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domingo, 20 de agosto de 2023

“More than words to show you feel...”


O retorno do Extreme após 15 anos de molho foi marcado da forma mais rock and roll possível: com um incendiário solo de guitarra. Crédito para o virtuose Nuno Bettencourt. O vídeo da música "Rise" bateu 1 milhão de visualizações só na primeira semana e seu engenhoso solo foi elogiado por gente como Justin Hawkins (The Darkness) e o multi-instrumentista e produtor Rick Beato. Merecido.

E não custa lembrar que o guitarrista luso utilizou a mesma técnica na música "Peacemaker Die", do álbum III Sides to Every Story, de 1992. É praticamente o mesmo solo, mas, na época, passou batido. Faz parte.

O reencontro de Nuno com o hype também rendeu suas turbulências – e fazia tempo que não surgia uma treta rockeira interessante.

Durante o gap no Extreme, o músico integrou a banda ao vivo da diva pop Rihanna, onde precisou assimilar uma variedade de estilos além do rock. O que não era nada novo para ele, tendo em vista (e ouvidas) suas colaborações anteriores com Robert Palmer, Perry Farrell, Lúcia Moniz e Toni Braxton, entre outros. O cara é bom. E sentiu que precisava lembrar isso ao mundo.

Em entrevisa à rádio inglesa Planet Rock, Nuno caminhou até a proa e bradou a plenos pulmões:
“Quando alguém como Rihanna te chama para tocar, todo mundo pensa ‘oh, que fofo. É uma artista pop, que seja’. Deixe-me dizer uma coisa, o que eu tinha que fazer noite após noite... botar um chapéu de reggae para um lance de reggae, em seguida tocar um R&B, então tocar algum punk rock e pop rock que ela fez, e então faixas dançantes de clube. Todos os tipos (de coisas), todas essas sensações diferentes. Desculpe, mas a maioria dos guitarristas que admiro não conseguiria fazer aquele show em seu tempo de vida. Digo isso da maneira mais elogiosa possível. Slash é um dos maiores guitarristas de rock de todos os tempos, mas eu garanto – e ele seria o primeiro a dizer a você – que se ele tentar tocar uma introdução limpa para 'Rude Boy' de Rihanna, não vai acontecer. Ele teria que lutar. Acredito que se eu não fosse tão diverso musicalmente e conhecido todo tipo de música quando era mais novo, não teria como estar nessa. E também ser aberto, ser um músico aberto no sentido de absorver tudo.”
Quem não ficou nada satisfeito com a declaração foi o Richard Fortus, guitarrista do Guns 'N Roses e amigão do Saul Hudson.

E instagramou seus sentimentos:


O que, no idioma de Luiz Carlini, quer dizer mais ou menos...
“Eu tenho que respeitosamente discordar. @nunobettencourtofficial é um dos grandes, com certeza. No entanto, há muito pouco que @slash não poderia fazer na guitarra (se ele quisesse). Eu fiz turnê com Rihanna antes de Nuno e passei muito tempo tocando com Slash. Este show não seria uma luta para ele.”
A reação de Nuno foi, metaforicamente, extreme escrevendo um TCC de morde-e-assopra em formato de Bíblia, Guerra e Paz e catálogo telefônico:


Resultando na seguinte revisão do que me entregou o Google Translator:
“Bem... sabia que isso eventualmente iria acontecer.

Você não pode ser abençoado e estar em várias capas de revistas de guitarra aos chocantes 56 anos de idade, receber tanta atenção por sua forma de tocar e pelo novo álbum como um guitarrista de rock sem que algum outro guitarrista agite alguma merda.

Estou respondendo a isso não porque eu dou a mínima para o que esse guitarrista pensa sobre mim, mas, em vez disso, porque eu odiaria pensar que minhas poucas palavras ofenderam um herói meu, @slash e possivelmente foderam meu relacionamento com ele.

@4tus eu ‘respectivamente’ nunca ouvi você tocar uma nota em meus 56 anos de vida e só sei seu nome do acampamento Rihanna e como um músico substituto no Guns.

Tenho certeza de que você é um músico decente, mas você realmente precisava repassar uma manchete que me fez parecer que estou falando mal de um colega músico, Slash.

Como se eu fosse pensar que Slash não é capaz de tocar nenhuma música da Rihanna enquanto dorme.

Vamos esclarecer uma coisa. Para mim, Slash é um dos maiores guitarristas de rock da minha geração e de todos os tempos. PONTO.

E @4tus, se você me conhecesse e onde está meu coração, saberia que o que eu quis dizer nesta declaração não era sobre Slash ou sua capacidade, era sobre guitarristas de rock como eu ou Slash trocando de estilo e a estranheza de tocá-los.

É óbvio que Slash pode tocar essas músicas, muito obrigado por apontar isso como se nós já não soubéssemos.

Mas para mim, como um guitarrista de ROCK predominante, obviamente não sou tão talentoso quanto você e achei um desafio acertar todas as diferentes pegadas e tons de guitarra de gêneros como Reggae, R&B, Electronic Dance, Trap e pop.

No que diz respeito à minha afirmação ridícula de que Slash iria ‘lutar’, sim, uma má escolha de palavras da minha parte, eu pessoalmente espero que Slash, que é um colega e uma influência, seja mais maduro o suficiente para entender o que eu realmente quis dizer como guitarrista por esse comentário.

Ao mencionar Slash como um exemplo icônico do Rock, quis dizer que, em geral, um guitarrista de rock o acharia, NÃO UMA LUTA, mas se sentiria como um peixe fora d'água como músico.
ISSO É TUDO QUE EU DISSE.

Eu não tive NADA além de respeito e admiração por @gunsnroses e @slash.

Peço desculpas se ofendi alguém sem querer.

N.”
Difícil tomar algum partido quando os dois têm sua cota de razão. Nuno, por observar os rigores de alguns (grandes) músicos do rock e Fortus, por observar o modo canhestro de Nuno afirmar isso.

De qualquer forma, esse episódio me lembrou algo que o baixista Jason Newsted articulou em entrevista à Rock Brigade sobre a diferença entre Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, e James Hetfield e Kirk Hammett, seus ex-companheiros de Metallica.


Entrevista a Fernando Souza Filho — Rock Brigade #190 (Maio/2002)

E ainda concluiu com uma voadora no Yngwie Malmsteen. Assim é que se faz, Nuno.

Jason é o cara.

segunda-feira, 18 de abril de 2022

Guns, Love and Thunder N' Roses

Detratores e amantes de Thor: Ragnarok, treimei-vos e regozijai-vos: aportou o trailer de Thor: Amor e Trovão.


É como receber uma transfusão do sangue do Taika Waititi chapado de LSD. Tem o aspecto da fanfarronice, incorreção e otimismo inabalável, que, misturado ao hino dos gunners (e esse deve ter sido o cheque mais gordo que Slash recebe desde 1996), dá uma sensação meio James Gunn à coisa toda. Finalmente vemos a Natalie Portman como a poseur Thor Jane Foster e ainda não dá pra ver o Christian Bale soterrado sob quilos de látex como o temível Gorr, mas a referência ao Carniceiro dos Deuses comparece, em alto e bom som.

Oito de julho (?) estarei lá. Tudo pela pipoca & guaraná.

domingo, 31 de maio de 2020

😷 😷 😷 😷 😷 😷 😷 Retrospec Maio/2020 😷 😷 😷 😷 😷 😷 😷



2/5 – Em uma época em que a racionalidade e o senso de autopreservação caem ante a paranoia ideológica ou a possibilidade de um dia de praia, Axl Rose propõe uma solução que há tempos venho pensando em voz baixa...


3/5Se vai Dave Greenfield, aos 71, vitimado pelo novo coronavírus. Desde 1975 – exatos 45 anos – era tecladista, compositor e ocasional cantor da icônica banda The Stranglers. O grupo britânico teve papel essencial na efervescência punk e seminal na 1ª geração do pós-punk. Muito disso se deve à Greenfield e seu improvável papel de tecladista/organista na barulhenta cena emergente, aliando elementos psicodélicos e progressivos, antecipando o que viria a ser a new wave e o synthpop anos depois.

4/5¹Sylvester Stallone confirma que a Warner Bros. está desenvolvendo uma sequência de O Demolidor (Demolition Man, 1993). Contanto que finalmente expliquem para que servem as malditas conchas, tá valendo.


4/5² – Se vai Aldir Blanc, aos 73, por complicações associadas ao COVID-19. O letrista, compositor e cronista carioca foi autor de mais de 600 canções em 50 anos de atividade. Foi gravado por artistas como Elis Regina, Clara Nunes, Fafá de Belém, Nana Caymmi, Roupa Nova e MPB-4, entre muitos outros. Fez parcerias memoráveis com Maurício Tapajós, Carlos Lyra e, especialmente, João Bosco, em clássicos como "O Mestre-Sala dos Mares" e "O Bêbado e a Equilibrista". A partida de Blanc fecha um gigantesco capítulo da música popular brasileira.

4/5³ – A Lucasfilm confirma: Taika Waititi irá dirigir um novo Star Wars. Parecia inevitável. O marketing pessoal do neozelandês – ilustre desconhecido até dia desses – só pode envolver truques mentais jedi e manipulações sith.

4/54Nicolas Cage será Joe Exotic em nova minissérie da CBS. Joe ficou famoso após o estourado doc Tiger King, da Netflix, e provavelmente só o Cage mesmo estaria à altura da missão.


4/55 – Se vai Flávio Gomes Migliaccio, aos 85. O ator paulista iniciou sua longeva carreira no teatro, em 1954. Nos cinemas, participou de sucessos como a 1ª versão de Todas as Mulheres do Mundo, Terra em Transe, de Glauber Rocha, Roberto Carlos a 300 Quilômetros por Hora e nos dois longas como o inesquecível Tio Maneco; na televisão era hor-concours com participações em incontáveis novelas e séries. Deixou uma carta de despedida tocante – e que, embora contundente e muito triste, trouxe de volta à luz o debate sobre o descaso com a cultura no Brasil, além da solidão e da depressão na 3ª idade.

4/56Os Novos Mutantes já está disponível para pré-venda na Amazon em opções HD/SD. Mas gringo piscou, perdeu: enquanto escrevia a frase anterior, a folclórica produção foi removida do serviço nos Estados Unidos. Porém, continua ativa na Amazon-UK.


4/57 – Hoje foi dia da Lilly Wachowski dar uma faxina na Matrix. Oopsie!

4/58 – E 2020 não para: a cantora e compositora Amanda Palmer anuncia sua separação de Neil Gaiman... em sua conta no Patreon.


4/59Robert Rodriguez será o diretor da 2ª temporada de The Mandalorian. Mal posso esperar pra ver el mandaloriachi com sua guitar-blaster tocando nos pés-sujos mais fuleiros da galáxia.

5/5¹ – Lembra do maestro Dante Mantovani, que acredita ser o rock obra da SS (Satã Soviético) e que foi exonerado da presidência da Funarte pela secretária da Cultura Regina Duarte? Ele acaba de ser reconduzido ao cargo pelo ministro-chefe da Casa Civil General Walter Braga Netto.

5/5² – Ansioso, Mantovani já almeja uma recepção calorosa da secretária ex-namoradinha do Brasil.

5/5³ – E a nomeação de Dante Mantovani é cancelada mais uma vez. E seu algoz foi o próprio Braga Netto. É o Inferno de Dante!


5/54Se vai Ciro Pessoa, aos 62, vítima do COVID-19 em meio ao tratamento de um câncer. O músico, compositor, jornalista e escritor foi uma das peças fundamentais do underground paulista da geração 80. Foi membro fundador do Titãs (na época, ainda Titãs do Iê-Iê-Iê) e também do cultuado grupo gótico/pós-punk Cabine C, entre inúmeros outros projetos.


6/5¹Divulgada a passagem de Florian Schneider em 21 de abril último, aos 73, de câncer. O compositor e multi-instrumentista alemão foi um dos fundadores do Kraftwerk. É, sem a menor dúvida, um dos nomes mais revolucionários e influentes da história da música pop dos últimos 50 anos. Um gênio. Pessoalmente, era meu mensch-maschine predileto do grupo...


...até pelo senso de humor kraftwerkiano sem concessões. Até hoje a repórter está perguntando se anotaram a placa do robô!

6/5² – O mundo atual está tão sombrio que Charlie Brooker, criador de Black Mirror, não cogita um retorno da série tão cedo. Agora ele quer é fazer comédias.


6/5³ – Se vai Brian Howe, aos 66. O cantor britânico iniciou sua carreira na década de 1970 e chegou a integrar a banda de Ted Nugent. Mas ficou famoso mesmo quando foi contratado para cantar no Bad Company no retorno do grupo em 1986. Na nova fase, o hard/blues rock da era Paul Rodgers foi limado em favor de um som mais comercial, repleto de babas radiofônicas como "If You Needed Somebody" e "How About That" – que, mesmo desagradando os mais puristas, vendeu muito. Mas nem tudo foram flores: em entrevista recente, Howe expôs profundos ressentimentos dessa época.

Olá figura! Estamos perplexos! Nem em nossas mais otimistas previsões imaginamos que a meta da campanha de TORPEDO 1936...
Publicado por Figura em Quinta-feira, 7 de maio de 2020

7/5¹ – E o Catarse de Torpedo 1936 + Kraken, da editora Figura, foi um sucesso absoluto!

7/5²Marc Guggenheim, showrunner de Arrow, irá roteirizar um longa do Profeta, de Rob Liefeld. Lembra dele? Nem eu!

7/5³ – A secretária da Cultura Regina Duarte dá uma polêmica entrevista à CNN e muda a fachada de "namoradinha do Brasil" para "namoradinha da ditadura". Constrangedor é apelido.

7/54 – A editora NewPOP sente a pancada nos cofres nestes tempos de pandemia e compartilha a experiência em carta aberta.


7/55Se vai Richard Sala, aos 65. O quadrinhista americano iniciou sua carreira em 1984, com a HQ indie experimental Night Drive. Seu estilo cartunesco muito influenciado pela cultura pulp misturando elementos góticos/sobrenaturais com realismo fantástico rendeu elogios e colaborações com gente como Art Spielgeman e Monte Beauchamp. Onipresente na grade da sensacional Fantagraphics Books, Sala ainda é virtualmente desconhecido no Brasil – foi apenas publicado numa antologia de novos autores da Conrad, em 1999. Pessoalmente, só conheci seu trabalho há uns dois anos e fui imediatamente fisgado. Em outras palavras, uma notícia que, para mim, foi um baque inesperado daqueles...


11/5¹ – Se vai o grande Jerry Stiller, aos 92. O veterano ator e impagável comediante estava na ativa desde 1956 e se desdobrou tanto no teatro quanto na televisão e no cinema. Incansável. Para nós, fica a saudade e a certeza que os Festivus não serão mais os mesmos... for the rest of us!

11/5² – Existem lives e a live do Emicida: mais de oito horas, mais de cem músicas e quase um milhão de reais arrecadados para o projeto beneficente Mães da Favela. Bravo!

12/5¹Katee Sackhoff estará na 2ª temporada de The Mandalorian. A linda irá reprisar em live action a guerreira Bo-Katan Kryze, que dublou nas séries animadas Star Wars: The Clone Wars e Star Wars Rebels.

12/5² – A produção de Mad Max: Estrada da Fúria assimilou bem a essência do filme: bastidores loucos e furiosos, com direito a brigas entre os astros Tom Hardy e Charlize "Imperatriz Furiosa" Theron. Perfeito. Filme com sangue nos zóio tem que ser filmado com sangue nos zóio. Se não for assim, nem quero.

12/5³ – O genial Ian Anderson, do Jethro Tull, foi diagnosticado com uma doença incurável no pulmão há cerca de dois anos. Felizmente, ele tem conseguido manter sua condição estável.

12/54Arnold Schwarzenegger retorna ao seu clássico personagem Dutch, de Predador... na dublagem do game Predator: Hunting Grounds, para PC e PS4. Quase lá...

12/55Robert Downey Jr. está desenvolvendo uma adaptação de Sweet Tooth, de Jeff Lemire, para a Netflix. Então sai Marvel, entra DC/Vertigo capitaneada por um ex-Marvel Studios. Ninguém é de ninguém.


13/52ª temporada de Patrulha do Destino prevista para 25 de junho, via HBO Max. Ok, a série é bacana, mas parece que a HBO virou povão de vez mesmo, hm?

14/5Peter David e Dale Keown retomam a parceria para explorar as origens do foderoso Maestro, a versão futurista e tirânica do Hulk! Lançamento previsto para agosto. Aí sim, porra!!


16/5¹ – Hoje faz dez anos da partida do inesquecível Ronnie James Dio. Parece que foi ontem. Como bem disse o Geezer, o tempo voa. E rápido.

16/5²Geoff Johns comentou que existe a possibilidade do Shazam voltar a se chamar Capitão Marvel. E deixou escapar que esse será o nome ao qual o Superboy Primordial irá se referir ao herói. São pequenas coisas como essa que alegram o meu dia.

16/5³Vincent Cassel diz que revistinhas e filmes baseados em revistinhas são para crianças, no que concordo em absoluto. Quem sou eu pra questionar um sujeito casado com a Tina Kunakey e que é ex da Monica Bellucci?


16/5³Divulgado o 1º pôster de Kung Fu, remake da CW para o clássico seriado dos anos 1970. No papel principal, que era de David Carradine, está a atriz Olivia Liang, o que enfureceu muitos rapazinhos inseguros web afora. Pra mim, ela parece ótima – embora ache que a maravilhosa Jessica Henwick (a Colleen Wing, de Punho de Ferro) merecesse uma 2ª chance de chutar uns rabos por aí.

16/54Tony Isabella, criador do Raio Negro (o Black Lightning, não o Boltagon) ficou puto da cara com a DC. Motivo: alteraram o status do herói de "casado" para "divorciado e namorando a Lady Shiva." Exagero ou não, isso me lembra por que Steve Ditko, Alan Moore, Mark Millar, Grant Morrison e tantos outros abandonaram o mainstream para seguir na independência...


16/55 – Em mais um delírio pop hollywoodiano, o presidente Donald Trump toma para si o discurso do presidente Thomas J. Whitmore, personagem de Bill Pullman em Independence Day!

17/5 – E Bill Pullman pede encarecidamente que Trump "guarde seus memes no rabo para si mesmo."

18/5David Arquette foi confirmado no novo filme da série Pânico, agora pelos diretores Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett. É certo que a franquia do Ghostface se exauriu há eras juntamente com seus zilhões de genéricos, mas a dupla de cineastas – responsável pelo divertido Casamento Sangrento (Ready or Not, 2019) – merece um votinho de confiança. Que vai ser barra extrair alguma coisa que preste dali a esta altura, vai. Ah, vai...

19/5 – A atriz Ruby Rose abandona o capuz da série da Batwoman após uma temporada. Não é pra menos. O que essa moça sofreu, física e psicologicamente, para seguir no papel, não foi brincadeira.


20/5¹ – Putz. O Snyder Cut de Liga da Justiça vai rolar mesmo. Ninguém contava com a HBO Max vindo direto da Pedestrelândia.

20/5²Regina Duarte deixa a secretaria da Cultura. Como "bônus", ela agora assumirá a Cinemateca, em São Paulo. Um melancólico final de carreira.

21/5 – E eis que, do nada, a Conrad Editora ressurge e está recebendo originais para avaliação e possível publicação. Quem vai?


22/5Mitch Gerads vê sua capa perdida de Batman #74 se perder mais uma vez com o crédito dado erroneamente a Mikel Janín na versão da Panini. Brazil! Brazil!

26/5Scott Derrickson (A Entidade, Doutor Estranho) irá dirigir uma sequência de Labirinto para a TriStar Pictures. Boa sorte em reeditar o charme do clássico de 1986 sem os efeitos práticos, sem a jovem Jennifer Connelly e sem David Bowie.

28/5Nubia: Real One é uma graphic de L.L. McKinney (roteiro), Robyn Smith (traço) e da dupla Brie Henderson/Bec Glendining (cores) que irá reintroduzir uma personagem pouco comentada: a irmã negra da Mulher-Maravilha. Confesso que nunca ouvi falar na moça, mas já dei início à pesquisa de campo.


29/5¹ – Se vai Bob Kulick, irmão do Bruce, aos 70. O CV do músico e produtor é quilométrico, com trabalhos que vão de Kiss e Meat Loaf a Lou Reed e Doro, passando por W.A.S.P., Diana Ross, Michael Bolton, etc, etc, etc. – fora projetos solo e suas várias produções de álbums-tributos, que muito me divertiam em tempos idos. Fácil, um dos nomes mais respeitados da indústria.

29/5² – Após o sucesso de O Homem Invisível, a Universal segue expandindo seu monstroverso com a refilmagem de Wolfman. No papel do licantropo, Ryan Gosling. Rrraw.


31/5Stanley Kubrick ficou tão impressionado com a cena do chestburster em Alien (1979) que ligou para Ridley Scott para perguntar como foi que ele fez. O fato dele lembrar disso até hoje me diz que alguém foi à loucura com aquele telefonema...



Por último e o mais importante...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

DIE, AXL, DIE!


Melhores de 2008 outrora em produção e eu ouvindo o Chinese Democracy pela terceira vez nesta vida. Não é um disco ruim, tampouco justifica a demora e é, de longe, o registro mais bizarro do grande cetáceo do rock. Minha política em relação aos gunners é de "não-intervenção": tanto acho hilário o tom inflamável das críticas (algumas, antológicas!) quanto dignos de surra os que consideram o grupo a redenção definitiva do rock & roll. Ah, porra... vão ouvir Thin Lizzy, caralho. The Who. Bad Company. Led, Rainbow! Até o Foghat foi melhor.

Mas dessa os roses saem ilesos, já que sempre foram os primeiros a admitir que estavam à sombra de gigantes. Caso contrário, mereceriam mesmo todas as tomatadas. Além do mais, qualquer banda que escreva uma sonzeira como "The Garden" e ainda tenha moral o suficiente para invocar o vozeirão cavernoso do fuckin' Alice Cooper, tem direito a crédito extra. Isso me chama a atenção para o que realmente há de errado com a banda - os fãs. Ah, esses malditos.

Mas então. Enquanto tentava entender um pouco do disco novo (impossível), curtia uma versão bem melhor do Axl Rose: a da história "Stage Coach", da série White Trash de Gordon Rennie e do saudoso Martin Emond (R.I.P.!). Publicada na Heavy Metal #142 (janeiro/1993), é algo raro de encontrar, é bem possível que seja inédita por aqui. Se saiu, é quase certo que foi pela Heavy Metal Brasil ou pela Animal.


Na história, Axl, então um jovem white trash, sai de algum trailer nos cafundós de Indiana com destino a Los Angeles, a terra prometida do hard rock oitentista. Durante o trajeto, uma gangue de motoqueiros headbangers, talvez prevendo a praga mundial que seriam os GN'R, ataca o ônibus do rapaz e tenta matá-lo a todo custo.

Tão divertido quanto parece!


No link (em inglês) >>

White Trash: Stage Coach


E Chinese Democracy não constaria no Melhores '08. Processo arquivado.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2005

SPIN THE BOTTLE - AN ALL-STAR TRIBUTE TO KISS
(Koch Records/2004)


Um dos discos mais divertidos do ano passado. E como a maioria dos discos "apenas divertidos", passou despercebido em grande parte das listas de melhores. Mas a vocação de Spin The Bottle - An All-Star Tribute To Kiss não é pra tanto, visto que foi um projeto quase que independente de Bob Kulick, que produziu o disco. Da mesma forma que fez nos tributos ao Def Leppard, AC/DC e Van Halen, entre outros (o cara é um tributeiro de mão cheia), ele reuniu vários profissionais do hard em formações esporádicas para executar alguns clássicos do Kiss. Daí saem times que variam de improváveis a brilhantes. Pra quem conhece, é uma festa.

Ninguém menos que Dee Snider já chega arregaçando a goela no hino Detroit Rock City, que conta também com Doug Aldrich num belíssimo trampo de guitarra, Mark Mendonza no baixo e John Tempesta na bateria.

Love Gun recebeu um instrumental afiadíssimo: Tim Bogart, Jay Schellen e até Steve Lukather, do Toto (!!). Pena que o vocal não saiu pra briga (ao contrário do original com o Paul Stanley)... mas Tommy Shaw nunca foi lá essas coisas mesmo.

Cold Gin é grande, espaçosa e sacana. Música pra implodir estádio. Característica muito bem mantida pela dupla de guitarristas Ryan Roxy/Robben Ford e os vocais "yeah" de Mark Slaughter.

King Of The Night Time World é do tipo "todo-mundo-agora-segura-no-refrão" e o espírito continua lá. Rich Ward mandou bem nas guitarras, Chris Jericho se esgoelou numa boa e conseguiram resgatar até o baixista Mike Inez (ex-Ozzy, ex-Alice in Chains, ex-Heart... enfim, ex-tudo).

A próxima, I Want You. Um hard soulzístico que influenciou de Lenny Kravitz a Ben Harper. Meu... mas que guitarra digitada é essa do Paul Gilbert (Mr. Big)? O cara é sinistrão!

A porrada seguinte já era porrada desde 1976: God Of Thunder. E o time escolhido é pesadão mesmo, com a batera cavalar de Carmine Appice, a guitarra canibal de Bruce Kulick (esse é um entra-e-sai do Kiss que eu nunca vi igual) e um vocal meio death de Buzz Osbourne (do Melvins). Mas a versão do White Zombie era melhor.

A agitadona Calling Dr. Love conta com os vocais de Page Hamilton (do Helmet... é o mesmo que Max Cavalera cantando no Barão Vermelho). Esse é com certeza um dos times improváveis que eu citei. Mas ficou ótima!

A seguinte é festa pura - Should It Out Loud com ninguém menos que mr. Lemmy Kilmister nos vocais ultra-hiper-mega-fodônicos®. FODA-FODA-FODA! Lemmy rulz, e como sempre, ele pega uma música alheia (do Kiss!!! Saca a magnitude da coisa?!) e a transforma em mais uma do Motörhead. E ele está muuuuuito bem acompanhado (em todos os sentidos): Samantha Malone (ex-Hole) na bateria e Jennifer Batten (ex-Michael Jackson!!) na guitarra.

Parasite ficou "assim, assim". Bem mais ou menos. A música é ótima por natureza, mas apesar do instrumental pancadão do próprio Bob Kulick (guitarra) e de Vinnie Colaiuta (bateria), o vocal de Doug Pinnick (do King's X) não segurou as ondas. Existe uma versão dessa música feita pelo Anthrax, no disco Live, ainda com o Joey Belladonna nos vocais. Essa sim ficou arrasadora.

Strutter é o "segredo menos bem guardado do mundo". Praticamente uma punk song. Portanto, Phil Lewis (LA Guns, vocais), Gilby Clarke (Ex-GN'R, guitarra) e Jeff Pilson (ex-Dokken, baixo), a levam profissionalmente sem errar ou arriscar. Ficou ótima, mas sem aquele "fogo". Prefiro a versão da banda feminina The Donnas, bem mais simpática.

I Stole Your Love... estou ouvindo agora. Instrumental matador! Deixa eu ver... CC De Ville (do Poison... ressuscitaram o cara!) e Ashley Dunbar. Entra um vocal matadinho, sem força nenhuma... putz, é Robin McCauley, que conseguiu chutar pra fora depois de uma belíssima jogada ensaiada. Nota 11 para o instrumental. Os vocais eu vou apagar no Pro Tools.

Por último, destaque total e absoluto para a doce señorita que embeleza a capa. ;D


MONSTER MAGNET - MONOLITHIC BABY!
(SPV/2004)


Dave Wyndorf, frontman e líder do "Monstro Magnético", começou a correr do rótulo stoner rock assim que o estilo começou a fazer sucesso com os hits do Queens Of The Stone Age. O sucesso ( +$ ) às vezes atrapalha - principalmente quando termina ( -$$$$$$ ) - e como lá nos EUA há uma moda diferente pra cada dia da semana, fica bem compreensível a atitude do cara. Mas tanto por merecimento quanto por bom senso, o Monster Magnet já deveria ter estourado há muito tempo por lá. O som deles evoluiu daquele peso lisérgico/sabbático dos primórdios (vide o disco Spine Of God, de 1991) para um bem-resolvido mix de elementos tradicionais e caros ao povão norte-americano. A sonoridade atual do MM é um furacão acid rock movido à country, blue-grass, folk (!) e efeitos com bastante feedback, e dotado de um inequívoco tino pop com melodia, refrão marcante e final apoteótico. MM não é MM's, mas é tão americano quanto.

Monolithic Baby! traz todas essas informações já incorporadas a banda e conta novamente com uma excelente produção. Abrindo o álbum, Slut Machine manda ver numa rifferama de guitarras saturadas com a tensão lá no topo, só pra esquentar os alto-falantes. Essa música me lembra muito um MC5 atualizado. Pra falar a verdade... todos os discos do Monster Magnet me lembram um MC5 atualizado. Na seqüência, Supercruel traz uma levada de guitarra simples, barulhenta e efetiva, que Jack White daria a alma pra poder criar algo igual. Unbroken (Hotel Baby) tem um fôlego mais pop, mas sem perder a fomeagem guitarreira-viajante da banda. Poderia rolar na rádio numa boa (se a rádio for boa, claro!). Radiation Day é um amasso de stoner e punk, com mudanças de tempo e um refrão gritadão que eu não canso de cantar no chuveiro. The Right Stuff segue a mesma trilha sujona com várias camadas de guitarras e aquele ritmo train from hell que deve ser algo maravilhoso de se ouvir ao vivo. Já Ultimate Everything ressuscita o monstro stoner que ainda vive no MM. Peso doom com guitarras lascivas e vocais curtidos a gim puro e sem gelo. É o Monster fazendo o que fazia no começo, só que ainda melhor. E uma dica... não ouça There's No Way Out From Here "de cara" (sóbrio, capice?). Essa maravilhosa cover de David Gilmour (Pink Floyd, man) fica ainda mais viajante acompanhada de um bom vinho, um bom whisky ou, melhor ainda, de uma boa mulher. É pra sair de órbita mesmo.


KISS - DESTROYER
(Mercury/1976)


Para o gosto médio, o Kiss sempre foi uma banda estilo "ame-ou-odeie". Houve uma época em que gostar deles era considerado tão brega quanto gostar de ABBA, discotéque ou Cat Stevens. Mas, sejamos justos, isso nunca teve razão de ser. Méritos para o Kiss não faltam. Eles (re)descobriram a fórmula do hit fácil, em rockões repletos de riffs cortantes de guitarra, refrães ultra-grudentos e letras falando de garotas, festas, rock'n'roll, garotas, carrões, garotas, sua amada Detroit e garotas (já mencionei garotas?). Nada daquele pseudo-satanismo que lhes imputaram no início da carreira (Kids In Satan's Service... bah!). O Kiss estabeleceu padrões definitivos para todo o rock posterior e foi - ao lado do Nazareth e do Aerosmith - o pai e a mãe do hard rock oitentista, com apenas a parte boa que esse título confere.

A simplicidade quase minimalista das músicas davam vazão para influências até em outras subdivisões do rock. God Of Thunder, de 1976 (ano pré-explosão do punk), pode até não ser o melhor do Kiss, mas com certeza é um dos discos mais Kiss que o Kiss já gravou. Logo na 1ª faixa, um clássico definitivo do rock e música obrigatória para aquela seleção estradeira: Detroit Rock City é uma daquelas canções tão cativantes quanto simples, ou cativantes justamente porque são simples (ou algo parecido). Agora, muito cuidado ao ouvir as animadinhas King Of The Time Night World, Flaming Youth, Shout It Out Loud e, principalmente, Do You Love Me?. O grau de chicletismo dessas músicas chega a ser assustador (Do you Love Me? foi até "adotada" pelo Nirvana, em seus últimos shows). Já a paulada God Of Thunder tem samples de uns moleques gritando e um peso tribal, deixando vir à tona toda a carga heavy que a banda sempre ameaçou (essa música já foi até regravada pelo White Zombie). Mas o Kiss também sabia fazer carinho: a esperançosa Great Expectations é emocionante e Beth é perfeita pra... hã, aprofundar relações interpessoais com o seu interesse amoroso... enfim, música pra trepar mesmo.

Quando eu afirmo que o Kiss foi uma banda influente pra caramba não é à toa. O tão utilizado formato rock de shows foi popularizado por eles. Todos os artistas de hard, glam e pop devem as calças ao grupo. Portanto, largue o preconceito. O Kiss é uma banda legal pra cacete. Ah, as máscaras...? Elas faziam parte da zoeira. Ninguém nunca pegou no pé dos Secos & Molhados por causa disso.


Em tempo... a minha preferida era a do Gene Simmons (o 2º da esq. pra dir.)... :P


NEUROTIC OUTSIDERS
(Warner/1996)


Banda-projeto que passou praticamente batida nos anos 90. O Neurotic Outsiders fez história ao enfileirar os rockstars Duff McKagan (baixista do Guns N'Roses), Steve Jones (eterno guitarrista do Sex Pistols), John Taylor (guitarrista do Duran Duran) e Matt Sorum (baterista do The Cult e do GN'R) numa mesma banda. Com uma produção levada por Jerry Harrison (do Talking Heads!), eles revisitavam o glam e o free rock setentista (praticado por Humble Pie, Small Faces, Free, entre outros) de forma competente e energética. O fato é que o primeiro e único álbum da banda não fez feio, como a maior parte da crítica pintou na época. Aliás, provavelmente esses críticos devem ser da mesma linhagem maldita que até pouco tempo atrás babou pelo The Darkness e pelo Velvet Revolver, que têm exatamente a mesma proposta de sonoridade. E essa última ainda tem uma similaridade gritante com o NO, que é a sua formação bem peculiar (no caso, com integrantes do Stone Temple Pilots e, novamente, do GN'R). Mas definitivamente, NO não bombou na época. E por que será? Tranqüilo e infalível como Bruce Lee eu vos digo: grunge, baby.

O disco é um primor de rock'n'roll festeiro. Se no Brasil o samba fosse rock (quem dera) ele iria tocar até em trio elétrico. Lembra do álbum de covers do GN'R, "The Spaghetti Incident?" (o melhor disco do GN'R segundo os detratores do GN'R?). NO faz uma versão extendida desse disco. Estruturas de rock old school com uma roupagem mais agressiva, gravada com equipamentos modernos e poderosos. Faixa-a-faixa de leve:

Nasty Ho - Abertura curta e grossa! Riff e velocidade punks (ho!) com Matt Sorum literalmente espancando as peles da batera. Vocal pingando ironia e guitarra-base em ritmo de serra-elétrica. Nastyyyy Ho!

Always Wrong - Tom sisudo com ritmo cadenciado e socadão (tipo pá-pá-pá-pá nem devagar nem rápido). As guitarras marcam o passo de forma quase percussiva. Deve ter sido foda ao vivo.

Angelina - Ótima canção rocker. Como é que isso não tocou sem parar nas rádios? Ritmo alto astral, pesada e falando sobre uma garota. Hit total (pelo menos pra mim!).

Good News - Essa é punk!! O riff é melódico na medida certa. Depois larga a mão no instrumental rapidão. Me lembrou muito a ótima banda Down By Law!

Better Way - Ecos hippie rock. Lembra de Breaking The Girl, a canção zeppeliniana do Red Hot Chili Peppers? Então, Better Way é a canção zeppeliniana do Neurotic Outsiders. Ah, e belíssima.

Feelings Are Good - Esse título deveria ter sido endereçado à crítica da época... a guitarrona é bem encorpada e dita o ritmo da música inteira, com o resto do instrumental correndo atrás (aliás, todas as músicas do NO são assim, mas essa é mais que as outras). Pra aumentar o volume no refrão - ótimo.

Revolution - Arrancada punk turbinada. A música toda é um enorme refrão com a tensão instrumental no auge o tempo todo. Putz, Matt Sorum se acaba nessa faixa.

Jerk - NO é one-hit-band! E esse é o hit. Se tinha de ser só uma, então fizeram justiça. A música tem um refrão pra lá de super-bonder (também... "You're a bitch... I'm a jerk... I don't think that we can work...") e uma levada de guitarra matadora. Porrada certeira.

Union - O início tem uma melodia que parece muito com Slumber, do Bad Religion, mas a música é outra coisa. Com um vocal e um refrão bem tristonhos ("I wish I had a union..." - snif), Union parece um daqueles rocks australianos pra ouvir na praia durante o pôr-do-sol. Contra-indicada para momentos extremos de dor-de-cotovelo.

Janie Jones - Yowzaaa!! É essa mesma! A clássica Janie Jones do Clash! Punk, rockabilly, boogie-woogie e o escambau rockeiro em pouco mais de um minuto e meio de corre-corre! Pra ouvir durante uma bagunça sem precedentes!!

Story Of My Life - Pop song com jeitão de baladona melancólica. Alto potencial radiofônico. Normal.

Six Feet Under - Huh!! Rockão querendo sair dos trilhos - e saindo com tudo. A levada da guitarra é contagiante e o resto vai acelerando na pista. Parece um Aero em seus momentos mais velozes e irresponsáveis. E dá-lhe Matt Sorum! Coitada da bateria...!


DEEP PURPLE - MACHINE HEAD
(Warner/1972)


O velho "Cabeça de Máquina" do Deep Purple sempre foi um dos meus discos favoritos desde que comecei a ouvir rock and roll. E não era só por causa de Smoke On The Water não. O disco flagrava um Purple inspirado como nunca, tecnicamente no auge e com a formação ainda toda original. Por algum capricho dos Deuses do Rock'n'Roll, respondiam pela mesma banda, Ian Paice (bateria), Roger Glover (baixo), Jon Lord (teclados), Ian Gillian (vocal) e o lorde sith Ritchie Blackmore (guitarra... e que guitarra). Agora imagine esse dream team em plena sintonia, cúmplices no improviso e equiparáveis em talento natural e conhecimento técnico sobre seus instrumentos e seus respectivos lugares dentro do espírito da banda.

Eu costumava traçar paralelos entre os três maiores grupos de rock da época, que eram o Purple, o Black Sabbath e o Led Zeppelin. Em termos místicos e metafísicos (hehe) eles eram correspondentes, mas em termos de técnica musical fluída, o Purple levava a coroa (mesmo porquê, tem a questão do estilo deles, que "pede" mais do que o estilo das outras, etc). O fato é que Machine Head foi concebido numa era em que os músicos de rock eram valorizados acima de tudo pelo seu talento. Hoje em dia, p.ex., ninguém diz "nossa, o guitarrista do Creed toca muito" ou "caramba, o baterista do Nickelback é demais". Ou seja, a "identidade rock" de hoje está mais pra imagem do que para o reconhecimento artístico, infelizmente.

Sempre ouvi Machine Head. É um dos meus discos de cabeceira. Mas ultimamente tenho ouvindo mais do que de costume, pois só agora tive acesso ao excepcional trabalho de remasterização feito em 1998, em comemoração aos 25 anos do clássico. A qualidade é fora-de-série. Dá pra ouvir os caras marcando o tempo ao fundo, aqueles "yeah" discretos do Gillian em algumas passagens, alguns reverbers de guitarra e do pedal de distorção do teclado, e até uns "one, two, three, four" antes da introdução. Parece mesmo que a banda está ensaiando bem ao lado. É incrível como conseguiram melhorar ainda mais uma obra que já era (quase) perfeita.

Cara, Deep Purple é som de macho. Som de Hell Angel bebendo cerveja com uma groupie esperando na garupa da Harley. O Purple tocando é o mesmo que uma sinfonia de motores V8 roncando.

Eu ia colocar Highway Star, mas se ignorasse Smoke On The Water, Frank Zappa iria me atormentar até o fim dos meus dias. Aquele maldito estúpido com um lança-chamas...


dogg haley and his comets