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segunda-feira, 6 de outubro de 2025

“For the words of the profits were written on the studio wall... concert hall”


Geddy Lee & Alex Lifeson anunciando o retorno do Rush aos palcos sempre me pareceu algo inevitável. Uma hora, ou duas, iria acontecer. A substituta para alguém insubstituível é a baterista Anika Nilles, cujo currículo prévio inclui, além de sua longa carreira solo, nada menos que as baquetas da banda de Jeff Beck. Mesmo assim, imagina a responsa.

Poderia me desatar num poço de cinismo agora (bandas de rock...), mas o figuraça Lifeson torna isso simplesmente impossível. É a personificação do best buddy. Melhor R.P. não há.

(mas deixei a zoeirinha do título)

Boa sorte, meninos e menina!

terça-feira, 27 de agosto de 2024

O culto ao Lagarto Mágico


Na zaga: Cook Craig, Ambrose Kenny-Smith, Michael Cavanagh e Lucas Harwood; No ataque: Stu Mackenzie e Joey Walker

Era mais fácil acertar na loteria do que antecipar o sucesso atual do King Gizzard & the Lizard Wizard. Esperaria isso de outras bandas cult ad eternum, tipo Gallon Drunk, The BellRays ou até o Squirrel Nut Zippers. Mas a evolução das espécies – e da indústria musical – tinha outros planos.

O sexteto australiano foi fundado por Stu Mackenzie, Joey Walker e pelo ex-integrante Eric Moore em 2010, quando estudavam indústria musical na Universidade RMIT, em Melbourne. Conheci em 2019, no pesadão Infest the Rats' Nest. Desde então, o grupo não saiu mais do play e das minhas listas de melhores do ano. E afirmo isso da forma menos deslumbrada possível, visto que os caras são ratos (ou lagartos) de estúdio: só em 2022 eles lançaram cinco álbuns. Contando com o excelente Flight b741, lançado este mês, eles já contam com 26 discos de estúdio. E olha lá se não desovaram mais algum enquanto termino de datilografar.

O mais impressionante é que cada registro trafega por um gênero diferente. Tem pra todo mundo: rock psicodélico, heavy metal, stoner, thrash metal, garage rock, space rock, música eletrônica, progressivo. E sem perder a identidade.

Mas nada é ao acaso. Além de multi-instrumentistas impecáveis, são operários 24/7, trabalhadores heavy duty. E é evidente que souberam, como poucos, ressignificar a desconstrução do disco ao seu favor.

O resultado são os shows concorridíssimos das últimas turnês – sold out na Europa e agora, nos Estados Unidos e Canadá. Ao que consta, o cachê atual da banda gira entre 150 e 300k (Bidens, of course) para datas na América do Norte. Abaixo da linha do Equador, deve ser o triplo do valor mais os rins e as córneas do público.

Mas até nisso o grupo resolveu subverter e está transmitindo cada apresentação do atual rolê em lives no seu canal do YouTube. A ação é qualquer coisa de espetacular. Seguem os shows de sábado e domingo últimos.




De Cleveland/Ohio a Newport/Kentucky são 402 km. Deve ter sido um corre daqueles. 24 horas de busão, toneladas de equipamentos, seis abençoados mais equipe. Operários mesmo.

Logo mais, tem outro.

Ps: as lives são removidas na sequência, mas sempre tem um samaritano que reposta. Lógico que não devem durar muito também.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

A Farewell to King


O adeus de um mestre? O fim de uma era? Algum pensamento? Eu, neste momento... não tenho nenhum.

A Música perdeu demais.

Thank you so much for all the trips, Neil Peart.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O universo e um pouco de nós


Em se tratando quadrinhos nacionais, Mauricio de Sousa® ainda é, de longe, nossa melhor história de sucesso. Boa parte dos leitores brasileiros em algum momento se rendeu à galeria de personagens do autor. Foi o meu caso: bem guri, me iniciei nos gibis direto com o Incrível Hulk e o Homem-Aranha, no meio daquele típico tiroteio narrativo. Fui fisgado de primeira, mas foram as criações do Mauricio e do mestre Ziraldo que, logo depois, amaciaram o processo, tornando-o mais amigável e didático. Pra mim, funcionaram como uma perfeita escada para compreender mundos mais cinzentos e complexos.

O paralelo com os quadrinhos da Disney era quase imediato: historinhas curtas e lúdicas convivendo com aventuras mais rebuscadas e ambiciosas. E entre todos os integrantes da "turminha", o Astronauta era certamente o mais audacioso ao protagonizar antigos dilemas humanos sob uma cortina de escapismo infanto-juvenil. O personagem estreou nas tirinhas do Diário de São Paulo, no longínquo ano de 1963. A corrida espacial estava no auge e, junto com os quadrinhos do Flash Gordon de Alex Raymond, foi uma grande influência para Maurício. Mas foi seu toque pessoal, um tanto melancólico, que deu uma alma para o herói.

Astronauta Pereira - é o nome dêle mesmo² - explorador espacial da BRASA (Brasileiros Astronautas!), desbrava mundos estranhos e eventos cósmicos nos confins do universo enquanto morre de saudades de sua terrinha natal e da sua namorada, a Ritinha. Uma premissa simples e de apelo universal que ilustrava verdadeiras metáforas à passagem para a vida adulta e às coisas tão importantes que deixamos para trás. Ele poderia muito bem ser o protagonista da música "O Portão", do Roberto Carlos.

Em Astronauta: Magnetar, o roteirista Danilo Beyruth (Necronauta, Bando de Dois) não apenas resgata esses valores abstratos e perenes, como também os amplifica, conferindo uma notável carga de dramaticidade. Daquele humor ingênuo, há pouco ou nada - no máximo, momentos de tensão mais baixa funcionando como doses homeopáticas de alívio. O que não significa que o clima sombrio monopolize o conto: apesar do suspense e da atordoante vastidão do espaço ocupar boa parte do sensorial, é difícil não se sentir seduzido por aquele espetáculo misterioso, imponente, indescritivelmente belo e, parafraseando Ellie Arroway, poético.


Na história, Astronauta cruza o espaço para investigar de perto um magnetar. O objeto cósmico, sugestão de um amigo astrônomo de Beyruth, é dos mais intrigantes e é apresentado com detalhes ao leitor, ao melhor estilo Ler e Saber - Enciclopédia Juvenil em Côres (estamos saudosistas hoje!). O que, por si só, já renderia um belo exercício de imaginação e ciência, porém o enredo ainda reserva um uso muito bem dosado de alguns velhos artifícios cinematográficos. Beyruth fuçou fundo no seu baú de referências da 7ª arte - todas impressas no imaginário popular desde que ganharam o mundo.

Estão lá as experiências extra-sensoriais de 2001 - Uma Odisseia no Espaço, o suspense petrificante de Alien, droids médicos que parecem saídos de O Império Contra-Ataca e até mesmo uma cena com Astronauta selecionando um de seus trajes como se fosse Tony Stark escolhendo uma de suas MARKs. Mas talvez a maior aproximação - provavelmente involuntária - tenha sido com Solaris, filme de 1973 de Andrei Tarkovsky adaptado do romance de Stanisław Lem.

Em meio aos sintomas demenciais causados pelo longo período de isolamento (retratado de maneira genial por Beyruth), há uma conexão profunda serpenteando matreiramente entre as obras. Solaris teoriza sobre o encontro de humanos com seres tão diferentes de nós que qualquer tipo de comunicabilidade é virtualmente impossível - um dos itens mais inquietantes do Paradoxo de Fermi, por sinal. Durante a leitura da graphic, percebi que isso poderia facilmente ser estendido não apenas ao conceito de vida que nós conhecemos, mas principalmente àqueles que mal concebemos sua existência.

Tal qual Solaris, um planeta senciente, e a influência devastadora que exerce sobre os astronautas que se aproximam dele, qual seriam os efeitos que um evento da magnitude de um magnetar causariam em uma pessoa em um nível psicológico e/ou químico?

É o abismo olhando de volta...


Criada e batalhada pelo Sidney Gusman, a série Graphic MSP teve em Astronauta: Magnetar um debut de primeira linha, aliando boas opções de formatos/preços (o calcanhar de Aquiles da série MSP 50) a um produto de excelência, como se vê na qualidade gráfica irrepreensível. Isso não apenas reflete o ótimo momento do mercado editorial brasileiro como propõe novas abordagens para a formação de futuras bases de leitores. A importância disso vai muito além de uma boa jogada comercial.

A nota destoante vai para os créditos quase en passant dedicados à talentosa colorista Cris Peter, cujos tons ousados e sui generis fogem do lugar-comum e fazem toda a diferença no quadro geral. O diálogo de suas cores com a arte-final cria momentos de tirar o fôlego, como na magnífica splash-page das páginas 68-69.

Como bônus especialíssimo, nada mais adequado do que o posfácio escrito pelo navegador, escritor e aventureiro Amyr Klink. Foi até covardia. E fecha uma viagem inesquecível para o leitor e transformadora para o personagem.

Afinal, novamente citando 2001, foi uma oportunidade única podermos testemunhar o nosso bom e velho astronauta Pereira mergulhando em paradoxos existenciais tão incríveis quanto os do astronauta Bowman.


In an interview with Rolling Stone, Waters explained that the song's lyrics were an attempt to describe "the potential that human beings have for recognizing each other's humanity and responding to it, with empathy rather than antipathy." He has also stated in many interviews that this song is the ideological predecessor to The Dark Side of the Moon, for in "Echoes" he began to focus the music of Pink Floyd on people and the issues facing humanity rather than fantastical space trips and psychedelic imagery — Via

sábado, 9 de abril de 2011

The wolf is on the table


Lobão, Live in Polinter (1987)

Sempre achei curioso como alguns ícones do pop rock nacional dos anos oitenta me foram revelados de forma pontual e nada oficiosa. Já conhecia toda a galeria via FM e não sei se foi o uso abusivo do ska como solução rítmica ou a produção de som datadíssima ante os padrões gringos, mas, pra mim, não representava mais do que um levante new wave de personagens pouco distinguíveis entre si. Assim foi até o Legião Urbana tocar "Faroeste Caboclo" inteira no Globo de Ouro, em 1985. Depois foi a vez dos Titãs, berrando "vão se foder" a plenos pulmões no hit "Bichos Escrotos" - vamos combinar que, em 1986, isso era como chutar a santa em sua própria paróquia. Nesse mesmo ano, o Camisa de Vênus arrepiava o chá das cinco na ABL com "Sílvia", igualmente massificada nas rádios. Mas nada foi tão desordeiro e sui generis quanto o vai-e-vem carcerário de Lobão no período 1987-1989.

Lembro dessa "revelação" como se fosse ontem. Era mais uma noite trivial lá em casa, a TV ligada no monocórdico Jornal Nacional trazendo as últimas sobre José Sarney, Dilson Funaro, Delfim Netto e quejandos. De repente, eis que Lobão aparece sendo detido ao desembarcar de um voo vindo de Los Angeles. Algemado e conduzido por policiais direto para a delegacia, ele não parecia triste, nem aborrecido. Pelo contrário. Cabeludão e transbordando galhofa, fazia o sinal de paz & amor (ou o "V" da vitória, vai saber). Não vou negar, a cena era tragicômica. "Pô, de novo esse cara foi preso?", comentei na hora. Era 1989. Nas rádios, a música "Vida Bandida", do LP homônimo, ainda sendo executada à exaustão...

Timing absurdo, verdadeira atitude rock and roll ou um proto-winning?

Segundo o livro 50 Anos a Mil, as três coisas juntas, em doses nada homeopáticas. A ideia de um livro não é nova. Lobão - ou o réu João Luiz Woerdenbag Filho - pretendia usá-lo pra registrar seu perrengue judicial repleto de ceninhas sórdidas de bastidores. Um roteiro de intrigas pra Oliver Stone filmar. Pelo visto, a ideia maturou no porão e ganhou uma versão long play, décadas mais tarde.

Quem conheceu o lobo mau no fim dos anos 80, já esperava por um conteúdo que não diluiria nem se fosse administrado no oceano Pacífico. Uma autobiografia do Lobão é sinônimo de buchas de C4 plantadas democraticamente nos pilares do mainstream canarinho - com quantidade à volonté nos QGs da "máfia do dendê", com rima e pandeirinho.

Pode ter sido pela estratégia factual (ou talvez por receio de soterrar o ventilador), mas, como o próprio Lobão admite, o livro acabou saindo menos inflamável do que o esperado. O que não arrefece nem um pouco a leitura. 50 Anos a Mil é anárquico, divertido, dramático, com momentos que parecem saídos de algum ensaio obscuro do Nelson Rodrigues e, acima de tudo, muito esclarecedor e sincero.

Não queria bater nessa velha tecla, mas há uma carência absurda por documentos assim no Brasil. O que proporciona, sintomaticamente, uma cavernosa lacuna na memória cultural. Vide a biografia de Garrincha, escrita por Ruy Castro, a bio de Roberto Carlos, por Paulo Cesar de Araújo, e a bio de Noel Rosa, por João Máximo e Carlos Didier. Todas embargadas por processos judiciais. Dos artistas do pop rock nacional, então, nem se fala. É um sindicato fechadíssimo, gerido por assessorias de imprensa e cujo protecionismo foi herdado diretamente dos medalhões da Tropicália. A exceção só poderia ser mesmo o Lobão, o único sem mordaças majoritárias e sem medo de exposição - pré-requisito básico pra qualquer artista independente, aliás.

Em termos de estilo, Lobão optou pelo acessível e coloquial, no que parece ser um exercício de jornalismo gonzo autodirecionado. Nesse esquema, alguns vacilos de revisão e vícios de linguagem se fazem presentes, porém foi fundamental para transcrever a sensação dos momentos mais tensos e eletrizantes, culminando num resultado, por assim dizer, feérico (isso pega!).

Assessorado pelo jornalista Claudio Tognolli (que contribuiu compilando trechos de reportagens dispostos cronologicamente entre os capítulos), Lobão exibe uma memória paquidérmica no primeiro terço do livro, cujo foco é família, infância, adolescência e o amor à primeira vista pela bateria. Tudo muito rebuscado, cheio de sons e imagens docemente bucólicas - um contraste com o prólogo-porrada digno do Danny Boyle em seus tempos de underground inglês.

Quando Lobão começa a ganhar o mundo (e vice-versa) é que a leitura dá uma acelerada e muitas lendas e fatos mal-explicados ganham uma versão. A maioria, pela primeira vez.


Nos primórdios com o Vímana, nos anos 70, e com a Blitz, em 1982 (clique para ampliar)

Muito me agradou a dissecada que o Vímana teve no livro. Pelo menos, a partir da entrada do lobo até o fim de suas atividades, no final dos anos 70. Até então, o que eu sabia sobre o grupo era mais ou menos o que todo mundo sabia: cult progressivo de onde saíram Lobão, Lulu Santos e Ritchie. E que trocaram um contrato promissor com a Som Livre pelo deslumbre de serem arrendados por um "popstar internacional" do cenário progressivo.

Tudo é esmiuçado sem pudores. No fim, lembra muito aquelas bandas iniciantes que tomam decisões equivocadas que nada têm a ver com música e que implodem suas carreiras antes mesmo de começarem.

E pelo que está registrado no livro, a "saga" foi sintetizada à perfeição por Lulu Santos em entrevista ao então VJ Edgard Piccoli.


Mas o lobo era um andarilho e tome história pra contar: a parceria/irmandade com Cazuza e Julio Barroso (líder da Gang 90 & Absurdettes), o genial elástico pra cima da Blitz na capa da revista Isto É, o primeiro quebra (literal) com uma gravadora, o romance com a Alice Pink Pank (que inspirou seu maior hit), a treta histórica com Herbert Vianna, a relação extremista com a mãe, a abreviada trajetória d'Os Ronaldos, o consumo industrial de farinha e outros quitutes, as várias tentativas de suicídio (a do canal raso no Leblon ficou de fora), a péssima fama adquirida (gerando reações que só esperaríamos ver no sul dos EUA), juízes sem o menor senso de humor, prisões hardcore, incursões em escola de samba, bandidagens joselitas no alto do morro, mais prisões, a apresentação apoteótica no Hollywood Rock, a vaia apocalíptica no Rock in Rio 2, o divórcio litigioso com as grandes gravadoras, a carreira na UTI, a sobrevida na independência, a luta pela numeração dos CDs, o Acústico MTV (polêmica ordem de fatores), a reinvenção midiática... esses 50 anos foram a muito mais que mil.

Confesso que a imagética de alguns momentos fizeram minha imaginação fluir vertiginosamente. Lobão no meio de um pandemônio cocainômano enquanto tenta manter uma conversa ao telefone com o João Gilberto foi uma delas. Dividir um quarto com a Marina Lima no auge do sex appeal foi outra - lendo, me senti um garotinho de 14 anos prestes a aprender que a vida é boa.

O final do livro é arrematado com uma série de entrevistas com amigos próximos. Alguns trazendo grande valor histórico, como os depoimentos de Ritchie, Maria Juçá e José Luís de Oliveira. Inseridos na sequência, os autos dos processos judiciais soam inevitavelmente cansativos, mas entendo que foram parte tão presente na vida de Lobão quanto a tríade máxima do rock'n'roll.

Com toda essa bagagem, não é à toa que ele esteja vivendo seu melhor momento em muitos anos. Capitalizando ao máximo a popularidade recém-readquirida com a passagem meteórica pela MTV, os vídeos estourados no YouTube e iniciando uma nova fase com as gravadoras, Lobão, ainda provocativo, dá um fim à nervosa calmaria e mostra para a nova geração as suas poderosas credenciais.

Ps: quase esqueci: e foda-se o Restart.

quarta-feira, 8 de setembro de 2004

AOS 48 DO 2º TEMPO


Wildcats Version 3.0 foi cancelada na edição #24, após mais uma tentativa de recuperar a posição que a equipe ocupava na década passada. Na verdade, eu sou a pessoa menos indicada para guiar alguém no universo do supergrupo. Sempre os achei um dos símbolos máximos de uma era em que o que contava eram músculos aditivados, poses olímpicas e uma explosão a cada dois décimos de segundo. Nada de roteiros inovadores ou da inventividade e ousadia de gente como Grant Morrison, Warren Ellis e Mark Millar.

Já até comentei isso uma vez, mas o fato é que era decepcionante conviver com o fantasma da Image, e ter de ver medalhões como a Marvel e a DC se adequando às novas regras impostas por McFarlane, Liefeld e cia. Ver escritores com um passado de glórias, como Chris Claremont, se limitando a seguir a tendência e exterminar em série personagens importantes. E olhando para o universo "tradicional", a situação só piorava. Desmembraram os X-Men em zilhares de formações (deveriam ter mudado o nome pra Z-Men), mataram Hal Jordan e Clark, clonaram o Parker, não conseguiram reformular o Steve Rogers. Cara... foi uma época inesquecível, no pior sentido da palavra.

Pra não dizer que foi tudo ruim, as super-heroínas estavam mais gostosas do que nunca. :P


Tudo bem, existe uma legião que idolatra o Jim Lee, principalmente por ele ser "só" o desenhista, mas acho que, nesse caso, o estrago transcendeu o nanquim. Conhece o jargão "uma imagem vale mais do que mil palavras"? As grandes editoras de HQ norte-americanas conhecem, e muito bem. De qualquer forma, isso não vem ao caso.

O fato é que hoje, após o hit estrondoso que foram os Ultimates, a redescoberta de Alan Moore pelo mainstream, e uma renovada percepção de história como fator predominante (Y - The Last Man, Global Frequency, linha MAX, tudo de Neil Gaiman e do selo Vertigo), certas posições estão sendo reavaliadas. Foi o caso do Spawn, do Youngblood e dos Wildcats, que, após uma década inteira de "party everyday", não conseguiram sair da dolorosa ressaca noventista.


Levada a cabo pelo talentoso Joe Casey, a nova - e breve - empreitada dos Wildcats tem como palavra de ordem "realismo super-heroístico". Curioso pela matéria escrita por Érico "difícil de agradar" Assis, fuzilei o DC++ em busca da versão 3 da ex-menina dos olhos da Wildstorm.

Não li tudo, mas já deu pra ter uma boa idéia. Realmente, os pés estão (bem) mais no chão. É tudo muito parado em relação ao carnaval que eram suas antigas aventuras. Mas tem razão de ser. O que não faltam são diálogos quilométricos, conspirações empresariais, espionagem industrial, subcríticas ao capitalismo selvagem e, pasmem, superpoderes também. Achei até que não veria alguém disparando um raio de energia lá. Particularmente, eu gostei. Nunca imaginei que fosse dizer isso um dia, mas eu realmente gostei dessa nova série dos Wildcats.


Apesar da inicativa louvável, o público americano não acolheu muito bem o novo modus operandi dos heróis e remanejou o seu orçamento para outro título (tsc!). Como escreveu Érico "difícil de gostar" Assis, houve uma tentativa de resgatar o público com um arco mais agitado, chamado Coda War.

Não tinha chegado lá ainda, mas não fiquei na fissura. Baixei logo a #19 (edição de estréia da aventura), e o que vi foi um tour de force alucinante, digno das melhores seqüências de ação do Cinema. Imagina (olha só a minha viagem) The Bride (Kill Bill), Boba Fett (Star Wars) e o sisudo Bateau (Ghost in the Shell), se enfrentando naquela batalha em alta velocidade do começo de Akira (o mangá). Um verdadeiro rolo-compressor. Pouquíssimos diálogos e muito sangue. É só porrada, do início ao fim.

Infelizmente, a reação chegou tarde. Wildcats v3 já partiu dessa pra melhor, mas teve uma das melhores tentativas de recuperação de público que eu já vi. Já repassei essa edição-seqüência mentalmente umas 5 vezes em live-action. O "elenco" é aquele mesmo que eu escrevi.

Vale a pena conferir. Só não traduzi por dois motivos: 1 - Poucos diálogos; 2 - Muita preguiça.

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Reup do arquivo cbr (mesmo scan da época) - 06/09/2017

PS.: Diminuí um pouco o tamanho das páginas. Os scanners gringos fazem seus scans do tamanho de uma pessoa real. Será miopia em massa?


SEPARADOS HÁ MUITO, MUITO TEMPO, NUMA MATERNIDADE MUITO, MUITO DISTANTE...


Clique nas imagens pra vê-las no modo "american scan"

O tipo da coisa que só passa pela minha cabeça. E como não poderia deixar de ser, vou compartilhar aqui também. Alguém reparou na semelhança entre o General Grievous (novo vilão de Star Wars) e aquela criatura biomecânica da capa do álbum de estréia do Probot (mega projeto paralelo do Dave Grohl)?

Olhando pra capa do CD e para o design do "maior matador de jedis do Universo", notei algumas similaridades físicas entre os dois. Até a marca cruzando os olhos é parecida (no Probot é do meio pra baixo, no Grievous é do meio pra cima). A arte de capa do Probot foi feita por Away, batera do Voivöd.

O mais interessante é que ao fundo há uma espécie de cidade, com arquitetura bem ao estilo do personagem. Poderia ser o planeta natal do General Grievous também. :P


dogg, curtindo a sonzeira de Eliades Ochoa, um dos coroas do Buena Vista Social Club. Música tradicional cubana com umas doses de tequila. Bom demais.