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sábado, 20 de abril de 2019

O salmo da Wax Trax!

Pra quem foi tomado de assalto por aqueles loucos de Chicago no fim da década de 1980, o trailer de Industrial Accident: The Story of Wax Trax! Records é puro deleite de bad trip boa. E "com simpatia".


Só mesmo um doc longa-metragem para descrever a importância da Wax Trax! para a cena alternativa americana. A loja/gravadora fundada por Jim Nash e Dannie Flesher foi seminal durante a efeverscência do pós-punk, da new wave, da eletrônica e do industrial do início dos anos 80. Seus padrões artísticos, estéticos e comportamentais transgressores e anti-establishment se estenderam muito além da seara musical - e continuam até hoje, ironicamente inseridos até no universo pop, ainda que a esmagadora maioria do público (e dos artistas) sequer se dê conta disso.

Em terra brazilis, onde as informações chegavam com alguns anos de atraso e à conta-gotas, o selo teve até certa exposição. Principalmente através da revista Bizz e das matérias do jornalista André Barcinski, incluídas também em seu livro Barulho: Uma Viagem pelo Underground do Rock Americano.

Meu 1º contato com a Wax Trax! foi justamente pela icônica revista. O marco zero foi a capa do Sepultura circa Arise levando um corta-luz das verdadeiras estrelas da edição: o Ministry. "Massacre eletrônico"? Já me ganhou só pelo conceito - lembrando que, naquela época, Internet só existia em filmes, livros e gibis; e como importar discos era para ricos, o jeito era viver de conceitos.

Depois vieram os artigos da célebre turnê Ministry/Helmet/Sepultura e do lançamento dos clássicos The Mind Is a Terrible Thing to Taste e Psalm 69 em terra, oh, brazilis. Finalmente. E assim meu salário de office-boy foi pro sal numa tacada só.

Houveram outras convergências pelo caminho, mas o trecho da estrada com tijolos de ouro foi esse. Embora sejam mais do que raros, tenho certeza que existem por aí outros brasileirinhos sobreviventes que ainda curtem Ministry, Lard, Revolting Cocks, Pailhead, Chris Connelly, KMFDM, My Life with the Thrill Kill Kult, Laibach, The Young Gods e outras pérolas WaxTraxianas que trilharam um caminho semelhante. Isso se as vicissitudes do dia a dia - também conhecidas como família, filhos, plano de saúde, aluguel, IPVA, etc. - não expurgaram essas lembranças e sensações à fórceps, deixando no lugar só um toquinho útil pagador de contas.

Se for o caso, uma sessão de Industrial Accident poderá reativar alguns neurônios há muito adormecidos e causar um grande estrago no seio familiar...

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Ele está voltando pra casa...


Tensão e expectativa beirando o insuportável aqui.

Também não é pra menos. Halloween é vida. Ou nossas vidas, já citando as sábias palavras de Trent Reznor:
"Estávamos quebrados e marcados, genuinamente com o cu na mão e essa trilha fincada em nossas cabeças. John Carpenter, é culpa sua eu ter me tornado desse jeito."
Idem, menino Reznor, idem.

Sessão da meia-noite logo mais é claro que virá direto de 1978...

domingo, 11 de dezembro de 2011

March of the Immigrant


Parece que o bromance entre David Fincher, Trent Reznor e Atticus Ross vai longe. Junto com o lançamento digital da trilha do filme The Girl with the Dragon Tattoo foi liberado um vídeo com uma inesperada cover de "Immigrant Song", do Led Zeppelin. Os vocais são de Karen O, do Yeah Yeah Yeahs. É provavelmente a melhor versão que já ouvi do clássico zeppeliniano.

A montagem foi feita pelo próprio Fincher e é justamente a intro do filme. Dark, bizarro e assustador. Como convém.

Ps: o que não livra a produção do status de presepada hollywoodiana. Mas se alguém pode tornar esse remake relevante, é o Fincher.