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quinta-feira, 27 de novembro de 2025

The Smashing Corgan


Há algum tempo acompanho o conteúdo do Track Star* – tenho um fraco pela premissa do cabra-cega musical. Conspiram a favor do canal a dinâmica enxuta, a seleção diversificada de gêneros e um entrevistador não-pentelho que sabe ouvir, pra variar. E essa edição com o Billy Corgan é um escândalo de boa.

Corgan – que tem um podcast viciante, The Magnificent Others with Billy Corgan – é franco como uma tijolada. Acerta tudo (menos uma armadilha picareta lá pro final), despeja um conhecimento histórico-musical absurdo, um impagável desdém por New York e sua voracidade hipsterista e uma bagagem de causos sensacionais. E com a moral de ilustrar um deles com um show em que divide o palco com David Bowie...

Imagina se o careca não estivesse mal-humorado.

quarta-feira, 8 de maio de 2024

O dia em que o gravador desligou


Steve Albini
(1962 - 2024)

Steve Albini, cara. Se foi o Steve Albini. Aí é pra desanimar de vez mesmo.

Difícil mensurar a sua importância para o som alternativo e até para o rock mainstream do final do século passado. Mal dá pra discernir os dois. E sobre os novos tempos, nunca foi de medir palavras.

Adoro as suas bandas e ex-bandas: o Big Black, o Rapeman (ah, esse nome hoje) e o Shellac – que conquistou seu lugar num ZdO de tempos imemoriais – nunca se ausentaram dos meus monitores e fones por muito tempo. Mas foi o seu lado produtor, ou, como ele gostava de ser chamado, "gravador", que me apresentou a um mundo de maravilhas musicais. E mudou a minha vida.

Surfer Rosa (Pixies), Rid of Me (PJ Harvey) e Tweez (Slint) são clássicos no meu caderninho. Fora tudo em ele que meteu a mão do Jon Spencer Blues Explosion, The Breeders, Zeni Geva, Stinking Lizaveta, The Jesus Lizard, Neurosis e uma carrada de outros. Teve muita porcaria também, claro. E acho tanto o In Utero, do Nirvana, quanto o Walking into Clarksdale, do Jimmy Page & Robert Plant, discos problemáticos, mas, ainda assim, fascinantes exercícios do wall of sound albiniano.

Só divagando. A porrada foi grande.

Albini partiu ontem, trabalhando no estúdio. Apesar de ser uma fera ao vivo, tenho a impressão que ele se foi em seu palco preferido...

sexta-feira, 6 de outubro de 2023

Veni, vidi, Victor


O Prong estava na seca de álbuns de estúdio desde o já longínquo ano de 2017. Para quebrar o silêncio de rádio, soltaram um EPzinho matador em 2019, Age of Defiance. Nesse período, o fundador e frontman Tommy Victor aproveitou para lapidar a lineup com uma maratona de shows incendiários. É bom ver ouvir que todo esse preaquecimento valeu muito a pena. State of Emergency é uma sensacional playlist do Spotify. Ou, como diríamos no meu tempo: um discaço.

Isso terá a ressonância de um traço no Ibope, mas o Prong sempre foi uma das minhas bandas preferidas. O grupo veio daquela leva de metal alternativo/pós-hardcore que fervilhou no underground entre o final dos anos 1980 e o início dos anos 1990. Os riffs quebrados, estilo para-e-começa, eram uma característica marcante que dividiam com o também nova-iorquino Helmet e o irlandês Therapy?.

Os breakdowns no meio das músicas, embora pesadíssimos, eram quase dançantes. Foi o embrião do nu metal e do groove metal, o DNA que rendeu milhões de doletas para nomes como Slipknot, Disturbed, Five Finger Death Punch e outros que pasteurizaram a fórmula à exaustão. Em contrapartida, Victor, um mestre da rifferama, sempre passou longe dessa dinherama. E não foi por falta de tentativa.

Após o sucesso de Cleansing (1997), o Prong mergulhou numa série de álbuns irregulares e penou com a estabacada nas vendas. Quase baixando as portas, restou ao músico ir tocar guitarra no Danzig e no Ministry. Virou empregado.

Por sorte e (muito) talento, há cerca de dez anos a maré virou. A boa receptividade do excelente álbum Carved into Stone (2012) deu um boost em sua motivação com a banda. Na sequência, vieram os ótimos Ruining Lives (2014), o disco de covers Songs from the Black Hole (2015) e X – No Absolutes (2016) e o também excelente² Zero Days (2017). State of Emergency mantém o alto nível, com algumas particularidades.

Faixa a faixa na faixa:

"The Descent" é o começo forte e atropelante com o qual toda banda heavy metal sonha enlouquecidamente. Direto e já trazendo um breakdownzinho pra fazer a galera pular mais que na Pipoca da Ivete.

A faixa-título, duh, "State of Emergency" é herdeira da música (e também faixa-título) "Beg to Differ", de 1989. É quase uma versão atualizada com equipamentos mais poderosos e modernos. E, claro, agora com uma outra perspectiva sonora.

"Breaking Point" lembra o velho HC nova-iorquino à Cro-Mags/Agnostic Front. Refrão para bater a cabeça até soltar do pescoço.

"Non-Existence" é uma cruza das influências mais caras de Victor: os ícones pós-punk The Stranglers e, principalmente, Killing Joke. Leva jeito de single para rádios rock.

"Light Turns Black" é um exercício de peso e técnica. Nesse ponto já deu para perceber que o baixista Jason Christopher é bem versado na seara pós-punk e que Griffin McCarthy é da nova geração de bateristas technical thrash/death metal de Mario Duplantier (Gojira) e Eloy Casagrande (Sepultura). E toma headbanging debaixo de zilhões de ghost notes.

"Who Told Me" resgata o clima pós-punk novamente, desta vez numa pegada thrash. Lembrei na hora das guitarras dissonantes do Voivod. Aliás, que bela tour seria...

"Obeisance" é o puro suco de Killing Joke.

"Disconnected" é o puro suco do Killing Joke 100% concentrado. Tommy Victor destrava seu modo doppelgänger de Jaz Coleman. Poderia ser uma música do Absolute Dissent, fácil. Nem o próprio Coleman notaria a diferença. E que refrão ganchudo!

"Compliant" parece um lado B do Prove You Wrong (1991). E, de fato, é do lado B de State of Emergency. Delícia de filler.

A velocidade e a letra bairrista de "Back (NYC)" lembram o rock 'n' roll new yorker do Andrew W.K., só que menos festivo e (bem) mais HC porradeiro. É Prong, pô.

"Working Man" é um inesperado cover do clássico laboral do Rush. Boa versão, mas o Firebird fez melhor.

E é isso. O disco saiu hoje e já ouvi umas três vezes. Sinal que achei bom mesmo.

Com a palavra, o homem, o Victor.


In Victor veritas!

sexta-feira, 7 de julho de 2023

80 são, 20 buscar


Parece um daqueles pôsteres fan made vindo das ideias de algum quarentão com Photoshop (culpado!). Mas o festival Darker Waves é bem autêntico. E um impressionante intensivão da década de 1980. Tem pra todo mundo, do sujão 45 Grave ao limpinho Tears for Tears. E todos no mesmo dia!

A fórmula é idêntica à do festival Cruel World (lembra dele?), que segue firme e forte. O revivalismo oitentista sempre esteve por aí, mas tomou um fôlego notável neste primeiro ano pós-pandemia, por motivos óbvios.

Inclusive, os ingressos para esta edição de novembro já estão esgotados. Para quem ainda quiser ir, resta preparar a carteira e recorrer a um tipo de profissional muito requisitado nos anos 80...

segunda-feira, 10 de abril de 2023

“Respeitável público, com vocês...”


The Butthole Surfers Movie promete destrinchar a trajetória da cultuada banda texana, um dos pilares da música alternativa americana — da verdadeira música alternativa, transgressora, irreverente e barulhenta, anos-luz de engambelações tipo Post Malone, Machine Gun Kelly e Billie Eilish. E o Lollapalooza dos primórdios tem tudo a ver com isso.

As apresentações anárquicas e proibidonas dos Surfers sempre foram lendárias, mas invariavelmente relegadas ao circuito underground. Na primeira edição do Lollapalooza, porém, isso mudou. Foram mais de 20 datas cruzando os Estados Unidos entre julho e agosto de 1991. Lá, os Surfers desfilaram todo o seu repertório de bizarrices, putarias e da mais pura insanidade-na-marca-do-pênalti, como comprovam as "brincadeiras" com fogo e as cenas do vocalista Gibby Haynes empunhando um trabuco em pleno palco e praticando tiro ao alvo sobre as cabeças do público (!!).

O Lolla atual pode ser a epítome do entretenimento gourmet inofensivo, mas houve um tempo em que a millennialzada leite com pera sairia de lá traumatizada...

O doc está cheio de depoimentos de gente como Jim Jarmusch, Richard Linklater, Steve Albini, Flea, Ice-T, Henry Rollins, Thurston Moore (Sonic Youth), Donita Sparks (L7), East Bay Ray (Dead Kennedys), Buzz Osborne (Melvins) e mais um punhado de notáveis. A previsão de estreia é para o final de abril.

A direção é de Tom Stern, que coleta material sobre o grupo desde 1986, quando ainda era um estudante de cinema. A co-produção dele com Noa Durban foi bancada através de um Kickstarter que arrecadou mais que o dobro da meta pretendida.

Pelo visto, muita gente também quer surfar naquele Butthole.

sábado, 28 de janeiro de 2023

The Television will not be televised


Thomas “Tom Verlaine” Miller
(1949 - 2023)

Que tristeza saber da passagem de Tom Verlaine, frontman do grande Television. Tanto o Marquee Moon (1977) quanto o Adventure (1978) estão entre os discos que mais ouvi nesta vida. Clássicos indiscutíveis. Tão básicos e seminais para o rock quanto uma guitarra poderia ser.

Aliás, adoro o apelido que o NYT deu para o Verlaine: o "deus relutante da guitarra." Com justa razão.

Verlaine era um completo alienígena para os tempos atuais, um forasteiro deslocado no tempo. Holofotes nunca foram a sua praia. Música sempre foi a única prioridade.


E o fim de uma era segue a passos largos...

sábado, 20 de abril de 2019

O salmo da Wax Trax!

Pra quem foi tomado de assalto por aqueles loucos de Chicago no fim da década de 1980, o trailer de Industrial Accident: The Story of Wax Trax! Records é puro deleite de bad trip boa. E "com simpatia".


Só mesmo um doc longa-metragem para descrever a importância da Wax Trax! para a cena alternativa americana. A loja/gravadora fundada por Jim Nash e Dannie Flesher foi seminal durante a efeverscência do pós-punk, da new wave, da eletrônica e do industrial do início dos anos 80. Seus padrões artísticos, estéticos e comportamentais transgressores e anti-establishment se estenderam muito além da seara musical - e continuam até hoje, ironicamente inseridos até no universo pop, ainda que a esmagadora maioria do público (e dos artistas) sequer se dê conta disso.

Em terra brazilis, onde as informações chegavam com alguns anos de atraso e à conta-gotas, o selo teve até certa exposição. Principalmente através da revista Bizz e das matérias do jornalista André Barcinski, incluídas também em seu livro Barulho: Uma Viagem pelo Underground do Rock Americano.

Meu 1º contato com a Wax Trax! foi justamente pela icônica revista. O marco zero foi a capa do Sepultura circa Arise levando um corta-luz das verdadeiras estrelas da edição: o Ministry. "Massacre eletrônico"? Já me ganhou só pelo conceito - lembrando que, naquela época, Internet só existia em filmes, livros e gibis; e como importar discos era para ricos, o jeito era viver de conceitos.

Depois vieram os artigos da célebre turnê Ministry/Helmet/Sepultura e do lançamento dos clássicos The Mind Is a Terrible Thing to Taste e Psalm 69 em terra, oh, brazilis. Finalmente. E assim meu salário de office-boy foi pro sal numa tacada só.

Houveram outras convergências pelo caminho, mas o trecho da estrada com tijolos de ouro foi esse. Embora sejam mais do que raros, tenho certeza que existem por aí outros brasileirinhos sobreviventes que ainda curtem Ministry, Lard, Revolting Cocks, Pailhead, Chris Connelly, KMFDM, My Life with the Thrill Kill Kult, Laibach, The Young Gods e outras pérolas WaxTraxianas que trilharam um caminho semelhante. Isso se as vicissitudes do dia a dia - também conhecidas como família, filhos, plano de saúde, aluguel, IPVA, etc. - não expurgaram essas lembranças e sensações à fórceps, deixando no lugar só um toquinho útil pagador de contas.

Se for o caso, uma sessão de Industrial Accident poderá reativar alguns neurônios há muito adormecidos e causar um grande estrago no seio familiar...

sábado, 22 de setembro de 2018

Saudações e desejos de maravilhosas bad trips aos bem-aventurados que testemunharão O Melhor Show da Terra deste ano no Brasil


O lendário, lendário, LENDÁRIO Killing Joke irá tocar pela 1ª vez no Brasil domingo, no Carioca Club (SP).

A formação permanece a clássica: a marcação tribal do baterista Paul Ferguson, a zaga subsônica do baixista Youth, o ataque abrasivo-percussivo do guitarrista Geordie Walker e a pessoa sui generis de Jaz Coleman, o puto mais imprevisível e carismático do pós-punk, gótico, industrial, noise, thrash, metal alternativo e tudo o mais que ele e seus companions influenciaram desde 1980.

Lógico que não vão tocar tudo (deveriam!). Mas grande parte dos cavalos de batalha estarão lá, conforme atestam os últimos setlists. É ir ao show e emendar com uma sessão de Altered States. Será perfeito.

Um excelente apocalipse (após-punkalipse?) para todos.

segunda-feira, 7 de março de 2005

I AM WHAT I AM

...and that's all what i am!


É o Popeye, se fosse criado por Garth Ennis ao invés de Elzie C. Segar. Ambientação nos anos 30 e atmosfera dos primórdios áureos dos quadrinhos (tipo Os Sobrinhos do Capitão, Tintin e o marinheiro citado), mas carregada de escatologia, palavrões, ultraviolência e vileza, típicas de um Vertigo/MAX da vida. Assim é The Goon, cria do desenhista e roteirista Eric Powell. Começei a ler sem maiores expectativas, mas fui fisgado quase que de imediato... É divertidíssimo!

Goon é um aventureiro tough-guy e aparentemente superforte, mas sem maiores explicações (igualzinho ao Popeye em começo de carreira... o espinafre/soro-do-supersoldado foi criado na última hora quando o sailor man começou a fazer sucesso). Junto com Franky, seu manager e parceirão, Goon encara tudo quanto é tipo de missão (acredite... tudo mesmo) e tem uma coleção de inimigos tão variada quanto bizarra: psicopatas, mafiosos, vampiros, lobisomens, robôs, mutantes, monstros sub-aquáticos, ratazanas gigantes, feiticeiros, aberrações genéticas, demônios e principalmente... mortos-vivos em larga escala.




Talvez seja esse oceano de possibilidades que torna as aventuras tão divertidas. Ao mesmo tempo, a mistura - sempre espirituosa - de maniqueísmo (p&b) com mundo-cão (cinzento) é um dos pontos mais peculiares de sua narrativa. Ainda estou lendo a fase indie na Avatar Press, mas pelo que li na coluna de Érico Assis, do Omelete, ele já está em sua 10ª edição pela Dark Horse.

Outra coisa bacana são os 'folhetins educativos' presentes ao longo das HQs. Coisas do tipo "como arrancar o escalpo de um lobisomem" ou "adote um morto-vivo", que eu gentilmente destaquei aí embaixo... clique na imagem.


Eric Powell faz de The Goon um projeto autoral tão bacana quanto Mike Mignola com seu Hellboy ou, no mínimo, Erik Larsen e seu Savage Dragon. E pela trajetória lenta, mas sempre ascendente (o que é essencial), The Goon provavelmente será um hit dentro de alguns anos, com direito a adaptação para os cinemas e tudo. Deus me ouça!


E já que mencionei mortos-vivos... >:)

THE RETURN OF THE TRIOXYN


Você já assistiu isso antes... projeto ultra-secreto envolvendo armas químicas dá errado, e voilá... hordas putrefactas de mortos-vivos esfomeados à caça de cérebros frescos. Essa é a premissa de A Volta dos Mortos-Vivos 4: Necropolis e, caracas, A Volta dos Mortos-Vivos 5: Rave To The Grave. O primeiro filme da série, de 1985, foi uma pérola da nojeira bem-humorada. Já o segundo foi uma paródia acéfala (sem trocadilhos) do primeiro, sendo que este já era uma paródia dos filmes de George A. Romero. No terceiro filme, houve uma reinvenção até interessante, levada a cabo pelo insano Brian Yuzna (de Re-Animator).

Produzidos simultaneamente, o quarto e o quinto episódios ainda não têm data de estréia definida e, pela sinopse divulgada, é uma chupação violenta em cima de Resident Evil: O Hóspede Maldito (!!):

"Julian, Zeke, e seus amigos, são típicos estudantes do colegial curtindo um marasmo teenager-mauricinho, até que um terrível acidente de moto coloca Zeke no hospital, do qual ele desaparece misteriosamente e sem deixar vestígios. Seus amigos investigam seu paradeiro e tudo leva a crer que a famigerada corporação Umbrell... digo, Hybratech está envolvida. A Hybratech conduz perigosos experimentos com o composto Trioxyn-5, um poderoso agente químico capaz de despertar os mortos!"

...e blá-blá-blá...


Claro que isso é só uma desculpa pra que os desmortos sejam vomitados de suas covas apodrecidas e sairem em busca de miolos pulsantes (eu sei que miolos não pulsam, mas essa descrição ficou maneira!). O problema é que depois de pauleiras viscerais como Extermínio e Madrugada dos Mortos, ficou bem difícil pra série conseguir surpreender novamente o público fangore.

E dando uma de Grunge, do Gen¹³... se fosse eu no lugar do diretor Ellory Elkahem (Elka-quem?!), botava pra quebrar nas cenas de sexo (dezenas de playmates nuinhas em pêlo) e na violência escatológica (cérebros, tripas... tripas, cérebros...).

É, ué... às vezes a intensidade fala mais alto, e já que o roteiro é batidão mesmo...

Agora, o que eu não faria mesmo é colocar no filme um arremedo descarado do super-zumbi Nemesis. É, aquele mesmo de Resident Evil...


Mais triste ainda é ver o ótimo Peter Coyote (Lua de Fel) figurando no elenco desse filme pra lá de suspeito...

Bom... seja o que Ed Wood quiser.

A propósito, no site oficial tem um mapa da "genealogia living dead". Bastante elucidativo.


O mestre Romero está lá, devidamente centralizado. Eles tinham de ensinar essas coisas nas escolas!

:P


The next: the new fuckin' top 5!!

EVERGREY - THE INNER CIRCLE
(Hellion/2004)


Esse é bem recorrente aqui no top five, mas nunca comentei a respeito. E o negócio é o seguinte... todo o fã de rock pesado tem de ouvir esse disco. É quase uma obrigação didática. Há muito que as bandas da área tentam alcançar o tal álbum perfeito, tarefa que se tornou uma verdadeira caça ao Graal artístico. Não raro, o que se consegue são resultados assépticos, mecânicos e frios - embora "visualmente" magistrais. A harmonia idealizada entre técnica sobre-humana e energia emocional na música ainda está engatinhando, mas já encontra no Evergrey o seu grande representante. E The Inner Circle consegue atingir um nível ainda maior que seu excelente álbum anterior, Recreation Day (2003).

Thrash, progressivo, pop, soft rock, AOR, heavy tradicional, gothic metal e até gospel (!) comparecem de forma extremamente coesa, tornando a textura sonora do Evergrey um elemento único, superior. Esse disco (conceitual, aliás) só não é indescritível porque dá pra comentar ao menos uma coisa ao seu respeito: fenomenal. É impensável destacar apenas uma faixa, e o diamante In The Wake Of The Weary está aí para download como homenagem à sensacional vocalização soul de Carina Englund. Compre, roube, se vire.


THERAPY? - TROUBLEGUM
(A&M Records/1994)


Outro habitué dos 5+. Mas não tem como. O irlandeses do Therapy? cometeram um disco definitivo, atemporal. Calma... não é nada daqueles clássicos irretocáveis, hiper-complicados e altamente respeitáveis (e chatos!). Troublegum é um dos melhores discos de party rock dos anos 90 - incluindo-se aí uma lista de full-lenghts que vai dos clássicos Time's Up, do Living Colour, e The Real Thing, do Fenemê, ao Blood Sugar Sex Magik, do RHCP.

Troublegum é uma maravilha de sonzeira guitar rock. O trio formado por Andrew Cairns (guitarra e vocais), Michael McKeegan (baixo) e Fyfe Ewing (bateria), tira água de pedra com a antiqüíssima equação baixo-guitarra-bateria, com soluções criativas e efetivas (até hoje), repleta de ganchos perfeitos. E a banda não mede esforços. Rola de tudo: hardcore, thrash, power pop, surf rock, industrial rock, e um clima inequívoco de pop rock oitentão.

O Therapy? já fez discos memoráveis (High Anxiety, Infernal Love e a porrada federal Nurse), mas Troublegum é o que equilibra o melhor de uma banda dona de uma química incendiária. Pauladas como Knives, Screamager, Nowhere, Isolation, Trigger Inside - enfim, o disco inteiro - dão choque na alma e fazem bem ao corpo. Rock good vibration é isso aí.

E detalhe... tem a participação mais do que bem vinda de Page Hamilton, líder do Helmet. São dele os acordes de guitarra em Unbeliever. Cai dentro, meu chapa. Isso é trilha sonora de festa americana organizada por gente grande. Pra ouvir no talo.


CRACK UP - DEAD END RUN
(Moonstorm Records/2000)


Death'n'roll. Esse é um tipo de crossover que sempre viveu mais no conceito do que na prática, de fato. Formações extremas e experimentalistas como o Napalm Death fase Lee Dorrian, o Brujeria, o Agathocles e o genial (e sumido) Pungent Stench já bicaram o estilo, mas nunca o tomaram como estrutura-base - mesmo por quê, a viagem dos caras era outra. Restou à banda alemã Crack Up honrar a camisa e se tornar o maior (senão o único) representante do gênero. E não é que a coisa funciona às mil maravilhas?

Com a explosão típica do death jogando a favor de uma pegada rocker, a banda acaba mostrando o quão inédita e, ao mesmo tempo, simples é essa proposta. "Como é que não pensaram nisso antes?"... é a primeira coisa que vem a mente após ouvir pérolas do naipe de Maximum Speed, Dead Good Motherfucker, Better Dancer, Stallknecht, Evenflow (não é a do Pearl Jam!), Rock The Coffin', a sintomática It's Shit e a faixa-título.

Por vezes, a sonzeira parece pop demais (melodias à Beatles rolando ao fundo [!!], refrães pegajosos, riffs), mas acaba sendo incrível constatar que um estilo totalmente anti-comercial poderia rolar no volume 10 sem estranhar. E de uma forma bem mais íntegra do que um In Flames da vida (um Metallica do death).

O único porém desse disco do Crack Up é que eu tenho certeza que ele soaria ainda melhor se eu estivesse pilotando uma Harley Davidson na hora. Ou melhor ainda... esse V8 cavernoso da capa...


ASTRAL DOORS - OF THE SON AND THE FATHER
(Hellion/2003)


Jesus, Maria e José... Tenho até medo de escrever sobre esse que é um dos melhores discos lançados em 2003. Então, nada melhor (pra minha batata) do que expor meu background rockeiro... Existe - quase que sempre - um "interesse científico" da minha parte a respeito de vários estilos de Música. Mas o que eu mais ouço de forma constante e recorrente é o rock'n'roll old school, não tenho como negar. Thin Lizzy, Foghat, Bad Company, Free, Sabbath, Led Zep, Aero, - estamos chegando - Purple, Dio e... - chegamos - Rainbow. A instituição Ronnie James Dio, ao lado do mestre Ritchie Blackmore, integrou o Rainbow, uma das maiores bandas da História do Rock e referência atemporal - inclusive para dinossauros consagrados como Iron Maiden, Judas Priest e, puta que o pariu, acho que todo mundo da cena heavy atual.

E o quê isso tem a ver com o Astral Doors? A banda sueca é responsável pela atualização dessa vertente tradicional do rock, da melhor maneira que ela poderia soar se fosse concebida hoje pelas formações clássicas do Rainbow, do Deep Purple, do Uriah Heep ou mesmo do Jethro Tull. É heavy rock visceral, orgânico e autêntico, honrando o legado de bandas tão precursoras quanto Cream e o Blue Cheer. Pra quem é straight rocker, o Astral Doors seja talvez o grupo que mais atraia interesse em toda a cena, pois carrega consigo a responsa de um estilo que é um dos mais difíceis de compor e executar - já que o virtuosismo narcisista não tem nenhum apelo aqui.

Desde a abertura, com Cloudbreaker, seguindo com clássicos imediatos como a faixa-título (cuja levada, ao vivo, deve se comparar a Highway To Hell...), a maravilhosa Slay The Dragon, In Prison For Life, The Trojan Horse, Burn Down The Wheel, Rainbow Your Mind e a incrivelmente ganchuda Man On The Rock, esse disco é absurdamente essencial nesses dias tão artificiais e descartáveis. É o feeling e o calor da paixão trazidos novamente para dentro do rock'n'roll. Já não era sem tempo.

"I'm a Man On The Rock... Like Jesus Christ...!!"


...TRAIL OF DEAD - SOURCE TAGS & CODES
(Interscope Records/2002)


Duas verdades... uma - o nome da banda é "And You Will Know Us by the Trail of Dead"... e duas - você precisa conhecê-la. E foda-se o que você miseravelmente caracteriza como estilo, gênero ou abordagem. Foda-se. Foda-se. Foda-se. Não cometa o erro que eu cometi. Essa banda está acima do bem ou do mal, acima de contextualizações. Ela apenas é. ...Trail of Dead, por algum acaso, se utiliza da permissividade outsider rock para dar continuidade a sua cartarse niilista seek and destroy cíclica, a dicotomia auto-impingida, a auto-destruição, ao nirvana. Sources Codes & Tags é mais do que um álbum. É uma experiência, uma bad trip da lisergia movida a feedbacks de acordes saturados. É como tocar o próprio cérebro em um mundo mágico do impossível.

É fatalismo feito onda sonora.

É uma forma de vida.

É perigoso.

...Trail Of Dead transcende tudo isso e esse álbum ainda não é o suficiente.

Sem mais.

Embarque.


dogg... insane in the fuckin' brain