Mostrando postagens com marcador X-Men. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador X-Men. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 10 de setembro de 2024

Adeus, Baterista


John Cassaday
(1971 - 2024)

Inacreditável é pouco, mas é verdade. Se foi o John Cassaday. Só 52. No curto tempo em que esteve neste lugar, nos maravilhou com sua arte única, repleta de simbolismos e assaltos sensoriais. Nem Planetary de Warren Ellis, nem Surpreendentes X-Men de Joss Whedon, nem Eu Sou Legião de Fabien Nury seriam os mesmos sem ele.

A bem da verdade, qualquer HQ melhorava 300% com seu traço.

Uma porrada dessas por si só já demanda um tempo para assimilar. No mesmo dia da partida de outra emblemática figura então, é dose pra sobrecarregar qualquer buraco negro informacional.

Descanse em paz, Cassaday. E muito obrigado.

sexta-feira, 9 de agosto de 2024

O cliente ficou louco!


Fiz sexo com o meu cartão hoje. A maioria saiu por quase metade do preço na promocha da Panini acumulando com o cupom HQBARATA – até o momento, ainda tá valendo.

Deu pra enxugar um pouco daquela lista de candidatos à zona de rebaixamento (= reimpressão só na próxima era geológica). Mais uma nóia para o gibizeiro pós-moderno...

quinta-feira, 25 de julho de 2024

Superleituras Marvel

“Tudo bem. Ninguém deve ler tudo. Não é assim que a obra deve ser vivenciada. Então, obviamente, foi o que eu fiz. Li todas as mais de 540 mil páginas da história publicadas até hoje...”
Não faltam ambições para Douglas Wolk em seu livro Todas as Aventuras Marvel (Conrad, 2023). E talvez a maior delas seja reconectar o velho leitor à essência da Casa das Ideias. Só por isso já valeu o mergulho em suas 415 páginas. Pra mim, foi restaurador. Finda a leitura, era palpável o senso de uma perspectiva renovada e ampliada. A vontade era de catar o 1º calhamaço de gibis pela frente e devorá-lo imediatamente. Não era um sentimento de urgência, mas de volta a um pertencimento. Como nos tempos em que folheava, deslumbrado, meus primeiros quadrinhos do Hulk, do Homem-Aranha e dos Vingadores.

Ok, para um leitor de longa data, a premissa do livro não é estranha. Ler tudo, tudo mesmo, é um devaneio recorrente. O escritor e quadrinista de Portland, por sua vez, foi à luta e leu cada um dos cerca de 27 mil gibis publicados pela Marvel desde 1961 até o fechamento do livro, em 2021. Moleza.

Segundo Wolk, a empreitada durou cinco anos e foi administrada com o mindset mais Tracy Lawless possível: com exemplares de sua coleção particular, de gibis emprestados de bibliotecas e amigos, por tablet, brochurões Essential em p&b, scans do Jack Sparrow (evidente!), pelo acervo digital da própria Marvel, em relançamentos deluxe, sebos, convenções e de onde mais brotassem revistas. Tática de guerra.

Sobre a metodologia, o autor não fornece grandes detalhes. Esta, IMHO, era uma história que merecia ser contada, inclusive com fotos, diários e rascunhos. Tenho lá uma imagem mental da cena, mas o mesmo afirma reiteradamente que o processo foi muito espontâneo e informal. Inclusive me parece bem estoico a respeito.
“Mais uma vez, a incompletude faz parte da diversão dessa história interminável, imperfeita e criada de forma colaborativa.”
A cronologia Marvel é, provavelmente, o maior cadáver esquisito já elaborado na História.

A criação do universo compartilhado foi o divisor de águas da editora – cujo ponto zero é fantasticamente triangulado no livro como sendo em Kathy #14, Patsy and Hedy #79 e Patsy Walker #98, todas de dezembro de 1961. São HQs sobre romances adolescentes e jovens modelos e que, pela 1ª vez, interagiam entre si. Nascia ali o crossover.

Com o passar das décadas, esse universo foi ganhando contornos meio vilanescos, afastando neófitos que julgavam imprescindível a leitura de tudo o que havia sido lançado até então. “Por onde eu começo a ler tal HQ...?” ainda é uma das perguntas mais frequentes no meio.

Wolk, com poucas exceções, abriu mão da leitura por ordem de publicação. Lia o que queria (e o que podia) no momento, partindo da teoria de que cada HQ é formatada como uma potencial porta de entrada para novos leitores. Na Marvel, inexistem hermetismos ou longos períodos no escuro. Tudo é feito para facilitar o entendimento em uma saga de 60 anos de cronologia ininterrupta. Só assim para garantir a renovação e o fluxo de leitores. Por mais confusa e caótica que uma história em andamento possa ser, ela nunca será intransponível e nossa habilidade de juntar as peças de um quebra-cabeça, seja em alguns meses ou em alguns anos, é tão natural quanto respirar.

O que tira algumas toneladas de obrigação conceitual das minhas costas. Me lembrou que posso pegar qualquer HQ da pilha e me divertir, sem maiores elucubrações. Pela capa que seja, como nos velhos tempos. E aí vai mais um ponto para o escritor.

O livro guarda uma tensão inicial sobre como Wolk irá destrinchar sua experiência em texto. O modo como ele mapeia o sequenciamento criativo da Marvel é muito eficiente e com alguns sacrifícios dolorosos já esperados. Faz parte. Não dá pra contar tudo. Já fiquei muito satisfeito com os capítulos sobre Quarteto Fantástico, Homem-Aranha, Shang-Chi (meu segmento favorito), X-Men, Thor & Loki, Pantera Negra (meu 2º favorito), Walt Simonson, Jonathan Hickman e outros. Foi um trabalho hercúleo.

O escritor também destaca o fato da Marvel reverberar as mudanças culturais de cada zeigeist com seus aspectos cada vez mais diversos e pluralistas – da forma mais esforçada possível para um produto desenvolvido majoritariamente por homens brancos e americanos. Quase todo o escopo da “Montanha da Marvel" (como ele mesmo se refere ao projeto) é sedimentado sobre observações sociais e políticas*.

* pois é, a Marvel sempre foi política. E seu gibizinho nunca te enganou a esse respeito. Não seja aquele cara.

Há um trecho notável em “Norman Osborn e seu Reinado Sombrio” onde ele parte kamikaze rumo à reflexão:
“A melhor obra de ficção que já vi a respeito da vida durante o governo Donald Trump — a que capta com mais precisão o lento avanço do desespero e da tensão daquele período na cultura americana — é Reinado Sombrio...”
Palavras dele com a precognição da Marvel respingando nas teclas. Reinado Sombrio rolou de 2008 a 2009, oito anos antes daquela administração, mas os esquemas de conspiração e desinformação em massa denunciam as similaridades entre o Duende Verde e o Duende Laranja.

Na reta final, chega a ser inusitado como Douglas Wolk consegue encontrar emoção genuína na série da Garota-Esquilo (!). E continua, em “Passando o bastão”, num relato mais intimista de suas experiências de leitura ao lado do filhinho de 10 anos. É comovente e simplesmente espetacular. Na saideira, os agradecimentos e, de voleio, um apêndice-intensivão onde ele sumariza toda a Saga da Marvel até aqui. De novo, a escala é mesmerizante.

Tirando a capa (há outras melhores), só elogios para a edição da Conrad. Especialmente o trampo minucioso de André Gordirro. Além de traduzir e adaptar, ele garimpou nomes de personagens, histórias, sagas e títulos espalhados em várias editoras brasileiras e cruzou com as referências metralhadas em mais de 400 notas de rodapé. Neste quesito, o e-book sai ganhando com seus práticos links indo e voltando de cada notinha – aliás, confesso que Wolkeei e li parte da obra na versão física e parte na versão digital.

Todas as Aventuras Marvel é tão divertido, informativo e analítico quanto se propõe. Não tem a pretensão de reivindicar a verdade absoluta em suas teorias, mas ajuda demais a vislumbrar a complexidade deste imenso quadro que é a cronologia Marvel. É uma volta à jornada fantástica e incipiente que nos encantava e uma oportunidade singular para reavaliar esta mesma jornada como um todo.

Que venha o volume 2, 3, 4... Vamos lá, Doug. Ainda sobraram muitas aventuras pra contar.

Site oficial
Podcast Voice of Latveria
Entrevista no TCJ

segunda-feira, 27 de maio de 2024

Meus 97 centavos

Sempre gostei mais de X-Men: Evolution do que de X-Men: The Animated Series.

Sério.


Agora que só ficaram os mais fortes (e leitor do BZ é, antes de tudo, um forte®), um contextinho. X-Men na década de 1990 foi a galinha dos ovos de ouro da Marvel. Fenômeno legítimo, daqueles estoura-bolhas. Não acompanhava quadrinhos naquela década, mas vivia topando com imagens de Wolverine, Vampira, Gambit e Cable em mochilas, lancheiras, camisetas, bonequinhos paraguaios, em tudo que é canto. Coisa que não acontecia nem na fase Claremont/Byrne. Naqueles tempos de internet a lenha, isso era um feito incrível.

Inclusive, soube primeiro da existência da série animada por um colega de trabalho cujo perfil era o mais antigibizeiro possível – estava mais pra Lucky Luciano mesmo. Mas assinava a Sky e, por consequência, a Fox Kids.

Quando finalmente assisti alguns episódios do desenho (num TV Globinho, acho), me surpreendi com a transposição do material. À 1ª vista, parecia tudo muito fiel. Claro, as adaptações e supressões devem ter deixado o leitor assíduo se roendo, mas, em termos gerais, a série trazia elementos das HQs até então impensáveis para o formato. Todas as discussões sobre preconceito, política segregacionista e extremos ideológicos estavam lá. Coisas como os Amigos da Humanidade e os Sentinelas de Bolivar Trask são mais atuais do que nunca, infelizmente. Junto com o combo vieram a estética atualizada e o fanservice massavéio de porradaria e ação nonstop. E esse era o grande problema da série pra mim: o pacing.

A montagem truncada ia de zero a cem em 0,5 segundo. Pausas para respirar/refletir/absorver inexistiam. Sequências frenéticas de ação eram emendadas umas nas outras sem nenhum critério. O material-base tampouco ajudava, com toda a mixórdia de clones, viagens no tempo, versões alternativas, alienígenas, retcons, etc, etc. Era o puro suco dos anos 90. Tudo isso ultraprocessado e prensado na deadline de 22 minutos/episódio. Uma dramática queda de qualidade para quem já assistia/venerava Batman: A Série Animada.

Mesmo assim, o desenho foi um sucesso estrondoso. Além de render 5 temporadas, seu molde rápido e rasteiro foi implementado em novas séries, de Homem-Aranha (que conseguia ser ainda pior na correria narrativa), Homem de Ferro e O Incrível Hulk até Quarteto Fantástico e o meu favorito, Surfista Prateado.

Portanto, afirmo sem dor na consciência (e amor à integridade física) que tive muito mais satisfação com X-Men: Evolution alguns anos depois. Era uma adaptação mais abrangente, porém sensata e pragmática. O storytelling, embora mais juvenil na 1ª temporada, era tridimensional e humano, com dramas e tensões finalmente bem desenvolvidos. Garotas & garotos numa escola agindo como garotas & garotos numa escola, ora pois.

Logicamente, o desenho foi excomungado pela fanboyzada.


Toda essa introdução bíblica (ops) só pra confirmar o óbvio: X-Men '97 foi produzida milimetricamente para agradar os órfãos da série original. Engajar diretamente novos fãs tem menos peso do que impulsionar o boca-a-boca elogioso dos antigos. Isso inclui até a recriação da abertura e do clássico tema original, escrito por Ron Wasserman e composto por Haim Saban e Shuki Levy, readquirido a peso de ouro após um quiprocó judicial. A produção chegou ao requinte de reunir vários dos dubladores originais para mais uma rodada.

Eles não pouparam esforços. Estão de volta as vozes da empolada Alison Sealy-Smith como Tempestade, Cal Dodd como Wolverine, George Buza como Fera e da estridente Lenore Zann como Vampira*.

* AJ Michalka, que deu voz à Felina em She-Ra e as Princesas do Poder, seria perfeita para a Vampira, mas os X-fãs têm verdadeira adoração pela Lenore...

Ao contrário do He-Man de Kevin Smith, o showrunner e roteirista Beau DeMayo interferiu o mínimo possível no efeito nostálgico do material – um elemento ao mesmo tempo poderoso e incrivelmente sensível, vide a histeria em torno do crop top do Gambit e da natureza não-binária do Morfo.

Do ponto de vista dramático e narrativo, as coisas estão melhores. Ainda aceleradas, contudo.

Ao longo dos 10 episódios desta 1ª temporada (contra 13 da série original), é feita a ponte entre as animações e adaptados os arcos do julgamento de Magneto, a bela fábula protagonizada por Tempestade e Forge em “Morte em vida”, as saliências de Magneto com Vampira, o casa-separa do Professor Xavier com Lilandra no Império Shi’ar, a destruição de Genosha, os paradoxos temporais de Cable e Bishop, as maquinações do Sr. Sinistro com Bastion e a Operação Tolerância Zero, mais pitadas da fase Grant Morrison à moda da casa.

Muita coisa esdrúxula acontecendo com muita chance de virar bagunça. Não virou e nem precisei fazer vista grossa. Não muita.

O massacre em Genosha por um Tri-Sentinela massivo foi meio rápido e com uma conclusão forçada – o que uma bateria cajun pode fazer que o Mestre do Magnetismo não poderia? E o Capitão América, reduzido a um pau-mandado do governo, estranhamente remete ao Clark em O Cavaleiro das Trevas. Proselitismo de 5ª, visto que esse não é o perfil dele.

Já a famosa sequência de Magneto extraindo o adamantium de Wolverine foi um gol perdido embaixo do travessão. Por que negar ao espectador-leitor a animação integral da cena? Melhor voltar a contemplar a terrível capa fingindo que é um Renoir.


Outro trecho que me incomodou no apoteótico final foi a batalha transcorrendo ora no Asteróide M, ora na Área Azul da Lua. Tudo testemunhado pela estupefata população terrestre, que não desgrudava os olhos do céu. Não sou astrônomo, mas até o Groo sabe que a Lua não é na esquina. Parece que o tempo e a chatice me pegaram de jeito.

O delivery body horror, quem diria, foi generoso. Em especial, o episódio #2, com a Madelyne Pryor personificando a Rainha dos Duendes. Surpreendente. O mesmo para os milhares de civis inocentes retorcendo seus corpos ao serem convertidos em Suprassentinelas. E com Bastion desfigurado e com seu lado Nimrod cada vez mais exposto na reta final, foi difícil não lembrar do amálgama Luthor-Brainiac na perfeita/maravilhosa/salve-salve Liga da Justiça sem Limites.

Além do Cap, foi muito legal ver os cameos do Homem de Ferro com sua Mark XIII Modular, do Homem-Aranha, do Demolidor, do Dr. Estranho, de Manto & Adaga, do Pantera Negra, de membros da Tropa Alfa e alguns ex-Supersoldados Soviéticos. Todos bem inseridos dentro do evento – cada qual no seu quadrado – e dando uma sensação de unidade ao Universo Marvel tal qual os desenhos da WB fizeram pelo Universo DC um dia. Ficou a sensação de que muito tempo foi perdido e que nestes anos todos poderíamos ter visto animações maravilhosas de cada um deles.

X-Men '97 deu uma boa melhorada neste cenário. Se a próxima temporada tiver a ambição e o coração nos lugares certos, não só os X-Men sairão beneficiados, como a história de sucesso multifranqueado poderá se repetir. Desta vez, com a régua lá em cima.

Afinal, todos sabem que é só através da arte que os heróis... renascem.

É, isso saiu esquisito.

segunda-feira, 1 de abril de 2024

Para os que ficam


Edward R. Piskor Jr.
(1982 - 2024)

Se foi o Ed Piskor. Voluntariamente. Com apenas 41 anos.

Descrever a rápida saga que levou à sua implosão profissional e pessoal é exaustivo só de pensar a respeito. O jornalista, escritor e tradutor Érico Assis montou um fio compreensivo e prático.

Li alguns trechos da carta de despedida. Só consegui ver ressentimento, instabilidade e imaturidade. Talvez com razão – talvez não. Muito ainda será discutido a respeito e termos como cultura do cancelamento, tribunal da internet, saúde mental, vitimização e/ou culpabilidade da vítima serão atirados no ventilador com toda a força.

A repercussão desse caso ainda vai durar um bom tempo no escrutínio público. E não poderia ter vindo em pior hora para alguns ex-queimados estão ensaiando um retorno à cena. A verdade é que ninguém sabe ainda como fazer isso direito. Piskor não soube.

Já comentei aqui: adorava o Cartoonist Kayfabe que ele dividia com o ex-amigo Jim Rugg. E considero Hip Hop Genealogia e X-Men: Grand Design alguns dos quadrinhos mais importantes das últimas décadas. Mas estaria mentindo se afirmasse que, para mim, a fruição dessas obras não sofreu um baque com as escolhas de vida (e de morte) do autor. Como tantos outros antes dele e, temo, depois também.

Da mesma forma, também não sei o que fazer sobre isso. Não ter controle sobre uma situação é foda.

Descansa em paz aí, Ed Piskor.

domingo, 11 de fevereiro de 2024

Whoa, Wade, whoa, Wade, whoa, Wade, whoa, Wade...

...o trailer de Deadpool & Wolverine / Deadpool 3 ficou bom bagarai!


Provavelmente vai pegar um pouco para quem não viu Loki e passou batido pela TVA, mas devem mastigar e regurgitar o conceito em dois minutinhos. Além do mais, após Ultimato, a ideia de multiverso viralizou bolha afora. Fora que nem é nova. Taí o crossover entre os universos Bombril & Bamerindus que não me deixa mentir e ainda entregam minha velhusquice. Sopa no mel para os neófitos.

Confesso que acho a metalinguagem dos filmes do Deadpool um pouco demais, mesmo alinhado com o quadrinho. O problema é que esse "God mode" e a autozueira me impedem de me importar o suficiente com as ameaças que o maluco enfrenta – particularmente em Deadpool 2. Mas é indiscutível que ver algo diferente da fórmula Marvel já dá uma injeção de ânimo na veia. E foi só um trailer.

A pergunta, então, se faz inevitável: Deadpool & Wolverine poderá salvar o Universo Cinematográfico Marvel?

Na minha opinião, o MCU tem sido mais dispensado do que assistido, propriamente. É o "não é você, sou eu" das franquias blockbuster interligadas. Algo previsível e inevitável se não apimentarem a relação. E é aí que entra o Wade Wilson.

Ryan Reynolds nasceu pra isso, sem discussão. Assim como Hugh Jackman – sabiamente não revelado – também já nasceu pra isso, uma vez. Surpreso apenas de rever a Morena Baccarin na série. E foi estranho e muito legal me deparar com o Matthew Macfadyen na prévia. Esse cara é fodão (já assistiu Um Refúgio no Passado, nome merda brasileiro para In My Father's Den?) e completamente estranho nesse nicho. E tem outro nome do elenco registrado no IMDb que só podia figurar nesta produção mesmo. Se não ligar para spoiler, vá lá.

No mais, precisei voltar ao ponto 1:47 só para me certificar de que não era o Victor ali. Que susto. E quero o Troféu Cata-Piolho pelo gibi de Guerras Secretas atirado no chão lá no finalzinho. Fiquei bem curioso para ver como o diretor Shawn Levy (Gigantes de Aço, Free Guy) trabalhou as zilhões de referências dessa gigantesca caixa de brinquedos.

Mas voltando... sim, acho que pode salvar sim.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

“I bless the rains down in Africa...”

Notícia velha-para-os-padrões-atuais, mas relevante ainda. Quiçá para sempre.

O diretor Matthew Vaughn revela que deixou de dirigir 'X-Men 3: O Confronto Final', depois que os executivos escreveram...

Publicado por Taverna Marvel em Domingo, 15 de outubro de 2023

Não que seja alguma surpresa – e não me surpreendi mesmo. É mais uma polaroid da velha Hollywood em plena ação. Em perspectiva, é tão imoral quanto fascinante. O mundo gira a mil: X-Men: O Confronto Final garantiu a presença VIP de Halle Berry, o delator Matthew Vaughn (e palmas para ele) acabou trabalhando na franquia ao dirigir X-Men: Primeira Classe – portanto, sob mordaça contratual – e todo aquele status quo foi para o vinagre quando a 21st Century Fox fez uma viagem só de ida para a Disneylândia. E adeus à mordaça.

Ou seja, o que importava muito, agora não importa mais nada. A metáfora da vida.

O pior é que o roteiro fake era de fato promissor. Além da ideia cativante (menos para o executivo escroque), mesmo batida para os quadrinheiros veteranos, era uma deixa para futuras abordagens da origem da Tempestade. Quando a internet ainda era mato, já se discutia sobre como a vida pregressa de Ororo Munroe daria um filmão ou uma puta série de TV pelos fóruns e grupos de e-mail que fervilhavam na esteira de X-Men (2000) e X2 (2003) – bons tempos de ócio laboral.

Um ótimo ponto de partida seria o período em que ela era uma jovem ladra nas ruas do Cairo, sendo treinada por Achmed Al-Gibar, mestre da Liga dos Ladrões. Alguns flashbacks dariam conta da trágica morte de seus pais e do trauma que gerou a sua claustrofobia. Nesse meio-tempo, seus dons mutantes começariam a aflorar. Pronto, plot entregue.

Esse background foi montado pela 1ª vez na The Uncanny X-Men #103, em fevereiro de 1977.


Chris Claremont e Len Wein com as artes dos fabulosos John Byrne e Dave Cockrum relaram nesta fase também na Giant-Size X-Men #1, em 1975, e na The Uncanny X-Men #117, em 1979. Salvo engano, nada muito além disso. Apenas levantaram essa bola para ser cortada anos depois, nas boas minisséries Ororo: Before the Storm, de 2005, e Tempestade, de 2006 – fora as referências pontuais ao longo do caminho.

É uma história e tanto. Digna de ser contada fora dos gibis. A Ororo merece.

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Os Velhos Mutantes


Nas HQs, os Novos Mutantes enfrentaram sagas espetaculares e monumentais, mas nenhuma comparada à saga de sua 1ª adaptação para o cinema. Os Novos Mutantes é sério candidato ao hall (hell?) dos filmes com bastidores turbulentos – um seleto clube onde se encontram preservados em carbonita O Portal do Paraíso (1980), Street Fighter (1994), A Ilha do Dr. Moreau (1996), Os Chefões (1996) e Quarteto Fantástico (2015), entre outros diamantes do ego humano. Porém, ao contrário destes, a culpa não é do diretor Josh Boone, mas é das estrelas (ah, essa foi boa, vai): a produção, que teve início oficial em julho de 2017, sofreu mudanças de direcionamento após o sucesso de It, ganhou refilmagens para reforçar os aspectos de terror, foi parar na geladeira após a aquisição da Fox pela Disney, teve vários cortes do estúdio até o derradeiro, em que o cineasta o deixou mais próximo de como foi idealizado originalmente, e sua data de estreia foi adiada só Deus sabe quantas vezes.

Ah, e teve a pandemia.

Amém.

Com esse perrengue todo, surpreende que o filme consiga entregar uma boa horinha e meia de distração – nada que corresponda à expectativa gerada por aquele longínquo 1º trailer, porém. No geral, forma e conteúdo remetem a um típico piloto de série nos padrões atuais.

Um pouco disso é pelo timing há muito perdido para a invasão dos super-heróis pelo streaming nos últimos anos. Outro pouco pelos flutuantes valores de produção sambando pra deixar tudo mais ou menos nivelado. E outro pouquinho pelo roteiro um tanto fugaz, escrito pelo próprio Boone e por Knate Lee, esticando a trama adaptada da clássica Saga do Urso Místico, de Chris Claremont e Bill Sienkiewicz, enquanto atira umas migalhas ao incerto futuro da franquia.

O primeiro terço da história é conduzido por Danielle Moonstar (Blu Hunt), uma jovem nativa Cheyenne que perdeu o pai e todos de sua reserva em um terrível desastre. Acolhida por um abrigo dirigido pela Dra. Cecilia Reyes (Alice Braga), Danielle descobre que tem o gene mutante e está no, por assim dizer, "desabrochar" de sua mutação (existem metáforas mais sutis). Ela também descobre que não é a única nessa situação: estão lá os internos Rahne Sinclair (Maise Williams), Illyana Rasputin (Anya Taylor-Joy), Sam Guthrie (Charlie Heaton) e o brasileiro¹ Roberto da Costa (o brasileiro² Henrique Chagas Moniz de Aragão Gonzaga... ou simplesmente, Henry Zaga). Isso sem contar o mal que começa a rondar poltergeisticamente pelas instalações.


Como se vê, qualquer peso-galo em terror e ficção-científica já consegue matar todas as charadas do filme só de ler esse plot. Nesses termos, quem esperava um êxtase roteirístico vai fechar o app com sensação de punheta/siririca mal batida. Mas Boone consegue temperar bem esse arroz-com-feijão (putz, perdi a fome) e – aí vai a principal qualidade de Os Novos Mutantes – ainda é bastante ajudado pelo competente elenco, mesmo com todas as constrições e a limitadíssima dinâmica do roteiro.

O brit Charlie Heaton (de Stranger Things) faz uma interessante composição de Sam Guthrie/"Míssil", com um sotaque carregadíssimo do Kentucky. A sempre carismática Taylor-Joy se diverte como a arredia Illyana/"Magia", mesmo com a ingrata missão de ressignificar o dragãozinho Lockheed para o filme. Faltou algum sotaque para a russinha, mas aí já é pedir demais. A estreante californiana Blu Hunt foi uma bela surpresa, juntamente com a excelente Maise Williams (Arya!). A química entre "Miragem" e "Lupina" é, fácil, a melhor coisa do filme, junto com as culpinhas católicas da última.

Já Alice Braga, completamente engessada pelo enredo, exercita uma canastrice nunca antes vista na filmografia da atriz nem aqui, nem em Roliúdi. Faz parte. O que me leva ao brasiliense Henrique Ch... digo, Henry Zaga. Mezzo toy-boy, mezzo alívio cômico, o rapaz esteve em meio a uma controvérsia relacionando o seu Roberto/"Mancha Solar" à prática de whitewashing, o que não poderia estar mais longe da verdade.

De fato, seu casting pode ser o início da quebra de um antigo paradigma que retrata brasileiros invariavelmente como afrodescendentes. Ora, sempre fomos a Pangeia II, a Krakoa adormecida. Além de afrodescendentes, somos nativos indígenas, asiáticos, italianos, alemães, árabes, israelitas, acreanos e por aí vai. Aceitamos até argentinos. Lado a lado ou misturados. E vice-versa.

Nitidamente, faltou ao filme uns trinta minutos a mais para desenvolver melhor o cenário. Afinal, esse núcleo tem alguns dos personagens mais ferrados que vejo em muito tempo. Todas as bagagens pessoais ali são pesadaças e tinham um potencial de assalto psicológico nível Trilogia-Corpo-Fechado-encontra-Penny-Dreadful-e-tomam-um-porre-no-Bar-Zeitgeist-2020.

Mesmo o verniz de terror prometido nas promos é tênue, talvez para não assustar a PG-13zaiada. No fim, acaba lembrando uma versão ainda mais diluída de Aterrorizada, aquele John Carpenter light de 2010.



Spoiler devagar, spoiler bem devagarinho

Incomoda ver a Dra. Reyes dando conta sozinha do complexo, de todo o perímetro e de cinco mutantes. Mesmo com seu poder, impraticável. Ainda mais depois que é revelado que o projeto é bancado pelo Nathaniel E$$ex.

Aliás, exterminar uma possível mutante Ômega por representar extremo perigo? Ora, Sr. Sinistro do filme, tire essas fitas pretas que você não merece...


Fim do spoiler devagar, spoiler bem devagarinho


Em que pese a empolgação dos garotos nas cenas de ação e o escopo gigantesco do último ato, a coisa acaba esbarrando no teto baixo do orçamento. Então, tirando por menos a montagem enche-linguiça e a falta de traquejo do diretor com a pancadaria super-heróica, posso dormir tranquilo após afirmar que o quebra final é satisfatório.

E que o Urso Demônio é quase aquilo que sonhei em adoráveis pesadelos sienkiewiczianos...

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Dias de um Futuro Lembrado

É com imensa satisfação que venho comunicar que Jonathan Hickman conseguiu de novo.


Acabei de sair de Powers of X #6, último capítulo da dobradinha com os outros seis balaços de House of X - HOXPOX para os íntimos que leram todas as edições mais de duas vezes pra não deixar escapar nada. E acompanhado das grandes artes de R.B. Silva e Pepe Larraz, Hickman entrega, não querendo estragar o menino, a 6ª Era dos X-Men, precedida, na ordem, por Stan Lee/Jack Kirby, 2ª Gênese de Chris Claremont, Chris Claremont/John Byrne, Grant Morrison e Joss Whedon (vamos apenas reconhecer o impacto pop-cultural dos anos 1990, certo?).

É excepcional assim - independente do que a Marvel fizer daqui pra frente nos títulos Dawn of X. Um case perfeito tanto para recuperação de marca quando de material pra cinema. E que material.

Tem mais, gafanhoto: após 38 anos de indústria vital, não é qualquer reviravoltinha que me faz perder o rumo de casa. Mas o caminhão narrativo - e atropelativo - de Powers of X #6 não tem nem placa.


Nem eu, Moira... nem eu...

"Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas" - Sun Tzu, A Arte da Guerra

Com o fim de HOXPOX, muito ficou para ser resolvido e/ou administrado no jogo de volta dos títulos X (Sina, Rei Vermelho, os cortes do diário de Moira, a agenda do Bar Sinistro e por aí vai). A torcida é que os coitados dos roteiristas deem conta - o que soa como jogar na casa do adversário precisando vencer com 2 gols de diferença. Mas vou conferir todos eles, obedecendo homo sapientemente o checklist indicado.

E é assim que se vende revistinha, Marvel.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Imagine all the mutants... living for today... except Cree-eeeed

A tentação do final idealizado em House of X #6 é intoxicante, irresistível, quase tangível. E Jonathan Hickman faz história (em quadrinhos).


Muito embora, pessoalmente, não tenha sido arrebatado tanto quanto gostaria (ou deveria). Tal qual o En Sabah Nur ali no canto, imerso em reflexões milenares, eu reluto em aproveitar a festa.

Já havia me incomodado o ritual à renascer carismático na quase Jim-Jonesiana House of X #5, me lembrando que fé demais pode cegar. E no decorrer dessa 6ª edição vi uma Krakoa na frente dos bois. Emocionante, sim, mas prematuro.

Quem pode garantir que a resposta do mundo ao anúncio de Xavier & cia. será de acordo com esses anseios? E se algo der errado de novo? Ou terrivelmente errado? O que acontecerá - ou já aconteceu - em Powers of X #6?

Chega um pouco pra lá, Nur...

domingo, 22 de setembro de 2019

A new day rising


Se Powers of X #4 é fascinante, House of X #5 é estado da arte. Jonathan Hickman não para de quebrar paradigmas e de nos arrastar para fora da zona de conforto. E quem precisa deles, afinal?

Nas sábias palavras de um amigo:
"Épica. E é pica. Tão icônica quanto a anterior, mas por motivos bem mais relevantes. A quantidade de rupturas estruturais que ele fez com os mutantes do passado é impressionante. E que elegância na forma de trazer de volta os ícones". 
E tenho dito.

domingo, 15 de setembro de 2019

Contato X

Estava me guiando assim: enquanto Powers of X levantava a bola, House of X cortava. Mas sabe quando aquele(a) coadjuvante com tempo mínimo de tela revela uma inesperada empatia?


Até aqui, X³: Year One Thousand foi o segmento mais hermético de Jonathan Hickman na construção do novo status quo dos X-Men. Nem mesmo dá pra chutar qual é a ligação possível com as demais timelines - e muito menos suas implicações. Futurista demais, cósmico demais, existencialista demais. E isso é demais!

Já reli Contato, do saudoso Carl Sagan, mais vezes do que posso lembrar. E não consigo dissociar essa narrativa de Hickman do antológico clímax do livro, quando humanos finalmente se encontram com uma inteligência extraterreste. O escopo evolutivo/tecnológico daqueles alienígenas é inconcebivelmente vasto e quase... mágico aos olhares pasmos dos pobres e atrasados terráqueos.



Essa é exatamente a escala em que imagino existir uma "Sociedade Galáctica com Espécies de Inteligência 1,000,000" - ou o Phalanx. Nas palavras (metódicas) de Hickman, "uma sociedade interestelar que opera em uma escala galáctica e representa um intelecto que tem total controle de uma galáxia hospedeira". Um nível que se equipara - senão supera - ao dos Celestiais.

Tal qual ao dos nossos anfitriões do espaço profundo de Contato.

Talvez, em meio à "galactogênese experimental", aos "rudimentos da engenharia cósmica" ou empreendimentos cósmicos similares do Phalanx, exista alguma função na qual os evoluídos terráqueos de X³: Year One Thousand possam ser "úteis" ou "dignos". Tudo dependerá do sucesso que terão o Librarian e sua companheira* de contato de 1ª grau com seu jeitinho brasileiro de ascender ao Phalanx sem precisarem ser biologicamente erradicados.

* tataratataraclones do Professor X e de Moira X?

O que sei no momento é que todos esses termos e convergências fazem reluzir meus olhinhos fãs de Jack Kirby e Jim Starlin.

Post X-criptum: a coluna de fofocas do Sr. "Ruby Rhod" Sinistro foi o momento em que Hickman mais entregou o jogo de bandeja. Décio Piccinini total. Mas só pesquei o possível outro irmão Summers, a Madelyne "deceased redhead" Pryor, Apocalipse e seus 4 Cavaleiros primordiais e uma dica de que aquele Sinistro ainda não era O Sinistro. E tem referências aos Novos X-Men de Grant Morrison aí que eu sei. Mas, quem diria, agora eu gostaria de ser melhor versado na zoada cronologia mutante...

domingo, 18 de agosto de 2019

Moira MacTaggert e o Feitiço do Tempo Hardcore



A esta altura do campeonato e com toda a bagagem adquirida (não é mesmo, Coerência e O Predestinado?) não é qualquer loopzinho temporal que me pega de surpresa. Mas essa cena de House of X #2 foi de entortar o córtex até formar um Möbius. E a sequência pisa ainda mais no acelerador.

O que Jonathan Hickman anda aprontando em House of X e Powers of X não se lê todo dia...

Moira MacTaggert finalmente deixa a zona do conforto coadjuvante da Ilha Muir e é agora minha personagem repescada favorita.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Retrospec Julho/2019

Mês agitado!


1/7¹ - Gremlins: Secrets of the Mogwai é a nova série animada da WarnerMedia via HBO Max - e assim eu soube que a HBO é da Warner, que é da empresa do Graham Bell (!). O prequel mostrará Sam Wing (o velhinho chinês do filme de 1984) com 10 anos de idade e como ele conheceu o gremlin Mogwai. A presença do produtor Sam Register (Ben 10, Teen Titans Go!) indica algo bobinho, mas o roteirista e também produtor Tze Chun vem de uma elogiada carreira no circuito alternativo e fez bons trabalhos na Warner mesmo (escreveu vários episódios de Gotham). Pode ser que dê pé. Sempre achei um absurdo Gremlins ter ficado pra trás na onda de revisionismos oitentistas. Passou da hora de alimentarem esses bichinhos após a meia-noite.

1/7² - Em 2011, George R.R. Martin disse em entrevista ao The New Yorker que também "se sentiu enganado com a conclusão" de Lost. Oito anos e um polêmico series finale de Game of Thrones depois, Damon Lindelof, escritor, produtor e co-criador de Lost, devolve a gentileza. Há uma lição aqui, meninos e meninas...

2/7 - A dupla de roteiristas/diretores John Francis Daley e Jonathan Goldstein deixa o longa live-action The Flash. O diretor Andy Muschietti (Mama, It) e a roteirista Christina Hodson (Bumblebee, Birds of Prey) estão em conversas para assumir o projeto. Já Ezra Miller, coitado, segue no papel do velocista escarlate. Por recomendação, conferi algumas coisas pré-Flash dele (Afterschool, Jornal dos Predadores, Precisamos Falar Sobre o Kevin) e realmente o garoto é dos bons. Merece coisas muito melhores que o padrão atual dos filmes da DC.


3/7¹ - Para surpresa geral, Robert Kirkman confirma que The Walking Dead #193 é mesmo a última edição da saga. Segundo ele, é para evitar a fadiga da narrativa. Será estranho ver os meses fechando sem novos números da série (embora eu mesmo ainda tenha pela frente umas 20 edições pra conferir). Seja como for, The Walking Dead foi um divisor de águas editorial, de longe a mais bem-sucedida franquia multimídia-zumbística já criada e uma das HQs-da-vida. Walking R.I.P.!


3/7² - Claes Bang ficou a lata do Drácula do Christopher Lee nas memoráveis produções da Hammer. Tomara que a inspiração não pare por aí. Produzida pela BBC/Netflix, Dracula terá 3 episódios e será lançada entre o final desse ano e o início do próximo.

3/7³ - Jennika é a nova Tartaruga Adolescente Mutante Ninja estreando a máscara amarela na equipe. O nome quebra a sequência de xarás de gênios da Renascença, porém lembra a indefectível Michelle Jenneke e assim todos saímos no lucro. E seguindo a tradição dos quelônios mutantes criados pela mesma substância que deu poderes ao Demolidor, a transmutação de Jennika parece um remake da origem da Mulher-Hulk. Que é bem verdinha também...


3/74 - Rob Liefeld também quer que liberem o Snyder Cut!!! de Batman v Superman: Dawn of Justice. Deviam chamá-lo para adaptar o Snyder Cut para os quadrinhos. Seria perfeito!


4/7¹ - Fim de uma era: a MAD Magazine vai cessar a publicação de material inédito até o fim do ano. É sinal dos tempos, mas a culpa também é nossa.

4/7² - O Espírito-que-Anda volta a andar em terra brazilis via Mythos Editora nos títulos O Fantasma e Crônicas do Fantasma - este último, com a fase clássica de Lee Falk, Ray Moore e Wilson McCoy. E virá mais material escrito pelo Peter David.

4/7³ - Os irmãos cult Jaime e Gilbert Hernandez continuam a todo vapor lá na Fantagraphics. E por aqui, seguimos carentes de amor e foguetes...


5/7¹ - Orbital Era é o novo longa do mestre Katsuhiro Otomo, além de uma pancada de outros projetos anunciados na Anime Expo (Los Angeles) - entre eles a direção de uma série anime que dará sequência ao clássico Akira. PelamordoTetsuo! Katsuhiroooooo!!


5/7² - O Metallica publica uma Master of Puppets executada com sangue nos zóio sob um toró federal em Manchester. Até o Lars reaprendeu a tocar thrash metal durante o dilúvio. Deviam instalar um chuveiro fixo na bateria do cara!


6/7 - O Brasil (e o mundo) perde o violonista, cantor e compositor João Gilberto. Pioneiro na mistura do jazz com o samba, Gilberto era considerado o "pai" da bossa nova e um dos músicos mais influentes da História. Mesmo há décadas recluso, sua genialidade era reconhecida e respeitada internacionalmente e, ao menos lá fora, sua obra e memória receberam homenagens à altura.

8/7 - Em entrevista à Empire, Joaquin Phoenix avisa pra ninguém esperar o Coringa dos quadrinhos em Coringa, o filme. Ê, DC...


9/7¹ - Falando no Coringa, Arthur Suydam (famoso pelas capas de Zumbis Marvel) se enrolou todo numa das capas da série DCeased, da DC. Seu Coringa zumbi seria inspirado vagamente num trabalho de Anthony Misiano, conhecido cosplayer profissional (mas profissional mesmo). Inclusive Suydam pediu autorização ao próprio para utilizá-lo como base. Só que a "pintura" acabou se mostrando a própria foto original com filtros de um editor de imagem. Pegou mal, Suy...

9/7² - Mais um capítulo da novela Que Merda de Mundo: o Tribunal Revolucionário de Teerã sentenciou a banda iraniana Confess a 14 anos e meio de prisão + 74 chibatadas pelo crime de tocar metal - isso é considerado uma ofensa grave ao Profeta. Graças a Alá, os integrantes do grupo estavam radicados na Noruega, onde receberam asilo.

9/7³ - O Quarteto Fantástico também vai ganhar um recap vintage em Fantastic Four: Grand Design. A mini em 2 edições sairá em outubro e é escrita e desenhada por Tom Scioli (Transformers Vs. G.I. Joe, Freedom Force). Traço com uma Faber-Castell estilosamente tosca, como convém.


9/74 - Se vai o veterano Rip Torn, aos 88. Sua prolífica carreira começou na década de 1950, mas nos últimos anos ele ficou mais conhecido pelo personagem Zed, o chefão dos filmes MIB (1997) e MIB II (2002). E, claro, pelo vídeo com o incidente durante as filmagens de Maidstone (1970) em que ele parte pra cima do diretor Norman Mailer com um martelo (!). E esse não foi um caso isolado: o ator texano não era fácil. Por último, mas não menos infame: R.I.P. Torn.

9/75 - Como já imaginávamos, Jane Foster é a nova Valquíria. Essa foi mole de ressuscitar. Próximo!

10/7¹ - Se vai o jornalista, apresentador e blogueiro Paulo Henrique Amorim, aos 76.


10/7² - Dando um tempo do metal/hardcore do Body Count, Ice-T retorna ao rap no 1º vídeo de uma trilogia narco-casca-grossa. O Original Gangsta não está pra brincadeira!


11/7¹ - Que isso, Misfits cheio da pompa com show marcado no Madison Square Garden? Quem diria. Foram muitos pulgueiros até lá...

11/7² - Mike Allred em nova carta/HQ de amor ao Camaleão do Rock com Bowie: Stardust, Rayguns, & Moonage Daydreams, via Insight Editions. Caramba, há tempos preciso reler minha Red Rocket 7...

11/7³ - A atriz, roteirista, produtora e belezura Elizabeth Banks está desenvolvendo uma nova série d'Os Flintstones com sua Brownstone Productions em parceria com a Warner Bros. Animation. Ah, Lizinha, deixa o clássico quieto...


12/7 - John Carpenter vai escrever uma HQ do Coringa! The Joker: Year of the Villain #1 terá a colaboração de Anthony Burch no roteiro e desenhos de Philip Tan. Até que enfim uma: Boa, DC!

13/7 - Pegaram o Arthur Suydam no pulo de novo. Agora ele copiou e colou o rosto da Arlequina Margot Robbie direto na Arlequina de papel. Alguém por favor desinstale o Photoshop do computador do homem...

14/7 - A boa atriz Lashana Lynch (de Capitã Marvel) será Bond... Jane Bond... ou melhor, a nova agente 007. Coragem já dá pra ver que a moça tem.







A post shared by Melissa Benoist (@melissabenoist) on

15/7¹ - Da série "Consertando o que Não Está Quebrado": a Supergirl da CW aposenta a saia vermelha e agora usa calça - ou uniforme inteiriço, sei lá. Os produtores e a melzinho-na-boca Melissa Benoist defendem o novo figurino, mas a massa de marmanjos nerdões choram copiosa e inconsolavelmente. Snif...

15/7² - Dan DiDio, o próprio, vai reativar os Homens Metálicos numa mini em 12 partes. A arte fica a cargo da dupla Shane Davis e Michelle Delecki. Junto com o Homem-Borracha, não há nada mais DC Comics que os Homens Metálicos. Eu toparia um encontro dos dois com o traço maluco do Kyle Baker.


15/7³ - 2 milhões de pessoas já "confirmaram" presença no evento Storm Area 51, They Can't Stop All of Us. A ideia básica - além de comprovar se os soldados de lá dispõem de 2 milhões de balas - é revelar ao mundo os segredos que o governo americano esconde na base, como discos voadores, ETs capturados e o Elvis octogenário e ainda bonitão. Quer valer quanto que será um Fyre Festival parte II?

15/74 - Parece que G.I. Joe: Snake Eyes entrou mesmo em produção via Paramount. Daí pode sair uma autêntica porcaria, como foram os filmes da franquia; ou um filmaço, se adaptarem a subtrama que Warren Ellis escreveu pro Snake na descaralhante animação G.I. Joe: Resolute.


16/7¹ - Aproveitando o bafafá em torno da nova 007, a Dynamite, que não nasceu ontem, escala as roteiristas, mulheres e negras Vita Ayala e Danny Lore para a nova série do título James Bond 007. A revista começa a ser publicada em outubro e terá capas do ótimo Jim Cheung, desenhista britânico com ascendência chinesa - unf, nada impressionante.

16/7² - Contemple Unicron, o maior figure dos Transformers já criado pela Hasbro!! Mais de 60 cm de altura e poder digestivo galáctico por apenas 2.180 minions. More than meets my pocket.

16/7³ - A Força Aérea americana avisa que se alguém relar o dedo na Área 51 ela vai largar o aço pra cima da vagabundagem ufopata!


16/74 - Os Zumbis Marvel estão de volta! Marvel Zombies: Respawn tem roteiro de Phillip Kennedy Johnson (Aquaman Annual: Crownspire) e arte de Leonard Kirk (Star Wars: Han Solo - Imperial Cadet). Muitos não suportam mais os mortos-vivos da Casa das Ideias, mas eu ainda me divirto horrores com a cronologia inteira. Sou um zumbi sorridente e feliz neste exato momento!

16/75 - Danny Ketch é o Motoqueiro Fantasma novamente. E seu irmão, o precursor Johnny Blaze, é o Rei do Inferno. Essa é a premissa do título Beware the Ghost Rider, previsto para outubro. Gostei já da capa pagando tributo à clássica splash page com o Motoca Danny Ketch de Javier Saltares/Mark Texeira. Tenho que lembrar de conferir isso.


16/76 - A Hasbro recria capas icônicas da Marvel e me deixa louco para brincar de bonequin... err, action figure. Alguém segure a Hasbro!

16/77 - A dupla Warren Ellis e Bryan Hitch (Authority) se reúne para The Batman’s Grave, maxissérie em 12 edições que faz parte das comemorações dos 80 anos do Morcego. Pelos previews, dá pra ver que Hitch enfim voltou à grande forma e está desenhando uma barbaridade. Coisa fina.

16/78 - Gostando ou não de Thor: Ragnarok, Taika Waititi segue como titular e vai dirigir Thor 4, óbvio. O detalhe é que isso pode empacar a produção de Akira, na qual ele está escalado pela Warner para a direção. The lesser of two evils, huh?

16/79 - A Marvel sartou com o excelente Steve Rude num projeto mensal que revisitaria as raízes e o sentimento old school da editora. Isso, após entregar para Mark Bagley o traço da mini/antologia Spider-Man: Life Story, de Chip Zdarsky. Minha Santa Aquerupita...


17/7¹ - A Marvel finalmente coleta a cultuada Havok & Wolverine: Meltdown (influência do sucesso de Chernobyl?). O TP estará disponível na Amazon-US a partir do dia 30. Aos que vão aguardar a mais-do-que-certa Wolverine & Destrutor: Fusão via Panini, é bom começar a juntar os três dígitos necessários...


17/7² - Ao exemplo do Gladiador, Sentinela, Hipérion e todos esses doppelgängers do Superman, em Captain Marvel #8 estreou o que pode ser a 1ª versão marvete da Supergirl: Star. Não ganha pontos pela criatividade do codinome, mas é linda e tem poderes classe 100+. Quem não gostou muito foi a Capitã Marvel Carol Danvers - que não tem parentesco com a Supergirl Kara Danvers. Sabe... às vezes é difícil saber onde a DC termina e a Marvel começa.


17/7³ - Alan Moore vai mesmo se aposentar dos quadrinhos. Última obra publicada: The League of Extraordinary Gentlemen, Volume IV: The Tempest. Será que o Mago agora irá concentrar suas forças na literatura, terreno onde nunca vingou como esperado? Só Glycon sabe.


18/7¹ - Mijai nas calças, coulrófobos! Pennywise e o trailer final de It Chapter Two estão aqui!


18/7² - Saiu o trailer de Top Gun: Maverick e eu nem sabia que estavam fazendo o filme. E ele já coleciona suas controvérsias.

18/7³ - Um maníaco incendiou o Estúdio 1 da tradicional Kyoto Animation, resultando em 35 vítimas fatais e ferindo outras 33. Triste.

19/7¹ - A editora Alto Astral publica Tank Girl no Brasil. A ideia é que Tank Girl: Um seja a primeira edição de uma série em ordem cronológica. Em tempos de ativismo feminino hardcore e mercado inflado em preços e títulos, o timing desse lançamento chega a ser palpável.

19/7² - John Carpenter confirma duas sequências do Halloween 2018: Halloween Kills, com lançamento previsto para outubro de 2020, e Halloween Ends, para outubro de 2021. David Gordon Green retorna para dirigir e co-roteirizar os dois com quase a mesma equipe do filme anterior.


19/7³ - Os irmãos Joe e Anthony Russo anunciam adaptações live-action do clássico anime Battle of the Planets e do anti-herói Grim Jack, de John Ostrander e Timothy Truman. Rasparam lá do fundão, hein. Só falta agora anunciarem um filme do Badger.


20/7¹ - Série de Watchmen pela HBO sempre me pareceu uma bela ideia. E o climático trailer reforça isso. Ps: Jeremy Irons só saltando de papel em papel nos filmes da DC... é o próprio Desafiador!


20/7² - Da San Diego Comic Con, o retorno do Excalibur sem Noturno e com nova line-up: Vampira, Gambit, Jubileu, Rictor, Psylocke como Capitã Britânia e Apoca... (...) Apocalypse? Quê diabos o Jonathan Hickman anda aprontando em House of X e Powers of X?


20/7³ - Então o filme do Mestre do Kung Fu vai mesmo acontecer. Shang-Chi and the Legend of the Ten Rings terá Simu Liu no papel do herói e Tony Leung no papel do verdadeiro Mandarim (detesto comentar isso, mas... eu te disse!). E o Fu Manchu, nada? Iriam rolar altas confusões e nem Jim Starlin, co-criador do Chi, quer o icônico vilão na estreia, mas não fica uma sensação de algo faltando?


20/74 - Mahershala Ali é o novo Blade. Xeque mate da Marvel.


20/75 - Pode esperar de Thor: Love and Thunder um Thor: Ragnarok à milésima potência pop e chapado de ecstasy. Mas a repescagem de Natalie Portman como a nova Thor - ou será Valquíria? - foi além dos meus devaneios mais ébrios.


20/76 - Essa foi demais pro meu coraçãozinho marvete. Série animada de O que Aconteceria se...? (ou o simples E se...? da RGE) abre um universo de possibilidades bacanas - e talvez gerar até spin-offs dos melhores episódios. Será que é dessa vez que a Marvel engata nas animações?


20/77 - Impressão minha ou, tirando a Crise nas Infinitas Terras do Arrowverse, a DC não mostrou nada de relevante na SDCC desse ano? Porque a Marvel deitou e rolou...

21/7¹ - Os roteiristas de Vingadores: Ultimato Christopher Markus e Stephen McFeely dão excelentes dicas para a Warner sobre como tratar o Superman no cinema. E a Warner, provavelmente, fará ao contrário.

21/7² - Enfim Vingadores: Ultimato ultrapassa Avatar e se torna a maior bilheteria de todos os tempos. Ufa.


22/7¹ - E claro que James Cameron deu uma moralzinha para os meninos - enquanto revitaliza a marca Avatar, diga-se (eu vi isso, Jim²...). Aquele negócio: bem-vindos ao clube, temos banheiros privativos, carteado à quintas, chocolatinhos no travesseiro todas as noites, essas coisas. A vida é boa!

22/7² - Mark Millar é o cabra: os alucinados Crononautas estão de volta, em 4 edições de uma vez só, no mesmo ponto do tempo. Um autêntico Millarflix!

23/7 - Wesley Snipes é um grande esportista e parabenizou Mahershala Ali pela escalação como o novo Blade, além de encher o homem de elogios. Ali é facilmente um dos melhores atores em atividade, mas é preciso encarar: será difícil dissociar o Caçador de Vampiros da marcante caracterização de Snipes (mesmo na bomba que foi o derradeiro Blade: Trinity). É, de certa forma, uma situação melancólica.


25/7 - Saiu o trailer de Zumbilândia: Double Tap e meu pé continua atrás quando zumbis viram coadjuvantes em comédias para a "geração Z" (sem trocadilhos, o que lamento). O povo desaprendeu como se mistura humor com terror. Mas reuniram o elenco original - Tallahassee está de volta, baby - e também os eternos caça-fantasmas Bill Murray & Dan Aykroyd. Uêba!

26/7¹ - Robert Redford pausa a aposentadoria de novo pra interpretar o Presidente dos EUA Robert Redford na série Watchmen. E Alan Moore sorri imperceptivelmente debaixo de sua sagrada barba.

26/7² - Opa, segundo Mike Judge, pode ser que Beavis & Butt-Head ganhem novo longa, 23 anos após Beavis e Butt-Head Detonam a América. Demorou, mesmo.

26/7³ - Porra, a Panini não para, meu. Nesse ritmo, logo o rombo será tampado. Ou criarão outros...


26/74 - Andy Serkis está de olho na direção de Venom 2. Meio que tem a ver com a clássica linha "My precious"... Momento guilty pleasure: assisti Venom no cinema, achei uma porcaria assumida e me diverti demais. Quase fui de novo...

26/75 - George Miller revelou que mais dois filmes de Mad Max estão em desenvolvimento além de outro protagonizado pela Imperatriz Furiosa. Na boa: trocaria os dois do Louco Max por esse longa da Charlize Furiosa, fácil.

29/7¹ - A crítica ficou de joelhos ante House of X #1, de Jonathan Hickman. E o pior que é o negócio é bom mesmo.


29/7² - Os Sectaurs - Guerreiros de Symbion fecharam a sua meta no Kickstarter e estão de volta! Rapaz, eu tinha o Dargon e adorava o desenho que ninguém viu...

31/7¹ - The Boys, a série, teve uma cena de sexo cortada por falta de verba. Se tivessem anunciado um KS arrecadariam verba pra um longa e uma série spin-off só de sexo super-heroístico.


31/7² - O Rammstein arrepiou os cidadãos de bem e a família tradicional russa após um SS (satânico selinho) entre os músicos durante um show em Moscou. Coragem suicida dos germânicos. Lá isso dá cadeia por infringir a "lei anti-propaganda LGBTQ", sancionada pelo próprio Vladimir Putin em 2013.


31/7³ - Hoje foi o Dia G, hm? Dessa vez é o beijo gay do Aquaman-ex-Aqualad no 20º episódio ("Quiet Conversations") da espetacular série Young Justice: Outsiders. Sem pretensões, preciosismos, hypes armados ou panfletos: a arte vem em primeiro lugar. E, como dizem, a arte imita a vida. E vice-versa. Perfeito, DC.

E foi isso. Como diria uma amiga... Hasta!