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quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Dias de um Futuro Lembrado

É com imensa satisfação que venho comunicar que Jonathan Hickman conseguiu de novo.


Acabei de sair de Powers of X #6, último capítulo da dobradinha com os outros seis balaços de House of X - HOXPOX para os íntimos que leram todas as edições mais de duas vezes pra não deixar escapar nada. E acompanhado das grandes artes de R.B. Silva e Pepe Larraz, Hickman entrega, não querendo estragar o menino, a 6ª Era dos X-Men, precedida, na ordem, por Stan Lee/Jack Kirby, 2ª Gênese de Chris Claremont, Chris Claremont/John Byrne, Grant Morrison e Joss Whedon (vamos apenas reconhecer o impacto pop-cultural dos anos 1990, certo?).

É excepcional assim - independente do que a Marvel fizer daqui pra frente nos títulos Dawn of X. Um case perfeito tanto para recuperação de marca quando de material pra cinema. E que material.

Tem mais, gafanhoto: após 38 anos de indústria vital, não é qualquer reviravoltinha que me faz perder o rumo de casa. Mas o caminhão narrativo - e atropelativo - de Powers of X #6 não tem nem placa.


Nem eu, Moira... nem eu...

"Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas" - Sun Tzu, A Arte da Guerra

Com o fim de HOXPOX, muito ficou para ser resolvido e/ou administrado no jogo de volta dos títulos X (Sina, Rei Vermelho, os cortes do diário de Moira, a agenda do Bar Sinistro e por aí vai). A torcida é que os coitados dos roteiristas deem conta - o que soa como jogar na casa do adversário precisando vencer com 2 gols de diferença. Mas vou conferir todos eles, obedecendo homo sapientemente o checklist indicado.

E é assim que se vende revistinha, Marvel.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Imagine all the mutants... living for today... except Cree-eeeed

A tentação do final idealizado em House of X #6 é intoxicante, irresistível, quase tangível. E Jonathan Hickman faz história (em quadrinhos).


Muito embora, pessoalmente, não tenha sido arrebatado tanto quanto gostaria (ou deveria). Tal qual o En Sabah Nur ali no canto, imerso em reflexões milenares, eu reluto em aproveitar a festa.

Já havia me incomodado o ritual à renascer carismático na quase Jim-Jonesiana House of X #5, me lembrando que fé demais pode cegar. E no decorrer dessa 6ª edição vi uma Krakoa na frente dos bois. Emocionante, sim, mas prematuro.

Quem pode garantir que a resposta do mundo ao anúncio de Xavier & cia. será de acordo com esses anseios? E se algo der errado de novo? Ou terrivelmente errado? O que acontecerá - ou já aconteceu - em Powers of X #6?

Chega um pouco pra lá, Nur...

domingo, 22 de setembro de 2019

A new day rising


Se Powers of X #4 é fascinante, House of X #5 é estado da arte. Jonathan Hickman não para de quebrar paradigmas e de nos arrastar para fora da zona de conforto. E quem precisa deles, afinal?

Nas sábias palavras de um amigo:
"Épica. E é pica. Tão icônica quanto a anterior, mas por motivos bem mais relevantes. A quantidade de rupturas estruturais que ele fez com os mutantes do passado é impressionante. E que elegância na forma de trazer de volta os ícones". 
E tenho dito.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O apocalipse da Era


A Panini vai relançar A Era do Apocalipse. Era um sonho antigo. Durante algum tempo torci por uma reedição com a qualidade e ordem cronológica que a Abril nunca ofereceu. O tempo passou e o sonho também.

A 1ª vez que li a saga foi à prestação, via sebo. Eu estava recém-saído de um período de dez anos longe dos quadrinhos. Felizmente não perdi muito, só os anos 90. Mas é natural que até desenferrujar eu superestimasse certas coisas naquele primeiro momento - e EdA estava entre elas. Não que a linha central fosse completamente ruim, era até divertida (ainda acho as versões de Blink e Dentes-de-Sabre melhores que as originais). Porém, a maior parte da saga era irregular e seus tie-ins eram lixo puro. Enfim, um produto tão anos 90 que nem a revisitada recente teve lá grande brilho.

Mas apesar disso e dessa capa mulambenta do Joe Madureira (que é o artista regular da série), méritos para a Panini por relançar a saga nesse ano pra lá de sugestivo e por compilar - pelo menos é o que diz a promessa - todo aquele extenso material na íntegra em volumes provavelmente a perder de vista. Boa sorte na empreitada.

Lembrando que o preço do primeiro volume, R$ 19,90, é apenas promocional.

Da minha parte, meus votos continuam para as reedições encadernadas de Homem-Máquina de Tom De Falco, Herb Trimpe e Barry Windsor-Smith, Os Novos Mutantes, de Chris Claremont e Bill Sienkiewicz, e o sensacional Demolidor, de Ann Nocenti e John Romita Jr. Pra esses sim, o sonho ainda não acabou.

quinta-feira, 5 de maio de 2005

CARCAJU RELOADED, FESTA CYBERPUNK e APOCALYPSE 2, A MISSÃO

MARVEL KNIGHTS WOLVERINE
#26-#27



Holy moley! Agent Of S.H.I.E.L.D, o novo arco do Wolverine, é o cão chupando manga!! Nem era pra eu estar comentando isso agora, visto que o bicho vai pegar mesmo é na edição #28, mas não consegui ficar impassível... Em apenas duas edições o novo arco está conseguindo ser ainda mais emocionante do que o anterior, o já clássico Enemy Of The State! Tudo bem, não podia mesmo ser diferente com Mark Millar e John Romita Jr regendo essa verdadeira orquestra da destruição... mas quando achei que as situações anteriores estabeleceram um certo limite narrativo, fui atropelado por uma seqüência arrasadora de acontecimentos. Aí é parar por alguns minutos, dar uma respirada e, aos poucos, retomar a leitura.

No arco anterior, Logan sofreu uma lavagem cerebral hardcore. Cortesia de uma mega-operação conjunta da Hydra com o Tentáculo. Com muito custo, e após uma matança generalizada (incluindo aí o despacho de um herói mais ou menos conhecido), a S.H.I.E.L.D. finalmente consegue capturar o baixinho dos infernos. O problema é que a Hydra gostou da brincadeira e passou a coletar e condicionar vários heróis e supervilões do segundo escalão. Mas nem todos vieram do semi-anonimato... Elektra que o diga.

Aliás, quem conhece o background da ninja grega sabe qual é o modus operandi do Tentáculo. A maioria deve saber que ela foi ressuscitada em uma cerimônia promovida pela organização. O que Millar fez foi elevar a funcionalidade desse procedimento a uma escala real. Afinal, alguém que tenha esse poder certamente o usaria para fins mais abrangentes e ambiciosos do que o que foi executado até aqui. Já a presença da Hydra se justifica tanto pela eficiência logística e ultra-tecnologia envolvida, quanto pela elaboração prática dos planos - que envolvem o controle de um avançadíssimo terraformer criado em parceria por Reed Richards, Tony Stark e Henry Pym.

Sem contar que, ao longo do anos, a Hydra foi uma das únicas organizações a encarar de frente, de forma consecutiva e sem derrotas iminentes, pesos-pesados como os Vingadores e a... S.H.I.E.L.D.


Não é todo dia que se vê o famoso porta-aviões aéreo indo à lona. Só vi uma vez, numa história antiga da Mulher-Hulk. Certamente seria mais fácil abater o Air Force One. A mega-batalha que precede essa cena é de arrepiar, e detalhe: é só o começo. Lembra do Millar falando que Enemy Of The State era um filme de 300 milhões de doletas? Agent of S.H.I.E.L.D. duplica esse orçamento em apenas duas edições.

Algumas referências se fazem presentes no novo arco, principalmente em relação à Wolverine: Arma X. O processo de desprogramação de Logan é praticamente reeditado do clássico de Barry Windsor-Smith, inclusive com o mesmo jogo de ponto de vista que "engana" o leitor. Outra referência é à mitologia dos vampiros. O approach conferido às operações de condicionamento do Tentáculo se aproxima bastante do ciclo de procriação vampiresco. Isso ficou bem nítido na cena em que Elektra e alguns ninjas são flagrados assassinando um super-coadjuvante num beco escuro. Pra reforçar ainda mais essa impressão, o único método conhecido pela S.H.I.E.L.D. para evitar que as super-vítimas sejam ressuscitadas e dominadas é decapitando seus cadáveres. Millar é doente.

Coincidentemente, o início da edição #26 e o fim da #27 compartilham momentos singulares de preparação para a iminência de uma situação maior. No primeiro caso, logo nas primeiras páginas somos brindados com uma seqüência belíssima, cheia de poesia e lirismo, quase etérea e - constraste total - carregada de dinâmica física, agraciada por uma palheta de cores e uma fluência de elementos digna de um filme do Zhang Yimou. É linda mesmo. Mérito da arte irretocável de Romita Jr.

A dita seqüência você pode conferir na íntegra no Cag@mba e é protagonizada pelo sujeito aí embaixo.


Gorgon periga ser o vilão mais bacana da Marvel em muito, muito tempo (pra ser mais exato, desde os primeiros momentos do Rei do Crime após sua reinvenção por Frank Miller). Não consigo imaginar alguém ganhando desse cara no mano-a-mano. Sua técnica é inexpugnável (sempre quis escrever isso!). Não tem pra ninguém. Como se não bastasse, Gorgon é um mutante capaz de petrificar qualquer pessoa só com o olhar - um dom que ele dificilmente utiliza, para não desvirtuar sua honra e status de guerreiro nato. Millar também resolve dar uma colher de chá e faz um breve resumo de sua origem - que bem merecia ser contada mais detalhadamente em um daqueles belos encadernados especiais.

Ao final, vemos a reabilitação forçada de Wolverine e um fato em particular que o liberta de todas as amarras pra fazer o que sabe melhor - e sem qualquer senso de justiça ou de redenção por trás, e sim por pura, urgente e necessária vingança. Após uma rápida e aterradora "contabilidade" (numa ótima seqüência, óóóótimaaaa... típica de um filme imperdível), ele estipula a quantidade de cadáveres e sangue jorrando em bicas que irá fazer nas próximas duas, três, quatro edições. Ah, eu não falei... Agent Of S.H.I.E.L.D. é um arco em 6 capítulos.

A hora da retribuição chegou, e meu amigo... a Hydra que se cuide.


LIVEWIRES
#1-#2



Um tecno-furacão cyberpunk, insano e mangazístico com clima de spinoff. Essa é Livewires, mini em 6 capítulos que está saindo pela linha Marvel Next. A revista conta com a fina-flor dos quadrinhos para o século 21: o desenhista Rick Mays (Kabuki), o arte-finalista Jason Martin (Battle Chasers) e o roteirista, "sketchista" e maluco de plantão Adam Warren (Gen¹³, Dirty Pair). Sou fã do Warren já há algum tempo. É um dos únicos quadrinhistas que só produziram coisa boa, e olha que eu nem sou tão fã de mangá. Assim que vi seu nome nos créditos dessa HQ já me interessei de imediato. Seu estilo está lá, intacto... ação vertiginosa, dinâmica à velocidade da luz, diálogos abarrotados de informação, situações beirando o nonsense e pinups esfuziantes.

Na edição de estréia, Livewires é toda velocista. Começa à mil por hora e termina à dez mil, sem pausa pra descanso. Explosões, invasões, monstros, superpoderes, tiros e quebra-quebra generalizado, com uma nesga de história sendo contada nas entrelinhas. É ótima. Livewires é o nome de um projeto secreto do governo norte-americano que visa retaliar as ações de grupos terroristas ultra-avançados da Marvel, sendo a I.M.A. (Idéias Mecânicas Avançadas) o seu alvo primário. Como integrantes, cinco robôs humanóides trabalhando à paisana. Como de praxe, os personagens e seus codinomes são bem... "diferentes":


Gothic Lolita, ou "Ninfeta Gótica"... a que eu mais gosto. Devido ao seu smartware chamado Hulksmashitude (algo mais ou menos como "AtitudeHulksmaga"... idéia maluca do Warren) ela é tão forte quanto a Mulher-Hulk. Em contrapartida, o seu grito de guerra é dizer "mal-me-quer-bem-me-quer" repetidamente enquanto destrói criaturas gigantescas na base da porrada (outra idéia maluca)... Bem sisuda, ela é o lado introspectivo e sarcástico do grupo.

Hollowpoint Ninja... O "Ninja Ponta-Oca" é o cara da artilharia pesada, das infiltrações soturnas e das "técnicas avançadas de persuasão". É conhecedor profundo de qualquer tipo de armamento e estratégia de combate. Além disso, é muito ágil, rápido e extremamente habilidoso em lutas corporais. Fala pouco e de forma objetiva. É um ninja oras.



Hah... essa é Social Butterfly, a "Borboleta Social". É a gracinha simpática do grupo, e carinhosa até quando está ardendo em chamas. Seu poder só podia ter vindo da mente esquizóide de Adam Warren. Ela é capaz de controlar a vontade das pessoas através de expressões faciais, linguagem corporal, voz com sinais infrasônicos, produção artificial de feromônios (putz), campo indutor de manipulação cerebral, e "zilhões de outras maneiras de bagunçar a mente humana". É "Social" para os íntimos.

Cornfed. "Cansei de Cereais"...? Não duvidaria. Cornfed é o arranjador e despachante da equipe. Resolve os problemas de logística e eventuais falhas operacionais nas missões. Tem uma visão bem singular e irônica do propósito do grupo e de sua própria existência robótica. É uma espécie de Silent Bob artificial. Cornfed é gente-boa.



Stem Cell ("Célula-Tronco", huahuaheheuh), representa os olhos e a percepção desnorteada do leitor durante a ação ininterrupta. Ela acaba de ser construída e teve a memória bloqueada devido à uma pane em seu filtro neural - pretexto esperto para não deixar o leitor sozinho em sua confusão. Ela é uma espécie de central-monstro de dados especializada em engenharia tecnológica. Seu smartware reconhece e duplica qualquer construto já concebido pelo homem. Pode inclusive redesenhar esses mecanismos em versões mais avançadas. A idéia estranha da vez é a sua capacidade de reproduzir alguns equipamentos no estômago - na verdade uma usina de substâncias químicas manipuladas por nano-robôs programados para esse objetivo. Daí a visão linda dela vomitando pequenas baterias atômicas, pentes de metralhadoras, válvulas e por aí vai. Pobre menina.


E falando em nano-tecnologia, uma particularidade dos autômatos de Livewires é a sua conduta de reciclagem de equipamentos. A pele artificial, por exemplo, é feita com uma trama de exo-redes reaproveitáveis e rica em componentes nanotech codificados para qualquer smartware habilitado na equipe. Eles literalmente comem partes sintéticas dos robôs destruídos para conhecer todas as experiências e absorver as informações contidas neles. Em outras palavras, eles são adeptos da prática do canibalismo, e em um contexto igual ao da crença de certas tribos...


Adam Warren é doido. E Livewires é extremamente divertido.

Confira aqui uma divertida entrevista que o autor deu ao Newsarama - essa aqui também é ótima, de dois anos depois.


X-MEN: AGE OF APOCALYPSE - 10th ANNIVERSARY
Final



Sem muito hype, chega ao fim a extensão da extorsiva A Era do Apocalypse, mega-saga que obrigou os x-fãs a gastarem rios de dinheiro em meados dos anos 90. Três coisas: 1. extensão, porque essa mini-série em 6 partes não teve "cara" de continuação. Acho que o nome da saga original é imponente demais pra essa história que visou apenas aparar algumas pontas soltas e, claro, arrecadar um cashzinho de leve; 2. extorsiva, pois EdA se espalhou por todas as revistas mutunas da época. Quem queria entender alguma coisa tinha de comprar quase tudo; 3. A aliteração extensão/extorsiva foi sem querer.

O fato é que, se encarada sem muita expectativa, essa mini até que tem seus picos de qualidade e algumas boas sacadas. Principalmente na última edição. A história se passa 1 ano após a morte do vilânico Apocalypse, e o planeta está em franca reconstrução. Liderados por Magneto, os X-Men agora são a polícia do mundo contra os espólios terroristas remanescentes da antiga tirania. Essas poucas células inimigas são derrotadas até com uma certa facilidade pelos X-Men. E detalhe... agora eles raramente fazem prisioneiros. Uma nova ordem mundial se estabelece e Magneto aparece muito bem na foto. O crédito extra se deve todo à sua vitória pessoal sobre Apocalypse e ao fato de ter impedido o bombardeio nuclear em massa no fim da saga original. O problema - e que já foi detectado por aqueles que leram a saga - é que Magneto apenas matou Apocalypse. Quem salvou a Terra do ataque nuclear foi Jean Grey, não ele.

Esse segredinho obscuro elevou a moral de Magneto nos círculos políticos e na opinião pública, que passou a encará-lo como um líder da Humanidade. Além dele, o único que sabe disso é Nathaniel Essex, o tétrico Sr. Sinistro, até então dado como morto. Obviamente que a gente logo espera dele uma chantagem das boas. Mas o mistério só aumenta quando Sinistro reaparece para Magneto e simplesmente o obriga a esquecê-lo e a jamais tentar encontrá-lo. O que dá a entender que o vilão também guarda seus segredinhos sujos a sete chaves.


Se no início da mini-série o traço do Chris Bachalo estava bem mangazão, nas duas últimas edições ele partiu de vez para o estilo nipônico de HQs. Particularmente, muito me agrada o trampo do Bachalo. Quanto mais ele estiliza o seus desenhos, melhor. E pra cada narigão que ele desenha, existem umas três pinups interessantes pra compensar.

Como já comentei certa vez, o roteiro de Akira Yoshida não faz feio com o pouco que tem. Mesmo sem tentar (ou poder) desvirtuar a mitologia estabelecida pela obra original, ele conseguiu criar algumas situações inusitadas (como a relação entre Wolverine e X-23, sua suposta filha) e outras que acabaram se revelando bons achados (como o tal segredo que o Sr. Sinistro tanto esconde - se quiser conhecer esse spoiler, clique aqui).

Por outro lado, algumas cenas que ameaçavam se tornar viradas brilhantes e inesperadas na narrativa - como a pausa no combate final para uma instigante conversa entre Magneto e Sinistro sobre a validade de suas motivações - acabaram se limitando a uma mera introdução pra famosa pancadaria-resolve-tudo. Personagens marcantes (e importantes) de outrora, como Dentes-de-Sabre e Blink, embora vivos, foram apenas citados. E a conclusão, pra lá de aberta, sugere uma futura mini comemorativa. De quê agora... 11 anos?

No final das contas, X-Men: Age Of Apocalypse - 10th Anniversary é um passatempo interessante e pode, no mínimo, ser encarado como um caça-níqueis de luxo. Mas considerando a propagação do papel-jornal nas HQs publicadas por aqui, o custo-benefício desse níquel fica bem inflacionado.

Decide aí quando chegar. :)


dogg, ouvindo muito rock australiano. Na faixa... o álbum True to the Tone, dos maroleiros do GANGgajang.

sexta-feira, 17 de setembro de 2004

O MONSTRO DE DOGGENSTEIN


Dr. Doggenstein, meus caros. Esse é o meu epíteto agora. Há muitas eras passadas (ano passado), eu vivia no auge de meu afã scânico (não satânico, de adorador do capeta, e sim scânico, de scanner, aquela maquininha que a entidade Eudes/OutZ e o Immateria popularizaram - falando nisso, vocês deviam cobrar royalties das fábricas de scanners... aposto que eles venderam muito naquela fase, só por conta de vocês). Na época, eu me sentia o próprio Galactus, devorando sem dó o retorno de capital das careiras editoras de quadrinhos.


Esse sentimento era reforçado também por dois fatores. Primeiro, mais óbvio, era o prazer de compartilhar com outras pessoas alguma obra que eu achava bacana. Me lembrava de quando eu "descobria" uma banda legal e apresentava pros meus amigos, emprestava o CD e tudo (muitas vezes eu nem via mais o CD!).

Segundo, e mais motivador, era disponibilizar essas HQs pra quem não mora no eixão RJ/SP. Pra quem mora aí, eu só digo uma coisa: o Brasil tem a maior periferia do planeta. É assim mesmo que somos tratados pela mídia e, talvez por conseqüência disso, sofremos certos "embargos". Quando falamos em produtos de 3ª necessidade então... Distribuição setorizada é o novo nome que inventaram para "exclusão". RdA encadernado, por exemplo, não deu nem sinal de chegar por aqui. O detalhe é que eu já tive acesso ao seu conteúdo - inclusive as páginas inéditas - há muito tempo atrás, num feliz download no Rapadura Açucarada. Esse é o tipo da motivação que cairia bem em qualquer origem de super-herói.


Mas voltando ao assunto, se eu era o todo-poderoso Galactus, não demorou muito e logo fui apresentado ao Nulificador Total: meu scanner dançou. Por uma razão cósmica inexplicável até para o Vigia, meu scanner (que sempre teve tratamento de rei), começou a apresentar fortes tons azulados nas imagens. Como eu jamais poderia colocar no ar um scan meia-boca (é a mesma coisa que colocar um daqueles odiosos MP3 corrompidos), resolvi seguir adiante, sem o meu "parceiro" de blog. Aí, eu já me senti o Steve Rogers, depois que o Bucky bateu as botas ("Bbb", hehe).


Inspirado pelas recentes explosões scânicas do Alcofa (o cara tá escaneando até o cachorro de estimação) e do Luwig X (ainda tô me acostumando com esse nick... e que puta HQ melancólica aquela da Diana, hein?), resolvi dar uma última chance ao meu velho Genius Color Page Vivid III. A mesma coisa. Liguei o foda-se, peguei as minhas chavinhas Phillips e abri o ex-Galactus. Desconectei tudo, limpei a poeira, tirei o vidro e mandei ver no álcool isopropílico. Usei o cabo de conexão do meu velho Zip Driver (o famoso Darkseid!), reconectei tudo, fechei e liguei no CPU. Depois dessa, eu poderia montar uma banda punk com um pé nas costas.

Pra minha surpresa, as imagens melhoraram uns 70% em definição. Não o suficiente para satisfazer o meu perfeccionismo, mas suficiente para um resultado no mínimo apresentável. Resolvi fazer um teste, aproveitando o meu mais novo hobby: varrer sebos atrás das velhas edições de Superaventuras Marvel.


SAM #79, traz uma puta história do Matt Murdock, da memorável fase Ann Nocenti/John Romita Jr. O texto estiloso de Ann não envelheceu nem um pouco, mesmo tendo essa história mais de dez anos. E Romita filho - acho que serei criticado agora - estava em sua melhor fase, disparado. Não há uso de violência desnecessária (mesmo porquê, o universo do Matt é mais do que isso), e o DD é retratado aqui da forma mais realística possível. Matt está prestando assistência jurídica beneficente, e investiga uma provável quadrilha de terroristas, ao mesmo tempo em que enfrenta problemas legais que podem levá-lo à cadeia. Destaque para Bullet, um brutamontes "com personalidade" (igualzinho ao James Gandolfini, de Família Soprano) e para o filho dele, Lance, um guri fanático pela possibilidade de uma guerra nuclear (!).


Essa edição traz também uma aventura bem meia-boca com o Homem-Aranha, Wanda e o Visão enfrentando o mago Necrodamus (um dos vilões mais toscos que já vi). História fraca e envelhecida, mas que vale pelo quebra entre o Parker e o andróide comedor de feiticeiras. :P

Pra fechar, uma aventura bem legal do Frank Castle. Escrita por Mike Baron e com o traço de Klaus Janson, a história traz um Justiceiro à paisana desmantelando a célula de uma rede internacional de tráfico de drogas. Destaque para a seqüência em que ele é torturado e vira o jogo, ao melhor estilo Jack Bauer, de 24 Hs.

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Reup do arquivo cbr (mesmo scan da época) - 06/09/2017

SAM #80 traz a conclusão nada maniqueísta do episódio anterior, com o dedão do famigerado Wilson Fisk dando o ar da graça (como sempre). Matt está passando por um momento muito difícil em sua carreira, tanto de advogado, quanto de vigilante. Aqui ele encara novamente o paredão Bullet, e conclui que não chega nem aos pés do cara em termos de força física. Essa luta lembra bastante as antigas pelejas do Matt com o Rei do Crime, fase Frank Miller.


Em Bolívia, Frank Castle segue a rota do narcotráfico internacional até o topo do cadeia alimentar. Acaba se reencontrando com um velho "amigo" da Guerra do Vietnã: general Trahn. Eficiente história, que só seria perfeita se o título fosse "Colômbia". :D

SAM #80 ainda trazia uma aventura com um personagem que eu abomino: Longshot. A história, chamada Eu Quero Morrer, é tão ruim, mas tão ruim, que não tive a menor vontade de escanear. Argumento fraquíssimo (de Ann Nocenti), pessimamente ilustrado por Arthur Adams e colorido nas coxas pelo Estúdio Artecômix. Longshot (a "Estrela da Sorte") e um pai de família fracassado tentam assaltar uma companhia de luz, porque "a conta estava muito alta" (hhmm... até que faz sentido). Se alguém quiser conferir, por alguma curiosidade mórbida ou mero gosto pelo trash extremo, é só me escrever que eu publico.

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Reup do arquivo cbr (mesmo scan da época) - 06/09/2017


BRIGA DE CACHORRO GRANDE


Na rebarba, resolvi mandar duas Marvel 99 também. As edições #08 e #09 são particularmente especiais por mostrarem um pouco mais do passado do mega-vilão Apocalipse, e por traçarem um interessante paralelo entre as motivações dele e do Hulk. Sem contar o quebra-pau titânico entre o Gigante Esmeralda (com a alcunha de Guerra, então um dos cavaleiros do mutante egípcio), Homem-Absorvente e o "imparável" Fanático.

Nessa edição também tem uma aventura sensacional do Deadpool, com participação especialíssima de Mary Tyfoid. A dupla Joe Kelly/Ed McGuinness é uma das melhores dos últimos tempos. A luta de Deadpool e Ânimus e, principalmente, a "luta" com o T-Ray, são hilárias. O estilo da narrativa e do traço lembra muito a recente parceria Peter David/Chris Cross, das últimas aventuras do Capitão Marvel (o Genis, da Casa das Idéias), sempre muito bem-humoradas.

Coisas do formatinho: deixei de fora algumas histórias. Uma delas é a conclusão de O Beijo da Viúva Negra, um thriller de espionagem com Demolidor, Viúva Negra e Vanguard, o "Capitão América soviético". A história tem uma trama até interessante, mas que não funciona isoladamente. Não incluí também uma aventura do Kazar, pois ela segue adiante em outras edições, e a mesma coisa aconteceu com uma história fraquinha dos fraquinhos Thunderbolts.

Não faz sentido colocar arcos pela metade, a menos que alguém os queira mesmo assim. Aí, é dogg-mail na cabeça. Aliás, "dogg-mail" foi a idéia mais tosca que já saiu da minha cabeça... :P


Marvel 99 #08
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Reup do arquivo cbr (mesmo scan da época) - 06/09/2017


Marvel 99 #09
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Reup do arquivo cbr (mesmo scan da época) - 06/09/2017

Agora, só mais um favor... me digam se as imagens ficaram aceitáveis ou horríveis. fiquei mexendo tanto nelas que já até perdi a referência... Preciso saber, pois tenho intenção de sacanea... digo, scannear outras revistas também. Ah, e eu hospedei no Photobucket mesmo. Mas um dia isso vai mudar. :P


Post ao som de quase tudo do Ramones. Agora, no momento do publish, está rolando Needles & Pins...

Longa Vida ao RAMONES!