quarta-feira, 8 de maio de 2024

O dia em que o gravador desligou


Steve Albini
(1962 - 2024)

Steve Albini, cara. Se foi o Steve Albini. Aí é pra desanimar de vez mesmo.

Difícil mensurar a sua importância para o som alternativo e até para o rock mainstream do final do século passado. Mal dá pra discernir os dois. E sobre os novos tempos, nunca foi de medir palavras.

Adoro as suas bandas e ex-bandas: o Big Black, o Rapeman (ah, esse nome hoje) e o Shellac – que conquistou seu lugar num ZdO de tempos imemoriais – nunca se ausentaram dos meus monitores e fones por muito tempo. Mas foi o seu lado produtor, ou, como ele gostava de ser chamado, "gravador", que me apresentou a um mundo de maravilhas musicais. E mudou a minha vida.

Surfer Rosa (Pixies), Rid of Me (PJ Harvey) e Tweez (Slint) são clássicos no meu caderninho. Fora tudo em ele que meteu a mão do Jon Spencer Blues Explosion, The Breeders, Zeni Geva, Stinking Lizaveta, The Jesus Lizard, Neurosis e uma carrada de outros. Teve muita porcaria também, claro. E acho tanto o In Utero, do Nirvana, quanto o Walking into Clarksdale, do Jimmy Page & Robert Plant, discos problemáticos, mas, ainda assim, fascinantes exercícios do wall of sound albiniano.

Só divagando. A porrada foi grande.

Albini partiu ontem, trabalhando no estúdio. Apesar de ser uma fera ao vivo, tenho a impressão que ele se foi em seu palco preferido...

4 comentários:

Marcelo Andrade disse...

Caraio de asa!

doggma disse...

E ainda soube por uma notinha de rodapé do UOL.

Jean Cesar Marcelino disse...

Hymn To The Immortal Wind, do MONO, é uma obra-prima, grande trabalho de produção do Albini!

doggma disse...

Sensacionais o Hymn e o You Are There. O Albini e a cena japonesa geralmente rendia, vide o fu-di-do Zeni Geva também.