Mostrando postagens com marcador Joe Russo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Joe Russo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Vivendo o bastante para se tornar o vilão


Qualquer semelhança não foi mera coincidência. Robert Downey Jr. é o maior personagem dele mesmo. Foi exatamente como soou pra mim o anúncio de seu retorno ao MCU como o Dr. Destino sob a direção dos irmãos Russo no vindouro Avengers Doomsday. Notícia, aliás, que estourou bolhas mundo afora com uma virulência tão grande que quase arremessou o então hypado Superman de James Gunn de volta para Krypton.

Que a Marvel sabe causar, isso sabe. Com a internet abarrotada de memes, teorias e especulações (até a Forbes!), nunca o monarca da Latvéria ficou tão evidência e nem foi tão debatido desde a sua criação em 1962. O que é ótimo em certos aspectos, mas a que custo?

A escalação só não me surpreendeu mais do que a ovação da plateia, ao invés de ovadas na direção do Kevin Feige. O Doomney tem altíssimas chances de manchar o trabalho do ator no memorável primeiro run da Marvel Studios, além de comprometer a reestreia em grande estilo de um ícone da cultura pop – já contei que sem Dr. Destino, sem Darth Vader? Isso pra não falar nos outrora incensados Anthony e Joe Russo, despejando todas as suas fichas numa cartada pra lá de arriscada.

Por mim, esqueciam esse nonsense e resgatavam o Julian McMahon do limbo. Com todos os problemas de Quarteto Fantástico e Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado, o australiano certamente não era um deles. Quem não o assistiu em Nip/Tuck, recomendo uma espiadela.

Claro, o objetivo era abalar as estruturas da SDCC com uma reescalação-bomba e provocar aquele impacto que a Disney/Marvel buscam – e precisam – tão desesperadamente. Sem problema. Duvido que o telefone do Michael Fassbender estivesse tão ocupado.

O que não pode é misturar os transistores. Aí vira Amálgama (embora, admito, tenha algum guilty pleasure por essa trasheira). Isso já sabia desde guri. O máximo de interação que o Homem de Ferro e o Dr. Destino deviam se permitir estava impresso em Grandes Heróis Marvel #11 e em sua "continuação", na edição #41.


São duas aventuras divertidíssimas. Leitura altamente recomendável para curar a ressaca pós-anúncio.

Foi criado ali um antagonismo redundante, porém bacana: Victor von Doom tinha em Tony Stark um 2º rival na seara tecnológica, para os períodos em que Reed Richards estivesse, sei lá, na Zona Negativa combatendo o Aniquilador, em alguma incursão pelo Omniverso ou algo parecido. O componente de espionagem industrial/política vinha de bônus e sem a maletice, arram, cu de ferro do marido da Sue.

Se quisessem mesmo reaproveitar bem o Downey Jr., poderiam simplesmente produzir um prequel nos moldes de Viúva Negra. Material bom é o que não falta. O 1º da minha lista seria a sensacional fase de David Michelinie, Bob Layton e John Romita Jr. no título do Latinha.


Thriller de ação/espionagem com os irmãos Russo na direção. Não tem como errar. De nada.

Do jeito que está, fica difícil passar pano para a demolição de um legado. Aí só posso concordar com nosso croata favorito.


The most adequate thing I can post today! I am only sorry I haven't put more pigeons there.

Publicado por Goran Parlov - Art em Domingo, 28 de julho de 2024


Tão cruel quanto pessimista. Fico com o relator-desenhista.

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Um pouco de luz antes da luz no fim do túnel

E de preferência canalizada pelo Mjolnir. Não parece que foi ontem?

ENDGAME: A Nice Reminder
Just like the Avengers, we will assemble once more.
Publicado por IGN em Terça-feira, 7 de abril de 2020

Precisamos de um Vingadores: Ultimato ou similares para torcida-de-arquibancada-no-cinema quando toda essa confusão terminar.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Um


Dizem que a jornada é mais importante que o destino. Só esqueceram de avisar aos cineastas Joe e Anthony Russo. Vingadores: Ultimato entrega tudo que o público médio não-estúpido espera de um blockbuster de qualidade (e mais), além de concluir espetacularmente as três primeiras fases do universo cinematográfico da Marvel Studios. É o auge de um trabalho ousado e faraônico que levou onze anos num projeto inédito até aqui em dimensão, capital humano e conquistas técnicas.

Para um velho leitor de gibis, a recompensa maior é ver na telona vários daqueles conceitos malucos e infilmáveis até há alguns anos funcionando como se tivessem nascidos pra isso. Neste sentido, é o filme mais eficiente já realizado no gênero, com um Taa II de vantagem sobre os demais. Acima de tudo, por entender que não se trata apenas de som e fúria, mas também de coração, altruísmo e sacrifício, a quintessência dos quadrinhos de super-herói desde sempre. Ultimato não cede um milímetro desses fundamentos, em maior parte, veja só, de raiz marvete.

Heróis que são pessoas antes de tudo e com cada um fazendo a diferença no resultado final; uma admirável preocupação pelo estado psicológico geral; tempo e espaço para cada personagem respirar e se redescobrir; narrativa que sabe onde enxugar e o que priorizar; trama imprevisível no ponto de partida, na condução e na conclusão sem reviravoltas mágicas; e tridimensionalidade: cada integrante do núcleo principal, seja herói, vilão ou zona cinza/azul/verde, tem suas motivações pessoais e age de acordo.

É notável como os roteiristas de Christopher Markus e Stephen McFeely, que também assinam Vingadores: Guerra Infinita, conseguem administrar tantos personagens e variáveis. E ainda manter o foco numa premissa complexa para os padrões mainstream e, por isso mesmo, potencialmente desastrosa. De forma sucinta, o roteiro exerce sua lógica interna apoiado em extrapolações simples, cobrindo assim os pontos cegos enquanto leva o espectador para a brincadeira.

No fim, Ultimato não só se apresenta como uma sequência digna para Guerra Infinita, como expande seu conflito e aumenta as apostas.

O filme tem três atos divididos por um exercício de estilo brutal. O 1º terço amarra as pontas deixadas pelo longa anterior em tempo recorde e investe com mão pesada no drama. Num clima funesto, os sobreviventes tentam juntar os estilhaços de um mundo com 50% a menos de seres vivos e todos os estragos decorrentes disso. A 2ª etapa sobe o tom partindo de um princípio bem difundido na ficção pop - mas com uma dinâmica deliciosamente... quadrinhos - e faz uma verdadeira celebração para quem acompanhou os filmes da Marvel todos esses anos. Já o arco final é a experiência Splash Page de George Pérez definitiva. É todo o pay-off e o fanservice que existem no final do arco-íris. Sangue de Kirby tem poder.

Quase todo o elenco principal está integrado ao seu personagem-avatar num nível Christopher Reeve-é-o-Superman de conversação, além de apresentar suas melhores performances até aqui: Jeremy Renner zera o até então subaproveitado Gavião Arqueiro num bem-vindo acerto de contas com o roteiro, Karen Gillan extrai ainda mais camadas da hermética Nebulosa, Paul Rudd precisa fazer muito em muito pouco tempo e o Homem-Formiga dá conta, Scarlett Johansson se atira, literalmente, na evolução de "Nat" Romanoff, o Capitão América de Chris Evans é a melhor personificação do herói clássico que poderíamos ter hoje e Robert Downey Jr. fecha o ciclo com a redenção do personagem de sua vida.

Chris Hemsworth, por sua vez, tirou a sorte grande. Thor foi um dos poucos que mantiveram uma saga própria nos dois filmes. Em Ultimato, confesso, o susto inicial foi grande, porém coerente. Plus: agora sim o loiro está parecendo um Viking.

E a Situação-Hulk. Personagem que a Marvel Studios penou para achar o tom na telona, algo que só aconteceu em Thor: Ragnarok, quando já era tarde demais para qualquer pretensão cinematográfica do Golias Esmeralda & mitologia. A expectativa por uma virada foi lá pro caixa-prego após a ignorada sistemática em Guerra e agora, em Ultimato.

Pensando bem, isso já vinha sendo estabelecido desde Vingadores: Era de Ultron (2015), com a infame derrota do Verdão para o Hulkbuster (Hulkbusters e esquadrões Caça-Hulk existem para serem esmagados pelo Hulk, oras!). Seus poderes nos gibis nunca foram adotados pelo UCM: nada de saltos quilométricos, palmada sônica, fator de cura e o mais importante e muda-vidas, o "quanto mais furioso, mais forte o Hulk fica". O que sobrou é um Hulk limitado e em estado de calma - em Ultimato, em estado de calma baiana. Mark Ruffalo é um sujeito boa-praça, mas nem de longe é um Dr. Bruce Banner. A trama ainda dá alguma continuidade à sua cronologia nas HQs, despejando o personagem direto na fase do Hulk inteligente, o que resulta apenas e tão somente num Ruffalo Verde. Um Hulkffalo.

Paradoxalmente, é dali que sai uma das referências mais bacanas aos quadrinhos - a clássica imagem do Hulk em Guerras Secretas. E outras, que não sei bem se foram referências de fato ou apenas dissonâncias em minha cachola de gibizeiro: o Verdão doando o braço em Planeta Hulk, a aventura espaço-tempo-apoteótica de Vingadores Eternamente, o "1" do Dr. Estranho para Tony Stark paralelo ao timing de Adam Warlock para o Surfista Prateado em Desafio Infinito, Steve Rogers e Gail no final de Supremos 2 e por aí vai. Essas vieram fluídas e precipitadas como lembranças de velhos amigos. E eu agradeço ao filme por isso.

Surpreendente mesmo foi o resgate de dois grandes personagens por dois atores maiores que a vida: Tilda Swinton reprisando a Anciã e Robert Redford novamente como Alexander Pierce. Redford já havia encerrado a carreira em meados de 2018, mas voltou atrás no final do mesmo ano. Esqueça a mera condição de filme-pipoca. Isso já é cinema grande, meu chapa.


Josh Brolin pode não ter percebido ainda (ou é modesto demais para admitir), mas acabou por personificar um dos maiores vilões do cinema. Thanos é fascinante, perspicaz, tem a sua cota de honra distorcida e acredita piamente que está do lado certo da História. Ameaçador e absurdamente poderoso, Thanos protagoniza, fácil, as melhores e mais engenhosas lutas super-heroísticas já feitas até aqui. Mesmo a Capitã Marvel de Brie Larson - um tanto deslocada pelos cameos pontuais - teve seus melhores minutos numa telona, incluindo aí seu filme solo. O ponto alto, claro, é sua frenética e nervosíssima luta com o Titã Louco.

Há pelo menos uns três ganchos antológicos durante a luta de Thanos contra a "Trindade" - também conhecida como Vingadores Primordiais. E fazia tempo que não via uma sala de cinema virando uma arquibancada em final de campeonato. Especialmente no momento "Capitão, o Digno". Memorável.

Quando Jim Starlin criou Thanos no início da década de 1970, a gênese do Titã não indicava uma carreira muito promissora. O autor mesmo comentou: "Você pensaria que Thanos foi inspirado em Darkseid, mas não era o caso quando eu o apresentei. Nos meus primeiros desenhos de Thanos, se ele parecia com alguém, era com Metron. (...) Roy (Thomas) deu uma olhada no cara com a cadeira ao estilo Metron e disse: 'Aumente esses músculos! Se for para roubar um dos Novos Deuses, então roube Darkseid, o único realmente bom!'"

45 anos depois, Thanos está mais vivo do que nunca, coletando Jóias do Infinito em blockbusters bilionários e se tornando uma referência pop no mundo inteiro. E o que é mais incrível: adaptado sem comprometer sua personalidade. Pra mim, que li e reli as sagas de Thanos infinitas vezes, isso é muito além de um presente.

Toda a sequência final reservada ao personagem é sob medida. O momento da transição do Thanos ambientalista para o Thanos niilista é de arrepiar. Era o passo que faltava para o... Dark Side. E ainda corrobora os pensamentos de Jim Starlin sobre uma futura abordagem da Senhora Morte, a convidada que faltava. Promissor como parece.

Já se vão onze anos desde que saí daquela sessão de Homem de Ferro com um enorme sorriso no rosto e a cabeça fervilhando em pensamentos. Alguns viraram texto; outros, atrelados a uma certa melancolia por tempos idos, foram para o mesmo cantinho da memória que já serviu de palco para grandiosas batalhas emprestadas das páginas dos gibis. Eu sabia que ali era o máximo que o cinema real se aproximaria dos quadrinhos e estava mais do que satisfeito com aquilo. Filme após filme, desafio após desafio, a Marvel Studios foi superando aqueles limites - em maior ou menor grau e com resultados variáveis, mas sempre com bom senso, respeito às duas artes e, principalmente, coração.

Vingadores: Ultimato é sangue, suor e lágrimas. O ápice de uma autêntica odisséia cósmica (epa!) e o registro de que um dia duas formas de arte chegaram tão perto que quase convergiram.

Mesmo sendo o mais épico, ambicioso e visualmente deslumbrante, claro, não é um filme perfeito. Capitão América: O Soldado Invernal (2014) segue no topo da minha lista. E ainda tenho um carinho todo especial por Os Vingadores (2012) pelo impacto sobre este leitor ad eternum de Heróis da TV. Junto com Guerra Infinita, Ultimato habita n'algum lugar no éter entre esses dois.

Algo a se avaliar com o tempo. E com sessões infinitas.

domingo, 28 de abril de 2019

Amo Vingadores: Ultimato 3000



Se eu dissesse para aquele moleque embasbacado com a inesquecível Grandes Heróis Marvel #1 que um dia o mundo inteiro conheceria Thanos... provavelmente ele acreditaria, já que sua visão de mundo, ainda relativamente inocente e sonhadora, permitiria tal devaneio. Mas nada que durasse muito.

Thanos, cara. Thanos.


Como disse o Dr. Estranho na reta final de Vingadores: Guerra Infinita, "estamos no fim do jogo agora". Errado duas vezes: estamos em Vingadores: Ultimato - numa das maiores vaciladas de adaptação de títulos em português; e não estamos só no fim do jogo, mas numa final de campeonato.

Daquelas pra ficar na história.

domingo, 12 de agosto de 2018

Neste Dia dos Pais lembre-se:

Pai é aquele cria. Que treina para a vida.


E que chora porque às vezes precisa fazer algo que vai doer mais nele que nos filhos.

Ps: maldito filme bom!

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Soldado Invernal sob o comando dos Russos

Anthony e Joe Russo parecem os típicos nerds-alfa. Pelo menos é essa a impressão quando se vê os vários episódios de Community e Arrested Development constantes na ficha dos irmãos cineastas. Que também têm suas porcarias (quem não as tem, não é mesmo?). Sendo assim, eu podia até esperar por certa sobriedade fanboy na direção do novo Capitão América 2: O Soldado Invernal...

O que eu não esperava mesmo era ver um trailer tour-de-force à Michael Mann-dirige-um-Bourne-movie altamente climático e com cara de filmaço às 12 horas.


Só dia desses fui saber que existem firmas especializadas em montar trailers para cinema. Altamente profissional. E frio. Brr. Mas mesmo se os caras que fizeram esse forem os gênios da raça, de algum lugar eles tiraram essas cenas.

E só a do diálogo entre Robert Redford (!) conversando com o Capitão América (!!) já vale o filme em 3D inútil com a pipoca ruim do Cinemark.