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terça-feira, 22 de julho de 2025
Ozzy para sempre
Hoje foi escrito o último parágrafo do diário. Se foi o Ozzy Osbourne. Em outros tempos, só voltaria pra casa ébrio e que se foda o dia de amanhã.
Mas o tempo passou irredutível para o Madman – que já faz hora extra desde 1978, pelo menos – e também passou para aquele guri que o conheceu pela transmissão do 1º Rock in Rio. Fiquei assombrado diante da tevê. Nem de longe estava preparado. Outros tempos.
De um modo ou de outro, Ozzy nunca deixou de me assombrar. A prova mais recente foi há duas semanas, no antológico show de despedida dele com o Black Sabbath. Ali, o mundo testemunhou a luta de um homem contra seus limites físicos e neurológicos na base do coração, da raça, da coragem e de uma força de vontade inabalável, quase sobrenatural. Impossível assistir à performance sem se emocionar. Isso fica bem claro, para ele e para o público com olhos marejados, durante uma arrepiante “Mama, I'm Coming Home” – nunca essa balada soou tão pedrada.
O Ozzy, quem diria, dando um exemplo de resiliência diante dos reveses da vida e do mais puro amor às coisas que realmente importam. Louco, ele? Sim e com orgulho.
Thank you, goodnight and God bless you, Ozzy!
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sábado, 5 de julho de 2025
Black Sabbath, mon amour
Já que não e$tamos lá, nada como revisitar o Black Sabbath no auge do peso, malevolência e vitalidade. Performance incendiária de Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward no Olympia Theatre em Paris, em 20 de dezembro de 1970. Heavy, thrash, doom, gothic, stoner, já estava tudo lá. E até hoje não fizeram melhor.
Foi lançado aqui paraguayamente por uma certa Norfolk Filmes (que se dane a procedência duvidosa, são unsung heroes!) e garimpado ao acaso por este escriba num bacião das Americanas. Guardo esse DVD com muito carinho até hoje. Acervo histórico.
Tem no YouTube.
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020
Feliz 50 anos, Black Sabbath!
Não ia passar batido pelo cinquentenário da música, do disco... do início de tudo.
Evocativa e arrepiante até hoje. Game-changing é isso aí.
Evocativa e arrepiante até hoje. Game-changing é isso aí.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
William, William Shatner
Ele foi audaciosamente onde o bom senso jamais esteve.
O eterno Capitão Kirk apenas convidou Zakk Wylde para as gravações de seu novo álbum e... e...
Nos confins do sistema solar, esquadras romulanas batem em retirada.
O eterno Capitão Kirk apenas convidou Zakk Wylde para as gravações de seu novo álbum e... e...
Nos confins do sistema solar, esquadras romulanas batem em retirada.
terça-feira, 16 de novembro de 2010
Tony Iommi Deluxe
Nessa onda de relançamentos deluxe do Black Sabbath (que já cobriu quase toda a era de ouro com o Ozzy e a dobradinha inicial com o Dio), confesso que essas duas edições me surpreenderam. Seventh Star (1986) e The Eternal Idol (1987) pertencem à safra "maldita" do grupo, então sucateado com desmandos de gravadoras, queda de popularidade, turnês caóticas e um entra-e-sai inacreditável em sua line-up. Mesmo sob essas condições adversas, a banda ainda produzia bons registros, sendo o Seventh Star meu favorito dessa fase.
Musicalmente, o grupo se garantia, ao contrário do que pregava a crítica da época - como, por exemplo, o staff "descolado" da Bizz, revista que foi essencial na minha formação musical, mas que não era lá um exemplo de coerência (indie resenhando metal... bah!). Um lugar-comum na imprensa dita alternativa era dizer que o Sabbath oitentista foi decadente, irrelevante, não honrava o legado, etc...
Pura merda de touro.
Obviamente, não era brilhante nem influente como as fases do Madman e de Deus, mas estava longe de ser ruim. O que só fui constatar anos depois, em audições despidas de pré-conceitos e com uma bagagem considerável no lombo. O que há para se levar em conta, aí sim, é o contexto da época.
Entre 1986 e 1990, o Black Sabbath era tão somente o nome fantasia de Tony Iommi. Literalmente. A história é bem conhecida: Seventh Star deveria ser um álbum solo do guitarrista, mas, devido às pressões da gravadora, recebeu o forçado título de "Black Sabbath featuring Tony Iommi". Apesar disso, é um senhor discaço de Tony Iommi com o lendário Glenn Hughes.
Gravações piratas da tour de Seventh Star, mesmo que toscas, sempre foram raridade. Então, qual não foi minha surpresa ao ver que o CD 2 da edição deluxe trazia um show dessa turnê. Mas a alegria durou pouco: quem está nos vocais é Ray Gillen, que substituiu Hughes após infames cinco datas. Gravado em 2 de junho de 1986 no Hammersmith Odeon, em Londres, o CD tem qualidade bootleg de transmissão FM (no que, imagino, ainda deve ter dado um baita trabalho para ser mixado). Vale pela performance energética de Gillen e, principalmente, pelo registro inédito de Danger Zone e da faixa-título ao vivo.
Esse período na história do grupo sempre foi um assunto meio delicado e comentado de maneira evasiva (mesmo no booklet da edição deluxe), provavelmente para preservar o boa-praça Glenn Hughes, que atravessava seu momento mais junkie. Mas, vez ou outra, o normalmente discreto Iommi deixa escapar algumas informações.
Seguem alguns trechos de uma entrevista dele para a Rock Brigade (edição #229, agosto/2005):
RB - Você parece muito feliz por estar trabalhando com Glenn Hughes de novo. Você experimentou essa mesma satisfação na época de Seventh Star?TONY IOMMI - Seventh Star foi um grande problema... A ideia de fazermos algo juntos foi ótima. O disco foi planejado para ter diversos vocalistas, mas, quando ouvi Glenn cantando, decidi que ele deveria cantar todas as músicas. Só que ele estava com sérios problemas relacionados a drogas e isso tornou tudo muito difícil.
(...)
RB - É verdade que, quando Glenn juntou-se ao Black Sabbath, ele queria cantar e tocar baixo?
IOMMI - Sim, é verdade, mas eu o queria apenas como vocalista. E acabou sendo a primeira vez em toda sua carreira que ele subiu num palco sem o baixo. Ou seja, ele acabou se envolvendo numa situação bem complicada. Nem era para ser um disco do Black Sabbath, minha intenção era gravar um álbum solo, mas acabou virando Black Sabbath de novo. Aí, virou uma tour do Black Sabbath e Glenn era o frontman - e sem o baixo! Foi muito, muito difícil. E pelo estado que ele estava naquela época, surpreende que ele conseguisse raciocinar.
(...)
RB - (...) Você já planeja a continuação de seu trabalho com Glenn depois de encerrada a tour?
IOMMI - Eu espero que sim! Ele é um sujeito muito criativo e sempre tem muito entusiasmo pelas coisas, desde que não esteja enfiando droga pelo nariz [risos]. Ele tem se mantido limpo há muitos anos.
RB - Na época de Seventh Star e Headless Cross [de 89], muita gente, especialmente da imprensa, não deu o devido valor a esses álbuns porque você era o único membro da formação original do Black Sabbath. Porém, com o passar dos anos, todo mundo passou a admirá-los. Com isso, você acha que o período que vai de meados dos anos 80 a meados dos 90, afinal, valeu a pena?
IOMMI - Muito estranho, você é a segunda pessoa que me diz isso, alguém me fez essa mesma pergunta ontem! Muito estranho mesmo... Na verdade, tão estranho como naquele show em que Rob Halford acabou substituindo Ozzy e veio pedir para cantar alguma coisa de Headless Cross. Eu fiquei em choque [risos]! Mas é interessante. Acontece isso com o Sabbath, algumas vezes as pessoas só começam a gostar de determinadas músicas muito tempo depois. Mas, na época, foi muito difícil, não tem como negar, sentia que nada do que eu fazia tinha valor. Você só continua porque ama esse negócio e quer seguir adiante. Eu gosto muito de Seventh Star, de Headless Cross e Cross Purposes [de 94] também. Quem sabe daqui a uns cinco anos a gente não faz um show com o Tony Martin [risos]...
(entrevista concedida a Chris Alo; tradução por Antônio Carlos Monteiro)
O CD bônus da edição deluxe de The Eternal Idol também traz uma preciosidade da época, que só havia aparecido em bootlegs até então: as sessões do álbum com os vocais de Ray Gillen, antes da entrada do titular Tony Martin. As faixas estão em versões não-finalizadas, mas com o áudio finalmente recebendo um tratamento digno. Mesmo com a ordem das músicas alterada, é um deleite ouvir e comparar as duas concepções.
Quanto ao trabalho de remasterização dos álbuns, não notei diferenças absurdas ou melhorias técnicas (um pouco do reverber do Seventh Star foi pro espaço). Mas os detalhes dos arranjos certamente ficaram mais cristalinos do que nas versões originais de 25 anos atrás.
quinta-feira, 26 de março de 2009
BLOOD SUGAR SEX MAGIK
Em 2008, os vampiros voltaram com tudo aos meios pop. É bem verdade que o filão dos sanguessugas esteve mais evidência devido ao hit Crepúsculo, mela-cueca teen com gosto de isopor e sem sangue nas veias, com o perdão do trocadilho. Mas quem soube procurar, viu que o fino mesmo foram o sueco Deixe Ela Entrar, um dos meus favoritos do ano passado, e a espirituosa série da HBO, True Blood.
True Blood é baseado na série de livros Sookie Stackhouse, que eu nunca li, e adaptado por Alan Ball, que eu já assisti. Ball é criador da fabulosa e "peculiar" série A Sete Palmos. Por essa prévia experiência, absolutamente anti-ortodoxa para os padrões televisivos, a proposta de uma série vampírica avançou imediatamente centenas de clics no terreno do insólito. Mas até o terceiro ou quarto episódio eu ignorava tudo isso e já tinha até esquecido a série na gaveta do Buffy & quetais. Erro fatal.
Quem me deu o chutão necessário foi o zombie renegado Fivo, que resumiu a premissa espetacularmente aos moldes botequísticos, como convém. Segue abaixo a pérola descritiva, com links que adicionei por pura diversão irracional.
"É uma cidadezinha do interior da Louisiana, com todo o sotaque carregado que vem junto. A Vampira (engraçado como o nome Rogue em português ficou Vampira e a atriz que fez a personagem foi cair logo num filme desses) é uma garota comum que tem o dom de ler mentes e é virgem, pois nunca conseguiu se relacionar com ninguém justamente pq lê suas mentes. Anos antes uma empresa japonesa desenvolveu um sangue sintético que substituiria o sangue humano, então os vampiros saíram do armário, deram as caras, tentam viver em harmonia com os humanos e criou-se um clima de X-Men quanto à intolerância, só que naquele microcosmo.
Bem... a menina trabalha num daqueles bares de estrada e tem que se esforçar para não ler as mentes alheias. Um dia um vampiro chega no bar e os dois passam a ter uma fúria foguenta mútua e enrustida sinistra. Em paralelo, uma mulher que costumava trepar com vampiros morre e o irmão da Vampira, vampirófobo, é suspeito. Depois uma filmagem local o inocenta, mas a outra mulézinha que ele pega tb é dada a trepar com vamps, pois dizem que eles têm uma libido absurda. Aliás, tem um mercado negro de sangue vampiro que faz a pessoa ficar com a mesma libido.
Alguns vampiros meio pervertidos se metem a fazer merda pela cidade.
Enfim... todas as regras de vampiros estão lá... estaca, sol, convidar para entrar, hipnose etc. Só não viram morcego. A Vampira está benzaça, com um ar inocente e ao mesmo tempo safada, como uma pinup mangá. O cara que faz um negão viado e a prima dele, que fala com o sotaque escroto, estão ótimos tb.(...)"
Isso aí.
Destacando sem patinar em spoilers: os cliffhangers são cruéis com o espectador e faziam a espera semanal se transformar em tortura chinesa; o clima de devassidão e putaria é constante, crescente e intumescido - a ex-Vampira Paquim, por exemplo, protagoniza uma cena de arrancar palmas conjuntas de Manara e Serpieri; a (r)evolução da personagem Tara, que passa de irritante à apaixonante, numa soberba perícia da atriz Rutina Wesley, fantástica; Lafayette (o negão viado), interpretado por Nelsan Ellis, um tremendo ladrão de cenas; tudo o que remete à segunda temporada é muito promissor, da misteriosa Maryann (Michelle Forbes) ao sugestivo culto do reverendo Steve Newlin (Michael McMillian); e por fim, a trilha.
A excelente abertura já mostra o alto nível da seleção com a sensacional "Bad Things", de Jace Everett. No decorrer da série, se ouve de AC/DC e Reverend Horton Heat até Wilco e Black Rebel Motorcycle Club. Cada episódio tem o nome de uma das canções de sua trilha e as faixas reservadas aos créditos finais são um show à parte, com temáticas relacionadas à cena derradeira. Nesse ponto, o "campeão das chamadas" é o personagem Sam, que motiva as trilhas de fechamento do quarto e nono episódios, com "That Smell", do Lynyrd Skynyrd, e "Walking the Dog", de Rufus Thomas, docemente sarcásticas nas respectivas situações.
Daí que fiz uma compilação das doze trilhas finais, com direito à capa surrupiada da (boa) hq. Muito country, southern, blues, bluegrass e rock'n'roll estradeiro pra ouvir matando uma garrafa de whisky. A única baixa é o melancólico instrumental do quinto episódio, de Nathan Barr (compositor oficial da série), que voou abaixo do radar do Google e foi prontamente substituído por outro som do mesmo capítulo.
Anexo não tão off-topic
Capa do novo Heaven & Hell:
Algo entre Labirinto do Fauno e os primeiros discos do Dio. Tranquilamente uma das capas mais profanas, agressivas e instigantes em muito, muito tempo.
Achei do caralho! Os velhinhos se reinventaram, mais uma vez.
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terça-feira, 8 de maio de 2007
BEER LABEL SOCIETY
Lançado no ano passado, o duplo The European Invasion - Doom Troopin' (Live) traz na íntegra a apresentação da banda em Paris, mais quatro porradas que demoliram o Astoria, em Londres. No disco 2 tem um rockumentário on the road, três vídeos e um making of na faixa.
Ainda que eu já esperasse, a performance é uma marretada na têmpora esquerda. Ao vivo, o grupo de Zakk Wylde é quase uma fonte energia alternativa, elevando seu southern metal pesadão a novos patamares. Impressionante. Com o apoio de uma trinca de músicos afiadíssimos, Zakk fica livre pra debulhar guitarras incessantemente durante o set - que, por sinal, é porrada atrás de porrada, dando só um descanso na bela In This River e numa dobradinha semi-acústica. O legal é que, apesar do altíssimo cacife técnico, Zakk não se rende à solos operísticos, digitados e cheios de escalas. O barulho é privilegiado no mix e chega troncudo, espaçoso, violento, na melhor escola Tony Iommi's Iron Man encontra Eddie Van Halen's Eruption.
Notável também foi a quantidade de cerveja que Zakk matou durante o show. Sozinho, o cara deve ter fechado uma grade ali. Bebe, mas bebe com pressão. Se fosse Black Label mesmo - o whisky -, dificilmente ia terminar o set-list.
E falando em Iron Man, o clássico do Sabbath é citado rapidamente em um interlúdio. Com uma guitarra na mão e um copo de cerveja na outra, Zakk inventou a melhor maneira de tocar Iron Man que já vi >>
Som de macho é isto aqui, porra. Depois que assisti ao show eu ando com muita, mas muita vontade de encher a lata de cerva.
Cadê a minha clava?
quarta-feira, 23 de junho de 2004
JASON XP
O novo filme, atualmente em pós-produção, foi dirigido pelo figura Alexander Witt, um ótimo diretor... de fotografia em equipes de 2ª unidade. O cara exerceu essa função em Piratas do Caribe, Triplo X e A Identidade Bourne, entre outros. Bom... fazer o quê né. É esperar pra ver se ele se revela um estreante no nível de Guy Ritchie ou David Fincher (aliás, esqueçam Alien³... o 1º filme do Fincher foi Seven!).
Se ao menos parte da essência do personagem for passado para as telas, já devemos esperar por um dos vilões mais legais do ano. Nemesis é forte como o Hulk, "imparável" como o Fanático, e carrega um arsenal que faria inveja ao Frank Castle. Ele foi criado pela Corporação Umbrella exclusivamente para empreender genocídios. Tudo o que põe em risco o bom nome da gigante corporativa é devidamente pulverizado pelo monstro. É o perfeito "kit Queima de Arquivo" do executivo moderno. Bill Gates deve ter um desses guardado nos porões da Microsoft.
No game, o monstrão sofre algumas providenciais mutações durante as fases, como se pode conferir aí embaixo, mas não creio que vá rolar isso no filme.
Por enquanto, a imagem da criatura está sendo guardada a 7 chaves pelo estúdio (claaaro), mas de vez em quando aparece alguma coisa. Além da imagem lá do início, recentemente caíram na rede mais três fotos com cenas do Nemesis live-action. Nada que tenha sido divulgado no site oficial, of course. Clique nas imagens para ampliá-las um pouco (e bota pouco nisso!).
Claro que nem tudo é sangue e violência... Outras duas razões (muito) boas para conferir Resident Evil 2 é o retorno da deliciosa doidinha Milla Jovovich, no papel de Alice, e a estréia da curvilínea Sienna Guillory, como Jill Valentine (finalmente!). Aliás, Sienna é uma cópia fiel da heroína virtual!
Resident Evil 2 - Apocalypse estréia lá fora em 10 de setembro e aqui, só em 26 de novembro (!!). Pra ir enrolando até lá, recomendo esse site. Na seção de mídia, vá na aba dos vídeos e confira os making-offs. São bem legais, naquele climão "carnificina-na-cidade-lotada-de-zumbis" - especialmente o vídeo 04, que traz como trilha sonora a esquizofrênica Gave Up, do Nine Inch Nails.
(Marceleza)
E mais um ciclo se completa na extensa carreira do Black Sabbath. Você pode até dizer que os álbuns com os vocais olímpicos do Dio são maravilhosos (e são) e que ele é muito superior ao Ozzy tecnicamente (e é mesmo), mas a verdade é uma só: o Black Sabbath, aquela banda que compunha temas tão tétricos quanto pesados e marcada por referências ao ocultismo, acabou com a saída do Ozzy, em 1978, e seu último disco foi Never Say Die!, do mesmo ano. Ou quase...
Dois álbuns relativamente recentes acordaram os bruxos novamente. São nada menos que dois duplos ao vivo: Reunion, de 98, e Past Lives, de 2002. O que pode parecer uma óbvia seqüência caça-níqueis, na verdade é essencial para compreender a importância do Sabbath e os percalços que a banda atravessou - e ainda atravessa.
De bônus, Reunion ainda trouxe duas músicas inéditas de estúdio: Psycho Man (bem parecida com o material de Ozzmosis, disco solo do Ozzy na época) e Selling My Soul (com uma providencial bateria eletrônica). Ambas são muito boas, apesar de bem modernosas.
No CD1, temos um show feito em Manchester, em 73, e o CD2 é um apanhado de várias apresentações que a banda fez ao longo da década de 70. O repertório é de matar qualquer rockeiro veterano do coração. Pô, ouvir War Pigs, Paranoid, Children Of The Grave, N.I.B., Sympton Of The Universe e Black Sabbath à mil por hora, com as execuções da época?! Fora outras pedradas menos óbvias como Cornucopia, Snowblind, Hand Of Doom e Tomorrow's Dream.
Agora, porrada inesperada mesmo rolou no final de Wicked World. Após uma improvisação jazzística, eles emendam a pauleiríssima Supernaut (que não consta nos créditos)! Minha nossa, que riff, que batera demolidora...! Sem comentários, é só ouvindo mesmo.
Nesse álbum percebe-se claramente como o Black Sabbath era pesado demais pra sua época. Chega a ser quase irreal que um som violento daqueles estava sendo feito na mesma década que a disco e de grupos flower-power (The Mamas & The Pappas, Fleetwood Mac, etc). Foi um período em que o Rock era movido à base de muita garra e tesão, e não de samplers e efeitos especiais. Também é um atestado definitivo da influência direta que o Sabbath exerceu em 11 a cada 10 bandas que fazem som pesado hoje.
Essencial. Compre, roube, o que for.
Anexo 24/06/2004 - MENÇÃO HONROSA:
'Todos sabem que eu, Leonel Brizola, só posso ocupar espaço na Globo quando amparado pela Justiça. Aqui cita o meu nome para ser intrigado, desmerecido e achincalhado, perante o povo brasileiro. Quinta-feira, neste mesmo Jornal Nacional, a pretexto de citar editorial de ‘O Globo’, fui acusado na minha honra e, pior, apontado como alguém de mente senil. Ora, tenho 70 anos, 16 a menos que o meu difamador, Roberto Marinho, que tem 86 anos. Se é esse o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos, que os use para si. Não reconheço à Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e basta para isso olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura de 20 anos, que dominou o nosso país.
Todos sabem que critico há muito tempo a TV Globo, seu poder imperial e suas manipulações. Mas a ira da Globo, que se manifestou na quinta-feira, não tem nenhuma relação com posições éticas ou de princípios. É apenas o temor de perder o negócio bilionário, que para ela representa a transmissão do Carnaval. Dinheiro, acima de tudo.
Em 83, quando construí a passarela, a Globo sabotou, boicotou, não quis transmitir e tentou inviabilizar de todas as formas o ponto alto do Carnaval carioca.
Também aí não tem autoridade moral para questionar. E mais, reagi contra a Globo em defesa do Estado do Rio de Janeiro que por duas vezes, contra a vontade da Globo, elegeu-me como seu representante maior.
E isso é que não perdoarão nunca. Até mesmo a pesquisa mostrada na Quinta-feira revela como tudo na Globo é tendencioso e manipulado. Ninguém questiona o direito da Globo mostrar os problemas da cidade. Seria antes um dever para qualquer órgão de imprensa, dever que a Globo jamais cumpriu quando se encontravam no Palácio Guanabara governantes de sua predileção.
Quando ela diz que denuncia os maus administradores deveria dizer, sim, que ataca e tenta desmoralizar os homens públicos que não se vergam diante do seu poder.
Se eu tivesse as pretensões eleitoreiras, de que tentam me acusar, não estaria aqui lutando contra um gigante como a Rede Globo.
Faço-o porque não cheguei aos 70 anos de idade para ser um acomodado. Quando me insulta por nossas relações de cooperação administrativa com o governo federal, a Globo remorde-se de inveja e rancor e só vê nisso bajulação e servilismo. É compreensível: quem sempre viveu de concessões e favores do Poder Público não é capaz de ver nos outros senão os vícios que carrega em si mesma.
Que o povo brasileiro faça o seu julgamento e na sua consciência límpida e honrada separe os que são dignos e coerentes daqueles que sempre foram servis, gananciosos e interesseiros.'"
Palavras de Brizola, ditas por um incrédulo Cid Moreira, no dia 15 de março de 1994, em pleno horário nobre. Foram cinco minutos de terror no Jardim Botânico. Nunca fui PDTista, nem entusiasta do leão dos pampas, mas sempre admirei a sua obstinação inabalável pelos ideais em que acreditava. Ele foi o menos político dos políticos profissionais.
E qualquer um que tenha feito o Grande Irmão morder o próprio rabo dessa forma merece aplausos.
domingo, 6 de junho de 2004
"...SIN PERDER LA TERNURA JAMÁS!"


Odeio me flagrar tendo uma atitude idealista de araque. Dá pra sentir até aquela boina com uma estrelinha vermelha enfiada na cabeça. O próprio Che de final de semana. Só que às vezes não consigo me render ao capitalismo selvagem e simplesmente viro as costas (ainda que esteja devorando um Big Mac® com Coca-Cola®). É justamente como eu me senti quanto à infame versão lusa do Rock In Rio, um desserviço à preservação do amor à pátria amada, devidamente coroada pelo nosso ministro da Cultura - que também tocou lá. Eu já conhecia muito bem a mania do Roberto Medina de vender a alma ao diabo pela enésima vez, afinal, como se explicaria Sandy & Junior, Britney Spears e atrocidades afins na 3ª edição do festival...? Mas pior que isso foi ver o Medina vender a alma aos portugueses. Rock in RIO em... LISBOA?! Prestigiar um festival nosso feito em outro país?! Tô fora. E outra: quem no mundo tem interesse em conhecer uma banda chamada "Xutos & Pontapés"? Fala sério, seu Joaquim. Isso foi demais pra minha pobre cabecinha headbanger e, revoltado, pensei em me alistar no exército Zapatista ou então nas FARC.

A ficha demorou bastante pra cair dessa vez. Quando assisti um pedaço do show do Evanescence que passou na Rede Globo, fiquei impressionado e logo quis estar do "lado direito" do Atlântico. Eu já vi vários shows deles, mas este foi especial. As dimensões do local eram muito desproporcionais à proposta da banda, que funciona bem melhor em um lugar pequeno, como um ginásio ou mesmo um pub. Na vastidão daquela arena, o som se desvanescia (consegui, hohoho), principalmente pra quem estava lá atrás.
Mesmo assim, com o auxílio de alguns playbacks, o Evanescence revelou uma front-woman que é um verdadeiro paradoxo: do "alto" de seus 1,63m de altura, Amy Lee mandou ver numa performance arrebatadora, que de quixotesca não teve nada. Ela venceu aquele jogo praticamente sozinha. Cantou, correu, agitou, se esgoelou, tocou soberbamente um piano de cauda e ainda arrumou tempo para exibir uma sensualidade estonteante. E que olhos, meu Deus... (será que eles brilham no escuro?)
Já o restante da banda era só... restante. Nem dava pra notar a presença de alguém ali. Parecem aquelas orquestras que ficam escondidas embaixo do palco.

No final, suspirei profundamente, deitei no sofá e assisti à reprise do Gilberto Gil. Causa? Que causa? Anarquistas, graças a Deus.
MÚSICA P/ DESABAMENTOS



Deuses do Rock sessentista como Jimi Hendrix, Cream e Blue Cheer, entre outros, já encerraram as atividades há muito tempo, mas o seu legado ecoa até hoje. E as bandas do chamado Stoner Rock, estão aí pra confirmar. A primeira referência para esse estilo são as bandas citadas aí em cima que, aliás, inseriram o conceito do power-trio no rock - baixo/guitarra/bateria a serviço de um som sujão, ultra-distorcido e "viajante" (ou stoned, gíria pra chapado e origem do neologismo "stoner"). Lisergia total. Mas a inspiração do stoner não parou por aí e ainda abraçou o que os anos 70 tiveram a oferecer - e como...! Bandas emblemáticas do rock setentista, como Led Zeppelin, Deep Purple, Motörhead, Thin Lizzy, Jethro Tull, Free, Mountain, AC/DC e, principalmente, Black Sabbath forneceram a matéria prima para o estilo.

Os Cavaleiros do Sabá Negro. Quem diria que Ozzy faria um reality show...
Mas quem pensa que esse revival começou com o grande Queens Of The Stone Age, calma lá. A coisa toda começou lá atrás, no início dos anos 90, com o pessoal de Seattle ou, mais precisamente, com o famigerado grunge. Muitas das bandas que estouraram naquele movimento já tinham muitos anos de estrada e, não raro, vários discos lançados. Soundgarden, Screaming Trees, The Melvins e mais uma batelada de grupos já eram putas velhíssimas, enquanto o Nirvana, Pearl Jam e Alice In Chains ainda estavam choramingando no berçário.

É só ligar a Harley Davidson e pegar a Rota 66
Dessas todas, a que mais se aproximava do que viria a ser o stoner rock era o Soundgarden (banda do Chris Cornell, atual Audioslave). Essa banda alcançou o sucesso um pouco mais tarde que seus conterrâneos de Seattle. Mainstream pra eles, só em 94, com o multi-platinado Superunknown. Mas, na minha opinião, o verdadeiro Soundgarden está no disco anterior, Badmotorfinger, de 1991, esse sim, uma paulada tipicamente stoner. Ouça preciosidades como Outshined, Rust Cage ou Jesus Christ Pose no volume 10 e sinta o chão tremer como se um T.Rex estivesse se aproximando à mil por hora.

Mais influente que o monolito negro, do filme 2001
Um ano depois, em 92, mais um disco simplesmente memorável, Blues For The Red Sun, da banda californiana Kyuss (embrião do QOTSA e de boa parte da cena). Era Nick Oliveri (baixo), Josh Homme (guitarra), Brant Bjork (bateria) e John Garcia (vocais), todos por volta dos 16/17, na época. Pra se ter uma idéia das experimentações dos caras, a guitarra era plugada num amplificador de baixo, com a afinação mais grave possível. Parecia o ronco enfurecido de um V8. O efeito era digno de um terremoto, alterava até o batimento cardíaco. Mais outra moda stoner inaugurada pelos caras: festas regadas à muito álcool (e outros "aperitivos") em pleno deserto californiano, onde eles, com auxílio de geradores, tocavam por horas e horas sem parar. Kyuss era isso aí, pra ouvir em alto e bom som, de preferência, com os olhos fechados (o mundo seria perfeito se desse pra dirigir de olhos fechados).
O Kyuss acabou cedo, em 95, e os estilhaços formaram as galáxias e os planetas do universo stoner. Das bandas diretamente ligadas ao Kyuss, estão o Fu Manchu, Slo Burn, Unida, Che, Brant Bjork & The Operators e, agora sim, o Queens Of The Stone Age, que herdou Josh Homme e Nick Oliveri - aquele cara que ficou peladão no palco do Rock In Rio 3. O QOTSA é, de uma certa forma, uma versão mais polida do Kyuss, sem o lado lisérgico e experimental, mas mesmo assim, é uma puta banda (meu disco preferido dos caras é o Songs For The Deaf, o mais recente).


O bom e o mal. Ambos são feios.
Outro grupo digno de nota é o Monster Magnet, do malucão Dave Wyndorf. Hoje, a banda é meio como um artigo de luxo na cena stoner, transitando entre o industrial, uma certa nuance pop e o stoner. Pra quem quer conhecer o MM atual, recomendo o excelente disco Powertrip, de 98 e presença constante no seleto Top5 at your left. Já para conhecer a pré-história do MM, pode ir de Spine Of God e que a Força esteja com você. Esse disco, de 92 (o ano do stoner!), subverte a rifferama do Black Sabbath e é uma das wild trips mais singulares do rock. Tem até um solo de bateria no meio, ao melhor estilo In-A-Gadda-Da-Vida (do também seminal Iron Butterfly).
Nessa linha, vale à pena conhecer também o Orange Goblin, Spiritual Beggars, Nebula e Corrosion Of Conformity, que são ótimas bandas e mandam ver num som pauleiríssimo, e sem chance alguma de rolar nas FMs (isso é um elogio!).
Até algumas figuras da cena metal têm se rendido ao estilo, como Phil Anselmo (ex-Pantera), que formou o Down - que, embora não seja exatamente stoner, tem muitos elementos dele. O ex-Napalm Death Lee Dorrian também é uma referência na cena, visto que sua banda Cathedral, há muito tempo saiu do doom metal que praticava no começo, para um som bem mais "sabbático", obviamente mais próximo do stoner. Aliás, no álbum The Carnival Bizarre, a banda contou com ninguém menos que Tony Iommi, tocando guitarra na música Utopian Blaster. Reverência maior, impossível.
O onipresente Dave Grohl também embarcou de cabeça no estilo, já que seu projeto paralelo Probot é predominantemente stoner. Pra arrematar qualquer dúvida, é só lembrar dos convidados presentes no disco de estréia - gente do porte de Lemmy, Mike Dean (do Corrosion Of Conformity), Eric Wagner (do Trouble), Kurt Bretch (do D.R.I.), além do próprio Lee Dorrian, entre outros.

Firebird é retrô até na capa
Outro caso parecido é o do ex-Carcass Bill Steer, que formou o excelente Firebird. A banda segue à risca o esquema dos power-trios sessentistas, desde a formação propriamente dita (ele, Ludwig Witt, do Spiritual Beggars e Leo Smee, do Cathedral - timaço), até o visual, como visto nessa capa aí, do álbum Deluxe (o 2º, de 2001). O som é um primor de blues rock deliciosamente distorcido, mas com um certo apuro instrumental em relação aos demais. Aqui, o som é muito bem executado, lembrando por vezes os devaneios instrumentais do Deep Purple (em especial, do álbum Purplendicular). Conheci a banda através de um cover de Working Man, do Rush, que estava disponível nesse site. Pena que apagaram o arquivo (mas vale conferir a info que ficou). De qualquer forma, não se deixe abater e faça como este que vos escreve. Caçe essa banda no DC++, e-Mule, ou qualquer outro compartilhador desses, mas passe à quilômetros de distância dos KaZaAs da vida (lá só tem de Britney Spears pra baixo). Vale (muito) à pena, se você curtir esse estilo.
Em tempo: o Rush (banda-tia do stoner) adicionou a música Summertime Blues, de Eddie Cochran e imortalizada pelo Blue Cheer (banda-bisavó do stoner), no set-list do seu novo álbum, Feedback (só de covers). Clique aqui pra conferir um trecho (ficou bem mais pesada que a original, claro).
Além dos links que passei (os sublinhados não foram porque achei bonitinho não), é parada obrigatória também o Planeta Stoner, o melhor site dedicado ao estilo no Brasil. Essa matéria, da central rock Whiplash, também ficou muito boa, bem esclarecedora para iniciantes.
Outra coisa, o stoner sempre caminhou lado a lado (mas sem boiolagem) com o gothic e o já citado doom metal. À primeira ouvida, parece tudo a mesma coisa, mas para o ouvido treinado é quase uma blasfêmia proferir tal afirmação. Doom é pesadaço e arrastado, gothic é... gótico e depressivo e stoner é isso tudo, só que cheio de marijüana, e todos os três nem sonhariam em existir se não fosse o Black Sabbath. Pra saber diferenciá-los "profissionalmente", recomendo essa excelente matéria, onde Jorge Vitzac destrincha legal toda essa viagem lisérgica e incandescente. Pra visitar tomando uma cerva trincando de gelada.
Post ao som de Kyuss, Firebird, Helmet e Black Sabbath - e haja café!!
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