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sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Obrigado, Sepultura!


Obrigado ao Max Cavalera, ao Iggor Cavalera, ao Jairo Guedz e a todos os que ajudaram a escrever a história da maior banda que este país já teve.

Confesso: dei uma tremida aqui. É muito tempo acompanhando essa jornada.

Ps: Gastão não poderia ter sido uma escolha melhor para o momento.

sexta-feira, 6 de outubro de 2023

Veni, vidi, Victor


O Prong estava na seca de álbuns de estúdio desde o já longínquo ano de 2017. Para quebrar o silêncio de rádio, soltaram um EPzinho matador em 2019, Age of Defiance. Nesse período, o fundador e frontman Tommy Victor aproveitou para lapidar a lineup com uma maratona de shows incendiários. É bom ver ouvir que todo esse preaquecimento valeu muito a pena. State of Emergency é uma sensacional playlist do Spotify. Ou, como diríamos no meu tempo: um discaço.

Isso terá a ressonância de um traço no Ibope, mas o Prong sempre foi uma das minhas bandas preferidas. O grupo veio daquela leva de metal alternativo/pós-hardcore que fervilhou no underground entre o final dos anos 1980 e o início dos anos 1990. Os riffs quebrados, estilo para-e-começa, eram uma característica marcante que dividiam com o também nova-iorquino Helmet e o irlandês Therapy?.

Os breakdowns no meio das músicas, embora pesadíssimos, eram quase dançantes. Foi o embrião do nu metal e do groove metal, o DNA que rendeu milhões de doletas para nomes como Slipknot, Disturbed, Five Finger Death Punch e outros que pasteurizaram a fórmula à exaustão. Em contrapartida, Victor, um mestre da rifferama, sempre passou longe dessa dinherama. E não foi por falta de tentativa.

Após o sucesso de Cleansing (1997), o Prong mergulhou numa série de álbuns irregulares e penou com a estabacada nas vendas. Quase baixando as portas, restou ao músico ir tocar guitarra no Danzig e no Ministry. Virou empregado.

Por sorte e (muito) talento, há cerca de dez anos a maré virou. A boa receptividade do excelente álbum Carved into Stone (2012) deu um boost em sua motivação com a banda. Na sequência, vieram os ótimos Ruining Lives (2014), o disco de covers Songs from the Black Hole (2015) e X – No Absolutes (2016) e o também excelente² Zero Days (2017). State of Emergency mantém o alto nível, com algumas particularidades.

Faixa a faixa na faixa:

"The Descent" é o começo forte e atropelante com o qual toda banda heavy metal sonha enlouquecidamente. Direto e já trazendo um breakdownzinho pra fazer a galera pular mais que na Pipoca da Ivete.

A faixa-título, duh, "State of Emergency" é herdeira da música (e também faixa-título) "Beg to Differ", de 1989. É quase uma versão atualizada com equipamentos mais poderosos e modernos. E, claro, agora com uma outra perspectiva sonora.

"Breaking Point" lembra o velho HC nova-iorquino à Cro-Mags/Agnostic Front. Refrão para bater a cabeça até soltar do pescoço.

"Non-Existence" é uma cruza das influências mais caras de Victor: os ícones pós-punk The Stranglers e, principalmente, Killing Joke. Leva jeito de single para rádios rock.

"Light Turns Black" é um exercício de peso e técnica. Nesse ponto já deu para perceber que o baixista Jason Christopher é bem versado na seara pós-punk e que Griffin McCarthy é da nova geração de bateristas technical thrash/death metal de Mario Duplantier (Gojira) e Eloy Casagrande (Sepultura). E toma headbanging debaixo de zilhões de ghost notes.

"Who Told Me" resgata o clima pós-punk novamente, desta vez numa pegada thrash. Lembrei na hora das guitarras dissonantes do Voivod. Aliás, que bela tour seria...

"Obeisance" é o puro suco de Killing Joke.

"Disconnected" é o puro suco do Killing Joke 100% concentrado. Tommy Victor destrava seu modo doppelgänger de Jaz Coleman. Poderia ser uma música do Absolute Dissent, fácil. Nem o próprio Coleman notaria a diferença. E que refrão ganchudo!

"Compliant" parece um lado B do Prove You Wrong (1991). E, de fato, é do lado B de State of Emergency. Delícia de filler.

A velocidade e a letra bairrista de "Back (NYC)" lembram o rock 'n' roll new yorker do Andrew W.K., só que menos festivo e (bem) mais HC porradeiro. É Prong, pô.

"Working Man" é um inesperado cover do clássico laboral do Rush. Boa versão, mas o Firebird fez melhor.

E é isso. O disco saiu hoje e já ouvi umas três vezes. Sinal que achei bom mesmo.

Com a palavra, o homem, o Victor.


In Victor veritas!

terça-feira, 5 de setembro de 2023

Ela esteve na banda


Publicado em dezembro de 2010, I'm in the Band: Backstage Notes from the Chick in White Zombie é uma janela para o que rolou de mais legal na cena alternativa do rock e do metal dos anos 1990. Escrito por Sean Yseult, baixista e co-fundadora do White Zombie, o título ganhou um tapa de seu generoso acervo de imagens e materiais inéditos. O resultado é um mix de álbum de fotos com livro de memórias, repleto de informações de bastidores e de suas impressões daquela cena do barulho.

Para aficcionados da banda e da geração: é obra atemporal, para consultas. E uma delícia.

Em relação à carreira de Yseult (pronuncia-se "Issó"), I'm in the Band começa do ano zero, com ela ainda gurizinha frequentando as aulas de balé. E segue pela sua paixão pela cultura underground até a formação do White Zombie em 1985 – então um grupo de noise/rock de garagem, incensado por gente como Kurt Cobain e o pessoal do Sonic Youth (!) – e envereda na descoberta do metal e no sucesso comercial.

Nesse ponto, salta aos olhos o contraste entre seus dias de porão, se apresentando em clubes como o CBGB, e as gigs-monstro, com apresentações consagradas no Monsters of Rock em Donington e num Hollywood Rock abarrotado no Brasil...

...onde, aliás, passaram dias de rockstar no "Rio de Janiero" e matando "capraihnas" em Copacabana, apesar do medo de terem as mãos decepadas por motoqueiros punguistas from hell com muita pressa. Achei graça. Mas não duvido.


A fuça dos jovens meliantes; flyers operação-de-guerra; o início da virada; a tensão pré-palco




Na alta roda: com Elvira, Danzig, Marilyn Manson, Cramps e Pantera



Confraternizando com Deuses do Rock and Roll



Zé do Caixão, o “Coffin Joe”, encarnando no cadáver da baixista e recebendo a devida homenagem do White Zombie

Além dos registros históricos, Yseult, hoje quase exclusivamente artista plástica, também aproveitou para oferecer sua perspectiva única de um meio majoritariamente masculino. Inclusive o subtítulo do livro, "The Chick in White Zombie" ("a mina do White Zombie"), é o apelido dado a ela por Beavis & Butthead sempre que eles assistiam algum videoclipe do grupo. Não foi fácil. Não é fácil.

A nota destoante vai para a parte física: o brochurão de quase 200 páginas em formato paisagem (wide) é um lutador peso pesado. É preciso preparar bem o terreno antes de começar a aventura e evitar algum acidente irreversível. Também é recomendável lavar as mãos antes do manuseio. As páginas são em couché de alta gramatura e praticamente todas têm fundo preto. Então, se não quiser deixar as digitais impressas ali para a posteridade...

segunda-feira, 13 de março de 2023

Opa! Peraí, Canisso


José Henrique Campos “Canisso” Pereira
(1965 - 2023)

Pegando todos os quarentões-e-além no contrapé, se foi o grande Canisso. E com ele, boa parte do elemento "diversão" no rock brazuca dos anos 90. Aliás, nem vou fingir que não achava o Raimundos a banda mais divertida do cenário noventista nacional e certamente aquela na qual mais fui aos shows. Era o lugar certo, na hora certa.

Canisso parecia, de longe, o cara mais sussa entre os quatro integrantes. Fosse no palco, fosse nas entrevistas em meio aos seus inflamáveis colegas, ele sempre manteve uma postura, digamos, Coach Beard: estóico, imperturbável, pé no chão e com um pavio de 12 quilômetros de extensão. Um cara-crachá inequívoco de sujeito boa praça.

E figura no seleto clube de baixistas que me faziam cometer um air bass criminoso, mas daora, debaixo do chuveiro.

Também, com esse naipe de estaladas matadoras, quem nunca?






Valeu por tudo, Canisso!

sábado, 25 de dezembro de 2021

Esta noite o Krampus de meia vai te pegar

Não reclamaria de ganhar um par dessas meias no Natal.


Adorei essa linha: "O ÚNICO PRESENTE QUE TENHO É DOR!" - Diretoria do Flamengo.

Feliz Natal e um ótimo, não, um excelente 2022...!

terça-feira, 27 de julho de 2021

Kudos, Mr. Jordison


Nathan Jonas "Joey" Jordison
(1975 - 2021)

Nunca dei muita bola para o Slipknot, mas, parafraseando o saudoso Gordura, "entre todas as milhares de coisas pra ti odiar no Slipknot, definitivamente a bateria não é uma dessas". E realmente o fenomenal Joey Jordison fazia a diferença. E muita.

Mesmo assim, só abracei a causa de vez após o show do Metallica em Donington, em 2004, sem Lars e com ninguém menos que Jordison e Dave Lombardo assumindo as baquetas. Pela 1ª vez em muito tempo, a banda soava pesada e ameaçadora novamente.

Jordison tinha mielite transversa (razão pela qual saiu do Slipknot), mas havia apresentado melhoras com o tratamento. Tanto que logo na sequência chegou a montar novas bandas (Scar the Martyr, Sinsaenum, Vimic) e a tocar com Ministry, Rob Zombie e 3 Inches of Blood, fora os vários trampos de produção. Foram 46 anos a mil.

Consta que se foi durante o sono. Uma benção.

Muito jovem ainda. E extremamente talentoso.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Batmetal Eternamente

Quatro anos após o megacrássico "Batmetal" e da sangrenta sequência "Batmetal Returns", o estúdio de "animação e metal" ArhyBES volta à artilharia com fogo e fúria!


O caldeirão de referências está a mil. Piscou, perdeu Hendrix, Dio, Vicious & Lemmy.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Vulgar Display of White Power


Janeiro não foi para fracos. Em um ano que começou com clima de desesperança e desconfiança geral, nem o entretenimento nosso de cada dia escapou incólume. Das passagens esperadas até as inesperadas de nomes emblemáticos do cinema e da música, foi um mês estranho que só terminou quando finalmente concluiu seu sombrio epílogo.

O que Phil Anselmo aprontou ao final do Dimebash 2016 - e suas consequências - você pode acompanhar cronologicamente em qualquer site de notícias do meio heavy metal. Recomendo em especial a recapitulação dos precedentes feita pelo MetalSucks e o desabafo de Robb Flynn, do Machine Head.

Minha opinião sobre esse tosco episódio é bem simples. Primeiro, Anselmo não é racista. Uma breve passeada pelo YouTube e você o encontra curtindo com seu amigo Doug Pinnick, do King's X, agitando loucamente em uma apresentação do Living Colour e não só tietando como apoiando seus colegas latino-americanos do Sepultura. Mas é óbvio que ele tem sentimentos mal-resolvidos nessa área, ao contrário do que foi dito em seu pedido de desculpas/contenção de danos.

Tive a nítida impressão que a bebida foi o gatilho sim, mas como um veículo acidental para esses sentimentos. Pareceu algo que ele realmente queria tirar de seu sistema. Um grito entalado na garganta por muito tempo. Por toda sua vida, talvez.

Para entender melhor de onde vem esse "grey power", é preciso entender o seu contexto. O que não é tão complicado assim. Um paralelo razoável é o que acontece hoje no Brasil, com esse Fla-Flu político/ideológico pressionando todo mundo.

Cobranças veladas por posturas extremistas e intolerância estão aí, te assediando dia após dia, cada vez mais explicitamente, no trabalho, na roda de amigos, em casa. E usando qualquer boato ou factóide que estiver à mão sem o menor pudor de ser descoberto como falso. Uma mentira repetida mil vezes... sabe como é.

A médio prazo isso acaba surtindo efeitos conflituosos na cabeça de qualquer cidadão. A longo prazo, dentro de uma rotina de insinuações e "bons" conselhos, o estrago é inevitável - o que foi ilustrado à perfeição numa cena-chave do filme A Outra História Americana.


Claro que não sei o que passou na vida privada de Anselmo. Tudo isso é só presunção barata baseada nas contradições que ele vem protagonizando por anos a fio. Psicologia de boteco, certo?

terça-feira, 15 de julho de 2014

Batmetal!

O vídeo mais descaralhante do mês tinha que ser com o personagem mais pica grossa dos quadrinhos...


Ainda não se conhece a identidade dos gênios, apenas a alcunha Children of Batman. Mas a elegância lembra muito com o venerável Dethklok e a música foi em cima de uma voadora dos caras entitulada "Face Fisted".

domingo, 25 de julho de 2010

Zakk of the Dead


Com a homenagem ao Dawn of the Dead logo de cara, qualquer elogio meu poderia soar suspeito, mas felizmente não é caso (mas poderia). O fato é que o redneck shredder supremo Zakk Wylde voltou a tocar o terror nas cordas da guitarra. Os novos singles do Black Label Society, "Parade of the Dead" e "Crazy Horse", relembram os bons tempos de 1919 Eternal e The Blessed Hellride.

Destruidoras. O volume do meu som não fica alto o suficiente para essas músicas.






Um retorno às raízes mais que providencial, após Mafia e Shot to Hell, dois álbuns decepcionantes (pra ser gentil). O disco novo, Order of the Black, deve sair no próximo dia 10.

BLS is back!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

T(HRASH)-800


Quarenta minutos do mais puro Arnold metal! Assim é Total Brutal, estréia do demolidor Austrian Death Machine. O nome é auto-explicativo, mas vamos lá... segundo o site oficial, a intenção é "fazer uma homenagem aos grandes filmes de Arnold Schwarzenegger". Trata-se de uma piração solo de Tim Lambesis, frontman do californiano As I Lay Dying, que acabou saindo melhor que a encomenda.

Diferente do metalcore da sua banda principal, o som aqui é total thrash metal old school, com aquela indefectível pegada oitentista, cheio de riffs, refrões grudentos e BPM's insanos. Coisa fina mesmo, pra fã de Exodus nenhum botar defeito. E sendo uma one man band, impressiona a fúria e a versatilidade de Lambesis, que manda bem tanto na guitarra quanto no baixo e na batera.

Na verdade, ele toca como se fosse o próprio Arnold trucidando algum inimigo em plenos anos oitenta!


Total Brutal foi lançado no ano passado, seguido do EP "natalino" A Very Brutal Christmas. Todas as faixas são destruidoras e as vinhetas protagonizadas pelo personagem "Ahhhnold" (Chad Ackerman, vocalista do Destroy The Runner) são hilárias. Já ouvi imitadores do Schwarza melhores, mas a tosqueira com o sotaque acaba conspirando a favor - em particular na intro "Hello California", onde o Governator avisa que vai abrir uma academia de musculação em cada cidade do estado.

As letras e os títulos das músicas são repletas das tags clássicas do Schwarza. Porradas como "I am a Cybernetic Organism, Living Tissue Over (Metal) Endoskeleton", "Come with me If you Want to Live", "You Have Just Been Erased", "Screw You (Benny)", "Who is Your Daddy and What Does He Do", "If it Bleeds, We Can Kill it" e a sensacional "Get to the Choppa" são um verdadeiro tributo à máquina de matar austríaca.

Confesso que fiquei meio preocupado quando reconheci todas elas com absurda facilidade. Lembrei que na minha adolescência tive pouco de Bergman, Truffaut, Buñuel, Antonioni... mas quer saber?

terça-feira, 8 de maio de 2007

BEER LABEL SOCIETY


A culpa é do Alcofa. Após trocentas recomendações, eu finalmente fui conferir o show do... arram... megafodônico Black Label Society. Em DVD, claro.

Lançado no ano passado, o duplo The European Invasion - Doom Troopin' (Live) traz na íntegra a apresentação da banda em Paris, mais quatro porradas que demoliram o Astoria, em Londres. No disco 2 tem um rockumentário on the road, três vídeos e um making of na faixa.

Ainda que eu já esperasse, a performance é uma marretada na têmpora esquerda. Ao vivo, o grupo de Zakk Wylde é quase uma fonte energia alternativa, elevando seu southern metal pesadão a novos patamares. Impressionante. Com o apoio de uma trinca de músicos afiadíssimos, Zakk fica livre pra debulhar guitarras incessantemente durante o set - que, por sinal, é porrada atrás de porrada, dando só um descanso na bela In This River e numa dobradinha semi-acústica. O legal é que, apesar do altíssimo cacife técnico, Zakk não se rende à solos operísticos, digitados e cheios de escalas. O barulho é privilegiado no mix e chega troncudo, espaçoso, violento, na melhor escola Tony Iommi's Iron Man encontra Eddie Van Halen's Eruption.

Notável também foi a quantidade de cerveja que Zakk matou durante o show. Sozinho, o cara deve ter fechado uma grade ali. Bebe, mas bebe com pressão. Se fosse Black Label mesmo - o whisky -, dificilmente ia terminar o set-list.

E falando em Iron Man, o clássico do Sabbath é citado rapidamente em um interlúdio. Com uma guitarra na mão e um copo de cerveja na outra, Zakk inventou a melhor maneira de tocar Iron Man que já vi >>



Som de macho é isto aqui, porra. Depois que assisti ao show eu ando com muita, mas muita vontade de encher a lata de cerva.

Cadê a minha clava?

domingo, 15 de agosto de 2004

TUDO QUE IRENE ADLER QUERIA


Anos 60? Woodstock? Timothy Leary? Alguém...?

Só dia desses que fui ler Lúcifer - Cartas na Mesa, e o fiz em uma só tacada (3 edições). A história é daquele tipo em que não se consegue parar de ler até chegar ao fim. Leitura imprescindível tanto para seguidores veteranos de Neil Gaiman, quanto para iniciantes nesse mundo de conto de fadas punk.

O argumento surreal de Mike Carey e o belo traço de Chris Weston não deixam nada a dever aos melhores momentos da vida quadrinhística do personagem Lúcifer. Esse, aliás, é uma das personas mais bem-construídas das HQs, nível John Constantine. O cara é (muito) sacana, cruelmente humano (!), e carrega consigo toneladas de perspicácia, astúcia, lucidez e... timing. Sim, Lúcifer tem muito, muito timing. Ele só influi ou aparece na história de forma estritamente estratégica. Enfim, Lúcifer é o capeta.

Bem, leiam as revistas, pois estas merecem a sua valiosa atenção (inclusive a edição #4, que traz uma história genial chamada Nascida com os Mortos).


Essa cena lembra o clip de Sowing the Seeds of Love, do T4F

Originalmente eu ia comentar apenas sobre uma seqüência em particular: a da vingança. Em determinado momento, uma das personagens, Jill Presto, adquire poder para acessar e reposicionar todos os acontecimentos do passado e do futuro de qualquer pessoa (muito bem sacado). E, como não poderia deixar de ser, existem algumas pessoas que "merecem pagar pelo que fizeram".

Achei bem legais as possibilidades desse "poder existencialista" no plano físico. É filosofia em briga de bar. Saca só então, a vingança:


Clique na imagem

Como diria Jello Biafra: Nazi Punks... FUCK OFF!!



Operação Resgate:Quando o Texas era mais do que petróleo e dinastia Bush.


PANTERA
(1990-1997)


Os caras: Philip Anselmo (vocal), Dimebag Darrell (guitarra), Rex Brown (baixo) e Vinnie Paul (bateria).


Os discos: Cowboys from Hell (1990), Vulgar Display of Power (1992), Far Beyond Driven (1994), The Great Southern Trendkill (1996) e Official Live: 101 Proof (1997).

Foram 5 bombas nucleares despejadas no cenário musical ao longo da década de 90. O Pantera fez muito barulho, incomodou, e chegou naquele ponto em que parecia estar em vários lugares ao mesmo tempo, tamanho era o seu sucesso na época. Foram recordes e mais recordes quebrados, todos em seqüência. Mas se eu tivesse que destacar um momento em especial, eu diria que foi a estréia do álbum Vulgar Display of Power, direto em 1º lugar na parada da Billboard. Foi a primeira vez que um grupo de metal extremo alcançou tal feito, e isso arregaçou as portas do mainstream para o quarteto texano. O Pantera foi uma banda que atingiu um incrível sucesso. Incrível mesmo, seus discos venderam muito, sempre na casa dos 7 dígitos. Poderiam tranqüilamente se aposentar e ter uma casa de praia em algum país da América do Sul. Curiosamente, isso só foi acontecer após eles adotarem um estilo bem mais anti-comercial.

Desde a produção, com a bateria seca, baixo inaudível e as guitarras lá na frente, até a sua temática unidimensional (vio-vio-vio-violeeeennnce!), tudo conspirava para uma longa e produtiva vida no underground. Talvez, justamente por essa simplicidade franciscana, aliada à uma técnica instrumental irrepreensível (mas, sabiamente, sem se prestar como fator de destaque, ao contrário de bandas como Dream Theater e afins), e influências naturais de Metallica circa ...And Justice for All e Sepultura fase Arise, possa ser isolada aí aquela característica que costumamos chamar de "identidade". Por outro lado, a banda jamais perdeu aquele senso melódico, ahn, poser, que era justamente a matéria prima utilizada em álbuns pré-Cowboys. O Pantera nessa época era poser. Mas poser com força mesmo. É até surreal ver hoje alguma foto antiga do machão Dimebag, atolado em maquiagem e com aquele corte de cabelo empinado à Vince Neil, do Motley Crüe.

Muito provavelmente, seu sucesso avassalador (para os padrões do metal extremo) possa encontrar uma explicação definitiva na postura e nas letras transbordantes de ódio e individualismo. Isso, em um país como os EUA, encontra um grande respaldo por parte de um público viciado em raiva, frustração e medo. Catarses via MTV costumam funcionar muito bem por lá, e não foi só com o Pantera não.

Aspectos dicotômicos à parte, musicalmente, o Pantera foi um achado. Seu background hard rock fracassado foi quase que totalmente limado a favor de uma sonoridade metálica, carregada de influências do velho crossover oitentista (D.R.I., G.B.H., S.O.D., etc.) e um talento nato para riffs simples e certeiros - com certeza adquiridos em seus anos de laquê.


Considero que a primeira manobra de 90° na carreira do Pantera foi no Cowboys from Hell, que é o tipo do disco que agrada. É cheio de ganchos, mas sem se render à facilidade pop. Pesado, mas sem sair dos trilhos. É só ouvir belezinhas como Primal Concrete Sledge, Psycho Holiday, Heresy e a faixa-título pra você se convencer de que pode ouvir Pantera no volume 10 sem estranhar (ou se importar). Além de trazer também a magnífica Cemetery Gates, uma balada pesada com um riff tão marcante que nem o Professor X conseguiria tirar da cabeça.

Outro ponto interessante é que, com Cowboys, a banda arrebanhou legiões de fãs provindos das mais diversas tribos, de headbangers e punks até o consumidor padrão de produtos MTV, repetindo dessa forma a mesma comoção de 1983, quando o Metallica estreou com o clássico Kill'Em All.


Cowboys também foi uma excelente preparação para um dos álbuns mais singulares desse boteco chamado ROCK: Vulgar Display of Power mudou as regras das gravadoras e fez a cachoeira cair pra cima. De repente, todo mundo começava a soar como o Pantera, tanto veteranos (Overkill, Fight, do Rob Halford, e Paul Di'Anno, ex-Iron) quanto novatos (Machine Head, Misery Loves Co., Madball). Sabem aqueles discos que atingem a perfeição no que diz respeito à proposta da banda? Nos anos 90 tivemos bastante desses (pretendo comentar sobre cada um, se eu não morrer antes), e Vulgar Display of Power foi a vez do Pantera. Esse disco é daqueles em que o som se remodela conforme o volume, igual aos clássicos do AC/DC, Motörhead e Ramones. Portanto, Vulgar... só no talo.

Não há nenhum destaque específico, pois todas são a medula óssea da banda. Técnica discretamente elegante, fúria aos borbotões, viagens à base de arpejos guitarrísticos, riffs assassinos... e esse nem é o mais pesado da discografia deles. Só É o Pantera, no seu mais sincero. Para registro: Mouth For War é uma das músicas de abertura mais contundentes da História.


Ao que chegamos à porradaria cavalar de Far Beyond Driven, um disco ainda mais minimalista e experimental. A guitarra de Dimebag aqui é o destaque, e ele maltrata a coitada: distorções com o pé cravado no pedal, apitos, reverbers insandecidos e puro ruído atonal dão o tom (trocadilho sem-noção).

Pedradas boas para se ouvir durante uma revolução: Becoming, a ultra-cool 5 Minutes Alone, I'm Broken (metal playboy, ótima pra ouvir no carro), Good Friends and a Bottle of a Pills, Slaughtered e 25 Years. Far Beyond Driven também inaugura a Era das Aberturas-Avalanche: logo de cara, Strenght Beyond Strenght implode os auto-falantes e twiters dos desavisados que esqueceram o som no volume máximo. Música para despertar (e voltar a dormir só no ano que vem).

De quebra, ainda tem o cover viajante de Planet Caravan (do Black Sabbath), que cairia muito bem em um lual com um pessoalzinho na faixa e algumas substâncias. É o Pantera a serviço dos fãs.


The Great Southern Trendkill, ou "O Grande Assassino Sulista de Modismos", traz o Pantera em sua profissão de fé, ainda com a mesma sonoridade, e já ultrapassando o punk melódico e o finado grunge.

Musicalmente, parece ter saído das sessões do disco anterior, apesar de conter momentos mais introspectivos, como 10's, Suicide Note Pt. 1 e Floods (muito próxima dos climas down do Alice in Chains). A abertura, com a faixa-título, é demolidora, War Nerve tem um inusitado jeitão de hit profissional, e Sandblasted Skin com certeza deve quebrar pescoços ao vivo. Mas a vencedora é a carniceira Suicide Note Pt. 2, muito rápida, muito barulhenta, muito psicótica, e me faz bater tanto a cabeça que quase perco as orelhas.


Vendagens lá em cima, turnês invariavelmente sold out, uma banda tecnicamente no auge, e uma seqüência ininterrupta de um álbum a cada dois anos. Próxima parada: Official Live: 101 Proof, o esperado ao vivo do Pantera, que já chama a atenção pela capa. Trata-se de uma (justa) homenagem ao bom e velho Jack Daniels, disparado o melhor whisky que já chapei (que o Chivas não nos ouça).

O álbum traz as apresentações norte-americanas da Tourkill, compreendendo o período de 96 a 97. O quê dizer dessa apresentação?


Eu já assisti a vários shows da banda ao vivo "mesmo", no canal Much Music, e posso garantir: eles são muito, muito bons. Se, sem a carga de estar gravando um "Ao Vivo", os caras arregaçam daquele jeito, pode crer que em Official Live existe uma quantidade ínfima de overdubs, pois eles realmente tocam muito. Mas que existem overdubs, com certeza existem (levantando o volume da platéia em momentos específicos, calibrando a distorção da guitarra na hora dos solos, limando umas entradinhas erradas aqui e ali... um dia farei um post sobre discos "ao vivo" e contarei como o Rob Halford incluiu em seu disco ao vivo uma música que ele nunca tocou em shows, ou como o Helloween gravou um show com o seu baterista antigo e lançou o disco ao vivo com o baterista do Scorpions no lugar dele... puta parênteses, né não?! Acho que vou terminar o texto nele... nah, tô zuando).

Então, os tempos românticos dos "Ao Vivo" já se foram. Momentos como o Viva!, disco clássico do Camisa de Vênus, ou It’s Alive, o clássico do Ramones fase Richie Ramone, ou então o If You Want Blood You Got It, do AC/DC fase Bon Scott, ou o No Sleep Til' Hammersmith, do Motörhead, ou o Kiss Alive I, do, ahn, Kiss, se perderam no tempo e, embora sejam melhores que 99% do que se faz hoje em matéria de rock, não conseguiram fazer a molecada entender que o bom dos discos ao vivo é a energia pulsante, orgânica e a eletricidade natural, com os erros e tudo. Os erros é que eram bons, porra!

Eu vi ninguém menos que o RUSH errando ao vivo, no Maracanã (na 3ª marcação de Overture - The Temples of Syrinx, devidamente retirada do DVD Rush in Rio, uma pena - mas eles eu perdôo), e sabem de uma coisa? Foi autêntico, humano e maravilhoso...!


Mas voltando ao assunto (viajei), podem ter certeza que Official Live, apesar de sua produção irretocável, é bem mais fiel do que se possa imaginar, pois os caras realmente mandam bem.

Estão lá todos os pontos altos desses discos que citei e apenas uma (grande) falha, que é a não-inclusão do clássico Mouth For War. De resto, tudo safo e você ainda leva duas faixas inéditas de lambuja: Where You Come From, um blue-grass metálico com slide guitar Aerosmithiana e I Can’t Hide, uma colisão à mil por hora entre Iron Maiden e Judas Priest. Pra ouvir entornando um Jack Daniels, sem gelo.


Depois disso, eles estrearam no novo milênio com Reinventing the Steel (2000), assunto pra outra vez. A banda acabou logo em seguida, e seus estilhaços deram origem ao conceituado Damageplan, enquanto o vocalista Phil Anselmo se embrenhou ainda mais em seus projetos paralelos (Down, Superjoint Ritual). Mas a incendiária fase noventista ficou na memória.



Post escrito ao som de Rush (Permanent Waves), Metallica (Ride the Lightning) e Pantera (todos esses). Sim, deu tempo e ainda detonei dezenas de copos de café.

domingo, 25 de julho de 2004

OPERAÇÃO RESGATE

Nova pala. Filmes, discos e pontos altos de um passado distante à curto prazo. E na edição de estréia...


RÉQUIEM PARA UM SONHO
(EUA, 2000)

"Uma viagem ao inferno", segundo uma amiga. E é mesmo. Eu ficaria só nessa definição - justa e muito elucidativa - mas acho uma sacanagem com o trabalho excepcional dos atores, da montagem esquizofrênica e da direção milimetricamente cruel.

Aliás, o capitão do barco foi o the next big thing Darren Aronofsky, justificando em cada frame o hype que se formou ao seu redor. Com uma mão pesada, ele criou uma atmosfera claustrofóbica, urbanóide e paranóica. Durante todo o filme, a câmera se encontra em uma provável "linha de fogo" (caíam esguichos de água, sangue e até vômito na lente).

Mas o ponto alto do pacote foi a edição de som. Ruídos, distorções e tenebrosos feedbacks aparecem abruptamente e em volume alto (experimenta assistir esse filme com as caixas de som devidamente espalhadas). Já a trilha incidental é formada por 3 peças (Summer, Fall e Winter) dividida em várias suítes. A de Winter, em especial, é tristemente emocionante.


Réquiem aponta seus holofotes para o cotidiano chapado de Harry Goldfarb (Jared Leto), sua namorada Marion Silver (Jennifer... ai, ai... Connelly) e seu melhor - e único - amigo, Tyrone (Marlon Wayans, surpreendendo), todos viciados 24-7. "Dependente químico" aqui, seria inadequado, pois há muito eles ultrapassaram a linha vermelha. O curso dos personagens segue uma trajetória de descida ininterrupta. Não parece haver fim na suposta "queda", pois, aparentemente, essa é a natureza da vida errática que escolheram (ou a qual não conseguem sair). Por isso acaba sendo impactante assistí-los rearranjando toda a sua vida apenas por causa de mais uma (uma!) injetadinha de heroína ou congêneres, como se qualquer sacrifício fosse auto-justificado pelo "prazer de sentir o barato".

É difícil analisar esse filme sem se render à uma observação social irresponsável e hipócrita (afinal, às vezes eu bebo bagarái, o que não deve me dar o aval pra julgar os hábitos de terceiros). Então, colocarei o meu coração em cima da mesa por um instante para poder destrinchar essa belezura de filme de forma mais técnica.


Imagino que todo mundo conhece ao menos uma pessoa que desceu ao inferno escorregando pela agulha de uma seringa. Então aqui está um legitímo déja-vu drogado e prostituído. Jared Leto, um ator apenas razoável, encontrou o personagem da sua vida nesse filme. Toda a sua razoabilidade (existe?) conferiu um bem-vindo tom passive junkie no papel de Harry, um cara fraco demais para remar contra a maré.

Já Jennifer Connelly é atriz. Atriz mesmo. E uma das raras que não se deixa subjulgar pela sua beleza. Aliás, Jenny é famosa por criar climas de absoluta cumplicidade com seus parceiros de cena (que o digam os sortudos Billy Cudrup, Russell Crowe e Eric Bana). Aqui, o nível de sua atuação já era o esperado, ou seja, muito acima da média. Sua personagem, Marion, é o suporte de Harry. Os dois atingem tanta química juntos, que eu nem sei por quê eles ainda precisam se drogar. A cena em que Harry pede perdão à Marion, num momento derradeiro do filme, é de trincar a íris.

Marlon Wayans, distante das gags e das comédias fáceis (ê redundância), exibe uma insuspeita desenvoltura no papel de Tyrone. É patético, melancólico e caótico, mas ao lado de Harry, faz todo o sentido do mundo.


Mas o destaque mesmo fica por conta da veterana atriz Ellen Burstyn (O Exorcista). Claro, claro, a mulher é fera, sabe tudo, tinha de ser ela mesmo. Sua personagem, Sara (mãe de Harry), é a mais vitimizada do filme, e o link para assuntos tão ou mais espinhudos quanto drogas pesadas (massificação via TV, paranóia estética, anorexia, medicação indiscriminada, desamparo e solidão). Uma atuação memorável.

Fica a sensação de que, sem o aparato cinematográfico, os personagens, de tão tridimensionais e humanamente críveis, poderiam ser alguém que conhecemos na nossa vida real. E o grande mérito do filme foi ter dado à eles a possibilidade de continuar seguindo, mesmo que em sentido descendente. Réquiem é documento verdade. Não começa, nem termina, apenas continua. Que nem a vida.

Nota: esse filme é para poucos. A seqüência de acontecimentos finais é mostrada de forma muito gráfica e rápida, gerando um efeito psicologicamente denso e quase insuportável. Uma viagem ao inferno.


''Fear Factory - Demanufacture (1995)

Choque industrial-thrash carregado de futurismo fatalista à 1984 (George Orwell). Logo no início, uma introdução cibernética retirada do tema de Exterminador do Futuro já dá uma boa idéia do que está por vir.

Demanufacture é a trilha sonora de um futuro em chamas, desvastado pela guerra contra o sistema e as máquinas, onde individualismo deu lugar à códigos de barras. Esse álbum é, ao mesmo tempo, frio, minimalista, messiânico e absurdamente épico. Uma verdadeira bad trip com toques de pesadelo bio-mecânico.

Temas como clonagem, tecnologia, conspiração, manipulação das massas, desordem, sociopatia e fé (?), estão aqui, antecipando um caos urbano aterrador e, ao mesmo tempo, fascinante.

A performance instrumental da banda segue o mesmo conceito de precisão matemática e sangue frio. O guitarrista Dino Cazares (o Asesino, do grupo Brujeria) constrói bases efetivas, diretas e com quantidade zero de virtuosismo (praticamente não há solos) - atitude seguida pela linha baixo de Christian Olde Wolbers. Já os vocais de Burton C. Bell estão entre os melhores do rock atual. Balanceando entre a rasgação agressiva e um inacreditável (repito: inacreditável) alcance melódico, quase gregoriano, é daquele tipo em que você não consegue imaginar algo sequer comparável no gênero. Foi abençoado, com certeza. Mas o destaque final acaba vindo das batidas de Raymond Herrera. Nunca ouvi dois bumbos serem usados de maneira tão abusiva antes (nem depois). Parece uma metralhadora! Como está escrito no encarte, ele é o "gerador efetivo de pulsos maximizados". Tenho de concordar, seja lá o que isso quer dizer.

A abertura explosiva com a faixa-título, Self Bias Resistor, Replica, New Breed (não sei por quê, mas essa me lembra a onda de choque de uma explosão nuclear...!), Body Hammer, Flashpoint, HK (Hunter-Killer), Pisschrist, A Therapy for Pain... todas as músicas se complementam em uma seqüência incendiária. Embora seja muito difícil destacar uma faixa em especial, tenho a obrigação de dizer que Zero Signal é um arraso. Provavelmente, é a música de metal extremo mais perfeita da História. Demanufacture ainda traz ótimas covers: Dog Day Sunrise (Head of David) e Your Mistake (Agnostic Front).

Apesar do óbvio mérito da banda, muito de seu êxito artístico (e comercial, pois esse disco vendeu muito) foi absurdamente realçado pela excelente produção do veterano Colin Richardson e pelo trabalho do engenheiro de som Steve Harris (não o do Iron!). Com certeza, eles foram o quinto e o sexto componentes do grupo.

Disparado o melhor do Fear Factory e um dos melhores álbuns da década passada.

domingo, 14 de março de 2004

O SHOW DO SEPULTURA EM VITÓRIA!


Antes de mais nada, queria dizer que estou QUE-BRA-DO fisicamente. A última vez que fiz tanto exercício foi com a minha ex-namorada no aniversário dela, ano passado. E também estou rouco, muito rouco. Mal consigo atingir 2 decibéis de ruído. Ah e, principalmente, estou surdo. Mais surdo que o Pete Townsend, do The Who. Eu não ia no show não, apesar de curtir a banda desde 89. Acontece que ontem, 3 amigos meus da minha fase headbanger (na época da escola!), e os quais eu não via há tempos, me ligaram e me recrutaram para encarar essa missão. Então, vambora... de volta ao final da década de 80/início dos 90...


Andreas Kisser arrancando sangue da guitarra

Ontem, sábado, dia 13 de março, no ginásio Álvares Cabral, em Vitória, caiu uma bomba atômica. Eu já fui à muitos shows de rock/metal e, sem fazer gênero, posso afirmar seguramente: quem ainda não foi a um show do Sepultura não sabe o que é um show de rock pesado. Com a força, coesão e profissionalismo de quem já está na estrada há mais de vinte anos, a banda mostrou que o sangue quentíssimo ainda corre nas veias com a mesma intensidade da época da garagem. E daí se Max Cavalera rachou fora? Problema dele. O vocal rasta Derrick Green não deixou que ninguém sentisse a sua falta, agitando a galera e batendo a cabeça durante duas horas ininterruptas. O baixista Paulo Júnior definitivamente deixou pra trás os tempos de "músico meia-boca", se tornando um verdadeiro carniceiro no baixo. O guitarrista Andreas Kisser se destaca de maneira única na cena da guitarra heavy. Ao contrário da maioria (leia-se Kirk Hammett, Dave Mustaine, Yngwie Malmsteen e outros), o cara não faz somente aquele bê-a-bá do metal, que é a digitação e acordes altos, ele imprime uma boa dose de experimentalismo, ruído e... silêncio! Um mestre, sem exageros.


Igor Cavalera, literalmente espancando a bateria

Esse aí é um assunto em particular. Eu já vi vários shows do Sepultura em vídeos, na MTV e no MuchMusic, e pra quem também já viu e não foi ao show, um aviso: o cara é muito melhor do que se vê na telinha. Considerem a opinião de alguém que já viu o Neil Peart tocando de perto. Misturando uma técnica intrincada e irrepreensível com uma intensidade incrível nas batidas, Igor ainda arranja tempo de combinar ritmos tribais com linhas de percussão quebraçadas. É ao vivo que vemos músicas mais experimentais como Sepulnation e Apes of God fazerem todo o sentido do mundo.

Falar do set-list fica até difícil, já que a apresentação inteira manteve a pressão lá no pico. Mesmo pra quem não é apreciador desse estilo extremo, acharia incrível a interação público/banda, através de um som pra lá de dicotômico. Stress zero após o show. De qualquer forma, a banda inciou o assalto com uma sessão do novo Roorback (Come Back Alive e Godless), emendou com clássicos mais recentes (Propaganda e a arrasadora Biotech is Godzilla), mais umas novas e depois só as antigas. Aí foi festa. Claramente pra compensar o atraso da banda em tocar no ES, clássicos do metal desfilaram no ginásio lotado: Troops of Doom, Arise, Dead Embryonic Cells, Innerself, Mass Hypnosis e outras pérolas do cancioneiro thrash. Um breve intervalo e uma citação ultra-cool de Dazed and Confused (do Zeppelin) prepara o terreno para uma versão tonelada de Bullet in The Blue Sky, do U2. Com pernas, braços e pescoço pedindo arrego, encaramos ainda uma seqüência matadora: Territory, Refuse/Resist e a arrasa-quarteirão Roots Bloody Roots.

Não teve Orgasmatron, mas, sinceramente, eu já estava paralisado do pescoço pra baixo e com um enxame de abelhas zumbindo dentro da cabeça. ROCKAÇO!



Dead Fish - hardcore na veia!!!

A abertura ficou a cargo do excelente Dead Fish, verdadeira referência hardcore brasileira. Ao contrário de baboseiras românticas, como CPM22 e Detonautas, o DF é uma metralhadora giratória com alvo certo no "sistema". Com mais de dez anos de estrada (e que estrada!), a banda está 100% profissional, com um show realmente arrasador, nível Pennywise/Bad Religion. Confesso que sou suspeito, pois curto esse grupo desde a fase das fitas demo, lá por 92/93. É uma pena que eles estão de mudança pra São Paulo, a nossa Babilônia moderna. Tomara que eles se dêem muito bem por lá, por mais burguês que seja.


O DUELO DAS RUIVAS!


Pode não parecer, mas o COELHINHAS DA MANSÃO TRIPLE XXX ainda está ereto e pedindo mais! Aproveitando a ocasião da estréia nacional (finalmente!) da revista Battle Chasers, façamos uma mini-pseudo-enquete aqui. De um lado, uma das pin ups mais bem dotadas das HQs, a cavalaça Red Monika. Cria do artista Joe Madureira, a guerreira ruiva protagoniza cenas pra lá de picantes e ensaia posições pra lá de tentadoras... Mas também ela é quase que um tributo à outra guerreira veterana, que anda meio sumida das HQs: Red Sonja. No traço de Frank Thorne ela já fez muito marmanjo (eu) babar a gola da camisa, "entre outras coisas mais" (eu). Ela já teve inclusive um filme bem tosco, com a ultra tesuda Brigitte Nielsen no papel principal. Putz, a Sonja era muito gostosa!!

Enfim, agora é com vocês... quem é a mais gostosa e mais merecedora de um Especial Coelhinhas? Red Monika ou Red Sonja??


E ANTES QUE EU ME ESQUEÇA: FODA-SE, BLOGGER BRASIL!


Todo "foda-se" é pouco pra expressar o ódio que eu tenho do Blogger Brasil e sua equipe de urubus leprosos. Os caras bloquearam o BZ, ainda que ele estivesse de acordo com as suas novas regras (10 MB por blog). Pra piorar, ainda me colocam no endereço que "Este site foi bloqueado por não respeitar as Normas de Utilização do Blogger"! Putz! Quem lê isso, pensa que eu sou um traficante de armas ou coisa parecida! E a cambada de cornos me deu um prazo até sexta pra acertar tudo, depois me "devolviam" o blog. Deletei quase tudo, só deixei os últimos 2 ou 3 posts, mais umas coisinhas - deu uns 600 Kb - e até agora nada! Não dá nem pra copiar as imagens... e eu achando que estava tudo certo e que eu estava fora da malha-fina... o pior soco é aquele que a gente não espera.

De qualquer modo, rapei o template (deu tempo!), e botei aqui no Blogspot - que também usa os servidores do Blogger Internacional. Só que aqui a coisa é bem mais às claras: nada de uploads. E já que o reflexo no Brasil demora mas acontece, podem esperar que em breve o Blogger Brasil vai zerar os 10 MB pra não-assinantes também. PAU NO CU DO BLOGGER BRASIL!

Ah, e valeu pela força (e informações!), OutZ, Alcofa, .:Logan:., Conde Dookan e mais uma galera (vocês sabem).