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terça-feira, 14 de outubro de 2025

Arraste-me para a ilha

Sam Raimi refilmando Swept Away do jeito certo? Tô dentro.


Achei o trailer bem divertido, mas sou suspeito. Rachel McAdams e Bylan O'Brien, por si sós, já têm a minha atenção. Em lados predatoriamente opostos, num híbrido doido de Náufrago com Louca Obsessão, melhor ainda.

E sempre que Raimi volta à direção, pra mim, deveria rolar aquele Plantão da Globo no meio da madrugada. Meu único pé atrás é com o roteiro, escrito pela dupla operária Mark Swift & Damian Shannon. Veremos.

Socorro! (!) tem estreia prevista para 30 de janeiro lá fora, mas se saísse por aqui na época do Natal, seria lindo.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Evil em 60 segundos

Não sei se é a abstinência da mistura de gore extremo com câmeras frenéticas falando alto ou se realmente o remake de Evil Dead será divertido como vendem as prévias, mas uma coisa eu sei: dificilmente será tão fiel e conciso quanto esse fan film:


Oa! Evil Dead in 60 Seconds foi dirigido/comprimido pela dupla Gigi Saul Guerrero e Luke Bramley. O resultado final é muito bom, recriando bem o clima do 1º filme (ou seria do filme original?), e está no festival de fake films (!) promovido pela Virgin Radio, de Vancouver.

Os caras lá são animados!

domingo, 6 de janeiro de 2013

Alea jacta Ash


Mesmo com o aval de Sam Raimi e Bruce Campbell (o Ash, em carne, osso e motosserra), meu ceticismo pelo remake de Evil Dead parecia possuir minh'alma como se fosse um demônio invocado pelo Necronomicon. Mas esse trailer "banda vermelha" deu uma decepada substancial nessa má vontade. É muito divertido. E por vezes genuinamente macabro, como foi o primeiro filme, mas sem as micro-inserções de humor. Agora fiquei curioso pra ver o que esses moleques aprontaram.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

The evil dead men do


Mais um tributaço montado pelo figura Daniel M. Kanemoto, do Ex Mortis Films. Acho que até o Necronomicon deixou escapar uma lagriminha de sangue.

Assista em fullscreen.

Dica do Sandro O Guardião da Kripta. Que está de site novo.

segunda-feira, 19 de março de 2007

SOEM AS TROMBETAS


Já começou. Ashley J. Williams, Ash para os íntimos, os putrefactos Deadites e o "Ancião Livro Sumeriano dos Mortos", vulgo Necronomicon, voltaram a aterrorizar este plano da existência. Aliás, este plano não... outro, tão mórbido e apocalíptico quanto: o mundo zumbificado dos superpoderosos Marvel Zombies. É como se escancarassem os portões do inferno, vociferassem "tomem o que é de vocês... e não façam prisioneiros!!", e os pobres humanos ficassem contando aqueles minutos intermináveis que precedem a carnificina iminente. Este é o feeling desta primeira edição de Marvel Zombies vs Army Of Darkness, uma belezinha de crossover em cinco partes que junta a surpresa cadavérica de 2006 com a cria máxima de Sam Raimi. Fico feliz só em lembrar que tem mais quatro pela frente.

Talvez o maior problema que poderia surgir aí - uma eventual descaracterização de Ash [anti-herói por excelência] e dos elementos-chave de Army Of Darkness - foi sabiamente evitado pela qualidade do material escrito por John Layman, que acabou contando com a providencial assessoria do zumbiólogo Robert Kirkman (Zumbis Marvel, Os Mortos-Vivos, comparecendo aqui como consultor criativo - ou "recreativo", pois é evidente que o cara está curtindo muito tudo isso).

A arte também me preocupava um tanto, já que eu estava totalmente rendido à crueza tétrica de Sean Phillips em Zumbis Marvel. Mas o talentoso Fabiano Neves (de Americana/SP!) se mostrou uma escolha certeira, mantendo uma dinâmica eficiente e criando uma esperta variação do estilo clean de Greg Land, em particular nas expressões faciais.

A capa - uma adorável subversão slasher de Uncanny X-Men #141, edição da clássica Dias de um Futuro Esquecido - mais uma vez ficou a cargo do necromaster Arthur Suydam. É um espetáculo à parte.


A história é suculenta. Ash chega ao universo Marvel bem ao velho estilão fui-cuspido-por-uma-fenda-interdimensional, ativa o seu Politically Incorrect Full Mode (a primeira piada é até meio cruel) e se depara com um quebra-pau entre Demolidor e o super-vilão Maça, da Gangue da Demolição. Após interceder, em nome da Lei e da Ordem, a favor do Maça, Ash topa com o primeiro evil dead naquele mundo. A entidade demoníaca anuncia o fim de todos os seres vivos e dá uma boa pista do por quê nosso herói foi parar lá.

Percebendo que o tempo não tardará a fechar, o calejado Ash tenta se acostumar à idéia de que está num planeta lotado de "palhaços fantasiados" e imagina que até viria a calhar uma ajudinha turbinada contra o famigerado Exército da Escuridão.

Claro que não é tão fácil: o eterno predestinado bate na porta da mansão dos Vingadores, mas o máximo que consegue é arrancar algumas risadas do supergrupo. É quando chegam notícias dando conta que algo estranho está acontecendo no centro da cidade...

O roteiro bem sacado de Layman revela vários trunfos escondidos na manga. Traz, inclusive, vários detalhes novos sobre a mortificação generalizada vista em Zumbis Marvel - a história aqui é ambientada antes mesmo da estréia dos zumbis-marvetes em Ultimate Fantastic Four #21 (publicada no Brasil em Marvel Millennium Homem-Aranha #56). Neste sentido, é o que parece ser o ponto alto da série. Principalmente em cenas pra lá de intrigantes, como uma em que um determinado herói é apontado como sendo o primeiro da prole maldita. Ou mesmo insinuando que este foi o causador de todo o megadeath living-dead.

Nada é explicado efetivamente, mas é sugerido que as próximas edições reservam algumas reviravoltas bem interessantes (além da pororoca de sangue e vísceras!). O certo é que o que está acontecendo aqui é absolutamente empolgante e, além dos méritos próprios, Marvel Zombies vs Army Of Darkness é um saboroso aperitivo para o banquete que será Marvel Zombies: Dead Days, projeto de volta com Kirkman/Phillips, que promete dissecar esta desgraceira toda.

Agora deu até fome.


Uma última raspinha de miolo neste crânio:


"...seu nome era Morte e o inferno o seguia"

O ótimo remake Madrugada dos Mortos, dirigido por Zack "Trocentos" Snyder, inspira opiniões bem antagônicas. A grande maioria relacionadas à simples falta de empatia com o gênero imortalizado por George A. Romero. Outras, mais passíveis de discussão, reclamam da ausência das críticas sociais constantes no filme original - aqui limadas no processo de adaptação.

Seja como for, a intro é território neutro. Ou deveria. Com um clima de desordem social e pesadelo urbano, a abertura do filme tem como trilha a canção "The Man Comes Around" - um pequeno e aterrador vislumbre do Apocalipse, segundo o man in black Johnny Cash (*1932 †2003). Não poderia ser mais adequado.


O dia que um cavaleiro chamado Morte cruzar o seu caminho, saia correndo. O inferno vem logo atrás dele!

sábado, 10 de julho de 2004

LEMBRA DISSO?®


Julho de 2001. Finalmente o teaser do filme Homem-Aranha estava on-line, após uma espera de mais de 30 anos (o pessoal da velha guarda que o diga)! Eram umas 4 horas da madruga e, após um senhor congestionamento na base de dados da Sony Pictures, finalmente baixei o disputado curta-metragem. Dezenas de reviews e análises já pipocavam em vários lugares da web, minutos depois dele ser disponibilizado, o que me deixava ainda mais ansioso. Mas, sinceramente, nada havia me preparado para o que eu ia assistir.

Com uma edição rápida e um roteiro simples, eu me deparei com o mesmo clima que estava acostumado a ver nas HQs, desde que era moleque. Os ladrões de banco high-tech, a ação veloz, o helicóptero dos vilões na cobertura do prédio, estava tudo lá... e o suspense para ver o aracnídeo, crescendo a cada frame. Após uma fuga espetacular, o susto. O helicóptero é bruscamente puxado para trás e eu ainda não havia assimilado que aquilo era uma teia... nada que dezenas de replays não resolvessem.

Aliás, esse teaser foi, com certeza, o vídeo que eu mais reassisti na vida (mais até do que o Dead End). Aquele helicóptero fazendo o papel de mosca presa na teia, em meio ao monumental World Trade Center, foi de gelar a alma. Eu estava tão assombrado quanto os malfeitores do filme. E o vislumbre final do Homem Aranha live-action foi indescritível. Ele se balançando nas teias entre os arranha-céus de New York era a realização de um sonho. Eu não acreditava no que estava vendo, literalmente. Minha lembrança mais próxima de um Aranha em carne e osso era aquele seriado medonho dos anos 70. Foi emocionante.












Já na terceira reprise (seguida) eu reparei no "Otto Octavius" do quadro dentro do banco. Bem antes de ler isso na web. Se eu tivesse blog naquela época... E olhando hoje, temos a certeza de que o segundo vilão da série já havia sido escolhido há muito tempo. Muitos cogitaram que seria o Lagarto ou o Venom. Tinha quem jurasse que seria os dois!


Após os atentados do 11/9, o teaser foi banido de toda e qualquer divulgação do filme. Achei uma pena, pois o herói simboliza a grandiosidade da cidade de New York, e seria sim, uma belíssima homenagem. Mas entendo perfeitamente esse caso em particular, que passa ao largo da censura instituída pós-atentado. O mundo estava traumatizado e era um momento muito delicado para questões de ordem pública.

Essa pequena pérola revolucionou o modo de se promover potenciais blockbusters e, como nunca foi vinculada ao filme em si, se tornou um momento único e inesquecível para os fãs do Amigo da Vizinhança. Foi a primeira vez que vimos o Aranha pessoalmente, de verdade.

Esse vídeo clássico está disponível aqui, para download.




PETER PARKFLY & SUPERMAN: RED SON - REDUX
(doggma's cut)


Analisar determinadas obras de forma mais técnica e particular é quase uma blasfêmia para alguns. Para esses, tudo tem de se limitar apenas à emoção. Geralmente isso ocorre quando se trata de um clássico reconhecido, e é fácil chamar opinião de pretensão. No escopo das HQs então, nem se fala... Fanboys são guerreiros xiitas que retaliam de forma selvagem e com requintes de crueldade passional. Eu sou um deles (paddawan ainda, mas sou sim), então conheço bem isso. Mas também sei que muitos guardam para si opiniões pessoais que diferem da maioria – talvez pra não gerar discussões, ou talvez por não ter saco para agüentá-las. É foda. :P

Como eu sou cabra-macho/bisneto de Lampião, questionarei aqui alguns pontos de obras consideradas irretocáveis e, "pior" ainda, recentes: Homem-Aranha 2 e Superman: Red Son. Putz.


Concordo que fui evasivo ao expressar em cotação o que achei do filme (embora o texto tenha ficado bem transparente). Antes, os pontos "negativos", que eu não que creio que o sejam, como o fato do Aranha ter parado o metrô. Ele consegue erguer cerca de 10ts, e é claro que esse nível de força lhe confere automaticamente uma resistência física sobre-humana. Não é qualquer pancadinha que faria o aracnídeo sangrar, por exemplo. Então, vejamos: esse nível de invulnerabilidade o livrou de fraturar as pernas nos trilhos, e foi um grande acerto ele não ter tido sucesso dessa forma. Levando em conta o peso e a velocidade do metrô, ali deveria ter umas 55/60ts de pressão pro Aranha segurar. Coisa pra um Hulk ou um Juggernaut. Se ele tivesse o brecado na hora seria osso de acreditar, mas ele ainda percorre uns 450m antes disso. Fazendo um contrapeso com picos de 10ts a cada 30m percorridos, dava sim. Sem contar com a ajuda do atrito existente entre as rodas e os trilhos. Além do mais, ele já fez coisa pior nas HQs (como suportar o peso da fundação de um edifício - isso que foi exagero). Pontuando a seqüência de forma corretíssima, o aracnídeo fica um caco após a façanha.


Ao contrário do que muitos acharam, não encarei como um erro grave o Parker ter revelado sua identidade pra metade de New York. Aquilo tinha de acontecer mesmo com o Harry e com a Mary Jane. Ninguém, em sã consciência, iria agüentar mais outro filme com o Harry choramingando e pressionando Parker, nem a deliciosa M.J. se esfregando no rapaz, sem sucesso ("ah, se ela me desse mole!"). Quanto aos passageiros do metrô, tudo certo também. A revelação de sua identidade contextualizou mais um elemento do sacrifício que a carreira de herói exige. E quando eles o carregaram cuidadosamente, ficou estabelecido um sentimento de solidariedade genuíno, muito mais verdadeiro do que o "mexeu com um, mexeu com todos" do primeiro filme (incitando uma reação coletiva ao 11/9, soando muito forçada). Isso foi um ponto a favor, na minha humilde e nada pretensiosa opinião.

Mas voltemos à lida: apesar do charme inegável que permeia a maior parte do filme, é inegável também que a estrutura da história é padronizada. É sim, tá tudo lá no manual dos filmes de aventura. A inovação no cinema pop acabou desde que Errol Flynn atirou a primeira flecha na pele de Robin Hood. Isso acontece. Lembro quando assisti no cinema o Terminator 2. Eu já sabia tudo do filme, como começava e como acabava. Até cenas importantes do meio eu já tinha visto na TV. Muito disso se dá em decorrência do marketing pesado, tal qual no spider-movie, mas a maior parte se deve mesmo à pouca ousadia do roteiro. No primeiro filme a grande sacada foi o motivo que levou Parker a ser um combatente do crime. Mérito de Stan Lee. Já HA2 veio "deserdado" de uma grande idéia e não se preocupou tanto com o quesito da originalidade. Isso não é exatamente grave, é apenas uma leve embaçada, afinal os personagens são tão carismáticos que tiram de letra qualquer clichê.

Também não é criticável a boa forma física exibida pela Tia May, quando se pendurou naquele guarda-chuva, no alto de um prédio. A intenção era de comicidade e a conclusão da cena foi simplesmente hilária.


Chato mesmo foi a suposta "morte" do Doutor Octopus. Assistir o Oquinho se rendendo e afundando que nem o Titanic foi, literalmente, um balde de água fria, principalmente depois daquelas lutas eletrizantes. E a calma relativa de todos perante aquela imensa esfera de energia foi anti-climática, especialmente quando o Oquinho estava caído e Parker ficou lá parado na frente dele. Cara, se aquela bolinha de gude causou tanto estrago na apresentação científica, aquela supernova era pra deixar todos desesperados. Acabou que a ameaça foi minimizada diametralmente à calmaria dos personagens envolvidos. Considerando que era a conclusão, esse deveria ser o auge do filme inteiro, a cena mais importante e a mais tensa. Esses detalhes foram ruins? Nem tanto. Poderiam ser melhorados? Poderiam sim, muito. Ficou faltando aquela última seqüência que povoaria nosso imaginário até o próximo filme.

Agora, detalhado: superior ao primeiro, mas longe de fazê-lo um retardatário. Nota que eu considero justa e sóbria pro HA2: 9,0 (a nota do primeiro é 8,5). Como podem ver, é uma excelente nota, mas não a melhor. Ainda não foi dessa vez que um filme do Aranha alcançou o nível de excelência.


A idéia do Superman comandando, com mão-de-ferro, um sistema totalitário e fascista já foi sugerido antes (vide Reino do Amanhã), mas Mark Millar elevou o conceito a novos patamares ao remanejar o super-caipira do Kansas para uma fazenda coletiva da Ucrânia. O roteiro é intrincado e sua complexidade é digna de nota. Saber transpor personagens já conhecidos para um outro contexto é difícil, e mais difícil ainda é saber que personagens. O Clark é uma força da natureza, uma fonte de inspiração e a representação máxima da ambição humana. É mais que um "super-herói", ele é uma figura simbólica, referencial e utópica - justamente a peça que faltava para o complicado tabuleiro de xadrez comunista. Tal qual o ideal soviético inalcançável, logo Clark passou a ser encarado como a personificação viva desses falsos anseios. Ninguém jamais chegaria um dia a ser um Super-Homem, a não ser ele próprio. Um Narciso ao avesso que só Freud explica e olhe lá.


Bom, qual é a bronca? Nenhuma, as pequenas imperfeições que se encontram em Red Son são próprias de edições especiais. Sentiríamos até falta se elas não estivessem lá. Um exemplo é a velocidade irregular da narrativa. Bizarro teve uma participação muito breve e carregada de mistério a respeito de sua natureza. Brainiac então, nem se fala. Ele vem do nada e é derrotado do nada também. Só aparece o CPU dele e olhe lá. Inimigos que poderiam render situações interessantes, como Metallo e Parasita foram reduzidos à experiências genéticas mal sucedidas. Se Red Son fosse uma maxi-série (como Watchmen) seria diferente, com certeza.


Uma pequena observação eu faria em relação ao contexto histórico envolvido. A história começa durante o período do pós-Guerra, na década de 50, retratando Clark como o braço forte de Josef Stalin. Não é especificado lá, mas imagino que o Super já estava com seus 35 anos de idade (seus poderes se manifestaram com 12). Bem, cerca de 15 anos antes, a União Soviética protagonizou um dos momentos mais críticos da 2ª Guerra. Eles foram responsáveis pela primeira grande derrota do exército alemão, em Stalingrado. Nessa época, Clark já deveria ter saído da fazenda e já estaria transitando pelos arredores de Moscou. Antes da virada em cima dos alemães, o povo russo foi vítima de um dos maiores genocídios da História da Humanidade. Só na Operação Barbarrossa, em 1941, foram mais de um milhão de mortos em apenas algumas semanas. Durante esse período, Stalin mergulhou em uma profunda depressão (ficou dias trancado em seus aposentos enquanto o povo era massacrado), devido à "traição" de Hitler, com quem havia assinado um tratado de cooperação mútua, pouco antes. Aonde estava Clark nesse ponto? Por que ele não interveio no massacre – pelo menos em território soviético?

Bom, isso de fato não é um ponto negativo e muito menos tira o brilhantismo da obra, afinal, toda história tem de começar de algum lugar. Pena que não começou antes. Millar perdeu uma excelente chance aí, mas obviamente foi intencional. Havia o risco de desvirtuar o objetivo da história, que era mostrar o impacto de um Clark soviético nos dias de hoje, e não nos dias de ontem.

Isto posto, proponho uma versão "sem cortes" de Red Son, com 12 edições de 100 páginas cada. :P

sexta-feira, 21 de maio de 2004

"JOE, CALL THE POLICE... MY GIRL IS A ZOMBIE!"

(Junkie Jesus Freud Project)


Posso me considerar um expert em filme de mortos-vivos. Eu me amarro. Já assisti todos os que foram relevantes no gênero. Do realista A Maldição dos Mortos-Vivos, de Wes Craven (A Hora do Pesadelo, Pânico) e o inovador Re-Animator (o da cabeça decapitada chupando a reentrância de uma moçoila desfalecida), até Força Sinistra, de Tobe Hooper, e a trilogia clássica de George A. Romero. No meio, tiveram umas bobagens até divertidas, como A Noiva do Re-Animator e Cemitério Maldito. Da geração nova, o mediano Resident Evil: O Hóspede Maldito (baseado naquele game tenso), o magistral Extermínio e a montanha-russa do inferno Madrugada dos Mortos (feliz remake de um dos filmes da trilogia de Romero).

Qualquer um desses salva um final de semana do tédio. E esses a seguir também, devidamente recomendados para estômagos que agüentam um sarapatel com limãozinho no boteco da esquina.


FOME ANIMAL


Esse filme, de 92, é pra se assistir ao som de Cannibal Corpse, Carcass, Autopsy ou qualquer banda que tenha temas tão singelos quanto trepar com um cadáver em decomposição. O filme é muito podre mesmo. Se você já assistiu A Mosca e achou nojento, então espere pra ver esse aqui. E, olha só que surpresa, essa pérola da podridão foi dirigida por um jovem e doentio Peter Jackson, ainda sem hobbits, nem estatuetas douradas na cabeça.


O nome dele é Lionel e ele vai enfrentar zumbis

Esse filme lá fora tem dois nomes, Braindead e Dead Alive. Sinceramente, eu nunca vi tanto sangue e carnificina na vida. É tudo exageradamente splatter, chega a dar azia. Fico só imaginando como foi a sessão da estréia de Fome Animal. Família reunida depois de um almoção no McDonald's... legal, hehe...

Aliás, uma das frases mais legais do Cinema está aqui: "Sua mãe comeu o meu cachorro!". Podreira nota dez!


Clique na sopa de sangue pra ver mais shots podres

Pra lembrar na hora do almoço: A mamãe zumbificada do “herói” comendo a própria orelha que estava boiando na sopa. Sexo melado entre zumbis, e com direito à posições que fariam corar o próprio Buttman.


EVIL DEAD




A Morte do Demônio, Uma Noite Alucinante, Evil Dead... seja lá como anda a nomenclatura oficial desses filmes, eles são marcos do horror gore. É um Sam Raimi fazendo o que sabe melhor: diversão pura e sem limites. Tudo bem, Evil Dead não é só uma “história de mortos-vivos”, tem muito mais que isso ali. Mas, como a idéia básica é sobre possessão demoníaca, inclusive de cadáveres, vá lá.


Os demônios aqui são pra lá de atrevidos e nem esperam a vítima bater as botas. Forçam uma possessão no protagonista Ash (Bruce Campbell), mas só conseguem dominar a sua mão. Nada que uma serra-elétrica não resolva. Aliás, só essa seqüência influenciou toda uma geração de filmes de terror e até virou tema de um filme inteiro: A Mão Assassina, com Devon Sawa (de Premonição), nada mais é que uma versão de uma hora e meia em cima dessa cena de Evil Dead.

Até hoje, esses filmes do Raimi são excepcionais no que diz respeito à parte técnica. Poucas vezes se viu uma câmera tão esquizofrênica quanto em Evil Dead. Em alta velocidade, ela voa pela floresta, persegue as vítimas, derruba portas, janelas e o que mais aparecer pela frente. Às vezes dá a impressão que ela também está possuída...

Pra mim, efeito inovador de câmera é isso aí... bullet-time my ass...!


Evil Dead I é terror puro, sem brincadeiras e com cheiro de enxofre. Já Evil Dead 2 é aquele furacão de referências pop com fartas doses de humor negríssimo, que o tornou um clássico imediato. Evil Dead 3 - Army Of Darkness, embora o mais fraco, é muito mais profissa. Ash tá sinistraço nesse filme. Vamos lá, reassista essas porras!

Pra lembrar na hora do almoço: Rios de sangue, tripas dilaceradas, carne podre, empalações, desespero, desolação, demônios querendo a sua alma.


A VOLTA DOS MORTOS-VIVOS



Um dos momentos mais divertidos da década de 80. Ao lado de Re-Animator e Evil Dead, é um filme que soube misturar terror com situações bem-humoradas de forma primorosa. A começar pelo próprio elenco. Ninguém tem nada a ver com ninguém ali. Todos são desajustados e parecem pedir pra serem devorados por zumbis famintos. Os zumbis aliás, são falantes e espertos. Tudo bem, não tão espertos, pois 97% do que eles falam é "Braaainss, braaainss..." Mas teve uma hora em que eles usaram o rádio da polícia para "solicitar reforços" (leia-se: "tragam mais comida"). Fome faz coisa.


Adivinha quem é a mocinha...

A história é aquela coisa: Tina é uma patricinha que vai à uma afastada cidade esperar pelo seu namorado, que está trabalhando num depósito. Por quê diabos ela só tem amigos doidões, só Deus e o roteirista sabem. Bem, no tal depósito tem um tanque com um material químico que foi extraviado pelo Exército, e claro que eles abrem o dito cujo. Daí pro cemitério tremer é um passo.


Esse "800" causou dor de cabeça na época (o DDD usado em filmes é "555")

A Volta... é quase uma sátira aos filmes do gênero, em especial da obra de Romero. O diferencial é a sua produção caprichada. Mesmo hoje, os monstrões são muito bem-feitos - cortesia do designer de produção William Stout. Aliás, o primeiro mortão a aparecer sorridente no filme, de tão legal, acabou virando um personagem cult: The Tar-Man. Olha ele aí, esbanjando simpatia.






A Volta dos Mortos-Vivos ainda contou com uma trilha sonora abençoada, cheia de bandas punk e góticas dando o tom. Tinha The Cramps, TSOL, Roky Erickson, The Damned e outras, só coisa legal.

Depois desse, ainda houveram duas continuações, com destaque para o terceiro filme, dirigido pelo insandecido Brian Yuzna (de Re-Animator).


"Explica o por quê dessa fome louca, mulher... digo, meia-mulher..."

Pra lembrar na hora do almoço: A metade de uma morta-viva explicando o por quê do vício em cérebros frescos. "Para aliviar a dooor... a door da mooorte", diz ela, bem pragmática.

Ah, e outra coisa...



Isso também foi memorável.

Segundo infos do Omelete, estão sendo preparadas mais duas continuações de A Volta..., a serem filmadas simultaneamente - Return Of The Living Dead 4: Necropolis e Return Of The Living Dead 5: Rave From The Grave (será "rave" de festa tecno?). Procurei por aí e realmente estão fazendo. Rave... já tem até pôster:


Qualquer semelhança com o Eddie, do Iron Maiden... ah, esquece

Não sei se essas são lá boas notícias, pois o charme da série ficou lá atrás, nos anos 80. Detestaria ver os mortos-vivos mais sacanas do Cinema fazendo sátiras de Matrix ou coisa que o valha.


Post ao som de Misfits, White Zombie e The Cramps... "Céreebroooss... Céreebroooss..."

domingo, 9 de maio de 2004

Saudades de Anthony Hopkins


Lembro de quando assisti Drácula de Bram Stoker pela 1ª vez. Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi o Prof. Abraham Van Helsing do sir Anthony Hopkins. Cerebral, lúcido e, ao mesmo tempo, quase irracional em sua obssessão e um tanto louco. Uma excelente contraparte para um inimigo formidável, que era um tal conde da Transilvânia. Isso foi em 1992.


Corta pra 2004. Temos aqui o diretor Stephen Sommers e seu Van Helsing - O Caçador de Monstros. Antes de mais nada, digo-lhes: esse filme é de uma ruindade do nível de Batman & Robin. Ruim toda vida. Parece que a carta branca que Sommers recebeu da Universal para adaptar seus monstros clássicos subiu-lhe a cabeça. Van Helsing erra no roteiro, em boa parte dos efeitos especiais, na escalação dos atores, enfim, em quase tudo.

Ironicamente, o filme começa muito bem, estilão horror anos 50 (em p&b, inclusive). Logo após esse início promissor, o filme nos leva à Londres, onde Van Helsing (uma espécie de agente do Vaticano, com a missão de caçar todo tipo de criaturas do Mal) enfrenta o psicótico Mr. Hyde. Logo, ele recebe a missão de ir à Transilvânia impedir os planos do Conde Drácula (Richard Roxburgh, afetado ao extremo), que é procriar e dominar o Mundo com a sua prole. Acontece que os vampirinhos só nascem mortos e a chave para resolver esse problema é a ciência empregada no Monstro de Frankenstein (Shuler Hensley). O Lobisomem (um esforçado Will Kemp) também marca presença, como leão-de-chácara do Drácula. Do lado dos mocinhos, o frade Carl (David Wenham, o melhor em cena) e Anna (a destrói-família Kate Beckinsale, fazendo biquinho durante todo o filme).

Há um certo limite inconsciente das mentiras e distorções das Leis da Física que se permitem por filme. Van Helsing é um festival de situações improváveis e soluções idem. Há repetição de idéias em uma quantidade digna de um processo do Procon (nem Tarzan se balançou tanto em cordas). Tem uma cena que lembra aquela do ônibus de Velocidade Máxima. Os saltos dos personagens superam aqueles do Demolidor do filme e, aparentemente, todos são imunes a quedas. Kate Fuckinsale então, nem se fala. A poderosa apanha mais que Jim Caviezel em A Paixão de Cristo e cai de alturas superiores a 10 metros, direto no chão de paralelepípedo. No caminho, ela vai batendo em árvores, sobrados, gárgulas e, se bobear, até num OVNI que estava passando. Tudo isso sem espirrar uma única gota de sangue e sem despentear aquele cabelo cacheado maravilhoso. Os ossos de Isaac Newton devem ter se sacolejado legal.

As atuações são constrangedoras, mas até que dá pra separar quem vai pro Céu dos atores. Will Kemp, Shuler Hensley e, principalmente, David Wenham, tiraram água de pedra ao tentarem atuar no meio de tanto absurdo. Hugh Jackman fica na dele, sem se comprometer muito (acho que até ele estava com o pé atrás). Aliás, o Hugh Helsing é praticamente um Wolverine vitoriano. Até o próprio passado ele desconhece! E de onde tiraram aquele "Gabriel" no nome do Helsing?

Agora, Richard Roxburgh estava totalmente camp (pra não falar boiola) como o Drácula. Opa, "Drácula" não, Vladislaus Dracullia (que mania de mudar o nome do Conde!). Mas quem leva a coroa da ruindade artística aqui são as Noivas do Drácula. Apesar de lindas, elas têm as vozes hiper-irritantes, são canastras ao extremo e falam pelos cotovelos. Sou muito mais as Noivas do Drácula de Bram Stoker (que tinham até a Monica Bellucci no meio!).

Entre idas e vindas (e eu já de saco cheio), chegamos à um clímax até interessante, à la Godzilla vs Mothra (telecatch de monstro gigante). Seria uma puta coincidência o filme começar e terminar bem, apesar do recheio estragado. Mas não acaba aí, e Sommers emenda um final que pode ser considerado o mais piegas desde Ghost - O Outro Lado da Vida - só que lá, fazia sentido.

Conclusão: A Liga já tem um parceiro na estante da locadora.

O pior é que Sommers dedicou o filme ao seu pai. Tsc, aposto que o coroa não merecia isso.




DECKARD E AS ADAPTAÇÕES DE FILMES


Não sou chegado em quadrinhizações oficiais de filmes. Hoje, não faz mais sentido. Ler HQs contendo aquilo que já vi em três dimensões lá na telona (e com muito mais dinâmica) é meio perda de tempo. Ok, gostei do traço da adaptação oficial do Homem-Aranha. Nem sei dizer quem é o artista, e nem mesmo cheguei a folhear a HQ (era um fundo de tela do Teia do Aranha). Esse é o meu interesse atual nas quadrinhizações oficiais de Cinema. Mas nem sempre foi assim...

A primeira revista desse tipo que eu li foi a adaptação do primeiro Robocop, que adorei, por sinal. A HQ (em p&B) era bem violenta e haviam várias "cenas" que não constavam no filme. Também perdi a conta de quantas vezes eu tentei desenhar aquela capa. :P


Clica em riba pra aumentar

Outras duas que comprei e gostei, foram as dos primeiros filmes do Batman e Darkman. Eu lembro que a do morcegão era superluxuosa e muito cara também. Eu era moleque na época e urrei pra comprar (e não foi dinheiro do papai não). A do Darkman eu comprei pelo frenesi que o filme me causou, mas confesso que era bem básica, sem grandes novidades. Ainda assim eu a lia direto. Infelizmente todas as duas perderam-se nas areias do tempo (e dos sebos). Uma nova sessão de DC++ me aguarda...


Existem várias adaptações que eu nem tinha conhecimento. Às vezes, a gente esquece que estamos nos referindo aos EUA, o país da capitalização. São feitas quadrinhizações até de filmes ruins. Muitas dessas versões em HQ nem chegaram a ser lançadas por aqui, talvez por serem muito fracas. Garimpando por aí (e numa absoluta falta do que fazer) achei algumas à venda, via web. Putz, adaptaram até o Timecop... O curioso é que a grande maioria dessas adaptações oficiais foram empreendidas pela Marvel Comics, mercenária toda vida.

Ah, e têm o (Rick) Deckard do título e a imagem da deliciosa replicante Pris... ambos são personagens do clássico Blade Runner - O Caçador de Andróides. Eu estava olhando a adaptação oficial, que foi lançada em outubro de 82 (!!), e reparei que, nos primórdios, a coisa era feita como se fosse uma transcrição quase exata das películas. No caso de Blade Runner, essa fórmula deu muito certo. Talvez porque o visual do filme já era embasbacante por si só. Foi um retrato no-future fascinante que deu vida ao termo cyberpunk. Prato cheio para uma versão HQ.

O traço (de Al Williamson e Carlos Garzon) é estiloso e cheio de classe. O argumento foi levado no piloto-automático por Archie Goodwin (quem?). Mas tudo bem, o filme continha as narrações em off do Harrison Ford, então não havia muito o quê fazer mesmo.

Separei alguns screens para fazer uma comparação entre a sétima e a nona arte.










Esses aí (e outros tantos) estão à venda bem aqui, mas eu aconselharia um uso melhor do cartão de crédito.

That's All, Folks!