Mostrando postagens com marcador Área Azul. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Área Azul. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 26 de junho de 2023

“You wouldn't like me when I'm Ang...”


Hulk completou 20 anos de lançamento. Certamente, o filme mais incompreendido e subestimado do gênero e também da carreira de Ang Lee. Não era pra menos. Mesmo com a escalação inspirada e uma galeria de personagens veteranos, com Josh Lucas no papel do traiçoeiro Glenn Talbot e Sam Elliott dando vida ao melhor Thaddeus E. "Thunderbolt" Ross já visto numa telona, a maior parte da trama era uma discussão sobre traumas suprimidos e paternidade tóxica.

Somadas à química a introspecção do Bruce Banner do desconhecido Eric Bana, a abnegada Betty Ross de Jennifer Connelly e o desvario sociopático do David Banner de Nick Nolte, foi uma autêntica masterclass de dramaturgia com orçamento de blockbuster. Isso em plena era pré-Universo Cinematográfico Marvel. Foi uma abordagem que ninguém esperava.

Hulk é tanto "um filme de arte de 150 milhões de dólares" quanto um autoral complicado de assimilar. Mas tinha a curiosa capacidade de permitir uma leitura pessoal e diferenciada para cada espectador – além de se reinventar substancialmente com a passagem dos anos/décadas. Continua uma senhora experiência (gama).

Lembro quando entrei na sala do cinema, ainda extasiado pelo teaser. Só queria assistir o Verdão esmagando geral. Mal sabia que meu sensorial seria uma das vítimas.


Em 2006 – há 17 anos! – fiz algumas breves considerações sobre o filme no finado blog-collab Área Azul, com os camaradas Fivo e JP Volley. Segue abaixo:

Dito isto, podem me adicionar na lista-gama: somos 4 a gostar da adaptação de Hulk por Ang Lee. Por sinal, a estréia do Verdão nas telonas é uma das mais emblemáticas no escopo desse nosso debate. É o exemplo perfeito. O público cinéfilo pode até ter uma certa afinidade com o universo dos quadrinhos, mas a imensa maioria sequer imagina quem é James Howlett, p.ex. (ao passo que quase todo mundo conhece o Wolverine - isso é mais ou menos o padrão por aí afora). No caso do Gigante Esmeralda, calhou de o personagem ficar soterrado sob toneladas de referências defasadíssimas (o seriado dos anos 70) e de conceitos tão superficiais que beiram a total falta de conhecimento (ex.: "o Hulk é tão forte que é capaz de derrubar uma parede de concreto"). 90% dos espectadores nem imaginava que ele derrubaria essa parede com um cuspe. O diretor Ang Lee e os roteiristas James Schamus, Michael France e John Turman, foram tão fiéis aos quadrinhos quanto possível. E atualíssimos à cronologia! Durante décadas, o personagem só era um-cara-que-virava-monstro-quando-ficava-com-raiva, Mr. Hyde + Monstro de Frankenstein, travado. Só na fase Peter David, no final dos anos 90, é que ele ganhou contornos mais intrincados. Abuso infantil, psique reprimida e desordem de múltipla personalidade entraram com tudo dentro do contexto, tornando-o um dos personagens mais complexos e trágicos das HQs. Embora ricas, eram temáticas difíceis por natureza, pesadonas, pouco comerciais - e entraram no filme, quase que heroicamente. Como se não bastasse, a câmera contemplativa de Lee ainda faz links entre a evolução natural e o resultado final de uma evolução forçada artificialmente, em momentos tão sutis quanto um close em um fungo crescendo num pedaço de madeira.

Excetuando o descontrole do roteiro na relação pai/filho na reta final, Hulk foi um filme extremamente necessário para conferir, em uma primeira instância, a tão almejada credibilidade conceitual ao personagem (o Graal de qualquer roteiro que preste). Daqui em diante, já tá liberado: que venha a porrada!


* * *

É irônico como, num cenário que lida com infinitos universos, o Hulk de Ang Lee tenha acabado no limbo que existe entre eles. Ou numa encruzilhada...

Ps: e me diverti horrores com igualmente subestimado game Hulk, que expandia o universo do filme. Eram porradarias épicas contra os supervilões Meia-Vida, Louco, Ravage e o Líder madrugada adentro...

terça-feira, 19 de junho de 2007

VOCÊS QUE FAZEM PARTE DESTA MASSA


E lá estava eu, uns dez anos atrás, comprando um Aiwa NSX 520, junto com quatro amigos do escritório que optaram por outros modelos da mesma marca. Meu primeiro aparelho de som de gente grande. Que sonzeira porrada sensacional. Até que enfim eu ia ouvir o Back in Black num volume decente. Nem imaginava que após seis maravilhosos meses, o micro-system dos meus sonhos seria possuído pelo demo.

Nunca vi um carrossel de CDs girar tanto. Parecia que ia levantar vôo. E o display, outrora tão muderno, virou um estroboscópio epiléptico. Poltergeist digital. Idas às autorizadas viraram uma constante. Mal passavam duas semanas do exorcismo e logo ele estava lá, abrindo e fechando o carrossel à revelia, girando em sentido horário, anti-horário e arranhando CDs novinhos que ficavam atravancados entre um prato e outro. Só se salvou o sistema de som, com propagação impressionante e realmente pauleira. Fora isso, era só Raiwa.

Os aparelhos dos meus colegas também apresentaram os mesmos sintomas de infecção, em idêntico ou maior grau. Ouvi muitos outros infelizes proprietários reclamarem também. Corria uma lenda dizendo que aquele lote de aparelhos estava bichado. Acho que foi a maior rasteira em massa já aplicada no mercado. Após uma saga tragicômica de idas e vidas em autorizadas, migrei exausto e conformado para outras praias, deixando pra trás aquele que um dia foi sinônimo de apuro sonoro. Mas não totalmente: ainda tenho o maldito até hoje, exclusivo para o som do PC. É o meu demônio na garrafa.

Só agora fui saber que os aparelhos Aiwa foram fabricados no Brasil pela CCE, durante o período 1996-2002. Ora puxa. Isso explica muita coisa. A reputação da Cansei de Comprar Errado nunca foi das melhores e nem em mil anos ia imaginar que existisse tal conexão sórdida. Seja como for, depois da recente compra da "Áiua" pela Sony, a famigerada marca japonesa ganhou mais uma chance de sobrevida.

Por muito pouco, meu aparelho escapou de ter este destino pelas minhas mãos, sorte não compartilhada por uma impressora Epson matricial e um videocassete JVC, devidamente pulverizados no paredão.


NÓIS BALANÇA MAS NUM CAPOTA


Começou a segunda temporada do Área Azul, projeto não virtuoso na regularidade, mas referência na destreza, inteligência, sagacidade, modéstia e na arte de terminar não explicando porra nenhuma.

No target desta vez, Heroes, a aclamada série super/dramática da NBC. Pra quem curtiu a geral na primeira fase publicada anteriormente pelo Fivo (que deve ter um TiVo), obrigatório.

E viu o último episódio? Rapaz...