Mostrando postagens com marcador Peter David. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Peter David. Mostrar todas as postagens
domingo, 25 de maio de 2025
Tenha uma boa jornada, Escritor
Não foi exatamente uma surpresa, mas receber a notícia foi como ser atropelado. A família, lógico, está arrasada. Certeza que gerações de admiradores mundo afora também. Estamos todos na mesma página. Se foi o Peter David.
O fato de ser um dos escritores mais produtivos e aclamados dos quadrinhos mainstream dos últimos 40 anos (se contar, pelo menos, de A Morte de Jean DeWolff pra cá) gerou um nível de adoração que já está repercutindo em incontáveis depoimentos e eulogias pela rede neste exato momento. Merecidíssimo. Em vida, o homem já era uma lenda.
A versatilidade de David era algo que beirava o incomparável. Seja na Marvel, na DC, em seus trabalhos icônicos no Incrível Hulk, Supergirl, X-Factor, Aquaman, Fantasma, Homem-Aranha, A Torre Negra, nas novelizações de filmes, os elogiados trabalhos no Universo Star Trek, Babylon 5 e vários outros – incluindo aí os gibizinhos infantis da A Pequena Sereia. Até onde li, sempre buscando exaltar a dramática, cômica, trágica, altruísta e falha condição humana em meio aos mais fantásticos e esdrúxulos cenários ficcionais.
Esse era o seu maior superpoder: o de sempre colocar a pessoa em primeiro lugar. Uma delícia de ler e uma inspiração para a vida.
Thank you for everything, Peter David!
Vai demorar para o sensorial voltar ao lugar.
Tags:
A Torre Negra,
Aquaman,
Capitão Marvel,
DC,
Fantasma,
Genis-Vell,
Homem-Aranha,
Homem-Aranha 2099,
Hulk,
Maestro,
Marvel,
Peter David,
quadrinhos,
Star Trek,
Supergirl,
Wolverine,
X-Factor
quarta-feira, 26 de março de 2025
Medicare don't care
Sempre parece que algo errado não está certo quando somos lembrados que a maior economia do mundo tem um dos sistemas de saúde mais onerosos do mundo. É o que senti quando noticiaram que o grande Peter David precisou recorrer ao GoFundMe para cobrir suas despesas médicas.
E é o que sinto agora ao ver o também grande Mike W. Barr seguindo a trilha em direção à terra prometida da vaquinha gringa.
Não tá fácil pra ninguém... ou melhor, it's not easy for anyone.
Para meros mortais, são quantias vultosas – no câmbio de hoje, 860 mil cruzeiros na meta de David e 200 mil cruzados novos na de Barr. Para a Marvel e para DC, onde ambos fizeram contribuições inestimáveis e lucrativas até hoje, uma ninharia.
Claro, a questão é muito mais complexa que isso. Envolve contratos da época e direitos de autor na legislação daquele país. Temas que, convenhamos, poucos têm a competência para discorrer sobre. Ainda mais pro bono.
Só sei que no meu caderninho da justiça, o conjunto da obra desses dois já deveria garantir uma cobertura vitalícia.
E é o que sinto agora ao ver o também grande Mike W. Barr seguindo a trilha em direção à terra prometida da vaquinha gringa.
Não tá fácil pra ninguém... ou melhor, it's not easy for anyone.
Para meros mortais, são quantias vultosas – no câmbio de hoje, 860 mil cruzeiros na meta de David e 200 mil cruzados novos na de Barr. Para a Marvel e para DC, onde ambos fizeram contribuições inestimáveis e lucrativas até hoje, uma ninharia.
Claro, a questão é muito mais complexa que isso. Envolve contratos da época e direitos de autor na legislação daquele país. Temas que, convenhamos, poucos têm a competência para discorrer sobre. Ainda mais pro bono.
Só sei que no meu caderninho da justiça, o conjunto da obra desses dois já deveria garantir uma cobertura vitalícia.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2024
Épico ROM na Epic
Chutão da Marvel no ângulo: o ROM clássico de Bill Mantlo e Sal Buscema terá uma versão Epic Collection pra chamar de sua. Está lá, entre as solicitações de fevereiro. ROM Epic Collection: The Original Marvel Years Vol. 1 será um brochurão de 432 páginas compreendendo as edições #1 a #20 de ROM (dez/1979-jul/1981)). Uma surpresa que ouriçou num êxtase cósmico os fãs do Cavaleiro Espacial. Todos os oito.
Brincadeira (?).
O fato é que o herói cibernético, mesmo nos Estados Unidos, sempre operou em escala modesta, pra marvete fanboy graduado. Quem dirá aqui no Brasil, 35 anos depois da última publicação. Boletos chegaram, fraldas e cabelos brancos também. Dos bravos guerreiros que sobraram, poucos ainda têm di$posição pra essa coisa de gibi. Então, a republicação via Epic Collection – formato bom-e-barato (você me entendeu) – acaba sendo um passe açucarado para a Panini.
Confesso que fiquei loucamente apaixonado pelos ROMNIBUS. Mas talvez não seja a reeedição épica que precisamos agora. Precisamos da Epic. Mesmo que seja suspeito o fato da Panini até agora não ter dado continuidade a nenhum de seus títulos da série. No caso do galadoriano cromado, seriam necessários ao menos uns 4 volumes para fechar as 75 edições originais*.
* Já fazendo vista grossa para a edição #38, com o crossover com o Mestre do Kung Fu, cujos direitos estão agora revertidos ao Sax Rohme Estate.
De todo modo, é interessante assistir essa nova lua de mel do casal Marvel-Hasbro (Masbro?) com jeitinho de pornozão em VHS embolorado. Ainda mais porque, nos últimos anos, a Casa das Ideias andou pulando a cerca do copyright e cometeu pequenas indiscrições aqui e ali. E acolá.
ROM Epic Collection é tudo o que precisávamos.
(...)
Se bem que “A Saga de ROM, o Cavaleiro Espacial” ® não soa nada mal. Nada mal mesmo.
Atualização 8/12
É, a Panini optou pela facada com giradinha: será ROMNIBUS, mesmo. Em três volumes. E$pectros me mordam.
Tags:
Abril,
Betty Ross,
Bill Mantlo,
ciborgues,
Dale Keown,
Epic Collection,
Mark Farmer,
Marlo Chandler,
Marvel,
Omnibus,
Panini,
Peter David,
quadrinhos,
Rick Jones,
ROM,
Sal Buscema
segunda-feira, 26 de junho de 2023
“You wouldn't like me when I'm Ang...”
Hulk completou 20 anos de lançamento. Certamente, o filme mais incompreendido e subestimado do gênero e também da carreira de Ang Lee. Não era pra menos. Mesmo com a escalação inspirada e uma galeria de personagens veteranos, com Josh Lucas no papel do traiçoeiro Glenn Talbot e Sam Elliott dando vida ao melhor Thaddeus E. "Thunderbolt" Ross já visto numa telona, a maior parte da trama era uma discussão sobre traumas suprimidos e paternidade tóxica.
Somadas à química a introspecção do Bruce Banner do desconhecido Eric Bana, a abnegada Betty Ross de Jennifer Connelly e o desvario sociopático do David Banner de Nick Nolte, foi uma autêntica masterclass de dramaturgia com orçamento de blockbuster. Isso em plena era pré-Universo Cinematográfico Marvel. Foi uma abordagem que ninguém esperava.
Hulk é tanto "um filme de arte de 150 milhões de dólares" quanto um autoral complicado de assimilar. Mas tinha a curiosa capacidade de permitir uma leitura pessoal e diferenciada para cada espectador – além de se reinventar substancialmente com a passagem dos anos/décadas. Continua uma senhora experiência (gama).
Lembro quando entrei na sala do cinema, ainda extasiado pelo teaser. Só queria assistir o Verdão esmagando geral. Mal sabia que meu sensorial seria uma das vítimas.
Em 2006 – há 17 anos! – fiz algumas breves considerações sobre o filme no finado blog-collab Área Azul, com os camaradas Fivo e JP Volley. Segue abaixo:
Dito isto, podem me adicionar na lista-gama: somos 4 a gostar da adaptação de Hulk por Ang Lee. Por sinal, a estréia do Verdão nas telonas é uma das mais emblemáticas no escopo desse nosso debate. É o exemplo perfeito. O público cinéfilo pode até ter uma certa afinidade com o universo dos quadrinhos, mas a imensa maioria sequer imagina quem é James Howlett, p.ex. (ao passo que quase todo mundo conhece o Wolverine - isso é mais ou menos o padrão por aí afora). No caso do Gigante Esmeralda, calhou de o personagem ficar soterrado sob toneladas de referências defasadíssimas (o seriado dos anos 70) e de conceitos tão superficiais que beiram a total falta de conhecimento (ex.: "o Hulk é tão forte que é capaz de derrubar uma parede de concreto"). 90% dos espectadores nem imaginava que ele derrubaria essa parede com um cuspe. O diretor Ang Lee e os roteiristas James Schamus, Michael France e John Turman, foram tão fiéis aos quadrinhos quanto possível. E atualíssimos à cronologia! Durante décadas, o personagem só era um-cara-que-virava-monstro-quando-ficava-com-raiva, Mr. Hyde + Monstro de Frankenstein, travado. Só na fase Peter David, no final dos anos 90, é que ele ganhou contornos mais intrincados. Abuso infantil, psique reprimida e desordem de múltipla personalidade entraram com tudo dentro do contexto, tornando-o um dos personagens mais complexos e trágicos das HQs. Embora ricas, eram temáticas difíceis por natureza, pesadonas, pouco comerciais - e entraram no filme, quase que heroicamente. Como se não bastasse, a câmera contemplativa de Lee ainda faz links entre a evolução natural e o resultado final de uma evolução forçada artificialmente, em momentos tão sutis quanto um close em um fungo crescendo num pedaço de madeira.
Excetuando o descontrole do roteiro na relação pai/filho na reta final, Hulk foi um filme extremamente necessário para conferir, em uma primeira instância, a tão almejada credibilidade conceitual ao personagem (o Graal de qualquer roteiro que preste). Daqui em diante, já tá liberado: que venha a porrada!
* * *
É irônico como, num cenário que lida com infinitos universos, o Hulk de Ang Lee tenha acabado no limbo que existe entre eles. Ou numa encruzilhada...
Ps: e me diverti horrores com igualmente subestimado game Hulk, que expandia o universo do filme. Eram porradarias épicas contra os supervilões Meia-Vida, Louco, Ravage e o Líder madrugada adentro...
Tags:
Ang Lee,
Área Azul,
blogosfera,
cinema,
Eric Bana,
Hulk,
Jennifer Connelly,
Josh Lucas,
Marvel,
Nick Nolte,
Peter David,
quadrinhos,
Sam Elliott,
teasers
quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
FEROZES & FURIOSOS

Lendo a entrevista hilária que o maleta Rob Liefeld concedeu ao Silver Bullet Comic Books ("I make plenty of mistakes. I'm far from perfect..." - bota far nisso aí, cara), acabei lembrando porque a banda noventista da minha coleção de HQs jaz em uma enorme caixa de papelão. E é um arquivo morto em constante atividade. Foi uma década que eu praticamente não li quadrinho, então, sempre que posso, adiciono mais publicações desse período, via sebo. Cinco anos após a retomada, vejo que, entre descobertas interessantes e idéias originais, o grito da galera era mesmo violência, porrada, ação, mais violência, mais porrada e ação. Entre uma coisa e outra, muita porrada e violência, sempre com bastante ação. É impressionante a quantidade de merda por quadrinho quadrado produzida nos anos 90. Fico feliz de ter sido a década que eu "perdi".
Até entendo o impacto que aquelas capas do Spawn, X-Men, Batman, Wolverine, etc, provocavam. Na época, eram bem maneiras (ou só pareciam maneiras, porque olhando hoje, nem tanto). Mas após a centésima luta sem sentido, diálogos sofríveis e poses de corar banda hard farofa dos anos 80, não haviam mais dúvidas - aquilo era quadrinho ruim... mas ruim com pressão.
O nanquim do artista-símbolo da época, Sua Sisudice Jim Lee, era quem mais tinha culpa no cartório, devido à (má) influência exercida na geral. Seu estilo patolão impregnou 95% dos quadrinhos pop americanos dos anos 90, mas cabe dizer que ele mesmo era tecnicamente OK no que fazia, só pecando pela caracterização facial inexistente dos personagens. Seus influenciados, no entanto, soavam como clones malformados (sendo Liefeld o Nasce Um Monstro da vez).

Como o sucesso foi retumbante (malditos fanboys), artistas consagrados e revelações emergentes abandonaram sua evolução artística natural para aderir ao estilo bad boy de ser. Exigência de mercado = leitinho das crianças.
Os heróis seguiam o perfil "muito múque e pouco cérebro". E as heroínas, coitadinhas, usavam o fio-dental tão atochado no rabo que deviam sentir o gosto do pano. Isso sem falar no sério problema de coluna provocado pelos airbags tamanho extra-HUGE e pelas poses de partir a cervical.
Acho curioso como os roteiros também decaíram nessa muscularização dos quadrinhos. Ficou tudo ridículo e forçado demais, com raríssimas exceções. Herói morria e ressuscitava como quem tivesse saído pra comprar cigarro. Viagens no tempo, realidades alternativas, clones engana-trouxa ("morreu, mas não era ele, era o clone") e por aí vai. Como ainda estou no garimpo quadrinhístico dessa era (já em fase final), é freqüente o meu assombro quando passo pelos sebos.
Eventualmente, alguns diamantes reluzem no percurso - outro dia, descobri em O Incrível Hulk um arco do Homem de Ferro por John Byrne/Romita Jr. que é o cão chupando manga - mas foi em X-Men Gigante #1 que encontrei o equilíbrio do Lado Negro da Força.

Tudo o que os quadrinhos da década de 90 representam pra mim está contido nesta revista. Todos os vícios, chavões, fórmulas exauridas e rombos estruturais condensados maravilhosamente em uma só edição. Leu essa, leu todas. Na capa, a chamadinha já alertava: "260 páginas de AÇÃO, revelAÇÃO e morte (mas com muita AÇÃO)!" Um clássico. O pior é que a história é reverenciada por muitos como sendo um clássico mesmo: A Canção do Carrasco é cotada como uma das melhores sagas pós-Claremont dos mutunas. Nosso Deus. Dêem qualquer história dos Novos Mutantes fase Claremont/Sienkiewicz pra esse pessoal ler e se recolher aos seus cantos fétidos e forrados com edições da X-Force de Nicieza/Liefeld (pra leigos: isto foi uma puta ofensa!).
Em A Canção do Carrasco o Professor Xavier sofre um atentado e é infectado por um tecnovírus. Aí, Ciclope e Jean Grey são seqüestrados por Caliban. Na seqüência, os Cavaleiros do Apocalipse atacam Colossus e Homem de Gelo. Depois é a X-Force que se atraca com os X-Men (e não espere grandes explicações). Cable - que veio de um futuro alternativo - é acusado de ser o autor do atentado. Pra concentrar mais esforços, os X-Men e Bishop - que também veio de um futuro alternativo... essa HQ é praticamente uma rodoviária interdimensional - se unem ao X-Factor. Daí o darkótico Sr. Sinistro aparece pra ajudar a encontrar Apocalipse, provável arquiteto de tamanha x-bagunça. Contudo, o mutante egípcio, que conta com o auxílio dos Cavaleiros da Tempestade, nada sabe. Pra não perder o costume, os X-Men encaram outra batalha nonsense (embora até engraçadinha), desta vez versus a Frente de Libertação Mutante.
Š P Ọ Ỉ L Σ Ř
Tudo vai degradando, degradando, até descobrirem que o vilão Conflyto é o grande manipulador do esquema. Conflyto, adivinha, vem de um futuro alternativo e busca vingança contra Apocalipse, mas acaba lutando mesmo é com Cable, em uma seqüênciazinha cujos desdobramentos são absurdamente parecidos com um momento clássico do bão e véio Esquadrão Atari. Pouco antes do finalzinho, Cable ainda arruma tempo pra morrer-rapidinho-e-já-volta.
Σnd Ọf Š P Ọ Ỉ L Σ Ř

Ciclope e Jean treinam esta posição na Sala de Perigo
A Canção do Carrasco é um exemplar autêntico da chamada Era dos Excessos. O "roteiro" ficou a cargo de Scott Lobdell, Peter David (até tu, Peter?!) e Fabian Nicieza (urgh), e nos desenhos se revezaram Greg Capullo, o atualmente bonzão Brandon Peterson, Andy Kubert (mais perdido que cego em tiroteio) e, heresia maior, Jae Lee - responsável pelos únicos espasmos de talento individual aqui.
Vou ser sincero... guardo X-Men Gigante #1 com o mesmo carinho que um Elektra Assassina ou um Arma X, em posição vertical dentro de um rackzinho super-prático que eu tenho. Lá, ela desfruta da companhia ilustre de V de Vingança e Cavaleiro das Trevas, entre outros notáveis. Ela merece, pela sua excelência em concentrar tanta ruindade de uma só vez. É anti-Arte de primeiro nível.
Pena que não tinha o Rob Liefeld. Aí sim, seria "perfeita".
Ainda tô rindo da mea culpa do RL sobre o "Cap with boobs"... vai, mané. :P
quarta-feira, 15 de junho de 2005
DEVORADOR DE PECADOS É VILÃO DE GENTE GRANDE

Mudando um pouquinho o assunto dos posts, resolvi falar um pouquinho de quadrinhos. Não sou um cara que tem cultura de HQ do tipo vanguardista, procurando novidades aqui e ali que te deixam atordoado. Normalmente as revistas que li deste gênero são todas apresentadas pelo Doggma (Chosen, Wanted e WE3 são bons exemplos), então minha iniciativa fica mais na linha comercial popular mesmo, com clara tendência para o mundo mais "a vida como ela é" da Marvel (ou ao menos como a vida consegue ser, assumindo que há super-heróis em tudo quanto é canto).
Este negócio de HQ é um vício danado. Comecei lá pelos 7 anos de idade e dura até hoje, 21 anos depois. Comprava revistas direto, afinal o velho formatinho Ebal, depois Abril, era baratinho, cabia no bolso. O tempo passou, os preços começaram a ficar indigestos e, lá por 93 ou 94, decidi que este vício precisava ser controlado. Vendi toda a coleção por uma ninharia na GibiCenter, sebo que tem no Méier. Isto posto, achava que me livraria da maldição, mas dois meses depois comecei um estágio e, com o dinheiro entrando, as revistas voltaram e o remorso por ter vendido caixas e caixas duramente colecionadas (só sobrou a coleção do Homem Aranha 2099) veio com força. Recomecei a coleção já sem tanto fôlego para resgatar as antigas, mas mantive o ritmo até ano passado, quando o peso no orçamento mostrou-se comprometedor e as maravilhas gratuitas e up to date do DC++ me convenceram a gostar de ler na tela, aposentando as revistas reais.
Uma das coisas que mais impressionaram ao longo do tempo foi a sensação de ter nascido na época certa de resolverem envelhecer as revistas também. Em 84, quando comecei a ler quadrinhos, o mercado já tinha seus 24 anos de estrada realmente comercial. Batman, Super-Homem, Namor, Capitão América e outros já existiam nos 60's, mas o boom no mercado surgiu e espalhou-se como uma espécie de metástase de heróis que Stan Lee provocou nesta década.Com a experiência em sebos, percebi que na minha iniciação no mundo dos quadrinhos a linguagem deste veículo muito pouco havia se atualizado ou envelhecido em comparação com aqueles diálogos simples e infantis de antigamente. O foco do mercado ainda era as crianças e tudo foi mudando exatamente com o tempo em que minha percepção das coisas também amadurecia. Um dos marcos desta evolução percebi um ou dois anos depois com a Graphic Novel Deus Ama, Homem Mata (God Loves, Man Kills) dos X-Men, onde, pela primeira vez, vi os mutantes em ação. Pouco depois tive um choque ao ver a seriedade, diálogos, arte, roteiro e dinâmica de Wolverine & Destrutor: Fusão (Wolverine & Havok: Meltdown). Infelizmente as séries mensais não mantiveram este nível, mas a maturação dos personagens mostrava-se clara.
Diversas obras vindouras mantiveram o processo, com roteiros cada vez mais intrincados e dependentes da cronologia pregressa, desenhos, arte-finalização e diagramação avançando progressivamente nos detalhes e realismo (aham... tá certo que temos Rob Liefeld para ser a exceção que confirma a regra), entremeados por diálogos cuja complexidade passa longe da molecada. Culminando no cenário atual onde não há mais volta na cronologia tradicional. Os roteiros distanciaram-se muito do foco infantil, tornando difícil a assimilação e forçando as editoras a tentar estratégias que sempre desviam-se do foco original. Novos Titãs, Novos Mutantes e Young Avengers, cada um ao seu tempo, pretendiam alcançar este público e, mesmo tendo esta linguagem mais "jovem", sua interligação com o universo Marvel/DC os envelhece.Temos então a iniciativa da Marvel de arregimentar novos leitores ao recomeçar cronologias com sua linha Ultimate. Uma linha que pretendia ser lida por novos olhos acabou tornando-se coqueluche das vistas cansadas de sempre, com versões superando originais através de histórias atualizadíssimas seja no assunto e roteiro, seja na violência que caracteriza o que chamamos de "hoje em dia". A solução veio então na forma de revistas com os heróis tradicionais sem qualquer ligação com as cronologias conhecidas, usando linguagens infantis que o público em questão exige. Não sei se vingou, mas como o mercado está viciado, só o tempo dirá.

Novos Mutantes, Novos Titãs e Young Avengers
Neste envelhecimento do universo de HQ, é interessante perceber que, por envelhecermos juntos, não percebia a inocência dos diálogos de outrora, já que sempre me identificava com as histórias. Hoje, relendo clássicos de antigamente como a Saga da Fênix, percebemos que os diálogos não se comparam com os de hoje, apesar de a história ser irrepreensível. A memória prega peças e causa algumas decepções, mas tudo isto serviu para falar o que se segue:
Meu personagem preferido é o Homem-Aranha. É o cara mais "real" do universo de histórias em quadrinhos tradicional, com contas para pagar, desemprego para lamentar e outras coisas que apenas quem "só se phode" reconhece. Seu início de carreira era realmente infantil, mas sua maturidade veio sendo percebida em saltos e marcos, como A Morte de Gwen Stacy, Guerras Secretas e a experiência com o simbionte, o casamento com Mary Jane e outros. Ainda hoje percebo que o Aranha dos títulos próprios é mais maduro que o Aranha de sagas globais, crossovers e participações em revistas alheias (exceção feita nas revistas do Demolidor). Na linha de marcos da maturidade do Aranha, há um que não é tão reconhecido pelo público, mas que considero a principal fase de transição do Aranha bobo para o Aranha adulto. E esta história é o arco da Morte de Jean DeWolff.

O arco foi publicado lá fora nas revistas Spectacular Spider-Man #107 a #110 com roteiro do megafodônico® (Alcofa rights reserved) Peter David e desenhos competentes à moda antiga de Rich Buckler. Publicado no Brasil pela Abril Jovem nas revistas O Espetacular Homem-Aranha #87 e #88, logo após a edição em que o aracnídeo enfrentou o Senhor do Fogo.
Jean DeWolff era uma capitã de polícia que, coisa rara, reconhecia no Aracnídeo um herói, trabalhando em cooperação. Com o tempo passou a nutrir afeição ao homem por trás da máscara, sentimento não percebido por Peter, mas que correspondia com sincera amizade.

Às vésperas da Guerra de Gangues, ânimos começando a se exaltar, ocorre a morte da capitã de polícia. Dias depois ocorre a morte de um juiz americano, assassinato cometido sob testemunho de Matt Murdock, o Demolidor. Outros assassinatos ocorrem em meio a uma trama muito bem engendrada, com tensão tangível e manipulações inteligentes. Tudo isto prova que não é necessário um vilão super-poderoso e sim um roteiro inteligente.O arco foi responsável ainda pelo rompante de fúria de Peter Parker mais violento que já vi, com direito a porradaria entre heróis realmente interessante, com desenrolar próximo do que crê-se possível em um mundo real. É aqui também que Demolidor e Homem-Aranha sedimentam sua amizade, e é quando DD descobre qual a atividade alternativa de Peter.
Seria a história perfeita para ser adaptada para as telonas quando a Sony resolver fazer a transição do personagem live-action da pós adolescência para herói adulto. Certamente o crossover seria impossível, já que DD é da FOX, mas daria para adaptar a história.
Colocaria aqui as revistas para download, mas são 45 Mb e não arrumei espaço de jeito nenhum.
terça-feira, 23 de março de 2004
SUPERMAN: BIRTHRIGHT

Dando uma passada pelo Newsarama, me deparei com uma rebarba de notícia que eu nem lembrava mais. Era a respeito de um novo projeto envolvendo o Clark, que estava sendo guardado a 777 chaves pela DC. O nome era Birthright, e se tratava de uma saga que seria levada à cabo pelo roteirista Mark Waid. Na época até lembro que pensei: "putz, vão matar o pobre Super de novo". Ledo engano, mas se o projeto não se revelou outro atraso na vida do Clark, também passa longe de ser um adianto.
A DC revelou que trata-se de uma reformulação na origem do homem de aço. Mais uma. Já teve aquela do John Byrne, em que mudaram uns 3 centímetros pra direita e uns 2 pra esquerda na trajetória do Super. Teve um upgrade ao contrário em Crise nas Infinitas Terras, aonde o Clark aprendeu a rasgar o uniforme e a jorrar sangue ao menor peteleco. A última modificação foi na ocasião de sua "morte", na luta contra o Apocalypse. A partir dali, o Clark parou de vez com esse negócio de Super até o último fio de cabelo. A superforça ainda está lá, mas a supervelocidade e invulnerabilidade já não são mais lá essas coisas. É até irônico quando eu lembro de uma história em que ele usava o seu "famoso" superventriloquismo (sério!), para se comunicar com uma pessoa que estava do outro lado do mundo.

Mas por quê eu não gostei da notícia? O lance é que já fizeram isso há um tempo atrás (1986!), e apesar do bom trampo do John Byrne (na minha opinião), a qualidade não se manteve na seqüência. Então, de quê adianta? Se bem que estou enxergando mais do que se mostra a princípio. Palavras de Mark Waid: "Imagine as revistas do Super-Homem começando hoje, e se você pudesse acompanhar tudo desde o início, lendo a primeira aventura do Homem de Aço reinventada para refletir o mundo e a sensibilidade de hoje. Para ser relevante com suas experiências e sua vida, e mostrar o quanto é difícil ser um 'herói' no século 21". Smells like Ultimate spirit... Por quê então a DC não faz logo uma versão Ultimate (com outras palavras, claro) do Super? Talvez porque J. Michael Straczynski e seu Poder Supremo já tenham tomado a dianteira nesse lance de Superman do século 21... Sendo assim, o que é que sobra nessa enésima origem recontada do Clark?
Ponto a favor: O Super andava bem capenga mesmo... sempre odiei aquele lance de Kandor (a cidade engarrafada), Superboy clone, Krypto (apesar de gostar de cachorro), Erradicador e a volta da Kara Zor-El (a Linda Danvers eu até livro a cara, ela é gostosíssima).
Mas o quê diabos a origem do Super tem a ver com essa bagunça? O melhor é arrumar a parada do ponto de onde está. Chamem o esperto Azzarello, o filho pródigo dos quadrinhos Warren Ellis, ou mesmo o Mark Millar, que sempre implorou para trabalhar no Super. Recontar tudo de novo não, por favor...
Sem contar que, com essa "nova" origem, eu ainda corro o risco de não ver mais cenas como essa aí embaixo.

Já pensou... um Super sem o elemento escoteiro?
Como os meus amigos do coração lá do Blogger Brasil bloquearam tudo o que eu tinha (e que já deletei, no entanto), acabei perdendo uma porrada de links e informações que eu havia armazenado no rascunho do blog. A minha memória é ótima, mas só armazena uns 5 GB de bobagem. Devia ter mais que isso lá, pois lembro de poucas coisas (sei que eram ótimas... "coisas"). Mas, eis que numa formatação de rotina, descubro em um backup empoeirado os links de 4 revistas que publiquei. Todas já estão no DC++ e, dizem, no e-Donkey também (aêêê). Também já foram publicadas no sumido Newscans (por onde andam?). Pra quem não tem os programas ou não chegou a pegar lá na casa antiga do BZ, é mandar ver...
Links semi-capengas (às vezes ficam bloqueados por uma hora, pois a taxa de transferência é limitadíssima) e naquele esquema copy/paste em uma janela nova. Se tudo ainda estiver certo, claro...
Aliens vs Predador vs Exterminador do Futuro
Aventura futurista reunindo os 3 ícones da ficção-científica. Surpreendentemente bem roteirizado (por Mark Schultz) e desenhado de forma competente (por Mel Rubi), a trama enfoca um futuro pós-Guerra contra as Máquinas, do universo do Terminator. Um exterminador sobrevive e, disfarçado, tenta criar um híbrido de Alien com exterminador. Para tentar impedir, Annalee Call e Ellen Ripley. E no meio da confusão, surgem os Predadores, com seus próprios - e misteriosos - objetivos. Raro crossover acima da média, em se tratando desses personagens.Parte um (7,92 MB):
http://geocities.yahoo.com.br/doggma8888/avpve1-2.zip
http://geocities.yahoo.com.br/doggma8888/avpve2-2.zip
Parte dois (6,59 MB):
http://geocities.yahoo.com.br/doggma3333/alvprvex1-2.zip
http://geocities.yahoo.com.br/doggma3333/alvprvex2-2.zip
ou esses - -
http://geocities.yahoo.com.br/doggma9999/alvprvex1-2.zip
http://geocities.yahoo.com.br/doggma9999/alvprvex2-2.zip
Superman versus Darkseid: Apokolips Now!
Edição especial de 2003 do kryptoniano, ainda não lançada por aqui (não que eu saiba). Finalmente um mano a mano direto e sem firulas entre o Clark e o soturno Darkseid. Para salvar a vida de seu amigo John Henry Irons (o Aço), que está preso em Apokolips, o Super desafia o Dark para um quebra, só os dois. Quem ganhar, leva. Participação de Krypton inteira praticamente: Superboy, Erradicador, Krypto (!), Kara Zor-El e a deliciosa Linda Danvers, a nova Supergirl. Ah, rola um Apocalypse de "leve" também.PS: Atualmente, estou bem melhor no que diz respeito à diagramação... :P
Parte um:
http://geocities.yahoo.com.br/doggma5555/ApokolipsNow01.zip
ou
http://geocities.yahoo.com.br/doggma2222/ApokolipsNow01.zip
Parte dois:
http://geocities.yahoo.com.br/doggma5555/ApokolipsNow02.zip
ou
http://geocities.yahoo.com.br/doggma2222/ApokolipsNow02.zip
Marvel Apresenta: Hulk - O Último Titã
Melancólica visão de Dale Keown e Peter David para o futuro do gigante esmeralda. Vivendo em uma Terra pós-holocausto nuclear e totalmente só, o Hulk/Bruce continua lutando contra o seu maior inimigo - ele mesmo. Destaque para as monstruosas baratas mutantes. Eu nunca pensei que as únicas sobreviventes de uma guerra nuclear fossem ficar tão sinistras... ah, e o estado do Hulk depois de um "carinho" que elas fazem nele é uma das coisas mais nojentas que já vi numa HQ (se não for a mais). Um triste (e muito bem realizado!) The End pro Hulk.PS: Nessa edição tem uma outra história, da dupla Garth Ennis/John McCrea, passada durante uma das lutas entre o gigante verde e o exército. Como na época, eu a achei meio tapa-buraco, não escaneei. Hoje, a considero um tapa-buraco de respeito. Ainda não está aqui, mas estará num futuro próximo.
Parte um (4,79 MB):
http://geocities.yahoo.com.br/doggma6666/hulkoultimotita01.zip
Parte dois (2,62 MB):
http://geocities.yahoo.com.br/doggma7777/hulkoultimotita02.zip

Quem olha esse rostinho angelical não imagina a sensualidade do "resto" da musa do Gen¹³. A menina é xonadona pelo Clark, mas, como às vezes acontece na vida real, ele não dá muita bola pra ela não. Tsc... tadinha. O próximo Coelhinhas será em homenagem a ela...

Tags:
Alien,
andróides,
Batman,
Caitlin Fairchild,
cinema,
Dale Keown,
Darkseid,
DC,
Gen¹³,
Hulk,
Leinil Francis Yu,
Mark Waid,
Marvel,
Peter David,
Predador,
quadrinhos,
scans,
Superman,
Terminator,
WildStorm
Assinar:
Postagens (Atom)




