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terça-feira, 22 de julho de 2025
Ozzy para sempre
Hoje foi escrito o último parágrafo do diário. Se foi o Ozzy Osbourne. Em outros tempos, só voltaria pra casa ébrio e que se foda o dia de amanhã.
Mas o tempo passou irredutível para o Madman – que já faz hora extra desde 1978, pelo menos – e também passou para aquele guri que o conheceu pela transmissão do 1º Rock in Rio. Fiquei assombrado diante da tevê. Nem de longe estava preparado. Outros tempos.
De um modo ou de outro, Ozzy nunca deixou de me assombrar. A prova mais recente foi há duas semanas, no antológico show de despedida dele com o Black Sabbath. Ali, o mundo testemunhou a luta de um homem contra seus limites físicos e neurológicos na base do coração, da raça, da coragem e de uma força de vontade inabalável, quase sobrenatural. Impossível assistir à performance sem se emocionar. Isso fica bem claro, para ele e para o público com olhos marejados, durante uma arrepiante “Mama, I'm Coming Home” – nunca essa balada soou tão pedrada.
O Ozzy, quem diria, dando um exemplo de resiliência diante dos reveses da vida e do mais puro amor às coisas que realmente importam. Louco, ele? Sim e com orgulho.
Thank you, goodnight and God bless you, Ozzy!
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sábado, 5 de julho de 2025
Black Sabbath, mon amour
Já que não e$tamos lá, nada como revisitar o Black Sabbath no auge do peso, malevolência e vitalidade. Performance incendiária de Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward no Olympia Theatre em Paris, em 20 de dezembro de 1970. Heavy, thrash, doom, gothic, stoner, já estava tudo lá. E até hoje não fizeram melhor.
Foi lançado aqui paraguayamente por uma certa Norfolk Filmes (que se dane a procedência duvidosa, são unsung heroes!) e garimpado ao acaso por este escriba num bacião das Americanas. Guardo esse DVD com muito carinho até hoje. Acervo histórico.
Tem no YouTube.
sexta-feira, 8 de dezembro de 2023
Obrigado, Sepultura!
Obrigado ao Max Cavalera, ao Iggor Cavalera, ao Jairo Guedz e a todos os que ajudaram a escrever a história da maior banda que este país já teve.
Confesso: dei uma tremida aqui. É muito tempo acompanhando essa jornada.
Ps: Gastão não poderia ter sido uma escolha melhor para o momento.
sexta-feira, 6 de outubro de 2023
Veni, vidi, Victor
O Prong estava na seca de álbuns de estúdio desde o já longínquo ano de 2017. Para quebrar o silêncio de rádio, soltaram um EPzinho matador em 2019, Age of Defiance. Nesse período, o fundador e frontman Tommy Victor aproveitou para lapidar a lineup com uma maratona de shows incendiários. É bom
Isso terá a ressonância de um traço no Ibope, mas o Prong sempre foi uma das minhas bandas preferidas. O grupo veio daquela leva de metal alternativo/pós-hardcore que fervilhou no underground entre o final dos anos 1980 e o início dos anos 1990. Os riffs quebrados, estilo para-e-começa, eram uma característica marcante que dividiam com o também nova-iorquino Helmet e o irlandês Therapy?.Os breakdowns no meio das músicas, embora pesadíssimos, eram quase dançantes. Foi o embrião do nu metal e do groove metal, o DNA que rendeu milhões de doletas para nomes como Slipknot, Disturbed, Five Finger Death Punch e outros que pasteurizaram a fórmula à exaustão. Em contrapartida, Victor, um mestre da rifferama, sempre passou longe dessa dinherama. E não foi por falta de tentativa.
Após o sucesso de Cleansing (1997), o Prong mergulhou numa série de álbuns irregulares e penou com a estabacada nas vendas. Quase baixando as portas, restou ao músico ir tocar guitarra no Danzig e no Ministry. Virou empregado.
Por sorte e (muito) talento, há cerca de dez anos a maré virou. A boa receptividade do excelente álbum Carved into Stone (2012) deu um boost em sua motivação com a banda. Na sequência, vieram os ótimos Ruining Lives (2014), o disco de covers Songs from the Black Hole (2015) e X – No Absolutes (2016) e o também excelente² Zero Days (2017). State of Emergency mantém o alto nível, com algumas particularidades.
Faixa a faixa na faixa:
"The Descent" é o começo forte e atropelante com o qual toda banda heavy metal sonha enlouquecidamente. Direto e já trazendo um breakdownzinho pra fazer a galera pular mais que na Pipoca da Ivete.
A faixa-título, duh, "State of Emergency" é herdeira da música (e também faixa-título) "Beg to Differ", de 1989. É quase uma versão atualizada com equipamentos mais poderosos e modernos. E, claro, agora com uma outra perspectiva sonora.
"Breaking Point" lembra o velho HC nova-iorquino à Cro-Mags/Agnostic Front. Refrão para bater a cabeça até soltar do pescoço.
"Non-Existence" é uma cruza das influências mais caras de Victor: os ícones pós-punk The Stranglers e, principalmente, Killing Joke. Leva jeito de single para rádios rock.
"Light Turns Black" é um exercício de peso e técnica. Nesse ponto já deu para perceber que o baixista Jason Christopher é bem versado na seara pós-punk e que Griffin McCarthy é da nova geração de bateristas technical thrash/death metal de Mario Duplantier (Gojira) e Eloy Casagrande (Sepultura). E toma headbanging debaixo de zilhões de ghost notes.
"Who Told Me" resgata o clima pós-punk novamente, desta vez numa pegada thrash. Lembrei na hora das guitarras dissonantes do Voivod. Aliás, que bela tour seria...
"Obeisance" é o puro suco de Killing Joke.
"Disconnected" é o puro suco do Killing Joke 100% concentrado. Tommy Victor destrava seu modo doppelgänger de Jaz Coleman. Poderia ser uma música do Absolute Dissent, fácil. Nem o próprio Coleman notaria a diferença. E que refrão ganchudo!
"Compliant" parece um lado B do Prove You Wrong (1991). E, de fato, é do lado B de State of Emergency. Delícia de filler.
A velocidade e a letra bairrista de "Back (NYC)" lembram o rock 'n' roll new yorker do Andrew W.K., só que menos festivo e (bem) mais HC porradeiro. É Prong, pô.
"Working Man" é um inesperado cover do clássico laboral do Rush. Boa versão, mas o Firebird fez melhor.
E é isso. O disco saiu hoje e já ouvi umas três vezes. Sinal que achei bom mesmo.
Com a palavra, o homem, o Victor.
In Victor veritas!
domingo, 20 de agosto de 2023
“More than words to show you feel...”

O retorno do Extreme após 15 anos de molho foi marcado da forma mais rock and roll possível: com um incendiário solo de guitarra. Crédito para o virtuose Nuno Bettencourt. O vídeo da música "Rise" bateu 1 milhão de visualizações só na primeira semana e seu engenhoso solo foi elogiado por gente como Justin Hawkins (The Darkness) e o multi-instrumentista e produtor Rick Beato. Merecido.
E não custa lembrar que o guitarrista luso utilizou a mesma técnica na música "Peacemaker Die", do álbum III Sides to Every Story, de 1992. É praticamente o mesmo solo, mas, na época, passou batido. Faz parte.
O reencontro de Nuno com o hype também rendeu suas turbulências – e fazia tempo que não surgia uma treta rockeira interessante.
Durante o gap no Extreme, o músico integrou a banda ao vivo da diva pop Rihanna, onde precisou assimilar uma variedade de estilos além do rock. O que não era nada novo para ele, tendo em vista (e ouvidas) suas colaborações anteriores com Robert Palmer, Perry Farrell, Lúcia Moniz e Toni Braxton, entre outros. O cara é bom. E sentiu que precisava lembrar isso ao mundo.
Em entrevisa à rádio inglesa Planet Rock, Nuno caminhou até a proa e bradou a plenos pulmões:
“Quando alguém como Rihanna te chama para tocar, todo mundo pensa ‘oh, que fofo. É uma artista pop, que seja’. Deixe-me dizer uma coisa, o que eu tinha que fazer noite após noite... botar um chapéu de reggae para um lance de reggae, em seguida tocar um R&B, então tocar algum punk rock e pop rock que ela fez, e então faixas dançantes de clube. Todos os tipos (de coisas), todas essas sensações diferentes. Desculpe, mas a maioria dos guitarristas que admiro não conseguiria fazer aquele show em seu tempo de vida. Digo isso da maneira mais elogiosa possível. Slash é um dos maiores guitarristas de rock de todos os tempos, mas eu garanto – e ele seria o primeiro a dizer a você – que se ele tentar tocar uma introdução limpa para 'Rude Boy' de Rihanna, não vai acontecer. Ele teria que lutar. Acredito que se eu não fosse tão diverso musicalmente e conhecido todo tipo de música quando era mais novo, não teria como estar nessa. E também ser aberto, ser um músico aberto no sentido de absorver tudo.”Quem não ficou nada satisfeito com a declaração foi o Richard Fortus, guitarrista do Guns 'N Roses e amigão do Saul Hudson.
E instagramou seus sentimentos:
O que, no idioma de Luiz Carlini, quer dizer mais ou menos...
“Eu tenho que respeitosamente discordar. @nunobettencourtofficial é um dos grandes, com certeza. No entanto, há muito pouco que @slash não poderia fazer na guitarra (se ele quisesse). Eu fiz turnê com Rihanna antes de Nuno e passei muito tempo tocando com Slash. Este show não seria uma luta para ele.”A reação de Nuno foi, metaforicamente, extreme escrevendo um TCC de morde-e-assopra em formato de Bíblia, Guerra e Paz e catálogo telefônico:
Resultando na seguinte revisão do que me entregou o Google Translator:
“Bem... sabia que isso eventualmente iria acontecer.Difícil tomar algum partido quando os dois têm sua cota de razão. Nuno, por observar os rigores de alguns (grandes) músicos do rock e Fortus, por observar o modo canhestro de Nuno afirmar isso.
Você não pode ser abençoado e estar em várias capas de revistas de guitarra aos chocantes 56 anos de idade, receber tanta atenção por sua forma de tocar e pelo novo álbum como um guitarrista de rock sem que algum outro guitarrista agite alguma merda.
Estou respondendo a isso não porque eu dou a mínima para o que esse guitarrista pensa sobre mim, mas, em vez disso, porque eu odiaria pensar que minhas poucas palavras ofenderam um herói meu, @slash e possivelmente foderam meu relacionamento com ele.
@4tus eu ‘respectivamente’ nunca ouvi você tocar uma nota em meus 56 anos de vida e só sei seu nome do acampamento Rihanna e como um músico substituto no Guns.
Tenho certeza de que você é um músico decente, mas você realmente precisava repassar uma manchete que me fez parecer que estou falando mal de um colega músico, Slash.
Como se eu fosse pensar que Slash não é capaz de tocar nenhuma música da Rihanna enquanto dorme.
Vamos esclarecer uma coisa. Para mim, Slash é um dos maiores guitarristas de rock da minha geração e de todos os tempos. PONTO.
E @4tus, se você me conhecesse e onde está meu coração, saberia que o que eu quis dizer nesta declaração não era sobre Slash ou sua capacidade, era sobre guitarristas de rock como eu ou Slash trocando de estilo e a estranheza de tocá-los.
É óbvio que Slash pode tocar essas músicas, muito obrigado por apontar isso como se nós já não soubéssemos.
Mas para mim, como um guitarrista de ROCK predominante, obviamente não sou tão talentoso quanto você e achei um desafio acertar todas as diferentes pegadas e tons de guitarra de gêneros como Reggae, R&B, Electronic Dance, Trap e pop.
No que diz respeito à minha afirmação ridícula de que Slash iria ‘lutar’, sim, uma má escolha de palavras da minha parte, eu pessoalmente espero que Slash, que é um colega e uma influência, seja mais maduro o suficiente para entender o que eu realmente quis dizer como guitarrista por esse comentário.
Ao mencionar Slash como um exemplo icônico do Rock, quis dizer que, em geral, um guitarrista de rock o acharia, NÃO UMA LUTA, mas se sentiria como um peixe fora d'água como músico.
ISSO É TUDO QUE EU DISSE.
Eu não tive NADA além de respeito e admiração por @gunsnroses e @slash.
Peço desculpas se ofendi alguém sem querer.
N.”
De qualquer forma, esse episódio me lembrou algo que o baixista Jason Newsted articulou em entrevista à Rock Brigade sobre a diferença entre Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, e James Hetfield e Kirk Hammett, seus ex-companheiros de Metallica.
E ainda concluiu com uma voadora no Yngwie Malmsteen. Assim é que se faz, Nuno.
Jason é o cara.
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terça-feira, 29 de novembro de 2022
Motörhead Æternamente
E, do nada, uma nova do Metallica. Aliás, um balaço do Metallica, que se registre nos autos.
A influência de Motörhead explode da levada de baixo-guitarras às metralhadas do bumbo duplo — o clássico "Overkill" manda lembranças.
Mas não só: o breakdown ali pela metade remete diretamente à gênese discográfica da banda, no Kill 'Em All, de 1983. Mais especificamente, à música de abertura, a pedrada "Hit the Lights", que já evidenciava o impacto de Lemmy e seus bandoleros sobre todo o speed metal de 1ª hora.
Confesso que o nome de sabonete me enganou a princípio. A faixa pertence ao vindouro álbum, de nome igualmente fofo, 72 Seasons. Tomara que o golpe de vista se repita. Só saberemos em abril de 2023.
Por hora, é bom demais matar a saudade do Metallica Metallica.
Dica do Sandrö.
A influência de Motörhead explode da levada de baixo-guitarras às metralhadas do bumbo duplo — o clássico "Overkill" manda lembranças.
Mas não só: o breakdown ali pela metade remete diretamente à gênese discográfica da banda, no Kill 'Em All, de 1983. Mais especificamente, à música de abertura, a pedrada "Hit the Lights", que já evidenciava o impacto de Lemmy e seus bandoleros sobre todo o speed metal de 1ª hora.
Confesso que o nome de sabonete me enganou a princípio. A faixa pertence ao vindouro álbum, de nome igualmente fofo, 72 Seasons. Tomara que o golpe de vista se repita. Só saberemos em abril de 2023.
Por hora, é bom demais matar a saudade do Metallica Metallica.
Dica do Sandrö.
quarta-feira, 29 de junho de 2022
Panela vegan é que faz comida boa
Já espalhei a palavra em tudo que é lugar: há tempos o Panelaço é o melhor programa de entrevistas brasileiro. E de culinária vegana. Os pratos são saborosos (os que arrisquei copiar, pelo menos) e inacreditáveis: coxinha de jaca, strudel de maçã e banana, penne ao abacaxi, cebolada com farofa de maracujá, pudim de tapioca e por aí vai.
E o Gordo, cara.
Gordo é foda. A cancha que o cara tem hoje é anos-luz de sua época na MTV, que já era muito legal. Ele sabe criar/manter um clima informal como poucos e deixar os convidados bem relaxados (excetuando uma), dispostos a responder praticamente qualquer coisa. Ele não é de desperdiçar chances. Além de tudo, é obrigatório para quem se interessa pela fauna musical brasileira.
Portanto: feito, feito e feito. E vou dormir feliz, crucificando o sistema.
domingo, 5 de setembro de 2021
“O pior pesadelo da América branca”

Difícil esquecer o impacto da capa do álbum de estreia do Body Count, de 1992. Na época, o mundo assistia estupefato à onda de violência que varreu as ruas de Los Angeles após a absolvição dos cinco policiais que espancaram Rodney King. Além do próprio vídeo da brutalidade policial que circulava há um ano pelos telejornais do mundo inteiro, algumas cenas dos ataques são hoje históricas, no pior sentido da palavra. O clima era de total convulsão social, política e racial.
No olho do furacão, nenhuma imagem foi tão provocativa quanto aquela capa. Era como assistir alguém jogando gasolina em um incêndio.
Em entrevista para o Metal Injecion, o artista e designer californiano Dave Halili relembrou o brainstorm da obra:
“Queríamos um símbolo de um anti-herói/vigilante — um defensor contra abusos de poder autoritários. A imagem do pesadelo do Cop Killer é uma síntese da angústia urbana, um Frankenstein de Tookie Williams [o fundador da infame gangue Crips] misturada com práticas centrais dos Panteras Negras e outros motivos sinistros. (...) Então, com o que Ice e eu discutimos em reuniões a portas fechadas, tive permissão para desenvolver um simulacro de fantasia para representar a visão e o esquema do Body Count: chocante, hediondo, apavorante, amedrontador, ofensivo, repulsivo, ardente, efetivo, verdadeiro, bela escuridão ou qualquer sinônimo que você deseja adicionar era o nosso compromisso...”Até aquele ponto, já havia visto minha cota de capas intensas e controversas dentro do punk/hardcore e do thrash/death metal até do 'classic rock' e da música pop. Mas quando vi a ilustração de um gigante negro pronto para a guerra e com a frase "Matador de Policiais" tatuada no peito, já sabia que daria B.O.. Um negro forte, livre, incontrolável e indo atrás de retribuição? Nada é mais aterrorizante para a elite branca, seja de qual país for —o que me lembra os outdoors de um clube de tiro local, estampados com fotos de homens, mulheres e até idosos caucasianos ostentando pistolas com um belo sorriso nos rostos, mas nenhum com uma mísera foto de uma pessoa negra portando as mesmas armas. Risível de tão óbvio.
De alguma forma, a arte de Halili conseguiu transcender a mera apelação e catalisar toda aquela frustração e urgência por justiça, além de levantar uma discussão sobre as consequências da falta de lisura das instituições. Claro, pra mim, também era uma peça altamente influenciada pelos quadrinhos. Desde o 1º momento, olhar para aquela ilustração era como vislumbrar um "What If..." Luke Cage se tornasse o Justiceiro? A tempestade perfeita jamais quadrinhizada.
Além do timing surreal —o disco foi lançado apenas 1 mês antes dos chamados 1992 Los Angeles riots— e da já tensa relação do vocalista Ice-T com as autoridades, a capa teve todo o alcance que pretendia na mídia americana. E além. Halili comentou:
“Quando a controvérsia de Cop Killer atingiu sua massa crítica, eu vi minha pintura de capa sendo exibida nas redes de TV como uma peça de evidência de uma cena de crime pelas mãos do vice-presidente dos EUA Dan Quayle. Até Charlton Heston segurou minha arte na TV. Eu tinha 22-23 anos naquela época.”E aquele B.O. acabou chegando de fato.
Desesperada com a polêmica, a Sire/Warner Bros. optou por uma nova tiragem com a capa completamente preta e apenas com o nome da banda. Depois, alterou a pintura original por conta própria, removendo o "Cop Killer" do peito do vigilante e inserindo digitalmente o nome do grupo.
Tão icônico quanto a capa é esse exemplo de censura sofrível para a posteridade.
Halili ainda trabalhou em vários projetos de Ice-T, incluindo outra capa bastante polêmica, cuja nova tentativa de censura culminou com sua saída definitiva da Warner. Curiosamente, é dele também a capa de Born Dead, o 2º disco do Body Count.
Desta vez, a ilustração mostrava vários bebês brancos deitados em seus berços e um único bebê negro... num caixão. Uma imagética muito mais chocante e terrível que a anterior, mas que, evidentemente, não teve um décimo da repercussão...
terça-feira, 27 de julho de 2021
Kudos, Mr. Jordison

Nathan Jonas "Joey" Jordison
(1975 - 2021)
Nunca dei muita bola para o Slipknot, mas, parafraseando o saudoso Gordura, "entre todas as milhares de coisas pra ti odiar no Slipknot, definitivamente a bateria não é uma dessas". E realmente o fenomenal Joey Jordison fazia a diferença. E muita.
Mesmo assim, só abracei a causa de vez após o show do Metallica em Donington, em 2004, sem Lars e com ninguém menos que Jordison e Dave Lombardo assumindo as baquetas. Pela 1ª vez em muito tempo, a banda soava pesada e ameaçadora novamente.
Jordison tinha mielite transversa (razão pela qual saiu do Slipknot), mas havia apresentado melhoras com o tratamento. Tanto que logo na sequência chegou a montar novas bandas (Scar the Martyr, Sinsaenum, Vimic) e a tocar com Ministry, Rob Zombie e 3 Inches of Blood, fora os vários trampos de produção. Foram 46 anos a mil.
Consta que se foi durante o sono. Uma benção.
Muito jovem ainda. E extremamente talentoso.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020
Feliz 50 anos, Black Sabbath!
Não ia passar batido pelo cinquentenário da música, do disco... do início de tudo.
Evocativa e arrepiante até hoje. Game-changing é isso aí.
Evocativa e arrepiante até hoje. Game-changing é isso aí.
sexta-feira, 12 de julho de 2019
Bons tempos que voltam sempre
E agora, algo completamente diferente: um unboxing post. De um CD. Que rufem os tambores...!


Não é um unboxing qualquer. Pelo menos, para mim. Foi meu primeiro contato direto com a pioneira, veterana, icônica, formadora de caráter, aleluia-salve-salve Cogumelo Records, a pioneira, veterana, icônica, etc, loja/selo/gravadora de Belo Horizonte. Tecnicamente, já comprava os LPs e CDs produzidos pela Cogumelo desde os onze anos, mas nunca direto da fonte. Aposto que o sujeito que viu o crédito na conta, embalou o CD, digitou o endereço no Word, imprimiu, passou durex e pegou trânsito pra colocar a encomenda no correio não imaginava a minha emoção no estado ao lado.
Então é um marco pessoal, ainda que facilitado pela comodidade da internet e com o timing há muito perdido. O álbum Who Is Your Enemy Anyway?, da banda santista Safari Hamburguers, é de 2007 (e compila também o bolachão de estreia, o excelente Good Times, de 1993). Fora o pequeno detalhe de ser um disco de hardcore lançado por um selo famoso por seu trabalho com o metal. Fosse nos anos 1980 eu entraria para a lista negra da comunidade heavy.
Como dizem, a 1ª vez a gente nunca esquece... Até por que foi agora há pouco. E com uns 30 anos de atraso.
Ps: o blog Desova fez uma ótima entrevista com João Eduardo de Faria Filho, proprietário da Cogumelo. Como convém, foi publicada em 2014, mas feita em 2005...



Não é um unboxing qualquer. Pelo menos, para mim. Foi meu primeiro contato direto com a pioneira, veterana, icônica, formadora de caráter, aleluia-salve-salve Cogumelo Records, a pioneira, veterana, icônica, etc, loja/selo/gravadora de Belo Horizonte. Tecnicamente, já comprava os LPs e CDs produzidos pela Cogumelo desde os onze anos, mas nunca direto da fonte. Aposto que o sujeito que viu o crédito na conta, embalou o CD, digitou o endereço no Word, imprimiu, passou durex e pegou trânsito pra colocar a encomenda no correio não imaginava a minha emoção no estado ao lado.
Então é um marco pessoal, ainda que facilitado pela comodidade da internet e com o timing há muito perdido. O álbum Who Is Your Enemy Anyway?, da banda santista Safari Hamburguers, é de 2007 (e compila também o bolachão de estreia, o excelente Good Times, de 1993). Fora o pequeno detalhe de ser um disco de hardcore lançado por um selo famoso por seu trabalho com o metal. Fosse nos anos 1980 eu entraria para a lista negra da comunidade heavy.
Como dizem, a 1ª vez a gente nunca esquece... Até por que foi agora há pouco. E com uns 30 anos de atraso.
Ps: o blog Desova fez uma ótima entrevista com João Eduardo de Faria Filho, proprietário da Cogumelo. Como convém, foi publicada em 2014, mas feita em 2005...
quarta-feira, 20 de abril de 2016
A máquina cirúrgica do Al
Opa, projeto novo do Alien Jourgensen.
Insano. Saudades dos tempos em que ele aparecia com um desses a cada dois dias.
Insano. Saudades dos tempos em que ele aparecia com um desses a cada dois dias.
quinta-feira, 26 de março de 2015
Bienvenidos de vuelta... puta madres
Por essa ninguém esperava. Quando comentei sobre o então vindouro show do Ministry em São Paulo fiz questão de frisar que "essa será provavelmente a primeira e última apresentação do grupo por aqui". Baseado, lógico, no re-anunciado fim da banda e do fato de Al Jourgensen ser um notório pé na cova há pelo menos 20 anos. Pois o Tio Al resolveu surpreender e vai aportar suas máquinas do inferno mais uma vez no Brasil, dessa vez no Rock in Rio! - também esculachado por mim no referido post...
É oficial e já consta na line-up. Será uma apresentação conjunta com Burton C. Bell, frontman do Fear Factory e colaborador em alguns álbuns da entidade industrial-mor. No mesmo dia do Metallica, só que no palco Sunset, aquele menorzinho que o Rob Zombie se apresentou na edição anterior.
Ok, os tempos são outros e uma apresentação no palco principal poderia causar traumas irreversíveis em quem estará lá para ver o Mötley Crüe (!) ou nas mentes jovens e sensíveis que irão mais pelo aspecto McDonalds do evento.
Se eu fosse, seria pelo Ministry e pelo fantástico grupo francês Gojira. E pela possibilidade de ver um set mais clássico do Tio Al, com tudo que os fãs têm direito...
Afinal é um festival, lugar onde deveria ser proibido por lei tocar música nova.
terça-feira, 3 de março de 2015
A terra vai tremer...
Nessa sexta-feira, dia 6, São Paulo será palco de um teste nuclear: o Ministry vai tocar pela 1ª vez no Brasil. Al Jourgensen e sua quadrilha de cyborgs tarados irão desfilar a trilha sonora do fim do mundo no Audio, que por sinal está se saindo com uma semana no mínimo inspirada (The Sonics na quinta!). Pra deixar a coisa ainda mais instigante, essa será provavelmente a primeira e última apresentação do Ministry por aqui.
Não é de hoje que Jourgensen fala em pendurar os samples do Sgt. Hartman. Há alguns dias ele até anunciou um novo projeto. Com a morte do guitarrista Mike Scaccia e o estado geral do cara transparecendo a conta dos anos de excessos químicos, a coisa parece que vai mesmo por esse caminho. Mais uma vez. Então, a menos que você esteja empolgado com o Rock in Rio, não há dúvida de que esse será o evento musical do ano no país.
Imperdível...
...a não ser que se perca, como eu. Pois é. Fã de carteirinha desde que a banda foi apresentada pelo jornalista André Barcinski numa Bizz de tempos idos, vou deixar essa passar. Sem disposição pra morrer num valor triplicado (com sorte) de um ingresso já caro n'alguma excursão local salvadora e, até agora, inexistente. A recente aquisição de vários encadernados do Juiz Dredd no site da Mythos ajudou a remover qualquer esperança.

Eu não vou ao show, mas a minha filha foi e achou muito bom. Em termos de ação in loco, o Ministry é unanimidade até entre os críticos mais turrões. Em anos/décadas! de leitura de resenhas pro, alguns lugares-comuns parecem obrigatórios - som mais alto do que o humanamente suportável, clima de pesadelo apocalíptico e a capacidade de rearranjar e transformar até as músicas menos pungentes em Leviatãs sedentos por sangue. O show é um massacre físico e psicológico brutal, disputadíssimo lá fora e aclamado universalmente.
Pra quem vai, sugiro ir aquecendo os motores com os discos da trilogia anti-Bush (Houses of the Molé, Rio Grande Blood e The Last Sucker) e do último, From Beer to Eternity. As músicas desses álbuns compreendem uns 95% do atual setlist, segundo o, hã, Setlist. Os clássicos devem ficar mesmo no combinadão "N.W.O." - "Just One Fix" - "Thieves" - "So What".
Mas bem que eles podiam surpreender e montar um set mais old school. Sacumé, pra compensar a demora... Onde já se viu uma banda que tinha dois bateristas - fora a eletrônica - nunca ter pisado na terra das baterias, tambores, percussões e afins?
Duas dicas vêm do antológico registro ao vivo In Case You Didn't Feel Like Showing Up: "Burning Inside", numa versão ainda mais delirante e febril do que em estúdio, ganhando uns gritos de filme de horror que são de gelar a alma; e "Stigmata", um tornado sônico de 10 minutos com synths, guitarras massivas e uma batida que ao vivo deve até quebrar costelas.
Outra excelente pedida seria a inclusão da música "Scarecrow", uma aterradora bad trip Sabbáthica do álbum Psalm 69. Na versão ao vivo do EP Just Another Fix, a simples adição de uma harmônica a transporta sem escalas para a blueseira heavy de "When the Levee Breaks", do Led Zeppelin. Sensacional.
Por fim... quem sabe... a incendiária "Jesus Built My Hotrod". Esse country-metal-eletrônico maníaco psicopata é o verdadeiro Graal do Ministry, sendo negligenciado nos shows desde sempre, com Al repetindo a mesma ladainha: "Gibby Haynes é o único que consegue cantá-la".
Mas parece que ele fez um esforcinho em 2004, na tour do Houses of the Molé...
Enfim, um excelente show para todos que vão.
E me contem tudo logo depois, se o estrago sensorial permitir!
sábado, 17 de maio de 2014
Biotecnologia é o Godzilla
Não que seja tão mal. Como toda tecnologia, está nas mãos erradas.
(Atualizado!)
Rebaixado a bônus:
Sub-Bonus trackZilla: essa me ganhou pela edição impecável, melhor que a porcaria do filme inteiro.
Godzilla... Rrrrrauu!
(Atualizado!)
Rebaixado a bônus:
Sub-Bonus trackZilla: essa me ganhou pela edição impecável, melhor que a porcaria do filme inteiro.
Godzilla... Rrrrrauu!
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
And in the other Metallica news...
O povo tem a oportunidade de escolher o setlist da próxima tour do Metallica...
...e escolhe as mesmas músicas que o grupo vem tocando de uns 15 anos pra cá.
Ai, meu São Mustaine.
Já não chega a banda ter feito show na Antártica e perder a oportunidade de tocar "Trapped Under Ice"...

...e escolhe as mesmas músicas que o grupo vem tocando de uns 15 anos pra cá.
Ai, meu São Mustaine.
Já não chega a banda ter feito show na Antártica e perder a oportunidade de tocar "Trapped Under Ice"...
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Jeff Hanneman
1964 - 2013
Porrada. Apesar de tudo, duvido que alguém esperava por essa.
E lá se vai um dos músicos mais insanamente criativos de todo o rock and roll.
domingo, 23 de dezembro de 2012
Aos 47, num sábado à noite

Mike Scaccia
(1965 - 2012)
Essa veio do nada mesmo, aos últimos acordes de 2012. E em cima de um palco.
Um dos meus guitarristas preferidos de thrash metal (e country, hardcore, noise, industrial...). Top 5, fácil. Vai fazer falta.
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Metal fértil
Piração cannábico-headbanger, reafirmação de estilo de vida e uma porradaria de primeira traduzidos em imagens. A música é do último (e acachapante) álbum do High on Fire, De Vermis Mysteriis. Por sinal, um disco conceitual que evoca Robert Bloch (escritor de Psicose) e os Mitos Cthulu de H.P. Lovecraft. O que prova que por baixo daquela fachada rude e embrutecida os caras também são uns filhos da puta sombrios bagarai.
Dica do Sandro "All Star Velho", que atravessa um dia mais hardcore que o normal.
sábado, 21 de abril de 2012
Migué Open Air

A essa altura há pouco o que ser dito sobre o malfadado Metal Open Air 2012, que está acontecendo (ou melhor, não está) este fim de semana em São Luís, Maranhão. Mesmo assim vou dar meus 50 centavos, por dois motivos: ouço rock todo santo dia, desde que me conheço por gente - heavy metal é o meu pastor e barulho não me faltará; ainda tenho a capacidade de me indignar. Sou um romântico incurável, infelizmente.
Projetado com ares de mega-festival, o evento teve uma line-up pesada poucas vezes vista em terra brazilis: ao lado de formações expressivas que iam de Fear Factory e Saxon até Blind Guardian e Venom, estavam também atrações de peso - Megadeth, que conseguiu tocar ontem, e Anthrax - e, claro, uma esmagadora maioria formada por bandas nacionais, como Hangar, Korzus, Andre Matos, Torture Squad, Stress e Ratos de Porão. Tudo parecia correr normalmente até a última semana, quando a coisa toda desandou de uma hora pra outra, como num passe de mágica - de magia negra, pra ser mais exato.
Notícias - uma chuva torrencial delas - davam conta de quebras de contrato dos produtores, especificamente em relação aos grupos nacionais (falta de cachê, transporte, etc), o que motivou uma série infinda de cancelamentos. Acompanhar os grupos dando baixa a cada meia hora foi tragicômico, admito. Mas além disso, ainda havia a situação precária do local dos shows, incluindo área de camping estabelecida num estábulo, 1 banheiro, stands de alimentação em péssimas condições, problemas com a firma contratada para dar segurança, com a liberação dos Bombeiros, com os patrocinadores e, o mais surreal, com a falta de equipamentos de som até o início do festival. Os detalhes são fartos e chocantes (e pode ser acompanhado no Whiplash), mas não mais do que decepcionantes.
Ao que parece, houve um racha entre as produtoras "responsáveis" pelo evento, a Negri Concerts, a CK Concerts e a Lamparina Produções. As poucas declarações oficiais refletem um cenário ainda mais caótico.
Apesar de tudo, neste momento o festival ainda acontece, apesar da quase ausência de seguranças, do desmonte de um dos palcos e da desistência de 30 das 47 bandas originalmente programadas (Anthrax incluso, com os membros do grupo abandonados no aeroporto). O evento, que vem sendo chamado de fiasco e que havia ganho repercussão nacional de ontem pra hoje, está ganhando contornos internacionais com os depoimentos em uníssono dos artistas estrangeiros que foram prejudicados.
É horrível? Ô. É muita merda (de cavalo) no ventilador em tão pouco tempo. O MOA não era só uma promessa de shows antológicos, mas também de um fluxo alternativo digno para o rock. Talvez o início de uma descentralização do eixo Rio-São Paulo. O que se viu (e se vê) foi justamente o oposto. Só não acho que nem o metal nem o Brasil inteiro entrarão pra história como os grandes prejudicados. O metal vai tirar isso de letra, assim como já tirou coisas muito piores. O Brasil também vai superar, apesar da mancha emporcalhada que ficou. Rio e São Paulo (e Porto Alegre e Belo Horizonte) continuarão recebendo sua cota de shows internacionais, conforme os cachês e os traslados estejam OK. Mas não duvido que novas garantias contratuais se tornem parte do menu daqui por diante.
O grande prejudicado - além, claro, dos abnegados que se deslocaram de outras partes do país até o Maranhão em busca de uma grande aventura rock'n'roll (ao invés de um programa de índio) - é mesmo o público rockeiro cujo CEP não é do Rio, nem de Sampa. Maranhenses, anotem o ano de 2012. Salvo um improvável esforço heróico de algum maluco sortudo e competente, levará anos até vocês se recuperarem desse baque e as guitarras voltarem a ressoar em alto e bom som novamente por aí.
E afirmo isso por experiência própria, de uma terra tornada maldita para grandes eventos de rock and roll, há quase dez anos atrás.
Atualização 22/04:
E o Metal Open Air está oficialmente cancelado. Finalmente o pesadelo acabou. Que os esfíncteres dos produtores sejam duramente castigados.
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