Mostrando postagens com marcador hard rock. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador hard rock. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Boa viagem, Spaceman


Paul Daniel “Ace” Frehley
(1951 - 2025)

E, do nada, se foi o Ace Frehley. Ou melhor, vinte e tantos dias após uma queda em seu estúdio, só há pouco divulgada pela família junto com todo o resto. Aí sim, do nada. Sem tempo para maiores eulogias em vida sobre a sua importância para o Rock e seus solos de guitarra na fase clássica do Kiss.

Ace foi uma das referências que moldaram boa parte do hard rock e heavy metal das décadas de 1970 e 1980. Não era do tipo firulento. Tinha sim um baú de melodias matadoras, com solos diretos, eficientes e até geniais em alguns momentos. Uma fonte inesgotável para air guitars enlouquecidos. Até hoje.

As últimas notícias que tive do Space Ace foram a sua indução ao Rock and Roll Hall of Fame em 2014 – sempre espirituoso – e sua passagem por São Paulo em 2017. Mas o homem estava muito na ativa, lançando discos solo nesses tempos bicudos para rock clássico e mandando bem no palco até há poucos meses, em plena forma guitarrística aos 73 anos.

Colocar essas coisas em perspectiva só evidenciam a fragilidade e a efemeridade disso aqui. Mas ao menos Ace curtiu. E nos deu uma trilha espetacular.


Thank you for everything, Ace.

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

“For the words of the profits were written on the studio wall... concert hall”


Geddy Lee & Alex Lifeson anunciando o retorno do Rush aos palcos sempre me pareceu algo inevitável. Uma hora, ou duas, iria acontecer. A substituta para alguém insubstituível é a baterista Anika Nilles, cujo currículo prévio inclui, além de sua longa carreira solo, nada menos que as baquetas da banda de Jeff Beck. Mesmo assim, imagina a responsa.

Poderia me desatar num poço de cinismo agora (bandas de rock...), mas o figuraça Lifeson torna isso simplesmente impossível. É a personificação do best buddy. Melhor R.P. não há.

(mas deixei a zoeirinha do título)

Boa sorte, meninos e menina!

terça-feira, 22 de julho de 2025

Ozzy para sempre


John Michael “Ozzy” Osbourne
(1948 - 2025)

Hoje foi escrito o último parágrafo do diário. Se foi o Ozzy Osbourne. Em outros tempos, só voltaria pra casa ébrio e que se foda o dia de amanhã.

Mas o tempo passou irredutível para o Madman – que já faz hora extra desde 1978, pelo menos – e também passou para aquele guri que o conheceu pela transmissão do 1º Rock in Rio. Fiquei assombrado diante da tevê. Nem de longe estava preparado. Outros tempos.

De um modo ou de outro, Ozzy nunca deixou de me assombrar. A prova mais recente foi há duas semanas, no antológico show de despedida dele com o Black Sabbath. Ali, o mundo testemunhou a luta de um homem contra seus limites físicos e neurológicos na base do coração, da raça, da coragem e de uma força de vontade inabalável, quase sobrenatural. Impossível assistir à performance sem se emocionar. Isso fica bem claro, para ele e para o público com olhos marejados, durante uma arrepiante “Mama, I'm Coming Home” – nunca essa balada soou tão pedrada.

O Ozzy, quem diria, dando um exemplo de resiliência diante dos reveses da vida e do mais puro amor às coisas que realmente importam. Louco, ele? Sim e com orgulho.

Thank you, goodnight and God bless you, Ozzy!

sábado, 5 de julho de 2025

Black Sabbath, mon amour


Já que não e$tamos lá, nada como revisitar o Black Sabbath no auge do peso, malevolência e vitalidade. Performance incendiária de Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward no Olympia Theatre em Paris, em 20 de dezembro de 1970. Heavy, thrash, doom, gothic, stoner, já estava tudo lá. E até hoje não fizeram melhor.

Foi lançado aqui paraguayamente por uma certa Norfolk Filmes (que se dane a procedência duvidosa, são unsung heroes!) e garimpado ao acaso por este escriba num bacião das Americanas. Guardo esse DVD com muito carinho até hoje. Acervo histórico.

Tem no YouTube.

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Remember Di’Anno


Paul “Di’Anno” Andrews
(1958 - 2024)

Se foi, ou melhor, descansou Paul DiAnno, o eterno ex-vocalista do Iron Maiden. Para quem acompanha notícias sobre o mundo do heavy metal, não foi exatamente uma surpresa. O processo foi público, desgastante e abarrotado de velhas tretas que, inevitavelmente, definiram a sua imagem. Mas sabe o que dizem: quem não tem pecado...

A diferença do cantor para os Dave Evans da vida, é que ele tem dois clássicos absolutos no currículo: Iron Maiden, de 1980, estreia da Donzela, e seu sucessor, Killers, de 1981 – além de um dos LPs ao vivo mais espetaculares do metal, Maiden Japan, também de 1981. Estes serviram, literalmente, como matéria-prima para uma vida inteira.

Outra particularidade de Di’Anno estava em seu estilo vocal. Ao invés de seguir a escola Plant-Dio-Halford de seus pares da New Wave of British Heavy Metal, ele tinha uma pegada que, blasfêmia para alguns, era punk puro. Assim, não punk, puuuunk per se, mas transbordava atitude e crueza melódica. Impossível não associar.

O que não significava desleixo ou ausência de técnica. O hino “Phantom of the Opera” é, possivelmente, a música que melhor sintetiza os conceitos lírico e musical do Iron Maiden. Quiçá, do heavy metal tradicional como um todo. E com a voz assombrada de Di’Anno à frente, essencial.

Normalmente não seria lisonjeiro passar a vida sendo lembrado por duas obras lançadas há quase 45 anos. Mas neste caso, não poderiam haver lembranças melhores.

Essas, não são pra qualquer um.

R.I.P. Paul Di’Anno.

terça-feira, 5 de setembro de 2023

Ela esteve na banda


Publicado em dezembro de 2010, I'm in the Band: Backstage Notes from the Chick in White Zombie é uma janela para o que rolou de mais legal na cena alternativa do rock e do metal dos anos 1990. Escrito por Sean Yseult, baixista e co-fundadora do White Zombie, o título ganhou um tapa de seu generoso acervo de imagens e materiais inéditos. O resultado é um mix de álbum de fotos com livro de memórias, repleto de informações de bastidores e de suas impressões daquela cena do barulho.

Para aficcionados da banda e da geração: é obra atemporal, para consultas. E uma delícia.

Em relação à carreira de Yseult (pronuncia-se "Issó"), I'm in the Band começa do ano zero, com ela ainda gurizinha frequentando as aulas de balé. E segue pela sua paixão pela cultura underground até a formação do White Zombie em 1985 – então um grupo de noise/rock de garagem, incensado por gente como Kurt Cobain e o pessoal do Sonic Youth (!) – e envereda na descoberta do metal e no sucesso comercial.

Nesse ponto, salta aos olhos o contraste entre seus dias de porão, se apresentando em clubes como o CBGB, e as gigs-monstro, com apresentações consagradas no Monsters of Rock em Donington e num Hollywood Rock abarrotado no Brasil...

...onde, aliás, passaram dias de rockstar no "Rio de Janiero" e matando "capraihnas" em Copacabana, apesar do medo de terem as mãos decepadas por motoqueiros punguistas from hell com muita pressa. Achei graça. Mas não duvido.


A fuça dos jovens meliantes; flyers operação-de-guerra; o início da virada; a tensão pré-palco




Na alta roda: com Elvira, Danzig, Marilyn Manson, Cramps e Pantera



Confraternizando com Deuses do Rock and Roll



Zé do Caixão, o “Coffin Joe”, encarnando no cadáver da baixista e recebendo a devida homenagem do White Zombie

Além dos registros históricos, Yseult, hoje quase exclusivamente artista plástica, também aproveitou para oferecer sua perspectiva única de um meio majoritariamente masculino. Inclusive o subtítulo do livro, "The Chick in White Zombie" ("a mina do White Zombie"), é o apelido dado a ela por Beavis & Butthead sempre que eles assistiam algum videoclipe do grupo. Não foi fácil. Não é fácil.

A nota destoante vai para a parte física: o brochurão de quase 200 páginas em formato paisagem (wide) é um lutador peso pesado. É preciso preparar bem o terreno antes de começar a aventura e evitar algum acidente irreversível. Também é recomendável lavar as mãos antes do manuseio. As páginas são em couché de alta gramatura e praticamente todas têm fundo preto. Então, se não quiser deixar as digitais impressas ali para a posteridade...

domingo, 20 de agosto de 2023

“More than words to show you feel...”


O retorno do Extreme após 15 anos de molho foi marcado da forma mais rock and roll possível: com um incendiário solo de guitarra. Crédito para o virtuose Nuno Bettencourt. O vídeo da música "Rise" bateu 1 milhão de visualizações só na primeira semana e seu engenhoso solo foi elogiado por gente como Justin Hawkins (The Darkness) e o multi-instrumentista e produtor Rick Beato. Merecido.

E não custa lembrar que o guitarrista luso utilizou a mesma técnica na música "Peacemaker Die", do álbum III Sides to Every Story, de 1992. É praticamente o mesmo solo, mas, na época, passou batido. Faz parte.

O reencontro de Nuno com o hype também rendeu suas turbulências – e fazia tempo que não surgia uma treta rockeira interessante.

Durante o gap no Extreme, o músico integrou a banda ao vivo da diva pop Rihanna, onde precisou assimilar uma variedade de estilos além do rock. O que não era nada novo para ele, tendo em vista (e ouvidas) suas colaborações anteriores com Robert Palmer, Perry Farrell, Lúcia Moniz e Toni Braxton, entre outros. O cara é bom. E sentiu que precisava lembrar isso ao mundo.

Em entrevisa à rádio inglesa Planet Rock, Nuno caminhou até a proa e bradou a plenos pulmões:
“Quando alguém como Rihanna te chama para tocar, todo mundo pensa ‘oh, que fofo. É uma artista pop, que seja’. Deixe-me dizer uma coisa, o que eu tinha que fazer noite após noite... botar um chapéu de reggae para um lance de reggae, em seguida tocar um R&B, então tocar algum punk rock e pop rock que ela fez, e então faixas dançantes de clube. Todos os tipos (de coisas), todas essas sensações diferentes. Desculpe, mas a maioria dos guitarristas que admiro não conseguiria fazer aquele show em seu tempo de vida. Digo isso da maneira mais elogiosa possível. Slash é um dos maiores guitarristas de rock de todos os tempos, mas eu garanto – e ele seria o primeiro a dizer a você – que se ele tentar tocar uma introdução limpa para 'Rude Boy' de Rihanna, não vai acontecer. Ele teria que lutar. Acredito que se eu não fosse tão diverso musicalmente e conhecido todo tipo de música quando era mais novo, não teria como estar nessa. E também ser aberto, ser um músico aberto no sentido de absorver tudo.”
Quem não ficou nada satisfeito com a declaração foi o Richard Fortus, guitarrista do Guns 'N Roses e amigão do Saul Hudson.

E instagramou seus sentimentos:


O que, no idioma de Luiz Carlini, quer dizer mais ou menos...
“Eu tenho que respeitosamente discordar. @nunobettencourtofficial é um dos grandes, com certeza. No entanto, há muito pouco que @slash não poderia fazer na guitarra (se ele quisesse). Eu fiz turnê com Rihanna antes de Nuno e passei muito tempo tocando com Slash. Este show não seria uma luta para ele.”
A reação de Nuno foi, metaforicamente, extreme escrevendo um TCC de morde-e-assopra em formato de Bíblia, Guerra e Paz e catálogo telefônico:


Resultando na seguinte revisão do que me entregou o Google Translator:
“Bem... sabia que isso eventualmente iria acontecer.

Você não pode ser abençoado e estar em várias capas de revistas de guitarra aos chocantes 56 anos de idade, receber tanta atenção por sua forma de tocar e pelo novo álbum como um guitarrista de rock sem que algum outro guitarrista agite alguma merda.

Estou respondendo a isso não porque eu dou a mínima para o que esse guitarrista pensa sobre mim, mas, em vez disso, porque eu odiaria pensar que minhas poucas palavras ofenderam um herói meu, @slash e possivelmente foderam meu relacionamento com ele.

@4tus eu ‘respectivamente’ nunca ouvi você tocar uma nota em meus 56 anos de vida e só sei seu nome do acampamento Rihanna e como um músico substituto no Guns.

Tenho certeza de que você é um músico decente, mas você realmente precisava repassar uma manchete que me fez parecer que estou falando mal de um colega músico, Slash.

Como se eu fosse pensar que Slash não é capaz de tocar nenhuma música da Rihanna enquanto dorme.

Vamos esclarecer uma coisa. Para mim, Slash é um dos maiores guitarristas de rock da minha geração e de todos os tempos. PONTO.

E @4tus, se você me conhecesse e onde está meu coração, saberia que o que eu quis dizer nesta declaração não era sobre Slash ou sua capacidade, era sobre guitarristas de rock como eu ou Slash trocando de estilo e a estranheza de tocá-los.

É óbvio que Slash pode tocar essas músicas, muito obrigado por apontar isso como se nós já não soubéssemos.

Mas para mim, como um guitarrista de ROCK predominante, obviamente não sou tão talentoso quanto você e achei um desafio acertar todas as diferentes pegadas e tons de guitarra de gêneros como Reggae, R&B, Electronic Dance, Trap e pop.

No que diz respeito à minha afirmação ridícula de que Slash iria ‘lutar’, sim, uma má escolha de palavras da minha parte, eu pessoalmente espero que Slash, que é um colega e uma influência, seja mais maduro o suficiente para entender o que eu realmente quis dizer como guitarrista por esse comentário.

Ao mencionar Slash como um exemplo icônico do Rock, quis dizer que, em geral, um guitarrista de rock o acharia, NÃO UMA LUTA, mas se sentiria como um peixe fora d'água como músico.
ISSO É TUDO QUE EU DISSE.

Eu não tive NADA além de respeito e admiração por @gunsnroses e @slash.

Peço desculpas se ofendi alguém sem querer.

N.”
Difícil tomar algum partido quando os dois têm sua cota de razão. Nuno, por observar os rigores de alguns (grandes) músicos do rock e Fortus, por observar o modo canhestro de Nuno afirmar isso.

De qualquer forma, esse episódio me lembrou algo que o baixista Jason Newsted articulou em entrevista à Rock Brigade sobre a diferença entre Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, e James Hetfield e Kirk Hammett, seus ex-companheiros de Metallica.


Entrevista a Fernando Souza Filho — Rock Brigade #190 (Maio/2002)

E ainda concluiu com uma voadora no Yngwie Malmsteen. Assim é que se faz, Nuno.

Jason é o cara.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Uma lenda para a eternidade


Geoffrey Arnold "Jeff" Beck
(1944 - 2023)

2023 só está começando e já não é para fracos. O lendário Jeff Beck se foi no último dia 10, surpreendendo todo mundo.

Beck estava a toda, gravando, excursionando e fechando colaborações várias. Quando ouvi suas participações em duas músicas de Patient Number 9, último álbum do Ozzy, me admirei com sua disposição, técnica e musicalidade inesgotáveis.

E assim tem sido sua carreira, sem parar, desde 1962. Seja com sua antológica passagem-relâmpago pelo The Yardbirds (recomendado pelo irmão-de-armas Jimmy Page para o posto que era de Eric Clapton), com a superbanda Beck, Bogert & Appice, como The Jeff Beck Group ou na sua longeva discografia solo.

Mesmo transitando sem o menor pudor pelo blues rock, eletrônica, jazz fusion, hard rock, funk e rockabilly, Jeff Beck era uma rara unanimidade. Influenciou gerações e era admirado por todos. Inclusive pelos maiores...


E este pobre mortal não ousa comentar mais nada.

Aliás, só mais uma coisa: assim que puder, o Blow by Blow vai direto pra agulha (simbólica) no volume 11...

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Motörhead Æternamente

E, do nada, uma nova do Metallica. Aliás, um balaço do Metallica, que se registre nos autos.


A influência de Motörhead explode da levada de baixo-guitarras às metralhadas do bumbo duplo — o clássico "Overkill" manda lembranças.

Mas não só: o breakdown ali pela metade remete diretamente à gênese discográfica da banda, no Kill 'Em All, de 1983. Mais especificamente, à música de abertura, a pedrada "Hit the Lights", que já evidenciava o impacto de Lemmy e seus bandoleros sobre todo o speed metal de 1ª hora.

Confesso que o nome de sabonete me enganou a princípio. A faixa pertence ao vindouro álbum, de nome igualmente fofo, 72 Seasons. Tomara que o golpe de vista se repita. Só saberemos em abril de 2023.

Por hora, é bom demais matar a saudade do Metallica Metallica.

Dica do Sandrö.

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

The Killer is dead. Long live the Killer!


Jerry Lee Lewis
(1935 - 2022)

Até na saideira Jerry Lee Lewis quebra tudo. Há dois dias correu o mundo a notícia que "The Killer", um dos pilares de 1ª hora da música pop, havia partido. Artigos e memoriais já detalhavam a importância e o status maldito do grande astro do rock and roll. E logo em seguida, a notícia foi desmentida. Infelizmente, o alívio não durou muito e hoje veio a confirmação de que um dos últimos pioneiros se juntou àquela imensa e barulhenta constelação lá em cima.

Claro que seu controverso 3º casamento (de sete!) levará um desmedido destaque em matérias por aí. Lewis fez sua escolha há muito tempo, quando trocou votos com sua prima de 13 anos. E por isso pagou um preço enorme — provavelmente foi o 1º cancelado da cultura pop. Mas nunca parou de fazer shows arrasadores (ou seria matadores?) e de construir uma discografia épica.

E deixa um legado de influência primordial para artistas tão distintos quanto Stones, AC/DC, Stray Cats, Cramps, Ramones, Ministry e Motörhead. Basicamente tudo o que veio depois e que teve sangue quente correndo nas veias.


Thank you, Killer!

segunda-feira, 18 de abril de 2022

Guns, Love and Thunder N' Roses

Detratores e amantes de Thor: Ragnarok, treimei-vos e regozijai-vos: aportou o trailer de Thor: Amor e Trovão.


É como receber uma transfusão do sangue do Taika Waititi chapado de LSD. Tem o aspecto da fanfarronice, incorreção e otimismo inabalável, que, misturado ao hino dos gunners (e esse deve ter sido o cheque mais gordo que Slash recebe desde 1996), dá uma sensação meio James Gunn à coisa toda. Finalmente vemos a Natalie Portman como a poseur Thor Jane Foster e ainda não dá pra ver o Christian Bale soterrado sob quilos de látex como o temível Gorr, mas a referência ao Carniceiro dos Deuses comparece, em alto e bom som.

Oito de julho (?) estarei lá. Tudo pela pipoca & guaraná.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

We will miss you


Charles Robert Watts
(1941 - 2021)

Se foi o sujeito "normal" da instituição The Rolling Stones. O bom, velho e lendário Charlie Watts pertencia à realeza do Rock —melhor ainda, à realeza cultural do século XX— e é irônico que nem fosse exatamente um baterista de Rock. Watts era um músico de skiffle, gênero inglês inspirado nas big bands americanas de jazz dos anos 1920/1930. E foi um músico de skiffle que tocava Rock. Por sessenta anos.

Não é de admirar como seus toques na caixa e no chimbal eram imediatamente reconhecíveis. Ele era o cozinheiro dos sonhos para Keith Richards e Mick Jagger. Seu estilo elegante, consistente e único deu o tom definitivo a standards sacrossantos como "Paint It Black", "Under My Thumb", "Let's Spend the Night Together", "Sympathy for the Devil", "Street Fighting Man", "Jumpin' Jack Flash", "Gimme Shelter", "Tumbling Dice", "Miss You", "Start Me Up" e uma infinidade de outros. Metade das bandas blues rock e hard rock blues-based devem suas existências às baquetas desse senhor. E a outra metade, ao resto do kit.

E ele nem mesmo precisava de um kit. Bastava um air drumming maroto e uma basezinha pré-gravada.


Gênio!

quarta-feira, 28 de julho de 2021

Ve con Dios, Hombre!


Joseph Michael "Dusty" Hill
(1949 - 2021)

Dusty Hill, cara. Se foi 1/3 do maior e mais resiliente power trio da história.

Hill era o coração pulsante do ZZ Top. O taifeiro de uma das melhores cozinhas do rock, dono dos grooves southern/blueseiros/tex-mex mais vibrantes já registrados. No baixo, no vocal e no palco, o barbudo era infernal.



Dusty está eternizado no Rock & Roll of Fame desde 2004. Mas nem precisava. Ele já estava eternizado nos corações (e nas playlists) de quem entende de música.

Que semana. E segue 2021...

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Ain't Talkin' 'bout Eddie


Quem acompanhou as notícias que surgiram nos últimos tempos já suspeitava. Mesmo assim, particularmente, não imaginava algo tão cedo. Estarrecedor.

Eddie Van Halen era uma das últimas grandes personificações vivas da guitarra – não um mero guitar hero, mas um símbolo mesmo, como algo indissociável da imagética do instrumento. Uma casta antiga e seleta da qual fazem parte Hendrix, Page, Blackmore e alguns poucos outros. Fim de uma era é pouco pra definir.

Um dos primeiros discos que comprei, ainda moleque, foi o bolachão do Diver Down (1982). Era o único do grupo que havia na loja, no centro de Vitória. Nem de longe é o melhor da banda, mas já foi o suficiente para a guitarra incendiária de Eddie derreter minhas orelhas e largar meu queixo estatelado no chão.

E a corajosa, desbravadora e arrasadora apresentação na selvagem Terra Brazilis de 1983?


Depois disso, inúmeras outras aventuras, reviravoltas e desafios se seguiram. E hoje, no dia 6 de outubro de 2020, termina a história do lendário (Eddie) Van Halen.

Que tempos surreais vivemos.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Feliz 50 anos, Black Sabbath!

Não ia passar batido pelo cinquentenário da música, do disco... do início de tudo.


Evocativa e arrepiante até hoje. Game-changing é isso aí.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

A Farewell to King


O adeus de um mestre? O fim de uma era? Algum pensamento? Eu, neste momento... não tenho nenhum.

A Música perdeu demais.

Thank you so much for all the trips, Neil Peart.

domingo, 6 de outubro de 2019

O Baterista


Peter Edward "Ginger" Baker
(1939 - 2019)

No filme Whiplash (2014) há uma cena que sempre me chama atenção: um recorte com uma frase lapidar creditada ao lendário baterista Buddy Rich.

"Se você não tem habilidade, vai acabar tocando numa banda de rock"

Isso certamente não se aplicava ao também lendário baterista Ginger Baker, apesar dele mesmo nunca ter se considerado um rocker per se. "Ginger habita outra esfera", como apontou Eric Clapton - que, com Baker e o baixista Jack Bruce, criou um dos melhores power trios da história, o Cream.

A técnica - e a habilidade - de Baker era inexpugnável. Trafegando pelo blues, jazz e afrobeat com maestria absoluta desde a década de 1960, ele passeava com naturalidade hipnotizante por todos os rigores do instrumento. Com passagens meteóricas no Blind Faith, Hawkwind, P.I.L. e parcerias com o músico nigeriano Fela Kuti, entre muitos outros, Baker viveu oitenta anos a mil. E não é só força de expressão.

Baker era tão talentoso quanto imprevisível. E temperamental. E excêntrico. E teve uma vida insanamente à altura da fama. Uma boa parte disso tudo está registrado no excelente e impagável documentário Beware of Mr. Baker (2012). Nem o diretor Jay Bulger escapa de sua ira clássica - vide a última cena do trailer.


E que tal aquele "agora você sabe porquê quebrei seu nariz" na entrevista de divulgação? Difícil, mas acima de tudo sarcástico e espirituoso.

E hoje, foi impossível não lembrar do discaço Around the Next Dream, do supergrupo BBM (Baker, seu velho amigo/rival Jack Bruce e Gary Moore). Na capa, um sereno e angelical Ginger Baker.


Era um grande senso de humor...

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Hö Hö Hö!


Titio Lemmy deseja Hoes Hoes Hoes pra todo mundo!


Bonus track:

E antes de quaisquer desejos de um 2019 (e 2020, 2021, 2022...) cheio de felicidades neste pedaço do mundo...


Um presentão para todos os envolvidos!

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Isso é a vida real? Isso é apenas fantasia?


Quando o assunto é "filme sobre bandas", uma penca de produções marcantes me vêm à mente: o anárquico Isto É Spinal Tap (This Is the Spinal Tap, Rob Reiner, 1984), o indie Pé na Estrada (Bandwagon, John Schultz, 1996), o nostálgico Quase Famosos (Almost Famous, Cameron Crowe, 2000), o memorável Escola de Rock (School of Rock, Richard Linklater, 2003), o divertido telefilme A Era do Rock (Pop Rocks, Ron Lagomarsino, 2004) e até o besteirol Os Cabeças-de-Vento (Airheads, Michael Lehmann, 1994), entre alguns outros. Todos, sem exceção, sobre grupos fictícios.

Nessa área, provavelmente o mais honesto band movie já feito seja The Commitments - Loucos pela Fama (1991), de Alan Parker, sobre uma banda que, além de nunca ter existido, quebrou o pau e terminou antes mesmo de almejar qualquer coisa. Justo.

Daí fica fácil ver o grande problema de uma biopic sobre uma banda real: condensar em duas horas a natureza caótica, instável e quase sempre contraditória desse bicho muito doido. Pior, formatar isso numa narrativa cinematográfica palatável para zilhões de espectadores sem distorcer (muito) a realidade. Quem chegou mais perto foi o doidivanas Oliver Stone, no controverso The Doors (1991) encaçapando em catarses e montagens a porralouquice lisérgica das portas da percepção - ainda lembro de sair do cinema trocando as pernas - mas não sem quebrar alguns ovos no processo.

Com essa perspectiva, o que Bohemian Rhapsody (2018) faz com a história factual do Queen é um festival internacional do omelete.

Não é à toa que críticos mais austeros e jornalistas musicais se enfureceram com a produção. É realmente uma das cinebiografias menos acuradas da paróquia. Acontece de tudo: histórias radicalmente alteradas ou simplesmente inventadas, personagem-chave que nunca existiu, distorções cronológicas inacreditáveis, omissões graves e por aí vai. Uma parte dá pra entender e perdoar. Outra parte dá só pra entender. E outra parte não dá pra perdoar.

A bagunça veio do berço. A produção já estava bastante problemática com a escalação de Sacha Baron Cohen em 2010, que saiu três anos depois - e até hoje ainda fala um monte. Em seguida, a demissão do diretor Bryan Singer no final de 2017, após completados 2 terços do longa, e a contratação às pressas de Dexter Fletcher, do vindouro Rocketman, a cinebio de Elton John. E como se não bastasse, a marcação cerrada (e errada) das rainhas remanescentes Brian May e Roger Taylor nos rumos do filme.

Com tudo isso, o resultado final de Bohemian Rhapsody chega a ser surpreendente. Motivo: o próprio Queen. Seu "tipo de mágica", sua essência, está lá, impregnando cada frame do longa.


As deliciosas cenas de experimentações/criações musicais emulando zeitgeits e gêneros diversos com intros visuais em toda a sua glória retrô (uma bonita sacada da pós). As personificações fidelíssimas de Gwilym Lee, verdadeiro clone do May, de Ben Hardy como Taylor (e que também daria um perfeito Lars Ulrich saído de uma auditoria contra o Napster) e de Joe Mazzello como o reservado baixista John Deacon.

Além, claro, do indefectível Rami Malek como Farrokh Bulsara, o inesquecível Freddie Mercury - a razão disso tudo aí e a voz de trovão que pôs de joelhos todas as gerações de meados da década de 1970 até há poucos anos... antes de smartphones e redes sociais se tornarem pandemia e saírem emburrecendo geral - mas pela reação efusiva do público jovem presente na sala, esta guerra não está perdida. Ainda.

Da parte das distorcidas que "dá pra entender e perdoar", fico com o cameo de Mike Myers como o pragmático executivo da EMI Ray Foster - o tal personagem-chave que nunca existiu. Seu papel é simbólico, óbvio e absolutamente necessário para a fluidez do filme.

Não é preciso ser um gênio pra presumir que a insistência da banda em fazer de "Bohemian Rhapsody" sua música de trabalho certamente tirou o sono dos executivos da gravadora à época. Ao invés de jogar dezenas de yuppies engravatados em cena, o filme espertamente se concentra numa só entidade. Boa estratégia que cobre os efeitos dramáticos ao mesmo tempo em que sintetiza a velha treta "Rock and Roll vs. Establishment" de tempos mais românticos.

Mais do que isso, faz justiça com Myers e sua inestimável contribuição pessoal na trajetória do hit - que voltou às paradas americanas em 1992 graças a uma sensacional cena sua em Quanto Mais Idiota Melhor (Wayne's World, Penelope Spheeris). Para tanto, o ator enfrentou circunstâncias muito similares às da própria banda no lançamento do clássico. Pode se dizer que ali foi fechado um ciclo.

O famoso milagre de Hollywood, quem diria, às vezes acontece.


Sobre apenas "entender", leia-se: o-caos-cronólogico-provocado-pela-escolha-do-clímax - a histórica apresentação do Queen no Live Aid em 1985. Por razões dramáticas, o filme não só descontextualiza os bastidores do show, como faz uma ponte descabida com a hora mais sombria da vida de Freddie.

E o mais grave: evitando negligenciar a apoteótica passagem do Queen pelo Rock in Rio naquele mesmo ano, o filme credita à Cidade Maravilhosa o show da banda no estádio do Morumbi (SP) quatro anos antes, em março de 1981 - que também foi importante por ter sido o maior público registrado até então em show de uma única banda, mas que ainda está longe do impacto que o evento dos Medina teve na cultura pop mundial.

Essa parte foi imperdoável.

Mas funcionando como uma estranha constante, em Bohemian Rhapsody os fins quase sempre justificam os meios. São tocantes a cena em que Freddie é reconhecido por uma paciente na saída de uma clínica e o momento em que ele se abre para os companheiros de banda. A reconstituição milimétrica da apresentação no Live Aid em quase a sua totalidade é de tirar o fôlego na tela grande. Mereceu mesmo a honra de encerrar esta grande noite na ópera (-rock).

Após o filme, é inevitável um Queen fever, por dias a fio. E vindo de alguém que cultiva essa febrezinha há uns bons 33 anos...


Antes da sessão fiz um pré-aquecimento para saudar a Rainha como se deve.

Primeiro, com a imensa comoção no show do grupo na São Paulo de 1981... Não dá pra deixar de destacar a arrepiante cumplicidade do público em "Love of My Life", homenageada e (bem) elaborada no filme, ainda que dentro de uma bizarra digressão de tempo e espaço.


Depois, nada melhor que uma viajada em Queen Rock Montreal, em show registrado no fim de 1981. Mercury, May, Taylor e Deacon em seu auge técnico e lírico, numa de suas últimas apresentações sem uso de efeitos e músicos de apoio. Só o básico em direção à genialidade.

Simplesmente magnífico.


Claro que não podia deixar de faltar o icônico show do Rock in Rio. Era janeiro de 1985 e testemunhávamos o 1º mega-evento pop de um Brasil ainda provinciano e afundado nas trevas do atraso. Aquele novo e excitante mundo, já bem conhecido lá fora, estava começando a chegar aqui em alto e bom som - ou quase.

Não é exagero afirmar que Freddie Mercury e o Queen foram os garotos-propaganda daquele nosso iniciozinho de era.


Pra finalizar, o antológico show do Queen no Live Aid. Evento beneficente gigantesco e polêmico por si só, merecia um longa-metragem temático à parte. Melhor ainda: uma série padrão HBO e juridicamente blindada.

Recém-saída do Rock in Rio e exaurida pela extensa turnê mundial do álbum The Works, a banda subiu ao palco e lutou a boa luta por uma causa justa. Mesmo em condições físicas adversas e num contexto bem diferente do que estava acostumada, com 20 minutos disponíveis, prensada entre Dire Straits e David Bowie e enfileirando hits como se fossem os Ramones.

Mas, como uma perfeita reviravolta cinematográfica, o Queen veio, viu e venceu, visceral.


Não é só senso comum achar que o Queen roubou o show: sua apresentação foi realmente votada como a melhor performance rock de todos os tempos por insiders da indústria. Eu, que já a reassisti mais vezes do que o sensorial recomenda, não ouso discordar.

God save thanks for the Queen!