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quinta-feira, 8 de junho de 2023

Os Filhos Rivais a casa tornam


Tem dias em que só o que preciso é de um bom disco de rock. Não hard rock. Não heavy metal. Rock. E o discaço Darkfighter atesta algo que venho repetindo mantricamente há anos: o Rival Sons é a melhor banda de rock da atualidade.

E vai cantar assim na puta que o pariu, Jay Buchanan.


Ps: o melhor de tudo é que vai rolar um jogo de volta esse ano ainda, com Lightbringer.

quarta-feira, 24 de maio de 2023

Nós precisamos dessa heroína


Anna Mae “Tina Turner” Bullock
(1939 - 2023)

Se foi Tina Turner. Que mulher inacreditável. Que vida inacreditável. Deveria ser disciplina obrigatória para cada geração nos próximos dez mil anos. Garanto que cada menina e cada menino entraria na Cúpula do Trovão com sangue nos olhos para encarar o que a vida trouxesse.

De origem muito pobre, saída dos cafundós do Tennessee, Anna Mae transcendeu, sofreu o diabo e perdeu tudo, mas assumiu o controle e reescreveu sua própria história. Que está aí, para todos verem, lerem, ouvirem, aprenderem. Ela foi coração, foi coragem e foi um talento maior que o mundo. Uma guerreira do mundo real.

Na barriga da miséria, Tina Turner só não nasceu brasileira por um mero acaso.


Rainha do Rock and Roll é pouco.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

Uma lenda para a eternidade


Geoffrey Arnold "Jeff" Beck
(1944 - 2023)

2023 só está começando e já não é para fracos. O lendário Jeff Beck se foi no último dia 10, surpreendendo todo mundo.

Beck estava a toda, gravando, excursionando e fechando colaborações várias. Quando ouvi suas participações em duas músicas de Patient Number 9, último álbum do Ozzy, me admirei com sua disposição, técnica e musicalidade inesgotáveis.

E assim tem sido sua carreira, sem parar, desde 1962. Seja com sua antológica passagem-relâmpago pelo The Yardbirds (recomendado pelo irmão-de-armas Jimmy Page para o posto que era de Eric Clapton), com a superbanda Beck, Bogert & Appice, como The Jeff Beck Group ou na sua longeva discografia solo.

Mesmo transitando sem o menor pudor pelo blues rock, eletrônica, jazz fusion, hard rock, funk e rockabilly, Jeff Beck era uma rara unanimidade. Influenciou gerações e era admirado por todos. Inclusive pelos maiores...


E este pobre mortal não ousa comentar mais nada.

Aliás, só mais uma coisa: assim que puder, o Blow by Blow vai direto pra agulha (simbólica) no volume 11...

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

The Killer is dead. Long live the Killer!


Jerry Lee Lewis
(1935 - 2022)

Até na saideira Jerry Lee Lewis quebra tudo. Há dois dias correu o mundo a notícia que "The Killer", um dos pilares de 1ª hora da música pop, havia partido. Artigos e memoriais já detalhavam a importância e o status maldito do grande astro do rock and roll. E logo em seguida, a notícia foi desmentida. Infelizmente, o alívio não durou muito e hoje veio a confirmação de que um dos últimos pioneiros se juntou àquela imensa e barulhenta constelação lá em cima.

Claro que seu controverso 3º casamento (de sete!) levará um desmedido destaque em matérias por aí. Lewis fez sua escolha há muito tempo, quando trocou votos com sua prima de 13 anos. E por isso pagou um preço enorme — provavelmente foi o 1º cancelado da cultura pop. Mas nunca parou de fazer shows arrasadores (ou seria matadores?) e de construir uma discografia épica.

E deixa um legado de influência primordial para artistas tão distintos quanto Stones, AC/DC, Stray Cats, Cramps, Ramones, Ministry e Motörhead. Basicamente tudo o que veio depois e que teve sangue quente correndo nas veias.


Thank you, Killer!

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Let's try to sleep now...


Mark William Lanegan
(1964 - 2022)

Na conta oficial do Twitter, apenas o breve e impessoal aviso de um amigo, apressadamente pedindo respeito à privacidade da família. É inevitável pensar, não tão lá no fundo, "epa, calma aí, amigo... como é que é o negócio?" E pegando no braço, inclusive. Como é que soltam uma dessa, do nada, numa terça-feira qualquer?

Para quem viveu plenamente o rock entre o final da década de 1980 e o início da década de 1990, o músico, compositor, escritor e espetacular cantor já havia garantido sua cadeira no panteão da música. Seja com o Screaming Trees, nas colaborações com o Queens of the Stone Age, com a Isobel Campbell ou seja na carreira solo com sua discografia estranha, imprevisível e interessantíssima. É uma lenda do rock desde o dia um.

Essa foi pra sumir com o chão abaixo dos pés. Se foi o Mark Lanegan. Numa rara terça-feira qualquer.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

We will miss you


Charles Robert Watts
(1941 - 2021)

Se foi o sujeito "normal" da instituição The Rolling Stones. O bom, velho e lendário Charlie Watts pertencia à realeza do Rock —melhor ainda, à realeza cultural do século XX— e é irônico que nem fosse exatamente um baterista de Rock. Watts era um músico de skiffle, gênero inglês inspirado nas big bands americanas de jazz dos anos 1920/1930. E foi um músico de skiffle que tocava Rock. Por sessenta anos.

Não é de admirar como seus toques na caixa e no chimbal eram imediatamente reconhecíveis. Ele era o cozinheiro dos sonhos para Keith Richards e Mick Jagger. Seu estilo elegante, consistente e único deu o tom definitivo a standards sacrossantos como "Paint It Black", "Under My Thumb", "Let's Spend the Night Together", "Sympathy for the Devil", "Street Fighting Man", "Jumpin' Jack Flash", "Gimme Shelter", "Tumbling Dice", "Miss You", "Start Me Up" e uma infinidade de outros. Metade das bandas blues rock e hard rock blues-based devem suas existências às baquetas desse senhor. E a outra metade, ao resto do kit.

E ele nem mesmo precisava de um kit. Bastava um air drumming maroto e uma basezinha pré-gravada.


Gênio!

quarta-feira, 28 de julho de 2021

Ve con Dios, Hombre!


Joseph Michael "Dusty" Hill
(1949 - 2021)

Dusty Hill, cara. Se foi 1/3 do maior e mais resiliente power trio da história.

Hill era o coração pulsante do ZZ Top. O taifeiro de uma das melhores cozinhas do rock, dono dos grooves southern/blueseiros/tex-mex mais vibrantes já registrados. No baixo, no vocal e no palco, o barbudo era infernal.



Dusty está eternizado no Rock & Roll of Fame desde 2004. Mas nem precisava. Ele já estava eternizado nos corações (e nas playlists) de quem entende de música.

Que semana. E segue 2021...

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

O pai da invenção

Esquadrinhar a vida, a obra, a genialidade e a transgressão do signore Frank Vincent Zappa é impossível para uma produção de duas horas. Para arranhar a lataria, seriam necessárias algumas temporadas de uma série padrão HBO. Enquanto isso não acontece, Zappa parece ser um ótimo aperitivo. E ainda periga ser o documentário musical mais necessário de 2020.


Só esse trailer já me abriu um sorriso de uma orelha cansada até a outra orelha cansada.

Zappa é escrito, produzido e dirigido por Alex Winter (o Bill, dos filmes da série Bill & Ted), que é curtista e documentarista de longa data. Pelas cenas, dá para ver alguns highlights obrigatórios: a obsessão com a teoria musical, a fase The Mothers of Invention, os shows surreais, a iconoclastia sem prisioneiros, a briga histórica com a PMRC e o ativismo político, quando já alertava para o perigo de um estado democrático se tornando uma "teocracia fascista".

Claro, é só a ponta do iceberg. O terrível incidente em Montreux (a mais famosa citação da História do Rock), o atentado quase fatal que sofreu durante uma apresentação em Londres apenas seis dias depois, a amizade com o presidente (e fã) da antiga Tchecoslováquia e por aí vai. Tudo isso já se encontra do excelente doc Eat That Question: Frank Zappa in His Own Words (Thorsten Schütte, 2016), obrigatório para quem se interessa minimamente pela cultura pop e pela política do século 20 e como elas estão ligadas ao cenário atual. O longa é recheado de trechos de shows, entrevistas raríssimas e filmagens de arquivo até então inéditas – o que me deixa com o pé atrás com a mesma oferta sendo vendida no trailer de Zappa.

Olha lá, Bill...

sábado, 9 de maio de 2020

Vida Longa ao Arquiteto!


Little Richard pode ter dividido a paternidade/maternidade do Rock and Roll, mas foi ele quem viu primeiro a chance de levar toda a malandragem, safadeza, promiscuidade e, putz, anarquia até os culhões da família, da moral & dos bons costumes. Fãs? Teve alguns. Mas isso não era o mais importante.

Provavelmente sem perceber, ele deu a Deus e o mundo a matéria-prima inesgotável do rock e do pop até os dias de hoje. Little foi grande assim.

E como ainda não inventaram um termo à altura para agradecê-lo, nada como recorrer a um que ele mesmo inventou:

A-WOP-BOP-A-LOO-BOP-A-WOP-BAM-BOOM!


Thank you for everything, Little Richard!

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

A Farewell to King


O adeus de um mestre? O fim de uma era? Algum pensamento? Eu, neste momento... não tenho nenhum.

A Música perdeu demais.

Thank you so much for all the trips, Neil Peart.

domingo, 6 de outubro de 2019

O Baterista


Peter Edward "Ginger" Baker
(1939 - 2019)

No filme Whiplash (2014) há uma cena que sempre me chama atenção: um recorte com uma frase lapidar creditada ao lendário baterista Buddy Rich.

"Se você não tem habilidade, vai acabar tocando numa banda de rock"

Isso certamente não se aplicava ao também lendário baterista Ginger Baker, apesar dele mesmo nunca ter se considerado um rocker per se. "Ginger habita outra esfera", como apontou Eric Clapton - que, com Baker e o baixista Jack Bruce, criou um dos melhores power trios da história, o Cream.

A técnica - e a habilidade - de Baker era inexpugnável. Trafegando pelo blues, jazz e afrobeat com maestria absoluta desde a década de 1960, ele passeava com naturalidade hipnotizante por todos os rigores do instrumento. Com passagens meteóricas no Blind Faith, Hawkwind, P.I.L. e parcerias com o músico nigeriano Fela Kuti, entre muitos outros, Baker viveu oitenta anos a mil. E não é só força de expressão.

Baker era tão talentoso quanto imprevisível. E temperamental. E excêntrico. E teve uma vida insanamente à altura da fama. Uma boa parte disso tudo está registrado no excelente e impagável documentário Beware of Mr. Baker (2012). Nem o diretor Jay Bulger escapa de sua ira clássica - vide a última cena do trailer.


E que tal aquele "agora você sabe porquê quebrei seu nariz" na entrevista de divulgação? Difícil, mas acima de tudo sarcástico e espirituoso.

E hoje, foi impossível não lembrar do discaço Around the Next Dream, do supergrupo BBM (Baker, seu velho amigo/rival Jack Bruce e Gary Moore). Na capa, um sereno e angelical Ginger Baker.


Era um grande senso de humor...

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Caravana da viagem


Óskar Logi Ágústsson (guitarrista e vocalista), Guðjón Reynisson (baterista) e Alexander Örn Númason (baixista) são três moleques espinhudos e mal saídos da adolescência com os pés fincados nas raízes do rock setentista. À primeira vista, o grupo The Vintage Caravan parecia um novo Silverchair, mas à primeira ouvida... As influências básicas podem ser até próximas, mas eles bebem direto na fonte: Hendrix, Cream, Mountain, Grand Funk, Humble Pie e todo o contigente do peso lisérgico dos anos 60 e 70, mas com acabamento moderno e "radio friendly".

Acabaram de lançar seu 2º disco, o ótimo Voyage, via Nuclear Blast. Que está em altíssima rotação em todos os formatos de players dos quais eu sou responsável.


O fato de serem agora internacionalizados pelo tradicional reduto metálico não é menos que sintomático - o som do power trio islandês é uma paulada. A única semelhança com Sigur Rós e Björk é a procedência subzero. Apesar da temperatura ártica destoar do desert sound invocado dos garotos, pelo lado psicodélico, o idílico país (que parece uma versão psicodélica do Condado, do Tolkien) parece o local perfeito pra submergir nas good trips do The Vintage Caravan.

Pelo menos foi essa a vibe do bem-humorado vídeo da música "Expand Your Mind".


Qualquer dia também seguirei rumo à estação Islândia...

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Doom and Gloom and Noomi


Noomi Rapace personificando Jagger em meio a um sonho delirante e apocalíptico turbinado por um rock 'n' roll de ótima safra (ainda tem quem goste).O novo vídeo dos Rolling Stones é puro 2012.

E, claro, também tem zumbis (não estou falando dos músicos, você sabe)!

Uma destrinchada mais profunda você encontra no blog do Jamari.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Cães velhos merecem o céu


Steven Gene Wold, vulgo Seasick Steve, aprendeu a tocar guitarra aos oito anos de idade. Quem ensinou foi o bluesman K.C. Douglas, que fazia um bico na oficina de seu avô. Aos 13 fugiu de casa - e dos maus-tratos que sofria do padrasto - e caiu na estrada. Pegou muita carona, viajou como clandestino em trens, conheceu o Mississippi, o Tennessee e Deus sabe mais onde. Viveu muitos anos como sem-teto, comeu muita poeira. Virou um hobo: migrava pelo interior atrás de emprego, trabalhando sazonalmente em fazendas. Depois sumia no mundo de novo, evaporando por longos períodos.

Emergiu nos anos 60, em meio à efervescência blueseira e psicodélica de São Francisco. Tocou com vários artistas da cena independente. Foi músico de rua em Paris. Em 2001, morando na Noruega, lançou seu 1º disco, como Seasick Steve & The Level Devils. Em 2006 veio o primeiro álbum solo.

You Can't Teach an Old Dog New Tricks já é seu quarto álbum e, pra mim, um dos melhores de 2011. Na bateria está o figuraça Dan Magnusson (parece roadie do ZZ Top, como o próprio Steve) e nas quatro cordas um ilustre senhor de nome John Paul Jones. É um discaço de country 'n' blues com os dois pés fincados na garagem - vide a cigar box guitar zoadaça construída por Steve - e recheado de slides insanos e boogies deliciosos. Ora melancólico, como na abertura "Treasures", ora rasgado e frenético como em "Days Gone", mas sempre carregado com um groove blueseiro irresistível. Sob medida para as melhores espeluncas de beira de estrada.

Na última faixa, "Levee Camp Blues (Write Me A Few Of Your Lines)", Steve deixa de lado os instrumentos e desfia um tostão da sua vida louca vida. Fantástico.


Steve tem estado em alta na Inglaterra desde sua aparição no programa do Jools Holland. Tem sido redescoberto na América também, inclusive com dois terços do Them Crooked Vultures lhe pagando tributo e servindo de banda de apoio. Merecido é pouco.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Terry Reid, "Seed of Memory", 1976

Postagem originalmente publicada em 20 de abril de 2010


Já dizia Marceleza: "eu vi o futuro, baby... ele é passado".

Novos tempos, velhos problemas. Tive que reeditar este post, sem a música do título para audição em streaming e sem o link para download. De acordo com um polido e-mail do Blogger, uma notificação foi recebida alegando que os direitos autorais em questão foram infringidos, conforme previsto nos termos de seu DMCA. E foram infringidos mesmo, ainda que os links não representassem nada mais do que uma merecida divulgação - certamente, um ponto de vista que não interessa à gravadora da vez. De uma maneira não-lisonjeira, Terry Reid continua sendo um dos segredos mais bem guardados do rock.

Mesmo consumindo uma infinidade de grupos e artistas do final dos anos 1960 até final dos anos 1970 (época em que o rock pendurou a palheta, segundo Lester Bangs), só fui saber da existência do cantor a pouco tempo - e acredito, da mesma forma que muita gente. Foi através do filme Rejeitados pelo Diabo, que trazia nada menos que três faixas suas na trilha sonora. Todas fantásticas, mas foram os hiptonizantes créditos finais, ao som da linda Seed of Memory, que me abriram as portas da percepção. Agradecerei ao Rob Zombie ad eternum.

Guitarrista e songwriter talentoso, boa-pinta, com um vozeiraço abençoado e postura rockeira autêntica, numa época em que isso tudo bastava para virar um megastar. Mesmo assim, Terry Reid parece ter sido riscado de qualquer menção na imprensa musical dos últimos... ahn, 1975, 2010... 35 anos. A pergunta foi inevitável: onde foi que tudo deu tão errado?

Então fui à cata de algumas das (escassas) informações disponíveis sobre Reid na web. Me surpreendi com o que li. Não é uma história redentora, mas cheia daqueles tropeços épicos que mudam (pra pior) tudo o que vem a seguir. Só posso compará-lo a um Wilson Simonal da vida, no quesito "esse cara poderia ter sido grande".

Inglês de Huntingdon, nascido em 1949, montou uma banda na escola aos 15, The RedBeats. Reid chamou atenção rápido. Após uma apresentação, em 1966, o baterista do The Jaywalkers ficou tão impressionado que o convidou para integrar o grupo, já na fita para abrir para o Rolling Stones no Royal Albert Hall. Projetado para uma carreira solo e com o 1º álbum na praça (Bang, Bang You're Terry Reid, de 1968), excursionou com Cream, Jethro Tull e Fletwood Mac, entre outros. Mas é o ano de 1969 que leva o troféu.

Fechado para abrir a turnê americana dos Stones (aquela, do fatídico Festival de Altamont), Reid declinou de uma proposta dos sonhos. Com o fim do Yardbirds, Jimmy Page o convidou para o posto de vocalista do New Yardbirds, o embrião do Led Zeppelin. Não só não aceitou, como recomendou o jovem cantor da Band of Joy, Robert Plant, que abriu um de seus shows. E tem mais.

No mesmo ano, o vocalista Rod Evans saía do Deep Purple. A primeira opção de Ritchie Blackmore & cia? Terry Reid. Novamente uma recusa, e assim seu conterrâneo Ian Gillan entrava para a História.

Reid seguiu com turnês, participações em festivais e uma trinca solo arrasadora: Terry Reid (1969), o elogiado River (1973) e, meu preferido, Seed of Memory (1976), um clássico southern enterrado fundo nas areias do tempo. Péssimos empresários, seguidas trocas de gravadora (Atlantic, Capitol e ABC), mais a fraca recepção do álbum Rogue Waves (1979) praticamente encerraram aquela etapa da carreira de Reid.

Nos anos 1980, ele trabalhou como músico de estúdio e até ensaiou um retorno em 1991, com o álbum The Driver - uma incursão AOR/hard rock artificial, melosa e inacreditavelmente tardia. O máximo que conseguiu foi emplacar a faixa Gimme Some Lovin' (cover do Spencer Davis Group) na trilha do filme Dias de Trovão. Era o fim.

Um dado interessante sobre o lance com o Deep Purple é que os primeiros discos de Terry Reid tinham influências soul e r&b num contexto muito parecido com o que o grupo inglês faria anos mais tarde, na fase Coverdale-Hughes. Um bom exemplo é a música Dean, que abre o álbum River - abaixo, numa execução matadora em Glastonbury, com direito à partilha de um Big Marley sem filtro e o calor de uma audiência bem... "despojada", no auge do paz & amor, do "make love not war", "é proibido proibir" e por aí vai.


@glastoarchive Terry Reid - Dean with Linda Lewis Live on the Glastonbury Festival Pyramid Stage 1971 #glastonbury #glasto #glastonburyfestival #festival #musicfestival #music #livemusic #event #liveevent #uk #summer #live #somerset #solstice #midsummer #summersolstice #dean #terryreid #glastonburyfayre #1971 #1970s #70s #throwback #history #lindalewis ♬ Dean - Terry Reid

"Dean" live at Glastonbury Fayre 1971 - Terry Reid, the first track featured in the film of the original Galstonbury Fayre. Amazing band and great vocals - joined on stage later by Linda Lewis


E é curioso como o mesmo Blogger/Google que embarreirou os serviços de outra empresa no post original, liberou a mesma faixa publicamente no YouTube. Então, lá vai, de novo, Seed of Memory.

(pelo menos, nesse meio tempo, deu pra alcançar uma garrafa de Johnnie).




Viagem.

Voltando ao "fim". Isso, em termos musicais, pode muito facilmente significar "cult". Para Terry Reid, significou o resgate de algumas canções pelas trilhas dos filmes Crimes em Wonderland e Rejeitados pelo Diabo (essa, mais que uma trilha; uma celebração e reverência).

E também o cover da sensacional Rich Kid Blues que os Raconteurs de Jack White gravaram em seu 2º disco, Consolers of the Lonely.




Mas, principalmente, os shows pequenos e intimistas que Reid tem feito nos últimos anos, onde recria seu clássico a cada noite, numa versão muito superior e embriagada na experiência de quem já viu tudo, já fez o dobro e que, certamente, não se arrepende de nada e ainda faria tudo de novo.




Uma das maiores vozes do rock, desde sempre.


Review embasbacante do show em Londres
Lost Tuneage: Terry Reid

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

HIPPIES DON'T LIE


Peso, lisergia e lirismo diretos de Estocolmo, Suécia. O Siena Root poderia ser mais uma banda de garotos que amavam Zeppelin, Purple & Sabbath, não fossem as relações realmente estreitas com o dito "classic rock" - e o talento necessário para tal. O grupo foi criado no fim dos anos noventa pelo baixista Sam Riffer e pelo baterista Love H Forsberg ("Love", para os íntimos), que já tocavam juntos há quase dez anos. Logo arrendaram KG West (guitarra, órgão, cítara [!], backings e clone do Urso do Cabelo Duro) e Oskar Lundström (vocais). Com essa formação, gravaram o excelente debut, A New Day Dawning, de 2004. Pouco depois, Oskar saiu da banda e foi substuído pela cantora Sanya. Com a vocalista, eles lançaram seu segundo disco, Kaleidoscope, de 2006. No ano seguinte, ela deixou o grupo, dando lugar a Sartez, que cantou no novo álbum, Far From The Sun - e que, até onde sei, ainda continua na banda.

As constantes mudanças de frontmen seria algo desastroso em qualquer grupo, mas o que acontece com o Siena Root é a profusão de um fenômeno raro. Quantas vezes na história do rock'n'roll um cantor cedeu espaço a outro tão bom ou até melhor? E que compreende exatamente o que a banda precisa naquele momento? Os casos são poucos e notórios - de cabeça, vou aí de Bon Scott/Brian Johnson (AC/DC), Ozzy/Dio (Sabbath), Gillan/Coverdale (Purple), Di'Anno/Dickinson (Maiden) e Halford/Owens (Judas). No grupo sueco isto aconteceu três vezes em três discos (100% de "reaproveitamento"!), sempre com resultados excepcionais.

O trio de vocalistas é peculiar ao extremo. Cada um tem um estilo bem diferente dos demais. Oskar Lundström, o primeiro pródigo, tem influências de soul, inclusive com timbre e alcance próximos do lendário Glenn Hughes. Quem conhece, sabe o que isso significa (e deve estar me acusando de heresia agora). Já a gatinha Sanya ouviu muito o Robert Plant dos áureos tempos e deve cantarolar "Since I've Been Loving You" em casa sem fazer feio. É uma cantora incrível. E Sartez... é glam. Mas glam, glam mesmo, com um estilo espetacularmente andrógino. Tenha em mente Ian Hunter (Mott The Hoople), Marc Bolan (T. Rex) e Bowie fase Ziggy Stardust. Mais uma vez, a banda foge do lugar comum e mantém o alto nível.


Apesar do trampo nivelado dos três à frente do Siena Root, Sanya é de longe a mais cultuada entre os admiradores do grupo. Muito marmanjo ainda choraminga pela saída da moça e é fácil entender porque.

No vídeo a seguir, ela faz uma releitura sensacional de "Coming Home", faixa de abertura do primeiro disco, cuja linha vocal (de Oskar) é dificílima.


Impossível não lembrar de Plant no filme The Song Remains The Same, mais precisamente nas cenas ao vivo no Madison Square Garden.

Como de praxe, os três álbuns do Siena Root continuam inéditos por aqui. Espero que não por muito tempo. Discoteca básica para qualquer stonerhead ou simplesmente fãs de Música.

segunda-feira, 3 de março de 2008


Cedo, cedo demais. E 2008 segue, muito mais triste.

Em algum lugar, aquela jam com Stevie Ray Vaughan está rolando de novo, neste exato momento.


Obrigado por tudo, Jeff Healey.

See the light, mr. bluesman.