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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Live on 90's


Quando soube que o Soundgarden finalmente lançaria seu primeiro álbum ao vivo, pensei que seriam registros extraídos de shows pós-reunião. Nada mais natural, já que o grupo se concentrou bastante nos grandes festivais (Lolla, Big Day Out, Download, Voodoo Experience) e estes fornecem um quórum de luxo pra qualquer disco ao vivo. Contudo, Live on I-5, lançado em 2011, traz performances de shows da turnê do Down on the Upside, registradas entre novembro e dezembro de 1996. Seria lançado na mesma época, mas a banda resolveu fechar o boteco sem nem liberar uma saideira.

Sempre achei que o fim do Soundgarden teve a questão financeira como principal gatilho, embora estivesse em seu auge técnico quando encerrou as atividades. A performance registrada em Live on I-5 demonstra bem isso. Graças ao trabalho do produtor Adam Kasper, também o responsável pela captura dos shows (num trampo com 16 anos de gap!), o álbum mostra o grupo mais evoluído e coeso do que nunca. Mesmo a sempre problemática performance on stage do Chris Cornell se sobressai sem grandes chamuscadas.

Do set list, meu Jesus Christ Pose, tenho nem o que falar. É um desfile de hits da antologia Soundgardeana, com "Spoonman", "Let Me Drown", "Slaves and Bulldozers", "Head Down", "Fell On Black Days", "Ty Cobb", "Black Hole Sun", a maravilhosa "Rusty Cage" e muitas outras... sem falar na histeria coletiva provocada por "Outshined" (o produtor se empolgou na masterização aí, mas ainda assim...). De quebra ainda tem dois covers descoladões: "Helter Skelter", do Fab Four, e o clássico Stoogeano "Search and Destroy".

Mesmo sendo parte da reabilitação pública do grupo (missão iniciada pela coletânea Telephantasm, de 2010), Live on I-5 acaba saindo melhor do que a vil encomenda. É um discaço pra ouvir até furar o CD/DVD/BD/HD. E, sem dúvida, de uma das melhores bandas daquela safra.

sábado, 24 de setembro de 2011

Smells like 1991


Hoje fazem exatamente 20 anos do lançamento de Nevermind. Numa comparação razoavelmente honesta, o 24/09/91 foi a Tunguska da cultura pop. Dos redutos alternativos mais restritos às periferias, digamos... menos antenadas (já viu um pedreiro cantarolando "On a Plain"? Eu já), conscientemente ou não, a onda de choque atingiu todos, em todos os escalões. O epicentro era na longínqua Aberdeen, fim de mundo white trash da costa oeste norte-americana. De lá pra cá, Nevermind e toda sua bagagem icônica atravessaram anos e mídias com intensidade reluzente e sem fim aparente. Nada mal para um disco de rock 'n' roll.

Não faço ideia de como as novas gerações exergam o álbum e tudo o que ele representou para uma indústria hoje semidefunta. Nem faço muita questão, pra falar a verdade. Para entender o impacto que Nevermind teve, é necessário ter vivido aquele início de década. E a década antes dela. Era o álbum certo para o momento certo - estávamos em plena ressaca dos 80's, a mediocridade imperava nas rádios, com programações regurgitando dejetos tão pútridos quanto os de hoje. Troque Lady Gaga, Rihanna e Katy Perry por Paula Abdul, Black Box e C+C Music Factory e pode fechar a equação. Eram tempos difíceis.

Frente a esse cenário altamente pasteurizado, havia um real esforço de continuidade que se confundia com os últimos resquícios de uma década pomposa demais. A entressafra de artistas e tendências resultou num ano incomum e prolífico de grandes lançamentos. É verdade que poucos deles tiveram a velocidade vertiginosa de assimilação de Nevermind. Alguns só estouraram no dial ao longo do ano seguinte, outros nem isso. Mas seguem influentes e ainda hoje são peças-chave nas carreiras de suas bandas e nos corações de seus ouvintes. 1991 definitivamente não acabou.

Segue abaixo uma lista dos 20 discos daquele ano que ouvi até a minha orelha derreter e escorrer pelo pescoço. A maioria tive em LP. Com o passar dos anos, substituí alguns por CDs. Após o advento do MP3 (e do FLAC), uns poucos ainda resistiram bravamente em seu formato físico. Early adopter, pero sin perder la ternura jamás...



O disco que virou tudo de ponta cabeça, iniciou a capitalização do movimento grunge, jogou a última pá de cal no hard rock poser, etc. Tenho vários amigos que odeiam Nirvana e imagino o inferno que deve ter sido pra eles - porque não dava pra ficar indiferente à massificação da coisa. O próprio Kurt Cobain foi vitimado e virou um prisioneiro. Almejava um direcionamento musical mais suave e melódico, ao exemplo do elogiado MTV Unplugged in New York e de uma de suas bandas favoritas, o R.E.M., mas cedeu às pressões da gravadora e da garotada "que só queria ouvir o som pesado da guitarra". O resto da história todo mundo conhece.



A virada sonora mais bem sucedida do metal, antecipando um futuro próximo onde o thrash já deu o que tinha que dar em termos de novidade. Um álbum excelente do início ao fim. Headbangers da facção true amaldiçoaram o grupo e os críticos indie esnobaram, taxando o disco de pretensioso. E eu, quem diria, fiquei ao lado dos fãs de última hora que conheceram o Metallica via "Nothing Else Matters".



Após uma viagem pelas raízes da América, o grande vencedor do pop rock dos anos 80 buscou uma estética mais globalizada em Achtung Baby. O experimentalismo era latente - "The Fly" e "Mysterious Ways" traziam peso e paisagens completamente alienígenas ao som do grupo. Passado o susto e ouvindo o disco com calma, era o U2 de sempre. Na época, isso era uma coisa boa.



Arise sedimentou o caminho aberto por Beneath the Remains e inseriu o Sepultura de vez nos charts metálicos internacionais. Missão difícil que o grupo mineiro, junto com Scott Burns (o melhor produtor thrash da época), cumpriu com louvor. Discaço. Um dos meus orgulhos ufanistas bestas é entrar ocasionalmente no Amazão e ler o que os gringos ainda escrevem sobre.



Técnica, sangue-frio e violência. Sempre encarei o Prong de Prove You Wrong como uma espécie de "Evil Rush". O power-trio liderado por Tommy Victor produzia um esporro extremamente complexo e original (principalmente pra mim, que não conhecia o Killing Joke na época!). Pena que nos discos seguintes se renderam à onda metal industrial que ajudaram a propagar, apostando num som mais simples e acessível.



Contrato com a Warner, orçamento de luxo, produção de Rick Rubin. Blood Sugar Sex Magik foi concebido pra dar certo. E deu, por merecimento. É um grande álbum dos Pimentas - e um baita catadão de suas influências e vertentes sonoras - embora meus favoritos continuem sendo o The Uplift Mofo Party Plan e o Mother's Milk. E todos esses dão uma surra nos últimos álbuns da rapaziada.



Antes é preciso entender que o KLF era da pá virada. O anti-establishment da dupla Bill Drummond e Jimmy Cauty era de mandar punk juramentado de volta ao jardim de infância. Não é todo mundo que tem cojones pra subir ao palco em companhia do Extreme Noise Terror pra subverter seu maior hit e assim sacanear uma network em horário nobre e uma plateia coxinha que aguardava uma apresentação tipicamente dance pop. Quem dirá enterrar sua estatueta de "Melhor Grupo Britânico de 1992" nos arredores de Stonehenge. De quebra, quando a coisa perigou ficar muito grande e rentável, eles puxaram o fio da tomada e retiraram todos os seus discos de catálogo. The White Room era um achado. Sofisticado, cheio de trucagens, camadas e climas num contexto deslavadamente popular. Musicalmente, estava a anos-luz à frente de "apostas certas" da crítica, como The Shamen e Altern 8. O KLF era foda.



Gosto muito do Superunknown e do Down on the Upside, mas esse é o disco do Soundgarden pra mim. Ainda lembro da primeira vez que ouvi "Outshined". Parecia que todos os espíritos dos Natais setentistas vieram me visitar ao mesmo tempo. Led Zeppelin, Grand Funk Railroad, Jethro Tull, Black Sabbath, psicodelia e paudurescência se estendendo por todo o álbum. E Chris Cornell parecia ser um dos maiores vocalistas de rock a pisar num palco. Parecia...



Devo dizer que naquele ano ouvi também muito o Várias Variáveis, dos desafetos/rivais Engenheiros do Hawaii. Mas o V (curiosa profusão de V's!) era o Legião abrindo mão de quase toda a facilidade comercial conquistada pelos discos anteriores. Respeito isso. V (e o VV, em menor escala) foi um rasgo de inspiração concentrada, ainda que refletindo uma tremenda bad trip, num ano particularmente ruim para o Brasil - na época, Collorido - e para o rock nacional.



O disco que fez o R.E.M. estourar no resto do mundo. Com o tempo, "Losing my Religion" sofreu os efeitos da mega-exposição, o que não tira os méritos da banda e do álbum. Aliás, muitos artistas deveriam aprender a sair de cena como esses caras. Genial.



Screamadelica foi tão bacana, refrescante e seminal que todo mundo combinou que não ia mais chamar o Primal Scream de "a banda do ex-baterista do Jesus & The Mary Chain". Dali em diante só era permitido "o Primal Scream não é apenas a banda do ex-baterista do Jesus & The Mary Chain". Certas correntes são difíceis de se livrar. Mas a notícia boa é que, nesse boom revisionista, tenho reouvido o disco e funciona como se tivesse saído hoje.



Foi Bandwagonesque que abriu os olhos (e os ouvidos) deste ogro metálico avesso a bandas indie. Quando menos percebi estava quase furando o vinil e assobiando as melodias por aí.



Nunca tinha ouvido nada tão sofisticado e ganchudo ao mesmo tempo. Nem sei se entendia direito o conceito de trip-hop e pouco importava. Ouvi e ainda ouço muito, nos momentos certos. Esse álbum é um clássico.



Eu tinha pirado no filme. Quando vi a trilha na loja, não pensei duas vezes. Foi minha porta de entrada para o universo do soul e do r&b. As versões são irresistíveis.



Há muito enrolava para conhecer os autômatos do Kraftwerk mais a fundo. The Mix cumpriu seu objetivo muito bem no meu caso - é uma perfeita introdução para um n00b. E que tal reouvir o álbum enquanto lê o artigo arrepiante da Cracked?



Quem diria que o Madman emergiria dos 80's em excelente forma e com um novo talento guitarrístico à tira-colo? Arrasador.



Esse está há vinte anos no volume 11. Um dos grandes balaços de Lemmy e seu bando. Difícil decidir qual a homenagem mais porradeira: "Ramones" ou "Going to Brazil".



Admito que só corri atrás desse porque a cantora da banda, Inger Lorre, era um tesão. Mas, que surpresa, o disco trazia um mix sensacional de glam, punk, alternativo e gótico. Iggy Pop participa de uma das faixas. Me surpreendi pelo fato do grupo ter sumido do mapa após essa estreia promissora (via Geffen, major das grandes). Talvez seja porque a Inger era uma encrenqueira das brabas, do tipo que fazia a Madonna parecer uma freirinha. Aliás, por onde será que ela anda? Inger, se estiver lendo, me liga!



"Mas que porra foi essa?", foi minha primeira reação ao ouvir o segundo LP desses monstros franceses. Era a trilha sonora de um pesadelo! Hoje sei que era um industrial post-metal altamente abrasivo e basáltico, mas na época me senti um neanderthal diante do Monolito Negro. Comprei, na mesma tacada, o excepcional debut também. Mas escolho esse pela versão tonelada de "Radioactivity", do Kraftwerk.



Esse já pertence a um escopo mais habitué pra mim. Curtia os mineiros do grupo The Mist desde a estreia com Phantasmagoria, mas o The Hangman Tree é uma pintura gothic thrash metal - e um dos registros mais subestimados do metal nacional. É um daqueles meus LPs que foram recomprados em CD e que permanecem comigo até hoje.


Bonus tracks

Como a intenção era só listar álbuns de estúdio, separei esses, igualmente essenciais pra mim e hits absolutos no meu playlist '91.


Ainda tenho esse e o home video com o show completo, You Fat B**tards. Mike Patton completamente insano e a banda nos cascos, dando um gás atômico até nas saturadas "Epic" e "Falling to Pieces". Antológico.



Esporreira clássica que levanta qualquer festinha. O lado ruim é que já devo ter comprado esse CD umas cinco ou seis vezes. Às vezes o one-two-three nem chegava ao four, que o disco era "apropriado irregularmente" por algum convertido. Valei-me, meu São Joey!

domingo, 6 de junho de 2004

"...SIN PERDER LA TERNURA JAMÁS!"


Odeio me flagrar tendo uma atitude idealista de araque. Dá pra sentir até aquela boina com uma estrelinha vermelha enfiada na cabeça. O próprio Che de final de semana. Só que às vezes não consigo me render ao capitalismo selvagem e simplesmente viro as costas (ainda que esteja devorando um Big Mac® com Coca-Cola®). É justamente como eu me senti quanto à infame versão lusa do Rock In Rio, um desserviço à preservação do amor à pátria amada, devidamente coroada pelo nosso ministro da Cultura - que também tocou lá. Eu já conhecia muito bem a mania do Roberto Medina de vender a alma ao diabo pela enésima vez, afinal, como se explicaria Sandy & Junior, Britney Spears e atrocidades afins na 3ª edição do festival...? Mas pior que isso foi ver o Medina vender a alma aos portugueses. Rock in RIO em... LISBOA?! Prestigiar um festival nosso feito em outro país?! Tô fora. E outra: quem no mundo tem interesse em conhecer uma banda chamada "Xutos & Pontapés"? Fala sério, seu Joaquim. Isso foi demais pra minha pobre cabecinha headbanger e, revoltado, pensei em me alistar no exército Zapatista ou então nas FARC.


A ficha demorou bastante pra cair dessa vez. Quando assisti um pedaço do show do Evanescence que passou na Rede Globo, fiquei impressionado e logo quis estar do "lado direito" do Atlântico. Eu já vi vários shows deles, mas este foi especial. As dimensões do local eram muito desproporcionais à proposta da banda, que funciona bem melhor em um lugar pequeno, como um ginásio ou mesmo um pub. Na vastidão daquela arena, o som se desvanescia (consegui, hohoho), principalmente pra quem estava lá atrás.

Mesmo assim, com o auxílio de alguns playbacks, o Evanescence revelou uma front-woman que é um verdadeiro paradoxo: do "alto" de seus 1,63m de altura, Amy Lee mandou ver numa performance arrebatadora, que de quixotesca não teve nada. Ela venceu aquele jogo praticamente sozinha. Cantou, correu, agitou, se esgoelou, tocou soberbamente um piano de cauda e ainda arrumou tempo para exibir uma sensualidade estonteante. E que olhos, meu Deus... (será que eles brilham no escuro?)

Já o restante da banda era só... restante. Nem dava pra notar a presença de alguém ali. Parecem aquelas orquestras que ficam escondidas embaixo do palco.


No final, suspirei profundamente, deitei no sofá e assisti à reprise do Gilberto Gil. Causa? Que causa? Anarquistas, graças a Deus.


STONER ROCK
MÚSICA P/ DESABAMENTOS



Deuses do Rock sessentista como Jimi Hendrix, Cream e Blue Cheer, entre outros, já encerraram as atividades há muito tempo, mas o seu legado ecoa até hoje. E as bandas do chamado Stoner Rock, estão aí pra confirmar. A primeira referência para esse estilo são as bandas citadas aí em cima que, aliás, inseriram o conceito do power-trio no rock - baixo/guitarra/bateria a serviço de um som sujão, ultra-distorcido e "viajante" (ou stoned, gíria pra chapado e origem do neologismo "stoner"). Lisergia total. Mas a inspiração do stoner não parou por aí e ainda abraçou o que os anos 70 tiveram a oferecer - e como...! Bandas emblemáticas do rock setentista, como Led Zeppelin, Deep Purple, Motörhead, Thin Lizzy, Jethro Tull, Free, Mountain, AC/DC e, principalmente, Black Sabbath forneceram a matéria prima para o estilo.


Os Cavaleiros do Sabá Negro. Quem diria que Ozzy faria um reality show...

Mas quem pensa que esse revival começou com o grande Queens Of The Stone Age, calma lá. A coisa toda começou lá atrás, no início dos anos 90, com o pessoal de Seattle ou, mais precisamente, com o famigerado grunge. Muitas das bandas que estouraram naquele movimento já tinham muitos anos de estrada e, não raro, vários discos lançados. Soundgarden, Screaming Trees, The Melvins e mais uma batelada de grupos já eram putas velhíssimas, enquanto o Nirvana, Pearl Jam e Alice In Chains ainda estavam choramingando no berçário.


É só ligar a Harley Davidson e pegar a Rota 66

Dessas todas, a que mais se aproximava do que viria a ser o stoner rock era o Soundgarden (banda do Chris Cornell, atual Audioslave). Essa banda alcançou o sucesso um pouco mais tarde que seus conterrâneos de Seattle. Mainstream pra eles, só em 94, com o multi-platinado Superunknown. Mas, na minha opinião, o verdadeiro Soundgarden está no disco anterior, Badmotorfinger, de 1991, esse sim, uma paulada tipicamente stoner. Ouça preciosidades como Outshined, Rust Cage ou Jesus Christ Pose no volume 10 e sinta o chão tremer como se um T.Rex estivesse se aproximando à mil por hora.


Mais influente que o monolito negro, do filme 2001

Um ano depois, em 92, mais um disco simplesmente memorável, Blues For The Red Sun, da banda californiana Kyuss (embrião do QOTSA e de boa parte da cena). Era Nick Oliveri (baixo), Josh Homme (guitarra), Brant Bjork (bateria) e John Garcia (vocais), todos por volta dos 16/17, na época. Pra se ter uma idéia das experimentações dos caras, a guitarra era plugada num amplificador de baixo, com a afinação mais grave possível. Parecia o ronco enfurecido de um V8. O efeito era digno de um terremoto, alterava até o batimento cardíaco. Mais outra moda stoner inaugurada pelos caras: festas regadas à muito álcool (e outros "aperitivos") em pleno deserto californiano, onde eles, com auxílio de geradores, tocavam por horas e horas sem parar. Kyuss era isso aí, pra ouvir em alto e bom som, de preferência, com os olhos fechados (o mundo seria perfeito se desse pra dirigir de olhos fechados).

O Kyuss acabou cedo, em 95, e os estilhaços formaram as galáxias e os planetas do universo stoner. Das bandas diretamente ligadas ao Kyuss, estão o Fu Manchu, Slo Burn, Unida, Che, Brant Bjork & The Operators e, agora sim, o Queens Of The Stone Age, que herdou Josh Homme e Nick Oliveri - aquele cara que ficou peladão no palco do Rock In Rio 3. O QOTSA é, de uma certa forma, uma versão mais polida do Kyuss, sem o lado lisérgico e experimental, mas mesmo assim, é uma puta banda (meu disco preferido dos caras é o Songs For The Deaf, o mais recente).


O bom e o mal. Ambos são feios.

Outro grupo digno de nota é o Monster Magnet, do malucão Dave Wyndorf. Hoje, a banda é meio como um artigo de luxo na cena stoner, transitando entre o industrial, uma certa nuance pop e o stoner. Pra quem quer conhecer o MM atual, recomendo o excelente disco Powertrip, de 98 e presença constante no seleto Top5 at your left. Já para conhecer a pré-história do MM, pode ir de Spine Of God e que a Força esteja com você. Esse disco, de 92 (o ano do stoner!), subverte a rifferama do Black Sabbath e é uma das wild trips mais singulares do rock. Tem até um solo de bateria no meio, ao melhor estilo In-A-Gadda-Da-Vida (do também seminal Iron Butterfly).

Nessa linha, vale à pena conhecer também o Orange Goblin, Spiritual Beggars, Nebula e Corrosion Of Conformity, que são ótimas bandas e mandam ver num som pauleiríssimo, e sem chance alguma de rolar nas FMs (isso é um elogio!).

Até algumas figuras da cena metal têm se rendido ao estilo, como Phil Anselmo (ex-Pantera), que formou o Down - que, embora não seja exatamente stoner, tem muitos elementos dele. O ex-Napalm Death Lee Dorrian também é uma referência na cena, visto que sua banda Cathedral, há muito tempo saiu do doom metal que praticava no começo, para um som bem mais "sabbático", obviamente mais próximo do stoner. Aliás, no álbum The Carnival Bizarre, a banda contou com ninguém menos que Tony Iommi, tocando guitarra na música Utopian Blaster. Reverência maior, impossível.

O onipresente Dave Grohl também embarcou de cabeça no estilo, já que seu projeto paralelo Probot é predominantemente stoner. Pra arrematar qualquer dúvida, é só lembrar dos convidados presentes no disco de estréia - gente do porte de Lemmy, Mike Dean (do Corrosion Of Conformity), Eric Wagner (do Trouble), Kurt Bretch (do D.R.I.), além do próprio Lee Dorrian, entre outros.


Firebird é retrô até na capa

Outro caso parecido é o do ex-Carcass Bill Steer, que formou o excelente Firebird. A banda segue à risca o esquema dos power-trios sessentistas, desde a formação propriamente dita (ele, Ludwig Witt, do Spiritual Beggars e Leo Smee, do Cathedral - timaço), até o visual, como visto nessa capa aí, do álbum Deluxe (o 2º, de 2001). O som é um primor de blues rock deliciosamente distorcido, mas com um certo apuro instrumental em relação aos demais. Aqui, o som é muito bem executado, lembrando por vezes os devaneios instrumentais do Deep Purple (em especial, do álbum Purplendicular). Conheci a banda através de um cover de Working Man, do Rush, que estava disponível nesse site. Pena que apagaram o arquivo (mas vale conferir a info que ficou). De qualquer forma, não se deixe abater e faça como este que vos escreve. Caçe essa banda no DC++, e-Mule, ou qualquer outro compartilhador desses, mas passe à quilômetros de distância dos KaZaAs da vida (lá só tem de Britney Spears pra baixo). Vale (muito) à pena, se você curtir esse estilo.

Em tempo: o Rush (banda-tia do stoner) adicionou a música Summertime Blues, de Eddie Cochran e imortalizada pelo Blue Cheer (banda-bisavó do stoner), no set-list do seu novo álbum, Feedback (só de covers). Clique aqui pra conferir um trecho (ficou bem mais pesada que a original, claro).

Além dos links que passei (os sublinhados não foram porque achei bonitinho não), é parada obrigatória também o Planeta Stoner, o melhor site dedicado ao estilo no Brasil. Essa matéria, da central rock Whiplash, também ficou muito boa, bem esclarecedora para iniciantes.

Outra coisa, o stoner sempre caminhou lado a lado (mas sem boiolagem) com o gothic e o já citado doom metal. À primeira ouvida, parece tudo a mesma coisa, mas para o ouvido treinado é quase uma blasfêmia proferir tal afirmação. Doom é pesadaço e arrastado, gothic é... gótico e depressivo e stoner é isso tudo, só que cheio de marijüana, e todos os três nem sonhariam em existir se não fosse o Black Sabbath. Pra saber diferenciá-los "profissionalmente", recomendo essa excelente matéria, onde Jorge Vitzac destrincha legal toda essa viagem lisérgica e incandescente. Pra visitar tomando uma cerva trincando de gelada.


Post ao som de Kyuss, Firebird, Helmet e Black Sabbath - e haja café!!