Mostrando postagens com marcador Fanático. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fanático. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

A Coleção Definitiva do Homem-Aranha: saldo (quase) final


Entre mortos, feridos, formatinhos e uma lombada formando um The Thing

O Hulk e o Homem-Aranha sempre foram meus personagens de cabeceira. Comecei com eles e, suspeito, é com eles que vou terminar. Enquanto o catálogo BR do Verdão anda numa fase interessante, com a bem-sucedida Coleção Histórica Marvel e o revisionismo bacanudo de O Imortal Hulk, o Teioso já amarga alguns anos com uma atribulada grade de programações. Especialmente para os leitores que nunca saíram da velha escola, como este que vos rabisca.

Recentemente, a Edição Definitiva Vol. 1 reacendeu a velha faísca, mesmo prejudicada pelas polêmicas da 1ª tiragem mal editada. Tudo corrigido, resolvi apostar, sem garantia de continuidade e muito menos de ace$$ibilidade. Seja o que Tio Ben quiser.

O fato é que, há uns meses, tive uma epifania: preciso fazer uma coleção do Homem-Aranha antes de morrer. Ou morrer tentando. E quem me deu o primeiro estalo neste sentido foi a já descarrilhada A Coleção Definitiva do Homem-Aranha, da Salvat. Sem brincadeira.

Claro que essa coleção "definitiva" é dolorosamente irregular e nem em sonho (ou pesadelo) eu pegaria inteira. E ainda passei um punhado das edições legais: A Saga da Plaqueta Ancestral (vol. 30) tenho completa nas CHM's Homem-Aranha vols. 3 e 7, Homens sem Medo (vol. 39) tenho a aventura principal em Super-Heróis Premium Homem-Aranha #15, A Morte de Jean DeWolff (vol. 8) - nossa resenha da saga já completou 14 aninhos - junto com A Última Caçada de Kraven (vol. 35) tenho até em versão 4D com esguicho de água no rosto e cadeira sacudindo. Já o Gatuno Hobie Brown na capa de O Rapto de Mary Jane (vol. 24) apela aos meus sentimentos mais vermísticos, porém tenho problemas psicológicos com o traço do Todd McFarlane.

Em contrapartida, pude botar minhas patas em pérolas como Nada Pode Deter o Fanático! (vol. 26), A Saga Original do Clone (vol. 3, uma leve atualizada na coleção), o freakshow de A Marca do Tarântula (vol. 34), A Morte da Tia May (vol. 21 - ah, a arte do Keith Pollard!), a divertida A Vingança de Venom (vol. 40) e o icônico "erro estratégico" O Casamento (vol. 14). Tudo finalmente em formato americano, na íntegra e com papel gostoso.

Uma pequena-mas-charmosinha seleção. Contudo... ainda faltava um, Caça ao Aranha (vol. 22, mas o último lançado pela editora, vai entender). Então, por que comprá-lo, por que não comprá-lo, por que comprá-lo, por que não comprá-lo...

Revisitando meus formatinhos da Abril, lembrei que o arco Temporada de Caça traz uma narrativa decente para o bom e velho Spidey. E ainda aquele encontrão com o Tarântula Negra...



O Tarântula Negra - o argentino Carlos LaMuerto - é o Slade Wilson do Cabeça de Teia. Ou era pra ser. Sem mais.

Comprei-o-o.

domingo, 14 de outubro de 2018

Hulk esmaga o Homem-Aranha!


Mandamento #616 dos gibis da Marvel: enfrentar o Hulk é o mestrado para todo super-herói que honre sua cueca, esteja ela por baixo ou por cima da calça. No mínimo estabelecerá sua perseverança frente às intempéries e elevará sua moral aos olhos do público - apesar da demonstração de coragem perturbadoramente suicida.

Muitos já deixaram sua estrela na Calçada Gama: Matt Murdock, Steve Rogers, Tony Stark, Thor Odinson, Norrin Radd, Blackagar Boltagon, Mar-Vell - só em Hulk Contra o Mundo, o Professor Verdão distribuiu todas as bordoadas e pós-graduações ainda pendendes no elenco principal da editora. Um verdadeiro gamma party.

Isso sem mencionar o James Howlett, PhD em Hulkonomics desde o dia um. Vamos contar quantas páginas até o redivivo Carcaju bater de frente com o Gigante Verde outra vez.

Mesmo com essa extensa e diversificada galeria de combates, há que se destacar a teimosa resiliência de um certo aracnídeo. Por algum motivo que só o Sombra sabe, a vida do Homem-Aranha foi e ainda é marcada por confrontos ridiculamente desiguais. O Teioso coleciona embates contra pesos-pesados imparáveis, numa lista de brutamontes que vai do Rino e Mr. Hyde até Fanático e... bem...


A química entre o Hulk e o Homem-Aranha vai muito além do óbvio contraste físico. Vem desde o conceito, da forma como funcionam tão bem sozinhos e ainda melhor quando se encontram. Há algo de marcante e natural nesses crossovers que é simplesmente contagiante. Certamente, uma das maiores e melhores combinações da cultura pop.

Mas admito, sou suspeito: os primeiros gibis que li nesta vida foram desses dois. E felizmente, não estou sozinho.

Foi papeando com o parceirão VAM!, da Batdeira, sobre esse autêntico Davi contra Golias Pós-Moderno que viajamos num projeto de um mega-encadernado discretamente entitulado Hiper-Almanaque Marvel - Hulk Esmaga o Homem-Aranha!

Que rufem os tambores... turudurudurudurudurudummmm...


Clique para hulkificar a capa!

A ideia geral era elaborar uma seleção com as quinze (!) lutas mais divertidas entre o Cabeça de Teia e o Golias Esmeralda. Com o layout e a diagramação cirúrgicas do VAM! tentei sintetizar a ideia toda no expediente.

E acho que, em parte, consegui - com a elegância e a sutileza de um locutor de rodeio.

- O que me fez divagar sobre essas duas forças nascidas da radioatividade em meio às ansiedades da Era Nuclear e da paranoia da Guerra Fria... Seriam estes os verdadeiros "Filhos do Átomo"? Só o Dr. Samson explica.

À seleção e avante!


The Amazing Spider-Man Annual #3 (nov/1966)


Com o enredo nonsense do titio Stan Lee, o traço de Don Heck e uma tremenda bananosa pro Aranha, a história "...To Become an Avenger!" traz o nosso herói sendo atropelado pela famosa "sorte Parker": é sondado pela playboyzada dos Vingadores para se tornar um membro full time, mas para provar que merece a vaga, precisa arrastar o Hulk de volta à equipe. Praticamente uma pegadinha do Mallandro. Rá!

Essa história saiu por aqui no #9 da série Spider-Man Collection (set/1996), uma das picaretagens mais caras já cometidas pela editora Abril (✞).

Momento Vai Teia!: Aranha derrubando o Hulk com 1 soco! Calma... tem contexto, tem contexto...


The Amazing Spider-Man #119-120 (abr-mai/1973)


Duas edições que são um bálsamo para o maltratado coraçãozinho dos marvetes mais velhos: as histórias "The Gentleman's Name Is... Hulk!" e "The Fight and the Fury!" têm roteiro de Gerry Conway e a arte inesquecível do genial John Romita na 1ª parte. Às voltas com um Norman Osborn em vias de relembrar seu lado Duende e com a Tia May nos braços do galã Otto Octavius, Petey precisa urgentemente dar um tempo de NY. Destino: Quebec. E chega lá justo quando o Hulk e o General Ross estão quebrando o pau... ou melhor, quebrando a taiga inteira. Se combinassem, não daria tão certo.

Cinco anos depois, a história foi republicada de forma mais autocontida, com algumas páginas diferentes e capa de John Byrne em The Amazing Spider-Man Annual #12.

Essa HQ fez uma verdadeira turnê brasileira, sendo publicada pela EBAL, Bloch, RGE e Abril.

Momento Vai Teia!: as últimas preces do Aranha.


Marvel Team-Up #27 (nov/1974)


Aqui, Jim Mooney mostra que a média dos desenhistas da época limpa o chão com a média atual e Len Wein dá uma aula de continuidade na história "A Friend in Need!". Na trama, o vilanesco Camaleão joga um verde no Hulk (ops!) pra livrar um amigo do xadrez. E adivinha quem estava por lá cobrindo uma reportagem ao lado do próprio J.J. Jameson? O final da história é dramático e inesperado.

Saiu aqui pela RGE e pela Abril.

Momento Vai Teia!: é do Hulk, que resistiu impávido e colosso à malandragem da detentaiada.


Marvel Team-Up #53-54 (jan-fev/1977)


Dando uma respirada da pancadaria aracno-gama, vem a parceria de Bill Mantlo e John Byrne em "Nightmare in Mexico!"/"Spider in the Middle!". O Cabeça de Teia está voltando pra casa após uma pelada com os X-Men e acaba baldeando numa cidade-fantasma do Novo México. Lá, se vê no meio de um salseiro-monstro envolvendo o Hulk, o Pã punk Deus da Mata e uma operação top-secret do governo. Aventura com clima dos filmes setentistas de contenções/acobertamentos militares estilo The Crazies e O Enigma de Andrômeda.

Especialmente indicada para quem tinha aquela edição comemorativa de Capitão América #100 e até hoje não entendeu por que diabos o Teioso tinha ido parar na Lua (!). Ao contrário da Abril, a RGE fez o dever de casa e publicou a passagem completa desse arco (MTU #53-57) - com uma tradução bem meia-sola, diga-se, mas ninguém é perfeito, né mermo.

Momento Vai Teia!: Aranha, esse Deadpool de raiz, libertando o Hulk com um peteleco.


Marvel Team-Up Annual #2 (out/1979)


Num dia qualquer no início de 1979, Chris Claremont saía de um cinema apavorado com o filme Síndrome da China. Em casa, liga a tevê pra relaxar um pouco com o seriado do Hulk, mas o episódio que passava era "Earthquake Happens". Em pânico, vai à varanda tomar um pouco de ar e ler o jornal. Manchete da 1ª página: "Acidente em Three Mile Island".

Só um tratamento de choque desses para explicar a história "Murder in Cathedral Canyon!", com desenhos de Sal Buscema e Alan Kupperberg - grafado "Kupperburg" no gibi (que vergonha, Marvel). Na trama, a namorada de Peter e o pai dela são raptados por um trio de supersoldados soviéticos; mas a situação é ainda pior do que parece: o sogrão é um cientista que acabou de criar a fórmula da bomba de antimatéria. Começa então uma desesperada corrida contra o tempo, com ajuda do Verdão e de um militar russo fã do Tex Willer.

Inspirado e preocupadíssimo, Claremont claramonte, ops... claramente estava engajado na questão. Fora as referências explícitas ao acidente na usina de Three Mile Island, a história é bem mais calcada em temas reais do que o padrão da época - lembrando que se tratava da já cinzenta e politizada Era de Bronze dos comics.

Vale reproduzir o balão final, um libelo pacifista do escritor:

"Para mudar as coisas, Homem-Aranha, a humanidade -- como um todo -- deveria levantar e dizer 'Chega de Bombas'. Deveríamos aprender a viver em paz uns com os outros. Francamente, meu amigo, não acho que temos esse tipo de coragem."

Essa foi publicada aqui pela RGE há quase 40 anos. Merecia uma reedição.

Momento Vai Teia!: o Aranha dando uns tapas na cara do Banner pra invocar o Hulk era um franco favorito, mas fico com a inteligência do Petey impressionando até o nerdão-mestre Reed Richards - ei, pessoal que faz os filmes, lembrem-se disso!


Marvel Team-Up #126 (fev/1983)


De volta ao smash-style, pero sin perder la ternura"The Obligation!", publicada originalmente em suplemento dominical e reeditada em edição split da Marvel Team-Up - essa era a Marvel defendendo cada centavinho do cofre. Então manda-chuva da editora, o polêmico Jim Shooter escreveu um roteiro paulocoelhista, aparentemente inspirado em velhas parábolas orientais. Num clima de conto, Peter ensina a Bruce Banner e seu alter-egão o real significado de altruísmo.

Emoldurando o cenário filosofante, a arte do sumido Tomoyuki Takenaka. Que era um bom desenhista de ação com pegada mangá contida em alguns momentos, mas que em outros fazia do Peter um clone... do Speed Racer.

Essa metade do split saiu por aqui em Superaventuras Marvel #45.

Momento Vai Teia!: Peter Generoso Parker.


Marvel Fanfare #47 (nov/1989)


Michael Golden.

Pra muita gente só esse nome já basta. Compreensível: sua arte peculiar é um tour-de-force tanto quanto um Hulk descontrolado e solto no coração do South Bronx - que é justamente o que ocorre em "Renovation". O roteiro é do Bill Mantlo e se passa na fase do Hulk inteligente. Dominado por uma amoeba alienígena, o Gigante Esmeralda retorna aos seus tempos de Rampaging Hulk e só encontra pela frente uns drones da Shield e um Aranha com o pior resfriado da sua vida.

Foi publicado aqui uma única vez em O Incrível Hulk #84 (Abril).

Momento Vai Teia!:Aranha nocauteando o Hulk em estado selvagem sem ao menos encostar nele. Alguém aí andou lendo H. G. Wells.


The Amazing Spider-Man #328 (jan/1990)


Nessa sequência involuntária de artistas peculiares, vem "Shaw's Gambit", a última história do Homem-Aranha com sua majestade noventista Todd McFarlane. Até hoje há quem considere essa a versão definitiva do herói.

(...)

Esquisitices à parte, aqui é evidente o cansaço do mega-empresário na reta final. Algumas passagens ficaram tão nas coxas que até os laureados da seção "Arte do Leitor" dos gibis da Abril fariam melhor. Mas independente da minha opinião (eu curto o traço do Erik Larsen, oras, minha opinião não vale nada), esse é um momento histórico na cronologia do Teioso e o roteiro absurdista de David Michelinie não poderia coroar a saideira de forma melhor.

A edição faz parte da macrossaga Atos de Vingança, onde os vilões Marvel fazem troca-troca (de heróis!). Então, o Hulk fase Sr. Tira-Teima é contratado pelo mefistofélico Sebastian Shaw para eliminar um Aranha godlikeado com os poderes cósmicos do Capitão Universo. Ou seja, uma baita rabuda pro Cinzão.

Há um estranho padrão aí, já que o Sr. Tira-Teima - a versão menos poderosa do Hulk - sempre enfrenta heróis nos momentos mais overpower de suas carreiras. Carma?

Essa foi publicada em O Incrível Hulk #122 (Abril) - e no que depender das incursões da Panini no Hulk McFarlaneano, permanecerá assim por um longo, loooongo tempo.

Momento Vai Teia!: o Aranha colocando o Sr. Tira-Teima em órbita!


Web of Spider-Man #69-70 (out-nov/1990)


Tudo muda o tempo todo no mundo, mesmo. Em "A Subtle Shade of Green"/"A Hulk by Any Other Name", tanto o Spidey voltou com seus poderes normais, quanto o Hulk voltou a ser verde, forte e burro. Escrita pelo veterano Gerry Conway, co-escrita por David Michelinie na 2ª parte e desenhada pelo melhor-Sal-Buscema-cover-do-mercado Alex Saviuk, a trama é uma volta às raízes dos encontrões entre os dois. Hulk toca o terror numa cidadezinha e Peter vai lá cobrir a passagem do furacão verde. O problema é um incidente com o dispositivo de um vilão oportunista que termina por hulkificar o aracnídeo. Spider smash!

Essa história saiu aqui em Homem-Aranha #132 (Abril).

Momento Vai Teia!: SPIDER SMASH!²


The Amazing Spider-Man #381-382 (set-out/1993)


E após um breve comercial, voltamos com o Hulk inteligente. "Samson Unleashed"/"Emerald Rage!" têm roteiro de Michelinie e arte do Mark Bagley. Na história, temos o Dr. Samson praticando seu esporte favorito: curar o Banner. E, como sempre, errando feio. Na experiência desastrosa da vez, ele próprio se torna uma fera selvagem e, na sequência, logicamente, o Hulk. Pra remediar a situação, só o Aranha mesmo. Porradeiro honesto (quase) do início ao fim.

Ah, e alguns meses depois, Peter David decidiu que essas histórias eram apenas sonhos. Que bonito, hein, sr. David. Mas realmente ia ficar estranho meia tonelada de Hulk sentado na janelinha de um avião comum.

As duas foram compiladas em A Teia do Aranha #84.

Momento Vai Teia!: Spider-Backflip!


Peter Parker: Spider-Man #14 (fev/2000)


Da seleção inteira, a história "Denial" é a que traz o tom mais sério. Atmosfera pesarosa de luto num cenário onde o Aranha crê que sua esposa Mary Jane morreu num desastre de avião provocado pelo Hulk. Howard Mackie nunca foi nenhuma Brastemp, mas conseguiu tecer aqui uma narrativa envolvente e passional de uma situação delicada - mesmo em rota de colisão com algo tão divertido & pop como um quebra com o Hulk.

Para um roteirista, o Aranha deve ser um dos personagens mais fáceis de lidar. É instintivo. Inclusive nos momentos mais intensos e emocionais. Ele praticamente se escreve - e muito bem. Até quando você não concorda com nada daquilo.

E John Romita Jr. em grande forma é tudo o que você precisa.

Essa história saiu aqui em Homem-Aranha #6, safra $uper-Heróis Premium. Será que já existe algum livro em produção sobre as falcatruas os bastidores da Abril? Há muito pra contar ali...

Momento Vai Teia!: Aranha e a dolorida catarse gama.


C'est fini.

Editoras interessadas, estamos abertos a propostas. Podemos começar os lances a partir de 97 milhões de Trumps em títulos ao portador. Mas venham rápido antes que os verdadeiros licenciantes descubram.

No próximo Hulk Esmaga: as pedras vão rolar...

segunda-feira, 29 de maio de 2006

$NIKT!



"No one ever talks about extermination. They just do it. And you go on with your lives, ignoring the signs around you. And then one day, when the air is still and the night is fallen, they come for you. Only then do you realize that while you're talking about organizing and committees, the extermination has already begun. Make no mistake, my brothers, they will draw first blood. They will force their cure upon us. There is only one question you must answer:
Who will you stand with?"


Como o mundo dá voltas. Durante muito tempo, adaptações cinematográficas de histórias em quadrinhos eram consideradas malversação de verbas dentro de Hollywood. Pra cobrir as lacunas no seguimento de ação blockbuster, os estúdios tiveram de fabricar seus próprios super-heróis. O resultado foi a safra de action-heroes dos anos 80 e parte dos 90. Com o tempo, as idéias foram rareando e a sempre crescente demanda por escapismo pueril eliminou essa triangulação criativa (que eu chamo de ágioarzenegger) e foi beber direto nessa fonte que usa colante e cueca por cima da calça. Mas primeiro tiveram de amansar a fera carnavalesca que existe lá. O pacote ganhou uma roupagem mais dark e sóbria (bastiões mitológico-freudianos como Homem-Aranha e Superman são a exceção) e o uso intensivo de CG para tornar o impossível possível. Entre uma coisa e outra, ocorreu um saudável troca-troca (no bom sentido) de posições (eu já disse que é no bom sentido) entre profissionais dos quadrinhos e do cinema.

Ainda assim, uma adaptação dos X-Men soava como um desafio-mor no contexto geral, justamente pela incompatibilidade dos fatores envolvidos. Personagens demais, tempo de menos e, se o diretor não for adepto de Roger Corman, orçamento exorbitante. Resolveram tentar. Tinha tudo pra ser um único longa constrangedor, tosco e fracassado, mas Bryan "Who's your daddy?" Singer provou que sim, era possível. Exibindo poderes mutantes, ele transmutou cash rasteiro e argumento simplório em personagens carismáticos, direção classuda e atmosfera envolvente. Olhando hoje, o filme-debut dos X-Men revela uma malandragem soberba de Singer em maquiar eventuais buracos e limites orçamentários. Tudo isso e mantendo um apelo popular que garantiu a boa carreira nas bilheterias e a inevitável continuação. Roteiro bem acabado, todos os atores principais de volta e um investimento more expensive: X2, foi um filme praticamente perfeito dentro de sua proposta, onde Singer pôde se dar ao luxo de apenas deixar fluir seu inegável talento. Quando as coisas são assim, não há nada a temer. Engraçado como isto se dá de forma quase matemática ("dê-me um orçamento decente, um bom diretor e eu mudarei o mundo" - dogg, filósofo iugoslavo). Para um projeto que já atraiu o interesse até de James Cameron (e ninguém me tira da cabeça que ele desistiu por considerá-lo infilmável), pode-se dizer que os mutantes, antes de tudo, já são vitoriosos por conseguirem concluir sua primeira trilogia, em X-Men: O Confronto Final (X-Men: The Last Stand, 2006). Hooray!


"Since the dawn of existence, there have always been moments when the course of history shifted. Such a turning point is upon us now. The conflict between the better and worst angels of our very nature. Whose outcome will change our world so greatly... there will be no going back. I do not know if victory is possible. I only know that great sacrifice will be required. And because the fate of many will depend on a few, we must make the last stand."


O processo não foi dos mais harmoniosos. Halle "Cat-Woman" Berry extorquindo atenção, Singer trocando a Mansão X por um condomínio em Krypton, um novo diretor catado às pressas... Achei que a coisa começava a adquirir contornos framboesísticos - impressão logo suplantada por um teaser do caralho que provocou a mesma sensação de quando reencontramos velhos amigos depois de muito tempo. Podia jurar que o espírito "singeriano" ainda estava por lá, em cada cena, em cada frame... do discurso inflamado de Magneto (Ian MacKellen) à voz compenetrada do Professor Xavier (Patrick Stewart), passando pelos urros de Wolverine (Hugh Jackman). No entanto, elementos meio duvidosos também davam as caras. Um roteiro estilhaçado entre uma suposta "cura" para o gene mutante e uma versão da clássica fase da Fênix Negra, enquanto tenta encerrar todo o primeiro momento dos X-Men nos quadrinhos, ainda às voltas com a antiga Irmandade dos Mutantes liderada por Magneto.

E havia a questão do diretor Brett Ratner, que, embora competente, era apenas um operário. Ainda que eu tenha gostado demais do seu trampo em Dragão Vermelho (nada, nada, Ratner superou Ridley Scott de longe na franquia do Lecter), sua missão era simplesmente concluir o trabalho concebido e desenvolvido por um dos melhores diretores da atualidade - servicinho, convenhamos, muito além de sua alçada. Não por acaso, X-Men 3 foi achatado em econômicos 104 minutos, como se o próprio diretor, consciente de seu lugar no Universo, adotasse a postura "fale pouco pra não falar besteira".


Enquanto X2 entrelaçava as subtramas William Stryker/Wolverine's past, X-Men 3 traz uma narrativa com elementos mais heterogêneos. De um lado, a estratégia do governo norte-americano para a contenção mutante trazida a público sob o rótulo de "cura" e do outro, o retorno de uma Jean Grey (Famke Janssen) com TPM suficiente para explodir a Lua. Isso, em particular, foi colocado da melhor maneira possível dentro daquele universo: sai a entidade alienígena incorporadora, entram os bloqueios psíquicos que Xavier implantou em Jean ainda jovem, com o intuito de protegê-la e aos demais de tamanho poder. Decisão necessária ou arbitrária? Xavier excedeu em sua prepotência e privou Jean de escolher seu próprio destino? A interessante questão foi levantada e, após uma ótima cena de discussão com Wolverine, só pude lembrar do Professor X autoritário e (supostamente) manipulador da versão ultimate.

Desde que a sinopse foi divulgada oficialmente, não fiquei muito empolgado com a premissa envolvendo a cura para a mutação. Sendo um admirador das HQs, vejo a principal característica dos mutantes como uma força irreprimível da natureza, um processo evolutivo inevitável. Mesmo assim, fui surpreendido pela funcionalidade de tal artifício. Serviu tanto para forjar uma bela introdução para Warren Worthington III, o Anjo, quanto para garantir seu futuro frente às Indústrias Worthington (mais precisamente, após usar sua mutação para salvar a vida do pai xenófobo). Além, é claro, de justificar a visível relutância em certas cenas que, teoricamente, fariam desta produção o capítulo mais "Jim Lee" da franquia.


"Don't you know who I am? I'm Juggernaut, bitch!"


Pelo que se vê na telona, o orçamento de - dizem - 150 milhões de doletas não pareceram suficientes. Para conhecedores dos quadrinhos então, é algo latente. Será que o Universo X é assim tão caro? Tudo bem, alguns momentos são mesmo de dilatar a pupila na tentativa de assimilar tudo o que está se passando. A antológica seqüência em que Magnus manipula a ponte é a principal delas - poucas vezes uma cena fez tanta justiça à sentença "isto é quadrinhos puro!" Ao mesmo tempo, vemos um Colossus (Daniel Cudmore) sem qualquer função prática, apesar da boa caracterização visual. A coisa chega a resvalar em pura displicência, quando o personagem, em sua forma metalizada, distribui porrada a granel em mutantes peso-pena, desconsiderando totalmente o seu elevadíssimo nível de força. O que nos leva ao juggernaut Fanático (Vinnie fuckin' Jones, man... e sem sotaque!), felizmente aqui, com a finesse de sempre. Pra começar, não há qualquer treta entre ele e o mutante russo. É um crime reunir estes dois num filme e não agitar aquele vale-tudo de trincar placa tectônica. Temos de nos contentar com um baculejo divertidíssimo entre o imparável Juggy e o "nanico" Wolverine na residência dos Grey. Mas é tudo tão breve que chega a ser crueldade com o espectador.

Outro flagrante do capital de giro fantasma é a ausência do Efeito Fênix, marca registrada da personagem. Mesmo assim, a sugestão visual empregada para ilustrar o incomensurável poder de Jean é de arrepiar - algo indomável, invisível, aterrorizante. Mas, sem dúvida, o imenso pássaro de fogo tragando tudo à sua volta fez falta... Não foi desta vez que a belíssima e aterradora visão de Chris Claremont/John Byrne ganhou vida nas telonas. Já a aguardada briga de torcida mutante, embora funcional na narrativa, ficou aquém do esperado. Mas nesse ponto, sou compreensivo. Se até nas HQs é raro um super-pancadão coletivo realmente empolgante, quem dirá a execução disso em live-action. Talvez no dia em que chamarem o George Pérez pra fazer o story-board de algumas cenas...


O roteiro, de Zak Penn e Simon Kinberg, pouco arrisca no que tange à interação entre os personagens. Neste sentido, é um tanto burocrático. Quando se solta um pouco, consegue um bom resultado. Um bom exemplo é a hilária troca de "gentilezas" entre Wolverine e Fera (Kelsey Grammer, o Frasier, arrebentando), aqui um representante da comunidade mutante no Orkut... digo, no Congresso norte-americano. Falando em Grammer, ele protagoniza uma cena sensacional, quando experimenta a sensação de parecer um homo-sapiens. Apenas com o olhar, ele transmite um misto de alívio, realização, melancolia e culpa. Naquele momento, ele poderia largar tudo pelo que lutava e acreditava. Tocante. Deus abençoe os bons atores. Outra sacada interessante foi a "quebra de contrato" entre Magneto e Mística (Rebecca Romijn-Dogg... não custa nada sonhar) - o que finalmente confere à fascinante azulzinha o caráter dúbio e individualista que ela tem nas HQs. Já a deslocada Vampira (Anna Paquin) ganhou o status de coadjuvante, enquanto o Homem de Gelo ("homem" o caramba, é o guri Shawn Ashmore) passou a ciscar no terreiro de Kitty Pryde (a bezerrinha Ellen Page), que, além de se tornar intangível, também tem o poder de ficar mais nova a cada episódio. Eu diria que o Iceman deu uma de papa-anjo ali, mas ia pegar mal pro Warren.

Como sempre, muitos criticarão o aparente descaso com o personagem Ciclope (James Marsden), ainda que esteja em concordância com sua relevância nos filmes anteriores. Já está na hora de aceitar que a dinâmica de uma adaptação não tem de ser, necessariamente, a mesma do material de origem. O que aconteceu foi apenas sintomático. Apesar de admirar o trabalho do Marsden (confira o filme 24º Dia), vejo a opção do roteiro como algo que pode render bastante no futuro. O mesmo se pode dizer do destino de dois outros personagens (ainda que, no caso da Jean Grey/Fênix Negra, a simples aproximação do mutante Jimmy "Sanguessuga" fosse uma medida menos extrema). Quanto ao que acontece com Xavier, achei ousado e muito bem tramado. Gostei bastante, tanto pela circunstância de quebrar o encosto da poltrona quanto pelo genial subterfúgio pós-créditos - além da esperta referência à "fase Shiar" do Professor X.

X-Men 3 é caótico, no bom e no mau sentido. Não tem o charme e a espirituosidade do primeiro filme, nem o esmero técnico e a força dramática do segundo, mas é corajoso, eficiente e, acima de tudo, fiel ao background estabelecido. Amarrou todas as pendengas sinistramente levantadas pelos dois anteriores e apontou novos rumos para os que virão - e com certeza virão. Com a 4ª abertura mais rentável de todos os tempos, já posso até ouvir o "snikt" dos executivos ecoando pelos corredores da Fox.

Que tal uns Sentinelas de verdade da próxima vez?



BLUE SIDE OF THE MOON


O Vigia Uatu tem novos vizinhos... Área Azul - Observatório de Quadrinhos, Filmes & Cultura Pop é um espaço mantido pelo renegado Vigia Aron (alcunha dividida pelo Fivo, JP Volley e este humilde arauto), com a finalidade de promover discussões sobre a nossa tão amada cultura pop e, principalmente, repensar questões acerca da 9º Arte. A proposta é bastante segmentada (levando-se em consideração que o próprio BZ já é um lance segmentado), mas o intuito é justamente este: oferecer uma opção de debate para quem procura algo mais instigante que a superficialidade habitual.

A Área Azul já está visível no horizonte. Confira... e dê a sua opinião.

sexta-feira, 17 de setembro de 2004

O MONSTRO DE DOGGENSTEIN


Dr. Doggenstein, meus caros. Esse é o meu epíteto agora. Há muitas eras passadas (ano passado), eu vivia no auge de meu afã scânico (não satânico, de adorador do capeta, e sim scânico, de scanner, aquela maquininha que a entidade Eudes/OutZ e o Immateria popularizaram - falando nisso, vocês deviam cobrar royalties das fábricas de scanners... aposto que eles venderam muito naquela fase, só por conta de vocês). Na época, eu me sentia o próprio Galactus, devorando sem dó o retorno de capital das careiras editoras de quadrinhos.


Esse sentimento era reforçado também por dois fatores. Primeiro, mais óbvio, era o prazer de compartilhar com outras pessoas alguma obra que eu achava bacana. Me lembrava de quando eu "descobria" uma banda legal e apresentava pros meus amigos, emprestava o CD e tudo (muitas vezes eu nem via mais o CD!).

Segundo, e mais motivador, era disponibilizar essas HQs pra quem não mora no eixão RJ/SP. Pra quem mora aí, eu só digo uma coisa: o Brasil tem a maior periferia do planeta. É assim mesmo que somos tratados pela mídia e, talvez por conseqüência disso, sofremos certos "embargos". Quando falamos em produtos de 3ª necessidade então... Distribuição setorizada é o novo nome que inventaram para "exclusão". RdA encadernado, por exemplo, não deu nem sinal de chegar por aqui. O detalhe é que eu já tive acesso ao seu conteúdo - inclusive as páginas inéditas - há muito tempo atrás, num feliz download no Rapadura Açucarada. Esse é o tipo da motivação que cairia bem em qualquer origem de super-herói.


Mas voltando ao assunto, se eu era o todo-poderoso Galactus, não demorou muito e logo fui apresentado ao Nulificador Total: meu scanner dançou. Por uma razão cósmica inexplicável até para o Vigia, meu scanner (que sempre teve tratamento de rei), começou a apresentar fortes tons azulados nas imagens. Como eu jamais poderia colocar no ar um scan meia-boca (é a mesma coisa que colocar um daqueles odiosos MP3 corrompidos), resolvi seguir adiante, sem o meu "parceiro" de blog. Aí, eu já me senti o Steve Rogers, depois que o Bucky bateu as botas ("Bbb", hehe).


Inspirado pelas recentes explosões scânicas do Alcofa (o cara tá escaneando até o cachorro de estimação) e do Luwig X (ainda tô me acostumando com esse nick... e que puta HQ melancólica aquela da Diana, hein?), resolvi dar uma última chance ao meu velho Genius Color Page Vivid III. A mesma coisa. Liguei o foda-se, peguei as minhas chavinhas Phillips e abri o ex-Galactus. Desconectei tudo, limpei a poeira, tirei o vidro e mandei ver no álcool isopropílico. Usei o cabo de conexão do meu velho Zip Driver (o famoso Darkseid!), reconectei tudo, fechei e liguei no CPU. Depois dessa, eu poderia montar uma banda punk com um pé nas costas.

Pra minha surpresa, as imagens melhoraram uns 70% em definição. Não o suficiente para satisfazer o meu perfeccionismo, mas suficiente para um resultado no mínimo apresentável. Resolvi fazer um teste, aproveitando o meu mais novo hobby: varrer sebos atrás das velhas edições de Superaventuras Marvel.


SAM #79, traz uma puta história do Matt Murdock, da memorável fase Ann Nocenti/John Romita Jr. O texto estiloso de Ann não envelheceu nem um pouco, mesmo tendo essa história mais de dez anos. E Romita filho - acho que serei criticado agora - estava em sua melhor fase, disparado. Não há uso de violência desnecessária (mesmo porquê, o universo do Matt é mais do que isso), e o DD é retratado aqui da forma mais realística possível. Matt está prestando assistência jurídica beneficente, e investiga uma provável quadrilha de terroristas, ao mesmo tempo em que enfrenta problemas legais que podem levá-lo à cadeia. Destaque para Bullet, um brutamontes "com personalidade" (igualzinho ao James Gandolfini, de Família Soprano) e para o filho dele, Lance, um guri fanático pela possibilidade de uma guerra nuclear (!).


Essa edição traz também uma aventura bem meia-boca com o Homem-Aranha, Wanda e o Visão enfrentando o mago Necrodamus (um dos vilões mais toscos que já vi). História fraca e envelhecida, mas que vale pelo quebra entre o Parker e o andróide comedor de feiticeiras. :P

Pra fechar, uma aventura bem legal do Frank Castle. Escrita por Mike Baron e com o traço de Klaus Janson, a história traz um Justiceiro à paisana desmantelando a célula de uma rede internacional de tráfico de drogas. Destaque para a seqüência em que ele é torturado e vira o jogo, ao melhor estilo Jack Bauer, de 24 Hs.

00 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61

Reup do arquivo cbr (mesmo scan da época) - 06/09/2017

SAM #80 traz a conclusão nada maniqueísta do episódio anterior, com o dedão do famigerado Wilson Fisk dando o ar da graça (como sempre). Matt está passando por um momento muito difícil em sua carreira, tanto de advogado, quanto de vigilante. Aqui ele encara novamente o paredão Bullet, e conclui que não chega nem aos pés do cara em termos de força física. Essa luta lembra bastante as antigas pelejas do Matt com o Rei do Crime, fase Frank Miller.


Em Bolívia, Frank Castle segue a rota do narcotráfico internacional até o topo do cadeia alimentar. Acaba se reencontrando com um velho "amigo" da Guerra do Vietnã: general Trahn. Eficiente história, que só seria perfeita se o título fosse "Colômbia". :D

SAM #80 ainda trazia uma aventura com um personagem que eu abomino: Longshot. A história, chamada Eu Quero Morrer, é tão ruim, mas tão ruim, que não tive a menor vontade de escanear. Argumento fraquíssimo (de Ann Nocenti), pessimamente ilustrado por Arthur Adams e colorido nas coxas pelo Estúdio Artecômix. Longshot (a "Estrela da Sorte") e um pai de família fracassado tentam assaltar uma companhia de luz, porque "a conta estava muito alta" (hhmm... até que faz sentido). Se alguém quiser conferir, por alguma curiosidade mórbida ou mero gosto pelo trash extremo, é só me escrever que eu publico.

00 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41

Reup do arquivo cbr (mesmo scan da época) - 06/09/2017


BRIGA DE CACHORRO GRANDE


Na rebarba, resolvi mandar duas Marvel 99 também. As edições #08 e #09 são particularmente especiais por mostrarem um pouco mais do passado do mega-vilão Apocalipse, e por traçarem um interessante paralelo entre as motivações dele e do Hulk. Sem contar o quebra-pau titânico entre o Gigante Esmeralda (com a alcunha de Guerra, então um dos cavaleiros do mutante egípcio), Homem-Absorvente e o "imparável" Fanático.

Nessa edição também tem uma aventura sensacional do Deadpool, com participação especialíssima de Mary Tyfoid. A dupla Joe Kelly/Ed McGuinness é uma das melhores dos últimos tempos. A luta de Deadpool e Ânimus e, principalmente, a "luta" com o T-Ray, são hilárias. O estilo da narrativa e do traço lembra muito a recente parceria Peter David/Chris Cross, das últimas aventuras do Capitão Marvel (o Genis, da Casa das Idéias), sempre muito bem-humoradas.

Coisas do formatinho: deixei de fora algumas histórias. Uma delas é a conclusão de O Beijo da Viúva Negra, um thriller de espionagem com Demolidor, Viúva Negra e Vanguard, o "Capitão América soviético". A história tem uma trama até interessante, mas que não funciona isoladamente. Não incluí também uma aventura do Kazar, pois ela segue adiante em outras edições, e a mesma coisa aconteceu com uma história fraquinha dos fraquinhos Thunderbolts.

Não faz sentido colocar arcos pela metade, a menos que alguém os queira mesmo assim. Aí, é dogg-mail na cabeça. Aliás, "dogg-mail" foi a idéia mais tosca que já saiu da minha cabeça... :P


Marvel 99 #08
00 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44
Reup do arquivo cbr (mesmo scan da época) - 06/09/2017


Marvel 99 #09
00 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44


Reup do arquivo cbr (mesmo scan da época) - 06/09/2017

Agora, só mais um favor... me digam se as imagens ficaram aceitáveis ou horríveis. fiquei mexendo tanto nelas que já até perdi a referência... Preciso saber, pois tenho intenção de sacanea... digo, scannear outras revistas também. Ah, e eu hospedei no Photobucket mesmo. Mas um dia isso vai mudar. :P


Post ao som de quase tudo do Ramones. Agora, no momento do publish, está rolando Needles & Pins...

Longa Vida ao RAMONES!

terça-feira, 27 de abril de 2004

A CHAPA TÁ QUENTE NAS HQs!


Parece que as “atuações” de Luke Cage na Marvel MAX, e a tensão sexual constante dos Ultimates ainda estão rendendo alguns frutos. Um dos casos mais famosos foi aquela cena de sexo entre Hank Pym (o Jaqueta Amarela) e sua esposa Janet (a Vespa), na revista Avengers #76. Essa causou o maior bafafá lá fora, rendendo polêmicas sobre liberdade de expressão e distribuição de material proibido para menores. Uma gritaria sem razão, eu diria. Afora o fato de que as aventuras atuais dos Vingadores andam bem fraquinhas, essa cena em particular foi até bem feita, sem tanta apelação. Além do mais, putz... imagina você se miniaturizando e “entrando” em uma Ana Paula Arósio, por exemplo... >:)


Clique e confira a famosa "exploração sexual"

Talvez essa “libertinagem” super-heroística contemporânea tenha começado com o pessoal do The Authority, levados à cabo por Warren Ellis e Mark Millar (em Natividade). Ali, a palavra de ordem era ultra-violência, sexo e incorreção política sem qualquer tabu. Eu diria até que o Authority é um pré-Ultimates (com certeza!), só que com menos amarras editoriais.

O engraçado disso é que a 1ª influência que esses super-heróis realísticos exerceram sobre o universo normal das HQs foi justamente no que diz respeito ao sexo. Fora os já citados, ainda tiveram os casos da nova Viúva Negra (também na MAX), que sabe-se lá como, agüentou um Luke Cage (por trás ainda por cima), o Ciclope, dos X-Men, fazendo a festa com a gostosíssima Emma Frost, a putaria que anda rolando nas novas HQs dos Thundercats (pobre Cheetara), e um dos mais recentes, que foi a Mulher-Hulk recebendo um gigantesco Fanático cheio de amor pra dar. Pelo estado em que o quarto ficou depois da transa, pode-se dizer na boa que foi um sexo super-poderoso! Isso aconteceu na Uncanny X-Men #435, que saiu em fevereiro último. Considerando o “porte” do Cain Marko, acho que só a Mulher-Hulk mesmo pra agüentar.


Clique na cena pra ver mais um "pouco" do Juggy...

Tudo bem, eles bem que poderiam transpor essa influência x-rated das MAX e Ultimates da vida em histórias mais inspiradas, principalmente no caso dos Vingadores, Quarteto Fantástico, LJA e Superman, que andam bem abaixo da média ultimamente.

Mas sabem de uma coisa? Até que já estava na hora dos supers caírem na farra mesmo. Quem acreditaria num Superman hoje, todo puritano e assexuado, ao lado de uma Mulher-Maravilha gostosona e insinuante, sem nunca fazer nada? Ah tá, o Bruce pegou a amazona durante a Era Obsidiana. Só o morcegão mesmo pra honrar a camisa. :P


I was wrong, babe - 29/04
Na verdade, quem liberou a porta dos fundos pro Cage foi a Jessica Jones, da série Alias. Afe.