (criando uma bola de neve inevitável) ou a alteração e até a remoção de balões/recordatórios, já arranhando a lataria do material original - como foi o caso do nosso estimado Galactus multifacetado de John Byrne.


E, claro, isso chegava ao famigerado corte de páginas. Em alguns casos, parecia que o gibi era editado pelo próprio Edward Mãos-de-Tesoura!

Hoje, alguns leitores antigos não apenas defendem a supressão de texto, como vão além e elogiam os cortes de páginas da Abril. A alegação é que supostamente melhorava leituras que sofriam com textos prolixos e expositivos. Pura Síndrome de Estocolmo quadrinhística, ao meu ver.

Sempre preferi apreciar uma obra em sua totalidade, com todos os seus requintes e anacronismos, erros e acertos, partes legais e partes chatas (e o que seria das partes legais sem as partes chatas?). Enfim, a experiência Chris-Claremont-on-crack completa.

Essas malandragens de edição já existiam antes da Abril. Em muitos aspectos, a EBAL, a Bloch e a RGE faziam até pior. Mas também é inegável que foram os editores/tradutores Jotapê Martins e Hélcio de Carvalho que "aperfeiçoaram" o artifício quando a Abril adquiriu o licenciamento da Marvel em 1979. Inclusive isso é destrinchado sem nóias pelo próprio Jotapê quando está com bons entrevistadores (ao invés de ser lambido por algum youtuber) chegando mesmo a oferecer uma outra perspectiva do complexo cenário da época.

A verdade é que a cronologia fidedigna era impossível de ser transposta e mantida. O relógio estava correndo e algo precisava ser feito. Eram homens desesperados em tempos desesperados, goddamned! Mas esse é assunto pra outra hora.

(em alguma realidade paralela, Jotapê e Hélcio não copydeskaram nada, SAM, Heróis da TV e Capitão América foram canceladas após 6 meses e ficamos muitos anos sem material Marvel/DC no Brasil... acredite se puder)

A única certeza que tenho é da minha imensa admiração pelos letristas da época - profissionais como Edison Gasparim, Lilian Mitsunaga, João Anselmo N. Menezes, o pessoal do Estúdio Artecômix (de Jotapê, Hélcio e Dorival Lopes - os dois últimos fundadores da Mythos), etc. Mesmo recebendo um conteúdo consideravelmente reduzido, é quase inacreditável o fato de tudo aquilo ter sido feito à mão, balão por balão, recordatório por recordatório. Imagino que os ataques de LER eram frequentes ali - e não me refiro à leitura.

Mais embasbacante ainda são os tradutores e letristas franceses da Les Éditions Héritage, que, também à mão, traduziam tudo verbatim do original, sem pular uma única palavra e sem encostar nos balões e recordatórios. E ficava um troço espetacularmente zoado.




Pensou que aquele "F" era de "Brasil"?

Ps: esse post não foi copydeskado. Mas tenha uma ótima...

sexta-feira, 20 de abril de 2007

O MELHOR DO TRIO TERNURA


Será que Mark Steven Johnson tinha idéia que o Coração Negro era deste jeito aí? > >

:-)

A história Corações Negros foi roteirizada por Howard Mackie, desenhada pelo abençoado John Romita Jr. e arte-finalizada por um colaborador de velha data, Klaus Janson. Publicada no Brasil em 94, trazia na premissa mais um esquema de Coração Negro para usurpar o trono infernal de seu pai, o mega-cramulhão-mor Mefisto. Para tanto, resolveu recrutar Motoqueiro Fantasma, Wolverine e Justiceiro, três badbad-guys da Marvel Comics que ninguém gostaria de topar num beco escuro. Claro que os três juntos formam uma química explosiva capaz de chamuscar o próprio capeta e a única coisa que Coração Negro arrumou ali foi encrenca.

Esta foi uma das raras ocasiões em que Coração Negro recebeu uma atenção especial por estes cantos, visto que a cronologia (já ralinha) do demoníaco vilão foi bastante depredada durante a era Abril Jovem. O personagem foi bem aproveitado por aqui em seus primeiros dias - na fase Ann Nocenti/Romita Jr. do Demolidor, publicada na saudosa Superaventuras Marvel - e após isto, apenas em participações pra lá de esporádicas e especiais en passant como este.

Lá fora, ele teve uma longeva story-line, publicada na revista Ghost Rider, que nunca viu a luz do dia por aqui, e mesmo lá sofreu com um impedimento na grande área. No fim dos anos 90, a última edição de GR, a #94, foi simbólica neste sentido. Cancelada pela Marvel por motivos de déficit financeiro (pendura mesmo), deixou de concluir toda a fase de Danny Ketch nos ossos do Motoqueiro, iniciar um novo plot com o motoca anterior Johnny Blaze (agora pai de família), e até fazer algumas revelações, como a verdadeira identidade de Black Rose, a satânica consorte de Coração Negro (era a finada Roxanne Simpson, ex-esposa de Blaze).

Com o caixa da Marvel já recuperado via cinemão roliúdiâno, a edição acabou sendo publicada no final do ano passado, com direito à desculpa esfarrapada, bônus e tudo. Mas aí o timing já tinha ido pro saco. De qualquer modo, obrigado pelos peixes.

E vamos ser justos... por anos, a Marvel operou às portas da concordata, cancelando títulos sumária e impiedosamente, levando em conta apenas a projeção de vendas. Complicado editar uma cronologia que, de uma hora pra outra, vira um total dead end. Na verdade, não faz o menor sentido. Claro que isto não justifica todas as derrapadas da Abril, mas é algo a se colocar na balança. A Panini mesmo nunca teve de encarar um pepino destes e já toma algumas decisões bem polêmicas.

O scan da edição nacional de Corações Negros está disponível na rede há um bom tempo, mas o arquivo que mais se propagou foi aquele no tenebroso formato pdf. Não é por nada, mas Acrobat Reader, pra mim, só serve pra ler edital. Então resolvi escanear no padrão gringo, dar aquele acabamento básico no Photochopp e subir pra ver se espalha por aí.

A HQ está linkada na imagem abaixo. Sem tarjas, marcas d'água ou senhas. Totalmente open-source e freeware.



Mirrors:
FileFactory
Badongo
Links off


Corações Negros também ganhou uma continuação em 94, até onde sei, inédita no Brasil.

Em The Dark Design, o Trio Ternura se vê novamente às voltas com o bastardo dos infernos Coração Negro, ainda conspirando contra seu progenitor Mefisto. Roteiro do mesmo Howard Mackie (expert em enxofre) e "Images" por conta de Ron Garney.

A narrativa traz muito pouco do clima de suspense anterior e aposta num package de ação semi-standard. É muito funcional no que propõe, mas os pontos altos são, de longe, o senso esperto de continuidade (os personagens não ignoram os eventos da primeira aventura) e um final realmente inesperado, pra dizer o mínimo.


Esta história está disponível nos links a seguir [em inglês] >>

The Dark Design
Mirror: FileFactory
Links off


"I'm rolling thunder, pouring rain... I'm coming on like a hurricane..."

segunda-feira, 27 de dezembro de 2004

Meu amigo... chapei. Esse Natal rulez. Aproveite minha presença enquanto estou vivo, pois o reveillon promete ser ainda mais sinistro.

Agora, voltando à programação normal...


"SHOW ME THE MONEY!"


Lembra desse lance? Isso saiu na Marvel MAX #1, na versão dirty uncut do Luke Cage. Essa verdadeira saga urbana de Brian Azzarello e Richard Corben, foi uma das melhores coisas que li esse ano. Belíssimo trabalho de resgate/atualização de um dos personagens mais legais e mais mal-aproveitados da Marvel. Tirando um ou dois furos (como o Cage se machucando feio na briga com o Marko), o arco foi simplesmente perfeito.

Aliás, eu sempre me perguntei de onde veio aquela má-vontade titânica do herói de aluguel com relação ao Homem-Aranha. Tudo bem, o cara é naturalmente seco e mal-humorado pacas, além de ter aquela típica pose gangsta do Bronx, Compton e outras quebradas. Mas descontando esses detalhes, ficou um cheiro de rancor antigo no ar.

E não é que, nos primórdios, os dois caíram dentro mesmo? A treta rolou na dinossáurica Amazing Spider-Man #123, publicada em agosto de 1973 (wow!). O cabeça de teia sempre começou com o pé esquerdo na maioria de seus encontros com outros heróis. Tanto é que ele já brigou com o Hulk, com o Wolverine, com o Capitão Britânia, e até mesmo com o Namor, berrando "Imperius Rex" a plenos pulmões. Com tanto peso-pesado, o Luke Cage era figurinha fácil no rol dos desafetos.

Motivo da peleja: cinco mil doletas, num freela pro famigerado J.J. Jameson (na época, mais anti-aracnídeo do que nunca). Bem no início de carreira, Cage era bem mercenário. Ele levava ao pé da letra a sua fama de "herói de aluguel" e terceirizava qualquer serviçinho sem pestanejar. Mesmo que fosse algo contra os mocinhos - ou as mocinhas. Só pra situar, a 1ª vez que Cage se encontrou com seu futuro sócio, o Punho de Ferro, foi para assassinar a sua namorada (tudo bem que ele foi coagido, mas...).

Depois falam por aí que o personagem era uma referência direta ao blaxploitation, que ele era uma representação da nova cultura negra, etecétera. Coitado do mundo se existissem "super-heróis" negros então. Cage era o próprio Alonzo Harris* da nona arte.

Mas descontando a polemização social, foi porradaria das boas. Também, a line-up era de cair o queixo: Gerry Conway no roteiro e a dobradinha Gil Kane e John Romita Sr. nos desenhos (sinistro...). Como o spoiler perdeu a validade lá pelos anos 80, vão aí alguns momentos de amizade terna e solidária.






Opa, opa, peraê... essa foi foda. "Você é o palhaço que vende seus poderes"...? Nossa, humilhou.














"Alguns momentos" mesmo, pois a revista inteira é assim, que nem final entre Palmeiras e Corinthians, com o Edilson doido pra fazer embaixadinha. Na conclusão, o Aranha dá uma seqüência matadora de ganchos à Roy Jones Jr., e tem uma daquelas "revelações" que o acometem de vez em quando. Percebe que está furioso além da conta porque vê em Cage o seu passado de defensor do próprio bolso. Aí ele prende o cara com a teia e começa aqueles papos tipo "no começo eu estava nisso por grana também... houveram conseqüências...", e tal. Há a inevitável reconciliação, cada um segue o seu caminho e o J.J.J. paga o pato. Mas ficou o precedente, bem lembrado pela MAX. Será que nas futuras edições de The New Avengers (onde os dois estarão lutando lado-a-lado) pode rolar um tira-teima? Esse é um recurso pouco usado por roteiristas de super-equipes, mas que na época dos Defensores dava muito certo. Ver o Namor encarando o Surfista Prateado era demais. Os dois se odiavam!

Agora, uma pequena chafurdação nerd. Cage levanta cerca de 1 tonelada de peso, e o Aranha cerca de 10. Mas em nenhum momento a história atravessa esse detalhe, visto que Cage sempre acerta o Aranha quando este se encontra em posições de desequilíbrio. Além do mais, mesmo tendo 10 vezes a força de Cage, o Aranha não é invulnerável - exceto pela resistência natural de quem tem esse nível de poder. Diferente dos dias de hoje, onde vemos os maiores absurdos envolvendo a força física dos personagens. Até hoje eu encontro vacilos monstruosos em A Morte do Super-Homem. Pelo visto lá, só o Clark é que era vulnerável ao Doomsday...

*Alonzo Harris é o tira corrupto interpretado por Denzel Washington no filmaço Dia de Treinamento.


"THE STRANGE FACE OF LOVE"
(Tito & Tarantula)


Essa canção, que entrou na trilha de From Dusk Till Dawn, seria perfeita também no set list de Sin City. Ali, o amor é descrito como uma força estranhamente agradável (ou agradavelmente estranha). E Sin City está cercado de amor. Amor ao Cinema, às HQs e também o amor paternal de um artista pela sua obra. Pois, por mais capitalista que Frank Miller seja (e dizem que ele é), nada me tira da cabeça que ele deve se encontrar num estado de nirvana contínuo, nesse exato momento. Pelo menos, até o filme estrear e fazer carreira nos cinemas, mundo afora.

Miller conseguiu algo muito difícil, que foi estabelecer uma conexão direta com a produção (ele é co-diretor, ao lado de Quentin Tarantino - também "colaborador" de FDTD). Sem contar o fato que o diretor Robert Rodriguez mantém com ele uma relação ainda mais estreita do que Guillermo Del Toro e Mike Mignola em Hellboy, por exemplo. "Fidelidade" aqui será o menor dos problemas.


O universo bizarro/urbanóide de Sin City influenciou uma carreirada de gente, sendo que o mais notório está lá (Q.T.). Mas após os dois previews acachapantemente 'megafodônicos' (homenagem ao Alcofa, que não vai mais embora, aêê!), pode-se notar também algumas fontes pré-Tarantinescas e pré-Millerescas (nó). O choque entre o monocromático e aplicações em cores (O Selvagem da Motocicleta, de 83, do Coppola), ultraviolência seca e estilizada (típica do mestre Sam Peckinpah), ruídos distorcidos de guitarra, atmosfera dark/surrealista/abstrata e perspectivas sufocantes em plongée (ângulo de cima para baixo, David Lynch rasgado), sem contar o amor, novamente, só que mais ordinário e conturbado do que a intenção original (Coração Selvagem... do Lynch também - vou fazer o quê, o cara é genial mesmo). E pode até ser uma certa forçação, mas a cena das viaturas quase voando me lembrou na hora o cultuado Repo Man, aquela piração punk de 84, dirigida pelo insano Alex Cox.

E já a famosa fidelidade ao original... Lassie perde. Não quero menosprezar o grande Robert Rodriguez, mas está claro que Miller é co-diretor só nos créditos mesmo.


Mickey Rourke/Marv


Bruce Willis/Hartigan


Clive Owen/Dwight

Mickey Rourke está numa situação parecida com a de John Travolta, anos atrás. Após uma eternidade mergulhado no ostracismo total, caiu no seu colo um grande personagem, feito sob medida. Já foi o tempo em que Rourke era o number one lá em L.A., através de hits como Orquídea Selvagem, Coração Satânico e 9½ Semanas de Amor. Esse pode ser o seu melhor momento na telona, em muito tempo. Quanto ao Bruce Willis (que já foi um sub-Mickey Rourke...), eu sempre o considerei o cara certo apenas para os papéis certos. E isso corresponde a... o quê...? ...uns 90% do que ele já fez na telona, com exceção de um ou outro Hudson Hawk da vida. E o Clive Owen é um bom ator, apesar do maneirismo sociopata. Isso já o atrapalhou em papéis que não pediam essa postura, mas aqui cairá como uma luva.

Apesar daquele primeiro teaser esgulapante de foda, ainda não sei a que veio a presença de Josh Hartnett aqui. Se você, um sujeito antenado que visita o BZ regularmente, sabe, por favor, me ilumine com o seu conhecimento. Já o hobbit Elijah Wood eu só fui perceber da segunda vez que vi o trailer. Ele está com o rosto imerso nas sombras, só dá pra ver os óculos. Benicio Del Toro, um cara legal pra cacete, aparece lá, mas bem menos do que deveria, no papel de Jackie Boy. As maravilhosas Carla Gugino e Brittany Murphy também marcam presença, como Lucille e Shellie, respectivamente. E ainda têm Devon Aoki como Miho, Rosario Dawson como Gail... putz.

Recentemente, foi divulgado que o replicante Rutger Hauer interpretará o Cardeal Roark (no ano que vem ele deve bombar, pois estará também em Batman Begins). Os onipresentes Michael Madsen, no papel de Bob, e Michael Clarke Duncan, no papel de Manute, também estão no elenco, mas não devem passar de pontas.

De resto, dois detalhes que me chamaram a atenção...


Nick Stahl no papel de Junior e do Bastardo Amarelo. Só agora a ficha caiu. O mesmo Nick Stahl que fez o John Connor, no ótimo O Exterminador do Futuro 3 - A Rebelião das Máquinas.

Interessante. Geralmente chamam o John Leguizamo para esses papéis... :D


E a esfuziante Jessica Alba e sua Nancy Callahan, repetindo aquela inacreditável rebolada stripper, em versão semi-colorida, com direito a piscadela no final. Coisa de profissional mesmo. Promete superar o show da vampiraça Satanico Pandemonium, de From Dusk Till Dawn (ops, de novo!).

Gostaria de dizer que vou assistir esse filme só por causa dela, mas, pelo andar da carruagem... acho que vou lá é pra ver um filme perfeito mesmo.

Trailer, agora em resolução decente


"VOCÊ É A DOENÇA, EU SOU A CURA"


Precisou uma tragédia familiar para transformar o pacato arquiteto Paul Kersey em uma máquina de fazer justiça. A violência chegou arrombando o seu mundinho perfeito e foi embora levando tudo, mas deixou algo em troca: a natureza selvagem do ser humano. É, somos assim. Às vezes, precisamos de entrar em contato com o "lado negro" para assumirmos a nossa verdadeira face. E quem atirou a primeira bala de calibre 45 foi o Kersey, o emblemático personagem de Charles Bronson no filme Desejo de Matar. Dali, veio um exército de soldados urbanos que perderam suas famílias, em busca de justiça cega. Isso no universo pop, claro. Principalmente em filmes e HQs.

Vou confessar uma coisa. Não faço a mínima idéia se o Batman, quando foi criado, em 1939, tinha a mesma origem que conhecemos hoje. Não sei se naquela época, ele já era motivado pela perda brutal de seus pais, tendo em vista a sua abordagem mais leve. Seja como for, ele é a referência nº1 para personagens desta estirpe. Mas mesmo após DK, o morcego sempre teve um limite intransponível, um código de honra consciente que serve até mesmo para a auto-preservação da sua sanidade frente a toda loucura criminosa que permeia Gotham City. Ele não mata. O que não acontece com Frank Castle, o Justiceiro, curiosamente criado em 1974, o mesmo ano em que Desejo de Matar estreou nas telonas. Ex-combatente no Vietnã, Castle já era napalm pronto para explodir. Muito da violência desenfreada que o vemos cometer hoje vem acompanhando o personagem muito antes dele perder a sua família. E é essa a fina linha que separa o Bruce do Frank.


Entre 95 e 96, foram lançados dois crossovers entre Batman e o Justiceiro. Apesar de bem simplistas, chegam a tocar nessas questões éticas entre os vigilantes. Mas o grosso mesmo são os tiroteios, explosões, galpões em chamas e pancadaria cheia de golpes baixos. E os vilões são bacanas: Coringa e Retalho. O primeiro crossover foi produzido pelo cast da DC: Dennis O'Neil no roteiro e a dupla Barry Kitson/James Pascoe nos desenhos. Na época, Bruce estava fora de ação e quem assumia o manto do morcego era o alucinado Jean Paul "Azrael" Valley. Já no segundo, com o Bruce de volta, foi produzido pela Marvel, com Chuck Dixon no roteiro e John Romita Jr./Klaus Janson nos traços.

Batman/Justiceiro - Lago de Fogo - Link com o cbr, atualizado em 30/08/2017
Scans by: doggma
01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52

Justiceiro/Batman - Cavaleiros Mortíferos - Link com o cbr, atualizado em 30/08/2017
Scans by: doggma
01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53


dogg, ouvindo o álbum Scarlet's Walk, da Tori Amos, sem parar. Essa mulher é perfeita.