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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Soldado Invernal sob o comando dos Russos

Anthony e Joe Russo parecem os típicos nerds-alfa. Pelo menos é essa a impressão quando se vê os vários episódios de Community e Arrested Development constantes na ficha dos irmãos cineastas. Que também têm suas porcarias (quem não as tem, não é mesmo?). Sendo assim, eu podia até esperar por certa sobriedade fanboy na direção do novo Capitão América 2: O Soldado Invernal...

O que eu não esperava mesmo era ver um trailer tour-de-force à Michael Mann-dirige-um-Bourne-movie altamente climático e com cara de filmaço às 12 horas.


Só dia desses fui saber que existem firmas especializadas em montar trailers para cinema. Altamente profissional. E frio. Brr. Mas mesmo se os caras que fizeram esse forem os gênios da raça, de algum lugar eles tiraram essas cenas.

E só a do diálogo entre Robert Redford (!) conversando com o Capitão América (!!) já vale o filme em 3D inútil com a pipoca ruim do Cinemark.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Nick Fury: Agent of M.A.L.I.B.U.


Não só as franquias cinematográficas do Marvel Studios são planejadas por fases. Na estreia de Agents of SHIELD, via ABC, a Casa das Ideias também inaugurou uma nova fase em seus planos de dominação (midiática) mundial. Com a série, a Marvel fará o sentido inverso da estratégia da Distinta Concorrente: se lançar à TV embalada por uma trajetória pra lá de rentável no cinema. O novo projeto retoma o mesmo núcleo de personagens que a Marvel fracassou retumbantemente em engatar nas telinhas a exatos 15 anos atrás, em Nick Fury: Agente da S.H.I.E.L.D. (Nick Fury: Agent of S.H.I.E.L.D., 1998).

Uma bela ironia do Dr. Destino que certamente merece uma Operação Resgate®.

O piloto foi exibido pela Fox numa época em que não haviam quaisquer dos parâmetros estéticos e conceituais que temos hoje no segmento cinema/super-heróis. Blade, talvez o primeiro filme "super" contemporâneo a trabalhar o gênero com seriedade e estilo, só seria lançado alguns meses depois. O influente Matrix, só dali a 1 ano. X-Men de Bryan Singer, dali a dois. Batman Begins ainda nem sonhava em existir. Em suma, um cenário inóspito e radicalmente diferente de tudo o que temos hoje.

Pra piorar, as vibrações camp de Batman & Robin, lançado apenas 1 ano antes, ainda ecoavam fortes pelas salas de cinema e comic shops.

Esse período de entressafra também se estendia aos seriados daquele finzinho de século. A lua-de-mel do público sci-fi com Arquivo X já havia acabado e o formato estava flagrantemente defasado - algo que só viria a se recuperar com alguma qualidade na virada para os anos 2000.

Nesse contexto de adversidades e descrédito, é seguro dizer que foi uma missão suicida, daquele tipo que sempre é lembrada por agentes veteranos para assustar os novatos. Difícil acreditar que o staff da Marvel conseguiu convencer os executivos da toda-poderosa 20th Century Fox a bancar a aventura.

Não duvidaria que muitos acordos paralelos surgiram na ocasião, especialmente envolvendo os direitos para o cinema de alguns mutantes e de um certo quarteto.


Com a internet ainda engatinhando na cultura pop e a maioria das novidades da TV e do cinema relegadas à revistas especializadas, qual não foi a minha surpresa em ver o VHS de Nick Fury figurando entre os lançamentos das locadoras. E com o David Hasselhoff no papel, um dos canastrões que eu mais assistia quando guri, em A Super Máquina - e depois, não tão guri, em SOS Malibu (bom, não era ele quem eu assistia...).

Mas verdade seja dita, fisicamente, ele ficou muito parecido com o carrancudo diretor da SHIELD. Não o gangsta Fury, feito à imagem e semelhança de Samuel L. Jackson, mas o Fury original. Aquele mix de James Bond com Sargento Rock concebido por Stan Lee e Jack Kirby e posteriormente elevado à l'état de l'art pelo megalomaníaco Jim Steranko.

Essa primeira impressão ligeiramente positiva não durou muito. Nick Fury: Agente da S.H.I.E.L.D. era um made for TV com tudo o que tinha direito: produção a toque-de-caixa, efeitos dos anos 1970, trama ridícula, direção de jardim de infância e presepadas em geral. Como o tempo é um traidor de percepções, eu imaginava se havia sido duro demais com o filme ou até mesmo se ele envelheceu melhor do que o esperado - o que é algo meio idiota de se pensar, mas que até faz sentido quando se tem alguma afinidade com as tosqueiras B que a vida nos traz. Se algo ficou melhor no filme, com certeza vai depender do senso de humor do espectador.

A história foi escrita pelo onipresente David S. Goyer. Mas poderia ser de algumas páginas que Jeph Loeb descartou do roteiro de Comando para Matar, tal a profusão de ideias jeniais, diálogos bisonhos e frases de (d)efeito.

No início do filme, vemos uma infiltração numa base da SHIELD - só para registro, Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão em português, Strategic Hazard Intervention, Espionage and Logistics Directorate nos quadrinhos atuais e Strategic Homeland Intervention, Enforcement and Logistics Division no filme. Ufa. A ficha cai quando o espião entra num setor chamado Cryogenics Section, que, certamente, serviria como uma espécie de fonte de supervilões projetado pelos produtores.

O que não é de todo uma má ideia. Uma fonte de matéria-prima para eventuais episódios "monstro-da-semana" sempre foi um dos recursos mais utilizados por séries de TV. De Arquivo X e Sobrenatural até Fringe, todos tiveram os seus.

E o arqui-inimigo da vez era realmente o 1º arqui-inimigo da SHIELD.


"Olá, velho bastardo..."

O Barão Wolfgang von Strucker foi o líder da organização terrorista HYDRA. Por que ele é mantido em permanente estado de sorvete nazi não se sabe, já que o filme não faz nenhuma menção a isso.

Mas a intenção e a procedência do agente infiltrado ficam bastante claros, ainda que o agente Clay Quartermain (lembra dele?) não se dê conta disso e apareça de surpresa para um descontraído papo de cafezinho.


BLAM! (onomatopéia aqui)

Pelo visto o papo não descontraiu e Quartermain leva um pipoco nos rins.

Vale observar que nos quadrinhos, Quartermain sempre foi um tipo pomposo e arrogante, mas aqui o ator Adrian G. Griffiths parece ter composto o personagem se inspirando no Chet, o irmão mais velho do Wyatt de Mulher Nota 1000. Ele parece um bully sociopata que realmente merece levar um tiro.

E queria muito encenar uma morte num filme, já que supervaloriza a coisa e demora uns 5 minutos para finalmente desabar no chão.


"Yippee-ki-yay, motherfuckeeeeer!"

Mas não tão rápido! Enquanto o resto da base é neutralizada por um ataque a gás, Chet Quartermain sobrevive e encontra uma máscara pra se proteger.

E depois se dirige heroicamente ao encontro dos invasores...


"Perigosa, êêêê... ela é perigosa... êêêê..."

...apenas para levar uma saraivada de tiros de AR-15 e AK-47 por todo o tórax, mostrando que esqueceu qualquer treinamento envolvendo pontos cegos e autopreservação durante um tiroteio.

Como a dona Morte devia estar dando uns amassos com o Thanos àquela altura, inexplicavelmente Quartermain ainda sobrevive para levar uma bicuda nas costelas e descobrir quem é sua algoz, que deixa um recadinho malcriado para Nick Fury na microcâmera do agente.

"A vingança será minha", diz ela.

Atenção na loira.

Ela é a filha do Barão Strucker, Andrea von Strucker, a vilã da trama. No filme ela usa o codinome Viper, num caso de flagrante apropriação indébita. Nos quadrinhos, Viper é Ophelia Sarkissian, anteriormente conhecida como Madame Hydra. Aquela, das volumosas madeixas verdes. E Andrea, juntamente com o irmão gêmeo Andreas, tem o codinome Fenris. Vai saber porque inverteram a coisa toda. Mas isso é o de menos...

Andrea é interpretada pela suíça Sandra Hess, que, apesar de bonita (foi a Sonya Blade até), é a responsável por boa parte da ruindade deste filme. É uma das atrizes mais canastronas que já vi exercendo a profissão. Não vejo nada igual desde Cinderela Baiana. Com muita boa vontade, daria pra elencá-la no cast do seriado do Batman dos anos 60. E mesmo assim correríamos o risco de um ataque de pelanca por parte de Adam West e Burt Ward.

Se a intenção dela foi soar forçada, histriônica e incrivelmente poser, parabéns. Missão cumprida e com louvor.

Mas voltando...

Mediante à invasão da base, ao roubo do corpo do Barão e aos seguidos assassinatos do agente Quartermain, a solução foi recorrer a um veterano-aposentado-brucutu-fodão.

Aquilo que comentei sobre Comando para Matar...


"Será que é ele mesmo nessa caverna? O famoso Nick Fur..."


"Deixa pra lá"

O ex-soldado John Rambo participava de sangrentas lutas com bastões na Tailândia. O ex-coronel John Matrix cortava sequóias para abastecer sua lareira. Já Nicholas Joseph Fury curte a aposentadoria trabalhando 23 horas por dia numa mina abandonada.

Sol, cerveja gelada e bem-alimentadas garotas de biquíni são para fracos!

Quem faz o contato inicial é o novato Goodwin Pierce, papel do ator Neil Roberts. O agente é o alívio cômico da história e não só é chatinho, como de fato lembra muito Ramon, o infame "pool guy" de Seinfeld. Deve ser primo.

Obviamente, ele não consegue despertar o menor interesse no atarefado Fury, que tem sua cota de dissabores com a velha organização. Mas nada tudo é tão ruim que uma abordagem correta não conserte.


"Eita!"


A expressão de fracasso do aspira é comovente

Essa é Contessa Valentina de Allegro Fontaine. "Val" para os íntimos. Personificada pela Lisa Rinna e seus lábios abnormalmente carnudos e entorpecivelmente convidativos.

Infelizmente, ela não comparece paramentada como nos quadrinhos...


...mas vemos la doce Rinna correndo pra lá e pra cá com um uniforme de couro justinho e fazendo biquinho de mean girl. Também sabemos aí que ela já foi território de Nick.

Val informa a Fury que abotoaram o paletó de seu velho chapa Quartermain, concluindo com um diálogo badass tão clichê que ficou até bacana:

Val: "Soou como se tivessem te mandado uma mensagem" 
Fury: "Parece que ouvi!"

Daí pra Fury tirar a poeira do seu distintivo e ir para o helicarrier é um pulo.


O famoso porta-aviões aéreo não ficou tão tosco quanto se poderia supor, logicamente descontado o CGI primário do orçamento disponível. O curioso é que mesmo com a fachada de alta tecnologia, a estética e o visual interno da nave é de um antigo encouraçado, com porões, portas de escotilha e afins. De uma maneira um pouco melancólica, me recordou dos saudosos tempos de Space Battleship Yamato.

Já a bordo, Fury reencontra velhos amigos dos tempos de Guerra Fria, como o Dr. Gabriel Jones (Ron Canada) e o bonachão modafócka Timothy "Dum Dum" Dugan (Garry Chalk).

Quer dizer, "bonachão modafócka" nos quadrinhos...


No filme ele parece meu professor de matemática do 2º ano.

Na sequência, Fury faz um breve tour para se atualizar e logo flerta com o estilo Dredd de ser: conhece uma agente telepata - Kate (Tracy Waterhouse), a única personagem dotada de algum superpoder no filme - e ganha uma pistola configurada com sua assinatura térmica (quem tentar dispará-la ficará eunuco). Muito sutil.

Mas Fury se espanta mesmo com a última novidade da SHIELD: os replicantes LMDs (Life Model Decoys). Inclusive havia um quase pronto e personalizado com a fuça do caolho.


"Now that's a scary shit!"

Todos nós já sabemos onde isso vai dar (shame on you, Goyer!). Mas o crédito tem que ser dado. Esses replicantes não apenas existem nas HQs como fazem parte dos recursos jurássicos da SHIELD criados originalmente pelo dynamic duo Lee & Kirby.

Enquanto isso, Andrea e Andreas planejam os toques finais de sua vingança. A ternura e o afeto entre os irmãos remete ao Pietro e à Wanda do universo Ultimate.


Mas trabalho é trabalho e Andrea aproveita pra dar uma prensa nas cabeças da HYDRA instaladas no Cairo, Londres, Praga e Osaka. À toa, diga-se, já que eles não aparecem mais depois disso.

Em seguida, os heróis seguem uma pista até Berlim. Lá, encontram a agente alemã mais estereotipadamente noir que a produção conseguiu fazer. Juntos, enfrentam alguma resistência até prenderem e interrogarem o infame Arnim Zola, gênio geneticista da HYDRA, que não é o Toby Jones, nem tem a cabeça no meio do tronco. Aqui ele é só um velhinho muito encarquilhado em uma cadeira de rodas.


Teimoso, Zola se recusa a dar pistas sobre o paradeiro de Andrea. Kate então tenta ler a mente do sujeito e não gosta nem um pouco do que vê: trechos de antigos documentários sobre a 2ª Guerra e filmagens de arquivo de testes nucleares que até a minha avó tá careca de assistir, revelando que Zola é um ávido espectador da TV Cultura.

E não para por aí: Zola fez um condicionamento cerebral que o protege contra hackeadas mentais e ejeta os invasores de sua cachola embolorada. Ok, isso foi bem legal.

Não muito longe dali, Nick acha que é seu dia sorte e que está prestes a pegar uma gata pomerana do serviço secreto. Contudo, ele é traído e, através de um beijo, envenenado com uma toxina de rã (é sério!).

Pra piorar, ele descobre que a loirinha na verdade é...


"Oh, shit... Andrea?! Continua!!"

De volta ao QG voador, Nick é informado que só tem até o fim do filme pra encontrar um antídoto, prender os bandidos, dar umazinha com a Val e ainda conseguir fechar com a Fox a produção de uma temporada inteira disso aí.

De repente, surge um andróide-clone do atual diretor da SHIELD, que é um baita pé-no-saco. Talvez por isso que é prontamente recebido a bala por Fury.

Nesse momento me ocorre duas coisas.



1) Esse Nick pode não ser gangsta, mas atira igual a um mano!

2) Como diabos o andróide chegou ao porta-aviões aéreo pairando a quilômetros de altura?

Isso permanecerá um mistério para a posteridade, mas o fato é que ele traz um SMS ameaçador de Andrea.


A HYDRA irá atacar New York com mísseis contendo o supervírus Death's Head, a menos que sejam depositados 1 bilhão de clintons em suas contas nas Ilhas Maluf.

Mas o pior ela deixa pro final, na forma de um trocadilho ultra-infame vindo direto da mente prevelejeada de Goyer:

"Against HYDRA, there's no shield!" (escudo)

Urgh.

Tem início então uma corrida desesperada dos mocinhos em busca dos terroristas. Fury, Goodwin e Kate vão ao encalço de Andrea, enquanto Val lidera uma equipe tática para vaculhar a Big Apple atrás dos mísseis.

Nesse ponto desperta um certo déjà vu.


O cerco a um furgão parado num beco, Val reportando à base em tempo real, a arriscada missão de desativar uma arma de destruição em massa no centro de uma metrópole, o clima de tensão no ar...

Caramba... 24 Horas puro! Quase dá pra ver o Jack Bauer ali falando "Dammit Chloe, we're running out of time!".

Faltou só o... o...

Peraí... Curtis?


 Curtis, é você mesmo, meu filho?



Curtis!!

Confesso que foi uma grata surpresa rever o Curtis Manning - aqui creditado apenas como "Shield Agent #1" - chutando bundas terroristas novamente. Ou melhor, anteriormente, visto que o agente Bauer só começou a interrogar pobres almas em 2001.

Como a vida de herói não é fácil, o furgão era uma pista falsa. A carga na verdade estava sendo transportada num caminhão de lixo.


Por sinal, o caminhão de lixo mais suspeito da história da espionagem.

Só o naipe do motorista já derruba qualquer disfarce.


Um pequeno adendo aqui... Andrea é assessorada por um time de lacaios idênticos, algo robóticos, de terno, gravata, óculos escuros, parecendo agentes M.I.B. albinos.

A trama nunca revela qual a natureza desses drones esquizóides, tampouco se formam a guarda de elite pessoal da vilã. No filme, a HYDRA conta com vários tipos de mão-de-obra especializada em suas fileiras (espiões, técnicos, cientistas, soldados, etc.), o que os deixa muito redundantes no quadro geral.

Nos quadrinhos, a força de trabalho da HYDRA é só um exército de stunts com uniforme verde e pronto. Menos é mais.

Mas voltando... por incrível que pareça, os vilões atravessam a cidade numa boa e estabelecem a base num cais abandonado (onde mais?). Lá, os mísseis da HYDRA são ativados, configurados, preparados...




E apontados para...


Oh, man.

Lembrando que, em 1998, essa não era uma possibilidade nem um pouco plausível. E que outros filmes também já exploraram a ideia de forma ainda mais incisiva. Mas que deu um frio na espinha, isso com certeza.

Sem muita dificuldade, Val consegue encontrar o covil e enfiar um balaço na cabeça do Andreas, mas o ataque ainda é iminente, já que os mísseis foram programados e a contagem regressiva já começou.

Impressionante como preferem esperar pelo Nick ao invés de removerem a plataforma inteira dali, evacuarem as torres ou chamarem o esquadrão anti-bombas.

No outro front, os mocinhos caem numa cilada e são capturados por Andrea, já testando o figurino que usará em seu aguardado ensaio para a Penthouse.


Fury não tira um olho

Após uma fuga mirabolante do calabouço, onde Fury literalmente arranca um C4 na cavidade ocular baldia atrás de seu tapa-olho (desafio qualquer um a não rolar de rir com a cena), os heróis travam uma batalha épica contra o time HYDRA.

O primeiro a rodar é Arnim Zola, que tenta atirar em Fury com a arma dele...


...e fica eunuco no processo. Não que vá fazer falta.

Tem início então um mano a mano entre Fury e Andrea, em que ele consegue perder no braço pra magrela. A vilã termina o serviço crivando de balas o veterano agente, cujo corpo se estabaca no chão, sem vida.

E é aí que vem uma das cenas mais sensacionais do filme.


"Ahahahah, se fodeu Bátema... digo, Fury. Se fodeu, se fod... hã?"


"Não fui eu quem morreu, sua putinha relaxada, foi meu clone eunuco!"

Depois dessa, Andrea manda tudo à merda. Ela é presa, o antídoto que existe em seu sangue é recolhido e os códigos para o desarme dos mísseis são extraídos de sua mente à fórceps.

O dia está salvo!

Mas a filha do Barão é guerreira. Consegue se libertar das algemas (?), driblar todo o contingente da S.H.I.E.L.D. que abarrotava seu QG naquele momento e fugir com o corpo criogenizado do papai Strucker.

E ainda joga beijinho.


"Tchau, seu corno manso, a gente se vê na Batcaverna!"

Com tudo resolvido, Fury finalmente acerta as velhas pendências com a S.H.I.E.L.D., retoma seu lugar na cadeia de comando e ainda arma aquela bimbadinha exxxperta com a Val.

Isso não vemos, mas somos brindados com um lindo final romântico com direito à pôr-do-sol visto do helicarrier...


Droga.

Mas espere. Isso é um filme pra TV. E também um piloto. Tem que reforçar a continuidade.

Ou seja...


Castelo sinistro, check. 


Vilã ressurgindo das sombras ostentando um enorme camel toe... check. 


Barão Strucker voltando aos negócios, check. 


Mais demonstração de carinho familiar WTF, check. 


HUAHEUEHUAEUHAUE vilânico... check! ✓✓✓✓✓✓✓✓✓

E esse foi o epílogo feito especificamente para dar base aos vindouros episódios... que nunca vieram.

É claro que não dá pra esperar nada muito louvável de Nick Fury: Agente da S.H.I.E.L.D.. Mas se o espectador casual se aventurar no filme com isso em mente, é provavel que saia recompensado no final das contas. Com certeza, o filme oferece bem mais risos e diversão involuntários do que a maioria das produções atuais feitas para esse objetivo. E não apenas para quem tem boa tolerância à tosqueira. 

Excetuando se for fanboy de qualquer tipo ou cinéfilo restrito a superproduções sisudas e candidatas a épico. Nesses casos, passe muito longe e fuja, fuja para as montanhas!!

Bom, S.H.I.E.L.D. TV em dia.

Agora deixa eu ver como anda aquela season premiere que eu joguei no uTorrent...


Nick Fury: Agente da S.H.I.E.L.D. ("Nick Fury: Agent of Shield", EUA, 1998), 90 min.
Direção: Rod Hardy
Elenco: David Hasselhoff, Lisa Rinna, Sandra Hess, Neil Roberts, Garry Chalk, Tracy Waterhouse, Tom McBeath, Ron Canada, Peter Haworth

sábado, 30 de julho de 2011

O triunfo da vontade


Capitão América: personagem alegórico de perfil motivacional criado por Joe Simon e Jack Kirby no início de 1941 para a Timely Comics, embrião da Marvel Comics. No final daquele ano complicado, os Estados Unidos entraram oficialmente na 2ª Guerra.

70 anos, inúmeros conflitos e uma ordem mundial inteiramente nova depois, o filme que os recrutas mereciam assistir. O 1º pra valer, vamos combinar. As tentativas anteriores de impor o Capitão sem a substância que faz dele o que ele é não vingaram nem a pipoca - e não me refiro ao soro do supersoldado. Fazer um filme sobre o heroi, com toda sua carga de simbolismos e ideais, é quase como fazer um filme sobre o Tio Sam. Foi aí a grande sacada de Capitão América: O Primeiro Vingador - o filme abraça a causa, por mais ultranacionalista e esdrúxula que ela possa se tornar, mas de maneira esperta, malandra e até autossarrista, sem jamais se render a recalques históricos que quase sempre deixam um gosto melancólico após uma falsa catarse de vingança e redenção.

Não que o roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely seja um Norman Rockwell dos escritos d'antanho, mas alcançou o tom pop ideal para um personagem tão 1940. E sem deixar de fora as boas referências ao seu universo, salpicadas matreiramente durante toda a projeção. O Capitão América, quem diria, funciona e não soa como uma relíquia espalhafatosa da Era de Ouro pedindo aceitação nesses tempos tão cínicos. Considerando que essa era a parte preocupante, pode-se dizer que O Primeiro Vingador é um vencedor.

O problema ficou mesmo em aspectos padrões do filme. Talvez em algum ponto na interação entre a dupla de escribas com o comandante Joe Johnston e o cronograma nada amigável da Marvel Studios.


Primeiro, a parte boa. A ótima caracterização de Steve Rogers foi essencial para a coesão da narrativa, que cruza elementos de gêneros distintos sem a menor sutileza. Mais ainda, consegue estabelecer certa identificação com o espectador (a menos que este tenha assumido apaixonadamente o papel do valentão nos tempos de escola), além de transmitir uma mensagem simples, ingênua e boba até, porém universal: nunca desista de seus sonhos.

Chris Evans pode ter provocado a ira dos fanboys em suas primeiras declarações sobre o papel e certamente sua imagem de garotão à Ryan Reynolds não podia soar mais deslocada para a função. Mas quem o viu em Sunshine: Alerta Solar já conhecia seu potencial, apesar do ceticismo da maioria - olha a metáfora saltando das telas e invadindo o mundo real aí.

Evans, com toda a pinta de rei do baile e capitão do time, quem diria, rendeu uma boa mistura entre Peter Parker e a parábola do sapo surdo. Ou um Petey mordido por um sapo surdo radioativo, sei lá.

Não posso opinar tanto sobre a esqueletização digital do sujeito, já que o 3D desse filme parece ter sido convertido no fundo de quintal mais vagabundo da Santa Efigênia. Pelo que vi, pareceu convincente. Esse primeiro terço pré-Capitão foi justamente a parte que mais me agradou no filme, com um show à parte da produção de época e o clima nostálgico das ruas reeditando a atmosfera na qual o personagem nasceu - antes mesmo de ser o grandioso Capitão América, o pequeno Steve Rogers já era o sal daquela terra.

O Roger Ebert cantou a bola direitinho: Steve era só mais um garoto que queria ser como Charles Atlas e usar aquele poder não apenas para espancar "bullies" ou ganhar garotas, mas em favor da melhor causa de todas: ser americano.


Inicialmente achei que a ausência de suásticas e nazis afastaria o personagem de sua raison d'être. Felizmente, substituir os tradicionais chucrutes pela Hydra e todas as suas possibilidades ficcionais se mostrou bastante acertado, mesmo sem qualquer menção ao Barão von Strucker, à Madame Hydra e outros notáveis. Hugo Weaving, como sempre, impecável como o infame Caveira Vermelha. E isso inclui seu sotaque macarrônico e uma canastrice tal que só é possível pra quem está se divertindo a valer em frente às câmeras.

Toby Jones, pelo que conheço de seus trabalhos, parece ator de um papel só. Se for assim, foi a escolha perfeita para o Dr. Arnim Zola - cuja primeira aparição no filme foi uma referência impagável que provavelmente só os leitores dos quadrinhos vão pescar.

Do lado dos herois, um bom núcleo de atores e um naipe interessante de personagens dos quadrinhos, embora um tanto quanto subaproveitados. Os destaques vão para a bela inglesa Hayley Atwell no papel da agente Peggy Carter (interesse romântico de Steve), o grande Stanley Tucci conferindo um tom sereno, terno e quase paternal ao Dr. Abraham Erskine, Dominic Cooper personificando um Howard Stark que, além do bon vivant de praxe, também faz as vezes de Q para o Capitão - e em nada lembra a figura distante e obcecada como foi retratado em Homem de Ferro 2 - e finalmente Sebastian Stan fazendo um bom trabalho no (mais uma vez reescrito) Bucky Barnes.

Tommy Lee Jones está totalmente dispensável no papel do Cel. Chester Phillips, mas vale uns centavos pela rabugice que sempre imprime com um pé nas costas. Quero ser um velhinho igual aquele quando crescer. O chato mesmo foi ver desperdiçado o contingente bacana dos Comandos Selvagens, especialmente Neal McDonough, como o bonachão Dum Dum Dugan.


"America... FUCK YEAH!"

É a segunda vez que Joe Johnston dirige uma aventura sobre um heroi dos quadrinhos lutando contra vilões nazistas. A primeira foi em Rocketeer, há exatos 20 anos atrás, com produção da Disney, hoje dona da Marvel. É uma sincronicidade curiosa e um bom precedente, se tivessem me perguntado. Nessa nova incursão, no entanto, o termo "diretor operário" me veio à mente mais de uma vez durante o filme. Apesar dos bons empréstimos conceituais da versão Ultimate do heroi (Mark Millar é devidamente agradecido nos créditos finais), O Primeiro Vingador perde seguidas chances de fazer a diferença em momentos-chave, se limitando a sequências incrivelmente requentadas.

Há insumos de várias procedências aqui: Luke e Vader duelando numa ponte estreita sobre um abismo, o primeiro salto de Neo de um edifício para o outro, postais do Indy durante a Última Cruzada e até uma perseguição de speeder bikes na lua de Endor - isso pra ficar só nos mais óbvios. O cineasta também podia ter um pouco mais de bom senso na sequência em que o Cap invade sorrateiramente uma base da Hydra levando o "discreto" escudo estampado com a bandeira americana...

Mas o principal ponto negativo é o mesmo que já vem acometendo as produções da Marvel Studios desde Homem de Ferro 2 e que atinge seu auge neste filme: um plot que busca sua autosuficiência mais na presença do heroi e de seu universo do que numa história a ser desenvolvida e (bem) amarrada até a sua conclusão. Nada de tramas paralelas, reviravoltas ou mesmo uma grande missão pela frente. O Cubo Cósmico sequer representou um MacGuffin de respeito - o Capitão mal sabia de sua existência. A edição supercompacta das missões do Capitão com os Comandos e o final abrupto não deixam dúvidas. A exemplo de Thor, a trama aqui foi menos importante que a apresentação do personagem para o filme-evento que será Os Vingadores.

Quem esperava "apenas" um filmaço de ação/aventura passado na 2ª Guerra, como Os Doze Condenados, Desafio das Águias ou Os Canhões de Navarone, morreu na praia da Normandia.

Momento-marvete: o Capitão lutando ficou legal. Mesmo brigando contra dez, quinze adversários (o que ele faz nos gibis num dia fraco), a logística absurda da coisa flui redonda. Na verdade, no filme inteiro só contabilizei 1 soldado inimigo fazendo hora atrás do Cap, aguardando pacientemente sua vez de levar porrada. Ah, e o escudo de vibranium com efeito bumerangue dual core ricocheteando por aí, nocauteando os bandidos e voltando às mãos do Cap... HQ em movimento.

Jack Kirby teria deixado escapar um sorriso discreto. E Joe Simon, do alto de seus 97 anos (o que é fantástico), deve ter ficado orgulhoso.

Ps: pela primeira vez, esperar por cenas pós-créditos me rendeu alguma info útil. Sempre me perguntei onde andaria o talentoso Rodolfo Damaggio, desenhista, entre outras coisas, do famoso arco onde o Arqueiro Verde se sacrifica para salvar Metrópolis de um avião carregado com uma bomba (olha a sincronicidade aí de novo...). Legal ver o brasileiro figurando entre o staff do Cap. Podia retornar aos quadrinhos tradicionais algum dia.