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terça-feira, 2 de março de 2021

A Liberdade é Azul e a Feiticeira é Escarlate


Penúltimo episódio de WandaVision, "Previously On" reitera – senão supera – as previsões mais otimistas da Marvel Studios. Uma série adaptando um calhamaço crono(i)lógico complexinho e o romance sintozófilo da Wanda Maximoff com o Visão não era dos materiais mais palatáveis. Mas foi mastigado e cuspido com sucesso na testa dos públicos nerd, pseudonerd e nem um pouco nerd. Mesmo turbinado pelo fator Ultimato, o hype semanal assombroso de WandaVision é uma vitória contra as, arram, probabilidades.

E como recap, foi um bom episódio – mas nada que supere a geral da própria Elizabeth, em carne e Olsen. Adorável.

Claro que rolaram uns vácuos: sem gene X ou efetivação do Pietro que vale e tampouco do fantástico Quarteto. Mas acima dos desperdícios de timing, toda semana tivemos passe livre pra ver Elizabeth Olsen e Paul Bettany trabalhando. E que pintura de trabalho. Um privilégio ver esses dois em cena.

Dissecar a competência da dupla é chover no molhado: são mais atores do que a Marvel precisava ou mesmo merecia. A química do casal neste episódio em particular foi tão intensa que metade do set deve ter morrido intoxicada. Foram muito além das bem-traçadas linhas do roteiro da Laura Donney.

E, pelo amor de Sidney Sheldon, o que foi aquela punchline?

"Eu nunca vivenciei a perda porque nunca tive uma pessoa amada para perder. Mas o que é o luto senão o amor que perdura?"

Dito da forma errada, poderia facilmente ter saído de uma letra do Ritchie. Mas Olsen & Bettany conferem dor, profundidade, amargura e trágica cumplicidade à cena. Por sinal, uma das mais bonitas e bem compostas dos últimos tempos.

Vindo de alguém que tem experimentado o luto em doses cada vez menos esparsas (já comentei que moro na casa dos 40?), pode considerar que, sim, é um puta elogio. Então, reverbero perfeitamente o momento em que Wanda recria tudo o que aliviará sua dor num momento de violenta catarse – não por acaso, dramatizada e enquadrada como se fosse uma cena visceral de um trabalho de parto. Conceitos Cronenberg-Lynchianos operando incógnitos abaixo de incontáveis camadas DisneyPlusísticas. Eu vi isso, Matt Shakman e Jacqueline Schaeffer.

Ali, para qualquer cascudo no assunto, foi impossível não lembrar de outro aspecto do luto, ainda mais sorrateiro e perigoso: a entrega. Isso foi explorado também no terreno do drama/fantasia em Amor Além da Vida, do sumido diretor Vincent Ward (de Navigator: Uma Odisséia no Tempo). Um filmaço, por sinal.


Sem entrar em spoilers, em dado momento do longa, o personagem do saudoso Robin Williams precisa salvar a esposa, irremediavelmente trancada e inacessível dentro da dor da perda. Provavelmente a alegoria fantástica mais depressiva e realista já filmada.


Uma jornada que já apresentava uma outra dimensão das palavras do nosso sintozóide favorito.

Por mim, a parada já está ganha bem antes do tempo regulamentar. Que venham o series finale, Multiversos e além...


Atualização 6/3/21:

Nossa, fera. Foi... decepcionante. Esperava Cumberbatch, saí cum belo banho de água fria.

terça-feira, 31 de março de 2020

😷 😷 😷 Retrospec Março/2020 😷 😷 😷


2/3¹ - Sai o trailer de Justice League Dark: Apokolips War. E o vozeirão de Darkseid é de ninguém menos que Tony Todd!

2/3² - O clássico Mort Cinder, de Héctor Germán Oesterheld e Alberto Breccia (e vencedor da categoria "Aquisição do coração" no ZdO 2018, óóóóó), terá uma reimpressão pela editora Figura – com direito a duas páginas digitalizadas diretamente dos originais de Breccia, atualizando aquelas que foram escaneadas de outras publicações na 1ª tiragem. Não sei se rio ou se choro.

2/3³ - Erico Borgo sai do Omelete. E...? Sei lá, não acompanho há mais de uma década. Pra ser exato, desde que o site passou a ter conteúdo patrocinado e virou uma máquina de fazer dinheiro. Mas a inundação de lágrimas das viúvas tá batendo na canela.

2/34 - A famosa "Trilogia do Demônio" do Batman (Birth of the Demon, Bride of the Demon e Son of the Demon) será compilada pela 1º vez em capa dura. Tenho a coisa toda em HC pelas edições da Eaglemoss, mas dependendo dos novos extras...

3/3¹ - Diz Todd McFarlane que o reboot classificação R de Spawn sai ainda em 2020. Ah, sujeito otimista.

Site da assinatura do Pacote DC Teen (Panini) 2020 1- "é comporto" 2- "mare" onde deveria ser "maré" 3- "uma graphic...
Publicado por Todo Dia Um Erro Nos Quadrinhos Diferente em Terça-feira, 3 de março de 2020

3/3² - Errando até nos anúncios? Meretriz que deu-lhe a luz, Panini. Bônus: Batman e Besouro Azul curtindo um modo ninja numa página dupla de Lendas do Universo DC - Liga da Justiça: J.M. DeMatteis & Keith Giffen vol. 3... Ponto cego, revisor cego. Tudo em casa.

3/3³ - O reboot dos Wildcats (ou seria WildC.A.T.S.?) nem estreou e já foi pro saco, segundo Warren Ellis, que roteiriza. Mas Ramon Villalobos, que desenha, discorda.


4/3¹ - Matt Reeves revela o Batmóvel Mad Max's V8 Interceptor! Até que enfim um Batmóvel automóvel. Me lembrou até o batcarro fase Grant Morrison, sem o glamour e o rabo de peixe.

4/3² - Schwarza comenta que nos últimos anos tem andado muito próximo de um longa do Rei Conan, mas que os direitos do bárbaro estão com um jovem que não sabe fazer porra nenhuma.

4/3³ - Aí a editora Mythos relança Mágico Vento em formato italiano e não fala mais da coleção Deluxe em cores (cancelada lá fora em 2015 no vol. 25). Quem estava comprando, tipo eu, tomou na tarraqueta bonitinho, viu?


5/3¹ - Se vai Frank McLaughlin, aos 84. A longeva carreira do desenhista e arte-finalista começou no início da década de 1960, trabalhando com nomes como Steve Ditko e Dick Giordano, ainda na Charlton Comics. Nessa época, fez muitos trabalhos não-creditados (uma constante) e nunca mais parou. Entre suas criações mais famosas está o Mestre Judoca, que saía no Brasil no gibi do Judoka! Grande veterano.


5/3² - O trailer de Scooby! O Filme é simpatiquinho, mas quero ver mesmo é esse resgate do Falcão Azul & Bionicão!

6/3¹ - Christian Bale fará o vilão de Thor: Amor e Trovão! Dou 1 dólar pra saber o que se passa pela cabeça do Taika Waititi...


6/3² - Se vai David Paul, aos 62. Ao lado do irmão Peter Paul, o bodybuilder e... arrem, ator foi um dos guerreiros gêmeos em The Barbarians (Ruggero Deodato, 1987), crássico da Cannon Films. O filme era campeão de locações e reprises no final dos anos 1980/início dos 1990 e, sem dúvida, uma das tosqueiras que mais divertiam a molecada. Obrigado por tudo, David Paul!


7/3¹ - Saudoso, Mike Deodato Jr. comemora as conquistas de seu Thor noventista. Como diria o profeta Castrezana-do-Alto-do-Morro: "Lembranças, memórias, boas ou ruins, não devem ser tijolos. Devem ser anotações"... E pelo menos ficou melhor que o Conan do Joe Bennett.

7/3² - Pela 1ª vez, a série de tirinhas de jornal Maxwell the Magic Cat, de Alan Moore, é compilada na íntegra num único volume - e isso está reverberando até na gringa. Golaço da editora Pipoca & Nanquim.


8/3¹ - Se vai o grande Max von Sydow, aos 90. Nascido Carl Adolf von Sydow, o genial ator sueco - e cidadão francês - iniciou sua carreira no teatro e no cinema no final da década de 1940. Com o cineasta Ingmar Bergman teve uma das parcerias mais celebradas da 7ª Arte. Foram 11 filmes ao todo, incluindo os clássicos O Sétimo Selo (1957), Morangos Silvestres (1957) e A Fonte da Donzela (1960). Em Hollywood ficou eternizado com o papel de Padre Lankester Merrin em O Exorcista (1974) e por amenidades como Ming, o Impiedoso, no camp Flash Gordon (1980), e Rei Osric, em Conan, o Bárbaro (1983), além de infindáveis cameos de luxo - incluindo Game of Thrones e um dos Star Wars recentes. Raramente foi bem aproveitado do lado de cá do Atlântico. Era ator demais, suponho.


8/3² - Finalmente sai o trailer banda vermelha de Mortal Kombat Legends: Scorpion's Revenge!

9/3¹ - A trilha sonora de Thor: Amor e Trovão trará "Rainbow in the Dark", clássico do Dio! Aye!!

9/3² - A princípio, achava que Batman: Three Jokers, de Geoff Johns e Jason Fabok, seria mais uma picaretagem aproveitando o hype da DC nos cinemas - como a tal Punchline (quero ver como vão batizá-la aqui!). Mas até que a premissa divulgada é promissora.

10/3¹ - Quer saber o que teria acontecido se aqueles decisivos 72 votos não tivessem selado o destino de Jason Todd em Batman #428 (dez/1988)? A Polygon mostra.

Cari amici Texiani, nel rispetto delle delibere delle autorità dopo l'emanazione, da parte del Presidente del Consiglio...
Publicado por Tex - Sergio Bonelli Editore em Terça-feira, 10 de março de 2020

10/3² - Dio mio. A crise do novo coronavírus na Itália interrompe as atividades normais da Bonelli. Googletranslateada:
"Caros amigos Texianos, em conformidade com as resoluções das autoridades após a emissão pelo Presidente do Conselho de Ministros dos recentes decretos legislativos sobre a situação nacional da saúde e para proteger a saúde de todos os funcionários e colaboradores, Sergio Bonelli Editore SpA comunica que a partir de hoje, a maioria dos funcionários e editores da via Buonarroti trabalha remotamente em suas casas. Todos estamos fazendo todo o possível para que isso não envolva problemas no cuidado e na realização dos livros e volumes, nem atraso na sua distribuição. Infelizmente, porém, a situação de emergência sem precedentes e a evolução contínua do quadro geral podem causar problemas e atrasos, nesses momentos impossíveis de prever. Pedimos desculpas por isso com antecedência, mas esperamos poder retornar todos os nossos posts à redação o mais rápido possível. Enquanto isso, continue lendo nossos quadrinhos!"

10/3³ - Todd McFarlane diz que "um cara vencedor do Oscar" saiu de seu reboot de Spawn. Quem será?


11/3 - Sai o trailer de Beastie Boys Story, doc sobre o icônico grupo hip hop nova-iorquino. Direção de Spike Jonze, o que eleva a imperdibilidade à extratosfera. Estreia prevista para 2 de abril.

12/3¹ - Tom Hanks e Rita Wilson contraíram o coronavírus. A coisa tá feia.

12/3² - A WonderCon é adiada. O evento estava inicialmente previsto para os dias 10-12 de abril em Los Angeles. A medida é mais uma prevenção contra a pandemia do novo coronavírus. A San Diego Comic Con, por sua vez, continua programada para 23-26 de julho.

12/3³ - Já adquirindo contornos de filme maldito, Os Novos Mutantes é novamente adiado pela Disney devido ao COVID-19, a.k.a novo coronavírus. O filme finalmente veria a luz do dia no (muito) próximo 3 de abril. Duvido que saia ainda este ano. Mulan também foi adiado.

Alerta de Fake News A CCXP20 avisa que os planos para a realização do evento em dezembro seguem sem mudanças. A...
Publicado por CCXP em Quinta-feira, 12 de março de 2020

12/34 - A CCXP segue confirmada até segunda ordem - ou se o novo coronavírus não prolongar sua turnê brasileira.

13/3 - Na campanha de prevenção ao coronavírus, parece que até o Cascão irá lavar as mãos! Mas na imagem divulgada não aparece isso não... Só acredito quando a água bater na pele e escorrer toda aquela sujeira acumulada em 60 anos pelo ralo.







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14/3 - Se vai Genesis P. Orridge, aos 70. A compositora, cantora, poeta, artista performática e ocultista foi co-fundadora do Throbbing Gristle - o avô da música industrial, noise, pós-punk (antes mesmo do punk!) e vanguardismos misturando eletrônica e percussões minimalistas. O espectro da influência de Genesis na música contemporânea é enorme, embora nunca tenha atravessado de fato a fronteira para o mainstream. Exceto naquela vez, em que apareceu se pegando com a sua colega de T.G. Cosey Fanni Tutti na capa de Force It, do UFO. Yummy!

The CDC says we can fime the 20 seconds it should take to wash our hands by singing Happy Birthday twice. Comic fans...
Publicado por Marv Wolfman em Domingo, 15 de março de 2020

15/3 - Na guerra contra o novo coronavírus, Marv Wolfman dá um upgrade Oano à técnica de lavar as mãos. Eu recito o hino do mengão duas vezes e tá tudo certo.

16/3¹ - A JBC anuncia a publicação de Nausicaä. O clássico de Hayao Miyazaki finalmente retornará ao Brasil após um cancelamento fatídico da Conrad e uma negociação de longos 10 anos. A editora também anunciou mais três outros mangás, mas o povão só quer saber mesmo é de Nausicaäaäaäaäaäaäaä...!


16/3² - Ah, não, até o Idris?! Coronabitch motherfucker, vaza do Stringer!

17/3¹ - A DreamWorks anuncia a quinta e última temporada de She-Ra e as Princesas do Poder para 15 de maio via Netflix. Adoro a série e quero muito saber como a Noelle Stevenson irá desenrolar o "efeito O Império Contra-Ataca" do final da 4ª temporada...


17/3² - Se vai Lyle Waggoner, aos muitíssimos bem vividos 84. Dizer o quê, meu Deus... Dizer o quê do felizardo que foi o Major/Coronel Steve Trevor no seriado da Mulher-Maravilha, onde, por força da profissão (e do alinhamento de Júpiter com Saturno), ficava de beijinhos e abraços com a deusa Lynda Carter? Sem falar nas trocentas vezes em que foi carregado no colo pela atriz (ai) ou ficou sob os cuidados de outras lindas amazonas na Ilha Paraíso... De quebra, Waggoner ainda foi o galã de várias beldades em séries como O Barco do Amor e A Ilha da Fantasia. Como se não bastasse, ainda era casado com a belezura Sharon Kennedy. Não é à toa que em toda foto ele aparece com um sorrisão de orelha a orelha. Que vidão!


17/3³ - Desta vez, Gloria Pires foi capaz de opinar. E muito!

Mais uma imagem de quadrinista tirada do ar. Facebook apagou nessa segunda-feira (16.03) arte de Rafa Campos. Desenho...
Publicado por Paulo Ramos em Terça-feira, 17 de março de 2020

17/34 - O Facebook censura uma arte do quadrinhista Rafa Campos. Não está claro se o motivo foi uma denúncia ou alguma infração dos termos de uso da rede social. Posso estar enganado, mas a ideia de ilustrar pessoas públicas reais - por mais abjetas que sejam - sendo brutalmente mortas não ajuda muito na defesa.

17/35 - Lembra do festival Cruel World e sua fabulosa escalação de baluartes pós-punk? Pois é, já era. Valeu mesmo, coronavírus. Não vai dar nem pra ver uns trechos por câmera de celular tremendo no YouTube.


17/36 - E falando em "Trilogia do Demônio", a DC finalmente relança o compilado de Tales of the Demon em capa dura. Já tem Contos do Demônio na Grandes Clássicos #4? Então, a volta das cores originais na nova edição (acima, à direita) é algo a se considerar. Pra mim, são infinitamente melhores que o dégradé moderninho que serviu de base para a edição da Panini...

18/3¹ - E o tradicionalíssimo (e gigantesco) festival Glastonbury também foi cancelado.

18/3² - Pra ajudar nesse período de semi-isolamento global, a 2000 AD liberou 400 páginas do Juiz Dredd na faixa.

18/3³ - Bolas de titânio da Image Comics: a editora está cancelando reimpressões e retornando todos os seus lançamentos via FOC (Final Order Cutoff) até os varejistas reavaliarem a demanda afetada pela pandemia do novo coronavírus. É disso que se trata... sempre foi. Mas às vezes é bom alguém aparecer e reafirmar. E aí, Disney? E aí, Warner?

19/3 - A capa de Daredevil #22 vai colocar muitos fãs de Chip Zdarsky à prova por aí...

Galeria do Rock fecha as portas por tempo indeterminado. “Alguns lojistas talvez não consigam sobreviver a esse período....
Publicado por Rock Brigade Magazine em Sexta-feira, 20 de março de 2020

20/3¹ - Galeria do Rock baixando as portas. Triste e muito complicado. E só um exemplo do estrago da pandemia do COVID-19 nos pequenos.

20/3² - Os Correios suspendem o serviço de Marketing Direto, que inclui modalidades como Impresso Normal/Registro Módico. Era de se esperar. Pessoalmente, minha pilha de leituras atrasadas é pra vida; em contrapartida, tenho algumas encomendas a caminho (gibis, naturalmente) que perigam se perder no limbo de alguma unidade de distribuição...

20/3³ - Com os cinemas fechados indefinidamente, a Warner inicia as primeiras conversas para lançar Mulher-Maravilha 1984 direto nas plataformas de streaming. Caramba.

21/3 - Do twitter do Warren Ellis, a explicação. Ufa. Já estava começando a ficar preocupado.

You must be new here. Source: fb/Heaphans Dan
Publicado por Comic Book Resources em Domingo, 22 de março de 2020

22/3¹ - Lançamentos do cinema, da literatura, turnês, festivais, amostras... Ok, basicamente tudo foi cancelado ou adiado por meses.

22/3² - Revendo o que escrevi nos dias anteriores, fica evidente o quanto eu (e o planeta) estava leve e sem uma noção exata da gravidade da pandemia do novo coronavírus. Tragicômico. Mas vou manter do jeito que estava. Neste momento, tenho medo até das minhas encomendas envoltas em papelão e plástico que estão vindo, ameaçadoras, pelo correio.
2020 é do COVID-19.

23/3¹ - Quadrinhos para Quarentena é uma iniciativa espetacular de quadrinhistas nacionais que disponibiliza HQs grátis nestes tempos de trincheira. E tem material muito bom ali!

23/3² - Era uma questão de horas: a Diamond parou de receber novas remessas de editoras em seu estoque.







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23/3³ - Rita Wilson segue convalescente, mas seu old school hip-hop vai muito bem, obrigado (a).

23/34 - Menos cantoria na janela e mais ação: Rihanna doa 4,67 milhões de euros para organizações de combate ao novo coronavírus. Assim, na lata. Foda essa menina.


24/3¹ - Se vai o gênio Alberto Aleandro Uderzo, aos 92. Ao lado de René Goscinny, o ilustrador e roteirista foi co-criador da clássica série Astérix. Um gigante da arte, sem mais. Que ano para os quadrinhos.

24/3² - Os Correios restabelecem os serviços de Impresso Normal/Registro Módico. Ótima notícia, mas tomara que façam isso do jeito certo e garantam a segurança dos funcionários.


24/3³ - E a minha carteira predileta enfrentou os vários perigos que rondam as ruas infectadas e me trouxe os pacotes, mesmo com o rastreio adiando a entrega. Fica a dica: faça amizade com os carteiros de sua região. Dê carinho. Siga os procedimentos de higienização assim que suas encomendas chegarem. E sim, pedi 2 cópias de Lobo Solitário #19 por engano. Sou um animal.


24/34 - Se vai William Frederick Rieflin, o Bill Rieflin, aos 59. O guitarrista, baixista, tecladista e, principalmente, baterista inciou sua carreira em Seattle, sua cidade natal, em 1975. Além de multi-instrumentista, era multifacetado: tocou no Ministry, Revolting Cocks, Pigface, KMFDM, Swans, R.E.M. e até no King Crimson. Enfim, tudo o que eu gosto e não sai do meu player há eras... Grande Rieflin!


24/35 - Ê dia que não acaba... Se vai Stuart Gordon, aos 72. O cineasta, produtor e dramaturgo era um mestre da subversão body horror. Obcecado por H.P. Lovecraft e Edgar Allan Poe, Gordon era dono de um estilo visualmente provocador e com o amigo e produtor Brian Yuzna criou pérolas bizarras como Do Além (1986), Dagon (2001) e, claro, sua obra-prima Re-Animator - A Hora dos Mortos-Vivos (1985). Faça um favor a si mesmo e agite uma maratona com a filmografia do homem. Melhor tributo, impossível. Não esqueça de Robot Jox e Space Truckers.

26/3¹ - Arnold Schwarzenegger turbinou com 1 milhão de dólares um fundo de combate ao novo coronavírus. Hasta la vista, covid.

26/3² - Diante da pandemia do novo coronavírus, todos tiveram que rever seus planos para 2020. E isso inclui as editoras nacionais de quadrinhos. Ps: segundo o artigo, no caso da Devir, "a pandemia teve pouco impacto na produção da editora" - eu ri.


27/3¹ - Mark Millar isola o vírus Immortan Bozo (nome científico, COVARD-17). Mas o Butcher Billy tinha pescado antes e ninguém tasca!

27/3² - O cantor Chuck Billy (Testament) e o baterista Will Carroll (Death Angel) são mais dois a engrossar a fileira dos rockeiros infectados com o COVID-19. As bandas haviam acabado de retornar de uma turnê conjunta na Europa.

27/3³ - Bola dentro da Panini: a editora disponibilizou uma seleção de mangás e quadrinhos Marvel gratuitamente nas plataformas digitais - pra dar aquela suavizada na rotina de isolamento. Boa, Panini!

27/34 - Para ajudar os quarentões na quarentena, a Hasbro liberou todos os episódios da série clássica do G.I. Joe no YouTube. Yo Hasbro!


27/35 - Se vai Daniel Azulay, aos 72, vítima do coronavírus em meio a um tratamento de leucemia. O cartunista, pintor, educador e apresentador começou sua carreira ainda na década de 1960, fazendo tirinhas para jornais. Nas décadas de 1970, 1980 e 1990 foi uma verdadeira personalidade da TV com programas educativos voltados ao público infanto-juvenil. Foi o criador da Turma do Lambe-Lambe. Graças a ele, ao menos três gerações ficaram encantadas pela arte do desenho - e muitos daqueles meninos e meninas até seguiram a carreira. Daniel Azulay foi uma parte essencial e inesquecível da boa cultura brasileira.

27/36 - O grande desenhista argentino Juan Giménez, de A Casta dos Metabarões, é mais um notável da 9ª Arte a contrair o COVID-19.


28/3¹ - Um curta de Rick e Morty parodiando Lobo Solitário e outros clássicos do gênero samurai funciona como um power-up salvador nas barrinhas de energia da geral.

28/3² - Após a suspensão das atividades da Diamond, a DC avisa aos varejistas que irá usar outras alternativas de distribuição.

29/3¹ - Além da Rihanna, outros famosos como Xuxa, Angelina Jolie, Ryan Reynolds & Blake Lively, Justin Timberlake e até Justin Bieber estão fazendo doações milionárias para o combate ao COVID-19. E ainda não ouvi falar de nenhum banco liberando um centavo...

Ele escreveu uma das músicas mais conhecidas do rock, lançada em 1975 e depois popularizada por Joan Jett em 1982. Filha do músico disse que teve dois minutos para se despedir. https://glo.bo/3by7ljy #G1
Publicado por G1 - O Portal de Notícias da Globo em Domingo, 29 de março de 2020

29/3² - Se vai Alan Merrill, aos 69. Além de co-autor de um dos maiores clássicos do rock, o compositor e multi-instrumentista "só" tocou ao lado de nomes como Mick Taylor, Steve Winwood, Rick Derringer, Cozy Powell e Meat Loaf. Uma figura emblemática – e mais uma vítima do novo coronavírus.


29/3³ - Se vai Krzysztof Penderecki, aos 86. O compositor e condutor polonês era uma das figuras mais aclamadas das últimas décadas no universo da música sinfônica. Premiado várias vezes nas academias mais prestigiadas do mundo, chegou a ganhar 4 Grammys (algo como um passeio na Disney). Não por acaso, o mainstream utilizou sua música com frequência em trilhas como as de O Iluminado, O Exorcista, Coração Selvagem, Filhos da Esperança, Ilha do Medo e da série Twin Peaks, entre outras. Ano passado, gravou um álbum espetacular com Beth Gibbons, do Portishead – até listei no ZdO 2019. Estava começando a conhecer o trabalho do homem...

30/3 - Um belo dia, Evangeline Lilly resolve que isolamento social é besteira, que a pandemia do novo coronavírus é um hoax e sai por aí a passear com seus filhos, #businessasusual. Choveram críticas. E ela nem aí. E a Marvel não gostou nada dessa história. E agora ela pede desculpa.

31/3¹ - Fé em Jim Lee restaurada: o quadrinhista-editor-chefe está produzindo sketches diários, leiloando e revertendo cada venda para uma comic shop diferente. Sensacional.

31/3² - Gary Holt, guitarrista do Exodus e do Slayer na reta final, também foi diagnosticado com o COVID-19. Pelo menos, até aqui, está assintomático. Que siga assim, devidamente isolado, puto da vida e compondo igual louco.

31/3³ - E a Diamond comunica que está postergando os pagamentos desta semana às editoras. Perto dessa, a recuperação judicial da Saraiva fica parecendo até uma pindureta no Bar do Zé.

Pessoal, Recebi ontem uma mensagem de um suposto advogado da Panini Comics Brasil, informando que eu devo excluir do...
Publicado por Guia dos Quadrinhos em Terça-feira, 31 de março de 2020

31/34 - E essa agora? O bom senso diz que é uma peça de 1º de abril - e uma irresponsável, por colocar em risco uma gigantesca quantidade de dados. Mas como a bruxa anda solta e em se tratando da Panini Cômics du Brazil...


Acabou, pessoal. Vão pra casa, já acabou. Acabou! Mês infernal...

Vamos cuidar dos nossos velhinhos que fazemos melhor.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Uma velha esperança


Lamentável isto é, mas não necessariamente inesperado. Em Star Wars: O Despertar da Força, J.J. Abrams recicla obsessivamente a estrutura e as fórmulas vencedoras do passado, mascarando como novidade o que deveria ser um próximo passo para a série. Além disso, ele definitivamente não consegue lidar com os personagens clássicos. No final, a irresistível dupla de protagonistas salva o filme das inconsistências do roteiro - do contrário, a perda de tempo seria inevitável.

Esse foi o meu resumo da (space) ópera. Mas como bom entusiasta da guerra nas estrelas, vou expandir.

Abrams é uma das grandes histórias de sucesso da TV americana recente e um dos sujeitos que melhor entenderam o mainstream hollywoodiano a partir do final da década de 1970. Em sua econômica filmografia como diretor, ele reformulou o ganha-pão de Tom Cruise com mecanismos de ação consagrados no cinema e na TV, mimetizou Spielberg em nível molecular e trouxe Star Trek finalmente para um século onde nenhum filme da série jamais esteve. Esse último merece uma observação à parte, já que tem tudo a ver com o novo cenário.

Seu trabalho no longa de 2009 foi um passeio no parque: aventuresco, bem-humorado e dramático na medida, atualizou um cânone sacrossanto para uma nova geração sem subestimar nem um e nem outro - e ainda contextualizando in loco uma bonita reverência ao original. Tudo graças à fina sintonia com os roteiristas Roberto Orci e Alex Kurtzman e, claro, ao objetivo tangível de apenas contar uma boa história.

Em sua investida na ex de George Lucas, porém, Abrams não buscou conciliar o clássico com o novo, mas sim confrontá-los. Isso se estende desde às novas parcerias, com o tratamento inicial do roteiro de Michael Arndt (Toy Story 3, Jogos Vorazes: Em Chamas) sendo reescrito pelo veterano Lawrence Kasdan (O Império Contra-Ataca, O Retorno de Jedi), além do próprio J.J. O porquê disso eu não sei, mas o que se vê aí é precisamente a metáfora do filme: um choque de gerações.


No embate do velho com o novo, quem se sai melhor é justamente a dupla de novatos John Boyega (Finn) e Daisy Ridley (Rey). A escolha desses dois pode parecer uma adequação de Star Wars aos novos e inclusivos tempos (e é), mas o fato é que garantiram as boas qualidades de um filme cuja trama não para de conspirar, inclusive contra eles mesmos.

Finn é o lead para o espectador e o perfeito protagonista improvável: stormtrooper, preto, sem dons especiais e nenhuma ligação com o que veio antes (Lando era um jogador cafajeste e Mace Windu, um mestre jedi - ambos coadjuvantes). Ousado. Sem se intimidar, Boyega conduz grandes cenas como se fosse habitué em megaproduções - e destaco aí a eletrizante sequência game shooter em meio a uma batalha campal. Seu perfil humano e cheio de falhas, mas de bom coração e algo imprevisível torna Finn alguém que parece valer a pena acompanhar. E se importar.

Rey é outro caso. As prévias a vendiam como uma bela jovem crescendo bela e jovem numa típica quebrada desértica/mundo-cão de Star Wars. Com um fôlego invejável, a atriz atropela todas essas convenções na base do talento e da raça. Rey é idealista, de personalidade forte sem ser chata e, ao mesmo tempo, tem um ar de indisfarçável - e adorável - ingenuidade. Tem todos os requisitos para ser um ótimo "O Escolhido" da vez. Leva 4 Korras de 5 na escala Avatar.

Mas claro que, no saldo geral, as atenções se voltam para um aspecto bem particular do filme. Após três décadas, os fãs de Star Wars finalmente puderam conferir boa parte do elenco original retornando àquele universo. Mas isso você só consegue mensurar quando surgem na telona Han Solo (Harrison Ford), Leia Organa (Carrie Fisher), Chewbacca (Peter Mayhew) e C-3PO (Anthony Daniels). Não tem como segurar um sorriso moleque diante da quintessência do cinemão pop. Principalmente vendo Ford se divertindo igual a um guri de antigamente brincando descalço na rua.


No tradicional resumo de abertura, vemos que a famosa queda do Império foi mais uma topadinha na quina. Ainda com uma vasta estrutura logística e tecnológica, mais o contingente e poderio militar remanescentes, o Império, rebatizado Primeira Ordem, é controlado pelo mestre sith Snoke (Andy Serkis, quem mais?). Ao seu lado está Kylo Ren (Adam Driver), seu aprendiz, que disputa o comando da horda com o General Hux (Domhnall Gleeson).

Contrariando o tom otimista do final de O Retorno de Jedi, a Aliança Rebelde, liderada pela agora general Leia, segue como um grupo de insurgentes. Luke Skywalker, alçado a um status messiânico, é uma das únicas esperanças da resistência, porém se auto-exilou quando uma tragédia mal-explicada se abateu sobre alguns padawans que treinava. Seu paradeiro não é apenas desconhecido, mas também o MacGuffin do filme e está parcialmente contido nos dados carregados pelo droid BB-8. Após um ataque da Primeira Ordem, BB-8 acaba perdido no mesmo planeta que Rey vive - e onde Finn acaba se refugiando em sua recém-deserção dos stormtroopers.

O plot é basicamente um revamp de Uma Nova Esperança, inclusive nos vários ganchos presentes na narrativa: um droidzinho com informações vitais, um velho mestre recluso, um jovem talento que pode restaurar o equilíbrio à Força, missões de resgate suicidas, jedi e sith sendo encarados popularmente como lendas urbanas (ou galácticas?) e até um planeta sendo explodido por uma mega-arma dos vilões. O roteiro não foi nem um pouco sucinto.


Mesmo a ambientação parece concebida por uma seguradora. Enquanto Takodana lembra uma filial micro da lua de Endor, o planeta Jakku poderia ser tranquilamente o novo nome de Tatooine. Com seu deserto infindo cheio de ferro-velho, scalpers e ao menos um futuro jedi salvação-da-lavoura, sua concepção é de um déjà vu atordoante. Não fosse o lugar um cemitério de cruzadores imperiais abatidos (isso sim, visualmente muito legal), teria sido quase uma reprise da Sessão da Tarde.

O número de coincidências também é considerável. Não as coincidências regulares do manual hollywoodiano, mas coisas como um TIE fighter com Finn e o piloto Poe Dameron (Oscar Isaac) caindo relativamente perto da localização de Rey e BB-8. Um golpe de sorte inacreditável, visto que aquilo é um planeta, não um bairro. Mais impressionante ainda foi Han Solo esbarrar com os heróis em pleno espaço, enquanto estavam à deriva na Millennium Falcon.

Descontei o quanto deu, mas não ajudou nada inserir, num curto espaço de tempo, duas fugas da mesma prisão de uma base espacial da Primeira Ordem. Se foi homenagem à clássica escapada do filme original, exageraram na dose. Em valores terráqueos de incompetência, isso equivale a uma população carcerária inteira fugindo de uma prisão pela porta da frente. Vader não perdoaria.

E por falar na Terra, outra grande presepada do roteiro foram os flertes com a nossa triste e cinzenta realidade. Em outros tempos, os grandes autores de ficção-científica criavam outros mundos para falar dela, mas de forma indireta, quase subliminar. Mesmo a trilogia original de Star Wars tinha essa qualidade. Já as analogias de O Despertar da Força têm a sutileza de um caminhão de dezesseis rodas. A começar pela titularidade de Snoke: supremo líder quem, cara-pálida?


Pior é a postura do histriônico General Hux, imersa no TOC nazifascista adotado pelo irlandês Gleeson, que ainda por cima parece jovem demais para aquela patente. O inesquecível e cerebral Grand Moff Tarkin jamais precisou vender ideia nenhuma. Ele era a ideia. Mas o que antes era apenas um paralelo discreto, aqui vira o estouro de uma manada de rinocerontes. Especialmente na cena do inflamado discurso "em praça pública", preterindo mais uma vez o fator escapista em favor do panfleto. Só faltou o sieg heil!. Constrangedor.

A origem sugerida de Finn é outro exemplo. Numa breve fala, sabemos que foi raptado e provavelmente condicionado e treinado para servir à Primeira Ordem. Uma referência rasteira às práticas das milícias do Boko Haram, E.I. e aberrações quetais. Isso não é Star Wars, é Fox News. Sem contar que sua "desprogramação" ocorre da maneira mais incrível: do nada, após se horrorizar com a chacina empreendida por seu pelotão em uma pequena vila.

Será que, durante o tempo em que esteve em suas fileiras, Finn nunca teve contato com as atrocidades cometidas pela Primeira Ordem? E seu treinamento foi baseado em quê, design de interiores? Ou simplesmente lhe deram uma armadura, um rifle blaster e um iPod com "Let the Bodies Hit the Floor"?

Difícil acreditar nessa transição tão simplória e sem o menor desenvolvimento psicológico, de boteco que seja. Se queriam mesmo mexer nesse vespeiro numa produção mainstream, e não deviam, que assistissem Incêndios para um mínimo de conhecimento de causa. Aposto que reescreveriam tudo na hora. De novo.

A grande bola fora da vez só não foi maior porque já é quase folclórico ver o grande Max von Sydow coadjuvando pelos cantos de Hollywood. No caso de Star Wars, porém, faz por merecer uma observação. Com a postura íntegra de sempre, exalando harmonia espiritual, sabedoria e trajando uma indumentária que em muito lembra a de um veterano jedi, sua ponta no filme configura o maior desperdício de um Max von Sydow coadjuvante de luxo de toda a História dos Max von Sydows coadjuvantes de luxo. Então o Cavaleiro Antonius Block topa se divertir num filme pop com sabres de luz e ninguém agita a parada? Vê se pode.

Chato ainda é ver o terrível tratamento dispensado ao elenco jurássico da franquia. O único que se sobressai é Harrison Ford, porque gostou da brincadeira e resolveu que o palco era dele. Fez bem, já que Carrie Fisher foi sumariamente amordaçada pelo roteiro. Chegam a ser deprimentes as aguardadas cenas com Leia e Solo. Parecia um monólogo - ele, como sempre vivaz e provocador; ela, completamente absorta e monossilábica, uma estranha.

Provavelmente é Fisher quem vai pagar essa conta, mas é visível que ela recebeu uma verdadeira bomba em forma de script. A impressão é que não confiaram mesmo em sua capacidade, mas a colocaram ali por uma mera batida de cartão. O resultado, claro, é o pior possível.

Mas tem mais. Ah, O Despertar da Força.


Kylo Ren teve a honra duvidosa de estrear uma galeria de vilões ruins de Star Wars. Do início promissor até a perda total subsequente, deram uma aula de como estragar um personagem em tempo recorde. Difícil encontrar similares de decepção em qualquer mídia. Carregaram nas tintas com a entrada triunfal e o resto simplesmente não segurou a onda.

Logo de início, Ren usa a Força do modo como sempre sonhamos ver na telona - ou víamos nos games da LucasArts. Vader bloqueava disparos blaster com as mãos? Ren segura os disparos em pleno ar, sem transparecer grande esforço. Formidável demonstração de poder para alguém que, segundo uma fala de Snoke, ainda nem havia concluído seu treinamento. Certamente se tratava de alguém forjado em racionalidade, disciplina e equilíbrio. Assim parecia.

Seus escandalosos e infantis acessos de raiva trataram de sepultar as boas impressões. Parecia vilão de desenho animado dos anos 80. Uma postura incompatível para alguém daquela hierarquia. Incrédulo, fiquei aguardando alguma virada que conferisse certa dignidade às cenas. Não rolou.

Sobre o sujeito sem o capacete, me limito a comentar que foi o clímax do anticlímax.

De cara limpa, sabre de luz medieval em punho e cheio dos sentimentos que levam ao Lado Negro...


Antes de tudo, foi bem sacado o parentesco de Kylo Ren. Entre as várias possibilidades de um Star Wars 7, aquela era certamente a mais lógica. E foi tocante saber seu verdadeiro nome, ainda que jogado en passant numa das cenas mais infames da série.

Dá pra antever a clicherama a parsecs só pelo cenário: Han Solo e o choramingante Ren se deparando numa ponte sobre um abismo high tech. Solo não nutria a menor esperança pela redenção de Ren e inclusive confessou isso pra Leia, mas mesmo assim se coloca numa situação sem saída e sem o menor sentido prático. Logo ele. Tão incoerente quanto o Greedo ter atirado primeiro. Han não merecia essa péssima saída de cena.

Mas o roteiro não dá descanso e coloca Ren passando um dobrado para vencer Finn no sabre de luz. Estava ferido, mas um guerreiro que congela raios no ar deveria vencer amadores até sem os braços. O sujeito tem supertelecinésia, oras. É só fazer as contas.

Já a luta com Rey foi ainda mais absurda: a menina dá um baile no coitado e só não termina o serviço por causa da conclusão pavorosa, onde uma fenda se abre no chão criando um enorme chavão, digo, precipício entre os dois. Acho que nem Lucas seria capaz de uma coisa dessas.

O fato de Rey se mostrar autodidata em todas as nuances da Força e no manejo avançado do sabre de luz é algo que não dá nem para categorizar. O mesmo vale para o momento em que ela, ao ter contato com memórias passadas, entra em pânico e corre chorando por uma floresta, como uma perfeita damsel in distress. Construção de personagem é artigo supérfluo em O Despertar da Força.

A cereja foi ver Leia passando direto por Chewie sem nem olhar pra fuça do peludão - que foi apenas o fiel parceiro de Solo por uma vida - e indo direto ao encontro de Rey para consolá-la. Nesse ponto fica claro o protagonismo de Rey sendo enfiado pela goela do espectador, como se a própria personagem não tivesse atrativos suficientes para merecer o posto.

Senão, como explicar o fato da Aliança ter enviado apenas Rey e Chewie para encontrar Luke e convencê-lo a voltar? Luke é a maior esperança da galáxia, não faz sentido confiar uma missão dessa magnitude a uma recém-chegada sem experiência. Não sou especialista em estratégia, muito menos em psicologia de mestres jedi, mas imagino que se enviassem Leia, sua irmã, escoltada por um esquadrão X-wing seria o mais sensato.

Na conclusão, ainda arrematam com uma cena tão pretensiosamente épica que deu vontade de usar o velho truque mental jedi e desver tudo: Rey encontrando Luke em Machu Picchu e devolvendo seu sabre numa interminável pose com direito a travelling aéreo em 360º. Parafraseando o saudoso Mestre Yoda, um episódio de Star Wars não cultiva tais coisas. Ou ele é épico ou não é. Não existe tentar ser épico.

Quando surgiram os tradicionalmente abruptos créditos da série, eu quase podia dizer que foi um alívio.


Star Wars: O Despertar da Força deixa evidente que é o filão principal de um grande pacote multimídia. É óbvio que certos detalhes foram deixados em aberto para serem explorados em livros, quadrinhos e games - o que já está acontecendo há algum tempo, aliás. Estão lá esperando explicação o braço vermelho de C-3PO e o PhD mágico da padawan Rey pelos caminhos da Força, assim como os eventos ocorridos ao longo dos 30 anos de gap desde O Retorno de Jedi.

São os DLCs de Star Wars, só pra usar um termo do milênio. O que, se não traz nada de novo, ao menos renova a tradição da série antes do Universo Expandido prévio ser descartado pela Disney.


Na saída do cinema, lá estava eu comparando a retomada da franquia com a retomada feita pelo irregular A Ameaça Fantasma, há 16 anos. Esperava muito, recebi pouco e, mesmo assim, saí bem mais satisfeito daquela sala.

Bons tempos.