Mostrando postagens com marcador Ian McKellen. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ian McKellen. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 29 de maio de 2006

$NIKT!



"No one ever talks about extermination. They just do it. And you go on with your lives, ignoring the signs around you. And then one day, when the air is still and the night is fallen, they come for you. Only then do you realize that while you're talking about organizing and committees, the extermination has already begun. Make no mistake, my brothers, they will draw first blood. They will force their cure upon us. There is only one question you must answer:
Who will you stand with?"


Como o mundo dá voltas. Durante muito tempo, adaptações cinematográficas de histórias em quadrinhos eram consideradas malversação de verbas dentro de Hollywood. Pra cobrir as lacunas no seguimento de ação blockbuster, os estúdios tiveram de fabricar seus próprios super-heróis. O resultado foi a safra de action-heroes dos anos 80 e parte dos 90. Com o tempo, as idéias foram rareando e a sempre crescente demanda por escapismo pueril eliminou essa triangulação criativa (que eu chamo de ágioarzenegger) e foi beber direto nessa fonte que usa colante e cueca por cima da calça. Mas primeiro tiveram de amansar a fera carnavalesca que existe lá. O pacote ganhou uma roupagem mais dark e sóbria (bastiões mitológico-freudianos como Homem-Aranha e Superman são a exceção) e o uso intensivo de CG para tornar o impossível possível. Entre uma coisa e outra, ocorreu um saudável troca-troca (no bom sentido) de posições (eu já disse que é no bom sentido) entre profissionais dos quadrinhos e do cinema.

Ainda assim, uma adaptação dos X-Men soava como um desafio-mor no contexto geral, justamente pela incompatibilidade dos fatores envolvidos. Personagens demais, tempo de menos e, se o diretor não for adepto de Roger Corman, orçamento exorbitante. Resolveram tentar. Tinha tudo pra ser um único longa constrangedor, tosco e fracassado, mas Bryan "Who's your daddy?" Singer provou que sim, era possível. Exibindo poderes mutantes, ele transmutou cash rasteiro e argumento simplório em personagens carismáticos, direção classuda e atmosfera envolvente. Olhando hoje, o filme-debut dos X-Men revela uma malandragem soberba de Singer em maquiar eventuais buracos e limites orçamentários. Tudo isso e mantendo um apelo popular que garantiu a boa carreira nas bilheterias e a inevitável continuação. Roteiro bem acabado, todos os atores principais de volta e um investimento more expensive: X2, foi um filme praticamente perfeito dentro de sua proposta, onde Singer pôde se dar ao luxo de apenas deixar fluir seu inegável talento. Quando as coisas são assim, não há nada a temer. Engraçado como isto se dá de forma quase matemática ("dê-me um orçamento decente, um bom diretor e eu mudarei o mundo" - dogg, filósofo iugoslavo). Para um projeto que já atraiu o interesse até de James Cameron (e ninguém me tira da cabeça que ele desistiu por considerá-lo infilmável), pode-se dizer que os mutantes, antes de tudo, já são vitoriosos por conseguirem concluir sua primeira trilogia, em X-Men: O Confronto Final (X-Men: The Last Stand, 2006). Hooray!


"Since the dawn of existence, there have always been moments when the course of history shifted. Such a turning point is upon us now. The conflict between the better and worst angels of our very nature. Whose outcome will change our world so greatly... there will be no going back. I do not know if victory is possible. I only know that great sacrifice will be required. And because the fate of many will depend on a few, we must make the last stand."


O processo não foi dos mais harmoniosos. Halle "Cat-Woman" Berry extorquindo atenção, Singer trocando a Mansão X por um condomínio em Krypton, um novo diretor catado às pressas... Achei que a coisa começava a adquirir contornos framboesísticos - impressão logo suplantada por um teaser do caralho que provocou a mesma sensação de quando reencontramos velhos amigos depois de muito tempo. Podia jurar que o espírito "singeriano" ainda estava por lá, em cada cena, em cada frame... do discurso inflamado de Magneto (Ian MacKellen) à voz compenetrada do Professor Xavier (Patrick Stewart), passando pelos urros de Wolverine (Hugh Jackman). No entanto, elementos meio duvidosos também davam as caras. Um roteiro estilhaçado entre uma suposta "cura" para o gene mutante e uma versão da clássica fase da Fênix Negra, enquanto tenta encerrar todo o primeiro momento dos X-Men nos quadrinhos, ainda às voltas com a antiga Irmandade dos Mutantes liderada por Magneto.

E havia a questão do diretor Brett Ratner, que, embora competente, era apenas um operário. Ainda que eu tenha gostado demais do seu trampo em Dragão Vermelho (nada, nada, Ratner superou Ridley Scott de longe na franquia do Lecter), sua missão era simplesmente concluir o trabalho concebido e desenvolvido por um dos melhores diretores da atualidade - servicinho, convenhamos, muito além de sua alçada. Não por acaso, X-Men 3 foi achatado em econômicos 104 minutos, como se o próprio diretor, consciente de seu lugar no Universo, adotasse a postura "fale pouco pra não falar besteira".


Enquanto X2 entrelaçava as subtramas William Stryker/Wolverine's past, X-Men 3 traz uma narrativa com elementos mais heterogêneos. De um lado, a estratégia do governo norte-americano para a contenção mutante trazida a público sob o rótulo de "cura" e do outro, o retorno de uma Jean Grey (Famke Janssen) com TPM suficiente para explodir a Lua. Isso, em particular, foi colocado da melhor maneira possível dentro daquele universo: sai a entidade alienígena incorporadora, entram os bloqueios psíquicos que Xavier implantou em Jean ainda jovem, com o intuito de protegê-la e aos demais de tamanho poder. Decisão necessária ou arbitrária? Xavier excedeu em sua prepotência e privou Jean de escolher seu próprio destino? A interessante questão foi levantada e, após uma ótima cena de discussão com Wolverine, só pude lembrar do Professor X autoritário e (supostamente) manipulador da versão ultimate.

Desde que a sinopse foi divulgada oficialmente, não fiquei muito empolgado com a premissa envolvendo a cura para a mutação. Sendo um admirador das HQs, vejo a principal característica dos mutantes como uma força irreprimível da natureza, um processo evolutivo inevitável. Mesmo assim, fui surpreendido pela funcionalidade de tal artifício. Serviu tanto para forjar uma bela introdução para Warren Worthington III, o Anjo, quanto para garantir seu futuro frente às Indústrias Worthington (mais precisamente, após usar sua mutação para salvar a vida do pai xenófobo). Além, é claro, de justificar a visível relutância em certas cenas que, teoricamente, fariam desta produção o capítulo mais "Jim Lee" da franquia.


"Don't you know who I am? I'm Juggernaut, bitch!"


Pelo que se vê na telona, o orçamento de - dizem - 150 milhões de doletas não pareceram suficientes. Para conhecedores dos quadrinhos então, é algo latente. Será que o Universo X é assim tão caro? Tudo bem, alguns momentos são mesmo de dilatar a pupila na tentativa de assimilar tudo o que está se passando. A antológica seqüência em que Magnus manipula a ponte é a principal delas - poucas vezes uma cena fez tanta justiça à sentença "isto é quadrinhos puro!" Ao mesmo tempo, vemos um Colossus (Daniel Cudmore) sem qualquer função prática, apesar da boa caracterização visual. A coisa chega a resvalar em pura displicência, quando o personagem, em sua forma metalizada, distribui porrada a granel em mutantes peso-pena, desconsiderando totalmente o seu elevadíssimo nível de força. O que nos leva ao juggernaut Fanático (Vinnie fuckin' Jones, man... e sem sotaque!), felizmente aqui, com a finesse de sempre. Pra começar, não há qualquer treta entre ele e o mutante russo. É um crime reunir estes dois num filme e não agitar aquele vale-tudo de trincar placa tectônica. Temos de nos contentar com um baculejo divertidíssimo entre o imparável Juggy e o "nanico" Wolverine na residência dos Grey. Mas é tudo tão breve que chega a ser crueldade com o espectador.

Outro flagrante do capital de giro fantasma é a ausência do Efeito Fênix, marca registrada da personagem. Mesmo assim, a sugestão visual empregada para ilustrar o incomensurável poder de Jean é de arrepiar - algo indomável, invisível, aterrorizante. Mas, sem dúvida, o imenso pássaro de fogo tragando tudo à sua volta fez falta... Não foi desta vez que a belíssima e aterradora visão de Chris Claremont/John Byrne ganhou vida nas telonas. Já a aguardada briga de torcida mutante, embora funcional na narrativa, ficou aquém do esperado. Mas nesse ponto, sou compreensivo. Se até nas HQs é raro um super-pancadão coletivo realmente empolgante, quem dirá a execução disso em live-action. Talvez no dia em que chamarem o George Pérez pra fazer o story-board de algumas cenas...


O roteiro, de Zak Penn e Simon Kinberg, pouco arrisca no que tange à interação entre os personagens. Neste sentido, é um tanto burocrático. Quando se solta um pouco, consegue um bom resultado. Um bom exemplo é a hilária troca de "gentilezas" entre Wolverine e Fera (Kelsey Grammer, o Frasier, arrebentando), aqui um representante da comunidade mutante no Orkut... digo, no Congresso norte-americano. Falando em Grammer, ele protagoniza uma cena sensacional, quando experimenta a sensação de parecer um homo-sapiens. Apenas com o olhar, ele transmite um misto de alívio, realização, melancolia e culpa. Naquele momento, ele poderia largar tudo pelo que lutava e acreditava. Tocante. Deus abençoe os bons atores. Outra sacada interessante foi a "quebra de contrato" entre Magneto e Mística (Rebecca Romijn-Dogg... não custa nada sonhar) - o que finalmente confere à fascinante azulzinha o caráter dúbio e individualista que ela tem nas HQs. Já a deslocada Vampira (Anna Paquin) ganhou o status de coadjuvante, enquanto o Homem de Gelo ("homem" o caramba, é o guri Shawn Ashmore) passou a ciscar no terreiro de Kitty Pryde (a bezerrinha Ellen Page), que, além de se tornar intangível, também tem o poder de ficar mais nova a cada episódio. Eu diria que o Iceman deu uma de papa-anjo ali, mas ia pegar mal pro Warren.

Como sempre, muitos criticarão o aparente descaso com o personagem Ciclope (James Marsden), ainda que esteja em concordância com sua relevância nos filmes anteriores. Já está na hora de aceitar que a dinâmica de uma adaptação não tem de ser, necessariamente, a mesma do material de origem. O que aconteceu foi apenas sintomático. Apesar de admirar o trabalho do Marsden (confira o filme 24º Dia), vejo a opção do roteiro como algo que pode render bastante no futuro. O mesmo se pode dizer do destino de dois outros personagens (ainda que, no caso da Jean Grey/Fênix Negra, a simples aproximação do mutante Jimmy "Sanguessuga" fosse uma medida menos extrema). Quanto ao que acontece com Xavier, achei ousado e muito bem tramado. Gostei bastante, tanto pela circunstância de quebrar o encosto da poltrona quanto pelo genial subterfúgio pós-créditos - além da esperta referência à "fase Shiar" do Professor X.

X-Men 3 é caótico, no bom e no mau sentido. Não tem o charme e a espirituosidade do primeiro filme, nem o esmero técnico e a força dramática do segundo, mas é corajoso, eficiente e, acima de tudo, fiel ao background estabelecido. Amarrou todas as pendengas sinistramente levantadas pelos dois anteriores e apontou novos rumos para os que virão - e com certeza virão. Com a 4ª abertura mais rentável de todos os tempos, já posso até ouvir o "snikt" dos executivos ecoando pelos corredores da Fox.

Que tal uns Sentinelas de verdade da próxima vez?



BLUE SIDE OF THE MOON


O Vigia Uatu tem novos vizinhos... Área Azul - Observatório de Quadrinhos, Filmes & Cultura Pop é um espaço mantido pelo renegado Vigia Aron (alcunha dividida pelo Fivo, JP Volley e este humilde arauto), com a finalidade de promover discussões sobre a nossa tão amada cultura pop e, principalmente, repensar questões acerca da 9º Arte. A proposta é bastante segmentada (levando-se em consideração que o próprio BZ já é um lance segmentado), mas o intuito é justamente este: oferecer uma opção de debate para quem procura algo mais instigante que a superficialidade habitual.

A Área Azul já está visível no horizonte. Confira... e dê a sua opinião.

quinta-feira, 25 de maio de 2006

O CÓDIGO DEU ÁGUA


É... deu água...

Há filmes que resolvo assistir sem saber absolutamente nada a respeito. Assim corro atrás daquele sentimento tão raro de surpresa coroado com um "Caramba... que filmaço!" que há tanto tempo não sinto. Hoje em dia, especialmente depois da internet, é praticamente impossível para um cinéfilo conseguir isto, ainda mais quando se trata de um filme adaptado do maior hype dos últimos tempos. A expectativa era altíssima e, ao contrário do que fizeram com Batman e vêm fazendo com X³, o material de divulgação não revelara muito a respeito, o que é bom. Como não consegui assistir na estréia, a curiosidade não me impediu de ler críticas aqui e ali, onde destacavam-se quase unanimemente as opiniões negativas. Desta vez, agradeci aos céus por ter lido antes, de modo que já torcia o nariz na véspera, quando fui chamado para assistir o filme. Isso deu uma inversão de fase na expectativa: Eu tinha o dever pessoal de assistir, mas se antes esperava muito, agora esperava um lixo e só essa inversão conseguiu fazer com que eu saísse do cinema com a leve impressão de que a experiência havia sido boa - não sei bem se por causa do filme ou se porque sentei próximo à Danni Carlos. Legal olhar na cara de alguém e pensar "Já te vi semi-nua no Paparazzo!".

Claro, passadas algumas horas, com as impressões já mais arrumadas aqui na cabeça, se tentar identificar o que mais me chamou a atenção no filme, acabo percebendo que foi uma propaganda que veio antes até dos trailers. Quantas vezes vocês já foram ao cinema e uma das propagandas foi sobre algo que não seja bancado por uma empresa abastada? Raro! Livros então, nunca! Mas aqui teve! A propaganda começa com um close na Gioconda que, com o afastamento, recebe a narração em off dizendo que a obra a ser vista é de ficção e pergunta ao expectador se, após gastar tempo com o filme, prefere a ficção ou a verdade. Claro, de forma magnânima uma imagem vem mostrando as costas de Jesus estampadas na capa. Foi uma risada meio que generalizada na sala. Impressionou a forma como gastaram – isto não deve ser barato, ainda mais no Leblon – para impor sua crença.


Argh... a culpa é do Hanks!!!

Nunca achei Ron Howard um diretor fora de série. De suas obras, tenho para mim que a melhor delas foi sua filha. Do resto, ao menos como diretor, a impressão geral é a de um cara que cumpre o que lhe é passado sem inventar muito. Burocrático, portanto; mesmo que tenha ganhado uma série de Oscars por Uma Mente Brilhante. Se considerarmos que O Código Da Vinci (The Da Vinci Code, 2006) é adaptado de um livro cuja linguagem já é cinematográfica, vem a conclusão óbvia de que o cara não vai ter muito trabalho para transformar a linguagem de um livro em linguagem de cinema – sim, pois por mais que livro tenha linguagem cinematográfica, isto apenas o aproxima desta mídia, por óbvio. Ou seja, um burocrata poderia fazer isto.

Não fez. Além das tramas que se entrecruzam no livro, uma das suas principais atrações é a compilação de informações "rádio relógio" que, como já escrevi várias vezes, só servem para papo de bar; é a cachaça da leitura – quebra o ritmo, desafoga o cérebro e depois vai embora para a trama voltar. Estas passagens, agradáveis nos livros, são difíceis de serem adaptadas para o cinema (muitas foram cortadas) pois causam quebra de ritmo que, diga-se de passagem, é indubitavelmente o maior vilão da projeção. Ou a falta dele. A transposição de um livro para a tela grande pressupõe a necessidade de adaptações da forma para uma nova mídia. A impressão geral do resultado sugere que a linha adotada partiu para a reprodução da narrativa como escrita no original. Simples assim. Certa vez Stephen King, por ter odiado o resultado da adaptação de O Iluminado – livro bem bacana, diga-se de passagem - feita por Kubrick, o refilmou palavra por palavra. Além de imenso, o filme perdeu toda e qualquer noção de ritmo. Acabou virando uma série. CdV seguiu o mesmo caminho; o que temos é um filme soluçante, onde as seqüências são estanques, quase com vários sub-clímax, mas nenhum clímax final, se é que podemos classificar assim. Tal como O Iluminado de 1996, parece que estamos vendo uma série em forma de filme; os últimos 20 ou 30 minutos se prestam a algo que tem a cadência de uma longa despedida. Despedidas são chatas. Sempre. Com direito até a uma versão Dan Browniana com tempero de novela global para uma espécie de "Luke, I'm your father!".


E agora, meu Deus? Será que a gente volta para Anjos e Demônios?

O elenco parece o time do Fluminense. No papel é até bom, mas não sabe jogar junto. Ron Howard não foi um bom técnico nem mesmo com um Tom Hanks numa mão, uma Audrey Tautou na outra e... bem... digamos que se ele tivesse mais algumas mãos – para não ter que usar outras partes do seu corpo – ele teria ainda Ian McKellen, Jean Reno e Paul Bettany. Há de se convir que seja um elenco muito bom, todos já tendo mostrado bons trabalhos anteriormente. Entretanto, dos cinco, só Ian e Paul funcionam. O primeiro tira leite de pedra (sem trocadilhos, claro), enquanto o segundo tem o melhor papel para explorar e o faz bem. Não é suficiente. Os dois primeiros deveriam comandar, conduzir, mas parecem alunos da pré-escola aprendendo Educação Moral e Cívica com aquele interesse que lhes é peculiar. Por vezes, o caráter didático das interpretações de Hanks e Tautou beiram o teatro infantil ou atuação de propaganda eleitoral. Em nenhum momento passam credibilidade e, pombas!, Hanks é um dos meus favoritos! Concordo aqui com Dan Brown que, quando escreveu o "roteiro", já pensou em Harrison Ford. Não é melhor ator que Hanks, mas não tenho dúvidas que sua característica mais forte, mais entregue e mais kamikaze seriam muito mais convincentes num momento em que alguém chega e fala para tu que Jesus - sabe a quem me refiro, né? O Filho do Homem, não o guaraná - não é o que tu pensavas que fosse. São idéias-força que por si só deviam amarrar o público, mas a postura extremamente blasé dos dois não agarra nem corações nem mentes, só para pegar um termo batido. Pelo contrário, servem como Lexotan e deixam tudo meio letárgico. Os embates dialéticos que poderiam surgir com Tom e Ian dividindo a mesma tela transformaram-se em um capítulo de Telecurso 2º Grau (existe isto ainda?). E Audrey? Bem... Audrey pode ser uma menina adorável, mas é ainda assim uma menina. Uma Amélie Poulain. Já ouvi falar que Julie Delpy (Antes do Pôr-do-Sol) seria ótima para o papel. Bem, ao menos é mulher feita, tenho que concordar. Particularmente, preferia uma Eva Green (Os Sonhadores e Cassino Royale) ou Ludivine Sagnier (Swimming Pool). Jean Reno foi tão desperdiçado que parece que foi filmado por engano passeando pelo estúdio.


Se depender de mim e do resto do pessoal de camisola, nunca mais, rapá!

Há pontos fortes, claro. Muito mais para quem já leu o livro do que para o resto – minoria – da humanidade, já que a memória das palavras lidas, dos ambientes descritos e de pontos não inseridos na trama aguçavam a mente que naquele momento fervilhava para expulsar o Lexotan. Claro, nem tudo o que aparece é o que dizem ser. A Igreja de Saint Sulpice, por exemplo, foi feita em CGI (ficou bem mais limpa, diga-se de passagem), usando fotos 3D, pois não foi permitido filmar lá dentro, assim como na Abadia de Westminster, cujo interior foi reproduzido em outra igreja de Londres. As imagens do interior não eram tampouco detalhadas, mas ao menos foi possível ter uma idéia. Há também diversos sites por aí (eu mesmo escrevi a respeito aqui) e o livro ilustrado que já atendem este tipo de necessidade.

Então, como é que um filme onde os atores, com exceções, desempenham mal seus papéis, é mal montado, mal dirigido, mal executado e mesmo assim saio do cinema me sentindo bem? Simplesmente porque queria ver muitas coisas do livro e vi. Pena que as tenha visto como se fossem slides de Powerpoint - estanques - , quando deviam ser fluídas. Talvez tivesse outra impressão, se não tivesse lido o livro antes.

PS: Agora é moda falar mal do livro. Tem uma tal de aura intelectual por trás disto. Será que eu devo perder minha personalidade e seguir a manada?

Artigos relacionados:

Artigo 1 (2006) – Post sobre os Livros de Dan Brown
Artigo 2 (2005) – Post sobre Os Sonhadores

Artigo 3 (2005) – Post sobre Anjos e Demônios e O Código da Vinci