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domingo, 31 de maio de 2020

😷 😷 😷 😷 😷 😷 😷 Retrospec Maio/2020 😷 😷 😷 😷 😷 😷 😷



2/5 – Em uma época em que a racionalidade e o senso de autopreservação caem ante a paranoia ideológica ou a possibilidade de um dia de praia, Axl Rose propõe uma solução que há tempos venho pensando em voz baixa...


3/5Se vai Dave Greenfield, aos 71, vitimado pelo novo coronavírus. Desde 1975 – exatos 45 anos – era tecladista, compositor e ocasional cantor da icônica banda The Stranglers. O grupo britânico teve papel essencial na efervescência punk e seminal na 1ª geração do pós-punk. Muito disso se deve à Greenfield e seu improvável papel de tecladista/organista na barulhenta cena emergente, aliando elementos psicodélicos e progressivos, antecipando o que viria a ser a new wave e o synthpop anos depois.

4/5¹Sylvester Stallone confirma que a Warner Bros. está desenvolvendo uma sequência de O Demolidor (Demolition Man, 1993). Contanto que finalmente expliquem para que servem as malditas conchas, tá valendo.


4/5² – Se vai Aldir Blanc, aos 73, por complicações associadas ao COVID-19. O letrista, compositor e cronista carioca foi autor de mais de 600 canções em 50 anos de atividade. Foi gravado por artistas como Elis Regina, Clara Nunes, Fafá de Belém, Nana Caymmi, Roupa Nova e MPB-4, entre muitos outros. Fez parcerias memoráveis com Maurício Tapajós, Carlos Lyra e, especialmente, João Bosco, em clássicos como "O Mestre-Sala dos Mares" e "O Bêbado e a Equilibrista". A partida de Blanc fecha um gigantesco capítulo da música popular brasileira.

4/5³ – A Lucasfilm confirma: Taika Waititi irá dirigir um novo Star Wars. Parecia inevitável. O marketing pessoal do neozelandês – ilustre desconhecido até dia desses – só pode envolver truques mentais jedi e manipulações sith.

4/54Nicolas Cage será Joe Exotic em nova minissérie da CBS. Joe ficou famoso após o estourado doc Tiger King, da Netflix, e provavelmente só o Cage mesmo estaria à altura da missão.


4/55 – Se vai Flávio Gomes Migliaccio, aos 85. O ator paulista iniciou sua longeva carreira no teatro, em 1954. Nos cinemas, participou de sucessos como a 1ª versão de Todas as Mulheres do Mundo, Terra em Transe, de Glauber Rocha, Roberto Carlos a 300 Quilômetros por Hora e nos dois longas como o inesquecível Tio Maneco; na televisão era hor-concours com participações em incontáveis novelas e séries. Deixou uma carta de despedida tocante – e que, embora contundente e muito triste, trouxe de volta à luz o debate sobre o descaso com a cultura no Brasil, além da solidão e da depressão na 3ª idade.

4/56Os Novos Mutantes já está disponível para pré-venda na Amazon em opções HD/SD. Mas gringo piscou, perdeu: enquanto escrevia a frase anterior, a folclórica produção foi removida do serviço nos Estados Unidos. Porém, continua ativa na Amazon-UK.


4/57 – Hoje foi dia da Lilly Wachowski dar uma faxina na Matrix. Oopsie!

4/58 – E 2020 não para: a cantora e compositora Amanda Palmer anuncia sua separação de Neil Gaiman... em sua conta no Patreon.


4/59Robert Rodriguez será o diretor da 2ª temporada de The Mandalorian. Mal posso esperar pra ver el mandaloriachi com sua guitar-blaster tocando nos pés-sujos mais fuleiros da galáxia.

5/5¹ – Lembra do maestro Dante Mantovani, que acredita ser o rock obra da SS (Satã Soviético) e que foi exonerado da presidência da Funarte pela secretária da Cultura Regina Duarte? Ele acaba de ser reconduzido ao cargo pelo ministro-chefe da Casa Civil General Walter Braga Netto.

5/5² – Ansioso, Mantovani já almeja uma recepção calorosa da secretária ex-namoradinha do Brasil.

5/5³ – E a nomeação de Dante Mantovani é cancelada mais uma vez. E seu algoz foi o próprio Braga Netto. É o Inferno de Dante!


5/54Se vai Ciro Pessoa, aos 62, vítima do COVID-19 em meio ao tratamento de um câncer. O músico, compositor, jornalista e escritor foi uma das peças fundamentais do underground paulista da geração 80. Foi membro fundador do Titãs (na época, ainda Titãs do Iê-Iê-Iê) e também do cultuado grupo gótico/pós-punk Cabine C, entre inúmeros outros projetos.


6/5¹Divulgada a passagem de Florian Schneider em 21 de abril último, aos 73, de câncer. O compositor e multi-instrumentista alemão foi um dos fundadores do Kraftwerk. É, sem a menor dúvida, um dos nomes mais revolucionários e influentes da história da música pop dos últimos 50 anos. Um gênio. Pessoalmente, era meu mensch-maschine predileto do grupo...


...até pelo senso de humor kraftwerkiano sem concessões. Até hoje a repórter está perguntando se anotaram a placa do robô!

6/5² – O mundo atual está tão sombrio que Charlie Brooker, criador de Black Mirror, não cogita um retorno da série tão cedo. Agora ele quer é fazer comédias.


6/5³ – Se vai Brian Howe, aos 66. O cantor britânico iniciou sua carreira na década de 1970 e chegou a integrar a banda de Ted Nugent. Mas ficou famoso mesmo quando foi contratado para cantar no Bad Company no retorno do grupo em 1986. Na nova fase, o hard/blues rock da era Paul Rodgers foi limado em favor de um som mais comercial, repleto de babas radiofônicas como "If You Needed Somebody" e "How About That" – que, mesmo desagradando os mais puristas, vendeu muito. Mas nem tudo foram flores: em entrevista recente, Howe expôs profundos ressentimentos dessa época.

Olá figura! Estamos perplexos! Nem em nossas mais otimistas previsões imaginamos que a meta da campanha de TORPEDO 1936...
Publicado por Figura em Quinta-feira, 7 de maio de 2020

7/5¹ – E o Catarse de Torpedo 1936 + Kraken, da editora Figura, foi um sucesso absoluto!

7/5²Marc Guggenheim, showrunner de Arrow, irá roteirizar um longa do Profeta, de Rob Liefeld. Lembra dele? Nem eu!

7/5³ – A secretária da Cultura Regina Duarte dá uma polêmica entrevista à CNN e muda a fachada de "namoradinha do Brasil" para "namoradinha da ditadura". Constrangedor é apelido.

7/54 – A editora NewPOP sente a pancada nos cofres nestes tempos de pandemia e compartilha a experiência em carta aberta.


7/55Se vai Richard Sala, aos 65. O quadrinhista americano iniciou sua carreira em 1984, com a HQ indie experimental Night Drive. Seu estilo cartunesco muito influenciado pela cultura pulp misturando elementos góticos/sobrenaturais com realismo fantástico rendeu elogios e colaborações com gente como Art Spielgeman e Monte Beauchamp. Onipresente na grade da sensacional Fantagraphics Books, Sala ainda é virtualmente desconhecido no Brasil – foi apenas publicado numa antologia de novos autores da Conrad, em 1999. Pessoalmente, só conheci seu trabalho há uns dois anos e fui imediatamente fisgado. Em outras palavras, uma notícia que, para mim, foi um baque inesperado daqueles...


11/5¹ – Se vai o grande Jerry Stiller, aos 92. O veterano ator e impagável comediante estava na ativa desde 1956 e se desdobrou tanto no teatro quanto na televisão e no cinema. Incansável. Para nós, fica a saudade e a certeza que os Festivus não serão mais os mesmos... for the rest of us!

11/5² – Existem lives e a live do Emicida: mais de oito horas, mais de cem músicas e quase um milhão de reais arrecadados para o projeto beneficente Mães da Favela. Bravo!

12/5¹Katee Sackhoff estará na 2ª temporada de The Mandalorian. A linda irá reprisar em live action a guerreira Bo-Katan Kryze, que dublou nas séries animadas Star Wars: The Clone Wars e Star Wars Rebels.

12/5² – A produção de Mad Max: Estrada da Fúria assimilou bem a essência do filme: bastidores loucos e furiosos, com direito a brigas entre os astros Tom Hardy e Charlize "Imperatriz Furiosa" Theron. Perfeito. Filme com sangue nos zóio tem que ser filmado com sangue nos zóio. Se não for assim, nem quero.

12/5³ – O genial Ian Anderson, do Jethro Tull, foi diagnosticado com uma doença incurável no pulmão há cerca de dois anos. Felizmente, ele tem conseguido manter sua condição estável.

12/54Arnold Schwarzenegger retorna ao seu clássico personagem Dutch, de Predador... na dublagem do game Predator: Hunting Grounds, para PC e PS4. Quase lá...

12/55Robert Downey Jr. está desenvolvendo uma adaptação de Sweet Tooth, de Jeff Lemire, para a Netflix. Então sai Marvel, entra DC/Vertigo capitaneada por um ex-Marvel Studios. Ninguém é de ninguém.


13/52ª temporada de Patrulha do Destino prevista para 25 de junho, via HBO Max. Ok, a série é bacana, mas parece que a HBO virou povão de vez mesmo, hm?

14/5Peter David e Dale Keown retomam a parceria para explorar as origens do foderoso Maestro, a versão futurista e tirânica do Hulk! Lançamento previsto para agosto. Aí sim, porra!!


16/5¹ – Hoje faz dez anos da partida do inesquecível Ronnie James Dio. Parece que foi ontem. Como bem disse o Geezer, o tempo voa. E rápido.

16/5²Geoff Johns comentou que existe a possibilidade do Shazam voltar a se chamar Capitão Marvel. E deixou escapar que esse será o nome ao qual o Superboy Primordial irá se referir ao herói. São pequenas coisas como essa que alegram o meu dia.

16/5³Vincent Cassel diz que revistinhas e filmes baseados em revistinhas são para crianças, no que concordo em absoluto. Quem sou eu pra questionar um sujeito casado com a Tina Kunakey e que é ex da Monica Bellucci?


16/5³Divulgado o 1º pôster de Kung Fu, remake da CW para o clássico seriado dos anos 1970. No papel principal, que era de David Carradine, está a atriz Olivia Liang, o que enfureceu muitos rapazinhos inseguros web afora. Pra mim, ela parece ótima – embora ache que a maravilhosa Jessica Henwick (a Colleen Wing, de Punho de Ferro) merecesse uma 2ª chance de chutar uns rabos por aí.

16/54Tony Isabella, criador do Raio Negro (o Black Lightning, não o Boltagon) ficou puto da cara com a DC. Motivo: alteraram o status do herói de "casado" para "divorciado e namorando a Lady Shiva." Exagero ou não, isso me lembra por que Steve Ditko, Alan Moore, Mark Millar, Grant Morrison e tantos outros abandonaram o mainstream para seguir na independência...


16/55 – Em mais um delírio pop hollywoodiano, o presidente Donald Trump toma para si o discurso do presidente Thomas J. Whitmore, personagem de Bill Pullman em Independence Day!

17/5 – E Bill Pullman pede encarecidamente que Trump "guarde seus memes no rabo para si mesmo."

18/5David Arquette foi confirmado no novo filme da série Pânico, agora pelos diretores Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett. É certo que a franquia do Ghostface se exauriu há eras juntamente com seus zilhões de genéricos, mas a dupla de cineastas – responsável pelo divertido Casamento Sangrento (Ready or Not, 2019) – merece um votinho de confiança. Que vai ser barra extrair alguma coisa que preste dali a esta altura, vai. Ah, vai...

19/5 – A atriz Ruby Rose abandona o capuz da série da Batwoman após uma temporada. Não é pra menos. O que essa moça sofreu, física e psicologicamente, para seguir no papel, não foi brincadeira.


20/5¹ – Putz. O Snyder Cut de Liga da Justiça vai rolar mesmo. Ninguém contava com a HBO Max vindo direto da Pedestrelândia.

20/5²Regina Duarte deixa a secretaria da Cultura. Como "bônus", ela agora assumirá a Cinemateca, em São Paulo. Um melancólico final de carreira.

21/5 – E eis que, do nada, a Conrad Editora ressurge e está recebendo originais para avaliação e possível publicação. Quem vai?


22/5Mitch Gerads vê sua capa perdida de Batman #74 se perder mais uma vez com o crédito dado erroneamente a Mikel Janín na versão da Panini. Brazil! Brazil!

26/5Scott Derrickson (A Entidade, Doutor Estranho) irá dirigir uma sequência de Labirinto para a TriStar Pictures. Boa sorte em reeditar o charme do clássico de 1986 sem os efeitos práticos, sem a jovem Jennifer Connelly e sem David Bowie.

28/5Nubia: Real One é uma graphic de L.L. McKinney (roteiro), Robyn Smith (traço) e da dupla Brie Henderson/Bec Glendining (cores) que irá reintroduzir uma personagem pouco comentada: a irmã negra da Mulher-Maravilha. Confesso que nunca ouvi falar na moça, mas já dei início à pesquisa de campo.


29/5¹ – Se vai Bob Kulick, irmão do Bruce, aos 70. O CV do músico e produtor é quilométrico, com trabalhos que vão de Kiss e Meat Loaf a Lou Reed e Doro, passando por W.A.S.P., Diana Ross, Michael Bolton, etc, etc, etc. – fora projetos solo e suas várias produções de álbums-tributos, que muito me divertiam em tempos idos. Fácil, um dos nomes mais respeitados da indústria.

29/5² – Após o sucesso de O Homem Invisível, a Universal segue expandindo seu monstroverso com a refilmagem de Wolfman. No papel do licantropo, Ryan Gosling. Rrraw.


31/5Stanley Kubrick ficou tão impressionado com a cena do chestburster em Alien (1979) que ligou para Ridley Scott para perguntar como foi que ele fez. O fato dele lembrar disso até hoje me diz que alguém foi à loucura com aquele telefonema...



Por último e o mais importante...

sábado, 24 de setembro de 2011

Smells like 1991


Hoje fazem exatamente 20 anos do lançamento de Nevermind. Numa comparação razoavelmente honesta, o 24/09/91 foi a Tunguska da cultura pop. Dos redutos alternativos mais restritos às periferias, digamos... menos antenadas (já viu um pedreiro cantarolando "On a Plain"? Eu já), conscientemente ou não, a onda de choque atingiu todos, em todos os escalões. O epicentro era na longínqua Aberdeen, fim de mundo white trash da costa oeste norte-americana. De lá pra cá, Nevermind e toda sua bagagem icônica atravessaram anos e mídias com intensidade reluzente e sem fim aparente. Nada mal para um disco de rock 'n' roll.

Não faço ideia de como as novas gerações exergam o álbum e tudo o que ele representou para uma indústria hoje semidefunta. Nem faço muita questão, pra falar a verdade. Para entender o impacto que Nevermind teve, é necessário ter vivido aquele início de década. E a década antes dela. Era o álbum certo para o momento certo - estávamos em plena ressaca dos 80's, a mediocridade imperava nas rádios, com programações regurgitando dejetos tão pútridos quanto os de hoje. Troque Lady Gaga, Rihanna e Katy Perry por Paula Abdul, Black Box e C+C Music Factory e pode fechar a equação. Eram tempos difíceis.

Frente a esse cenário altamente pasteurizado, havia um real esforço de continuidade que se confundia com os últimos resquícios de uma década pomposa demais. A entressafra de artistas e tendências resultou num ano incomum e prolífico de grandes lançamentos. É verdade que poucos deles tiveram a velocidade vertiginosa de assimilação de Nevermind. Alguns só estouraram no dial ao longo do ano seguinte, outros nem isso. Mas seguem influentes e ainda hoje são peças-chave nas carreiras de suas bandas e nos corações de seus ouvintes. 1991 definitivamente não acabou.

Segue abaixo uma lista dos 20 discos daquele ano que ouvi até a minha orelha derreter e escorrer pelo pescoço. A maioria tive em LP. Com o passar dos anos, substituí alguns por CDs. Após o advento do MP3 (e do FLAC), uns poucos ainda resistiram bravamente em seu formato físico. Early adopter, pero sin perder la ternura jamás...



O disco que virou tudo de ponta cabeça, iniciou a capitalização do movimento grunge, jogou a última pá de cal no hard rock poser, etc. Tenho vários amigos que odeiam Nirvana e imagino o inferno que deve ter sido pra eles - porque não dava pra ficar indiferente à massificação da coisa. O próprio Kurt Cobain foi vitimado e virou um prisioneiro. Almejava um direcionamento musical mais suave e melódico, ao exemplo do elogiado MTV Unplugged in New York e de uma de suas bandas favoritas, o R.E.M., mas cedeu às pressões da gravadora e da garotada "que só queria ouvir o som pesado da guitarra". O resto da história todo mundo conhece.



A virada sonora mais bem sucedida do metal, antecipando um futuro próximo onde o thrash já deu o que tinha que dar em termos de novidade. Um álbum excelente do início ao fim. Headbangers da facção true amaldiçoaram o grupo e os críticos indie esnobaram, taxando o disco de pretensioso. E eu, quem diria, fiquei ao lado dos fãs de última hora que conheceram o Metallica via "Nothing Else Matters".



Após uma viagem pelas raízes da América, o grande vencedor do pop rock dos anos 80 buscou uma estética mais globalizada em Achtung Baby. O experimentalismo era latente - "The Fly" e "Mysterious Ways" traziam peso e paisagens completamente alienígenas ao som do grupo. Passado o susto e ouvindo o disco com calma, era o U2 de sempre. Na época, isso era uma coisa boa.



Arise sedimentou o caminho aberto por Beneath the Remains e inseriu o Sepultura de vez nos charts metálicos internacionais. Missão difícil que o grupo mineiro, junto com Scott Burns (o melhor produtor thrash da época), cumpriu com louvor. Discaço. Um dos meus orgulhos ufanistas bestas é entrar ocasionalmente no Amazão e ler o que os gringos ainda escrevem sobre.



Técnica, sangue-frio e violência. Sempre encarei o Prong de Prove You Wrong como uma espécie de "Evil Rush". O power-trio liderado por Tommy Victor produzia um esporro extremamente complexo e original (principalmente pra mim, que não conhecia o Killing Joke na época!). Pena que nos discos seguintes se renderam à onda metal industrial que ajudaram a propagar, apostando num som mais simples e acessível.



Contrato com a Warner, orçamento de luxo, produção de Rick Rubin. Blood Sugar Sex Magik foi concebido pra dar certo. E deu, por merecimento. É um grande álbum dos Pimentas - e um baita catadão de suas influências e vertentes sonoras - embora meus favoritos continuem sendo o The Uplift Mofo Party Plan e o Mother's Milk. E todos esses dão uma surra nos últimos álbuns da rapaziada.



Antes é preciso entender que o KLF era da pá virada. O anti-establishment da dupla Bill Drummond e Jimmy Cauty era de mandar punk juramentado de volta ao jardim de infância. Não é todo mundo que tem cojones pra subir ao palco em companhia do Extreme Noise Terror pra subverter seu maior hit e assim sacanear uma network em horário nobre e uma plateia coxinha que aguardava uma apresentação tipicamente dance pop. Quem dirá enterrar sua estatueta de "Melhor Grupo Britânico de 1992" nos arredores de Stonehenge. De quebra, quando a coisa perigou ficar muito grande e rentável, eles puxaram o fio da tomada e retiraram todos os seus discos de catálogo. The White Room era um achado. Sofisticado, cheio de trucagens, camadas e climas num contexto deslavadamente popular. Musicalmente, estava a anos-luz à frente de "apostas certas" da crítica, como The Shamen e Altern 8. O KLF era foda.



Gosto muito do Superunknown e do Down on the Upside, mas esse é o disco do Soundgarden pra mim. Ainda lembro da primeira vez que ouvi "Outshined". Parecia que todos os espíritos dos Natais setentistas vieram me visitar ao mesmo tempo. Led Zeppelin, Grand Funk Railroad, Jethro Tull, Black Sabbath, psicodelia e paudurescência se estendendo por todo o álbum. E Chris Cornell parecia ser um dos maiores vocalistas de rock a pisar num palco. Parecia...



Devo dizer que naquele ano ouvi também muito o Várias Variáveis, dos desafetos/rivais Engenheiros do Hawaii. Mas o V (curiosa profusão de V's!) era o Legião abrindo mão de quase toda a facilidade comercial conquistada pelos discos anteriores. Respeito isso. V (e o VV, em menor escala) foi um rasgo de inspiração concentrada, ainda que refletindo uma tremenda bad trip, num ano particularmente ruim para o Brasil - na época, Collorido - e para o rock nacional.



O disco que fez o R.E.M. estourar no resto do mundo. Com o tempo, "Losing my Religion" sofreu os efeitos da mega-exposição, o que não tira os méritos da banda e do álbum. Aliás, muitos artistas deveriam aprender a sair de cena como esses caras. Genial.



Screamadelica foi tão bacana, refrescante e seminal que todo mundo combinou que não ia mais chamar o Primal Scream de "a banda do ex-baterista do Jesus & The Mary Chain". Dali em diante só era permitido "o Primal Scream não é apenas a banda do ex-baterista do Jesus & The Mary Chain". Certas correntes são difíceis de se livrar. Mas a notícia boa é que, nesse boom revisionista, tenho reouvido o disco e funciona como se tivesse saído hoje.



Foi Bandwagonesque que abriu os olhos (e os ouvidos) deste ogro metálico avesso a bandas indie. Quando menos percebi estava quase furando o vinil e assobiando as melodias por aí.



Nunca tinha ouvido nada tão sofisticado e ganchudo ao mesmo tempo. Nem sei se entendia direito o conceito de trip-hop e pouco importava. Ouvi e ainda ouço muito, nos momentos certos. Esse álbum é um clássico.



Eu tinha pirado no filme. Quando vi a trilha na loja, não pensei duas vezes. Foi minha porta de entrada para o universo do soul e do r&b. As versões são irresistíveis.



Há muito enrolava para conhecer os autômatos do Kraftwerk mais a fundo. The Mix cumpriu seu objetivo muito bem no meu caso - é uma perfeita introdução para um n00b. E que tal reouvir o álbum enquanto lê o artigo arrepiante da Cracked?



Quem diria que o Madman emergiria dos 80's em excelente forma e com um novo talento guitarrístico à tira-colo? Arrasador.



Esse está há vinte anos no volume 11. Um dos grandes balaços de Lemmy e seu bando. Difícil decidir qual a homenagem mais porradeira: "Ramones" ou "Going to Brazil".



Admito que só corri atrás desse porque a cantora da banda, Inger Lorre, era um tesão. Mas, que surpresa, o disco trazia um mix sensacional de glam, punk, alternativo e gótico. Iggy Pop participa de uma das faixas. Me surpreendi pelo fato do grupo ter sumido do mapa após essa estreia promissora (via Geffen, major das grandes). Talvez seja porque a Inger era uma encrenqueira das brabas, do tipo que fazia a Madonna parecer uma freirinha. Aliás, por onde será que ela anda? Inger, se estiver lendo, me liga!



"Mas que porra foi essa?", foi minha primeira reação ao ouvir o segundo LP desses monstros franceses. Era a trilha sonora de um pesadelo! Hoje sei que era um industrial post-metal altamente abrasivo e basáltico, mas na época me senti um neanderthal diante do Monolito Negro. Comprei, na mesma tacada, o excepcional debut também. Mas escolho esse pela versão tonelada de "Radioactivity", do Kraftwerk.



Esse já pertence a um escopo mais habitué pra mim. Curtia os mineiros do grupo The Mist desde a estreia com Phantasmagoria, mas o The Hangman Tree é uma pintura gothic thrash metal - e um dos registros mais subestimados do metal nacional. É um daqueles meus LPs que foram recomprados em CD e que permanecem comigo até hoje.


Bonus tracks

Como a intenção era só listar álbuns de estúdio, separei esses, igualmente essenciais pra mim e hits absolutos no meu playlist '91.


Ainda tenho esse e o home video com o show completo, You Fat B**tards. Mike Patton completamente insano e a banda nos cascos, dando um gás atômico até nas saturadas "Epic" e "Falling to Pieces". Antológico.



Esporreira clássica que levanta qualquer festinha. O lado ruim é que já devo ter comprado esse CD umas cinco ou seis vezes. Às vezes o one-two-three nem chegava ao four, que o disco era "apropriado irregularmente" por algum convertido. Valei-me, meu São Joey!