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quinta-feira, 11 de abril de 2024

A Lenda de Trina Robbins


Trina Robbins
(1938 - 2024)

Se foi a pioneira Trina Robbins. Este mês não está fácil. E nem chegamos na metade.

Nascida Trina Perlson, depois Trina Castillo (do ex Art), depois Trina Petit (pseudônimo) e finalmente Trina Robbins (do ex Paul Jay), ela teve uma trajetória que beirou o surreal. Estilista, modelo, quadrinista, pesquisadora, escritora e ativista, também foi figurinha tarimbada na cena psicodélica americana dos anos 60. Amiga próxima de Jim Morrison e do pessoal do The Byrds, foi homenageada por Joni Mitchell na música “Ladies of the Canyon”. É pouco?

Sua vida se confunde com a própria evolução da cultura pop underground moderna e do papel das mulheres dentro da indústria dos comics. Renderia fácil um livro ou uma série.

Sua carreira começou ainda na adolescência, quando escrevia e desenhava para fanzines. Era o iniciozinho da década de 1950. Com o passar dos anos, chegou a posar para a capa de algumas dessas publicações – o que abriu caminho para alguns trabalhos como modelo pin-up para revistas masculinas até o começo da década seguinte.

Na mesma época, ela integrou a gênese do Underground Comix, sendo uma das poucas mulheres envolvidas no cultuado movimento. Produziu muito material durante os anos 60/70, mergulhando de cabeça nas causas feministas e advogando pelo espaço das mulheres num mercado quase totalmente masculino. É dela a primeira tirinha lésbica já registrada, Sandy Comes Out, publicada na Wimmen's Comix #1 de novembro de 1972.

Robbins nunca foi de fazer média e esculachava sem dó inclusive companheiros de underground. Nem a misoginia satírica de Robert Crumb escapava: “É estranho para mim como as pessoas estão dispostas a ignorar a horrível escuridão do trabalho de Crumb... O que diabos há de engraçado em estupro e assassinato?”

Outro que levou uma trauletada de luxo foi o nosso Mike Deodato. Robbins classificou a Mulher-Maravilha que ele desenhou nos anos 90 como uma “pinup hipersexualizada quase nua.”

Errada não está... tenho as edições e é realmente impagável de tão apelativo. Em contrapartida, ela é a co-criadora da Vampirella e a designer da sua aparência, digamos, hipersexualizada e quase nua.

Outra marca história conquistada por Robbins diz respeito justamente à princesa de Themyscira: em 1985, ela se tornou a 1ª artista feminina a desenhar a Mulher-Maravilha desde a sua criação em 1941. E só levou 44 anos.

Entre trabalhos para a DC, Marvel, Eclipse, Star e outras, passou a se dedicar à pesquisa da História dos Quadrinhos com foco na participação das mulheres no segmento. Isto porque, segundo ela, todos os demais pesquisadores “só queriam saber de Stan Lee e Jack Kirby.”

Em 1985, publicou seu 1º livro, Women and the Comics (inédito por aqui), em parceria com Catherine Yronwode. E não parou mais – sua bibliografia de não-ficção é extensa.

Trina era casada com o veterano quadrinista Steve Leialoha. Ao contrário dele, infelizmente, ela foi pouquíssimo publicada por aqui.

Parece que foi ontem que a mencionei no post de despedida da Ramona Fradon, numa lista com as maiores precursoras das mulheres nos quadrinhos. Pesquisar e escrever sobre Trina é apaixonante, mas parece não haver final à vista. Ela foi demais para uma vida só.

E sim, nos áureos tempos também foi um tremendo brotinho, mora?

Que mulher.

segunda-feira, 19 de junho de 2023

The Flash


Não deixa de ser irônico como The Flash lida com o colapso de um multiverso ao mesmo tempo em que representa o fim do Snyderverso. Certo, o próximo filme do Aquamomoa vem aí, mas com uma fita de retardatário amarrada no tridente. Definitivamente, é The Flash quem apaga a luz. Amargando a ressaca, a Warner tira algumas lições desse grande e ambicioso projeto fracassado. O DCEU sob direção de James Gunn é a maior prova disso, além de ser um obelisco de esperança com jeitinho de ilustração do Alex Ross — a menos que Parademônios engravatados baguncem o meio de campo, mas aí já é papo para os próximos anos.

Antes de tudo, é preciso reconhecer: o filme de Andy Muschietti é um sobrevivente como poucas vezes se viu na história do cinema. Com pré-produção datando de 2020, os atrasos, já turbinados pela falta de planejamento após a saída de Zack Snyder, quase se converteram em geladeira com o derretimento da imagem pública do Garoto Enxaqueca Ezra Miller, que tentou gabaritar o código penal mais rápido que a velocidade da luz (hã, hã?). Ao menos uns dois crimes sérios da lista já teriam implodido sua carreira/vida e abortado o filme em definitivo, não fossem o zeitgeist confuso desses tempos millennialescos e o orçamento de 220 mi + publicidade aterrorizando os acionistas.

Orçamento bastante inchado numa conta que, ao que tudo indica, não vai fechar. Mas quer saber? The Flash até que merecia um afago das bilheterias.

O filme é divertido. Mas só se você for bem versado na arte de baixar a expectativa (num nível equivalente ao de parar os próprios batimentos cardíacos com a força do pensamento). E, principalmente, se abstrair da profusão acima da média de furos óbvios de roteiro, de furos não tão óbvios de roteiro, de furos dentro da lógica interna, do enxame de piadinhas constrangedoras, da incoerência no uso dos superpoderes, dos excessos do Miller, da corrida do Miller, da presença do Miller e, claro, do CGI tão ruim quanto o da série da Mulher-Hulk. E isso é uma ofensa à mãe de todos os funcionários do departamento de F/X da Warner.

Venham pra cima se tiverem coragem, bundões!

Fiuu. Essa coisa de filme de hominho escala rápido.

The Flash adapta a premissa da saga Flashpoint, escrita por Geoff Johns com arte de Andy Kubert e publicada em 2011. Fazer isso em terra arrasada pós-Snyder e pós-Henry Cavill logo no 1º filme solo do Cruzado Escarlate denota culhões. Ou pura falta de noção mesmo.

Na trama, o Flash Barry Allen volta no tempo para impedir o assassinato de sua mãe. No retorno da viagem, ele encontra uma realidade muito diferente. A pior mudança é uma Terra sem o Superman e na iminência da invasão do General Zod, conforme visto em O Homem de Aço. Para ajudá-lo contra o exército de kryptonianos, o Grão-Vizir da Velocidade conta com a ajuda da sua versão aborrescente daquela realidade, do Batman do Tim Burton e da Supergirl Kara Zor-El.


Supergirl recarregando as pilhas no Castelo Wolfenstein, digo, na Mansão Wayne

Difícil acreditar, mas essa concepção de Liguinha improvisada se desenrola de maneira mais orgânica e funcional que a Liga do Joss Whedon e a Liga do Snyder Cut. Quem diria, não era preciso muito. Só coração.

Vale mencionar que a mesma premissa foi executada de forma muito superior na então ótima série do Flash na CW, com direito a Flash Reverso e tudo mais. Fora que Ezra Miller não lustra nem as botas amarelas do Grant Gustin. E aguentar uma versão ainda mais histriônica dele por dois terços do filme foi dose pra Gorila Grodd. Mesmo assim, ele encontra o tom do papel duplo lá pela metade, me lembrando por que achava esse moleque talentoso em primeiro lugar. Foi antes de abarrotarem sua conta bancária com os dólares-DC. Confira Depois da Escola (2008), Jornal dos Predadores (2010) e Precisamos Falar Sobre o Kevin (2011) e me diga se estou mentindo. Podia ter sido tão melhor...

O Batman redivivo de Michael Keaton, em contrapartida, opera à margem de toda essa bagunça de cronologias, realidades e abordagens. É um dos maiores e melhores fanservices já cometidos por um filme de super-herói. Entrega o que todos querem ver e aumenta as apostas sem desviar um átomo daquilo que ele propôs lá em 1989. É o melhor Batman de todos os tempos? Nunca foi. Está rolando uma distorção revivalista por aí aliada a uma generalizada falta de memória (e reprises) que acho interessante. Mas foi como rever um velho amigo que salvou o dia em sua época e que acaba de salvar mais uma vez. É a grande razão para assistir The Flash. E deixa uma vontade irresistível de ter mais daquilo. Para um fanservice, não há elogio maior.

Só para não passar batido: Sasha Calle está ótima como a sofrida & sexy Supergirl, apesar do zero desenvolvimento. Merecia um lugarzinho ao sol no Gunnverso. E é triste ver Antje Traue e o grande Michael Shannon — respectivamente Faora e Zod — voltando só para bater cartão. Sem falar nos cameos protocolares da Maravilha Gal Gadot, a esta altura alçada a um abajur no DCEU, e do Batman Ben Affleck, usando uma máscara medonha que deve encher a bandidagem gothamita de terror.

O clímax chafurda no anticlímax. Infelizmente, o que era para ser uma grande celebração ao Universo DC no Cinema, se apoiou numa concepção artística feiosa — a tal Cronosfera parece arte de IA debochada — e em bonecos de massinha digital sem a menor vontade de convencer como humanos. Mais uma boa ideia indo pelo ralo. No final, do filme e da cena pós-créditos, fica claro que Muschietti resolveu incendiar a casa antes de apagar a luz. Sentido passa longe. Outra coisa para abstrair, creio.

Mas o que me espanta mesmo é a inépcia do Flash para lapidar seus loops temporais. Tom Cruise em No Limite do Amanhã e Bill Murray em Feitiço do Tempo resolveriam a parada em umas 14 ou 15 campanhas. Passeio no parque...

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

S de Sacanagemquefizeramcomigo


O Snyderverso não vale um copo de cachaça, mas é inegável que haviam elementos certeiros no meio da tralha. Henry Cavill, cansei de falar pra ninguém, é o Superman perfeito que nunca foi — e que, agora sabemos, nunca será. A bolada nas costas que a Warner deu no rapaz (que dropou série de cult following garantido) foi um dos maiores exemplos de como as coisas funcionam nos meios corporativos de Hollywood.

Como ironia final, os três segundos de Cavill na cena pós-créditos de Adão Negro me pareceu "apenas" o melhor Super desde o Christopher Reeve. Dava pra ver que a atitude estava lá. Inclusive atitude-JLU, se me permite o exagero.

Ao menos, é ponto pacífico que o James Gunn conhece do riscado. Aliás, é um dos únicos caras na indústria hoje aptos a encabeçar a reestruturação do DCEU — que já perdeu seguidas oportunidades de protagonismo durante a apagadíssima Fase 4 do Marvel Studios.

Em sua coluna no UOL, o Roberto Sadovski destrinchou com propriedade esse cenário de terra arrasada. Ou de crise infinita...

sexta-feira, 26 de março de 2021

...And Justice League for All


Todo cuidado é pouco com o que é dito hoje em dia. As ideias mais absurdas podem escapar do picadeiro e virar realidade numa escalada atordoante. Tem nego virando presidente desse jeito. E foi assim com Zack Snyder's Justice League, o outrora mítico Snyder Cut. O ponto zero foi quando os fãs de sua filmografia à frente das produções DC, inconformados com o Josstice League, viralizaram a famosa hashtag. Em seguida, o diretor começou a jogar verde em sua conta no Vero. O "Team Snyder" ganhou corpo quando Jason Momoa, Gal Gadot e até Ben Affleck retuitaram em coro. Da noite pro dia, o Snyder Cut ganhou contornos de Snyder Cult. Mas foi com Ray Fisher desancando Joss Whedon em praça pública que o processo deu aquela turbinada. O filme virou algo a ser visto (assim como alguns bocós a serem eleitos) para finalmente esfregar na cara desse mundo ingrato o que ele perdeu.

Claro que a Warner já havia endossado a recauchutagem da produção há mais tempo que isso. Afinal, rolou ali uma aditivada de 70 milhões de doletas e, até onde sei, o Coringa do Heath Ledger não inspirou nenhum acionista da empresa a queimar montanhas de grana. Pode crer que antes de qualquer anúncio muitas horas de PowerPoint rolaram no financeiro.

Findos os trâmites burocráticos e conferido o resultado, arram, originado na HBO Max, o novo Liga da Justiça atropela a 1ª versão (o que convenhamos, não é mérito algum). É, fácil, o melhor filme do Zack Snyder no DCEU - considerando que Watchmen não pertence ao segmento.

Mas, de novo, é filme de autor. E esse autor é Zack Snyder.

(Pensando bem, até o cinema do Michael Bay é "cinema de autor". E nem precisamos do nome dele estourando retinas no título para reconhecer o istáile)

Sob sua administração, o termo "Snyderverse" é bem mais acurado que "DCEU". É o extremo oposto do padrão de adaptações proposto pelo Guillermo del Toro de tempos idos e que deveria ter sido canonizado e tombado como patrimônio pop cultural obrigatório.

Talento nunca foi o problema: ainda acho bacanudos o Dawn of the Dead hardcore, a rinha de corujas de A Lenda dos Guardiões, o capa & espada YMCA de 300, o citado Watchmen sem lula alien fake e, provavelmente sua mais elegante e visionária obra que um dia uma raça superior descobrirá e dará o devido reconhecimento, o videoclipe de quase duas horas Sucker Punch.

Sem contar os superpunchs do caótico Homem de Aço, provando que o negócio do Zeca é a (troc)ação.


A dorsal da história, co-escrita por Snyder, Chris Terrível... opa, Terrio e Will Beall, permanece intocada: é a mesma disputa dos heróis pela posse das Caixas Maternas contra as investidas do representante Lobo das Estepes, louco para limpar sua barra com o gerente Darkseid lá na matriz Apokolips. Se o conteúdo segue sem alterações em relação à Liga 2017, a forma é bem diferente.

Apesar da resolução em 4:3 para assistir na Admiral da sua vó (vai dizer que acreditou que era pro IMAX) e da divisão das 4 horas do filme em 6 capítulos revelarem a fina habilidade do diretor de lamber sua própria caceta em rede mundial, é verdade que ao menos 40% dessa pretensão é convertida em relevância na tela. Todos os personagens ganharam mais fluidez, desenvolvimento e contextualização, para mais (Cyborg) ou para menos (Aquaman). De fato, Vic Stone é quem mais se aproxima de algum protagonismo, mas não chega a guiar o espectador pela trama, como qualquer roteiro mais malandro faria. Ajudaria uma grandeza se Ray Fisher fosse melhor ator.

Já o Superman é o verdadeiro MacGuffin dos 5/6 iniciais do filme (vixe). Teve mais tempo para reviver, fazer um amistoso do time do sem-camisa contra o time dos superamigos, curar a ressaca-monstro e juntar os cacos de memória nos bucólicos cafundós do Kansas com uma terapia intensiva de cafunés de Lois Lane e de sua mãe Salve Martha. Insípido toda vida no papel, Henry Cavill encarna aqui o Azulão (ou seria Escurão?) em sua melhor versão do que é, sem nunca ter sido.

A Mulher-Maravilha, por sua vez, teve poucas e pontuais alterações. Foram para a lixeira o infame papai-e-mamãe com o Flash e os seguidos closes na bunda da Gadot presentes no Gross Joss Cut. Mesma coisa com o Batman - não o bundalelê, infelizmente. Não sei se foi pelo bate-bola extra com o Alfred do genial Jeremy Irons, mas parece que Affleck está genuinamente à vontade e se divertindo com o personagem, pela 1ª vez. E desejar isso pra alguém vestido de Batman é pedir o mínimo, pela sua própria sanidade mental.

Difícil mesmo é fazer algo que salve o Flash do Ezra Miller, que, quando não está esganando moçoilas islandesas, mostra como não se corre em frente a uma câmera. Tem duas boas tentativas: o salvamento de sua futura namorada Iris de um acidente de trânsito, numa sequência melosa, esquisita (ah, aquela salsicha) e interminável; e mais ao final, num momento que remete brevemente à icônica cena de sacrifício do Barry Allen em Crise nas Infinitas Terras. Melhora um pouquinho a impressão geral. É só não lembrar da tranqueira que é aquele uniforme. Ih, é mesmo. Tsc, aaah...


Preciso confessar que curto o Aquaman Czarniano e achei acertada a manutenção dos diálogos-ponte com seu filme solo. Até dá pra fazer vista grossa para o skysurfing usando um parademônio como prancha. O que não dá pra passar batido é o visual do Cyborg, que continua um Megatron(bolho) altamente distrativo no pior sentido. Tanto que o personagem fica muito mais interessante e cativante quando é autoprojetado de corpo inteiro em ambientes virtuais, numa boa sacada conceitual do diretor.

E realmente não precisava da ceninha "olha o Homem de Ferro aprendendo a voar em 2008". Toma vergonha, Snyder.

Se a edição mandou todas as bobagens do Whedon pra ponte que caiu, muita coisa do próprio Snyder podia ter ido também. A estreia de J'onn J'onnz, o "Martian Manhunter" (hmm...), esculhamba completamente o único momento em que Snyder consegue ser emocional sem ser brega. Surreal. A sequência inteira do resgate dos cientistas nos subterrâneos de Gotham é bem fraca, especialmente a cena em ultramegapowerslow motion do Flash ajudando Diana a alcançar sua espada durante uma queda (para... literalmente... nada!), a parte em que os heróis correm um sério risco de morrer afogados e o pavoroso batveículo Nightcrawler (prefiro o Kurt Wagner), tão viável e eficiente quanto os veículos do desenho do He-Man. Desculpa aí, Tanque de Ataque, tu era gente boa.

Claro que não podia deixar de mencionar outro TOC Snyderiano: as músicas. Tem que ter, claro, mas não precisa ser uma jukebox. A escolha dos temas sincronizada com as cenas soa tão expositiva quanto um recordatório do Chris Claremont – mais ainda, porque os caras estão literalmente falando o que está acontecendo... Nick Cave cantando "há um reino, há um rei" enquanto Aquaman caminha num píer é o cúmulo da obviedade. E, numa menção desonrosa, enche o saco a voz feminina cantando ao fundo toda vez que a Mulher-Maravilha resolve partir pra porrada.

Mas também tem coisas legais, como as mulheres do vilarejo cantando enquanto Aquaman retorna ao mar, demonstrando o nível da reverência e da adoração daquele povoado pela figura do relutante monarca. Boa.


Por fim, as cenas com a família russa foram sabiamente limadas e o ato final foi reformulado como um bloco mais coeso e focado. A luta decisiva contra Lobo das Estepes (que ganhou um tapinha no CGI) não chega a ser ruim, mas fica a dever. Ainda mais em comparação com sua eletrizante campanha em Themyscira. E a introdução de Darkseid – com visual quase OK e tronco emborcado – ficou surpreendentemente climática e bem elaborada, arrematando com a cena arrepiante do vilão e os heróis se encarando em silêncio através do portal. É a vitória do "menos é mais" sob condições adversas.

Porém, como uma espécie de assinatura artística do diretor, ele mesmo decide contrabalancear a boa impressão com os epílogos mais prolixos do universo conhecido. Dá pra entender a piscadela para uma incerta continuidade no encontro entre LeLex Luthor e Exterminador. O que não dá pra entender é a fixação no Coringa faz-de-conta do Jared Leto chegando a tal ponto que rende a cena mais constrangedora do ano (sim, eu sei que ainda estamos em março). Quer Coringa, Batman, Liga e o Superman boladão num cenário pós-apocalíptico, reveja o cinemático do DC Universe Online. E desapega de vez.

O que realmente impressiona nesse Liga da Justiça é a rara (raríssima) oportunidade de correção histórica dentro do cinema blockbuster. Mesmo com os vários problemas e idiossincrasias, Zack Snyder entrega um bom filme da superequipe mais emblemática dos quadrinhos – também, só me faltava passar uma tarde inteira assistindo um filme meia-boca ou, pior, um novo Batman v Superman. Mais legal ainda é ele ter tido essa chance, por todas as dificuldades pessoais e públicas inimagináveis que atravessou nos últimos anos.

Um pouco de justiça poética, pra variar.

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Vocês sangram?

Vão sangrar.


Então está aí a realidade do Justice League's Snyder Cut. Ao menos o cabra não é de deixar assuntos pendentes. E só precisou levantar 70 milhões de doletas na moralzinha.

Kneel before Zack, Michael Bay.

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Ressaca de trailers

Infortúnios de uma maior idade: DC FanDome pocando e eu pocando nas Heineken. Mas uma breve consulta a uns parayoutubers, uns minutinhos de teasers, trailers & sneak peaks e voilá: estou de volta ao jogo.


O teaser de Zack Snyder's Justice League – ah, a autoindulgência! – é como o último carimbo no cartório de registro civil, legitimando assim o punhado de ceninhas workprint que o diretor reproduzia em sua conta no Vero. Então, ao som de "Hallelujah" (de novo) temos o young Darkseid descendo o porrete logo na abertura, o Superman redivivo, o Lobo das Estepes versão Zack Snyder's Steppenwolf e um climão geral de BvS para quem precisa de BvS. Nada de preparação cinematográfica de 10 anos com filmes sobre a extensa e rica mítica dos Novos Deuses, Darkseid, Apokolips, etc – tudo será condensado em 4 episódios de uma hora cada.

Na minha época, o Guns N' Roses lançava dois discos duplos ao mesmo tempo e a gente rolava de rir com a pretensão. Então é isso: Zack Snyder's Justice League será o Use Your Illusion* dos millennials!

* trocadilho voluntário


Trailer Teaser meticulosamente correto de The Batman – ou deveria dizer Bate-Man? Porque a vontade com que ele bate num infeliz lá pelas tantas é de fazer até o Frank Castle convidar pra uma cerveja. Nada mal pra alguém com pinta de Robert Smith fase Disintegration. Gostei das camadas ainda rústicas do encapuzado em início de cruzada, da Mulher-Gata-de-Rua da tchutchuquinha Zöe Kravitz, do viés policial/detetivesco que a prévia sugere predominar e já escrevi um bucentésimo de vezes que Robert Pattinson é bom ator. Só tiraria mesmo a trilha com "Something in the Way", a música que todo mundo pulava em Nevermind.

Ah, a aquela placa frontal do uniforme é páia. Menos proteção, mais elipse, é que digo.



O trailer principal de Mulher-Maravilha 1984 é a versão estendida do que rolou até aqui, inclusive nas novas ousadias. Diana usando o Laço da Verdade para se balançar em raios é pura Física de Superamigos, mas o highlight (ops) periga ser a armadura "Águia Dourada", que promete render seu momento cosplay de Shayera. Se ainda colecionasse home video, esse ficaria ao lado de Barbarella, Xanadu, Flash Gordon e Galaxina.

Diante desse camp fest, achei a Mulher-Leopardo da Kristen Wiig meio escondida na prévia. Será que bateu uma vergonhinha alheia?



Que teaser safado de Black Adam. The Rock mesmo, só na narração em off e na arte conceitual. Lembrei das conversas "animadas" do Billy Batson com os Seis Anciões Imortais no seriado velhusco do Shazam. Pusta cheiro de naftalina.

Fun fato: o 1º papel do Dwayne também foi um supervilão egípcio. Que logo depois ganhou spin-off solo heróico. Será Teth-Adam o salvador do dia em seu debut cinematográfico?



Comentei faz um tempo que não era um gamer assíduo. E até há 1 segundo, continuava na mesma. Mas se teve alguma vez que fiquei na pilha de vender um rim (ou dois, com ajuda de algum samaritano visitante do blog) pra bancar um Playstation, foi com esse trailerão de Suicide Squad: Kill the Justice League. Além de parecer divertidíssimo, esse gráfico é de cair o queixo – relevando que sou lerdo pra essas coisas e meu queixo ainda estava no chão com os cinematics do Marvel Ultimate Alliance e do DC Universe Online.



E a "espiadela" do Esquadrão Suicida 2 de James Gunn leva o Zombie de Ouro Edição Extraordinária da 1ª Parte do DC FanDome. Desde Liga da Justiça sem Limites não vejo uma produção defender com tanta paixão a explosão de cores berrantes e as excentricidades estéticas extraídas dos gibis.

E John Cena paramentado de Pacificador per se. Nem precisava do "será como um Capitão América babaca": vai roubar a... ops!

...mas que vai, vai.

terça-feira, 31 de março de 2020

😷 😷 😷 Retrospec Março/2020 😷 😷 😷


2/3¹ - Sai o trailer de Justice League Dark: Apokolips War. E o vozeirão de Darkseid é de ninguém menos que Tony Todd!

2/3² - O clássico Mort Cinder, de Héctor Germán Oesterheld e Alberto Breccia (e vencedor da categoria "Aquisição do coração" no ZdO 2018, óóóóó), terá uma reimpressão pela editora Figura – com direito a duas páginas digitalizadas diretamente dos originais de Breccia, atualizando aquelas que foram escaneadas de outras publicações na 1ª tiragem. Não sei se rio ou se choro.

2/3³ - Erico Borgo sai do Omelete. E...? Sei lá, não acompanho há mais de uma década. Pra ser exato, desde que o site passou a ter conteúdo patrocinado e virou uma máquina de fazer dinheiro. Mas a inundação de lágrimas das viúvas tá batendo na canela.

2/34 - A famosa "Trilogia do Demônio" do Batman (Birth of the Demon, Bride of the Demon e Son of the Demon) será compilada pela 1º vez em capa dura. Tenho a coisa toda em HC pelas edições da Eaglemoss, mas dependendo dos novos extras...

3/3¹ - Diz Todd McFarlane que o reboot classificação R de Spawn sai ainda em 2020. Ah, sujeito otimista.

Site da assinatura do Pacote DC Teen (Panini) 2020 1- "é comporto" 2- "mare" onde deveria ser "maré" 3- "uma graphic...
Publicado por Todo Dia Um Erro Nos Quadrinhos Diferente em Terça-feira, 3 de março de 2020

3/3² - Errando até nos anúncios? Meretriz que deu-lhe a luz, Panini. Bônus: Batman e Besouro Azul curtindo um modo ninja numa página dupla de Lendas do Universo DC - Liga da Justiça: J.M. DeMatteis & Keith Giffen vol. 3... Ponto cego, revisor cego. Tudo em casa.

3/3³ - O reboot dos Wildcats (ou seria WildC.A.T.S.?) nem estreou e já foi pro saco, segundo Warren Ellis, que roteiriza. Mas Ramon Villalobos, que desenha, discorda.


4/3¹ - Matt Reeves revela o Batmóvel Mad Max's V8 Interceptor! Até que enfim um Batmóvel automóvel. Me lembrou até o batcarro fase Grant Morrison, sem o glamour e o rabo de peixe.

4/3² - Schwarza comenta que nos últimos anos tem andado muito próximo de um longa do Rei Conan, mas que os direitos do bárbaro estão com um jovem que não sabe fazer porra nenhuma.

4/3³ - Aí a editora Mythos relança Mágico Vento em formato italiano e não fala mais da coleção Deluxe em cores (cancelada lá fora em 2015 no vol. 25). Quem estava comprando, tipo eu, tomou na tarraqueta bonitinho, viu?


5/3¹ - Se vai Frank McLaughlin, aos 84. A longeva carreira do desenhista e arte-finalista começou no início da década de 1960, trabalhando com nomes como Steve Ditko e Dick Giordano, ainda na Charlton Comics. Nessa época, fez muitos trabalhos não-creditados (uma constante) e nunca mais parou. Entre suas criações mais famosas está o Mestre Judoca, que saía no Brasil no gibi do Judoka! Grande veterano.


5/3² - O trailer de Scooby! O Filme é simpatiquinho, mas quero ver mesmo é esse resgate do Falcão Azul & Bionicão!

6/3¹ - Christian Bale fará o vilão de Thor: Amor e Trovão! Dou 1 dólar pra saber o que se passa pela cabeça do Taika Waititi...


6/3² - Se vai David Paul, aos 62. Ao lado do irmão Peter Paul, o bodybuilder e... arrem, ator foi um dos guerreiros gêmeos em The Barbarians (Ruggero Deodato, 1987), crássico da Cannon Films. O filme era campeão de locações e reprises no final dos anos 1980/início dos 1990 e, sem dúvida, uma das tosqueiras que mais divertiam a molecada. Obrigado por tudo, David Paul!


7/3¹ - Saudoso, Mike Deodato Jr. comemora as conquistas de seu Thor noventista. Como diria o profeta Castrezana-do-Alto-do-Morro: "Lembranças, memórias, boas ou ruins, não devem ser tijolos. Devem ser anotações"... E pelo menos ficou melhor que o Conan do Joe Bennett.

7/3² - Pela 1ª vez, a série de tirinhas de jornal Maxwell the Magic Cat, de Alan Moore, é compilada na íntegra num único volume - e isso está reverberando até na gringa. Golaço da editora Pipoca & Nanquim.


8/3¹ - Se vai o grande Max von Sydow, aos 90. Nascido Carl Adolf von Sydow, o genial ator sueco - e cidadão francês - iniciou sua carreira no teatro e no cinema no final da década de 1940. Com o cineasta Ingmar Bergman teve uma das parcerias mais celebradas da 7ª Arte. Foram 11 filmes ao todo, incluindo os clássicos O Sétimo Selo (1957), Morangos Silvestres (1957) e A Fonte da Donzela (1960). Em Hollywood ficou eternizado com o papel de Padre Lankester Merrin em O Exorcista (1974) e por amenidades como Ming, o Impiedoso, no camp Flash Gordon (1980), e Rei Osric, em Conan, o Bárbaro (1983), além de infindáveis cameos de luxo - incluindo Game of Thrones e um dos Star Wars recentes. Raramente foi bem aproveitado do lado de cá do Atlântico. Era ator demais, suponho.


8/3² - Finalmente sai o trailer banda vermelha de Mortal Kombat Legends: Scorpion's Revenge!

9/3¹ - A trilha sonora de Thor: Amor e Trovão trará "Rainbow in the Dark", clássico do Dio! Aye!!

9/3² - A princípio, achava que Batman: Three Jokers, de Geoff Johns e Jason Fabok, seria mais uma picaretagem aproveitando o hype da DC nos cinemas - como a tal Punchline (quero ver como vão batizá-la aqui!). Mas até que a premissa divulgada é promissora.

10/3¹ - Quer saber o que teria acontecido se aqueles decisivos 72 votos não tivessem selado o destino de Jason Todd em Batman #428 (dez/1988)? A Polygon mostra.

Cari amici Texiani, nel rispetto delle delibere delle autorità dopo l'emanazione, da parte del Presidente del Consiglio...
Publicado por Tex - Sergio Bonelli Editore em Terça-feira, 10 de março de 2020

10/3² - Dio mio. A crise do novo coronavírus na Itália interrompe as atividades normais da Bonelli. Googletranslateada:
"Caros amigos Texianos, em conformidade com as resoluções das autoridades após a emissão pelo Presidente do Conselho de Ministros dos recentes decretos legislativos sobre a situação nacional da saúde e para proteger a saúde de todos os funcionários e colaboradores, Sergio Bonelli Editore SpA comunica que a partir de hoje, a maioria dos funcionários e editores da via Buonarroti trabalha remotamente em suas casas. Todos estamos fazendo todo o possível para que isso não envolva problemas no cuidado e na realização dos livros e volumes, nem atraso na sua distribuição. Infelizmente, porém, a situação de emergência sem precedentes e a evolução contínua do quadro geral podem causar problemas e atrasos, nesses momentos impossíveis de prever. Pedimos desculpas por isso com antecedência, mas esperamos poder retornar todos os nossos posts à redação o mais rápido possível. Enquanto isso, continue lendo nossos quadrinhos!"

10/3³ - Todd McFarlane diz que "um cara vencedor do Oscar" saiu de seu reboot de Spawn. Quem será?


11/3 - Sai o trailer de Beastie Boys Story, doc sobre o icônico grupo hip hop nova-iorquino. Direção de Spike Jonze, o que eleva a imperdibilidade à extratosfera. Estreia prevista para 2 de abril.

12/3¹ - Tom Hanks e Rita Wilson contraíram o coronavírus. A coisa tá feia.

12/3² - A WonderCon é adiada. O evento estava inicialmente previsto para os dias 10-12 de abril em Los Angeles. A medida é mais uma prevenção contra a pandemia do novo coronavírus. A San Diego Comic Con, por sua vez, continua programada para 23-26 de julho.

12/3³ - Já adquirindo contornos de filme maldito, Os Novos Mutantes é novamente adiado pela Disney devido ao COVID-19, a.k.a novo coronavírus. O filme finalmente veria a luz do dia no (muito) próximo 3 de abril. Duvido que saia ainda este ano. Mulan também foi adiado.

Alerta de Fake News A CCXP20 avisa que os planos para a realização do evento em dezembro seguem sem mudanças. A...
Publicado por CCXP em Quinta-feira, 12 de março de 2020

12/34 - A CCXP segue confirmada até segunda ordem - ou se o novo coronavírus não prolongar sua turnê brasileira.

13/3 - Na campanha de prevenção ao coronavírus, parece que até o Cascão irá lavar as mãos! Mas na imagem divulgada não aparece isso não... Só acredito quando a água bater na pele e escorrer toda aquela sujeira acumulada em 60 anos pelo ralo.







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14/3 - Se vai Genesis P. Orridge, aos 70. A compositora, cantora, poeta, artista performática e ocultista foi co-fundadora do Throbbing Gristle - o avô da música industrial, noise, pós-punk (antes mesmo do punk!) e vanguardismos misturando eletrônica e percussões minimalistas. O espectro da influência de Genesis na música contemporânea é enorme, embora nunca tenha atravessado de fato a fronteira para o mainstream. Exceto naquela vez, em que apareceu se pegando com a sua colega de T.G. Cosey Fanni Tutti na capa de Force It, do UFO. Yummy!

The CDC says we can fime the 20 seconds it should take to wash our hands by singing Happy Birthday twice. Comic fans...
Publicado por Marv Wolfman em Domingo, 15 de março de 2020

15/3 - Na guerra contra o novo coronavírus, Marv Wolfman dá um upgrade Oano à técnica de lavar as mãos. Eu recito o hino do mengão duas vezes e tá tudo certo.

16/3¹ - A JBC anuncia a publicação de Nausicaä. O clássico de Hayao Miyazaki finalmente retornará ao Brasil após um cancelamento fatídico da Conrad e uma negociação de longos 10 anos. A editora também anunciou mais três outros mangás, mas o povão só quer saber mesmo é de Nausicaäaäaäaäaäaäaä...!


16/3² - Ah, não, até o Idris?! Coronabitch motherfucker, vaza do Stringer!

17/3¹ - A DreamWorks anuncia a quinta e última temporada de She-Ra e as Princesas do Poder para 15 de maio via Netflix. Adoro a série e quero muito saber como a Noelle Stevenson irá desenrolar o "efeito O Império Contra-Ataca" do final da 4ª temporada...


17/3² - Se vai Lyle Waggoner, aos muitíssimos bem vividos 84. Dizer o quê, meu Deus... Dizer o quê do felizardo que foi o Major/Coronel Steve Trevor no seriado da Mulher-Maravilha, onde, por força da profissão (e do alinhamento de Júpiter com Saturno), ficava de beijinhos e abraços com a deusa Lynda Carter? Sem falar nas trocentas vezes em que foi carregado no colo pela atriz (ai) ou ficou sob os cuidados de outras lindas amazonas na Ilha Paraíso... De quebra, Waggoner ainda foi o galã de várias beldades em séries como O Barco do Amor e A Ilha da Fantasia. Como se não bastasse, ainda era casado com a belezura Sharon Kennedy. Não é à toa que em toda foto ele aparece com um sorrisão de orelha a orelha. Que vidão!


17/3³ - Desta vez, Gloria Pires foi capaz de opinar. E muito!

Mais uma imagem de quadrinista tirada do ar. Facebook apagou nessa segunda-feira (16.03) arte de Rafa Campos. Desenho...
Publicado por Paulo Ramos em Terça-feira, 17 de março de 2020

17/34 - O Facebook censura uma arte do quadrinhista Rafa Campos. Não está claro se o motivo foi uma denúncia ou alguma infração dos termos de uso da rede social. Posso estar enganado, mas a ideia de ilustrar pessoas públicas reais - por mais abjetas que sejam - sendo brutalmente mortas não ajuda muito na defesa.

17/35 - Lembra do festival Cruel World e sua fabulosa escalação de baluartes pós-punk? Pois é, já era. Valeu mesmo, coronavírus. Não vai dar nem pra ver uns trechos por câmera de celular tremendo no YouTube.


17/36 - E falando em "Trilogia do Demônio", a DC finalmente relança o compilado de Tales of the Demon em capa dura. Já tem Contos do Demônio na Grandes Clássicos #4? Então, a volta das cores originais na nova edição (acima, à direita) é algo a se considerar. Pra mim, são infinitamente melhores que o dégradé moderninho que serviu de base para a edição da Panini...

18/3¹ - E o tradicionalíssimo (e gigantesco) festival Glastonbury também foi cancelado.

18/3² - Pra ajudar nesse período de semi-isolamento global, a 2000 AD liberou 400 páginas do Juiz Dredd na faixa.

18/3³ - Bolas de titânio da Image Comics: a editora está cancelando reimpressões e retornando todos os seus lançamentos via FOC (Final Order Cutoff) até os varejistas reavaliarem a demanda afetada pela pandemia do novo coronavírus. É disso que se trata... sempre foi. Mas às vezes é bom alguém aparecer e reafirmar. E aí, Disney? E aí, Warner?

19/3 - A capa de Daredevil #22 vai colocar muitos fãs de Chip Zdarsky à prova por aí...

Galeria do Rock fecha as portas por tempo indeterminado. “Alguns lojistas talvez não consigam sobreviver a esse período....
Publicado por Rock Brigade Magazine em Sexta-feira, 20 de março de 2020

20/3¹ - Galeria do Rock baixando as portas. Triste e muito complicado. E só um exemplo do estrago da pandemia do COVID-19 nos pequenos.

20/3² - Os Correios suspendem o serviço de Marketing Direto, que inclui modalidades como Impresso Normal/Registro Módico. Era de se esperar. Pessoalmente, minha pilha de leituras atrasadas é pra vida; em contrapartida, tenho algumas encomendas a caminho (gibis, naturalmente) que perigam se perder no limbo de alguma unidade de distribuição...

20/3³ - Com os cinemas fechados indefinidamente, a Warner inicia as primeiras conversas para lançar Mulher-Maravilha 1984 direto nas plataformas de streaming. Caramba.

21/3 - Do twitter do Warren Ellis, a explicação. Ufa. Já estava começando a ficar preocupado.

You must be new here. Source: fb/Heaphans Dan
Publicado por Comic Book Resources em Domingo, 22 de março de 2020

22/3¹ - Lançamentos do cinema, da literatura, turnês, festivais, amostras... Ok, basicamente tudo foi cancelado ou adiado por meses.

22/3² - Revendo o que escrevi nos dias anteriores, fica evidente o quanto eu (e o planeta) estava leve e sem uma noção exata da gravidade da pandemia do novo coronavírus. Tragicômico. Mas vou manter do jeito que estava. Neste momento, tenho medo até das minhas encomendas envoltas em papelão e plástico que estão vindo, ameaçadoras, pelo correio.
2020 é do COVID-19.

23/3¹ - Quadrinhos para Quarentena é uma iniciativa espetacular de quadrinhistas nacionais que disponibiliza HQs grátis nestes tempos de trincheira. E tem material muito bom ali!

23/3² - Era uma questão de horas: a Diamond parou de receber novas remessas de editoras em seu estoque.







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23/3³ - Rita Wilson segue convalescente, mas seu old school hip-hop vai muito bem, obrigado (a).

23/34 - Menos cantoria na janela e mais ação: Rihanna doa 4,67 milhões de euros para organizações de combate ao novo coronavírus. Assim, na lata. Foda essa menina.


24/3¹ - Se vai o gênio Alberto Aleandro Uderzo, aos 92. Ao lado de René Goscinny, o ilustrador e roteirista foi co-criador da clássica série Astérix. Um gigante da arte, sem mais. Que ano para os quadrinhos.

24/3² - Os Correios restabelecem os serviços de Impresso Normal/Registro Módico. Ótima notícia, mas tomara que façam isso do jeito certo e garantam a segurança dos funcionários.


24/3³ - E a minha carteira predileta enfrentou os vários perigos que rondam as ruas infectadas e me trouxe os pacotes, mesmo com o rastreio adiando a entrega. Fica a dica: faça amizade com os carteiros de sua região. Dê carinho. Siga os procedimentos de higienização assim que suas encomendas chegarem. E sim, pedi 2 cópias de Lobo Solitário #19 por engano. Sou um animal.


24/34 - Se vai William Frederick Rieflin, o Bill Rieflin, aos 59. O guitarrista, baixista, tecladista e, principalmente, baterista inciou sua carreira em Seattle, sua cidade natal, em 1975. Além de multi-instrumentista, era multifacetado: tocou no Ministry, Revolting Cocks, Pigface, KMFDM, Swans, R.E.M. e até no King Crimson. Enfim, tudo o que eu gosto e não sai do meu player há eras... Grande Rieflin!


24/35 - Ê dia que não acaba... Se vai Stuart Gordon, aos 72. O cineasta, produtor e dramaturgo era um mestre da subversão body horror. Obcecado por H.P. Lovecraft e Edgar Allan Poe, Gordon era dono de um estilo visualmente provocador e com o amigo e produtor Brian Yuzna criou pérolas bizarras como Do Além (1986), Dagon (2001) e, claro, sua obra-prima Re-Animator - A Hora dos Mortos-Vivos (1985). Faça um favor a si mesmo e agite uma maratona com a filmografia do homem. Melhor tributo, impossível. Não esqueça de Robot Jox e Space Truckers.

26/3¹ - Arnold Schwarzenegger turbinou com 1 milhão de dólares um fundo de combate ao novo coronavírus. Hasta la vista, covid.

26/3² - Diante da pandemia do novo coronavírus, todos tiveram que rever seus planos para 2020. E isso inclui as editoras nacionais de quadrinhos. Ps: segundo o artigo, no caso da Devir, "a pandemia teve pouco impacto na produção da editora" - eu ri.


27/3¹ - Mark Millar isola o vírus Immortan Bozo (nome científico, COVARD-17). Mas o Butcher Billy tinha pescado antes e ninguém tasca!

27/3² - O cantor Chuck Billy (Testament) e o baterista Will Carroll (Death Angel) são mais dois a engrossar a fileira dos rockeiros infectados com o COVID-19. As bandas haviam acabado de retornar de uma turnê conjunta na Europa.

27/3³ - Bola dentro da Panini: a editora disponibilizou uma seleção de mangás e quadrinhos Marvel gratuitamente nas plataformas digitais - pra dar aquela suavizada na rotina de isolamento. Boa, Panini!

27/34 - Para ajudar os quarentões na quarentena, a Hasbro liberou todos os episódios da série clássica do G.I. Joe no YouTube. Yo Hasbro!


27/35 - Se vai Daniel Azulay, aos 72, vítima do coronavírus em meio a um tratamento de leucemia. O cartunista, pintor, educador e apresentador começou sua carreira ainda na década de 1960, fazendo tirinhas para jornais. Nas décadas de 1970, 1980 e 1990 foi uma verdadeira personalidade da TV com programas educativos voltados ao público infanto-juvenil. Foi o criador da Turma do Lambe-Lambe. Graças a ele, ao menos três gerações ficaram encantadas pela arte do desenho - e muitos daqueles meninos e meninas até seguiram a carreira. Daniel Azulay foi uma parte essencial e inesquecível da boa cultura brasileira.

27/36 - O grande desenhista argentino Juan Giménez, de A Casta dos Metabarões, é mais um notável da 9ª Arte a contrair o COVID-19.


28/3¹ - Um curta de Rick e Morty parodiando Lobo Solitário e outros clássicos do gênero samurai funciona como um power-up salvador nas barrinhas de energia da geral.

28/3² - Após a suspensão das atividades da Diamond, a DC avisa aos varejistas que irá usar outras alternativas de distribuição.

29/3¹ - Além da Rihanna, outros famosos como Xuxa, Angelina Jolie, Ryan Reynolds & Blake Lively, Justin Timberlake e até Justin Bieber estão fazendo doações milionárias para o combate ao COVID-19. E ainda não ouvi falar de nenhum banco liberando um centavo...

Ele escreveu uma das músicas mais conhecidas do rock, lançada em 1975 e depois popularizada por Joan Jett em 1982. Filha do músico disse que teve dois minutos para se despedir. https://glo.bo/3by7ljy #G1
Publicado por G1 - O Portal de Notícias da Globo em Domingo, 29 de março de 2020

29/3² - Se vai Alan Merrill, aos 69. Além de co-autor de um dos maiores clássicos do rock, o compositor e multi-instrumentista "só" tocou ao lado de nomes como Mick Taylor, Steve Winwood, Rick Derringer, Cozy Powell e Meat Loaf. Uma figura emblemática – e mais uma vítima do novo coronavírus.


29/3³ - Se vai Krzysztof Penderecki, aos 86. O compositor e condutor polonês era uma das figuras mais aclamadas das últimas décadas no universo da música sinfônica. Premiado várias vezes nas academias mais prestigiadas do mundo, chegou a ganhar 4 Grammys (algo como um passeio na Disney). Não por acaso, o mainstream utilizou sua música com frequência em trilhas como as de O Iluminado, O Exorcista, Coração Selvagem, Filhos da Esperança, Ilha do Medo e da série Twin Peaks, entre outras. Ano passado, gravou um álbum espetacular com Beth Gibbons, do Portishead – até listei no ZdO 2019. Estava começando a conhecer o trabalho do homem...

30/3 - Um belo dia, Evangeline Lilly resolve que isolamento social é besteira, que a pandemia do novo coronavírus é um hoax e sai por aí a passear com seus filhos, #businessasusual. Choveram críticas. E ela nem aí. E a Marvel não gostou nada dessa história. E agora ela pede desculpa.

31/3¹ - Fé em Jim Lee restaurada: o quadrinhista-editor-chefe está produzindo sketches diários, leiloando e revertendo cada venda para uma comic shop diferente. Sensacional.

31/3² - Gary Holt, guitarrista do Exodus e do Slayer na reta final, também foi diagnosticado com o COVID-19. Pelo menos, até aqui, está assintomático. Que siga assim, devidamente isolado, puto da vida e compondo igual louco.

31/3³ - E a Diamond comunica que está postergando os pagamentos desta semana às editoras. Perto dessa, a recuperação judicial da Saraiva fica parecendo até uma pindureta no Bar do Zé.

Pessoal, Recebi ontem uma mensagem de um suposto advogado da Panini Comics Brasil, informando que eu devo excluir do...
Publicado por Guia dos Quadrinhos em Terça-feira, 31 de março de 2020

31/34 - E essa agora? O bom senso diz que é uma peça de 1º de abril - e uma irresponsável, por colocar em risco uma gigantesca quantidade de dados. Mas como a bruxa anda solta e em se tratando da Panini Cômics du Brazil...


Acabou, pessoal. Vão pra casa, já acabou. Acabou! Mês infernal...

Vamos cuidar dos nossos velhinhos que fazemos melhor.