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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Hoje eu vou tomar um porre!


Desde a última vez que chequei, as notícias não estavam muito animadoras pro lado de The Goon. A animação adaptada dos quadrinhos de Eric Powell a ser produzida (e dirigida?) por David Fincher em parceria com o Blur Studio era mais do que promissora. Porém, com a falta de intere$$e de Hollywood, o jeito foi recorrer à tática do crowdfunding, o que seria a única chance para viabilizar o projeto.

De início foi mesmo uma quase-certeza, com contribuições chovendo na conta. Apesar da impressionante mobilização dos fãs, o movimento foi caindo e ainda faltavam 100 mil dólares para cumprir a meta de 400 mil. E restavam apenas 5 dias.

Pelo ritmo gotejante das doações das últimas semanas, a missão era praticamente impossível.


Eu já estava deixando o estádio quando um coro ensurdecedor de gol ressoou internet afora...

Eles conseguiram!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Os anti-heróis americanos


The Goon tem sido uma das minhas HQs favoritas desde que a descobri, lá pelos idos de 2005. Apesar disso, sempre achei que estaria fadada ao status cult, tal como Bone, Concreto, Blacksad e tantos outros. Tive uma grande surpresa em 2008, com a notícia de que o Casca-Grossa ganharia um longa em CGI, produzido pelo estúdio Blur e por ninguém menos que David Fincher. Um teaser-trailer foi lançado logo na sequência, com Clancy "Lex Luthor" Brown dublando Goon e Paul Giamatti dublando Franky. Perfeito. Por um instante improvável, a coisa parecia que ia decolar.

Contudo, as notícias sobre a produção mergulharam num hiato sepulcral. Mesmo descontando a modorrenta fase de captação de recursos (objetivo do lançamento do teaser na SDCC 2010), o filme já estava cheirando a naftalina. Mas é interessante como às vezes precisa vir alguém pra chacoalhar o barco, ainda que inadvertidamente. Em entrevista ao IFC, Giamatti comentou que ele não recebeu mais notícias sobre o filme e que o orçamento provavelmente ainda não havia sido bancado.

Isso acabou gerando uma cueca justa entre os envolvidos e foi o suficiente para o próprio cridor do personagem, Eric Powell, se manifestar em seu blog explicando em detalhes o status (ativo) do filme. O texto inclui até uma mea culpa de Giamatti sobre sua declaração - que, afinal, não estava tão longe da verdade assim.

Na última impressão de David Fincher, também postada por Powell, ele falou sobre a incapacidade da Hollywood corporativa em lidar com um universo tão rico e incomum quanto o do Goon. Mas no final, arremata o tom de incerteza com um olhar esperançoso e decidido ("this atom can be split"... quando crescer quero escrever assim). Por enquanto, a opção para adaptação continua com ele e o Blur Studios.

As prévias do que seria um longa animado do Goon não deixam dúvidas. O filme seria quase tão insano, divertido e badass quanto os gibis.




Se nada acontecer no final de tudo, será uma pena. Mas nada que uma boa recapitulada nos quadrinhos não cure.

sexta-feira, 2 de setembro de 2005

ENQUANTO ISSO, NO COMIC ART COMMUNITY

(sai clicando em cima)


Arte conceitual de Kojima Ayami para Castlevania - Curse of Darkness

Seven Soldiers Zatanna #4 Seven Soldiers Bulleteer #1
Ainda sonho com um filme da Zatanna com a Jennifer Connelly no papel... e um chamariz interessante à direita... ou melhor, dois...

Swamp Thing #21 O Deus do Trovão rende ótimas cenas!
Meu ídolo Eric Powell (The Goon) desenhando o Monstro do Pântano? Eu quero ver isto! Ao lado, uma bela arte de Ariel Olivetti... será o novo Esad Ribic?



THE FUTURE IS THE PAST BABY
O miolo de alguns dos álbuns que estão aí ao lado


THE CULT - LIVE MARQUEE LONDON MCMXCI
(Beggar's Banquet/1999)


Esse disco ao vivo é uma raridade na discografia do The Cult, o que é uma pena, pois é muito superior ao recente Live Cult. Gravado originalmente como um bootleg, Live Marquee London MCMXCI recebeu mais tarde uma encorpada técnica em estúdio. Nada muito radical (algumas entonações e regulagens de volume), o que lhe confere um clima de piratão bem produzido. E melhor, sem os famigerados overdubs. Está tudo lá como foi no show, inclusive com alguns ligeiros errinhos, o que deixa a coisa ainda mais autêntica (e rock 'n' roller).

O show, de 27/11/1991, traz todas as músicas que importam do Cult, em versões vigorosas e cheias de entrega. Tem músicas da fase inicial pós-punk/gótica, como Spiritwalker, Horse Nation, Nirvana, Love, Brother Wolf Sister Moon, Rain, porradas hard-stoneanas-ac/dczísticas como Lil' Devil, Wild Flower, Full Tilt, Love Removal Machine, e hits certeiros como Revolution, She Sells Sanctuary e Fire Woman. Showzão.

Ainda que freqüentemente associado à cena hard dos anos 80, o Cult se destacava fácil na multidão, seja pelas porradas do batera Michael Lee, pelas guitarradas do ótimo Billy Duffy ou pelos vocais quase olímpicos de Ian Astbury - que foi recrutado pela nova encarnação do The Doors.


THE KILLERS - HOT FUSS [LIMITED EDITION]
(Island/2005)


Bem, já fazia mesmo algum tempo que as bandas mais recentes andavam metendo o dedo na torta de amora dos anos 80. The Killers não se fez de rogado e enfiou logo o mãozão inteiro. O resultado é um assalto àquele som redondo, dançante, encorpado, cheio daqueles tecladinhos chicletudos que foram explorados à exaustão desde o fim do Joy Division. Hot Fuss é a trilha sonora daqueles inferninhos dance'n'roll de antigamente. Quer saber? Irresistível. Não é cabeção como o Interpol, vacilante como o Blur, nem deprê como o Coldplay. Muito pelo contrário. A banda consegue reeditar aquele mesmo climão de alegria, escapismo e satisfação, como há muito tempo não se (ou)via.

A seqüência de abertura é uma covardia pumperô. Logo de cara, Jenny Was a Friend of Mine já entrega ao que a banda veio, com aquele tecladinho synth-superbonder e os slaps do baixão em cima. Mr. Brightside é uma dance porrada que Andrew W.K. daria o braço direito pra ter composto. Smile Like You Mean It já é mais espaçosa, com o maldito teclado colando nos neurônios novamente e uma guitarra percussiva à The Edge. Já o megahit Somebody Told Me quebra todos os recordes de chicletitude estabelecidos pelo Gorillaz. Ainda bem que eu não ouço FM. Engraçado que dessa faixa em diante a banda emenda em uma sonzeira mais rebuscada, às vezes beirando o pós-punk à Gang Of Four, como All These Things I've Done, Andy You're a Star e Midnight Show. Mas também restam umas colas bem resistentes, como On Top (que lembra muito Trio) e a maresia à Madness de Glamourous Indie Rock 'nRoll.

Essa versão "limitada" (em tempos de web... há!) traz duas faixas-bônus: The Ballad of Michael Valentine, que lembra muito a Plastic Ono Elephant's Memory Band de John Lennon, e a atiradinha Under The Gun.

E honrando o espólio oitentista, The Killers também fez um cover para Why Don't You Find Out for Yourself, do Morrissey, que saiu em um single lançado na Inglaterra.

Mais sugestões de covers para os Killers:

After the Fire - Der Kommissar
The Romantics - Talking in Your Sleep
The Thompson Twins - Lies


SAXON - THE EAGLE HAS LANDED PART II (LIVE)
(CMC International/1996)


Egresso da cena NWOBHM, o Saxon nunca teve aquela mesma carga lírica tradicionalista de contemporâneos como o Iron Maiden, Judas Priest ou Tygers Of Pan Tang. Apesar da inegável veia heavy, o grupo era dono de uma pegada muito mais chutada, mais rocker. E sempre foi assim, o que impede que a banda seja contextualizada em "fases". O Saxon faz rock'n'roll estradeiro da mesma forma que AC/DC e Motörhead: all time.

Neste showzaço, desfilam todos os pontos altos dos então vinte e poucos anos da banda. Tem Dogs of War, Forever Free, Requiem, Princess of the Night, Light in the Sky, Refugee, Wheels of Steel, a levanta-estádio Crusader... na moral: este disco é um arraso do início ao fim. E não poderia deixar de destacar os vocais e a simpatia do frontman Biff Byford. Ele bota o público pra comer na sua mão e deixa transparecer o quanto a banda - que já esteve no Brasil um punhado de vezes - deve ser arrasadora ao vivo.


THE MIST - THE HANGMAN TREE
(Cogumelo Records/1992)


Esse disco pertence à melhor safra do rock pesado brazuca e é um dos mais representativos daquela época. O ano era 1992 e o frisson causado pelo Rock In Rio 2 fazia coro com uma cena prolífica que incluía bandas como Sepultura, Korzus, Overdose, Sarcófago, Dorsal Atlântica, Witchhammer, Atommica, Holocausto, entre tantas outras - a maioria do cast quase heróico da Cogumelo Records. E, mais importante, sempre com uma alta qualidade, tanto de produça quanto de performance musical.

Formado pelo ex-Chakal Vladimir Korg (vocal), Jairo Guedz (guitarra), Marcello Diaz (baixo/teclados) e Christiano Salles (bateria), o grupo mineiro The Mist estreou em 1989, com o cultuado Phantasmagoria. Nesse disco, a mistura de thrash, doom e gothic com vocais cavernosos (parecia um Lemmy Kilmister morto-vivo), já era bem eficiente, mas chegou quase à perfeição no segundo álbum, The Hangman Tree. Pauladas assustadoras como Scarecrow, Falling Into My Inner Abyss, Broken Toys, Leave Me Alone e Peter Pan Against the World, dividem espaço com momentos mais soturnos e introspectivos, como trechos da faixa de abertura, God of Black and White Images, e a faixa-título (fragmentada em duas partes). E tudo sendo mandado no clima de pesadelo mais tenebroso que se possa imaginar.


VIPER - EVOLUTION
(Eldorado/1992)


Até 1994, achei que essa banda fosse a the next big thing do brazilian metal for export. Um acidente de percurso (mudança para pop rock com letras em português) tirou o Viper dos trilhos. O grupo perdeu o mercado externo e não conseguiu emplacar aqui dentro. Pena. Livre das amarras do heavy tradicional que praticava no começo (quando contava com o André Matos na formação), o Viper optou pelo básico e acertou em cheio. Evolution é um dos álbuns de rock mais divertidos já lançados por um grupo brasileiro.

Power, speed, heavy, melodic, hard, enfim... quase todo o combo metálico comparece nesse disco energético e festeiro. Evolution é disco de festa por excelência. É rock de arena ganchudo e descarado. Tenta ouvir o arregaço Rebel Maniac sem berrar o refrão. Ou a faixa-título, com uma esperta jogada de tempo no andamento. Já a balada hard Dead Light te faz aumentar o som quase que inconscientemente. E as guitarras de The Shelter? Nossa senhora. E Still the Same? Não consigo imaginar um lugar melhor pra ouvir essa música do que numa Harley Davidson à mil por hora na estrada. É uma paulada atrás da outra. Quase no finalzinho você ainda pode torcer o nariz pra baladinha The Spreading Soul, mas duvido que consiga ficar incólume por muito tempo...

Uma única reserva eu faço à versão speed metal para o clássico We Will Rock You, do Queen. Hino lento e pesado, esse tour-de-force da brodagem etílica ficou banal em alta velocidade. Mas é perdoável.


dogg - gripado e enchendo o talo de café!

sexta-feira, 18 de março de 2005

NOSFERATU


De todos os personagens do universo de Star Wars, o que sempre me despertou mais interesse foi o Imperador Palpatine. Tudo bem, Luke Skywalker era legal, Han Solo era mais legal ainda e Darth Vader, dentro da cultura pop, é a representação suprema do Mal. Já o Imperador, também do time dos vilões, transcendia o conceito mais simplista de "Mal". Ele era a própria matéria negra da escuridão, sempre envolto em mistério, se ocultando nas sombras, manipulando todos como marionetes. Eram raras as ocasiões em que ele fazia uso de seus terríveis poderes.

Lembro da primeira vez em que ele deu as caras na série, num holograma. Me prendeu no ato. Nunca poderia imaginar que havia alguém ainda mais poderoso do que o sinistro Vader. Mas depois, pensando melhor... Tomar uma galáxia inteira e governá-la com mão-de-ferro, esmagar o poderio militar de inúmeras raças alienígenas e redesenhar o status quo vigente para atingir seus próprios objetivos, eram tarefas que exigiam muito mais do que mera força bruta. O Imperador é um superestrategista, observador, paciente e oportunista, além de um profundo conhecedor dos meandros da Força como um todo - não apenas de seu Lado Negro. Só assim pra ele ter singrado a saga inteira praticamente incólume. Nem o quase onisciente Conselho Jedi conseguiu rastrear a sua presença negra, mesmo este se encontrando tão perto. Considerando seu longo reinado de terror, pode-se dizer que Palpatine foi um déspota muito bem-sucedido, no fim das contas.

Há muito que se discute sobre as "inspirações" de George Lucas na construção de seus personagens. Até Tolkien, com seu O Senhor dos Anéis, entrou na dança. Isso sem falar em figuras de ordem religiosa, cultural ou mitológica, como Cronos (Vader), os samurais (...) e mesmo Buda (Yoda), entre outras incontáveis referências. Definitivamente, o Imperador não partilha desse mesmo background (bem, talvez Sauron e seu poder de influência espiritual... talvez), provavelmente pela sua natureza quase metafísica - sua figura se confunde com o próprio Lado Negro da Força, como se os dois fossem uma única entidade dentro de um organismo decrépito.

Sua relação com o Lado Negro é simbiótica e a necessidade em criar um lorde de sith é claramente vampiresca. O Imperador pressionando o virtuoso Luke para se entregar ao Lado Negro é a imagem de um senhor das trevas derramando seu próprio sangue para oferecer imortalidade em troca de servidão. Nunca se tratou apenas de "ódio". Ele se utiliza do pecado original, do fruto proibido, da matéria que impulsiona a ambição humana. No fundo, ele é a representação de tudo o que gostamos de pensar que não somos, mas que experimentamos em sonhos sobre poder, grandeza e auto-afirmação. Como se o próprio Palpatine sussurrasse no lado mais obscuro da nossa consciência.

Logo abaixo, essa rápida cena do último e excelente trailer, revela um embate que, na minha opinião, será o ponto alto de toda a saga de Star Wars.








É nesse momento que mestre Yoda confronta o seu extremo oposto. O Imperador é a sua perfeita contraparte negativa, a personificação de tudo o que o velho mestre Jedi expurgou em si próprio e em todos os cavaleiros que treinou. E, pelas breves cenas do trailer, deu pra perceber que ele passará por maus bocados. Não sei se chegará a ser a desconstrução do mito (a figura de Yoda é uma analogia a conceitos como busca pela sabedoria, contemplação filosófica e desapego a bens materiais), mas será bastante curiosa essa inversão de papéis, visto que o futuro da Força (e da galáxia) será negro por uns bons trinta anos - além de render a mais do que esperada pancadaria entre os dois mestres absolutos.

Outra rápida cena que me chamou a atenção foi quando o mestre Mace Windu - e mais três mestres Jedi - chega para deter o então chanceler Palpatine. Finalmente sem a necessidade de se conter, ele saca um sabre de luz e avança furiosamente contra os Jedi, emitindo um guincho demoníaco. Não sei se a versão final manterá esse detalhe, mas no trailer ficou de arrepiar.

O universo de SW é tão instigante e cheio de possibilidades que ficou difícil mantê-lo apenas em sua mídia cinematográfica. A conseqüência disso foi o chamado Universo Expandido: uma avalanche de HQs, livros e games dando continuidade a mitologia original ou mesmo a enriquecendo com detalhes que não constavam nos filmes. Esse é o caso do projeto multimídia Shadows of the Empire, levado à cabo pela própria LucasFilm em 1996. Nele, uma HQ, um livro, um RPG, e um videogame reuniam respostas para velhas questões referentes a série. Como Luke passou de aprendiz relutante a mestre Jedi num espaço tão curto de tempo? O que Vader fez após revelar que era o pai de Luke e deixá-lo escapar? Está tudo respondido em Shadows of the Empire. Já na HQ Império do Mal (Dark Empire, no original), uma antiga suspeita teve "confirmação": o Imperador não morreu quando foi atirado por Vader naquele abismo. Pouco antes da derradeira, ele transportou sua mente para um clone de si próprio, bem mais jovem. Eu sabia! :P

Mas nem tudo que é novo em SW é bom. Uma coisa que tem me incomodado bastante nos últimos tempos foi a inserção de novos elementos nas versões mais recentes da trilogia clássica. Sou ortodoxo nesse ponto. Me tornei fã de Star Wars por mérito único e absoluto da velha trilogia em seu estado original, sem essa recente pasteurização digital. Eu gosto dela como ela era, até com as limitações dos efeitos (aquele speeder de Luke, em SW - Uma Nova Esperança, com aquele "borrão" embaixo - pra apagar as rodas - é tão tosco quanto maravilhoso). Animais de CG em Tatooine? Um Jabba The Hutt todo malemolente, apto até pra dançar forró? Odeio tudo isso. É poluição visual pra mim.

Mas o pior mesmo foi a alteração na famosa cena entre Greedo e Han Solo no bar. Muito se comentou, mas só dia desses que eu fui ver a desgraceira que fizeram. Greedo atira à queima-roupa, erra e só depois o 'anjinho' Han Solo dá cabo no infeliz. De chorar.

Curiosamente, a alteração no holograma do Imperador ficou, de fato, bem mais adequada com a fisionomia decadente do personagem - embora também dispensável. Mas que eu posso fazer? Eu gosto é da tosqueira mesmo.

Antes e depois:




Trailer de SW3:

Resolução "Dobra Espacial da Millennium Falcon" - 320x240 (15,9 Mb)
Resolução "Luke, I'm Your Father" - 480x360 (31,1 Mb)



EXORCISMO À MODA ANTIGA


Quando eu comentei sobre os quadrinhos de The Goon, me pediram nos coments e no e-mail para traduzir e publicar. No momento, estou meio sem tempo (como já deu pra reparar após essa atualização quase semanal), e ainda tenho outros projetos de scan e tradução que já estavam na frente. Mas um dia, quem sabe, chego no The Goon - se alguma editora não lançar antes.

Por enquanto, e com todo esse clima de Constantine no ar, eu traduzi de sopetão essa historinha curta e meiga, que conta como Goon se saiu em seu primeiro exorcismo.

Clique nas imagens.


Nice guys finished last!


REINTEGRADOS À SOCIEDADE


A Toca do Lobo já tinha feito a terra tremer com os posts bélicos do Hulk, mas agora voltou a operar a todo vapor após a aguardada reaparição do Lobo Schmidt, que estava por aí fazendo coisas. E não é só! Excepcionalmente, Luwig-X e o Cag@mba renasceram das cinzas também! Sempre freqüentei esse blog - um dos melhores sobre quadrinhos que já vi - e fiquei realmente puto quando "acabou". Ainda bem que vivemos em um mundo mais Marvel do que DC. :)

E como já me disseram certa vez...


Welcome back motherfuckers!


dogg, descobrindo o trampo solo surpreendentemente bom do Roland Orzabal, no período em que ele estava de mal com as Tias Fofinhas

segunda-feira, 7 de março de 2005

I AM WHAT I AM

...and that's all what i am!


É o Popeye, se fosse criado por Garth Ennis ao invés de Elzie C. Segar. Ambientação nos anos 30 e atmosfera dos primórdios áureos dos quadrinhos (tipo Os Sobrinhos do Capitão, Tintin e o marinheiro citado), mas carregada de escatologia, palavrões, ultraviolência e vileza, típicas de um Vertigo/MAX da vida. Assim é The Goon, cria do desenhista e roteirista Eric Powell. Começei a ler sem maiores expectativas, mas fui fisgado quase que de imediato... É divertidíssimo!

Goon é um aventureiro tough-guy e aparentemente superforte, mas sem maiores explicações (igualzinho ao Popeye em começo de carreira... o espinafre/soro-do-supersoldado foi criado na última hora quando o sailor man começou a fazer sucesso). Junto com Franky, seu manager e parceirão, Goon encara tudo quanto é tipo de missão (acredite... tudo mesmo) e tem uma coleção de inimigos tão variada quanto bizarra: psicopatas, mafiosos, vampiros, lobisomens, robôs, mutantes, monstros sub-aquáticos, ratazanas gigantes, feiticeiros, aberrações genéticas, demônios e principalmente... mortos-vivos em larga escala.




Talvez seja esse oceano de possibilidades que torna as aventuras tão divertidas. Ao mesmo tempo, a mistura - sempre espirituosa - de maniqueísmo (p&b) com mundo-cão (cinzento) é um dos pontos mais peculiares de sua narrativa. Ainda estou lendo a fase indie na Avatar Press, mas pelo que li na coluna de Érico Assis, do Omelete, ele já está em sua 10ª edição pela Dark Horse.

Outra coisa bacana são os 'folhetins educativos' presentes ao longo das HQs. Coisas do tipo "como arrancar o escalpo de um lobisomem" ou "adote um morto-vivo", que eu gentilmente destaquei aí embaixo... clique na imagem.


Eric Powell faz de The Goon um projeto autoral tão bacana quanto Mike Mignola com seu Hellboy ou, no mínimo, Erik Larsen e seu Savage Dragon. E pela trajetória lenta, mas sempre ascendente (o que é essencial), The Goon provavelmente será um hit dentro de alguns anos, com direito a adaptação para os cinemas e tudo. Deus me ouça!


E já que mencionei mortos-vivos... >:)

THE RETURN OF THE TRIOXYN


Você já assistiu isso antes... projeto ultra-secreto envolvendo armas químicas dá errado, e voilá... hordas putrefactas de mortos-vivos esfomeados à caça de cérebros frescos. Essa é a premissa de A Volta dos Mortos-Vivos 4: Necropolis e, caracas, A Volta dos Mortos-Vivos 5: Rave To The Grave. O primeiro filme da série, de 1985, foi uma pérola da nojeira bem-humorada. Já o segundo foi uma paródia acéfala (sem trocadilhos) do primeiro, sendo que este já era uma paródia dos filmes de George A. Romero. No terceiro filme, houve uma reinvenção até interessante, levada a cabo pelo insano Brian Yuzna (de Re-Animator).

Produzidos simultaneamente, o quarto e o quinto episódios ainda não têm data de estréia definida e, pela sinopse divulgada, é uma chupação violenta em cima de Resident Evil: O Hóspede Maldito (!!):

"Julian, Zeke, e seus amigos, são típicos estudantes do colegial curtindo um marasmo teenager-mauricinho, até que um terrível acidente de moto coloca Zeke no hospital, do qual ele desaparece misteriosamente e sem deixar vestígios. Seus amigos investigam seu paradeiro e tudo leva a crer que a famigerada corporação Umbrell... digo, Hybratech está envolvida. A Hybratech conduz perigosos experimentos com o composto Trioxyn-5, um poderoso agente químico capaz de despertar os mortos!"

...e blá-blá-blá...


Claro que isso é só uma desculpa pra que os desmortos sejam vomitados de suas covas apodrecidas e sairem em busca de miolos pulsantes (eu sei que miolos não pulsam, mas essa descrição ficou maneira!). O problema é que depois de pauleiras viscerais como Extermínio e Madrugada dos Mortos, ficou bem difícil pra série conseguir surpreender novamente o público fangore.

E dando uma de Grunge, do Gen¹³... se fosse eu no lugar do diretor Ellory Elkahem (Elka-quem?!), botava pra quebrar nas cenas de sexo (dezenas de playmates nuinhas em pêlo) e na violência escatológica (cérebros, tripas... tripas, cérebros...).

É, ué... às vezes a intensidade fala mais alto, e já que o roteiro é batidão mesmo...

Agora, o que eu não faria mesmo é colocar no filme um arremedo descarado do super-zumbi Nemesis. É, aquele mesmo de Resident Evil...


Mais triste ainda é ver o ótimo Peter Coyote (Lua de Fel) figurando no elenco desse filme pra lá de suspeito...

Bom... seja o que Ed Wood quiser.

A propósito, no site oficial tem um mapa da "genealogia living dead". Bastante elucidativo.


O mestre Romero está lá, devidamente centralizado. Eles tinham de ensinar essas coisas nas escolas!

:P


The next: the new fuckin' top 5!!

EVERGREY - THE INNER CIRCLE
(Hellion/2004)


Esse é bem recorrente aqui no top five, mas nunca comentei a respeito. E o negócio é o seguinte... todo o fã de rock pesado tem de ouvir esse disco. É quase uma obrigação didática. Há muito que as bandas da área tentam alcançar o tal álbum perfeito, tarefa que se tornou uma verdadeira caça ao Graal artístico. Não raro, o que se consegue são resultados assépticos, mecânicos e frios - embora "visualmente" magistrais. A harmonia idealizada entre técnica sobre-humana e energia emocional na música ainda está engatinhando, mas já encontra no Evergrey o seu grande representante. E The Inner Circle consegue atingir um nível ainda maior que seu excelente álbum anterior, Recreation Day (2003).

Thrash, progressivo, pop, soft rock, AOR, heavy tradicional, gothic metal e até gospel (!) comparecem de forma extremamente coesa, tornando a textura sonora do Evergrey um elemento único, superior. Esse disco (conceitual, aliás) só não é indescritível porque dá pra comentar ao menos uma coisa ao seu respeito: fenomenal. É impensável destacar apenas uma faixa, e o diamante In The Wake Of The Weary está aí para download como homenagem à sensacional vocalização soul de Carina Englund. Compre, roube, se vire.


THERAPY? - TROUBLEGUM
(A&M Records/1994)


Outro habitué dos 5+. Mas não tem como. O irlandeses do Therapy? cometeram um disco definitivo, atemporal. Calma... não é nada daqueles clássicos irretocáveis, hiper-complicados e altamente respeitáveis (e chatos!). Troublegum é um dos melhores discos de party rock dos anos 90 - incluindo-se aí uma lista de full-lenghts que vai dos clássicos Time's Up, do Living Colour, e The Real Thing, do Fenemê, ao Blood Sugar Sex Magik, do RHCP.

Troublegum é uma maravilha de sonzeira guitar rock. O trio formado por Andrew Cairns (guitarra e vocais), Michael McKeegan (baixo) e Fyfe Ewing (bateria), tira água de pedra com a antiqüíssima equação baixo-guitarra-bateria, com soluções criativas e efetivas (até hoje), repleta de ganchos perfeitos. E a banda não mede esforços. Rola de tudo: hardcore, thrash, power pop, surf rock, industrial rock, e um clima inequívoco de pop rock oitentão.

O Therapy? já fez discos memoráveis (High Anxiety, Infernal Love e a porrada federal Nurse), mas Troublegum é o que equilibra o melhor de uma banda dona de uma química incendiária. Pauladas como Knives, Screamager, Nowhere, Isolation, Trigger Inside - enfim, o disco inteiro - dão choque na alma e fazem bem ao corpo. Rock good vibration é isso aí.

E detalhe... tem a participação mais do que bem vinda de Page Hamilton, líder do Helmet. São dele os acordes de guitarra em Unbeliever. Cai dentro, meu chapa. Isso é trilha sonora de festa americana organizada por gente grande. Pra ouvir no talo.


CRACK UP - DEAD END RUN
(Moonstorm Records/2000)


Death'n'roll. Esse é um tipo de crossover que sempre viveu mais no conceito do que na prática, de fato. Formações extremas e experimentalistas como o Napalm Death fase Lee Dorrian, o Brujeria, o Agathocles e o genial (e sumido) Pungent Stench já bicaram o estilo, mas nunca o tomaram como estrutura-base - mesmo por quê, a viagem dos caras era outra. Restou à banda alemã Crack Up honrar a camisa e se tornar o maior (senão o único) representante do gênero. E não é que a coisa funciona às mil maravilhas?

Com a explosão típica do death jogando a favor de uma pegada rocker, a banda acaba mostrando o quão inédita e, ao mesmo tempo, simples é essa proposta. "Como é que não pensaram nisso antes?"... é a primeira coisa que vem a mente após ouvir pérolas do naipe de Maximum Speed, Dead Good Motherfucker, Better Dancer, Stallknecht, Evenflow (não é a do Pearl Jam!), Rock The Coffin', a sintomática It's Shit e a faixa-título.

Por vezes, a sonzeira parece pop demais (melodias à Beatles rolando ao fundo [!!], refrães pegajosos, riffs), mas acaba sendo incrível constatar que um estilo totalmente anti-comercial poderia rolar no volume 10 sem estranhar. E de uma forma bem mais íntegra do que um In Flames da vida (um Metallica do death).

O único porém desse disco do Crack Up é que eu tenho certeza que ele soaria ainda melhor se eu estivesse pilotando uma Harley Davidson na hora. Ou melhor ainda... esse V8 cavernoso da capa...


ASTRAL DOORS - OF THE SON AND THE FATHER
(Hellion/2003)


Jesus, Maria e José... Tenho até medo de escrever sobre esse que é um dos melhores discos lançados em 2003. Então, nada melhor (pra minha batata) do que expor meu background rockeiro... Existe - quase que sempre - um "interesse científico" da minha parte a respeito de vários estilos de Música. Mas o que eu mais ouço de forma constante e recorrente é o rock'n'roll old school, não tenho como negar. Thin Lizzy, Foghat, Bad Company, Free, Sabbath, Led Zep, Aero, - estamos chegando - Purple, Dio e... - chegamos - Rainbow. A instituição Ronnie James Dio, ao lado do mestre Ritchie Blackmore, integrou o Rainbow, uma das maiores bandas da História do Rock e referência atemporal - inclusive para dinossauros consagrados como Iron Maiden, Judas Priest e, puta que o pariu, acho que todo mundo da cena heavy atual.

E o quê isso tem a ver com o Astral Doors? A banda sueca é responsável pela atualização dessa vertente tradicional do rock, da melhor maneira que ela poderia soar se fosse concebida hoje pelas formações clássicas do Rainbow, do Deep Purple, do Uriah Heep ou mesmo do Jethro Tull. É heavy rock visceral, orgânico e autêntico, honrando o legado de bandas tão precursoras quanto Cream e o Blue Cheer. Pra quem é straight rocker, o Astral Doors seja talvez o grupo que mais atraia interesse em toda a cena, pois carrega consigo a responsa de um estilo que é um dos mais difíceis de compor e executar - já que o virtuosismo narcisista não tem nenhum apelo aqui.

Desde a abertura, com Cloudbreaker, seguindo com clássicos imediatos como a faixa-título (cuja levada, ao vivo, deve se comparar a Highway To Hell...), a maravilhosa Slay The Dragon, In Prison For Life, The Trojan Horse, Burn Down The Wheel, Rainbow Your Mind e a incrivelmente ganchuda Man On The Rock, esse disco é absurdamente essencial nesses dias tão artificiais e descartáveis. É o feeling e o calor da paixão trazidos novamente para dentro do rock'n'roll. Já não era sem tempo.

"I'm a Man On The Rock... Like Jesus Christ...!!"


...TRAIL OF DEAD - SOURCE TAGS & CODES
(Interscope Records/2002)


Duas verdades... uma - o nome da banda é "And You Will Know Us by the Trail of Dead"... e duas - você precisa conhecê-la. E foda-se o que você miseravelmente caracteriza como estilo, gênero ou abordagem. Foda-se. Foda-se. Foda-se. Não cometa o erro que eu cometi. Essa banda está acima do bem ou do mal, acima de contextualizações. Ela apenas é. ...Trail of Dead, por algum acaso, se utiliza da permissividade outsider rock para dar continuidade a sua cartarse niilista seek and destroy cíclica, a dicotomia auto-impingida, a auto-destruição, ao nirvana. Sources Codes & Tags é mais do que um álbum. É uma experiência, uma bad trip da lisergia movida a feedbacks de acordes saturados. É como tocar o próprio cérebro em um mundo mágico do impossível.

É fatalismo feito onda sonora.

É uma forma de vida.

É perigoso.

...Trail Of Dead transcende tudo isso e esse álbum ainda não é o suficiente.

Sem mais.

Embarque.


dogg... insane in the fuckin' brain