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sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Retrospec Janeiro/2020 (uau! carros voadores! máquinas do tempo! dobra espacial! SQN)


2/1¹ - A editora Maryann Brandon admite: Star Wars: A Ascensão Skywalker foi um fanservice. Mas também culpa os prazos.

2/1² - A experiente dubladora Iara Riça - a voz da Arlequina no Brasil, entre muitas outras - anuncia sua saída do ramo após ser dispensada em meio às dublagens do filme Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa. Quem pagou o pato (de rapina?) foi o dublador, diretor e youtuber Guilherme Briggs, que não tinha nada a ver com a história.

2/1³ - E começa a campanha #ReleaseTheJJCut. Yoda nos ajude.


2/14 - Se vai Shōzō Uehara, aos 82. Em cinquenta anos de carreira, o roteirista ajudou a criar as bases dos gêneros tokusatsu e sentai com seus incontáveis trabalhos - entre eles, as séries do Ultraman, Ultraseven, Kamen Rider Black e Jaspion. Lendário é pouco.

3/1 - Diz James Gunn que a Warner chegou a oferecer "um tipo de filme do Superman", mas ele preferiu o Esquadrão Suicida. Certíssimo. Ele já fez o seu Superboy e muito bem...

4/1¹ - Parece que o filme dos Novos Mutantes sairá com o corte original do diretor Josh Boone, sem refilmagens. Soa como se quisessem encerrar a questão sem gastar 1 tostão, mas o Bill Sienkiewicz curtiu tanto que deixa pra lá.

4/1² - Terry Gilliam está cansado de culparem os homens brancos por tudo de errado no mundo, questiona o movimento #MeToo e relativiza o caso Harvey Weinstein. Terry Gilliam, Terry Gilliam...

4/1³ - As paredes da realidade que se cuidem: Shazam #13 trará o retorno do Superboy Primordial!

Morreu neste fim de semana Eduardo de Souza Bonadia, co-fundador da Rock Brigade. Um guerreiro que se vai, mas seu...
Publicado por Rock Brigade Magazine em Segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

5/1¹ - Se vai Eduardo de Souza Bonadia, co-fundador da pioneira revista Rock Brigade e, posteriormente, da Strike Rock Magazine. Bonadia lutava contra um câncer no pâncreas desde o final de 2018.

5/1² - Como esperado, Ricky Gervais no Globo de Ouro atropela, dá a volta e atropela de novo o ego das celebridades hollywoodianas. Dizem que será a última vez. Só nos resta aproveitar os últimos suspiros da iconoclastia made in Britain. Deliciosamente sem dó. Aconselhável assistir com o Google aberto (até tu, William H. Macy...).

5/1³ - Joaquin Phoenix leva o Globo de Ouro de Melhor Ator por Coringa e no discurso manda: "There's no fucking best actor", entre outras deselegâncias. Esse é o fuckin' Joker.

5/14 - Hildur Guðnadóttir (pronuncia-se "Guth-nah-door-tier") leva o Globo de Ouro de Melhor Trilha Original por Coringa. Assim, a compositora islandesa, que ganhou um Emmy por sua trilha em Chernobyl, se torna a 1ª ganhadora solo na história do prêmio. Kudos, Guðnadóttir!

5/15 - Segundo Kyle Buchanan (The New York Times), Taika Waititi revelou que sabe o verdadeiro nome do Baby Yoda, mas que vai esperar até Jon Favreau abrir o jogo. Será que vem pegadinha aí?


6/1¹ - Os Velhos Mutant... digo, Os Novos Mutantes ganha um novo trailer! Será bom para os atores recordarem da sua juventude.

6/1² - Colin Farrell é o Pinguim em The Batman. Nossa, tudo a ver.

8/1 - A Justiça do Rio determina a retirada do ar de A Primeira Tentação de Cristo, o especial de Natal do Porta dos Fundos pela Netflix.

9/1¹ - O presidente do STF Dias Toffoli libera a Porta dos Fundos. A exibição do especial de Natal, que fique claro.


9/1² - Scott Derrickson deixa a direção de Doutor Estranho: No Multiverso da Loucura. Essa nem o Olho de Agamotto viu chegando.

10/1¹ - Joaquin Phoenix vai em cana após protestar contra as mudanças climáticas no grupo organizado pela Jane Fonda (essa mocinha está dando trabalho...). Sacanagem, prenderam o Jóker, o Bobo, o Palhaço...


10/1² - This one hurts... Se vai Neil Ellwood Peart, aos 67. Ao longo de 50 anos de carreira (45 destes no Rush), o escritor, letrista e baterista canadense se estabeleceu como um dos mais técnicos, criativos e respeitados artistas do rock. Prolífico, mas reservado e avesso a entrevistas e aparições na mídia em geral. Pra mim, um dos grandes letristas e, sem dúvida, o maior baterista da História. Uma das únicas razões para me arrastar 518 km da minha caverna até o Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã.


Não apenas antológico, mas a melhor coisa que já fiz pra mim nesta vida.

Tive a honra de ver The Professor ensinando a viver num palco - e também a viver fora dele.


...again, thank you very much, Neil Peart.

10/1³ - Sienkiewiczes me mordam: Os Novos Mutantes também é parte do UCM.

10/14 - Ozzy Osbourne e Elton John lançam o single "Ordinary Man". O dueto estará no álbum homônimo do Madman, programado para 21 de fevereiro.

Canadian Prime Minister JUSTIN TRUDEAU Pays Tribute To NEIL PEART: 'We've Lost A Legend' https://www.blabbermouth.net/news/canadian-prime-minister-justin-trudeau-pays-tribute-to-neil-peart-weve-lost-a-legend/
Publicado por Blabbermouth.net (Official) em Sábado, 11 de janeiro de 2020

11/1 - O Primeiro Ministro canadense Justin Trudeau faz uma homenagem a Neil Peart em sua conta oficial. Meu Deus, quanta diferença...


13/1² - Sai o curioso trailer de Morbius. O roteiro escrito a 8 mãos parece evitar o vampirismo clássico e aborda mais os aspectos de suspense sci fi do mórbido personagem. E Jared Leto continua na correria. O trailer também se equilibra na finíssima linha que separa os universos do copyright com a aparição, no final, de um certo morcego... ou melhor, de um certo abutre.

13/1³ - Democracia em Vertigem está entre os indicados ao Oscar de Melhor Documentário. Malditos comunistas americ... ops.

13/14 - Cinco anos após o trágico atentado terrorista à sede do Charlie Hebdo, a lápide do cartunista Wolinski é aparentemente vandalizada.


13/15 - Sai o 2º trailer de Viúva Negra. Mais saltos impossíveis, desafios às leis da gravidade e lutas fofinhas, mesmo com a presença do Treinador. Mas o Guardião Vermelho me representa!

14/1¹ - Em 1995, quando a plateia saiu em silêncio ao fim da sessão de Se7en, Brad Pitt perguntou a David Fincher o que havia acontecido. O nome disso é PTSD, Brad.


14/1² - Zack Snyder joga uma tora na fogueira #ReleaseTheSnyderCut e revela uma cena preliminar com Uxas em uma batalha na Terra. Pra mim, a presença do Darkseid não melhoraria Liga da Justiça, mas pioraria a própria percepção pública do vilão. Fora que está bem descaracterizado. Parece mais o En Sabah Nur em seus tempos de Antigo Egito.

“Informamos que a remessa 7105955231 retornou, pois o conteúdo enviado não é permitido para transporte via DHL Express”....
Publicado por Editora Veneta em Quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

15/1¹ - Segundo a Veneta, a DHL Express se recusa a transportar A Louca do Sagrado Coração, de Moebius e Alejandro Jodorowsky, mas transporta a Idade das Trevas ida e volta sem custos.


15/1² - Own, os The Flashs Grant Gustin e Ezra Miller confraternizam na reta final de Crise nas Infinitas Terras. E o The Flash Kenny Johnston, nada?

16/1¹ - A Mulher-Gato está completando 80 anos (com corpinho de 20). E vai ganhar presente com Catwoman 80th Anniversary 100-Page Super Spectacular, previsto para abril.

16/1² - Em nota à Folha, a DHL admite que houve "erro de avaliação" na recusa do transporte das cópias de A Louca do Sagrado Coração, de Moebius e Alejandro Jodorowsky. A editora Veneta, por sua vez, informa que seu diretor levará pessoalmente os exemplares até a Les Humanoïds Associés, na França. E tudo isso só por causa de uns moranguinhos... Bon voyage!

16/1³ - Opa, a sequência do tenso O Homem nas Trevas (Don't Breathe, 2016) está a caminho. Não foi divulgado se a gracinha Jane Levy retorna, mas será uma grande bola fora se não.


16/14 - Se vai Christopher John Reuel Tolkien, aos 95. Editor, escritor e ilustrador, Tolkien realizou a árdua tarefa de organizar, editar e publicar os escritos inacabados de seu pai, J.R.R. Tolkien - entre eles, o famoso O Silmarilion. Sem dúvida, o trabalho de uma vida. E certamente bem mais complicado do que atravessar a Terra Média a pé.

17/1¹ - Oscar Isaac irá produzir e estrelar The Great Machine, adaptação da ótima HQ Ex Machina, de Brian K. Vaughan. Seu papel será, claro, de Mitchell Hundred. Curiosamente, Isaac já tem um Ex Machina no currículo - uma excelente ficção-científica de 2014 que ele co-protagoniza ao lado de Domhnall Gleeson e Alicia Vikander.

17/1² - Todas as ilustrações do mestre Sergio Toppi serão lançadas em dois volumes gigantescos! Jesus Todo Poderoso!


17/1³ - Karen Gillan se candidata para dirigir e estrelar um filme da Batgirl. Eu assistiria e adoraria, mesmo se fosse ruim.







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17/14 - Dave Mustaine de volta ao jogo!

17/15 - "A vida passa rápido demais. E se você não curtir de vez em quando, a vida passa e você nem vê." - um patrocínio do Trent Reznor's Day Off.


17/16 - Whoa! A Disney extermina o nome Fox. Não estão nem aí para o peso histórico, a iconografia clássica, etc.

20/1 - Hugo Weaving revela por que não irá reprisar o Agente Smith no novo Matrix: conflitos entre as agendas e a pressa da diretora Lana Wachowski. Ele também esclarece por que não interpretou o Caveira Vermelha nos filmes dos Vingadores: a Marvel reduziu o cachê do australiano. E eu achando que era algum código de ética pessoal ou algo do tipo.

21/1¹ - Direto do túnel do tempo, Dan Fraga (lembra dele?) resgata sua HQ Black Flag, com todos os trambolhos bélicos noventistas que arrancariam suor de macho dos olhos do Cable.


21/1² - Se vai Terry Jones, aos 77. Escritor, historiador, poeta, ator, diretor e membro fundador do Monty Python. Foi ele quem dirigiu alguns dos melhores longas do grupo britânico (Em Busca do Cálice Sagrado e A Vida de Brian) e o melhor filme do MP que não era do MP (Erik, o Viking). Em suma, um gênio. Mas sempre vou lembrar dele como a neurótica mãe do Messias.

21/1³ - Ozzy Osbourne é diagnosticado com doença de Parkinson. A notícia da confirmação só vem agora, mas quem acompanhou a carreira do Ozzy nos últimos anos já tinha notado alguma coisa...


21/14 - John Walker/Agente Americano (Wyatt Russell) dá tchauzinho no set de Falcão e o Soldado Invernal. Uma pena mesmo que aquele rematch clássico nunca irá rolar... Tá na minha lista das melhores porradarias HQzísticas.

22/1¹ - O baterista Joey Kramer é barrado de um ensaio do Aerosmith. Isso me lembra do quanto grupos de rock podem ser cuzões. Sem dúvida, um dos capítulos mais vexatórios e tristes que já vi. Ainda bem que o TMZ não existia na época do Syd Barrett.


22/1² - A obra-prima franco-belga Thorgal, de Jean Van Hamme e Grzegorz Rosinki, está saindo numa coleção espetacular pela Planeta DeAgostini... lá na Espanha. Rezando aos deuses do Velho Mundo para que saia aqui também. E começando a juntar os trocados para o caso deles atenderem...

22/1³ - O editor Dorival Lopes anuncia o fim das assinaturas da Mythos. Motivos: o excesso de reclamação dos assinantes e as ótimas vendas do final de ano que atrapalharam o bom andamento dos trabalhos. E eu nem bebi nada ainda, juro.

23/1¹ - ISBNews: DC Deluxe - Lanterna Verde: Renascimento, DC Deluxe - Flash: Renascimento, Coringa: Um Sorriso de Matar Vol. 1.

23/1² - Dante Mantovani, diretor da Funarte nomeado pelo ex-Secretário da Cultura Roberto Alvim (sig heil!), proibiu o rock no edital do Prêmio de Apoio a Bandas de Música 2020. Pra ele, "rock ativa as drogas, que ativam o sexo livre, que ativa a indústria do aborto, que ativa o satanismo". Arkham perde.

23/1³ - Na onda da "nova" política toma-lá-dá-cá, On the Stump, novo título da Image Comics, chega com os dois pés no peito. Na trama de Chuck Brown com traço do italiano Prenzy, as eleições presidenciais americanas são decididas na porrada! Ou seja, a maioria dos mandatários reais não teria a menor chance (muito menos nosso valentão de estimação). Lançamento previsto para 19 de fevereiro nas melhores zonas eleitorais da cidade.

23/14 - A Disney+ e a Lucasfilm suspendem a produção da série Obi-Wan. O plot central, com o mestre jedi tutorando os jovens Luke e Leia (cuma?!), lembrava muito The Mandalorian. Será tudo refeito com um novo script. Ewan McGregor e a diretora Deborah Chow seguem ligados ao projeto. Bem que senti um grande distúrbio na Força, como se dezenas de ghost writers gritassem de terror e subitamente silenciassem...


24/1¹ - Zé Ruela achou que não seria descoberto e apresentou Tom King à babaquice nerdística brasileira em toda a sua glória. A brigada anti-incêndio precisou trabalhar rápido.

24/1² - A coisa já andava esquisita, mas agora é oficial: as séries Howard the Duck e Tigra & Dazzler que a Marvel produziria para o Hulu foram definitivamente pro saco.

25/1 - Pelo posterzão de Os Novos Mutantes o terror vai comer solto pros mutuninhas.

Breaking news: Los Angeles Lakers legend Kobe Bryant died in a helicopter crash in California on Sunday, according to two people with knowledge of the situation.
Publicado por Washington Post em Domingo, 26 de janeiro de 2020

26/1¹ - Se vai Kobe Bryant, aos 41. Uma lenda do basquete - e do esporte, como um todo.


26/1² - Se vai José Antônio de Freitas Mucci, o Tunai, aos 69. O cantor e compositor (e irmão de João Bosco) foi gravado por Elis Regina, Fafá de Belém, Gal Costa e Ney Matogrosso, entre outros. Mas nada se comparou ao sucesso nos anos 80, da noite pro dia, com o estrondoso hit "Frisson".

27/1¹ - Masters of the Universe é removido da grade de lançamentos da Sony. Anteriormente, a produção iria estrear em 5 de março de 2021 e agora, só Granamyr sabe. Tá difícil sair um filme do He-Man, hein?

27/1² - Hoje Frank Miller completa 63 primaveras. Posso dizer que meu 1º contato com seu trabalho foi inesquecível - até porquê o revisito sazonalmente. E ainda é uma porrada.

27/1³ - The Thing - o nosso O Enigma de Outro Mundo - vai ganhar um novo filme. A diferença é que será baseado na novela Frozen Hell - a versão integral do conto Who Goes There?, de John W. Campbell, descoberta apenas em 2018. Produção da Blumhouse com a Universal Studios.


28/1¹ - Sai o trailer de Mortal Kombat Legends: Scorpion's Revenge. A prévia não tem um pingo de sangue, mas o longa é classificação R. E o diretor é o Ethan Spaulding, que fez 12 episódios do clássico Avatar: A Lenda de Aang, além do divertido Batman: Assalto em Arkham. Lançamento na primavera de 2020, que começa +/- em 20 de março - outono pra os Blankas daqui.

28/1² - They're NOT too old for this shit: o produtor Dan Lin anuncia a reunião de Richard Donner, Mel Gibson e Danny Glover para Máquina Mortífera 5. Preciso tirar a poeira do meu sax.

28/1³ - Em março tem Asterix pela Panini. Já tomaram a poção da superpaciência?


28/14 - Negócio tão bom quanto dar lance em uma lasca da Cruz. Agora dá licença, que eu vou ali trair o movimento punk, véio, e já volto.

WE ARE IN BRAZIL! Sobre esta cabeça feita e cheia de restos as Pussy Riots cantam e dançam. Nós somos Pussy Riots....
Publicado por PussyRiot em Terça-feira, 28 de janeiro de 2020

28/15 - A banda punk moscovita Pussy Riot divulga um lindo pôster da apresentação em São Paulo. Beijos nas pussies!

28/16 - A IDW fechou 2019 mal das pernas. Mesmo as parcerias com a Netflix geraram prejuízos que ainda irão se refletir em 2020. Ironicamente, a esperança reside em mais uma parceria com a... Netflix.

28/17 - Red 11 é o terror sci-fi de superbaixo orçamento de Robert Rodriguez: custou apenas 7 mil dólares - R$ 29.960 no câmbio de hoje. Isso sim é filme de terror.

29/1 - A atriz, ruralista e conservadora Regina Duarte é a nova secretária da Cultura. Não sei se cerco ou jogo uma lona por cima.

30/1 - E viva o Dia do Quadrinho Nacional! Hip, hip... ...?

31/1 - Regina Duarte pretende demitir Dante Mantovani, atual presidente da Funarte. Lindo. Só espero que não coloque algum sertanejo no lugar.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Uma velha esperança


Lamentável isto é, mas não necessariamente inesperado. Em Star Wars: O Despertar da Força, J.J. Abrams recicla obsessivamente a estrutura e as fórmulas vencedoras do passado, mascarando como novidade o que deveria ser um próximo passo para a série. Além disso, ele definitivamente não consegue lidar com os personagens clássicos. No final, a irresistível dupla de protagonistas salva o filme das inconsistências do roteiro - do contrário, a perda de tempo seria inevitável.

Esse foi o meu resumo da (space) ópera. Mas como bom entusiasta da guerra nas estrelas, vou expandir.

Abrams é uma das grandes histórias de sucesso da TV americana recente e um dos sujeitos que melhor entenderam o mainstream hollywoodiano a partir do final da década de 1970. Em sua econômica filmografia como diretor, ele reformulou o ganha-pão de Tom Cruise com mecanismos de ação consagrados no cinema e na TV, mimetizou Spielberg em nível molecular e trouxe Star Trek finalmente para um século onde nenhum filme da série jamais esteve. Esse último merece uma observação à parte, já que tem tudo a ver com o novo cenário.

Seu trabalho no longa de 2009 foi um passeio no parque: aventuresco, bem-humorado e dramático na medida, atualizou um cânone sacrossanto para uma nova geração sem subestimar nem um e nem outro - e ainda contextualizando in loco uma bonita reverência ao original. Tudo graças à fina sintonia com os roteiristas Roberto Orci e Alex Kurtzman e, claro, ao objetivo tangível de apenas contar uma boa história.

Em sua investida na ex de George Lucas, porém, Abrams não buscou conciliar o clássico com o novo, mas sim confrontá-los. Isso se estende desde às novas parcerias, com o tratamento inicial do roteiro de Michael Arndt (Toy Story 3, Jogos Vorazes: Em Chamas) sendo reescrito pelo veterano Lawrence Kasdan (O Império Contra-Ataca, O Retorno de Jedi), além do próprio J.J. O porquê disso eu não sei, mas o que se vê aí é precisamente a metáfora do filme: um choque de gerações.


No embate do velho com o novo, quem se sai melhor é justamente a dupla de novatos John Boyega (Finn) e Daisy Ridley (Rey). A escolha desses dois pode parecer uma adequação de Star Wars aos novos e inclusivos tempos (e é), mas o fato é que garantiram as boas qualidades de um filme cuja trama não para de conspirar, inclusive contra eles mesmos.

Finn é o lead para o espectador e o perfeito protagonista improvável: stormtrooper, preto, sem dons especiais e nenhuma ligação com o que veio antes (Lando era um jogador cafajeste e Mace Windu, um mestre jedi - ambos coadjuvantes). Ousado. Sem se intimidar, Boyega conduz grandes cenas como se fosse habitué em megaproduções - e destaco aí a eletrizante sequência game shooter em meio a uma batalha campal. Seu perfil humano e cheio de falhas, mas de bom coração e algo imprevisível torna Finn alguém que parece valer a pena acompanhar. E se importar.

Rey é outro caso. As prévias a vendiam como uma bela jovem crescendo bela e jovem numa típica quebrada desértica/mundo-cão de Star Wars. Com um fôlego invejável, a atriz atropela todas essas convenções na base do talento e da raça. Rey é idealista, de personalidade forte sem ser chata e, ao mesmo tempo, tem um ar de indisfarçável - e adorável - ingenuidade. Tem todos os requisitos para ser um ótimo "O Escolhido" da vez. Leva 4 Korras de 5 na escala Avatar.

Mas claro que, no saldo geral, as atenções se voltam para um aspecto bem particular do filme. Após três décadas, os fãs de Star Wars finalmente puderam conferir boa parte do elenco original retornando àquele universo. Mas isso você só consegue mensurar quando surgem na telona Han Solo (Harrison Ford), Leia Organa (Carrie Fisher), Chewbacca (Peter Mayhew) e C-3PO (Anthony Daniels). Não tem como segurar um sorriso moleque diante da quintessência do cinemão pop. Principalmente vendo Ford se divertindo igual a um guri de antigamente brincando descalço na rua.


No tradicional resumo de abertura, vemos que a famosa queda do Império foi mais uma topadinha na quina. Ainda com uma vasta estrutura logística e tecnológica, mais o contingente e poderio militar remanescentes, o Império, rebatizado Primeira Ordem, é controlado pelo mestre sith Snoke (Andy Serkis, quem mais?). Ao seu lado está Kylo Ren (Adam Driver), seu aprendiz, que disputa o comando da horda com o General Hux (Domhnall Gleeson).

Contrariando o tom otimista do final de O Retorno de Jedi, a Aliança Rebelde, liderada pela agora general Leia, segue como um grupo de insurgentes. Luke Skywalker, alçado a um status messiânico, é uma das únicas esperanças da resistência, porém se auto-exilou quando uma tragédia mal-explicada se abateu sobre alguns padawans que treinava. Seu paradeiro não é apenas desconhecido, mas também o MacGuffin do filme e está parcialmente contido nos dados carregados pelo droid BB-8. Após um ataque da Primeira Ordem, BB-8 acaba perdido no mesmo planeta que Rey vive - e onde Finn acaba se refugiando em sua recém-deserção dos stormtroopers.

O plot é basicamente um revamp de Uma Nova Esperança, inclusive nos vários ganchos presentes na narrativa: um droidzinho com informações vitais, um velho mestre recluso, um jovem talento que pode restaurar o equilíbrio à Força, missões de resgate suicidas, jedi e sith sendo encarados popularmente como lendas urbanas (ou galácticas?) e até um planeta sendo explodido por uma mega-arma dos vilões. O roteiro não foi nem um pouco sucinto.


Mesmo a ambientação parece concebida por uma seguradora. Enquanto Takodana lembra uma filial micro da lua de Endor, o planeta Jakku poderia ser tranquilamente o novo nome de Tatooine. Com seu deserto infindo cheio de ferro-velho, scalpers e ao menos um futuro jedi salvação-da-lavoura, sua concepção é de um déjà vu atordoante. Não fosse o lugar um cemitério de cruzadores imperiais abatidos (isso sim, visualmente muito legal), teria sido quase uma reprise da Sessão da Tarde.

O número de coincidências também é considerável. Não as coincidências regulares do manual hollywoodiano, mas coisas como um TIE fighter com Finn e o piloto Poe Dameron (Oscar Isaac) caindo relativamente perto da localização de Rey e BB-8. Um golpe de sorte inacreditável, visto que aquilo é um planeta, não um bairro. Mais impressionante ainda foi Han Solo esbarrar com os heróis em pleno espaço, enquanto estavam à deriva na Millennium Falcon.

Descontei o quanto deu, mas não ajudou nada inserir, num curto espaço de tempo, duas fugas da mesma prisão de uma base espacial da Primeira Ordem. Se foi homenagem à clássica escapada do filme original, exageraram na dose. Em valores terráqueos de incompetência, isso equivale a uma população carcerária inteira fugindo de uma prisão pela porta da frente. Vader não perdoaria.

E por falar na Terra, outra grande presepada do roteiro foram os flertes com a nossa triste e cinzenta realidade. Em outros tempos, os grandes autores de ficção-científica criavam outros mundos para falar dela, mas de forma indireta, quase subliminar. Mesmo a trilogia original de Star Wars tinha essa qualidade. Já as analogias de O Despertar da Força têm a sutileza de um caminhão de dezesseis rodas. A começar pela titularidade de Snoke: supremo líder quem, cara-pálida?


Pior é a postura do histriônico General Hux, imersa no TOC nazifascista adotado pelo irlandês Gleeson, que ainda por cima parece jovem demais para aquela patente. O inesquecível e cerebral Grand Moff Tarkin jamais precisou vender ideia nenhuma. Ele era a ideia. Mas o que antes era apenas um paralelo discreto, aqui vira o estouro de uma manada de rinocerontes. Especialmente na cena do inflamado discurso "em praça pública", preterindo mais uma vez o fator escapista em favor do panfleto. Só faltou o sieg heil!. Constrangedor.

A origem sugerida de Finn é outro exemplo. Numa breve fala, sabemos que foi raptado e provavelmente condicionado e treinado para servir à Primeira Ordem. Uma referência rasteira às práticas das milícias do Boko Haram, E.I. e aberrações quetais. Isso não é Star Wars, é Fox News. Sem contar que sua "desprogramação" ocorre da maneira mais incrível: do nada, após se horrorizar com a chacina empreendida por seu pelotão em uma pequena vila.

Será que, durante o tempo em que esteve em suas fileiras, Finn nunca teve contato com as atrocidades cometidas pela Primeira Ordem? E seu treinamento foi baseado em quê, design de interiores? Ou simplesmente lhe deram uma armadura, um rifle blaster e um iPod com "Let the Bodies Hit the Floor"?

Difícil acreditar nessa transição tão simplória e sem o menor desenvolvimento psicológico, de boteco que seja. Se queriam mesmo mexer nesse vespeiro numa produção mainstream, e não deviam, que assistissem Incêndios para um mínimo de conhecimento de causa. Aposto que reescreveriam tudo na hora. De novo.

A grande bola fora da vez só não foi maior porque já é quase folclórico ver o grande Max von Sydow coadjuvando pelos cantos de Hollywood. No caso de Star Wars, porém, faz por merecer uma observação. Com a postura íntegra de sempre, exalando harmonia espiritual, sabedoria e trajando uma indumentária que em muito lembra a de um veterano jedi, sua ponta no filme configura o maior desperdício de um Max von Sydow coadjuvante de luxo de toda a História dos Max von Sydows coadjuvantes de luxo. Então o Cavaleiro Antonius Block topa se divertir num filme pop com sabres de luz e ninguém agita a parada? Vê se pode.

Chato ainda é ver o terrível tratamento dispensado ao elenco jurássico da franquia. O único que se sobressai é Harrison Ford, porque gostou da brincadeira e resolveu que o palco era dele. Fez bem, já que Carrie Fisher foi sumariamente amordaçada pelo roteiro. Chegam a ser deprimentes as aguardadas cenas com Leia e Solo. Parecia um monólogo - ele, como sempre vivaz e provocador; ela, completamente absorta e monossilábica, uma estranha.

Provavelmente é Fisher quem vai pagar essa conta, mas é visível que ela recebeu uma verdadeira bomba em forma de script. A impressão é que não confiaram mesmo em sua capacidade, mas a colocaram ali por uma mera batida de cartão. O resultado, claro, é o pior possível.

Mas tem mais. Ah, O Despertar da Força.


Kylo Ren teve a honra duvidosa de estrear uma galeria de vilões ruins de Star Wars. Do início promissor até a perda total subsequente, deram uma aula de como estragar um personagem em tempo recorde. Difícil encontrar similares de decepção em qualquer mídia. Carregaram nas tintas com a entrada triunfal e o resto simplesmente não segurou a onda.

Logo de início, Ren usa a Força do modo como sempre sonhamos ver na telona - ou víamos nos games da LucasArts. Vader bloqueava disparos blaster com as mãos? Ren segura os disparos em pleno ar, sem transparecer grande esforço. Formidável demonstração de poder para alguém que, segundo uma fala de Snoke, ainda nem havia concluído seu treinamento. Certamente se tratava de alguém forjado em racionalidade, disciplina e equilíbrio. Assim parecia.

Seus escandalosos e infantis acessos de raiva trataram de sepultar as boas impressões. Parecia vilão de desenho animado dos anos 80. Uma postura incompatível para alguém daquela hierarquia. Incrédulo, fiquei aguardando alguma virada que conferisse certa dignidade às cenas. Não rolou.

Sobre o sujeito sem o capacete, me limito a comentar que foi o clímax do anticlímax.

De cara limpa, sabre de luz medieval em punho e cheio dos sentimentos que levam ao Lado Negro...


Antes de tudo, foi bem sacado o parentesco de Kylo Ren. Entre as várias possibilidades de um Star Wars 7, aquela era certamente a mais lógica. E foi tocante saber seu verdadeiro nome, ainda que jogado en passant numa das cenas mais infames da série.

Dá pra antever a clicherama a parsecs só pelo cenário: Han Solo e o choramingante Ren se deparando numa ponte sobre um abismo high tech. Solo não nutria a menor esperança pela redenção de Ren e inclusive confessou isso pra Leia, mas mesmo assim se coloca numa situação sem saída e sem o menor sentido prático. Logo ele. Tão incoerente quanto o Greedo ter atirado primeiro. Han não merecia essa péssima saída de cena.

Mas o roteiro não dá descanso e coloca Ren passando um dobrado para vencer Finn no sabre de luz. Estava ferido, mas um guerreiro que congela raios no ar deveria vencer amadores até sem os braços. O sujeito tem supertelecinésia, oras. É só fazer as contas.

Já a luta com Rey foi ainda mais absurda: a menina dá um baile no coitado e só não termina o serviço por causa da conclusão pavorosa, onde uma fenda se abre no chão criando um enorme chavão, digo, precipício entre os dois. Acho que nem Lucas seria capaz de uma coisa dessas.

O fato de Rey se mostrar autodidata em todas as nuances da Força e no manejo avançado do sabre de luz é algo que não dá nem para categorizar. O mesmo vale para o momento em que ela, ao ter contato com memórias passadas, entra em pânico e corre chorando por uma floresta, como uma perfeita damsel in distress. Construção de personagem é artigo supérfluo em O Despertar da Força.

A cereja foi ver Leia passando direto por Chewie sem nem olhar pra fuça do peludão - que foi apenas o fiel parceiro de Solo por uma vida - e indo direto ao encontro de Rey para consolá-la. Nesse ponto fica claro o protagonismo de Rey sendo enfiado pela goela do espectador, como se a própria personagem não tivesse atrativos suficientes para merecer o posto.

Senão, como explicar o fato da Aliança ter enviado apenas Rey e Chewie para encontrar Luke e convencê-lo a voltar? Luke é a maior esperança da galáxia, não faz sentido confiar uma missão dessa magnitude a uma recém-chegada sem experiência. Não sou especialista em estratégia, muito menos em psicologia de mestres jedi, mas imagino que se enviassem Leia, sua irmã, escoltada por um esquadrão X-wing seria o mais sensato.

Na conclusão, ainda arrematam com uma cena tão pretensiosamente épica que deu vontade de usar o velho truque mental jedi e desver tudo: Rey encontrando Luke em Machu Picchu e devolvendo seu sabre numa interminável pose com direito a travelling aéreo em 360º. Parafraseando o saudoso Mestre Yoda, um episódio de Star Wars não cultiva tais coisas. Ou ele é épico ou não é. Não existe tentar ser épico.

Quando surgiram os tradicionalmente abruptos créditos da série, eu quase podia dizer que foi um alívio.


Star Wars: O Despertar da Força deixa evidente que é o filão principal de um grande pacote multimídia. É óbvio que certos detalhes foram deixados em aberto para serem explorados em livros, quadrinhos e games - o que já está acontecendo há algum tempo, aliás. Estão lá esperando explicação o braço vermelho de C-3PO e o PhD mágico da padawan Rey pelos caminhos da Força, assim como os eventos ocorridos ao longo dos 30 anos de gap desde O Retorno de Jedi.

São os DLCs de Star Wars, só pra usar um termo do milênio. O que, se não traz nada de novo, ao menos renova a tradição da série antes do Universo Expandido prévio ser descartado pela Disney.


Na saída do cinema, lá estava eu comparando a retomada da franquia com a retomada feita pelo irregular A Ameaça Fantasma, há 16 anos. Esperava muito, recebi pouco e, mesmo assim, saí bem mais satisfeito daquela sala.

Bons tempos.