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sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Vivendo o bastante para se tornar o vilão


Qualquer semelhança não foi mera coincidência. Robert Downey Jr. é o maior personagem dele mesmo. Foi exatamente como soou pra mim o anúncio de seu retorno ao MCU como o Dr. Destino sob a direção dos irmãos Russo no vindouro Avengers Doomsday. Notícia, aliás, que estourou bolhas mundo afora com uma virulência tão grande que quase arremessou o então hypado Superman de James Gunn de volta para Krypton.

Que a Marvel sabe causar, isso sabe. Com a internet abarrotada de memes, teorias e especulações (até a Forbes!), nunca o monarca da Latvéria ficou tão evidência e nem foi tão debatido desde a sua criação em 1962. O que é ótimo em certos aspectos, mas a que custo?

A escalação só não me surpreendeu mais do que a ovação da plateia, ao invés de ovadas na direção do Kevin Feige. O Doomney tem altíssimas chances de manchar o trabalho do ator no memorável primeiro run da Marvel Studios, além de comprometer a reestreia em grande estilo de um ícone da cultura pop – já contei que sem Dr. Destino, sem Darth Vader? Isso pra não falar nos outrora incensados Anthony e Joe Russo, despejando todas as suas fichas numa cartada pra lá de arriscada.

Por mim, esqueciam esse nonsense e resgatavam o Julian McMahon do limbo. Com todos os problemas de Quarteto Fantástico e Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado, o australiano certamente não era um deles. Quem não o assistiu em Nip/Tuck, recomendo uma espiadela.

Claro, o objetivo era abalar as estruturas da SDCC com uma reescalação-bomba e provocar aquele impacto que a Disney/Marvel buscam – e precisam – tão desesperadamente. Sem problema. Duvido que o telefone do Michael Fassbender estivesse tão ocupado.

O que não pode é misturar os transistores. Aí vira Amálgama (embora, admito, tenha algum guilty pleasure por essa trasheira). Isso já sabia desde guri. O máximo de interação que o Homem de Ferro e o Dr. Destino deviam se permitir estava impresso em Grandes Heróis Marvel #11 e em sua "continuação", na edição #41.


São duas aventuras divertidíssimas. Leitura altamente recomendável para curar a ressaca pós-anúncio.

Foi criado ali um antagonismo redundante, porém bacana: Victor von Doom tinha em Tony Stark um 2º rival na seara tecnológica, para os períodos em que Reed Richards estivesse, sei lá, na Zona Negativa combatendo o Aniquilador, em alguma incursão pelo Omniverso ou algo parecido. O componente de espionagem industrial/política vinha de bônus e sem a maletice, arram, cu de ferro do marido da Sue.

Se quisessem mesmo reaproveitar bem o Downey Jr., poderiam simplesmente produzir um prequel nos moldes de Viúva Negra. Material bom é o que não falta. O 1º da minha lista seria a sensacional fase de David Michelinie, Bob Layton e John Romita Jr. no título do Latinha.


Thriller de ação/espionagem com os irmãos Russo na direção. Não tem como errar. De nada.

Do jeito que está, fica difícil passar pano para a demolição de um legado. Aí só posso concordar com nosso croata favorito.


The most adequate thing I can post today! I am only sorry I haven't put more pigeons there.

Publicado por Goran Parlov - Art em Domingo, 28 de julho de 2024


Tão cruel quanto pessimista. Fico com o relator-desenhista.

quarta-feira, 14 de junho de 2023

The Amazing John Romita


John Victor Romita Sr.
(1930 - 2023)

Se foi o John Romita. Para qualquer leitor de longa data dos comics dá uma sensação de irrealidade, por mais que ele estivesse low profile nas últimas décadas. Afinal, ele está lá, ao lado de gigantes como John Buscema, Joe Kubert e Steve Ditko. E, da mesma forma, garantiu sua imortalidade há muito tempo.

Romitão era da velha guarda da Marvel - anterior até. Foi ghost artist no embrião Timely e, após, na Atlas. Essa intrínseca relação com a Casa das Ideias, aliás, foi a única patinada da carreira: no breve período em que esteve na DC, de 1958 a 1965, só trabalhou em quadrinhos de romance, então muito populares. Não fosse isso, teria causado algumas revoluções na editora se cravasse o lápis e o nanquim em certas Trindades ou Sociedades...

Em contrapartida, correríamos o risco de nunca ver o seu Homem-Aranha, um dos mais importantes, influentes e bonitos quadrinhos de super-heróis já produzidos. Para mim, é o artista definitivo do Amigão da Vizinhança, seja nas revistas ou nas tiras.

Lembro quando preparei um post sobre os embates do Teioso contra o Hulk e dei uma recapitulada naquelas The Amazing Spider-Man com o seu traço. Acabei devorando mais de um ano de HQs na sequência. O foco tinha ido pro vinagre. Fiquei completamente hipnotizado. Mais uma vez. E não seria a última.


Romitão era demais.

Thank you for everything, John Romita!

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

A Coleção Definitiva do Homem-Aranha: saldo (quase) final


Entre mortos, feridos, formatinhos e uma lombada formando um The Thing

O Hulk e o Homem-Aranha sempre foram meus personagens de cabeceira. Comecei com eles e, suspeito, é com eles que vou terminar. Enquanto o catálogo BR do Verdão anda numa fase interessante, com a bem-sucedida Coleção Histórica Marvel e o revisionismo bacanudo de O Imortal Hulk, o Teioso já amarga alguns anos com uma atribulada grade de programações. Especialmente para os leitores que nunca saíram da velha escola, como este que vos rabisca.

Recentemente, a Edição Definitiva Vol. 1 reacendeu a velha faísca, mesmo prejudicada pelas polêmicas da 1ª tiragem mal editada. Tudo corrigido, resolvi apostar, sem garantia de continuidade e muito menos de ace$$ibilidade. Seja o que Tio Ben quiser.

O fato é que, há uns meses, tive uma epifania: preciso fazer uma coleção do Homem-Aranha antes de morrer. Ou morrer tentando. E quem me deu o primeiro estalo neste sentido foi a já descarrilhada A Coleção Definitiva do Homem-Aranha, da Salvat. Sem brincadeira.

Claro que essa coleção "definitiva" é dolorosamente irregular e nem em sonho (ou pesadelo) eu pegaria inteira. E ainda passei um punhado das edições legais: A Saga da Plaqueta Ancestral (vol. 30) tenho completa nas CHM's Homem-Aranha vols. 3 e 7, Homens sem Medo (vol. 39) tenho a aventura principal em Super-Heróis Premium Homem-Aranha #15, A Morte de Jean DeWolff (vol. 8) - nossa resenha da saga já completou 14 aninhos - junto com A Última Caçada de Kraven (vol. 35) tenho até em versão 4D com esguicho de água no rosto e cadeira sacudindo. Já o Gatuno Hobie Brown na capa de O Rapto de Mary Jane (vol. 24) apela aos meus sentimentos mais vermísticos, porém tenho problemas psicológicos com o traço do Todd McFarlane.

Em contrapartida, pude botar minhas patas em pérolas como Nada Pode Deter o Fanático! (vol. 26), A Saga Original do Clone (vol. 3, uma leve atualizada na coleção), o freakshow de A Marca do Tarântula (vol. 34), A Morte da Tia May (vol. 21 - ah, a arte do Keith Pollard!), a divertida A Vingança de Venom (vol. 40) e o icônico "erro estratégico" O Casamento (vol. 14). Tudo finalmente em formato americano, na íntegra e com papel gostoso.

Uma pequena-mas-charmosinha seleção. Contudo... ainda faltava um, Caça ao Aranha (vol. 22, mas o último lançado pela editora, vai entender). Então, por que comprá-lo, por que não comprá-lo, por que comprá-lo, por que não comprá-lo...

Revisitando meus formatinhos da Abril, lembrei que o arco Temporada de Caça traz uma narrativa decente para o bom e velho Spidey. E ainda aquele encontrão com o Tarântula Negra...



O Tarântula Negra - o argentino Carlos LaMuerto - é o Slade Wilson do Cabeça de Teia. Ou era pra ser. Sem mais.

Comprei-o-o.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Typhoid Ann

Ann Nocenti, minha heroína particular e reserva moral da Superaventuras Marvel, deu uma entrevista bacanuda para o podcast Women of Marvel.


O episódio completo pode ser conferido abaixo...


...ou aqui, para fazer um agrado às garotas com um buquê de page hits.

Jornalista, roteirista e ex-editora na Marvel, Nocenti sempre rendeu ótimas entrevistas. Ela não é de fazer média: normalmente solta o verbo até o limite possível antes de incomodar (muito) alguém, mas sempre com franqueza e bom humor adoráveis. E, mais importante: zero frescurite. Talvez seja herança da época pré-redes sociais, quando as pessoas conversavam olhando nos olhos e não se ofendiam tão fácil.

Sendo assim, salta aos ouvidos como as podcasters Sana Amanat e Judy Stephens desperdiçam o Fator Nocenti para um bom papo de boteco. Apesar da eventual quadrinhista se mostrar articulada e generosa, a condução é respeitosa e bem chapa branca. E termina dez minutos antes do tempo regulamentar. Sintomático.

Ainda assim, Nocenti fala bastante sobre sua juventude lendo velhas antologias do Pogo (o Bone original) e do Dick Tracy - cujos inimigos caricatos e disformes lhe criou um fascínio por vilões e monstros ainda criança - e sobre a dinâmica interna da Marvel com alguns causos de bastidores da era Jim Shooter - o ponto onde a entrevista poderia ter virado puro rock & roll, não fossem as comportadas apresentadoras/funcionárias da editora.

Outros pontos interessantes: a importância de Louise Simonson e da grande Marie Severin em sua carreira, a perícia de Archie Goodwin em mecânicas de plots, a ocasião em que Mark Gruenwald a pediu para matar a Mulher-Aranha logo num de seus primeiros trabalhos, como é a transição de editor-assistente para mentor ("e então você se demite"), suas crias (Longshot, Mojo, Espiral, Coração Negro), a influência de Chris Claremont na composição de personagens femininas fortes e os conselhos de Dennis O'Neil - também um jornalista - sobre como inserir questões políticas e sociais em gibis de super-herói.

Um dos trechos em que fica evidente a diferença entre as cascas-grossas gerações 1970-1980 e a superprotegida geração pós-milênio, é quando ela comenta sobre a "experiência de campo" necessária para contar uma boa história - coisa a própria Ann conhece bem. Curiosa também era a estratégia quase suicida do processo criativo. Com deadlines absurdas e trabalhando literalmente madrugadas adentro, "trazíamos muitas ideias malucas porque achávamos que elas iriam acabar numa lata de lixo".

A melhor parte, pra mim, é sobre os primórdios da relação com John Romita Jr. e a escalação da dupla, por intermédio de Ralph Macchio, para assumir o Demolidor pós-Miller/Mazzucchelli. Uma senhora responsabilidade. E, claro, o trecho onde que ela fala sobre uma de suas maiores personagens: Mary Tyfoid.

Segundo ela, a vilã tem uma dualidade e contradição equivalentes às do próprio Matt Murdock/Demolidor, que, por sua vez, ainda tem uma queda por garotas malvadas. Tal qual o Destemido, Mary lida o tempo todo com um reflexo distorcido dela própria. E Nocenti não se furtava em ir fundo na ferida. Isso bate com a impressão que sempre tive da personagem, cuja complexidade ia muito além do perfil crazy bimbo de uma Arlequina, por exemplo.

Perturbação de identidade dissociativa num contexto pop com super-heróis e supervilões? Você já via (lia) muito antes de Shyamalan e a trilogia Corpo Fechado.

Num dos meus trechos favoritos, Nocenti reflete sobre a evolução de Tyfoid, ficando mais e mais sombria até virar uma matadora de homens. Ou, nas palavras dela, "alguém que poderia invadir um abrigo para mulheres e checar nos arquivos o que cada homem fez com cada mulher e então ir atrás deles para retribuir cada ferimento".

Uma excelente ideia.


Lógico que a Mary Tyfoid é uma das minhas vilãs do coração. E a primeira a conquistar um lugarzinho na (disputada) estante...

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

O Tao do tal Chen Hsu

Fodam-se resoluções de início de ano. Não projete a mudança, seja a mudança, é o que digo. Mas claro que às vezes o copo transborda - ainda mais depois de um ano pavoroso como 2018. Alguma atitude se faz necessária. Novas perspectivas, talvez.

Pessoalmente, me cai como uma luva um trecho que adoro de uma história publicada em O Incrível Hulk #130 (abril/1994), parte indireta da saga Guerra das Armaduras II. Um corrompido Mandarim é recuperado após um esgotamento físico, mental e existencial. Alguma identificação com pelo menos 104 milhões de almas por aí?

Com a palavra, o velho Chen Hsu:


Após uma epifania matinal, entre uma bela e perfeita ressaca e uma caneca de café fumegante, removi todos os meus novelos/filamentos/teias acumulados perigosamente nos últimos tempos. Eles com certeza já cumpriram seu propósito no meu pequeno universo.

Vamos apenas ver no que vai dar. Nada de pré-concepções. Olhar mais para os lados, ao invés de invariavelmente para frente ou para trás. Aproveitar o dia. Fazer o melhor possível. Ajudar sempre. Sou estóico por natureza, será brincadeira de criança.

Vai ser uma boa vida.

Sorrio.

domingo, 24 de dezembro de 2017

Bebendo com Nocenti


"Bebendo com o Demônio" é, de certo, um conto de Natal que passaria ao longe do know-how criativo do bom e velho titio Stan.

Publicada originalmente em Daredevil #266, num imperdoável maio de 1989, a história ganhou um melhor timing na edição nacional, em Superaventuras Marvel #115, da Abril. Era janeiro de 1992 e a ressaca natalina ainda batia forte. Assinada pela clássica dupla Ann Nocenti-John Romita Jr., "Bebendo com o Demônio" é uma desconstrução daquele clima de paz, amor e solidariedade despejado todo fim de ano em pacotes superficiais e efêmeros.

Com sua vida pessoal em frangalhos e recém-saído de um dos piores momentos - e surras - de sua trajetória de vigilante, o Demolidor estava sem rumo e imerso numa bad trip infernal naquele 24 de dezembro.

A premissa era minimalista: o defensor da Cozinha do Inferno atravessando a noite da maior festa cristã num pub em companhia dos figurantes, dos desajustados, dos caras pequenos, dos outsiders. De todos aqueles amigos da Geni.

Personagens mundanos como uma elegante senhora numa eterna espera romântica, um marido abusivo, um reacionário de meia-idade, dois irmãos que escondem profundas cicatrizes familiares. Todos, por um breve momento, sentindo o gostinho do protagonismo. Que pode ser bem amargo.

“Alguém mordeu a maçã! Ela apodreceu naquele dia!”

Aquele microcosmo impregnado de frustrações, mágoas, angústias e pequenas tragédias humanas foi praticamente um tapete estendido para os leões que rugem na escuridão. Um cenário sob medida para mais uma incursão do diabo-in-chief da Marvel. Na época, Matt Murdock andava às voltas com o insidioso Mefisto por conta do evento Inferno. Àquela altura, a megassaga já havia acabado, mas o rei das trevas não esqueceu.

Disposto a tudo para corrompê-lo psicológica e moralmente, Matt era o 2º grande troféu almejado por Mefisto (sendo o 1º Norrin Radd, o virtuoso Surfista Prateado). Até mesmo a forma assumida pela criatura foi uma pista do que Mefisto era capaz para alcançar seu objetivo - além de servir como alusão a um dos maiores pecados de Matt. Mesmo com a tensão subindo e ruindo tudo e todos ao redor, o vigilante seguia paralisado, inerte com a culpa católica vazando pelos poros.

Nocenti estava implacável com o Demônio.

“Eles se matarão continuamente... sem parar! Morderão as maçãs!
Irmão matará irmão! Continuamente... sem parar!”

É uma leitura marcante, no mínimo. Uma das minhas prediletas.

Sempre me pareceu que uma narrativa com aquele grau de intensidade só podia ser escrita por quem viveu aquilo tudo. Ao menos a versão realística de uma solitária noite de Natal rodeado de estranhos, mas em companhia apenas de seus fantasmas (ou demônios) particulares.

E foi realmente o que aconteceu.


Em 2014, Ann Nocenti contou ao site 13th Dimension como "Bebendo como o Demônio" foi inspirado em fatos reais - e bastante pessoais. Nas entrelinhas, um depoimento de como momentos potencialmente ruins podem se revelar experiências positivas, até mesmo rendendo bons frutos no futuro.

Não precisava disso pra ser uma releitura obrigatória de Natal. Mas que foi a assinatura que concluiu a obra, 25 anos depois, isso foi...


“Pra mim o mundo não tem mais jeito! A maçã está podre! 
Não tem mais volta!”

Feliz Natal e um ótimo 2018.

domingo, 30 de julho de 2017

(Colecionadores) Amotinados, uni-vos!

Dos confins dos traiçoeiros territórios dos mercenários livres ressoam choros e soluços copiosos...


A vida do encadernad(ã)o Os Novos Vingadores: Motim! nas livrarias não foi longa, mas foi bastante próspera. Na época, não creio que a editora Panini antecipava o tamanho da procura que a edição teria e lançou uma tiragem bem aquém da demanda. Jogada por mim no balaio do "a adquirir quando sobrar algum $$$", vi Motim! se amotinar contra meus planos ao evaporar sistematicamente de todas as cadeias (de livrarias) físicas e virtuais. Quando menos percebi, a edição já estava sendo vendida a peso de ouro em vários sites de venda informal - e não só o Mercado Livre.

Foi nessa época que desenvolvi uma teoria conspiratória de boteco sobre uma raça reptiliana disfarçada que adquiria grandes lotes de títulos recém-lançados para revendê-los por aí a preços pornográficos. Caso tenha interesse, os direitos de filmagem ainda estão disponíveis para venda.

Lançado pela Panini originalmente em fevereiro de 2012, o compilado tem 380 páginas reunindo as edições de 1 a 15 de New Avengers. Bom, após tantas análises elogiosas é até redundante dizer que curto bastante essa fase específica dos Vingadores (mesmo 13 anos depois de escrever a bagaça #1) e por isso mesmo tinha um grande interesse nesse relançamento.

Calhou do destino me recompensar pelo exercício espartano de paciência. Com o preço de capa a 79 dólares brasileiros, peguei a edição por 50 mangos na promocha da Fnac (que ultimamente anda despirocando grandemente nos descontos, fique de olho). E o mais legal de tudo foi rolar de rir dos mercenários tristes com suas edições encalhadas ad eternum. Para alguns a ficha ainda não caiu - e duvido muito que caia um dia.

Chamo isso de síndrome d'O Evangelho Segundo Lobo pós-traumática.


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E com Demolidor - O Homem sem Medo finalmente retornando à ponta da agulha - outra por muitos anos sendo chamada de "raridade" pelos escalpadores sem a menor propriedade - vou me dar ao luxo de uma pequena atualização.

Há alguns anos, um mix explosivo de falta de espaço e armazenamento improvisado rapidamente evoluiu para várias montanhas de edições com capa dura e papel couché empilhadas, resultando num quase-worst case scenario: as páginas de muitas edições ficaram irreversivelmente coladas.

Aliás, coladas não... fundidas mesmo. Algo químico envolvendo a tinta da impressão e a estrutura do caro e ultrassensível papel deluxe. Apesar do processo ser gradual (começa com as páginas grudando suavemente), não vi nada até ser tarde demais. O miolo de alguns encadernados virou uma coisa só, um paralelepípedo com capa dura.

Esse evento ficou conhecido como o Grande Desastre de 2014. Prejuízo de 5,2 quaquilhões em valores atualizados.

Mas até que tive sorte, por isso o quase-wcs. Todos os Sandman e os Preacher saíram dali intactos. Os que tiveram perda total já foram quase todos substituídos. Me falta ainda o vol. 1 da excelente e injustamente ignorada Criminal da Panini (espero uma nova tentativa da editora ou importo...?).

E Homem sem Medo que, apesar do miolo íntegro, ficou curiosamente danificado nas páginas de créditos iniciais e finais.


Sou um novo homem depois dessa experiência. Posso até dizer que me tornei um amigão da vizinhança.

Com grandes desastres...

sábado, 15 de julho de 2017

Saga do Urso Místico, sua linda


Os Novos Mutantes - Entre a Luz e a Escuridão, de Chris Claremont & Bill Sienkiewicz. Esse encadernado é parte de um sonho tão antigo que só poderia ser datado via carbono-14.

Ok, ok... esse sonho vem desde 1989, quando peguei numa banquinha O Incrível Hulk #72, formatinho da Abril em que os mancebos mutunas estreavam seu novo desenhista em muito boa companhia: o Verdão em plena fase John Byrne e um divertido Roger Stern escrevendo seus Vingadores da Costa Oeste - que considero o molde utilizado pela dupla Giffen-Dematteis em sua posterior "Liga tosca". Pois bem, meu bem.

Já na 1ª folheada fiquei assombrado com a pegada vanguardista de Sienkiewicz, mesmo nas dimensões pra lá de compactas do gibizinho. Já conhecia seu estilo peculiar pelo Cavaleiro da Lua fase Moench na revistinha do Capitão América, mas pesava lá a forte influência de Neal Adams e da estética de violência urbana do início dos anos 1980. A diferença daquele momentum criativo para o state d'art atingido em Novos Mutantes chega a ser objeto de estudo.

Em que pesem termos como "atmosfera de pesadelo" e "tensão psicológica" surgindo na mente sem aviso, a fluência gráfica de Sienkiewicz vai muito além disso. Há tantas informações por quadrinho, passagens entre-quadros e splash-pages quanto possível antes da coisa degringolar pro surrealismo.



De quebra, um posfácio muy espirituoso de 5 & 20, mais esboços e estudos de personagens nos extras. Menção honrosa para os bons esforços do líbero Bob McLeod na edição Anual, lá pela meiota do livro, pra dar uma quebra.

E Chris Claremont. O homem era uma força da natureza - isso não é necessariamente um elogio. Na década de 80 ele estava em todo lugar, inevitável. Talvez seja o escritor que melhor se adequou aos ditames da indústria e quid pro quo. Com todos os vícios e virtudes, ignorando categoricamente qualquer tentação autoral, virou um zeitgeist perneta dos quadrinhos mainstream daquela era.

Sua passagem pelo roteiro da jovem equipe não foi diferente. Nesse compilado de nove edições, Claremont brilha tanto quanto apronta: meu absurdo favorito acontece justo na edição da capa, New Mutants #21, quando Illyana, durante um pega com o alien biomecânico Warlock, ressurge inexplicavelmente num traje espacial segurando alguma metranca futurista - uma "looonga história" revelada apenas na edição #63, quatro anos mais tarde.

Toda essa quizumba e uma análise minuciosa do run de Claremont-Sienkiewicz você encontra no belíssimo artigo de Greg Burgas para o CBR.

Pelas minhas contas, em cinco anos, 3/4 daquele sonho foram realizados. Nada mal. Falta então apenas mais um...

...que, por acaso, segue como uma das maiores injustiças do mercado editorial brasileiro de HQs.


Vamos lá, Panini. Você consegue. Nos faça acreditar mais uma vez.

terça-feira, 25 de março de 2014

Bateye

Então... estava eu tranquilo e infalível como Bruce Lee, só aguardando a derradeira edição de Vertigo...


* * * um minuto de silêncio agora... ela merece * * *


...e assim eu poderia finalmente alcançar o tão sonhado Graal de zero compras de mensais e entrar de vez no clubinho exclusivo dos encadernados e alguns eventuais encalhernados. Enfim, era um rito de passagem vital e necessário para eu me tornar uma pessoa melhor.

Mas a Panini tinha outros planos e resolveu colocar o ótimo Gavião Arqueiro de Matt Fraction num mix com o Cap.

O que ficou?


Mais uma rodada de sofrimento auto-impingido com uma providencial ajuda dos capos da av. São Gualter, São Paulo.

Tudo bem, o mix desce legal. E tem a ver. Devoro o gibi antes mesmo de botar os 6,50 mantegas na mão da mocinha da banca. O problema é o acabamento.

Estou aqui com a recém-adquirida edição número 005 (por Dormammu, até qual numeração eles pretendem chegar com isso?), de fevereiro de 2014... no final de março. A edição 006 já consta no checklist desse mês quasi-moribundo, mas nem vi sinal da dita cuja. A distribuição das quatro edições anteriores foram tão erráticas quanto. Já vi duas edições irem pras bancas no mesmo dia e nem constarem no site da editora.

O que me leva ao segundo ponto: Gavião do Fraction mixado com o Cap do Rick Remender e uns Vingadores Secretos de bônus secreto vá muito lá. Mas sério que nenhuma das sensacionais capas do David Aja mereceu um lugar no pódio?


Pô, Panini. Se não melhores que as do Quesada e a do outrora fabuloso Romitinha, certamente muito superiores àquela do Simone Bianchi na edição 004...

sexta-feira, 23 de maio de 2008

A GUERRA DE MARK III-A / MODELO XIV


Quando as coisas vão mal, nada melhor que uma guerra. Ou duas. Até nisso a trajetória do Homem de Ferro avança em paralelo com o sistema tecnocrata que defende (já concluindo aqui o rompante Jabor'esco). E no caso do Latinha, as coisas estavam indo realmente mal. Após A Guerra das Armaduras, a clássica dupla formada por David Michelinie (argumento) e Bob Layton (desenhos e arte-final) permaneceu no título por algumas poucas edições. A saideira de Michelinie foi na divertida Iron Man #250 (lançada em GHM #41) e Layton apenas roteirizou esporadicamente. Com o rodízio de profissionais duvidosos que se seguiu - gente do calibre de Fabian Nicieza, Dwayne McDuffie e o terrível Herb Trimpe - praticamente todos os ganchos em andamento foram descontinuados em edições pra lá de capengas.

Foi neste clima que estreou a aguardada Guerra das Armaduras II, seqüência notável pela colaboração entre John Byrne e John Romita Jr. Mas antes de reingressar ao campo de batalha, o Vingador Dourado enfrentou algumas turbulências. Na derradeira fase escrita por Michelinie, Tony Stark fez uma série de "acordos" com o governo para escapar dos processos provenientes dos estragos causados na primeira guerra das armaduras. Depois, se aliou a um de seus piores inimigos com resultados desastrosos e, em seguida, foi baleado por uma ex-amante enciumada. Ficou paraplégico nessa (em um cliffhanger digno da novela das oito!), mas se recuperou com o implante de um microchip que substituía as terminações nervosas afetadas. Por fim, um quase-alento: a trégua com o Cap - embora constatando que a velha amizade havia acabado e as coisas nunca mais seriam as mesmas.

Já sem a batuta de Michelinie, o herói ainda teve de assistir sua nova e poderosa armadura sendo destruída por um subvilão de quinta. O que deu lugar à série Mark III-A e ao modelo XIV, o primeiro com o prático "display de interface por neurosistema", permitindo a Stark o acesso remoto às armaduras através de ondas cerebrais, mesmo a grandes distâncias. Uma espécie de embrião do conceito do Extremis.


Originalmente, a solicitação de Guerra das Armaduras II contava com Bob Layton no roteiro e Romita Jr. nos desenhos, mas a parceria durou apenas 1 edição (a sensacional Iron Man #256, publicada no Brasil estranhamente em Wolverine #21, ao invés da Incrível Hulk habitual). Num lance mal-explicado, Layton pulou fora para a Valiant Comics, sendo substituído por John Byrne em cima da hora. Sendo assim, o início oficial da continuação se deu em Iron Man #258 e durou até IM #266 (aqui, Incrível Hulk #127-136).

O arco começa com Stark e Rhodey testando as novas instalações de treinamento - um tipo de Sala de Perigo versão Latinha - e o desempenho de sua mais recente armadura. A seqüência inicial é eletrizante, com Stark controlando duas armaduras ao mesmo tempo contra um droid monstruoso e o traço do Romitinha em sua pegada mais hardcore. Após o "exercício", Stark sente algumas dores estranhas, logo preteridas por um incidente na usina nuclear da Stark Enterprises.

Chegando lá, o Homem de Ferro tenta conter um vazamento radioativo e enfrenta ninguém ninguém menos que o Homem de Titânio (morto durante Guerra das Armaduras). Incrédulo, o Latinha dribla o "fantasma" e consegue impedir a tragédia nuclear deslocando o reator inteiro para o fundo do oceano. O Greenpeace não aprovaria, mas...

Depois do sufoco, Stark tenta descansar e sofre um baita lapso de tempo, acordando após 3 dias, em outro estado (!), num quarto de hotel com uma ilustre e deliciosa desconhecida. Por sinal, este é um dos três subplots constantes em GdA II. Os outros dois respondem pela melhor personificação do vilão Laser Vivo e pelo retorno/releitura do adversário mais clássico do Homem de Ferro: o Mandarim.


O estado clínico de Stark se agrava, passando para perda total de coordenação motora e movimentação involuntária. Com isto tudo, o playboy (no bom sentido!) ainda tem de enfrentar a fúria do sindicato dos funcionários da Stark Enterprises, que estão em greve e ameaçam invadir a sede da empresa - revolta fomentada por um ex-empregado sindicalizado e baderneiro de carteirinha (qualquer semelhança com o atual MST é uma triste coincidência). O clímax é algo insólito, com o herói contendo uma multidão de grevistas, ao melhor estilo batalhão-de-choque-de-um-homem-só. Faltou só rolar "Street Fighting Man"... ou "Street Fighting 'Iron' Man".

Após vários exames em uma sala isolada, Stark descobre que estava sendo manipulado através do microchip que lhe possibilitou andar novamente. O microchip foi criado por uma subsidiária "laranja" da Corporação Marrs, dos irmãos Desmond e Phoebe Marrs, notórios desafetos do herói. A conspiração estava sendo dirigida pelo obcecado Kearson DeWitt, que buscava vingança por achar que Stark roubou o projeto do Homem de Ferro de seu pai, um brilhante engenheiro que morreu na miséria.

Vilão tridimensional, ponderado e, diria até, bem passível de uma adaptação cinematográfica.


No geral, a saga mantém uma narrativa acelerada, dinâmica, sem muitas pausas entre um gancho e outro. Mesmo com três plots intensos se desenvolvendo ao mesmo tempo, a unidade do arco é invejável. A reinvenção do Mandarim é simplesmente genial. Com uma roupagem bastante influenciada pelo nosferatu chinês Lo Pan (preciso informar o filme?), ele ainda ganhou a companhia de um ótimo personagem, o enigmático Chen Hsu. É de longe a versão mais interessante e poderosa do velhusco vilão, agora com bala na agulha até pra colocar o infame Fin Fang Foom como seu cão de guarda.

Curiosamente, toda essa linha narrativa transcorre independente das demais. O Mandarim e suas ações nunca chegam a interagir com o Latinha, servindo apenas como intro para a saga posterior - concluída em Iron Man #272 (GHM #48), já sem o nanquim abençoado de Romita Jr. Contudo, acabou rendendo uma edição espetacular (Iron Man #261/Incrível Hulk #130), onde cada página é dividida em duas situações distintas ocorrendo ao mesmo tempo. Uma grande sacada de Byrne, inquestionavelmente em seu auge como roteirista - detalhe que, sem dúvida, faz transparecer o espírito por trás do arco.

Guerra das Armaduras II vence pelos talentos individuais. Não tem qualquer ligação com a primeira aventura e acaba sendo comparativamente inferior - apesar da arte fabulosa e dos vários pontos altos do argumento. Se não fosse pelo final, com uma pancadaria titânica entre dois Homens de Ferro e o calculista DeWitt devidamente 'tunado', nem o nome da saga faria sentido. Fica óbvio que foi apenas uma estratégia comercial, visto que a idéia de uma seqüência tinha boa aceitação por parte dos leitores e o título (um dos mais longevos da Marvel) afundava numa crise interminável após saída de Michelinie.

Em seu site oficial, John Byrne chega a comentar a situação Defcon-1 a qual foi submetido pelo então editor da revista, Howard Mackie. Foi o seu melhor dentro de uma deadline absurda. Se isto for levado em consideração, o resultado final passa de ótimo para impressionante. E imperdível, note bem, pela química rara entre Romitinha e Byrne. Para admiradores da composição estética e narrativa da arte seqüencial, é um show de emocionar até o Scott McCloud. Resumindo, ficaria lindo num encadernado em cima da estante.

Há rumores de que a idéia original de Bob Layton para Guerra das Armaduras II - com Romita Jr. no traço - era fora-de-série. Tendo em vista a qualidade da edição única em que os dois trabalharam juntos (a já citada Iron Man #256), só posso imaginar o melhor. Mas isso é algo que jamais saberemos.


Na trilha: Sucking The 70's na agulha do winamp, fazendo a festa stoner aqui.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

A GUERRA DE PAK


Tudo começou em Incredible Hulk #100. Ou melhor... recomeçou. Entre os extras que compõem tradicionalmente as centésimas edições (no caso, a origem do Hulk e o arco clássico onde ele é julgado e termina esmagando meio mundo), uma breve história chamada Planet Cho foi o estopim para o mais novo apocalipse da Marvel.

Ao contrário do que me pareceu à primeira vista, não se trata de uma homenagem ao conjunto da obra de Frank Cho (bem que ele merecia), mas um olhar mais profundo sobre o garoto Amadeus Cho. Dezesseis anos e um super-gênio, Cho é considerado a sétima pessoa mais inteligente do planeta, com capacidade para processar de dados que faria um Cray parecer um cartão perfurado. Também é o vencedor do Mastermind Excello, um contest frita-miolos da internet (favor não confundir com o Mastermind Excello Earl Everett, da Mystic Comics #2, de abril de 1940!). Cerca de uma hora após a vitória no concurso, explodiram a casa do rapaz com todo mundo dentro. Desde então, a toda-poderosa SHIELD tem investigado seu paradeiro, visto que uma operação não-autorizada que estava em seu encalço veio à tona.

Após a confirmação de que Cho ainda estava vivo, a mega-agência reclassificou sua habilidade única de raciocínio e resolveu enquadrá-lo na famigerada Lei de Registro dos Super-Humanos. O que eles não sabiam é que as ambições de Amadeus Cho iam muito além de viver na ilegalidade.

Recapitulando, Hulk, o Incrível, foi a júri novamente em The New Avengers: Illuminati #1, publicada em maio do ano passado. Longe de ser um júri popular, o Gigante Esmeralda foi condenado ao exílio pelo Illuminati - espécie de Comissão de Ética da Marvel, formada na surdina por Doutor Estranho, Namor, Professor Xavier, Raio Negro, Homem de Ferro e Reed Richards. Destes, apenas Doc Strange e o Príncipe Submarino podem ser considerados amigos do Hulk, chegando a combater nas mesmas fileiras durante os áureos tempos dos Defensores. Numa sessão turbulenta e sem a presença de Xavier, o Illuminati decide pela deportação do Golias Verde para um planeta distante. O único voto contra é de Namor. Com ajudinha de sua habitual impetuosidade e individualismo, ele enxergou ali uma decisão prepotente e unilateral de um clubinho fechado.

De fato, eles acabam banindo o Hulk mesmo, numa jogada absolutamente desonesta, dando origem à saga Planet Hulk.

Tempos depois, o Illuminati voltaria a se reunir para um derradeiro encontro. Um Homem de Ferro lobista coloca em pauta o rascunho da Lei de Registro de Super-Humanos, fator determinante na dissolução do grupo. Doutor Estranho e, novamente, Namor prontamente renegam o projeto imposto pelo governo. Do lado da Lei e do Latinha, estão Reed Richards, Raio Negro e, posteriormente, um Xavier estrategicamente tucano. É o embrião da Guerra Civil.

Mas voltando ao Cho...





Amadeus Cho...


O rapaz-prodígio© assombra geral ao dar seguidos olés em missões especiais da SHIELD, mas barbariza mesmo quando hackeia os sistemas do Edifício Baxter, o cafofo ultra-high-tech do Quarteto Fantástico. Diante de um surpreso Reed Richards, ele revela conhecer detalhadamente o esquema do exílio imposto ao Hulk. Após uma hilária disputa geek com Reed, Cho assume o controle de um satélite e mostra que o Gigante Esmeralda jamais chegou ao destino programado. A seqüência segue com Amadeus e Reed colocando na balança os prejuízos e os feitos heróicos já praticados pelo Hulk, num flashback que impressiona pelo alcance retroativo (lembraram de Jericho e da montanha em Guerras Secretas). Sem entregar o jogo, o garoto afirma que não medirá esforços para trazê-lo de volta - ameaça bastante considerada por Reed, tendo em vista o intelecto excepcional de Amadeus e o paradeiro desconhecido do Golias Verde.

A história termina com Reed se encontrando com o Homem de Ferro. Juntos, avaliam a situação como sendo catastrófica: a possibilidade do Hulk retornar é muito real, pois ele ainda tem amigos aqui.

Apesar de breve, foi uma excelente intro de Greg Pak para World War Hulk. Suspense na medida, humor nervoso e uma atmosfera bem diferente de seu trampo em Planet Hulk. Discreto, Pak não tem o approach bombástico de um Mark Millar ou a complexidade (muitas vezes, desmedida) de um Warren Ellis ou de um Grant Morrison. Pak é um miniaturista. Seu diferencial está nos detalhes. Planet Hulk é o exemplo perfeito. Como quem não queria nada, ele gradualmente desconstruiu o perfil do herói, reestruturou suas motivações e a profundidade de suas atitudes. No final, soa quase como um novo personagem. E bem mais instigante do que antes.

Ajuda também o fato de Pak evitar idéias... não muito "produtivas" (vide Straczynski) e manter um impressionante índice de acertos no que tange às inovações. Isto pra não citar o número de plots importantes que ele está administrando no momento e mais importante, com qualidade. É como se fosse um Brian Michael Bendis sem a existência do Homem-Aranha Ultimate. Com certeza, Greg Pak é o nome do momento na Casa das Idéias.

Os desenhos são do excelente Gary Frank. É um imenso prazer ver como seu estilo Jim-Lee-with-brains funciona no universo do Hulk.

Em Incredible Hulk #106 e World War Hulk Prologue: World Breaker esta linha narrativa é retomada. O check-list 'zilla divulgado pela editora é equivalente ao impacto causado naquele cenário pós-Guerra Civil. Nem imagino como a Panini Comics vai organizar a "Guerra Hulkial" por aqui sem apelar para a velha tesourada.


Incredible Hulk #106


IH #106 começa com Jennifer Walters, a Mulher-Hulk, sendo chutada pra fora de um helicarrier da SHIELD. Jen foi uma das primeiras a abraçar a causa da Lei de Registro patrocinada pelo Homem de Ferro, cujos ideais ela seguia fielmente - até ele revelar o destino que reservou ao seu primo mais famoso. A reação da gamma-girl, obviamente, foi esmagadora. Prevenido, Stark injeta um de seus nanobots inibidores de poderes. Assim, após muito tempo medindo dois metros, Jen volta a ser 100% humana, frágil e baixinha. E vai pro olho pra rua.

E quem está lá, esperando na esquina?

Ao que parece, Cho também derrubou os firewalls da SHIELD, pois sabe tudo o que acabou de acontecer. E Reed Richards, na cola do moleque, sabe que ele sabe - pretexto fácil para trocadilhos infames ("Ele sabe que eu sei o que ele está fazendo... provavelmente até sabe que eu quero que ele saiba que eu sei..."). Cho tenta convencer Jen a unir forças com ele para trazer o Hulk de volta. Ironicamente, ela, mesmo com todos os motivos para aceitar, parece ser a única voz sensata entre os dois extremos. Jen sabe muito bem que se o Gigante Verde voltar, poderá custar a vida de muitos. E sofre por causa disso. Logo em seguida, o cabeludo Doutor Samson é enviado para interceptar os dois.

Como um mestre enxadrista, Cho antecipa tudo e deixa o cenário devidamente preparado. No final, é revelado que ele tem o suporte de Hércules e do mutante Anjo, ambos ex-integrantes do supergrupo Campeões (que contava também com Motoqueiro Fantasma, Viúva Negra e Homem de Gelo - formação bizarra no último).

Curiosamente, a Marvel iria revitalizar os Campeões, agora com novos integrantes e supervisionados pela Iniciativa, a rede de super-equipes controladas pelo governo. O problema é que os direitos da marca foram abandonados pela editora, que desde 1978 não a utilizava, e adquiridos posteriormente pela Heroic Publishing. A saída foi bem à Navalha de Ockham: "mudem o nome". O grupo agora se chamará The Order.

Mas calma lá... The Order é a mesma alcunha que os Defensores originais adotaram na época em que decidiram proteger o mundo com mão-de-ferro. Originalidade? Pra quê?


World War Hulk Prologue: World Breaker


Casus Belli foi escrita por Peter David, velho conhecido do Verdão, e ilustrada pela trinca Al Rio, Lee Weeks e Sean Philips. O resultado visual acaba sendo irregular, mas Peter David é artilheiro e desempata. O cara sabe fuçar como ninguém o psicológico de uma situação extraordinária. A idéia é registrar o que acontece entre o fim de Planet Hulk e o início de World War Hulk. O enfoque é basicamente o Hulk em rota de colisão com a Terra e Jen Walters discutindo com Doc Samson num hotelzinho vagabundo e repensando sua posição frente ao caos iminente. Portanto, tome diálogos, decisões e preparativos de ambos os lados.

Hulk vem acompanhado por comrades de peso. Estão com ele até a morte: Miek, Brood (da Ninhada), a vermelhinha Elloe, o pedregoso Korg (muito forte) e o honrado Hiroim, detentor do Oldstrong, a "Força das Sombras" (muito, muito, muuuuito forte). Juntos, formam o chamado Warbound. Além da traição que sofreu, Hulk tem o sangue de um planeta em suas mãos, incluindo aí o de sua esposa grávida. Todos mortos pela explosão do construto que o Illuminati usou para baní-lo. O que os roteiristas farão para arrefecer esse problemão é algo que me deixa cabreiro. Dificilmente o Hulk, furioso e fora de controle, pouparia a vida de algum dos envolvidos.

Aliás, "fora de controle" nem tanto... ao perceber que ele está ficando cego pelo ódio e ameaçando a vida de seus companheiros, Hiroim o inicia num treinamento de meditação e redirecionamento da raiva. Peter David, cheio do timing, novamente usa a questão da dupla personalidade como um bom recurso criativo.

World War Hulk Prologue acaba sendo notável pela estratégia adotada pelo Verdão em parceria com Hiroim. É aqui que eles decidem qual será o primeiro alvo. O único que pode derrotar o Hulk.


World War Hulk #1


Acaba a contagem regressiva. O Hulk e o Warbound finalmente chegam à Terra, mas antes fazem uma rápida escala na Lua - mais precisamente, no domínio dos Inumanos. Seu governante, Raio Negro, é o primeiro da lista negra. É o mais duro adversário que o Verdão já enfrentou desde sua criação e o combate prometia. No entanto, a narrativa é implícita. Rigorosamente, limita-se às mesmas cenas já reveladas no preview divulgado meses atrás. Ofereço aqui a saída pela esquerda: como já houveram referências à dificuldade da luta (vide o planejamento metódico de Hulk e Hiroim em WWH Prologue) é quase certa a inserção de um retcon mais revelador adiante. Quase certa não, quase obrigatória. Seja como for, o resultado do confronto deve ter arrepiado até Jack Kirby lá no céu dos artistas.

A poeira levantada na Lua é só o aperitivo da edição. Hulk e o Warbound já chegam ao puny planet botando o terror em New York. Com direito a telão holográfico na Madison Square e em centros urbanos no mundo inteiro, o Gigante Verde esparra geral tudo o que passou nos últimos meses, desde a arapuca armada pelo Illuminati até a explosão que arrasou Sakaar, o mundo onde se deu a saga Planet Hulk. Em seguida, ordena a evacuação de Manhattan. E a presença de Reed Richards, Homem de Ferro e Doc Strange. Pra ontem.

As contramedidas de Tony Stark vêm em velocidade de dobra: oferece perdão presidencial ao Dr. Estranho e todos os heróis ilegais em troca de auxílio na evacuação da ilha. Além disso, coloca Robert Reynolds, o Sentinela, em stand-by para um eventual abraço no trem-bala gama.

O resto é som & fúria. O embate central é do Hulk contra um Homem de Ferro tunado com carenagem de Transformer. Destruição total. Difícil não lembrar do 11 de setembro quando a torre dos Novos Vingadores vem abaixo.

Greg Pak teve seu dia de Mark Millar. E John Romita Jr. mais um trabalho para constar na antologia.


Incredible Hulk #107


Amadeus Cho é malandro à moda brasileira. Tanto que Hércules e Anjo estão de pé (e asa) atrás com ele e mesmo assim são levados na conversa. Pelo menos o suficiente para juntos detonarem um cerco da SHIELD. A coisa segue aos trancos e barrancos e piora ainda mais quando Cho confessa ao Anjo que desviou uma fatia milionária de suas contas bancárias (agora bloqueadas pelo governo por virar cúmplice de um foragido), o que deixa o mutante com um humor nada angelical. Mas foi dinheiro bem gasto. Um de seus "sábios investimentos" foi em uma nave anfíbia de última geração - seu objetivo é chegar até Atlantis e pedir a ajuda de seu soberano, Namor.

(...) convencer Namor de alguma coisa é uma missão impossível até pro Beyonder. Após um sonoro "não" e o inevitável e quilométrico discurso ressentido ("eu avisei", "seus tolos"), o Príncipe Submarino assiste a transmissão de guerra do Hulk, mas mantém a decisão de não intervir. O tempo fecha quando ele e Hércules se estranham, cada um com seus próprios pontos de vista sobre os sentimentos do Verdão. Neste momento, Namora (prima de Namor), toma partido de Cho & Amigos. O senhor de Atlantis se isenta de qualquer responsabilidade e vai embora - depois de "esbarrar" na nave deles, só de sacanagem.

Quando o grupo finalmente chega em New York, a luta entre Hulk e o Homem de Ferro está acontecendo e a cidade está um caos. Muitas pessoas ficaram para trás e eles ajudam como podem. Assim que a briga acaba, eles vão ao encontro do Monstr... hã, do Golias Verde, que está 110% insano. Cho tenta conversar, mas Hulk parte pra cima, ainda no calor da batalha. Hércules o confronta numa seqüência bastante violenta e, da maneira mais difícil, consegue mostrar que há algo mais em jogo.

A história começa em easy mode on, mas depois Pak capricha na variedade de situações (Cho "telefonando" para a nave do Warbound foi foda) e manda bem com um Namor totalmente filho da puta. Outra boa sacada foi buscar na Mitologia Grega um inesperado link entre Hércules e o Hulk.

Aqui termina a participação de Gary Frank no título - uma despedida em grande estilo, diga-se, com uma Namora deliciosa (as mulheres do Frank são as melhores!) e o Namor mais carismático e expressivo que eu vejo em muito tempo. E isso realmente me deixa puto da vida.


A Marvel (=Joe Quesada) foi muito zé-ruela em abrir mão deste artista, que assinou um contrato de exclusividade com a DC, em maio passado. "Infeliz", pois quem perde é o leitor de bom gosto. Na DC, Frank está trabalhando ao lado de Geoff Johns (e Richard Donner!) no Superman, onde dificilmente fará mais que reeditar a surrada estética daquele universo - primorosamente pervertida por ele em Poder Supremo. Será reduzido a mais um simulacro sob medida para manter o standard vigente, ao exemplo das passagens de Ivan Reis, Jim Lee e tantos outros pelo título. Posso estar enganado, mas até onde vejo, Gary foi engolido pelo establishment que ajudou a sacanear. De qualquer modo, só veremos o resultado disso aí no final de outubro, quando a Action Comis #858 for lançada - mas esse Clark com cara de Mark Milton só reforça a minha tese.


Mas o show tem de continuar. Portanto, boa sorte para o Frank... é na DC que está o money!


Invincible Iron Man #19


Em Guerra Civil, os roteiristas da Marvel treinaram bastante o esquema de trocentas narrativas correndo em paralelo. Nos títulos que acompanham World War Hulk, eles estão fazendo isso com uma sincronia digna das meninas do Pan. Aquelas que levaram o ouro na ginástica rítmica. Pequenas Elektrinhas que parecem saídas dos gibis, tamanha graciosidade, agilidade e precisão...

...mas cortando o papo surreal e voltando ao subject: o retorno triunfal do Hulk comparece fielmente em todos arcos agregados, então cabe aos escritores se desdobrar nos pormenores da situação. O Latinha protagoniza metade da primeira edição de World War Hulk, então teoricamente não havia muito o que mostrar de novo. Neste quesito, o roteiro de Christos N. Gage (Authority, Avengers: House of M) se sai até bem, no limite de possível. Esperto, antecipou o início da história para algumas horas antes, com Tony Stark remanejando todos os recursos da Casa Branca para deter o "U.F.O." que se aproxima da Terra. Dezenas de drones abordam a nave do Hulk e são atropelados sem muita dificuldade - destaque para o Verdão ordenando "ramming speed" com a profissa de um Capitão Kirk.

O que se segue são as velhas discordâncias com procedimentos da SHIELD (desta vez, com Dum Dum Dugan à frente) e a já clássica luta entre o herói e o anti-herói. Os belos desenhos são o ponto alto da revista - mérito de Butch Guice, que me lembra o Stuart Immonen antes de virar overpop.

Interessante é que a armadura escolhida é a nova versão do modelo Hulkbuster, desenhada especialmente para derrubar o Gorilão. Mas nem injetando os nanites inibidores de poderes teve jeito. The Hulk busted the Hulkbuster.


Ghost Rider #12


A presença de Ghost Rider na lista de sub-arcos que acompanham WWHulk só pode ser explicada como uma forma de capitalizar em cima das últimas marolinhas de popularidade geradas pelo filme. O Motoqueiro Fantasma e seu universo demoníaco/espiritual não têm absolutamente nada a ver com o clima da saga. Simplesmente não existe química.

A história começa com o Espírito da Vingança caçando um demônio que possuiu o piloto de um Airbus. Tudo acaba da pior maneira e ele acorda na manhã seguinte, já na pele de Johnny Blaze. Através do noticiário, o rapaz fica sabendo da invasão do Hulk e resolve ir até lá encarar o Gigante Verde. Fim da história.

Tapa-buraco mequetrefe escrito pelo Daniel Way (Poder Supremo: Falcão Noturno), geralmente um razoável Garth Ennis cover. Mas aqui escangalharam muito a barra. Já os desenhos de Javier Saltares são apenas corretos - e estou sendo bem bonzinho. Só se salva mesmo a belíssima arte da capa, cortesia do italiano Gabriele Dell'Otto.

O irônico é que a voz da razão vem do próprio Lúcifer. Na tentativa de impedir Blaze, ele avisa: "isto não é da nossa conta... não vá..."


Heroes For Hire #11


O tempo foi passando e acabei nunca lendo Heroes For Hire. Esta foi a primeira vez. Me lembrou bastante Nova Onda, de Warren Ellis (publicada aqui via Marvel MAX). Ambos têm muitas similaridades: tom bem-humorado, elementos de espionagem, diálogos cheios de duplo sentido, garotas bem-alimentadas abusando dos decotes e das posições de cachorrinho(a), e integrantes vindos da 4ª divisão dos buchas. Pra completar, as duas equipes têm como líder uma heroína negra das antigas - no caso, Misty Knight, ex-tira e eterna namorada do Punho de Ferro.

Os demais componentes são Shang Chi, Gata Negra, Tarântula, Colleen Wing, Paladino e Humbug. Este último está com um visual novo que lembra um filhote do Besouro Azul, da DC, com o Black Kamen Rider. É o que mais se destaca na edição, já que suas habilidades "insetísticas" interagem com pelo menos dois integrantes do Warbound: Miek e Brood, que estão preparando o terreno para uma infestação alien generalizada.

Apesar da cara de tosqueira anunciada, o roteiro de Zeb Wells é curioso e mantém o senso de continuidade. E os rabiscos de Clay Mann são bacanas - em especial as moçoilas, agradavelmente voluptuosas. Vamos ver no que vai dar.

A edição também traz uma sub-sub-sub-trama, com o Paladino investigando uma conspiração envolvendo a cavalíssima Carmilla Black, a nova Escorpião. Bobagenzinha à toa. Roteiro de Fred Van Lente e traços curvilíneos de John Bosco, xará do nosso João Bosco.


World War Hulk: X-Men #1


Queria mesmo saber como ia ser o acerto de contas do Verdão com Xavier e, por extensão, com os X-Men. Primeiro, porque o tutor dos mutunas não esteve presente naquela fatídica reunião do Illuminati. Segundo, porque a única coisa que faria Xavier sair de cima do muro seria um gigante radioativo, indestrutível e louco da vida batendo em sua porta.

Tchan-tchan-tchan-tchann...
Hulk esteve com a agenda abarrotada desde que chegou de viagem. Em que ponto da narrativa ele encontra tempo pra ir à Mansão X eu ainda não consegui saber - imagino que deve ter sido depois de tudo o que aconteceu nesta primeira leva de edições. Logo que chega lá, ele é recebido a bala por um grupo de novatos liderado pelo Fera e formado por Mercury, Faísca, Pedreira, Satânico, , Elixir e X-23. Mesmo sabendo do inevitável resultado, todos lutam corajosamente. Mas no fim, Hulk-smash-puny-mutants.

Apesar do quebra-quebra que permeia 98% da edição, WWHulk: X-Men é sobre a postura de Xavier diante disso tudo. O roteiro de Chris Gage meio que fez um sanduíche ideológico aí: abriu e fechou com o bom professor sendo questionado (primeiro pelo Homem de Ferro, depois pelo Verdão) e recheou tudo com bastante porrada. Deu certo e os desenhos de Andrea Di Vito não vacilaram: durante a luta com final premeditado, fica claro o espírito bravo e perseverante do X-time.

Só não sei ao certo como a equipe principal dos X-Men apareceu por aqui. Em Astonishing X-Men #21 - excepcional arco do Joss Whedon - eles estavam a zilhares de quilômetros da Terra.

Excetuando a Wolverinete X-23, não conhecia nenhum dos mutantes newbies que tiveram a paudurescência de enfrentar o Hulk. Sei que é notório o beco sem saída que se tornou esse lance de super-poderes, mas o caso da Mercury foi muito sintomático. Suas habilidades copy-pasteadas do T-1000 remetem à também mutante Robin Vega, que apareceu em Homem-Aranha #192.

Ou seja... os arquivos da Marvel estão mais bagunçados que repartição pública. Nego sai criando personagem sem fazer uma consulta decente e dá nisso.


World War Hulk: Front Line #1


Front Line é um olhar mais realístico sobre os últimos grandes eventos da Marvel. Guerra Civil teve uma, Iron Man também e por aí vai. Tudo sob o ponto de vista dos repórteres investigativos Ben Urich e Sally Floyd, com eventual participação do detetive Danny Granville. Urich saiu recentemente do Daily Bugle de J.J.Jameson e criou seu próprio jornal on-line com Sally - chamado Front Line, claro. A dinâmica entre os dois é o forte da série. Difícil não ser cativado. Para os órfãos de Alias, Front Line é quase um alento.

A edição mostra o impacto do ultimato do Hulk sobre a população e o que acontece nas ruas durante as 24 horas do prazo estipulado. O roteiro é muito bem-humorado, principalmente na segunda metade, quando a nave do Warbound aterrisa no Central Park - um moleque chega a dizer que parece o Cirque du Soleil, mas lembra mesmo uma paródia ao clássico O Dia em que a Terra Parou. Korg é quem faz o corpo-a-corpo para estabelecer os termos da "ocupação pacífica". Porém, logo ele se vê obrigado a pressionar o Departamento de Polícia (!!) quando o dróide do Warbound, Arch-E-5912, é depenado em um subúrbio. A bomba acaba estourando na mão do pobre Danny.

Prosa leve e bem-sacada de Paul Jenkins, meu ídolo. O "normal" dele é tão bom que é até uma pena quando tudo fica "super" no final. Traços urbanóides de Ramon Bachs, como deve ser.


A seguir:



To be continued...


Destrinchando: Incredible Hulk #108, World War Hulk #2, WWH Front Line #2, Ghost Rider #13 (fazer o quê!), Avengers: Initiative #4, Irredeemable Ant-Man #10 (vixe), WWH Gamma Corps #1, Heroes For Hire #12 e WWH X-Men #2. Roooaarr!!