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segunda-feira, 27 de abril de 2026

Meu assassino favorito


Gerard Francis “Gerry” Conway
(1952 - 2026)

Editor, autor, roteirista, produtor de TV, formador de caráter. Tivemos a honra e o prazer de desfrutar da carreira de Gerry Conway em vida. Somos privilegiados.

Difícil lembrar de qualquer material relevante dos comics das décadas de 1970 e 1980 que não levou a assinatura dele. Seja na Marvel ou na DC, o homem elevou o nível do jogo. Homem-Aranha, Esquadrão Atari, Justiceiro, Vingadores, Batman, Cinder e Ashe, Conan, Quarteto, Monstro do Pântano clássico, Legião dos Super-Heróis... pode escolher. Nada foi como antes. Ainda bem.

Ver essa lenda partir é lembrar daquela época de forma cada vez mais distante, etérea. Não é fácil, não dá pra negar. Mas também é ter sido testemunha de uma jornada plena, bem vivida e recheada de conquistas – e nem me refiro apenas aos quadrinhos.

Verdadeiramente uma inspiração.

Thank you for everything, Gerry Conway.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Balanço Janeiro/2019

E que tal um retrospecto do mês-porrada que passou?





Dia 1/1 - E dizem que viajar ao passado não é possível.


3/1 - Salvat semanal é seu cu no meu pau.

8/1 - Começamos o ano mal, muito mal. Peguei uma ESC em Cores #3 perfeitinha no Mercado Livre pra repor Conan x Elric na minha coleção e agora a Mythos desentoca a história nas atrasadíssimas Crônicas.

11/1 - Gibis Disney começarão do nº zero pela Culturama, aquela editora que distribui quadrinhos em supermercados, postos de conveniência, bingos e casas de tolerância.

13/1 - Aquaman chega a 1 bi. Aquaman. Pelas barbas de Netuno.


16/1 - Panini relança Kick-Ass completo com capas novas (e duras, uia) 6 meses após republicar o 1º volume que estava esgotado. Planejamento!

18/1 - 2018 começa nos deixando culturalmente (ainda) mais pobres: lá se vai Marcelo Yuka, 53, um dos maiores letristas, poetas e bateristas que este país já teve - além de um profundo estudioso de música brasileira.

18/1² - O editor Paulo Maffia, ex-Abril e atual Culturama, revela que os gibis Disney virão com numeração dupla para agradar tantos leitores antigos quanto novos. Assim, a 1ª edição de Mickey será o nº 0 e também o nº 912.584.674.989 pra não quebrar a série histórica.

19/1 - O genial George Pérez anuncia sua aposentadoria após 45 anos de carreira. Daqui pra frente é no esquema José Luis García-López: só mojitos, commissions e bem-alimentadas fangirls com cosplay de Poderosa.


23/1 - Adeus a Caio Junqueira, 42, veterano ator da TV brasileira eternizado na cultura pop por sua participação no filme Tropa de Elite como o instável aspira Neto. "Tira essa roupa preta. Tira essa roupa preta que você não merece usar. Você não é caveira, você é moleque. Ouviu? Você... é moleque!"

23/1¹ - Neill Blomkamp (Distrito 9) quer seu RoboCop Returns totalmente Paul Verhoeven e também Peter Weller de volta aos chassis de titânio revestido com kevlar. Segundo fontes, a 2ª opção seria Vladimir Putin. Eu compraria isso por um dólar!

23/1² - Além do deslocamento temporal e da singularidade verbal, dominamos também a técnica da invisibilidade moral.


25/1 - Rompimento na Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho, BH. Este dia e suas chocantes imagens são mais um monstruoso monumento à ganância, corrupção, falta de caráter e irresponsabilidade corporativa, executiva, legislativa e judiciária. É a metástase do sistema literalmente vitimando tudo e todos à sua frente.

30/1¹ - Aquele cara Dick Miller se vai, aos 90. Ele foi parte essencial na cultura pop da minha geração - mesmo que a maioria sequer tenha reparado. Meu 1º contato com ele: Gremlins, claro. Depois Exterminador do Futuro, Depois de Horas, A Noite dos Arrepios, Grito de Horror, Matinee, etc, etc, etc.

30/1² - Warner confirma o que até a minha bisavó já sabia: Ben Affleck não é mais o Batman dos cinemas. E ele, de novo, se mostra um grande ex. Santo Sonrisal, Batman - mas eu faleeeei, não faleeeei?

31/1¹ - Marvel Entertainment segue investindo forte na reapresentação do Quarteto Fantástico. Elementar, meu caro H.E.R.B.I.E.

32/1 - ...hã, acabou? Até que enfim! CROM SEJA LOUVADO!

domingo, 3 de abril de 2005

JLA + SEINFELD =


JLA Classified é um título recente da Liga da Justiça. Nas três primeiras edições não vi muita diferença do approach que é habitualmente dado à equipe, mesmo com um roteiro leve e descompromissado de Grant Morrison e com o traço maneirão do Ed McGuinness. É aquele negócio: muita ação, corre-corre interdimensional, pancadaria envolvendo monstros gigantes e uma trama muito bem amarrada. Prato cheio quem gosta de uma boa aventura pop super-heroística.

Eu, por outro lado, gostaria que o Gorilla Grodd fosse morto em alguma dessas sagas homicidas da DC. Cansei desse negócio de macaco inteligente.

Mas eis que chega a edição #4 e JLA Classified vai pra galera. Keith Giffen, J.M. DeMatteis e Kevin Maguire estão de volta, malandros como sempre e apostando nos detalhes mais sacanas que fizeram o sucesso de Já Fomos a Liga da Justiça. Virou fórmula, mas mesmo assim continua genial. Todos aqueles personagens do 32º escalão da DC - as "baixas aceitáveis" da editora - em situações e diálogos constrangedores e cheios de duplo sentido. Mas, acima de tudo, retorna aquela fina flor da canastrice heróica: o empresário salafrário Maxwell Lord, seu personal sar"caustic" L-Ron, a dupla nonsense Besouro Azul & Gladiador Dourado, o Homem-Elástico-e-tapado, a brasileira boazuda e desbocada Fogo e a silly girl serelepe Mary Marvel.


Quem já leu a série antiga e as minis especiais já sabe o que esperar e o que não esperar desse balaio de gatos. Se a ação vinha diminuindo gradativamente em favor das gags bem-humoradas, aqui praticamente não há quebra-quebra. JLA Classified é quase um sitcom de super-herói. Isso é realmente ruim num certo ponto, mas por outro é uma festa para aqueles que gostam de diálogos afiados e pingando de cinismo (eu! eu!). E já pintaram seqüências antológicas, como a Fogo apresentando Mary ao cafezinho expresso e deixando a menina ligadona, Besouro zoando o casamento arranjado do Gladiador, a insistência do Homem-Elástico em espalhar que sua esposa Sue Dibny está grávida, sendo que ela não está... opa, peraí. Sue Dibny?! Pára tudo...

Lembra das "sagas homicidas" que eu comentei logo acima? Então... uma delas responde pelo nome de Identity Crisis e foi a maior pedra no sapato de Giffen e deMatteis na continuidade dessa Liga outsider. Eles acharam que assassinando personagens secundários e manchando o passado de alguns heróis renderia um roteiro "chocante". Talento passou longe por ali, e Sue Dibny foi a mais prejudicada nessa história. Praticamente desconhecida na cronologia principal, ela (e outros tantos) foi brilhantemente reformulada por Giffen/deMatteis, ganhando mais personalidade e carisma que muito herói famoso por aí. Aí veio Identity Crisis e fez a merda que fez. Sue Dibny encarou uma via crucis que começou num estupro imbecil e terminou numa morte idiota. Restou à dupla de roteiristas tomar a melhor atitude possível: ignorar esse fato. E eu aplaudo em pé.

Quanto à Identity Crisis, fico com a mesma opinião de Michael Deeley, do Silver Bullet:

"God damn Brad Meltzer and his mediocre pen!"

Em tempo... ao que parece a DC pegou a Liga de Giffen e deMatteis pra Cristo. Dizem que a próxima vítima será o Besouro Azul. E o local do crime será Countdown, a reformulação nº do Universo DC. Quanto mais eu rezo...

Mas voltando...

...um dos maiores achados de Já Fomos a Liga da Justiça foi a troca de Marvels na equipe. Sai o Capitão, entra a inocente Mary, com o mesmo ar de escoteira dos anos 40. Muitos podem reclamar da postura altamente "pollyana" dela (improvável nos dias safados de hoje), mas é justamente esse contraste que é bacana. É como se atirassem um coelhinho num mar de tubarões famintos. Isso rendeu muito antes e continua rendendo. Principalmente agora que ela divide a cena com outro resgatado... mr. Guy Gardner himself.






Essa cheiradinha no dedo foi foda. Mas teve troco. Depois que se recuperou, a doce Mary deu uns tabefes no "malfeitor". E acho que ela fará ainda pior nos próximos capítulos, como aparenta nesse preview da capa da edição #8.


Embora pareça uma versão playmate do Black Adam... gostei do visual. Será que ela tomou uma overdose de cafezinho expresso? :D


Ah, e cabe aí uma homenagem ao Kevin Maguire. Ele ainda é o rei das expressões faciais. Poucos conseguem transmitir tanto com traços tão simples. E a arte-final do ótimo Joe Rubenstein só aumenta ainda mais a sensação de realismo, dimensão e profundidade física dos personagens. Ver o trabalho dos dois é um colírio para os meus olhos, cansados de tantas expressões sisudas e "machonas".


dogg... esperando pra ver a merda que vai dar hoje lá no Maraca.